Em quem confiar nas horas de crise?

“Entre os ídolos inúteis das nações existe algum
que possa trazer chuva?
Podem os céus, por si mesmos, produzir chuvas copiosas?
Somente tu o podes, Senhor, nosso Deus!
Portanto, a nossa esperança está em ti, pois tu fazes
todas essas coisas.”

Jeremias 14: 22

A crise hídrica em algumas regiões de nosso país é notícia constante nos meios de comunicação. Todos os dias, fala-se sobre a falta d’água em São Paulo e em outras regiões do Sudeste brasileiro. Os reservatórios que abastecem toda a região metropolitana da capital paulista estão com pouquíssima água. Crescem, por isso, as campanhas para uso consciente da água.

O que é problema gravíssimo para o Sudeste virou até piada em outras regiões do país. Recentemente, um garoto do Acre postou um vídeo que, até 15 de fevereiro, havia tido mais de 500 mil visualizações só no Facebook. O menino abre uma torneira, entra embaixo de muita água e zomba dos paulistanos.

O Brasil é rico em recursos hídricos. Nosso país tem de 12 a 16% da água doce disponível no planeta. Mas a concentração desse precioso líquido está nas regiões onde as florestas são mais preservadas e a população é menor. Por isso, no litoral brasileiro e nas regiões Sudeste e Nordeste, onde estão 70% da população, os centros urbanos sofrem por falta d’água.

As perspectivas, infelizmente, não são boas. Os estudiosos do clima preveem para os próximos anos aumento de temperatura e redução significativa das chuvas.

Quanto desperdício de água se vê na lavagem de carros e de calçadas. Quanta água desperdiçada nos longos banhos. Tudo isso colabora para a escassez que agora vivenciamos. E há, também, a culpa dos governantes, que não tomaram medidas antecipadamente para evitar a crise.

O profeta Jeremias e a seca

Uma forte crise hídrica também foi o tema abordado em Jeremias 14. A seca trazia prejuízos incalculáveis para o povo. O profeta menciona as dificuldades vividas nas cidades pela falta de chuvas (vv. 2-3); fala sobre a seca nos campos (v. 4) e o sofrimento dos animais pela falta de comida (vv. 5-6). As cidades definhavam, as cisternas estavam vazias, os agricultores nada colhiam, os animais pereciam. O povo estava desesperado.

Jeremias associa a seca que seu país vivia ao juízo divino. Havia pecado, afastamento de Deus, esquecimento da lei, prostituição religiosa. Jeremias, então, afirma: “Embora os nossos pecados nos acusem, age por amor do teu nome, ó Senhor! Nossas infidelidades são muitas; temos pecado contra ti. Ó Esperança de Israel, tu que o salvas na hora da adversidade… não nos abandones”.

Não podemos dizer que o Brasil vive seus melhores dias. Hoje, 23 de fevereiro de 2015, há manifestações de caminhoneiros em sete estados brasileiros, parando rodovias, pedindo preços mais baixos de combustíveis, pedágios mais baratos, fretes mais compensadores. No Paraná, professores estão em greve com várias reivindicações ao governo. Sinais de corrupção há por todo lado, em todos os poderes. Fala-se em recessão econômica em 2015. Que fazer em situações assim?

Na hora da crise, o profeta Jeremias vê uma só saída: clamar pela intervenção de Deus. Ele afirma que os ídolos pagãos não poderiam faziam chover. Nem a natureza, por si, segundo o profeta, tinha o poder de derramar copiosas chuvas.

A fé que Jeremias nutria em seu coração apontava para o Senhor como sendo aquele que tem tudo sob o seu domínio, inclusive a natureza. Por isso, diz o profeta: “Nossa esperança está em ti.”

O profeta nos ensina que, em todos os momentos, precisamos compreender que o Senhor tem o controle de tudo. Ele é soberano. Ele faz chover. Exemplo disso foi a experiência do profeta Elias, que orou e por três anos e seis meses não choveu; depois, orou de novo, e choveu abundantemente (1Rs 17, 18; Tg 5:17-18).

Embora haja razões científicas para explicar a falta de chuvas, as Escrituras nos fazem ver a questão sob outra perspectiva, com olhos de quem conhece o sobrenatural poder de quem criou todas as coisas e que rege o universo segundo seu querer.

Lembro-me de um professor de Teologia, vindo da América do Norte, que fora missionário no interior do Piauí por alguns anos. Ele contava a história de um missionário, também no Piauí, que enfrentara forte resistência ao pregar o Evangelho.

Num período de intensa seca, certa vez aquele missionário orou, pedindo chuva. Ninguém acreditava que, em terra tão árida, com um período tão prolongado de estiagem, uma simples oração pudesse fazer chover. Para surpresa de todos, choveu logo após a oração. A resposta àquela súplica do missionário fez o povo ver que há um Deus soberano, que controla a natureza. Lembro-me, também, de um edificante testemunho de um produtor agrícola, temente a Deus, que em período de seca, orou e viu chover sobre suas terras.

Experiências assim fortalecem nossa fé. Em pleno século XXI, do império da ciência e da tecnologia, do esfacelamento das verdades absolutas, em que reina uma fé que se apega ao que pode ser visto, tocado e sentido, devemos voltar os olhos e o coração às verdades eternas das Escrituras, que nos revelam um Deus que tudo criou e que jamais perdeu o controle sobre sua criação. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.” (Sl 19: 1)

O Senhor a quem servimos é soberano e controla a natureza. Diante desse Deus nos curvamos. Nele está a nossa esperança porque ele faz até os céus produzirem copiosas chuvas.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2015
Disponível em Issuu

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