Orai sem cessar – Novembro/2005

Oportuna análise da recomendação
paulina presente na Carta
aos Tessalonicentes 5: 17

Orar é o melhor remédio para todas as crises e carências humanas. Sem oração, a vida cristã torna-se árida. A oração é a chave nas mãos da fé que pode abrir o celeiro do céu, onde estão os inesgotáveis recursos divinos. É pela oração que nós abrimos o coração a Deus. Por isso devemos empregar esforços e táticas para conservar aberta a comunhão entre Ele e nós (Salmo 42:8).

Através de todos os tempos, os homens têm sentido a necessidade de orar, tornando-se piores ou melhores, consoante o grau de intensidade e persistência com que o fazem (Atos 10: 1-4)

O grande pregador Moody disse o seguinte acerca da oração:

“A oração é a porta pela qual Deus opera a sua vontade soberana em nossas vidas. Um filho de Deus se vê mais apoiado nos joelhos do que um filósofo na ponta dos pés.” Isto é tão verdade que a própria experiência nos revela o grande alcance e o superior efeito da oração. Jesus iniciou e terminou o seu ministério voltado para oração.

É inconcebível:

Felicidade ou vitória, sem darmos graças.

Esforços diários coroados de êxito, sem Deus partilhar.

Problemas difíceis, sem Deus para aconselhar.

Impotência e fraqueza, sem pedir auxílio a Deus.

Desgostos, sem recorremos a Deus para consolação.

Aflições, sem o socorro divino.
Há muita solidão e tristeza numa vida sem oração.

O que a oração não é:

não é um argumento bem idealizado
para tentar convencer a Deus;

não é uma imposição para o agir de Deus;

não é um meio de persuasão para Deus agir;

não deve ser apenas um rol de pedidos
para benefício pessoal;

não pode ser meras repetições.

O que a oração é:

é trabalho e é poder;

é uma solene correspondência entre nós e Deus;

é a porta para a mais íntima comunhão
e convivência com Deus;

é a nossa respiração espiritual;

é uma transação entre nós e Deus;

é um refúgio para o fraco;

é um reforço para o forte;

é a chave para a direção divina;

é um dos fatores mais importantes para moldar
o caráter em conformidade com o propósito divino;

é um mandamento;

é o maior privilégio que nós possuímos;

é a expressão de necessidades e gratidão.

Moody também dizia que não há registros de Jesus ter ensinado os seus discípulos a pregar, mas ensinou-os a orar. Como um pai ou mãe tem prazer em que o filho converse com ele(a), lhe faça confidências, lhe peça conselhos ou fale dos seus problemas, também Deus tem prazer em que os seus filhos procedam do mesmo modo. A oração do homem íntegro é o seu contentamento (Provérbios 15:8). Devemos dar, frequentemente, a Deus este prazer.

Geralmente as orações são feitas sob o peso das necessidades. Mas, pondo os nossos interesses de parte, oração deverá ser essencialmente desejo de conviver com Deus. O anseio pelas coisas espirituais, a avidez de descobrir os mistérios divinos, a sensação interior que se traduz por fome de Deus, é que determinam a frequência e intensidade que a oração tem nas nossas vidas (Salmo 42:1 e 2).

Para chegar a Deus – diz o filósofo brasileiro Hermógenes – é simples: basta que tenhamos por Ele a mesma avidez que o peixe fora de água tem por lá voltar. O cristão deve ter a sensação permanente da presença de Deus.

Um fabricante de produtos de vitaminas, na sua campanha publicitária, chamou à avitaminose e falta de elementos nutricionais na nossa estrutura física de fome oculta. As pessoas podem saciar a fome com uma refeição abundante; mas nem sempre se alimentam, por isso ele designou a avitaminose dessa maneira.

Infelizmente as pessoas hoje também padecem de fome espiritual oculta. O mundo está cheio de desespero, tristeza, sofrimento, ansiedade; o que precisamos não é de mais religião, mas de uma experiência espiritual autêntica com Deus. Apresente-se no lugar de oração! Uma vida que tenha por alicerce uma experiência genuína com Deus poderá resistir a qualquer temporal.

A presença de Deus em nossa vida é uma necessidade absoluta. Sem Deus presente na vida coletiva da igreja ou na vida particular de cada membro, é impossível permanecer, prosperar e vencer. E nenhum cristão poderá atingir apreciável crescimento espiritual sem intensiva oração, pois ela é o único veículo de correspondência entre Deus e nós e a única forma de requerer e manter a sua presença.

Você tem orado?

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Fonte: Jornal Aleluia de novembro de 2005

No coração dos líderes, nasce o clamor pelo avivamento – Setembro/2006

Avivar é dar vida, trazer de volta
aquilo que já foi. Para experimentá-lo
é preciso que as pessoas reconheçam
sua necessidade

O clamor pelo avivamento precisa ter seu início no coração dos líderes, conforme o livro de Joel. Seu apelo foi “Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar”, 2: 17. Porém, é necessário levar o povo à fonte: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus…”, 2: 12-13.

Nossa amada igreja possui como slogan este clamor: “Aviva, ó Senhor, a tua obra”. Que esta seja a oração de cada presbiteriano renovado, especialmente de seus ministros.

Avivar é dar vida. Reavivar seria, no caso, ressuscitar trazer de volta aquilo que já foi. Para experimentá-lo é preciso que as pessoas reconheçam a sua necessidade. O avivamento traz alegria, ousadia, despertamento à igreja. É como o primeiro milagre que Jesus realizou: quando só havia água, aí, então, Ele agiu e transformou-a em vinho, Jo 2: 1-11.

Um tempo da busca ansiosa

Todo movimento de avivamento é precedido do cálice da frieza e indiferença generalizada. É o caso, inclusive, de se sentir na pele a solidão diante de um “vale de ossos secos” que torna evidente a miséria reinante, onde se pode ver com clareza a desistência de muitos.

Por isso, vemos que os reavivamentos ocorridos na história da igreja sempre foram iniciados a partir de um remanescente que teve de enfrentar a oposição da maioria que sempre preferiu reclamar do estado caótico em vez de buscar a solução através do quebrantamento diante de Deus, a fim de que a terra fosse sarada, 2 Cr 7: 14.

A igreja só poderá conquistar o coração do mundo quando tiver seu coração conquistado por Jesus, Sl 62: 8. Cristo não pode nos possuir até que sejamos verdadeiramente quebrantados. Precisamos semear com lágrimas para vermos o fruto ou tomarmos posse das promessas que plantamos com fé, Sl 126: 1.

Um tempo de refrigério

Deus faz de seus ministros “labaredas de fogo”, Hb 1: 7, e, ao iniciar, o avivamento se alastra como fogo e passa a envolver um número ilimitado de pessoas, gerando arrependimento de pecados, salvação de vidas, despertamento missionário e maior zelo pelas coisas de Deus. O resultado sempre é estrondoso.

Diante do intenso ardor causado nos corações dos cristãos, tem início uma batalha contra as próprias fortalezas do mal, saqueando as vidas que estão sob o jugo de Satanás. Isso resulta em conversões de pessoas e famílias que jamais se imaginaria fossem dar esse passo, pois passamos a empunhar “as armas da nossa milícia que não são carnais, mas são poderosas em Deus para destruição das fortalezas” (2Co 10: 4). O fogo inflama como em madeira seca.

Robert Murray McCheyne, séc. XIX, na Escócia, buscou ansiosamente pelo avivamento e, quando ele veio foi descrito como “uma enchente represada, rompendo todos os obstáculos”. Lágrimas corriam de muitos olhos, e algumas pessoas caíam no chão, gemendo e clamando por misericórdia. Daquela noite em diante, houve reuniões diariamente por muitas semanas. A cidade inteira foi abalada. Muitos crentes duvidaram; outros se enfureciam; mas a Palavra de Deus crescia poderosamente e prevalecia. Houve casos em que famílias inteiras foram convertidas ao mesmo tempo.

No entanto, não se pode ignorar que junto com a beleza das rosas há os espinhos, que são os oposicionistas, aqueles se intitulam os “guardiões do modo como Deus deve agir”. Um exemplo disso foi quando Deus abençoou Andrew Murray e a Igreja Reformada da cidade do Cabo com um avivamento. O Espírito desceu e operou poderosamente, mas ele enfrentou muita oposição.

A meu ver, pode-se até medir a profundidade do avivamento pela quantidade de perseguição que enfrenta. Alguns pastores da mesma Igreja de Murray disseram que ele ensinava uma doutrina falsa, que havia saído dos trilhos, mas a palavra do Senhor prevalecia.

Os estragos que são produzidos na igreja, bem como a falta de mergulhar intensamente na obra de evangelização e destruição das obras do maligno, procedem dos próprios crentes – não dos ímpios! Eles não nos causam muitos problemas, mas sim, aqueles que se consideram crentes e que, na realidade, são mornos e, por isso, causam mal-estar ao Senhor Jesus, Ap 3: 15.

Mas quando a igreja está vivendo o mover de Deus em seu interior, ela jamais temerá qualquer crítica ou oposição, pois as portas do inferno não vão prevalecer diante dela, Mt 16: 18.

Um tempo de perseverança na unção

Ao estudarmos a história da igreja e os avivamentos que aconteceram, podemos encontrar os desistentes que se fizeram de vítimas diante da tendência humanista de, pouco a pouco, se cansar e abandonar tudo por causa das oposições e críticas daqueles que não se abriram para receber algo novo de Deus.

A unção sempre foi discutida e questionada, mas só quem a experimenta pode dizer qual é o seu “sabor”. Tenho comigo uma convicção: aqueles que não dão liberdade para Deus tocar seus corações, e isto Ele só fará se abrirmos a porta voluntariamente, certamente serão tocados pelo Diabo, que é especialista em arrombar corações críticos, frios e indiferentes.

Há de se levar em conta que todo pioneiro do avivamento pagou um alto preço para que ele viesse e para que fosse alastrado e mantido. Em se tratando de avivamento, não podemos esquecer que, “se não houver lenha, o fogo se apagará”, não por ser falso, mas por falta de ser alimentado.

“O fogo do céu não é de segunda categoria, fogo usado, de segunda mão, gasto, que perdeu a qualidade. Deus tem somente um tipo de fogo: sempre renovado, claro, inflamado, saltitante e novinho em folha” – (Renhard Bonke).

Muitos dizem orgulhosamente: “eu falei que isso era só fogo de palha”, mas quem ousaria dizer que o fogo na palha não é fogo? O que faltou foi juntar a lenha sobre ele. O propósito real do avivamento é fazer mover a máquina, levando o Evangelho aos corações das multidões que estão “…no vale da decisão”, Jl 3: 14. Quando isso não é assumido com seriedade, sua chama acaba diminuindo, pois o mover de Deus é para que a igreja “levante-se e vá…, e não para que ela se assente e fique lamentando as críticas e oposições”. Não existe no movimento de avivamento o ministério “esquentador de banco”, ao contrário, corações avivados não suportam ficar sem ação em hora de luta e de quebrantamento.

Conclusão

O mesmo Deus que visitou seu povo, em Atos 2, quer fazer uma obra especial em nossos dias. O mesmo Espírito Santo que esteve na Rua Azusa, há 100 anos, quer se fazer presente em nossas vidas e em nossas igrejas. Por isso, digo a todos que “é tempo de buscar ao SENHOR, até que venha e chova a justiça sobre nós”, Os 10: 12. Bem-vindo, Espírito Santo!

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 2006

Pr. Rubens Paes é o novo diretor do Aleluia Fevereiro/2006

Palavra do presidente da IPRB
sobre a nomeação do Pr. Rubens Paes
como diretor da Editora Aleluia

A vida é transitória. Tudo passa ligeiramente e tem o tempo certo, Ec 3. O grande sucesso de um líder reside em sua capacidade de preparar sucessores. Mesmo porque, como cristãos, precisamos crer que Deus dirige a história. Ele é o responsável pelo curso da Igreja na terra. Para isso, o Espírito Santo, nosso eterno Consolador, precisa ter plena liberdade em nosso meio. Neste aspecto, nosso irmão soube valorizar a direção de Deus

Estamos certos de que, desde o momento em que o professor Joel R. Camargo decidiu, em oração, entregar a direção do Jornal Aleluia, o Senhor já havia confirmado e separado a pessoa para ocupar seu lugar. Por isso, podemos afirmar que não foi propriamente uma opção da Diretoria Administrativa a nomeação do pastor Rubens Paes, mas sua escolha já estava nos planos de Deus.

O pastor Rubens Paes, que por muitos é chamado de Rubinho, natural de Assis, SP, nasceu no dia 12/08/61. É casado com Gisele Veríssimo Paes e tem um filho (Gustavo). Foi recebido como evangelista no rol de obreiros da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil em dezembro de 83, pelo Presbitério de Osasco, e ordenado ao pastorado em abril de 87, pelo Presbitério de Londrina. Bacharelou-se em Teologia, em dez/ 1983. Concluiu sua pós-graduação em Novo Testamento em 1991, pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo (FTBSP). Além da formação teológica, graduou-se em Letras, pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Arapongas (FAFICLA), em 1989, e em Direito, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1995. É, também, pós-graduado em Direito Civil e Processo Civil pela UEL. Trabalha no setor editorial há muitos anos. Traduziu alguns livros, coordenou a edição de outros e publicou uma obra sobre família.

Cremos que Deus proporcionará ao pastor Rubens a capacidade necessária para que dê continuidade ao trabalho que lhe foi confiado. A Josué, sucessor de Moisés, Deus disse: “Como fui com Moisés, assim serei contigo, não te deixarei nem te desampararei”, Js 1: 5. Nossa constante oração é para que Deus continue a prosperar os caminhos da Gráfica e Editora Aleluia e que ela não seja simplesmente uma empresa para abastecer o mercado evangélico, mas, acima de tudo, uma agência evangélica comprometida com o crescimento do Reino de Deus.

Assim, conclamamos, mais uma vez, a liderança em geral dos Presbitérios, das Igrejas Locais e a todos os membros da IPRB para prestarem contínuo apoio espiritual, humano e material à nossa querida Editora Aleluia.

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2006

Biografia do Pastor Rubens Paes

Origem da IPR de Palmital, SP Julho/2006

A Igreja Presbiteriana Renovada
de Palmital, SP, teve seu início
com um trabalho da MISPA

Por Pr. Rubens Paes

Como tudo começou

Em 1984, o presbítero Loudomiro Carneiro era o presidente da MISPA. Funcionário da CEAGESP, passando a residir em Palmital, convidou o então evangelista Rubens Paes, primeiro secretário da Missão, para mudar-se para aquela cidade. Dois eram os objetivos que o presidente da MISPA tinha em mente. Primeiro, que a Missão tivesse um secretário com tempo integral. Segundo, a fundação do trabalho presbiteriano renovado naquela cidade com fortes tradições religiosas não-evangélicas.

Primeira reunião: sete pessoas

Em 25/07/1984 reuniram-se em Palmital, SP, na Avenida Reginalda Leão, 915, sete pessoas para fundar a IPR naquela cidade. A primeira diretoria do campo missionário foi constituída pelas seguintes pessoas: presidente, evangelista Rubens Paes; secretário, presbítero Loudomiro Carneiro; tesoureira, Coraly Júlia Gonçalves Carneiro.

Em uma casa alugada na Av. Reginalda Leão começaram a ser realizados os primeiros cultos. Um programa de rádio, que era integralmente custeado pela saudosa irmã Coraly Júlia Gonçalves Carneiro, foi um precioso meio de evangelização. As primeiras conversões começaram a ocorrer na cidade. Também, pessoas que residiam na zona rural ouviam os programas radiofônicos e foram chegando-se à Igreja.

A IPR de Palmital em 2006

A igreja em Palmital cresceu e está forte, alegre e vibrante. O número de membros está perto dos 300. Um lindo templo foi construído na cidade, na rua Coronel Afonso Negrão, 70.

No dia 25 de julho de 2006, a IPR de Palmital, SP, comemorou 22 anos de sua fundação. A igreja, que hoje congrega quase 300 membros, está sob a liderança do Pr. Hélio Varella Júnior. A Missão Priscila e Áquila – MISPA – foi representada no evento pelo Pr. Edson Rodrigues Félix.

Homenagens aos membros
fundadores da Igreja

O Pr. Hélio Varella Jr. convidou os membros fundadores da igreja para participarem do culto de comemoração dos 22 anos de fundação da Igreja e fez a todos uma inesquecível homenagem. Homenageou, inclusive, o pedreiro que trabalhou na construção do templo.

Durante o culto leu a ata da primeira reunião e emocionou os fundadores daquela igreja. Levou a igreja a cantar os mesmos hinos e trouxe à memória de todos os sonhos, agora concretizados, que haviam nascido há mais de duas décadas. O Pr. Rubens Paes, de Arapongas, PR, foi o pregador.

Especial homenagem foi prestada à irmã Aparecida, hoje com 89 anos. Todos os renovados de Palmital conhecem sua fé e dedicação à obra. Quando a igreja foi organizada, lá estava ela entre os sete primeiros membros arrolados. Desde 1977, vinha ela orando pela abertura do trabalho presbiteriano renovado naquela cidade. E em 1984, já com quase 70 anos, era a mais assídua de todos. E continua firme nos cultos, beirando agora os 90 anos de idade.

Em Palmital cumpre-se a palavra de Jesus: “….edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Texto redigido em 06-07-2006

Sete de outubro: eleições à vista – Outubro/2010

No dia 7 de outubro de 2010, os brasileiros
irão às urnas eleger prefeitos e vereadores.
A escolha de nossos representantes precisa
ser feita com extrema cautela

Recentemente, o pastor batista Paschoal Piragine, de Curitiba, PR, fez um corajoso pronunciamento de teor político, alertando sua igreja acerca de determinados posicionamentos tomados pelo partido que está no governo. Até hoje (22/09/2010), o vídeo já foi visto por mais de dois milhões de pessoas na Internet (www.youtube.com).

Neste momento devemos abstrair-nos de nossas paixões políticas e partidárias para fazermos uma reflexão mais aprofundada sobre o que queremos para o nosso país. Antes de votar, pesquise a vida dos candidatos que você escolheu para que o representem. Procure saber se eles não estão envolvidos em denúncias de corrupção.

Precisamos mudar nosso país e podemos fazer isso através do voto. Será que seus candidatos refletem os pontos de vista que você tem. Que posicionamentos são defendidos sobre temas éticos e morais, como aborto, união estável entre pessoas do mesmo sexo, adoção de crianças por casais homossexuais, etc? Que conflitos há entre os posicionamentos de seu candidato e as convicções que você defende? Muitos votam sem pensar nessas questões.

O apólogo do espinheiro

A Bíblia contém uma interessante história em que as árvores conversam sobre qual delas reinaria sobre as demais. A narrativa está em Juízes 9: 7-21 e foi contada em um momento de crise política em Israel.

As árvores precisavam escolher um rei. Reuniram-se, então, e pediram à oliveira que reinasse sobre elas. Mas a oliveira recusou-se a assumir tal função. Por causa disso, as árvores pediram à figueira: “Vem tu e reina sobre nós.” Mas a figueira também não aceitou o convite. O mesmo aconteceu com relação à videira. Por fim, as árvores foram falar com o espinheiro. “E o espinheiro respondeu: Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra. Se vocês não fizerem isso, sairá fogo do espinheiro e queimará os cedros do Líbano.”

Essa história faz-nos refletir sobre nossa responsabilidade política. Nossas decisões muitas vezes nos levam em direção à consolidação das instituições democráticas. Contudo, decisões tomadas incorretamente nos fazem caminhar em direção ao matadouro.

A fábula das árvores que queriam escolher um rei nos ensina grandes verdades. Líderes autoritários são como o espinheiro. Não são dados ao diálogo. Eles não conseguem ocultar sua personalidade dura e intransigente. Revelam-se desde cedo. O espinheiro aceitou o convite, mas de imediato mostrou-se duro e irredutível.

A sombra do espinheiro

Se escolhermos mal nossos governantes, estaremos nos abrigando à sombra do espinheiro. O Presidente da República e os governadores exercem o Poder Executivo. Senadores e deputados, dentre outras atribuições, têm a responsabilidade de legislar. Nós, população, vivemos sob o império das leis. Portanto, pense na procuração que você dará a homens e mulheres que, em seu nome, farão leis para nosso Brasil.

Um candidato humorista afirma, em sua propaganda política, que não sabe o que um deputado faz. Mas que, se for eleito, ele vai aprender para contar ao eleitor. Em todo o Brasil são vistos candidatos que, ao que tudo indica, não têm condições de exercer nenhum tipo de mandato.

Escolha bem

A Bíblia está repleta de narrativas de cunho político, especialmente no Antigo Testamento. Tais narrativas mostram descuidos tanto de líderes políticos quanto do povo. Governantes incautos podem trazer grande insatisfação. O rei Roboão, sucessor de Salomão, sem qualquer experiência administrativa, sem tato político, sem capacidade de ouvir os mais experientes, causou uma divisão em Israel.

Portanto, reafirmo, sejamos cuidados. Líderes autocráticos, que não sabem compartilhar decisões, são perigosos. E também fiquemos atentos aos que, fazendo-se de democráticos, desejam sustentar projetos pessoais ou de um grupo, esquecendo-se do povo.

É curioso observar que as “repúblicas democráticas” ou “repúblicas populares” eram redutos de ditadores. A República Popular da China nada mais é que a China comunista; a extinta DDR (República Democrática Alemã) era a Alemanha comunista; a República de Cuba nada mais é do que a república do senhor Fidel Castro; a República Democrática Popular da Coreia é a Coreia do Norte. A história é clara quando mostra a força de líderes carismáticos que, perpetuando-se no poder, subjugaram o povo.

Liberdade de escolha

Está em nossas mãos a escolha. Reflitamos bem antes de elegermos quem governará o país nos próximos anos. Feita a escolha, teremos de arcar com as consequências. Não vamos abrigar-nos à sombra do espinheiro.

Quero concluir com duas afirmações de Salomão: “Quando os honestos governam, o povo se alegra; mas, quando os maus dominam, o povo reclama.” Pv 29: 2; Provérbios 29:18: “Um país sem a orientação de Deus é um país sem ordem. Quem guarda a lei de Deus é feliz.”

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Fonte: Adaptado do artigo publicado no Jornal Aleluia de outubro de 2010, ed. 357, p. 02

Significado de ministério no Novo Testamento – Julho/1998

Compreender o pastorado em sua essência
é uma tarefa a que todo ministro
do evangelho deveria se dedicar. A falta
de entendimento dos mais profundos conceitos
existentes no Novo Testamento
sobre este assunto leva muitos obreiros
a um ministério fraco, que não enfoca
os propósitos de Deus para os que estão
na liderança do rebanho.

Já conheci e também já ouvi falar acerca de pastores que tratam suas igrejas como se fossem empresas. Outros são dominadores, autocratas, perseguem aqueles que não compartilham de seus pontos de vista. Tratam o rebanho como se todos fossem seus subalternos. Que visão deturpada de ministério! Que visão míope para um chamado tão nobre! Para muitos pastores, ser ministro do Evangelho é fazer parte de uma elite. Essas pessoas nunca compreenderam sua vocação.

Fico impressionado com homens da envergadura teológica de Karl Barth, que, com o renome que possuía, e com tamanha contribuição que deu à Teologia, enquanto se dedicava ao magistério teológico em Basileia, na Suíça, também se preocupava com o ministério da pregação em um presídio, e chegou a dizer: “Entre as minhas atividades em Basileia ainda se deveria mencionar que, para as minhas pregações ocasionais, a prisão local tornou-se nestes anos o meu púlpito predileto. (Dádiva e Louvor, Ed. Sinodal, pág. 429). Isso é servir. Na verdade, a ideia essencial de ministério no Novo Testamento é a de serviço. E a grande inspiração do ministério de Deus é o exemplo de Jesus: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.

Ministros servos

Há diferentes termos usados no Novo Testamento para se referir ao trabalho pastoral, geralmente traduzidos para o português como ministério. Todos enfocam a ideia de serviço. É muito bonito ler 1Co 4:1: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo…” . Ou também At 26:16: “Porque por isto te apareci, para te constituir ministro…”. O termo grego que aparece aqui é huperetes, cujo significado sempre está ligado à ideia geral de serviço.

Huperetes era a palavra grega para designar aquele que rema, portanto, o membro da tripulação de um navio. Mas referia-se também a qualquer serviçal. O termo designa o oficial de justiça em Mt 5:25; os serventuários, em Mt 26:58; o assistente na sinagoga, em Lc. 4:20, o servo auxiliar, At. 13:5; os guardas em Jo 7:32. É como se Paulo dissesse: “que os homens nos considerem como serviçais de Cristo”. Muito bem traduz a Bíblia na Linguagem de Hoje: “Vocês nos devem tratar como servidores de Cristo.”

Diákonos é outra palavra largamente usada no NT para se referir ao ministério do homem de Deus. Quando Jesus disse que veio para servir, Mt 20:28, usa um verbo que tem essa mesma raiz. O apóstolo Paulo emprega essa palavra para falar dos ministros do evangelho em 2Co 3:6, etc. A palavra diakonia aparece traduzida como ministério em 2Co 4:1; 5:18; 1Tm 1:12.

No grego secular, o termo diákonos significava servir à mesa. O trabalho envolvia sujeição pessoal, que era considerada indigna e indecorosa para um homem livre. Também poderia referir-se simplesmente a cuidar das necessidades do lar e, às vezes, era também usado para indicar qualquer trabalho num sentido mais genérico, como prestar serviço a uma causa. O termo também foi muito usado no Novo Testamento para referir-se ao trabalho dos diáconos na assistência social, 1Tm 3:10, 13; Rm 16:1; Fp 1:1; 1Tm 3:8, 12.

Ministros cooperadores

Dois outros termos que aparecem no NT, e com eles vou finalizando este artigo, são synergon e leitourgon. Synergon, 1Ts 3:2, significa trabalhar juntamente. O termo aparece em Rm 16:3; 1Co 3:9. A ênfase é a do trabalho conjunto. O homem de Deus precisa conscientizar-se de que ele é apenas instrumento. Ele planta a semente, vem outro e rega. Mas quem dá vida e faz crescer é Deus. Portanto, do Senhor é a glória.

E, finalmente, o termo leitourgos, que está em Romanos 15:16; Fp 2:25. A princípio, indicava o ato de fazer obras públicas a próprias expensas; fazer serviço para o povo. A forma mais antiga do termo é composta de laos (povo) e ergon (trabalho). Daí é que veio esse significado.

Na Septuaginta, tradução do AT para o grego, a palavra refere-se ao serviço dos sacerdotes e levitas no templo. No NT, em Hebreus, o termo é usado no sentido ritual sagrado. Veja Hb 8:2. Paulo o utiliza em Rm 15:16, onde parece ter um significado semelhante ao empregado no AT, indicando um trabalho sacerdotal do apóstolo, levando os gentios a Cristo. Em Fp 2:25,30, o termo indica cooperador, ajudador. O ministro é um leitourgos porque cabe a ele fazer discípulos, cuidar desses discípulos e levá-los ao crescimento na fé, para que se tornem semelhantes a Jesus.

Portanto, o pastor é um servo que gasta sua vida para ajudar a promover o crescimento do Corpo de Cristo: “E ele concedeu outros para pastores e mestres com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”, Ef 4:11-12. Seus interesses vão muito além daquilo que pode nortear o trabalho de qualquer profissional.

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Fonte: Jornal Aleluia 222, de julho de 1999

“Persiste em ler…” – Março de 2006

O mercado editorial cristão tem crescido
de modo extraordinário no Brasil.
A cada mês, o leitor tem à sua disposição dezenas
de novos títulos. São obras acadêmicas, devocionais,
de autoajuda, testemunhos, etc.
A Editora Aleluia se insere nesse contexto,
publicando literatura que ensina e edifica

Como seria bom se todos soubéssemos aproveitar bem a riqueza de conteúdo que nos é oferecida. Mas, infelizmente, as estatísticas comprovam que o brasileiro lê pouco, quando comparado aos europeus ou aos norte-americanos. No Brasil, a média de livros lidos por ano é de 1,8 por pessoa. Na Europa, ultrapassa a casa dos sete livros por pessoa. E há mais uma agravante na realidade brasileira: pesquisas revelam que até nos meios universitários há muita dificuldade na interpretação de textos.

Apesar do triste quadro em que está imersa a cultura brasileira, os evangélicos levam vantagem no hábito da leitura. Leem mais do que o restante da população. Leem a Bíblia, leem os textos usados nas escolas bíblicas, leem os autores cristãos.

O poder da literatura

A literatura é um poderoso instrumento para formar opinião, firmar conceitos, propagar ideias, criar debates. Há obras que jamais cairão no esquecimento. Atravessam séculos, milênios e não perdem sua atualidade. A Bíblia é o maior exemplo. E tantas outras verdadeiras pérolas da literatura mundial permanecem sendo editadas e influenciando pessoas.

Precisamos ler mais. E devemos ser críticos quando abrimos um livro e começamos a nos deliciar com ele. O leitor deve ser o grande juiz dos conceitos que o autor está querendo transmitir.

Diante de tantas opções para alimentar nossas mentes e almas, temos de ser criteriosos nas escolhas que fazemos.

A fé cristã na mira
de grandes autores

Redigi este artigo para chamar a atenção do leitor para algumas novidades no mundo editorial secular que têm como objetivo achincalhar a fé.

Muitas obras já foram publicadas com a finalidade de questionar as bases do Cristianismo. Recentemente, algumas ganharam notoriedade em todo o mundo. Seja pelo estilo romanceado, seja pela linguagem, foram ganhando força e criando polêmica. Quero chamar a atenção para duas delas.

Jesus e Javé – Os Nomes Divinos é o título de um novo livro publicado no Brasil. Em 276 páginas, o autor, Harold Bloom, rebate conceitos fundamentais em que o Cristianismo se baseia. Ele contesta a ideia de que existe uma cultura judaico-cristã. Nega qualquer continuidade entre Judaísmo e Cristianismo e opõe-se à ideia de que o Deus do Antigo Testamento seja uma divindade amorosa, como a que nós, cristãos, cultuamos.

Uma resenha publicada na revista Veja afirma que o autor apresenta um Jesus que “mostra pouco afeto por seus discípulos, que parecem escolhidos por sua incapacidade de entender o que o mestre prega…” (Jerônimo Teixeira, “Deus não é amor”, Veja, 22/02/ 2006, p. 107).

O Código Da Vinci é outra dessas obras polêmicas que atacam a fé. Milhões de cópias já foram vendidas em todo o mundo. Escrito por Dan Brown, o romance propõe a falsidade do Cristianismo. O autor questiona a veracidade histórica da fé e afirma que Jesus foi casado com Maria Madalena, com quem teve uma filha.

Que respostas temos?

Enquanto alguns autores escolhem como tema de suas obras a crítica ao Cristianismo, e vendem milhões de exemplares, nós, cristãos, muitas vezes ficamos apáticos. Não temos respostas para dar àqueles que leem essas obras e nos questionam sobre pontos da fé que lhes parecem contraditórios.

O apóstolo Pedro orientou seus leitores: “Estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”, 1 Pe 3: 15.

E a literatura infanto-juvenil:
que livros nossos filhos estão lendo?

Além dos nítidos ataques à fé direcionados ao leitor adulto, nossos jovens e adolescentes também estão na mira dos escritores. Nos últimos anos, a autora J. K. Rowling fez sucesso em todo o mundo ao escrever diversos livros cujo principal personagem é Harry Potter, o mais amado bruxo das crianças e adolescentes.

Segundo especialistas em comportamento, essa série de obras tem influenciado muitos jovens leitores e os levado à prática da bruxaria. Artigo publicado pela Folha de São Paulo, em 06/09/2004, mostra que, por influência do bruxo da ficção, adolescentes estão se tornando praticantes da bruxaria Wica: “Inspirados por sucessos como o fenômeno Harry Potter, muitos jovens começam a pesquisar sobre o assunto na internet e encontram páginas de grupos que promovem rituais.” (“Folha de São Paulo, Folha-teen, “O Feitiço virou moda”).

As Crônicas de Nárnia

Recentemente, a mídia chamou a atenção para As Crônicas de Nárnia. Esse trabalho literário merece ser conhecido.

Em dezembro, a famosa obra O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, escrita por C. S. Lewis, virou filme. Talvez, muitos tenham se assustado com o título e pensado tratar-se de mais alguma obra que apregoe o ocultismo. Enganou-se quem pensou assim.

Quanto à obra de C. S. Lewis, não é preciso ter medo algum. Famoso pensador cristão irlandês, ele escreveu a série As Crônicas de Nárnia voltadas para o público juvenil. São sete obras que, sem mencionar o Cristianismo ou o nome de Jesus, tratam de profundas questões concernentes à fé cristã. Usando linguagem simbólica, personagens mitológicos, o leitor é levado a refletir sobre temas como redenção, pecado, natureza humana, etc.

Conclusão

Quando Paulo recomendou a Timóteo: “Persiste em ler” (1Tim 4:13), referia-se à necessidade que o jovem pastor tinha de dedicar-se à leitura das Escrituras.

Diante da riqueza dos debates contemporâneos, de modo nenhum podemos manter-nos alienados das ideias que circulam no mundo secular e também no religioso. Devemos, sim, saber filtrar e reter o que é bom. 1Timóteo 4:13.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2006

Os dons do Espírito Santo – Dezembro/2004

Todo movimento de renovação espiritual,
para ser legítimo, precisa aceitar
e pôr em prática, de forma irrestrita,
as doutrinas bíblicas relacionadas
à ação do Espírito Santo.
E uma delas é a existência dos dons espirituais
para os nossos dias. Os dons são ferramentas
que o Espírito de Deus entrega aos crentes, conforme sua vontade e propósito, sempre visando
à edificação do Corpo de Cristo.

A Igreja está envolvida numa intensa batalha espiritual. Seus conflitos não se travam contra poderes humanos, mas contra potestades do mal. Por isso, é importante ter recursos espirituais para lutar contra os poderes que escravizam o homem, levando-o ao pecado.

Os dons são para hoje ou não?

Para os grupos carismáticos e pentecostais, a atualidade dos dons espirituais é um fato incontestável. Mas não ocorre a mesma coisa nas igrejas chamadas de históricas ou tradicionais. Nestas, a não-aceitação da atualidade dos dons sempre foi motivo de discussões e divisões.

Para alguns teólogos, os dons eram apenas para os dias apostólicos, para a igreja primitiva. Quem pensa dessa maneira toma por base o texto de 1Co 13: 8-10. A expressão “quando vier o que é perfeito”, no v. 10, significaria que, ao cessar a era apostólica, ou quando estivesse completo o cânon do Novo Testamento, também cessariam os dons. Contudo, a crença de que os dons eram apenas para o primeiro século da era cristã não é unanimidade nem mesmo dentro das igrejas históricas.

Os argumentos favoráveis à existência dos dons para os nossos dias são muito mais convincentes. Há em 1Co 13: 8-10 uma clara referência à volta de Cristo. Só após a segunda vinda de Cristo é que não mais precisaremos usar os dons.

Jesus prometeu capacitar os crentes para a pregação da Palavra, Lc 10: 19. A história da Igreja confirma o uso dos dons nos seguintes períodos: IV século – Irineu, Tertuliano, Crisóstomo e Agostinho; séculos V ao XV, os valdenses, os albigenses, os jansenitas e os pietistas alemães; no século XIX, os metodistas; os quakers, Wesley, Whitefield, Moody, além de outros que passaram por essa experiência.

A diversidade de dons

Os dons têm sua origem na ação do Espírito Santo, 1Co 12: 1-11. Ele é quem os distribui soberanamente aos crentes, com objetivos específicos, 1Co 12: 7, 11.

Geralmente, ao estudarmos os dons espirituais nos prendemos àqueles mencionados em 1Co 12. Mas há diferentes listas de dons no Novo Testamento:

Romanos 12: 6-8: profetizar, ministrar, exortar, contribuir, presidir e exercer misericórdia. O contexto desses versículos enfatiza que todos somos membros do Corpo de Cristo e dependemos uns dos outros. Cada crente contribui para o crescimento do Corpo, usando o dom específico que tem recebido.

Efésios 4: 11-16: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores-mestres. Através desses ministérios os crentes são equipados para o serviço. À proporção que cada um presta sua contribuição, todo o corpo vai sendo edificado, v. 12, e cada membro em particular vai crescendo e adquirindo maturidade espiritual, vv. 13-16.

1Coríntios 12: 4-10: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, dons de curar, operações de milagres, profecia, discernimento de espíritos, variedade de línguas, interpretação de línguas. Essa passagem, juntamente com os vv. 28 a 31, se complementa ao narrar os dons do Espírito Santo. No v. 7 o apóstolo ensina duas grandes lições. A primeira é de que o Espírito concede dons a cada crente: “a manifestação do Espírito é concedida a cada um…”. Outra lição é a do fim proveitoso dos dons. Não há distribuição de dom sem finalidade específica.

1Coríntios 12: 28: apóstolos, profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governar, variedades de línguas.

1Pedro 4: 10-11: falar, servir. O objetivo dessa passagem é acentuar que, se o crente recebe um dom espiritual, deve empregá-lo a serviço dos outros membros, conforme o poder de Deus e para a glória do Senhor.

Manifestação do Espírito
no Antigo e Novo Testamentos

Há uma nítida diferença entre o agir do Espírito no Antigo Testamento e no Novo. No AT, o Espírito Santo agia sobre algumas pessoas específicas, com um propósito especial, dando-lhes capacidade para executarem certas tarefas. Alguns exemplos:

Belzaleel recebeu habilidades para trabalhar na obra
do tabernáculo, Êx 35: 30-31;

Otoniel, Gideão, Jefté e outros receberam poder
vindo do Espírito para livrar e governar Israel;

veja também estas ações especiais do Espírito no AT, dando habilidade específicas a certas pessoas para profetizar, Nm 11:26-27; operar milagres, Js 10: 12-13; ter fé, 1Re 18: 23-30; ter discernimento, 2Rs 5: 25-27; ter sabedoria, 1Rs 4: 29 e Gn 41: 25.

No Novo Testamento, no entanto, há uma nova perspectiva sobre o mover do Espírito Santo. Vê-se que o Espírito age irrestritamente no Corpo de Cristo. Ele é o selo que identifica que o salvo é propriedade de Deus, Ef 1: 13; 4: 30. Todo salvo tem o Espírito, Rm 8: 9. O Espírito é quem habilita os crentes para o serviço cristão. Ele é o distribuidor dos dons.
Conclusões

Há algumas importantes lições que temos de ter em mente sobre os dons:

1. devemos procurar com zelo os melhores dons, ou seja, aqueles que trazem edificação aos irmãos, 1Co 12: 31;

2. os dons devem ser usados para o benefício da igreja e não para proveito próprio;

3. cada cristão deve procurar desenvolver seus dons, 1Tm 4: 14 e 2Tm 1: 6;

4. se os dons não forem bem usados poderão provocar confusão no seio da Igreja, causando escândalo à obra de Deus;

5. o exercício dos dons espirituais não indica o grau de espiritualidade de uma pessoa. Compare 1Co 1: 4-7 com 1Co 3: 1-3. Embora os coríntios tivessem muitos dons, foram chamados de crianças em Cristo. O termômetro para se medir a espiritualidade de um crente é o fruto do Espírito, Gl 5: 22-23.

6. Os dons só terão valor diante de Deus se forem exercidos com amor.

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Fonte: Jornal Aleluia de dezembro de 2004

O trono da violência – Julho/2000

A expressão “trono da violência”
foi usada pelo profeta Amós (6: 3)
para falar de líderes políticos e religiosos
que desrespeitavam o direito do povo
para proteger seus próprios interesses.
Agiam de má fé, lesavam a parte mais fraca.
Todos precisavam calar-se diante deles

Caim matou Abel. Desde então, os relatos bíblicos mostram uma sociedade impregnada pela maldade. Quem lê o profeta Oseias (4: 2) vê em suas palavras os crimes retratados todos os dias nos jornais: “O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios.” Séculos antes de Cristo, a conduta de um povo que dizia conhecer a Lei do Senhor era vergonhosa.

A violência serve de cenário para a parábola do Bom Samaritano. Jesus refere-se à conduta dos salteadores que, após terem roubado tudo o que o homem possuía, o deixaram muito ferido e semimorto.

Violência que atemoriza a sociedade

Pessoas violentas promovem a insegurança da família e da comunidade. Recentemente um fato abalou o Brasil. Um homem seqüestrou um ônibus no Rio de Janeiro e, após diversas horas de tensão, o desfecho foi trágico. Uma senhora que estava sendo usada por ele como escudo humano foi baleada e morreu. Depois, morreu também o bandido, enquanto era levado ao hospital.

Assaltos a ônibus de turistas, roubos de veículos, seqüestros, crimes cometidos no trânsito, arrombamentos de residências, estupros são apenas alguns exemplos de como anda a criminalidade em nosso país. Há pouco tempo, a TV divulgou o seqüestro de um pastor no Rio de Janeiro. Com idade avançada, ele ficou vários dias em poder dos bandidos. Sem receber alimentação, ao ser resgatado seu estado de saúde era extremamente debilitado.

A população sente-se atemorizada, desamparada como parte mais fraca diante da ousadia dos bandidos e do poderio de suas armas. Os alarmes nos carros, as grades nas janelas, o seguro que se faz contra roubo são apenas alguns dos recursos que as pessoas usam para sentir-se um pouco mais protegidas e, assim, defender seu patrimônio.

Violência que fez o governo
pensar num plano emergencial

Preocupado com a segurança pública, recentemente o governo federal divulgou um plano que tem como objetivo diminuir a violência em nosso país. Alguns dos pontos mais importantes são os seguintes: suspensão, por seis meses, da emissão de registros de arma; criação de um fundo para financiar ações de segurança nos Estados; desbloqueio de verbas destinadas à construção de penitenciárias estaduais; projetos de reforma do Código Penal e do Código de Processo Penal; projetos que autorizem a infiltração policial em organizações criminosas e a ampliação do programa de proteção à testemunha.

Violência que recebe oposição da Igreja

A Igreja cristã é por natureza pacifista. No Sermão da Montanha, Jesus referiu-se aos pacificadores como bem-aventurados, porque serão chamados filhos de Deus, Mt 5: 9. A expressão “Deus da paz” é usada diversas vezes no Novo Testamento para referir-se ao Senhor. Veja, por exemplo, Rm 16: 20. Um dos requisitos para alguém ser líder eclesiástico já aos tempos do Novo Testamento é que tal pessoa não fosse violenta, 1Tim 3: 3.

Na história da Igreja Cristã, há eventos marcados pela violência. Um exemplo foi o período da chamada “Santa Inquisição”. Atitudes violentas, no entanto, não têm nada a ver com a essência do Cristianismo e do Evangelho.

O melhor caminho para diminuir a violência

Um plano de combate à violência é, sem dúvida, um importante passo e as medidas, se devidamente implementadas, com certeza vão inibir a ação dos bandidos. Mas isso não é tudo. É preciso haver mudanças individuais. Há alguns dias, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, contou uma ilustração interessante numa de suas entrevistas. Um pai estava trabalhando em casa. O filho, pequenino, a todo momento o interrompia. Pensando em ocupar o tempo do filho, o pai pegou um mapa-múndi, recortou-o, separando os continentes, os mares, etc. Depois, entregou ao filho os pedaços de papel e disse-lhe que só voltasse quando houvesse juntado as partes corretamente.

Não demorou quase nada e lá estava o menino de volta, com a tarefa realizada. O pai ficou admirado e perguntou: “como você conseguiu fazer isso tão depressa?” O filho respondeu: “Eu olhei na parte detrás do mapa e havia figuras de diversas partes do corpo humano. Fui juntando tudo: cabeça, pescoço, braços, mãos, tronco, pernas, pés. Quando acabei, olhei do outro lado e o mundo também estava certinho!”

A lição é clara demais: o caminho para consertar o mundo é consertar, primeiro, o homem individualmente. E isso, só o Evangelho pode fazer: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”, 2Coríntios 5:17.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2000

O poder destrutivo da intolerância – Junho/2005

Uma reflexão sobre Lucas 9: 46-56.

“As leis, por si mesmas, não conseguem
assegurar liberdade de expressão; para que
cada homem exponha seus pontos de vista
sem sofrer penalidade deve haver espírito
de tolerância em toda a população”
                                       
Albert Einstein (1879 – 1955)

Desde o seunascedouro e durantetoda a história da Igreja, o Cristianismo sofre constantementedoistipos de ataques: os externos, promovidos porforças não-cristãs que querem barrar a expansão da fé, e os internos, que nascem dentro das próprias comunidades eclesiásticas.

Exemplo de investidas externas à Igreja são as perseguições movidas pelos oponentes do Cristianismo, que fizeram milhares de mártires.

Mas há também o que se poderia chamar de autofagia no Corpo de Cristo. Muitos conflitos nascem dentro da própria comunidade cristã. Surgem verdadeiros duelos onde cada uma das partes quer fazer prevalecer seus pontos de vista, sem importar-se com os danos que isso possa trazer.

Um retrato dessa autodestruição pode ser visto nos problemas vivenciados pela igreja de Corinto, que estava completamente dividida. A dificuldade foi tratada por Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. O apóstolo repreendeu com severidade aqueles que promoviam divisões.

Os cismas na Igreja geralmente ocorrem porque há uma luta por poder. Procura-se normalmente justificar as divisões por questões doutrinárias. Mas o cerne de toda problemática geralmente tem a ver com alguma disputa por autoridade e prevalência de idéias. O orgulho leva à disputa por poder. No texto que nos serve de base para esta reflexão, os discípulos discutiram sobre qual deles era o maior, vv. 46-48. Como conseqüência, vieram as atitudes intolerantes.

Sejam de origem externa ou interna, os ataques contra o Corpo de Cristo têm sempre a intolerância como ponto de apoio. O intolerante não sabe ouvir opiniões contrárias às suas, não respeita limites, é perseguidor.

Em Lucas 9: 46 a 56, há dois interessantes episódios envolvendo Jesus e os discípulos. Nos dois casos, o tema da intolerância está presente. Na primeira narrativa, vv. 49-50, o apóstolo João conta ao Senhor que havia visto um homem que expulsava demônios em nome de Jesus, porém lho proibira: “Nós lho proibimos, por que não segue conosco.” Se aquele homem pertencia a um outro círculo de convivência, raciocina João, como poderia, então, ex-pulsar demônios em nome de Jesus?

O Senhor, tratando do assunto com extrema sabedoria, disse não à intolerância. João e os demais apóstolos foram repreendidos pelo Senhor, que disse: “Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós”.

Jesus, assim, condenou a visão míope, unilateral, autofágica e auto-mutiladora. Aquela atitude de João feria não apenas o homem que fora repreendido, mas o Reino de Deus. Ao invés de agregar forças, os discípulos estavam desprezando alguém que poderia fazer um importante trabalho pelo Reino de Deus.

Assim é que, muitas vezes, continuamos agindo até hoje. Basta um ponto de divergência para que a intolerância se manifeste. E o resultado todos conhecemos!

Na seqüência da narrativa bíblica (vv. 51-56), há outro episódio curioso. Novamente, João é um dos que lideram o movimento. Jesus não fora recebido numa aldeia de samaritanos. Tiago e João, cheios de ira, perguntaram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” E, de novo, Jesus repreendeu os discípulos. Não havia necessidade de fogo do céu. Estavam ali almas preciosas que seriam alcançadas pela graça de Deus. Jesus sabia que, mais tarde, o movimento missionário chegaria aos samaritanos. E, de fato, após um tempo Filipe pregou o Evangelho àquelas pessoas, At 8: 4-8.

Se desejamos ver igrejas fortes, saudáveis, temos de aprender a ser mais tolerantes, não-exclusivistas. O modelo ensinado por Jesus é de um coração fraterno e compreensivo. Atitudes permeadas pelo amor, fruto do Espírito, trarão mais paz em nossos relacionamentos.

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2005