Entrevista Panorama da IPRB em 2002

Entrevista concedida
pelo Pastor Advanir Alves Ferreira,
presidente da IPRB,
ao pastor Émerson Garcia Dutra, titular
da Secretaria Central da IPRB

PANORAMA DA IPRB EM 2002

A igreja evangélica vem se consolidando no Brasil de uma forma gradativa e constante. Informações do último Censo apontam que os evangélicos cresceram 70,7% nessa última década. Ficamos felizes porque a IPRB tem sua participação nesse crescimento, pois nesses últimos 10 anos seu número de membros multiplicou-se. Esse resultado evidencia a boa aceitação de sua linha doutrinária e de seu trabalho social.

O crescimento revela que sua membresia foi conquistada em razão de sua mensagem libertadora, pregada através de um evangelismo dinâmico. E revela ainda mais: que a Igreja Renovada tem estrutura suficiente para continuar crescendo, servindo ao povo brasileiro, às famílias em conflitos, aos desesperançados, levando-lhes a autêntica e bíblica mensagem de Jesus.

No 3º domingo de julho, a IPRB estará louvando e agradecendo ao Senhor pelos 27 anos de sua organização. São quase três décadas de um árduo e constante trabalho em busca dos pecadores para o reino de Deus. Nesse período, surgiram muitas barreiras que tentaram impedir a marcha da Igreja, mas nem por isso ela estagnou-se. Pelo contrário, a Renovada vem demonstrando, ao passar dos anos, que não é apenas mais uma igreja evangélica neste país, mas, na verdade, é uma Igreja que tem procurado dar uma contribuição positiva para a melhoria de vida material e espiritual de nosso povo, Mt 5: 13-14.

Aproveitando o momento desta festiva data, quando todas as IPRs estarão tributando ao Senhor louvor e adoração por mais um ano de vitórias, o leitor terá a oportunidade, através desta entrevista elaborada pela Secretaria Central (SC), de saber o que pensa o presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, e o que ele tem a dizer aos membros, às lideranças e aos pastores da Igreja.

SC: Como está sendo o relacionamento
da IPRB com as demais igrejas
evangélicas no Brasil?

Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus – O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado em nosso meio.

SC: O que poderia ser feito
para que as igrejas evangélicas
se tornassem mais unidas?

Presidente: É possível ser a Igreja de Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo conhecido, Jo 17: 21.

SC: Como o Senhor avaliou
o resultado do Censo
sobre o crescimento dos evangélicos?

Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação. A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se converterão e os milagres serão uma conseqüência dessa bênção.

SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira será o celeiro
de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?

Presidente: Creio que sim. O brasileiro é sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.

SC: Como o irmão avaliaria
a IPRB após as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembléia?

Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus disse: “santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”, Jo 17: 17. Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.

SC: Com isso, a Igreja
tem-se demonstrado
madura e compromissada com o reino?

Presidente: Tudo indica que sim. A própria Assembléia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou maturidade e firmeza por parte das lideranças. Tenho visitado Presbitérios e visto que as igrejas estão alegres, firmes e preocupadas com a evangelização de vidas.

SC: Considerando estes 27 anos
de organização, pode-se afirmar
que a IPRB é uma Igreja estruturada?

Presidente: Claro que sim. Somos uma igreja equipada. Temos dois Seminários, que se empenham na formação de obreiros com bom nível cultural e espiritual; uma Editora que vem produzindo obras de qualidade, o jornal que serve como instrumento para amalgamar a denominação, as Revistas de EBD, que oferecem segurança doutrinária para a Igreja e todo tipo de material para as secretarias. Na área de missões, a Missão Priscila e Áquila tem realizado excelente trabalho.

A Renovada é hoje uma igreja reconhecida e conceituada. No dia 28 de fevereiro deste ano, por exemplo, a Câmara de Deputados de Brasília homenageou a IPRB por seus 27 anos de organização no Brasil. Neste ano recebemos a visita de líderes da Knox Fellowship, um grupo de renovação da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, voltado ao treinamento para evangelismo e discipulado de Igrejas locais e presbitérios, que se mostraram interessados em estreitar relações com a IPRB e já nos convidaram para participar de reunião da Diretoria da Knox nos Estados Unidos, o que faremos no próximo mês de agosto.

SC: Quais os projetos
para o crescimento da denominação?

Presidente: A Diretoria Executiva, em sua última reunião, lançou um projeto que envolve todos os presbitérios, instituições, pastores e lideranças da IPRB. Esse planejamento que visa ao crescimento e à dinamização das igrejas precisa ser levado a sério. Agir como a igreja dos tempos primitivos, ou aquela que não esteja enclausurada entre quatro paredes deve ser o sonho de cada pastor ou liderança. Uma estratégia forte que a Igreja Primitiva aplicava eram as reuniões de casa em casa. Ainda hoje, essa estratégia, que tem recebido os mais diversos nomes, poderá ser o ponto chave de crescimento da obra de Deus.

SC: O que cada igreja
ou cada Presbitério poderia fazer
para que a IPRB se tornasse mais contextualizada?

Presidente: Poderia procurar servir-se mais dos avanços tecnológicos atuais, sem perder de vista os princípios da Palavra de Deus. Embora não sejam indispensáveis, são fundamentais como estratégia auxiliar de trabalho. Como pode o pastor trabalhar sem um veículo? Já imaginaram o que o apóstolo Paulo faria se tivesse em seu escritório um computador, na igreja os equipamentos de som, os meios de comunicação, ou se tivesse ao seu alcance os recursos que temos hoje? A Igreja dos primeiros séculos não possuía nada disso, mas mesmo assim fez muito para o reino de Deus. Não há dúvidas de que as nossas igrejas precisam se contextualizar e trabalhar sem se contaminar com o mundo.

SC: O irmão tem enfatizado
em suas mensagens a necessidade
de um reavivamento espiritual. Por quê?

Presidente: Prego e continuarei pregando a necessidade de um reavivamento espiritual legítimo e completo. Essa é a mensagem da Renovada. Prego porque acredito que somente através dele a igreja será despertada. E haverá desprendimento, vida com Deus e santificação. Uma verdadeira vida de oração e comunhão só será alcançada quando isso acontecer. Todo partidarismo, divisão e falta de amor serão desfeitos com essa bênção. Devemos desejar esse derramar e rogar ao Senhor para que esse dia chegue logo. A IPRB será outra quando isso acontecer.

SC: Tem uma palavra
para a Igreja Renovada nesta data?

Presidente: Desejo que nesse dia, 3º domingo de julho, sejamos imensamente gratos a Deus e nos tornemos mais próximos do Senhor. Lembremos sempre de que a Renovada é fruto da vontade de Deus, e não da vontade do homem. Vamos unir nossas forças e deixar um pouco as críticas ferinas de lado. Nas cidades onde há mais de uma Igreja, procurem irmanar-se, trabalhar juntos. Façam isso em nome de Jesus. Procurem realizar com amor a obra de Deus. Fiquemos com as palavras do apóstolo Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade”, Fl 2: 3.

Maringá, julho de 2002

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002

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