Mantendo-se vivo no ministério – Fevereiro/2007

“Existem homens que lutam um dia e são bons;
existem outros que lutam um ano e são melhores;
existem aqueles que lutam muitos anos
e são muito bons. Porém, existem
os que lutam toda a vida. Estes são
os imprescindíveis”.
Bertolt Brechet

“Agora, pois o Senhor me conservou em vida,
como falou; quarenta e cinco anos há desde que o Senhor
falou a Moisés, andando Israel ainda no deserto.
E já agora tenho oitenta e cinco anos de idade e ainda estou
tão forte como no dia em que Moisés me enviou;
qual era a minha força então, tal ainda é agora,
para a guerra, para sair e para entrar”.
Josué 14: 10-11

“Quando um homem de Deus desistir de algo que é de suma importância para sua vida, pode ser o primeiro passo para uma série de sucessivas desistências no decorrer da sua trajetória”.

Como trabalhar para que isso não aconteça? Como lutar para que os desafios que tentam nos impedir de ver a ação de Deus no deserto não nos façam enterrar nosso ministério e abandonar as promessas de Deus feitas a nós?

A Bíblia fala de um homem que desafiou os limites da idade e de tudo o que poderia impedi-lo na conquista de um território prometido por Moisés. Esse homem, chamado Calebe, “o cão de Deus”, nos deixa o exemplo de como podemos nos manter vivos em nossos projetos e alvos, mesmo em meio às muitas adversidades e às muitas limitações.

Com Calebe aprendemos
que não há sonhos impossíveis e nem espaço
de tempo que sejam capazes de fazer parar
um homem movido por propósitos e confiança em Deus

Porque os sonhos impossíveis são aqueles que nós perdemos em nossa mente e coração com o passar do tempo.

Calebe estava dizendo que não há barreiras para os que vivem e caminham respirando as promessas que Deus fez um dia. Às vezes tentamos desistir de projetos que Deus colocou em nosso coração porque encontramos resistências por parte das Igrejas, ou por parte de pessoas que estão ao nosso lado. E, ao invés de procurarmos mudar o quadro da nossa vida e marcar a história do lugar onde Deus nos plantou, aceitamos ser tomados por um sentimento de derrota e mediocridade.

Isso ocorreu porque esperávamos que tudo acontecesse como num passe de mágica. Por exemplo, que a Igreja iria explodir em números de imediato, quando às vezes ocorreu o contrário. Mas Deus não nos deixa esquecer de suas promessas e, nesses momentos, nós não podemos deixar de continuar, ou seja, de levar o povo a respirar essas promessas.

Já pensou quantas batalhas Josué venceu? Quantos territórios conquistou para outros homens? Quantas rebeliões presenciou? Quantos iam morrendo ao seu lado na caminhada? Mas, com certeza, algo o manteve vivo durante todos aqueles anos: a esperança de chegar à terra que Moisés prometeu. Nós, igualmente, precisamos manter bem vivos em nossa memória os propósitos de Deus e suas promessas. E saber que não é impossível conquistá-las.

Quer se manter vivo no ministério? Apegue-se às promessas que Deus lhe fez um dia!

Com Calebe aprendemos
que a verdadeira vitória consiste em gastar
a vida pela causa que abraçamos

Foram muitos anos. Eu fico imaginando Calebe esperando o momento de pisar na terra que seria sua. Vendo a conquista dos outros e fazendo parte delas, lutando por elas. Vivendo aquele intervalo entre a promessa e a bênção (sempre mais difícil), quando vem o desânimo pela demora. Mas no seu coração algo dizia: a minha hora vai chegar!

É assim a nossa luta diária para conseguir o que esperamos. Gastar-se. Como a história daquele violinista que estava tocando esplendidamente o seu violino, quando uma mulher lhe disse que daria tudo para tocar como ele, ao que ele respondeu que foi isso que ele fez: deu a sua vida para tocar daquele jeito. Gastar a vida é entregar-se à causa pela qual estamos lutando, mesmo que pareça difícil. Fazer de tudo por aquele objetivo. Viver em função do cumprimento do alvo.

Você estaria disposto a gastar sua vida não somente por programações, mas por pessoas? Para isso Deus nos chamou.

Lembro de ter lido a história de dois homens que pertenciam ao grupo dos moravianos, fundado pelo conde Nicolau Van Zinzendorf. Esse grupo tornou-se um dos maiores movimentos de intercessão do mundo. Eles abriam mapas dos países e intercediam sobre eles. Esses dois jovens pegaram o mapa da África e começaram a orar para que o Senhor os levasse até o lugar certo para evangelizar. Caiu a sorte numa ilha onde não se podia pregar o evangelho. Como chegar lá? Eles se venderam como escravos e foram em direção à África. E, quando o navio estava deixando o porto, eles disseram a frase que se tornou o lema do movimento: “O sacrifício de Jesus é digno”.

Neste momento me vêm à memória nossas reuniões com o grupo de missões do seminário. Quantas vezes fiz a oração citando o lema do grupo, que era baseado na Segunda Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo doze, versículo quinze, onde diz: “Eu de muito boa vontade gastarei e me deixarei gastar em prol das vossas almas, ainda que amando cada vez mais, seja menos amado”. É isso.

Abraçar a causa do Mestre é um desafio cansativo. Mas é a causa que abraçamos. Votos e projetos ministeriais não podem ser esquecidos devido ao cansaço. É necessário manter-se firme, porque o sacrifício pelo Senhor justifica tudo o que temos feito. Gaste-se por isso!

Quer seja a sua uma grande Igreja, quer seja uma pequena Igreja. Ou, quem sabe, você se reúna numa casa ou numa tenda. Parece que vai ser além das suas forças. Mas saiba de uma coisa: “o sacrifício de Jesus justifica o que você tem feito”. Mesmo que pareça não haver resultado, ou que pareça que ninguém esteja vendo. Volte a respirar as promessas de Deus para a sua vida! Lute pelo cumprimento delas. Gaste a sua vida por elas. Porque, ao final, você vai ver que valeu a pena!

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2007

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