“Persiste em ler…” – Março de 2006

O mercado editorial cristão tem crescido
de modo extraordinário no Brasil.
A cada mês, o leitor tem à sua disposição dezenas
de novos títulos. São obras acadêmicas, devocionais,
de autoajuda, testemunhos, etc.
A Editora Aleluia se insere nesse contexto,
publicando literatura que ensina e edifica

Como seria bom se todos soubéssemos aproveitar bem a riqueza de conteúdo que nos é oferecida. Mas, infelizmente, as estatísticas comprovam que o brasileiro lê pouco, quando comparado aos europeus ou aos norte-americanos. No Brasil, a média de livros lidos por ano é de 1,8 por pessoa. Na Europa, ultrapassa a casa dos sete livros por pessoa. E há mais uma agravante na realidade brasileira: pesquisas revelam que até nos meios universitários há muita dificuldade na interpretação de textos.

Apesar do triste quadro em que está imersa a cultura brasileira, os evangélicos levam vantagem no hábito da leitura. Leem mais do que o restante da população. Leem a Bíblia, leem os textos usados nas escolas bíblicas, leem os autores cristãos.

O poder da literatura

A literatura é um poderoso instrumento para formar opinião, firmar conceitos, propagar ideias, criar debates. Há obras que jamais cairão no esquecimento. Atravessam séculos, milênios e não perdem sua atualidade. A Bíblia é o maior exemplo. E tantas outras verdadeiras pérolas da literatura mundial permanecem sendo editadas e influenciando pessoas.

Precisamos ler mais. E devemos ser críticos quando abrimos um livro e começamos a nos deliciar com ele. O leitor deve ser o grande juiz dos conceitos que o autor está querendo transmitir.

Diante de tantas opções para alimentar nossas mentes e almas, temos de ser criteriosos nas escolhas que fazemos.

A fé cristã na mira
de grandes autores

Redigi este artigo para chamar a atenção do leitor para algumas novidades no mundo editorial secular que têm como objetivo achincalhar a fé.

Muitas obras já foram publicadas com a finalidade de questionar as bases do Cristianismo. Recentemente, algumas ganharam notoriedade em todo o mundo. Seja pelo estilo romanceado, seja pela linguagem, foram ganhando força e criando polêmica. Quero chamar a atenção para duas delas.

Jesus e Javé – Os Nomes Divinos é o título de um novo livro publicado no Brasil. Em 276 páginas, o autor, Harold Bloom, rebate conceitos fundamentais em que o Cristianismo se baseia. Ele contesta a ideia de que existe uma cultura judaico-cristã. Nega qualquer continuidade entre Judaísmo e Cristianismo e opõe-se à ideia de que o Deus do Antigo Testamento seja uma divindade amorosa, como a que nós, cristãos, cultuamos.

Uma resenha publicada na revista Veja afirma que o autor apresenta um Jesus que “mostra pouco afeto por seus discípulos, que parecem escolhidos por sua incapacidade de entender o que o mestre prega…” (Jerônimo Teixeira, “Deus não é amor”, Veja, 22/02/ 2006, p. 107).

O Código Da Vinci é outra dessas obras polêmicas que atacam a fé. Milhões de cópias já foram vendidas em todo o mundo. Escrito por Dan Brown, o romance propõe a falsidade do Cristianismo. O autor questiona a veracidade histórica da fé e afirma que Jesus foi casado com Maria Madalena, com quem teve uma filha.

Que respostas temos?

Enquanto alguns autores escolhem como tema de suas obras a crítica ao Cristianismo, e vendem milhões de exemplares, nós, cristãos, muitas vezes ficamos apáticos. Não temos respostas para dar àqueles que leem essas obras e nos questionam sobre pontos da fé que lhes parecem contraditórios.

O apóstolo Pedro orientou seus leitores: “Estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”, 1 Pe 3: 15.

E a literatura infanto-juvenil:
que livros nossos filhos estão lendo?

Além dos nítidos ataques à fé direcionados ao leitor adulto, nossos jovens e adolescentes também estão na mira dos escritores. Nos últimos anos, a autora J. K. Rowling fez sucesso em todo o mundo ao escrever diversos livros cujo principal personagem é Harry Potter, o mais amado bruxo das crianças e adolescentes.

Segundo especialistas em comportamento, essa série de obras tem influenciado muitos jovens leitores e os levado à prática da bruxaria. Artigo publicado pela Folha de São Paulo, em 06/09/2004, mostra que, por influência do bruxo da ficção, adolescentes estão se tornando praticantes da bruxaria Wica: “Inspirados por sucessos como o fenômeno Harry Potter, muitos jovens começam a pesquisar sobre o assunto na internet e encontram páginas de grupos que promovem rituais.” (“Folha de São Paulo, Folha-teen, “O Feitiço virou moda”).

As Crônicas de Nárnia

Recentemente, a mídia chamou a atenção para As Crônicas de Nárnia. Esse trabalho literário merece ser conhecido.

Em dezembro, a famosa obra O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, escrita por C. S. Lewis, virou filme. Talvez, muitos tenham se assustado com o título e pensado tratar-se de mais alguma obra que apregoe o ocultismo. Enganou-se quem pensou assim.

Quanto à obra de C. S. Lewis, não é preciso ter medo algum. Famoso pensador cristão irlandês, ele escreveu a série As Crônicas de Nárnia voltadas para o público juvenil. São sete obras que, sem mencionar o Cristianismo ou o nome de Jesus, tratam de profundas questões concernentes à fé cristã. Usando linguagem simbólica, personagens mitológicos, o leitor é levado a refletir sobre temas como redenção, pecado, natureza humana, etc.

Conclusão

Quando Paulo recomendou a Timóteo: “Persiste em ler” (1Tim 4:13), referia-se à necessidade que o jovem pastor tinha de dedicar-se à leitura das Escrituras.

Diante da riqueza dos debates contemporâneos, de modo nenhum podemos manter-nos alienados das ideias que circulam no mundo secular e também no religioso. Devemos, sim, saber filtrar e reter o que é bom. 1Timóteo 4:13.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2006

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