Jornal Aleluia: quatro décadas divulgando a Palavra e registrando a história da Igreja – Fevereiro/2012

O jornal Aleluia chega, com esta edição, aos seus 40 anos de circulação. É uma rica oportunidade para refletirmos sobre seu valor denominacional. Ele é o órgão oficial da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, (IPRB). Fundado em 1972, pelos saudosos pastores Abel Amaral Camargo, ex-presidente da IPRB, Palmiro Francisco de Andrade, ex-diretor do SPR de Cianorte, e Rev. Azor Etz Rodrigues (todos in memoriam), e Pr. Nilton Tuller, atualmente presidente da Igreja Casa de Oração para Todos os Povos – O MOLIVI, em Maringá, PR.

Antes de qualquer consideração sobre a importância do Jornal Aleluia para a IPRB, registramos nossa gratidão a Deus pela vida desses abnegados servos do Senhor que já partiram para a glória, mas que deixaram suas marcas nas páginas da história da IPRB. Ao Pr. Nilton Tuller, nosso grande amigo, em nome de toda a Igreja, a nossa mais sincera gratidão pelos seus serviços prestados ao jornal Aleluia e à Denominação.

O propósito do Aleluia

O Jornal Aleluia foi “idealizado com o propósito de debater e proclamar a mensagem da Renovação Espiritual, no final da década de 60, do século XX, em nosso país, bem como bem como de anunciar a Palavra de Salvação do Evangelho do Senhor Jesus Cristo”. Além disso, desde essa data, suas publicações têm sido valiosas e contribuído para preservar a história da IPRB.

Precisamos reconhecer que, sem essa literatura, nossa história não seria escrita, mas seria simplesmente a palavra falada. Prova disso é a edição do livro “A IPRB na virada do Milênio”, lançado em dezembro de 2010, pela Editora Aleluia, que traz os registros da primeira década de conquistas do terceiro milênio (2001-1010). Praticamente todo material ali exposto teve como fonte o Aleluia.

A primeira edição

No final da década de 60, o avivamento espiritual alcançou grande parte das igrejas presbiterianas no Brasil. Em Assis, SP, pastores percebiam a grande necessidade de levar a mensagem de renovação às Igrejas que aceitavam o mover de Deus. Entretanto, os artigos e notícias em geral desse agir de Deus não eram, em hipótese alguma, divulgados pelo órgão oficial (Jornal) das Igrejas naquela época, que não viam o avivamento com bons olhos.

Por conta disso, os pastores líderes do movimento de renovação espiritual tiveram a brilhante ideai de fundar o Jornal Aleluia para divulgação das novas experiências que muitos pastores, presbíteros, diáconos e membros das igrejas estavam vivendo. Houve uma edição “0” (zero), preparada pelo pastor Nilton Tuller, com tiragem de cem exemplares, impressa em papel sulfite. Mas foi em janeiro de 1972 que, efetivamente, nascia a edição número 1 do Aleluia. Portanto, como brinde desta data comemorativa, temos a alegria de colocar as mãos de cada pastor e pastor auxiliar uma reprodução da edição número 1, juntamente com esta edição 371.

O desafio da persistência

Muitas foram as dificuldades para chegarmos até aqui. Por isso é bom frisarmos que o registro de tudo aquilo que aconteceu e que acontece na IPRB, nos rincões desta nação, bem como no exterior, tem sido, desde a primeira edição um trabalho de desafio e perseverança daqueles que assumiram essa tarefa. Ou seja, se ainda hoje ele circula em nosso meio, é porque existem pessoas convictas do chamado divino para uma obra específica.

Não podemos nos esquecer do professor Joel Ribeiro de Camargo, que foi seu redator e organizador por 32 anos, e que dedicou o melhor de sua vida à publicação de centenas de edições. A ele e família, o nosso reconhecimento pelos trabalhos prestados ao Aleluia nesses longos anos. Agradecemos ao Pr. Rubens Paes que, desde 2006, passou a ser o diretor da Editora Aleluia e o redator responsável pelo jornal. Não podemos nos esquecer, também, de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, deram sua parcela de contribuição para que esses 40 anos fossem hoje comemorados.

Literatura que edifica

O Aleluia não é apenas um informativo ou um veículo que leva às pessoas avisos e notícias daquilo que acontece em nossas igrejas, como encontros de missões, de jovens, homens e mulheres, trabalhos especiais, comemorações, de aniversários de igrejas, batismos, falecimentos, cerimônias de casamento, bodas de prata, de ouro, etc. Ele tem uma pauta literária própria, apresentando aos seus leitores um material seguro embasado na Palavra de Deus.

Seus artigos, mensagens e estudos bíblicos têm trazido enriquecimento e edificação para o povo de Deus. Jamais seremos capazes de medir a dimensão de satisfação ou alegria de seus leitores ao receberem uma nova edição. Quando recebo a edição do mês, faço questão de ler tudo, principalmente os artigos e mensagens, porque assim fico inteirado do que minha igreja está fazendo. Por isso precisamos urgentemente valorizar muito mais esta literatura que tem sido uma fonte de bênção para todos nós.

Apoio dos pastores e igrejas

Nesta oportunidade, gostaríamos de solicitar o apoio e oração de todos os pastores, lideranças e membros em favor de todos aqueles que trabalham na elaboração deste precioso material. A participação direta e indireta de cada um é muito relevante para que ele continue a circular em nosso meio, como agente de informação e divulgação da Palavra. Seu propósito, que fora estabelecido em 1972, não pode ser interrompido. Precisamos ser verdadeiros colaboradores também na área financeira, e participativos do progresso desta preciosa literatura.

Por isso, esta data constitui-se em uma ótima oportunidade para reafirmarmos nosso compromisso de assinante fiel, bem como conquistarmos outras pessoas para que sejam assinantes. Deixamos um apelo especial a cada pastor e pastor auxiliar que ainda não é assinante para subscrever sua assinatura hoje mesmo e começar a receber o Jornal.

Que Deus abençoe a todos e que estejamos prontos para ajudar no crescimento e expansão da obra do Senhor por meio desse órgão.

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Fonte: Jornal Aleluia 371, de fevereiro de 2012.

Jornal Aleluia: 300 edições de comunicação do Evangelho – Set/2005

Um dos meios mais eficientes
no processo de comunicação é a palavra escrita.

A Bíblia, por exemplo, constitui-se
no livro de maior poder de comunicação.
No entanto, para que suas mensagens
sejam interpretadas e transmitidas
é necessária a sua divulgação,
que poderá ocorrer pela oralidade
ou através da escrita.

Comunicar quer dizer fazer-se propagar ou transmitir uma mensagem. Sem comunicação seria impossível estabelecer relações entre os diversos povos, propagar descobertas técnico-científicas e promover o sentido de unidade entre as nações, isto é, não é possível imaginar a convivência entre as pessoas, sem que elas tenham a capacidade de expressar suas vontades e opiniões. Cada pessoa seria um mundo à parte, se não houvesse a troca de experiências. Neste caso, a mídia, que se traduz pelos meios de comunicação, tais como a TV, o rádio, os jornais, as revistas e outros mais, constitui-se no suporte principal no processo da comunicação.

Assim, registramos essas palavras, com propósito de lembrar que o Jornal Aleluia, fundado em fevereiro de 1972, acaba de atingir a significativa marca de 300 edições. Não se trata de um jornal qualquer, mas do órgão oficial da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, que fora idealizado com o propósito de debater e proclamar a mensagem da renovação espiritual e do avivamento que se instaurara no final da década de 60 em nosso país, bem como o de anunciar a palavra de salvação do evangelho do Senhor Jesus.

Portanto, nesta oportunidade, gostaria de refletir sobre alguns aspectos relevantes sobre o Jornal Aleluia.

O Aleluia e seus redatores

Uma das marcas das comemorações das 300 edições do Jornal Aleluia é o trabalho de seus redatores, ou seja, das pessoas que têm a grande responsabilidade no preparo e revisão das matérias a serem mensalmente publicadas neste Jornal. Não há dúvidas de que se trata de um trabalho criterioso e que exige capacidade e muita dedicação.

Para que as 300 edições fossem publicadas, foi necessário o empenho de sua liderança e de seus redatores, como, por exemplo, do professor Joel Ribeiro de Camargo, diretor da Junta de Publicações, que está à frente do Jornal desde a edição de número 3, assim como os pastores Rubens Paes e Francisco Araújo Barretos Neto, que atualmente trabalham na redação e publicação do Jornal, das Revistas de EBD, de livros, de folhetos e de todo tipo de material para as igrejas. É um trabalho que precisa ser valorizado por todos.

Por outro lado, não podemos esquecer-nos de outros pastores como José Sidney Dantas, Zinaldo Martins, Valteno Hercílio de Oliveira e Davilson José de Araújo que, em anos anteriores, atuaram na produção deste abençoado Jornal. Precisamos reconhecer o trabalho desses e de todos denodados servos de Deus que durante esses anos prestaram e prestam serviços à causa do Senhor na IPRB. A nossa gratidão a Deus pela vida de cada um deles.

O Aleluia e seus escritores

A trecentésima edição do Jornal Aleluia é resultado de um trabalho participativo, isto é, além do esforço e dedicação dos redatores, há, também, a colaboração dos pastores, lideranças em geral (presbíteros e diáconos) e irmãos das igrejas renovadas em geral, que enviam artigos e notícias para serem publicados no Jornal.

Falo em colaboração, porque cada edição do Jornal Aleluia conta o apoio e participação dessas pessoas. Além do mais, há de se considerar que o Aleluia é um Jornal em que todos têm a oportunidade de escrever e publicar matérias alusivas às suas igrejas e Presbitérios. Trata-se de um canal para abençoar as famílias cristãs e não-cristãs e evangelizar os pecadores.

Um detalhe importante a ser observado é que os artigos publicados procuram evitar uma linha polêmica, mas têm como objetivo principal a edificação do povo de Deus. Por isso, trazer à lembrança àqueles têm seus artigos publicados e àqueles que são escritores colaboradores deste meio de comunicação e das revistas de EBD é, da minha parte, um simples ato de gratidão a Deus.

O Aleluia e seus objetivos

A princípio, um dos objetivos deste Jornal foi informar às igrejas renovadas sobre os acontecimentos da obra de avivamento espiritual, na década de 70, nas igrejas Presbiterianas dos Estados do Paraná, Minas, São Paulo e Goiás. Com o passar do tempo, este veículo foi recebendo forma de Jornal Evangélico e ganhando espaço no meio Presbiteriano Renovado. Hoje, é considerado o meio mais eficiente de comunicação interação entre o povo renovado.

Portanto, os leitores do Jornal Aleluia, em especial os membros da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, têm participação especial nas comemorações das 300 edições. O mérito é de Deus que concedeu graça e coragem aos seus fundadores (pastores Abel Amaral de Camargo, Azor Etz Rodrigues e Palmiro F. de Andrade – em memória – e Nilton Tuller), redatores e escritores para atingir este número expressivo e histórico. São 300 edições que registram para as gerações posteriores a história da IPRB.

O Aleluia e seus leitores

Mas não basta produzir um bom jornal, recheado de notícias e de artigos edificantes nem tão pouco um jornal com uma linda folha de serviços prestados à denominação, se hoje ele não está chegando às mãos dos membros de nossas igrejas. Por isso, gostaria de apelar aos pastores, lideranças e membros em geral para promover em suas igrejas um esforço específico, um empenho, a fim de elevar o número de leitores e de pessoas que se beneficiam dessa literatura.

É inadmissível que uma denominação como a IPRB de, aproximadamente, 100 mil membros tenha um número tão insignificante de assinantes. Eu penso que cada família, pelo menos, poderia ter uma assinatura. Cada igreja poderia subscrever uma cota do Jornal, como já orientou, nesse sentido, a Administrativa.

Desta forma, em nome da Diretoria Executiva da IPRB, gostaria de agradecer e abençoar a todos que têm contribuído de uma maneira ou de outra para a continuidade do trabalho do Jornal Aleluia. Que Deus abençoe ricamente a atual diretoria da Gráfica e Editora Aleluia e todos que trabalham nesta Instituição. Vamos carregar esta bandeira e proclamar o evangelho de Jesus a todos os povos, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 2005

Evidências de um autêntico avivamento – Julho/2008

Não há nada que demonstre, de forma tão eloquente,
a soberania e poder divino como o avivamento,
que é a erupção de Deus na História
e a manifestação de sua graça poderosa

Quando o povo de Israel ou a Igreja, na sua jornada histórica, se mostravam enfraquecidos, fracassados, desacreditados e sem poder, rendiam-se ao Senhor e Deus os soerguia. Não há nada que demonstre, de forma tão eloquente, a soberania e poder divino como o avivamento, que é a erupção de Deus na História e a manifestação de sua graça poderosa.

O brado por um avivamento foi o pedido do profeta Habacuque, 3: 2. Ciente dessa necessidade, o homem de Deus pede ao Senhor que avive a Sua obra, pois estava certo de que, com o passar dos anos, o povo se esfriaria em sua fé de tal modo que todos já anteviam seu fim. Por isso roga, urgentemente, um avivamento para que a obra mantenha-se viva.

Por ocasião do dia da IPRB, que comemoramos no terceiro domingo de julho, e por considerar que o nosso lema nesses últimos anos é Avivamento e Crescimento, gostaria de convidar o amado leitor a uma reflexão bíblica e histórica sobre algumas evidências e resultados advindos dos grandes avivamentos, aplicando-as à nossa vida eclesiástica e pessoal.

Confissão e arrependimento

O pecado é o maior empecilho ao avivamento. A igreja está sofrendo uma vida pobre e superficial porque tem pouca convicção de pecado. Ela tem-se conformado com suas falhas. Parece que tudo se tornou normal ou comum para o povo de Deus. Mas o arrependimento e o choro pelos pecados é a chave para vermos os céus abertos.

Se quisermos avivamento, precisamos tratar a sério a questão do pecado, isto é, avivamento começa com insatisfação, com humilhação, com lágrimas e não com riso e festa. Enquanto a igreja estiver satisfeita consigo mesma, não haverá esperança de avivamento. Portanto, a igreja que não se quebrantar, que não se arrepender, que não se voltar para Deus não estará abrindo as portas para ser usada pelo Senhor, Jr. 15: 19.

Um exemplo sempre atual, que ilustra muito bem esta verdade, é a oração do rei Salomão. Após edificar o templo e orar pedindo as bênçãos sobre aquele lugar, Deus lhe aparece, numa visão, dizendo que no dia em que o povo pecasse e se rebelasse contra Ele sofreria as terríveis consequências do pecado, 2Cr 7: 13 e 14. Todavia, se o povo se humilhasse e reconhecesse o seu pecado, convertendo-se de seus maus caminhos, a bênção tornaria a repousar sobre eles.

Todo grande derramar do poder do Espírito Santo na história, sempre foi precedido por uma profunda convicção de pecado, por meio de arrependimento e oração. Ninguém tem dúvidas de que todo avivamento é precedido de oração. Não se desvincula a oração do poder divino. E Deus não pode conceder poder àquele que está embaraçado com as coisas desta vida, Hb 12: 1 e 2.

Intensa sede de Deus

Outro aspecto é que todo avivamento é marcado por um profundo desejo de intimidade com o Eterno. O Salmo 42 retrata esta realidade. O salmista, na tentativa de fugir dos problemas da vida, vai ao deserto do Neguebe, região da Judeia, um lugar pedregoso, solitário, cáustico e perigoso. O sol ardente o assola e, de repente, vê uma corsa exausta, que corre desesperadamente em direção à água, em busca da satisfação interior.

É nesse momento que o salmista olha para esse animal e exclama: “Como a corsa que brama pelas correntes das águas, assim suspira a alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo…¨, vs. 1 e 2. O salmista está querendo dizer que a ansiedade desse animal retratava a sua ânsia por Deus. Ele não conseguia viver sem a presença do seu criador. Seu anseio por Ele estava acima de tudo.

Muitas pessoas têm procurado ou buscado a Deus meramente em troca das bênçãos. Vivemos um Cristianismo extremamente antropocêntrico: tudo gira em torno do homem. Deus, para muitos, não passa de um instrumento secundário, que trabalha para a realização de todos os gostos e vontades do homem. Os sermões pregados em nossos dias às vezes têm perdido de vista os fundamentos bíblicos.

Em tempos de avivamento, a igreja passa a ter mais sede de Deus do que pelas coisas que Ele pode dar. Empenha-se totalmente na busca da intimidade e comunhão com Deus – não se contentando com as bênçãos, mas desejando ansiosamente o próprio Deus. Isto é um dos verdadeiros frutos do avivamento. Esta sede se concretiza na oração, na comunhão, no amor, nas práticas sociais, no estudo da palavra e nas ações evangelísticas da Igreja.

Santidade e amor à palavra

O próprio Jesus disse: ¨Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade¨, Jo 17: 17. O mover de Deus traz esse comprometimento com a Palavra. A história registra que em épocas de avivamento a igreja é renovada em seu amor pela Palavra. Não há avivamento sem volta à Bíblia, sem fome da Palavra, sem que a igreja tenha avidez pelas verdades eternas. Ou seja, todo avivamento é centrado na Palavra.

Quando a Bíblia é deixada de lado, o Deus da Palavra é rejeitado. E, se isso acontece, a igreja se extrema para o subjetivismo, calcado em experiências e na mística, ou para o racionalismo incrédulo. O grande evangelista Moody, ao se referir à Bíblia, dizia: “Ou este livro o afastará do pecado ou o pecado o afastará desse livro”. Quanto mais longe da Palavra, mais perto do pecado. Quanto mais perto da Palavra, mais longe do pecado.

Leonard Ravenhill, ardoroso escritor e pregador da Palavra, disse que “a maior vergonha dos nossos dias é que a santidade que pregamos é anulada pela impiedade do nosso viver”. Há enorme lacuna entre o que a igreja prega e o que vive, entre o sermão e a vida, entre a fé e as obras. Não vivemos o que pregamos e pregamos o que não vivemos.

É impossível ser de Cristo e do mundo ao mesmo tempo. A ausência de santidade é a causa do fracasso e o grande obstáculo do avivamento. A falta de santidade emperra, amarra e deixa a igreja em descrédito. Quando a igreja perde o foco da santidade e passa a amar o mundo, cria-se com isso o maior impedimento à ação de Deus na História.

Ardor evangelístico

Avivamento sempre gera um ardor evangelístico e conscientiza a igreja da responsabilidade de fazer missões nacionais e transculturais. Em todas ocasiões em que o Espírito foi derramado, houve experiências de uma profunda paixão pelos pecadores. Quando o Espírito desceu sobre a Igreja Primitiva, At 2, os discípulos romperam com as quatro paredes e alvoroçaram o mundo da época, e de maneira ousada anunciaram o evangelho em todos os lugares, At 1: 8.

Avivamento que não gera evangelização e comprometimento com o crescimento do Reino de Deus não é bíblico. São apenas movimentos que vêm e passam rapidamente. O avivamento, por usa vez, desperta a igreja e esta, consequentemente, busca os perdidos com a mensagem de transformação. O genuíno avivamento contamina a igreja com o fogo desbravador do Espírito Santo.

Por isso, evangelização é a tônica da igreja, porque essa é a sua missão na terra, Mc 16: 15. Só para se ter uma ideia, de acordo com as estatísticas, de 10 mil pessoas que vivem nos arredores de uma igreja, quatro delas morrerão semanalmente. Quer dizer, 16 por mês, 192 a cada ano. Pergunta-se: todas vão morrer salvas? A igreja não pode ser indiferente. Não pode agir, como na parábola do Bom Samaritano, da mesma forma que o sacerdote e o levita que nada fizeram pelo moribundo. Isso é uma afronta a Deus, Lc 10: 15-37.

Não podemos nos esquecer que todo cristão é um missionário em potencial. Jesus nos chamou para sermos testemunhas, quer dizer: “todo coração com Cristo é um missionário; todo coração sem Cristo é um campo missionário.” Será que a igreja, em vez de ser uma agência missionária, não está se transformando num campo missionário? Como igreja, precisamos erguer a cabeça e ver os campos que já estão brancos para a ceifa e escutar o gemido das multidões que perecem sem Cristo, a começar por Jerusalém (nossa cidade).

Que caia sobre todas as igrejas renovadas, sobre todos os nossos membros, sobre nossos jovens e líderes, bem como sobre todo segmento evangélico de nosso país, uma chuva de avivamento, que leve o povo a ter sede e fome de Deus, para que aconteça um verdadeiro envolvimento e comprometimento com a Sua obra. Somente assim estaremos prontos para dizer como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim”, Is 6: 8. E, sem dúvida alguma, o resultado desse avivamento será o maior crescimento já provado por esta geração.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2008

Dia do Índio: uma oportunidade de reflexão missional – maio/2016

19 de abril é Dia do Índio, ou Dia dos Povos Indígenas, criado pelo presidente Getúlio Vargas, por meio do decreto-lei 5540, de 1943. Essa data foi proposta pelas lideranças indígenas do continente americano que participaram do 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. A data, além de ser um motivo de reflexão sobre os valores culturais dos indígenas e a importância da preservação e respeito desses valores, trata-se de uma motivação para refletirmos sobre o grande desafio e a urgência da evangelização desses povos, abrangidos por Jesus em Mateus 28:19, bem como uma oportunidade para homenagearmos nossos obreiros e igrejas nas tribos indígenas, nos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazônia, São Paulo e outros.

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Jesus foi categórico em afirmar que todas as nações deste planeta precisam conhecer o seu nome, que está acima de todo nome (Mt 28:19; Mc 16:15; At 1:8). O apóstolo Paulo diz que, um dia, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus (Fp 2:10-11). São evidentes as palavras de Jesus, registradas por Mateus, que dizem que, enquanto o evangelho não for pregado nos cantos e recantos deste mundo, em testemunho a todas as gentes, o fim não virá (Mt 24:14).

É impressionante a velocidade com que o tempo está passando e as profecias estão se cumprindo. O Cristianismo é, hoje, a maior religião do mundo. Seu crescimento tem sido gradativo e constante, mas há ainda milhões e milhões de pessoas que nunca ouviram falar de Jesus. Nem é preciso falar dos mais de 3 milhões que vivem na Janela 10×40 e que sequer ouviram falar de Jesus. Verdade é que existem muitas etnias que ainda precisam ser alcançadas pelo evangelho.

Conceito de etnia

Segundo a missiologia, etnia é um grupo de pessoas distinto de outro grupo humano, devido à sua língua e cultura. Ou seja, são povos ou gente que possuem crenças, valores e instituições totalmente diferentes. Por exemplo, os japoneses no Brasil são um grupo de pessoas etnicamente diferente dos coreanos que aqui residem. As diferenças entre essas etnias são várias: comida, aparência, comportamento social, religião, modo de pensar, etc.

Nesse aspecto, os povos indígenas, que provavelmente vieram da Ásia e depois se espalharam pelas Américas, estão inclusos nas palavras de Jesus no texto da Grande Comissão, e precisam ser alcançados pelo poder do evangelho. Aliás, os grupos indígenas que vivem no Brasil podem ser considerados verdadeiras nações de costumes absolutamente diferentes. Vale ressaltar que nação, aqui, não se trata de país politicamente consolidado, mas de um grupo de gente que tem sua própria cultura.

Gente carente de Jesus

Antes da descoberta do Brasil, por Pedro Álvares Cabral, os indígenas já estavam aqui e dominavam as terras brasileiras. Um índio Caimbé, referindo-se a eles como os primeiros habitantes do solo brasileiro, disse: “O Brasil não foi descoberto, o Brasil foi roubado”. O censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que a população indígena é de quase 897 mil, sendo que 63,8% vivem na zona rural e 36,2%, na urbana, distribuídos em 305 etnias.

A maioria dos indígenas mora na bacia amazônica, os demais estão espalhados pelo Brasil, sendo 38,2% na região Norte, 25,9% no Nordeste, 16% no Centro-Oeste, 11,1% no Sudeste, e 8,8% no Sul. Dos mais de 250 povos indígenas brasileiros, 133 possuem presença missionária evangélica e 20 têm igrejas com liderança autóctone. Dessas 20 igrejas, apenas 14 possuem o NT traduzido para a sua língua. Precisamos orar para que Deus levante tradutores, pois se sabe que grande parte dos tradutores não consegue conciliar tradução e evangelização, devido à intensidade do trabalho.

O número de tribos que não possuem nenhuma porção da tradução da Bíblia é ainda muito grande. As etnias indígenas carecem de grande empenho para serem alcançadas. A Igreja precisa se inteirar da situação cultural, social e religiosa desses povos para apresentar-lhes o Evangelho Integral Sustentável.

Igrejas autóctones

O que seria uma igreja autóctone? É a igreja nascida em um país e que não possui influência externa, ou seja, influência cultural importada, já que os seus padrões são todos nativos. A igreja autóctone atenta mais para os princípios da Palavra de Deus do que para os métodos, de forma que a exposição do evangelho seja compatível com o povo no meio do qual ela existe ou está sendo plantada. Jesus não interferia na cultura e nos costumes dos povos evangelizados (Jo 4:1-30).

Ele anunciava o reino de Deus e, com isso, as cidades eram transformadas, porque as pessoas eram, primeiramente, transformadas pelo poder de sua Palavra (Jo 6:63). Esse deve ser o foco para plantação de igrejas em outras culturas, isto é, ter como objetivo primeiro a criatura humana (Mc 16:15), para que, depois de convertida, o evangelho alcance o grupo de pessoas no meio do qual ela vive. Desta forma, as verdades bíblicas serão muito mais proveitosas pelo grupo étnico alcançado.

Por isso, precisamos admitir que um obreiro indígena possui suas particularidades étnicas, e que não temos como exigir que ele se enquadre dentro dos princípios de um obreiro não-indígena. Um pastor autóctone tem maiores possibilidades de ser bem-sucedido como missionário do que um obreiro que não seja daquele contexto. Somos gratos a Deus pela vida dos irmãos Carmo da Silva e Emenergildo Balbino, hoje pastores/missionários autóctones da IPRB nas aldeias indígenas de Miranda, MS. Deus abençoe suas vidas, famílias e igrejas indígenas renovadas no Brasil.

Igreja missional

A igreja em Antioquia era a “base missionária” da igreja primitiva. É o protótipo para todas as demais igrejas. De lá saíram os primeiros missionários: Paulo e Barnabé. Por isso, missões é tarefa da igreja local, e não exclusiva das agências missionárias. Estas devem funcionar como parceiras das igrejas na evangelização. A igreja local é o celeiro, de onde homens e mulheres são chamados e enviados para os campos missionários, e ela deve prover os recursos necessários para manutenção dos missionários.

O leitor poderia perguntar: mas o que seria uma igreja missional? Seria uma igreja missionária? Sim, mas o conceito do termo “missional”, segundo Rubens Muzio, é uma forma de enfatizar a verdadeira vocação da igreja na terra como povo chamado e enviado para servir e evangelizar. Isto é, o termo impõe sobre a igreja uma responsabilidade mais aguda, exigente e urgente. Ser uma igreja missional significa ser uma igreja urbana que faz o mesmo trabalho de um missionário, a partir do bairro onde está inserida.

A igreja missional cumpre o que está escrito em Atos 1:8, evangelizando em Jerusalém (dimensão urbana-local), Judeia (dimensão urbana-nacional), Samaria (dimensão urbana-continental) e os confins da terra (dimensão urbana-mundial). Em outras palavras, igreja missional significa adotar a postura profética de um missionário, que se adapta ao contexto do outro sem perder de vista a essência dos ensinos da Bíblia Sagrada. Ser uma igreja missional é um estilo de vida cristã.

Missionário em potencial

Discipular ou fazer discípulos de todas as etnias é a missão dada à Igreja. O desafio da evangelização do indígena não é uma tarefa apenas das agências missionárias, mas de qualquer cristão. Ou seja, cada crente é considerado um “missionário em potencial”. Ninguém pode se eximir dessa responsabilidade, dizendo: “Eu não posso sair da minha cidade”. Se não podemos ir, podemos contribuir ou até mesmo orar a favor das tribos indígenas, para que Deus levante pessoas para trabalhar entre esses povos.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Corinto, traça de maneira prática o perfil de um missionário: “Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isso conforme o Senhor concedeu a cada um” (1Co 3:5). Missionário é, portanto, um servo de Deus, por meio de quem as pessoas vão crer em Jesus (2Co 3:4). É claro que cada um tem a sua especificidade. Um foi chamado para plantar, outro foi para regar e assim por diante. Cada um faz para Deus aquilo que está vinculado ao propósito divino para sua vida (1Co 3:6-8). Todo cristão deve ser uma testemunha viva da Palavra de Deus (At 1:8).

Para refletir

“Era uma vez quatro indivíduos chamados: Todo Mundo, Alguém, Ninguém e Qualquer Um. Quando havia um trabalho importante para ser feito (por exemplo, a obra de Deus), Todo Mundo estava certo de que Alguém faria; Qualquer Um poderia ter feito, mas Ninguém o fez. Quando Ninguém o fez, Alguém ficou nervoso, porque isso era obrigação de Todo Mundo. No final, Todo Mundo culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer Um poderia ter feito”. Jesus disse: “Trabalhemos enquanto é dia, porque a noite vem” (Jo 9:4).

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Fonte: Jornal Aleluia, maio de 2016

Dia das mães: uma data a ser comemorada com gratidão todos os dias – Maio/2017

Nesta oportunidade, gostaríamos de parabenizar
e homenagear com esta reflexão bíblica todas as mães
do Brasil e do mundo, e desejar que Deus abençoe cada família nesse dia especial, 2º domingo de maio, em que se comemora o dia das mães.

O Dia das Mães é uma data comemorativa em que se homenageia a mãe e a maternidade. Em alguns países, esse dia é comemorado no segundo domingo do mês de maio, como no Brasil e na Irlanda. Em Portugal, por exemplo, é comemorado no primeiro domingo de maio. Segundo a enciclopédia Wikipédia, mãe, genitora, progenitora, ou ainda geradora, é o ser do gênero feminino que gera uma vida em seu útero como consequência de fertilização.

Mãe é, também, para todos os efeitos, aquela pessoa do gênero feminino que adota, cria, e cuida de uma criança gerada por outrem que, por alguma razão, não pôde ficar com seus pais. Verdade é que o Dia das Mães deve ser todos os dias. Eva, que em hebraico significa vida, é o nome que Adão deu à sua mulher. Ela é mãe de todos os seres humanos. Eles tiveram três filhos: Caim, Abel e Sete; depois, geraram outros filhos e filhas (Gn 3:30; 4:1,2,25; 5:4)

O princípio bíblico estabelecido por Deus no Jardim do Éden para que uma mulher se torne mãe perdura até hoje. Ou seja, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão uma só carne, gerando filhos e filhas, como herança do Senhor (Gn 2: 24 e Sl 123: 3). Vejamos o que nos legaram algumas mães da Bíblia Sagrada.

Joquebede: mãe provada e aprovada

Seu nome quer dizer “Jeová é glória”. Ela foi a mãe do grande estadista Moisés, que quer dizer “tirado das águas”. Como deve ser difícil para uma mãe gerar um filho e não poder dizer a todos que ele lhe pertence. Que provação terrível! Essa foi a história dessa mulher, que foi provada e aprovada por Deus. Moisés nasceu, mas não pôde ficar sob os seus cuidados. Todavia, a intervenção de Deus foi tão precisa que Joquebede teve a oportunidade de cuidar de seu filho até ele crescer.

Segundo o decreto de Faraó, todas as crianças do sexo masculino deveriam morrer ao nascer (Êx 1:16). Então, nasce Moisés, um menino muito formoso. Sua mãe o esconde por três meses. Não podendo ficar com ele por mais tempo, pois os egípcios poderiam matá-lo, ela o coloca dentro de um cesto de junco e o deixa à beira do rio Nilo. A irmã do menino fica observando de longe o que haveria de lhe acontecer. A filha de Faraó e suas donzelas, que passeavam pela beira do rio, logo pegaram a criança.

Joquebede tinha a glória de Deus em sua vida, por isso era uma mulher iluminada. A princesa egípcia, sem compreender os mistérios de Deus, por meio da irmã do menino, o entrega à mãe dele, a fim de que ela o criasse, e ainda lhe paga um salário (Ex 2:9). Depois de crescido, Joquebede entrega o menino à filha de Faraó, que o adota como filho. Como é importante confiarmos no agir de Deus. A você, mãe, que tem sido provada de muitas maneiras, ore, persevere e acredite na intervenção divina. Deus vai trazer de volta aquilo que é seu, pois ele tem visto suas lágrimas.

Ana: mãe piedosa e intercessora

Israel vivia o período dos juízes (1200-1020 a.C.) A situação político-espiritual nesse tempo era instável e caótica. O governo ainda era teocrático, mas Deus já estava se movendo e preparando grandes mudanças em Israel. Para isso, havia necessidade de um grande líder. Quem seria ele? De onde viria essa pessoa? De que linhagem? Então Deus se manifesta na história, fazendo surgir no cenário israelita um grande juiz, profeta e sacerdote, que se chamava Samuel.

Não foi por acaso que Samuel surgiu e se tornou um grande ícone em Israel. Seu nascimento, vida e ministério são frutos de uma mãe piedosa, que orava muito e era cheia da graça divina. Deus tem prazer em se manifestar em terra árida, no deserto, no meio da crise, da tempestade, da provação e do sofrimento humano. O profeta diz que, quando Deus age, ninguém pode impedir (Is 43:13). Foi nesse contexto que o Senhor se manifestou na vida de Ana, quando Eli lhe disse que Deus haveria de atendê-la (1Sm 1:17).

Ana, cujo nome significa graça de Deus, era uma mulher estéril e menosprezada. Em uma das ocasiões em que orava no templo, o sacerdote Eli a julgou por embriagada, tão grande era o seu desgosto (1Sm 1:14-16). Deus se compadeceu de sua aflição e lhe deu um filho (1Sm 1:19-20). É assim que devemos nos comportar quando o solo em que vivemos parece improdutivo, árido e estéril. É nessa hora que devemos contar para Deus nossas angústias e aguardar sua intervenção. Seja uma Ana, minha irmã, e creia na soberania divina, pois ele virá ao seu encontro no tempo certo (Jó 19:25).

Eunice: mãe zelosa e educadora

Timóteo é filho de um casamento misto, seu pai era grego e sua mãe, judia. Sua mãe, Eunice (que significa vencedora), e sua avó, Lóide, possivelmente tenham se convertido a Jesus na ocasião da primeira viagem dos missionários Paulo e Barnabé, quando estiveram em Listra, na Licaônia. Quanto a seu pai, não há informações precisas de que ele tenha se convertido ao evangelho ou ao judaísmo. Talvez seja por esta razão que Timóteo não tenha sido circuncidado ao nascer, mas somente mais tarde (Atos 16:3).

No entanto, apesar se ser um cristão dotado das mesmas paixões de um jovem (2Tm 2:22), sua conduta sempre chamou a atenção das pessoas onde morava ou por onde passava. Timóteo fora criado e educado nos princípios da Palavra de Deus desde os tempos de criança (2Tm 3:15). Interessante que o apóstolo Paulo, ao escrever sua segunda carta a esse moço, que também era pastor, deixou claro que o presbítero e o diácono precisam ser pessoas de vida cristã ilibada (1Tm 3:1-13).

A educação que ele recebeu de sua progenitora e avó foram suficientes para fazê-lo um exemplo dos fiéis (1Tm 4:12). Todavia, não podemos nos esquecer do espírito de dedicação e zelo dessas mulheres. À semelhança de muitas mulheres cristãs hoje, Eunice não tinha o marido cristão, mas isso não a impediu de transmitir ao seu filho a cultura de uma fé não fingida (2Tm 1:5). Isso nos ensina que a mãe, dentro da sua polivalência, precisa ser uma educadora. Gostaríamos de dizer às mães, principalmente àquelas que não têm o marido crente, que sejam firmes na fé e não desistam nunca das promessas de Deus (Rm 12:12).

Maria: mãe amada e privilegiada

Maria e José são “nomes-símbolos”. A história de vida deles é contada por gerações e mais gerações e nunca poderá ser apagada, até porque eles são os pais de Jesus, o nome mais lido e falado no mundo inteiro. Falar de Maria, como mãe de Jesus, não tem nada a ver com fé cristã, salvação ou outro tema teológico. Apesar de ser uma mulher privilegiada, por ser a progenitora do filho de Deus, foi uma mulher comum e com as mesmas dificuldades que qualquer outra pessoa possui.

Um dos pontos da vida de Maria que queremos destacar é que José a amava profundamente. Quando ficou sabendo que ela estava grávida, não quis infamá-la, antes, preferiu deixá-la secretamente. Mas, antes que isso acontecesse, recebeu a visitação de Deus, por meio do anjo, que lhe disse: “[…] não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1:20). Ninguém discordaria de que não foi fácil para José conceber esse fato e receber a Maria (1:24). Este é um ponto relevante da vida desse casal, que nos ensina a acreditar sem reservas nos planos de Deus.

Reconhecemos que ser mãe é uma dádiva de Deus. Gerar um filho dentro do propósito divino é uma grande bênção. Quantas mulheres têm o profundo desejo de ser mãe. Maria foi uma mulher amada e privilegiada, mas o seu prestígio diante de Deus, por ter sido escolhida entre muitas para ser a mãe de Jesus, não ofusca o ato gratificante que uma mulher tem em dizer que é mãe. Você é uma privilegiada porque é mãe do filho ou dos filhos que Deus lhe deu para cuidar. Portanto, faça isso com zelo, honra e amor, pois nossos filhos pertencem ao Senhor; deles apenas cuidamos (1Sm 1:27-28).

Salário de uma mãe

Um estudo mostrou que uma mãe atua em várias áreas: ela cria os filhos, cuida e mantém limpa e em ordem a casa, lava a roupa, a louça; faz o trabalho de enfermeira quando os filhos estão doentes; de psicóloga quando estão em conflito; de economista quando as finanças estão apertadas; e de uma professora, ajudando nas tarefas da escola.

Numa família comum, se uma pessoa fosse contratada para fazer cada uma dessas tarefas, ficaria uma fortuna. O site americano www.salary.com calculou que o salário, em média, de uma mãe (americana) que fica em casa seria US$ 134,121, por ano (R$ 482.835,00). Isso se ela fosse paga para fazer as tarefas ou atividades da casa.

Agora perguntamos: quanto é que uma mãe ganha para fazer tudo isso? Em termos financeiros ou salário mensal, não ganha nada. No entanto, ela não faz nada disso pelo dinheiro, mas por amor. É justo que, ao menos uma vez por ano, honremos com dignidade essas mulheres que fazem tanto sacrifício com tão pouco reconhecimento.

A IPRB e os 500 anos de João Calvino – Julho/2009

A família presbiteriana do Brasil comemora,
neste ano de 2009, os 500 anos
do nascimento de João Calvino, reformador
nascido em Noyon, Picardia, França,
no dia 10 de julho de 1509, e os 150 anos
de Presbiterianismo no Brasil,
que ocorreu com a chegada do jovem
missionário Ashbel Green Simonton
ao solo brasileiro,
no dia 12 de agosto de 1859

Quem foi Calvino?

João Calvino, além de ser considerado o maior teólogo do Cristianismo depois de Agostinho, foi, acima de tudo, “pastor zeloso e incansável no seu esforço em favor de suas muitas ovelhas sofridas e angustiadas por males de toda sorte”, e, também, o grande evangelista de Genebra, Suíça.

Conhecido como o grande teólogo da Reforma Protestante do século XVI, autor das Institutas da Religião Cristã, publicadas em Basiléia, 1536, bem como um grande estrategista político e um dos pais da democracia moderna, é considerado com um dos principais líderes da segunda geração de reformadores do século XVI.

Simonton, missionário pioneiro

Filho mais novo do Dr. William Simonton, médico conceituado, deputado federal nos EUA e cristão devoto. Desde cedo, recebeu fortes influências morais, intelectuais e espirituais da fé presbiteriana em que fora criado. Simonton foi o primeiro missionário Presbiteriano a chegar ao Brasil, enviado pela Igreja Presbiteriana do Norte dos Estados Unidos, em agosto de 1859.

Sua vida foi curta. Viveu apenas 34 anos e morreu em São Paulo, vítima de febre amarela. Apesar disso, não mediu esforços para fazer a obra de Deus. Sua vida foi marcada pela dedicação e empenho missionário. Dois dias antes de morrer, deixou a seguinte palavra à igreja que fundou no Rio de Janeiro: “Deus levantará alguém para tomar o meu lugar. Ele usará os seus instrumentos para o Seu trabalho”.

A IPRB e o Presbiterianismo

O nascimento da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (IPRB) está profundamente vinculado ao Presbiterianismo que chegou ao Brasil com o missionário Simonton, especificamente à Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e à Igreja Presbiteriana Independente (IPI). As raízes da Denominação também se ligam ao movimento pentecostal moderno, que teve seu início nos EUA.

O avivamento pentecostal surgiu no início do século XX, com Charles Parham, em Topeka, Kansas, em 1901. Seu discípulo, William Seymour, iniciou, em 1906, o que ficou mundialmente conhecido como o avivamento da Rua Azuza, em Los Angeles, de onde se espalhou por todo o mundo, chegando logo mais ao Brasil.

Como Presbiterianos Renovados, alcançados pelo avivamento espiritual da década de 70, oriundos do Presbiterianismo que chegou ao Brasil há um século e meio, e como fruto da união da Igreja Presbiteriana Independente Renovada (IPIR) e Igreja Cristã Presbiteriana (ICP), em 1975, somos gratos a Deus por esses séculos de presbiterianismo, bem como pelos 35 anos de fundação da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Juntos, rendemos a nossa mais sincera gratidão a Deus.

Sessão Solene em São Paulo

No dia 7 de agosto (20 horas), está prevista uma Sessão Solene na Assembleia Legislativa de São Paulo, alusiva às comemorações dos 500 anos de Calvino e 150 anos da chegada do missionário Simonton, que trouxe o Presbiterianismo ao Brasil.

A Diretoria Executiva da IPRB se fará presente à referida sessão, bem como os pastores da região da Grande São Paulo e todos aqueles que desejarem participar do evento. Essa comemoração é uma iniciativa de representantes das diversas Igrejas do ramo Presbiteriano.

Chuva de avivamento

Diante de tudo isso, esperamos que as comemorações alusivas aos 500 anos de Calvino e aos 150 de Simonton constituam-se num tempo de Deus para as nossas vidas. Que o Espírito Santo derrame sobre todos os presbiterianos, do Brasil e do mundo, bem como sobre todos os evangélicos, uma chuva de avivamento, a fim de que as igrejas sejam despertadas, para que vidas sejam salvas e o Reino dos céus seja beneficiado.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2009

A dinâmica da cristologia integral na oração sacerdotal de Jesus – Junho/2017

Uma análise bíblico-pastoral da oração
de despedida de Jesus, em João 17: 1-26,
alusiva ao Dia do Pastor

Prega-se muito nos púlpitos das igrejas sobre o tema Missão Integral ou Missão Holística. Ou seja, a missão que se preocupa com o ser humano por completo: corpo, alma e espírito. Segundo o missiólogo René Padilla: “A igreja que se compromete com a missão integral entende que seu propósito não é chegar a ser grande, rica ou politicamente influente, mas sim encarnar os valores do reino de Deus e manifestar o amor e a justiça, tanto em âmbito pessoal como em âmbito comunitário”.

Apesar do termo “integral” não configurar na Bíblia, ele está amplamente presente em diversos conceitos teológicos, inclusive na Cristologia, parte da teologia que estuda a natureza de Cristo. Então, o que seria Cristologia Integral nesta reflexão? A associação do termo “integral” à Cristologia assume um sentido de completude, considerando que Jesus intercede irrestritamente por seus discípulos, que haveriam de enfrentar o desafio de fazê-lo conhecido neste mundo (v. 23).

A dinâmica da Cristologia Integral na oração Sacerdotal de Jesus leva em conta todas as dimensões da trajetória ministerial de seus discípulos neste mundo, que se inicia com a conversão aos seus ensinos e doutrina e termina com a promessa da vida eterna com Jesus. Isso é maravilhoso porque, enquanto estivermos nesta terra, podemos estar certos de que jamais seremos desamparados por ele (Jo 16:33).

Jesus Cristo, o filho do Deus, veio a este mundo para exercer o tríplice ofício: rei, profeta e sacerdote. Isso se aplica tanto ao seu estado de humilhação como de exaltação. Como Rei dos reis e Senhor dos senhores, ele governa o mundo e protege o seu povo do maligno. Como Profeta, nos revela a vontade e a pessoa do Deus todo-poderoso. E como Sacerdote eterno, ofereceu a sua própria vida em sacrifício e está à destra de Deus intercedendo pela igreja na terra.

Na oração sacerdotal (João 17:1-26), antes de sua partida deste mundo, Jesus ora em favor dos seus discípulos e daqueles que haveriam de crer nele. O que está em destaque nesse texto é o seu ofício sacerdotal: ele se coloca diante do Pai e intercede por seus discípulos. É grande o efeito de sua intercessão, a fim de manter os seus escolhidos salvos do poder de Satanás e guardá-los de todo o mal. Diante disso, qual a dinâmica de sua oração nesse texto? O que ele pede ao Pai pelos discípulos e por nós?

NOSSA PROTEÇÃO

Essa é uma promessa maravilhosa. A certeza de sua proteção, após a sua morte, ressurreição e assunção aos céus: ”Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (v. 15). Jesus está demonstrando com isso total interesse e preocupação, se assim podemos dizer, em nos ver protegidos de todo o poder maligno. A convicção da proteção divina foi o pedido de Moisés para continuar seu pastoreado no deserto: “Se a tua presença não for comigo, não nos faça subir deste lugar” (Êx 33:15).

O que vale a vida cristã sem a proteção de Jesus? Qual seria o seu sentido? Talvez nenhum, porque a presença de Jesus nos dá segurança em todos os sentidos. Por isso, podemos confiar totalmente nele, uma vez que é o nosso Sumo Sacerdote e que se coloca constantemente diante do Pai celestial, pelo seu povo. Neste mundo vil e de tantas injustiças, o que todos queremos e precisamos é ser protegidos. Não há dúvidas de que o ministério pastoral sem o cuidado de Jesus não compensaria.

NOSSA SANTIFICAÇÃO

Além da proteção, Jesus pediu ao Pai que santificasse seus discípulos na verdade da sua palavra: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v. 17). Não temos dúvida de que a vivência da Palavra de Deus tem sido o efeito purificador da nossa mente e coração. Ler e aplicar diariamente os ensinos da Palavra em nossas vidas, para que tenhamos uma vida pura e santa diante de Deus e dos homens é extremamente essencial. Sem santificação ninguém poderá ver o Senhor (Hb 12:14).

A dinâmica da Cristologia Integral nessa oração passa pelo crivo da santificação, que sempre foi o termômetro de Deus para o sucesso ministerial. Quer dizer, essa prerrogativa bíblica foi, também, uma exigência divina ao tempo do Antigo Testamento: “Pois eu sou o Senhor, o vosso Deus; consagrem-se e sejam santos, porque eu sou santo” (Lv 11:44). Portanto, a súplica de Jesus pela santidade de seus discípulos é, simplesmente, uma reafirmação daquilo que Deus sempre quis e desejou de seus servos no AT.

NOSSA MISSÃO

Jesus não apenas nos deu a incumbência de pregarmos o evangelho a toda criatura (Mc 16:15), mas intercedeu por esse propósito divino: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v. 18). Com isso, temos o compromisso de sermos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-16). Precisamos cumprir efetivamente a missão de pregar o evangelho sem tentar escapar do mundo nem evitar os relacionamentos com os não cristãos, pois fomos enviados para levar a salvação aos perdidos.

É muito interessante a sequência dos argumentos na oração de Jesus. Primeiro, suplica por nossa proteção. Depois, roga ao Pai pela santificação dos seus discípulos. Com isso, diz ao Pai que eles estão preparados para ser enviados à Seara (Mt 9:37,38). Portanto, cumprir o “ide” e fazer discípulos de todas as nações (etnias), estando preparados e tendo certeza de sua presença, será sempre uma tarefa frutífera e consolidada: “E certamente estou convosco todos os dias, até consumação do século” (Mt 28:20).

NOSSA UNIDADE

Unidade é a máxima do sucesso de qualquer segmento, especialmente da vida cristã. Sabendo dessa verdade, Jesus intercede pela unidade de seu povo: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós” (v. 21). Ele deseja e quer a nossa unidade para que o mundo creia nele. Temos de priorizar a unidade na igreja, para que ela seja uma testemunha poderosa da realidade do amor de Deus. A falta desse ingrediente, principalmente na liderança, prejudica a comunhão e o trabalho de evangelização.

A unidade precisa começar pela cabeça, ou seja, pela liderança. Líderes unidos, liderados unidos; líderes desunidos, liderados desunidos. Infelizmente será sempre assim, pois o reflexo de uma liderança unida, ainda que as diferenças existam, o que é natural em qualquer engrenagem, será sempre contemplada com os frutos dos alvos estabelecidos. Não nos esqueçamos da figura do corpo usada por Paulo para ilustrar a unidade da igreja: “Pois há muitos membros, mas um só corpo” (1Co 12:20).

NOSSA ETERNIDADE

Por fim, Jesus faz o seguinte pedido em sua oração: ”Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste” (v. 24). Na verdade, ele está nos levando a pensar nos propósitos de Deus para com o homem, desde o jardim do Éden. Deus nos criou para vivermos eternamente nesse lugar especial. No entanto, o pecado roubou do ser humano essa prerrogativa, levando-a ao sofrimento e destruição total (Gn 3). Mas Jesus, um pouco antes de morrer na cruz do Calvário, deixa claro que quer os salvos juntos dele.

A vida além-túmulo é a esperança dos salvos. Paulo diz que “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1Co 15:19). Podemos ter a firme convicção de que Jesus quer nos arrebatar e nos levar para estar com ele em sua morada celestial (1Ts 4:16,17). Alegremo-nos e nos regozijemos por tão grande privilégio que há de acontecer em breve. Como é maravilhoso sabermos que Jesus, nosso grande intercessor junto ao Pai Celestial, orou por nossa proteção, santidade, missão, unidade e eternidade.

PARA REFLETIR!

Não estamos sós! No inverno de 1864, nos EUA, uma velhinha cristã dirigiu-se à Casa Branca para falar com Abraham Lincoln. Segurou a mão do grande presidente e apertou-a fortemente. Queria contar-lhe um segredo: “Amigo Abraham, você não está só, estamos todos orando por você. Você não pode fraquejar, pois o coração de todo o povo está com você. O Senhor mesmo foi que lhe colocou neste lugar. Você é amado pelo povo como nunca antes outro homem o foi. Deus está com você e o povo atrás de você!”

Nós, ministros de Deus, temos a certeza de que não estarmos sós (Is 43:1-5 e Jo 14:18).

A complexidade da voz profética da igreja evangélica brasileira – Agosto/2016

Uma reflexão bíblico-teológica
alusiva ao dia da Independência do Brasil

“Meu filho, tema a Deus, o Senhor, e respeite as autoridades.
Não se envolva com as pessoas que se revoltam contra elas,
pois num instante elas podem se arruinar”
Pv 24:21

Que o Brasil é um país abençoado por Deus, disso não temos dúvida alguma. Somos uma terra fértil e produtiva, um povo simpático e querido por todos no mundo inteiro. Apesar do momento político e econômico da nação brasileira não ser completamente favorável a ninguém, somos um país sem guerras, sem terrorismo e sem derramamento de sangue. Por certo, o leitor já ouviu falar que Deus é brasileiro. Mas seria Deus brasileiro?

A crença popular verde-amarela de que Deus é brasileiro não passa de um bairrismo nacional que acaba descontraindo as pessoas. Estamos certos de que Deus é divino e não humano-brasileiro; eterno e não passageiro; celestial e não terreno, espírito e não matéria; santo e não contaminável; grande e não pode ser contido; é majestoso e está entronizado entre os querubins e os serafins. Deus tem o governo absoluto do mundo que criou em suas mãos.

O Brasil pertence a Deus! Esta tem sido a oração de milhões e milhões de cristãos evangélicos brasileiros. Não há dúvidas de que tudo poderia estar ainda pior em nossa nação, se não fosse a presença da igreja, como agência de Deus neste mundo. A data comemorativa de 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, é um momento oportuno para refletirmos sobre alguns conceitos bíblico-teológicos concernentes à complexidade da voz profética da igreja frente ao contexto político-econômico de nossa nação.

A HONRA ÀS AUTORIDADES

Honra e respeito às autoridades constituídas por Deus é o imperativo bíblico-salomônico: “respeite as autoridades”. O apóstolo Paulo afirma que toda autoridade, seja ela eclesiástica ou não, é constituída por Deus (Rm 13:1). Ou seja, toda autoridade tem o pleno consentimento divino para o exercício de suas funções. A doutrina bíblico-teológica da providência divina ensina que Deus é quem permite ou impede tanto o querer como o efetuar: “Porque Deus é o que opera em vós, tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”, (Fp 2:13).

Portanto, negligência, desonra e desrespeito a qualquer tipo de autoridade é um princípio antibíblico, que foge da legalidade de um viver coerente para com Deus, com o próximo e consigo mesmo. O papel da igreja é fazer a diferença, para que o Brasil tenha sempre a proteção divina. Agora, em se tratando da submissão às autoridades políticas brasileiras, é bom seguirmos os trilhos dos ensinos bíblicos que regem a conduta cristã, lembrando sempre que somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-14).

A NATUREZA DA POLÍTICA

O ser humano é por natureza político. A política está presente na família, na escola, na igreja, no trabalho e em quase todos os ambientes e segmentos em que estamos inseridos. Segundo Leonardo Sampaio, educador político, existem diferenças evidentes entre política, ser político e fazer política. Política se traduz pela ciência, arte ou meio de fazer o bem comum ou promover a felicidade humana. Ser político é fazer valer os direitos dos cidadãos e o dever do Estado, conforme prevê a Constituição. É esse tipo de político que se constitui como verdadeira autoridade quando eleito ou nomeado para ocupar um cargo público.

Agora, fazer política é outra questão, que exige da pessoa que vai exercer um cargo ou mandato o senso da ética, do compromisso, da dignidade, da honestidade e do conhecimento da função. Talvez esses aspectos constituam o cerne da problemática atual da política brasileira. No Antigo Testamento e na antiguidade, os reis e os juízes (1390 a 1030 a.C.) de Israel tinham compromisso exclusivo com a nação, pois lutavam (literalmente) e faziam prevalecer os direitos do povo. São de políticos assim que precisamos na atualidade. Autoridades que defendam e façam prevalecer os direitos da população.

A ANTIGUIDADE DA CORRUPÇÃO

O termo corrupção, do latim “corruptus”, significa o “ato de quebrar aos pedaços” ou decompor e deteriorar algo. Seria o efeito de corromper alguém em troca de algo, com a finalidade de obter vantagens em relação aos outros, usurpando-se de meios ilegais e mentirosos. Que a corrupção é tão antiga quanto ao pecado, disso não temos dúvidas. Foi dessa forma que serpente agiu com os habitantes do jardim do Éden e continua agindo em nossos dias. Ela usou da artimanha corrupta para ludibriar Eva e a seu marido, Adão: “Porque Deus sabe que no dia em comerdes se vos abrirão vossos olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3:5).

A proposta de “ser como Deus” pareceu muito vantajosa à mulher: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer […], tomou-lhe do fruto e comeu e deu também a seu marido, e ele comeu” (Gn 3:6). A corrupção será sempre o resultado de uma ambição desenfreada, da mentira e do descumprimento do pacto de confiança com Deus e com o próximo. Propostas de barganha, negociações, licitações fraudulentas, serviços facilitados e propinas são notícias veiculadas diariamente nas mídias em geral. A igreja não pode compactuar com esse modelo de vida, (Ml 3: 18 e Ef 2: 1-3).

A VOZ DOS PROTESTOS

Corrupção gera déficit. Déficit gera crise. Crise gera desemprego. Desemprego gera descontentamento e protestos. Esse foi o cenário pós-Éden, depois das “sanções penais” sofridas pela humanidade devido à desobediência corrupta: tristezas, brigas, dores, sofrimento, trabalho dobrado, fadigas, improdutividade da terra e demissão do paraíso (Gn 3:15-24). Antes da maldita corrupção no jardim, era tudo muito bom. Deus andava pelo Paraíso, conversava com seus habitantes, a terra produzia abundantemente e não existiam cardos nem espinhos (Gn 3:17-10). O contexto político-econômico dessa cidade era uma maravilha.

No entanto, a ambição levou o casal e toda a humanidade a uma vida de intenso trabalho e calamidade. A partir de então, surgiram as manifestações como forma de protestos. A construção da Torre de Babel, por exemplo, foi uma expressão de descontentamento da população daqueles dias, que serviu como álibi de preservação da vida. Parecia uma forma correta de manifestação pública. Mas, na verdade, não passava de um ato de rebelião, que levou Deus a intervir na história, anulando os planos daquele povo (Gn 11:1-9). O cristão pode reivindicar seus direitos, sim, desejar galgar novas posições, adquirir riquezas, etc., mas desde que tudo esteja de conformidade com a Palavra de Deus, não se envolvendo com aqueles que estão descontentes com as autoridades.

O FATOR DA COMPLEXIDADE

Mas nem tudo está perdido, porque apesar de Deus não ser brasileiro, ele faz a chuva cair sobre os bons e os maus (Mt 5:45). Porém, o contexto emaranhado em que vive o Brasil criou uma complexidade na vida do brasileiro, gerando insegurança, medo, desemprego, maior número de assaltos e criminalidade. O fator da complexidade da vida diz que ninguém é dono de sua própria vida, e que todos estamos sujeitos ao Estado. Segundo os estudiosos, o brasileiro sofre de personalidade múltipla, ou seja, ele exerce diversos papéis sociais ao mesmo tempo, tais como: eleitor, militante, trabalhador, contribuinte, etc.

A complexidade da vida se torna ainda mais difícil quando sabemos que temos direito a uma boa educação, assistência médica adequada e melhor qualidade vida, o que não condiz com nossa realidade. Sem falar das pesadas cargas tributárias que as empresas e indústrias têm de pagar para se manter no mercado de trabalho e gerar empregos à população. Mas nem por isso a igreja deve sair às ruas para protestar contra os governantes e se aliar aos revoltados, pois essa não é a forma coerente para que ela exerça sua voz profética.

Ademais, a igreja deve e precisa pagar o preço de uma vida de oração, intercessão, consagração, e denunciar, dentro dos padrões bíblicos e da legislação brasileira, as mazelas que destroem nossa nação (1Tm 2:1-4). À igreja compete o papel de ser presente e não ausente; atuante e não dormente; atenta e não despercebida; disposta e não indisposta; preparada e não acomodada; quente e não morna; ativa e não passiva.

Ela precisa ser o termostato de Deus neste mundo, sem jamais se omitir ou terceirizar sua missão de transformar o mundo pela Palavra de Deus (Mt 28:18-20). Que Deus abençoe a todos e o nosso Brasil.
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Fonte: Jornal Aleluia nº 420, agosto/2016, p. 2

A arte de falar a mesma língua no contexto bíblico-ministerial – Junho/2016

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
que faleis todos a mesma coisa e que não haja
entre vós divisões; antes, sejais inteiramente
unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer”
1Co 1:10

Naturalmente o leitor já tenha ouvido esta frase: “Aqui,
todos precisam falar a mesma língua”. Em palestra, um gerente
de uma rede de lojas diz aos seus funcionários: “Precisamos ser unidos,
não podemos ficar dispersos, temos de focar o mesmo alvo,
se é que queremos alcançar nossas metas financeiras,
conquistar novos clientes e continuar sendo a maior
rede de lojas do Brasil”.

Falar a mesma língua precisa ser a marca de nossa
identificação, pois esse é o imperativo de sucesso de qualquer
grupo que tenha um fim proposto. Seja na família, na escola,
no futebol, na empresa, na igreja, no trabalho,
em qualquer repartição ou segmento há sempre
a necessidade de se viver o espírito
de luta, munido pela união de um mesmo parecer
e disposição mental.
Contudo, ninguém discordaria de que não é nada fácil
exercitar essa “ginástica”, ainda mais dentro do contexto
eclesiástico-ministerial.

O apóstolo Paulo, ao se dirigir à igreja de Corinto com um discurso de urgência sobre a necessidade da unidade na administração e projetos da igreja, deixa evidente que havia entre os crentes dificuldade de se falar uma mesma língua. Esse fato estava trazendo sérios problemas para as lideranças locais e regionais, bem como provocando uma “linha de impedimento” no crescimento integral (orgânico, diaconal, conceitual e numérico) dessa igreja.

Com isso, surgiram dentro da igreja torcidas e bandeiras apostólicas sem precedentes, gerando partidos político-eclesiásticos, a ponto de irmãos se odiarem e guerrearem: “Refiro-me ao fato de um de vós afirmar: “Eu sou de Paulo”; enquanto o outro declara: “Eu sou de Apolo”; e outro: “Eu sou de Pedro”; e outro ainda: “Eu sou de Cristo! ” (1Co 1:12). Foi por essa razão que o apóstolo os chamou de carnais, invejosos, segundo os padrões deste mundo (1Co 3:3).

Hoje não tem sido diferente nas famílias, na política, nas denominações. Os fatos tomam dimensão bem mais rápido do que naqueles dias. Àquela época, o mundo em que a igreja de Corinto estava inserida era mais compacto, retraído e tímido. Não estamos dizendo que não havia violência, criminalidade, assaltos, corrupção, etc. O mundo foi sempre perverso, desde o início, após o pecado (Gn 3). O que estamos dizendo é que hoje tudo é mais veloz e dinâmico. Tudo se faz e refaz numa velocidade incrível.

As redes sociais e os meios de comunicação, que por sinal são uma bênção e têm seus valores, transformou o mundo numa “aldeia globalizada“, onde todos sabem de todos em qualquer lugar deste planeta em fração de minutos. No entanto, esse avanço tem trazido certos desvarios e constrangimentos, que prejudicam a obra de Deus. É sobre isso que gostaríamos de refletir neste momento, por ocasião do dia do pastor, segundo domingo de junho, uma vez que somos responsáveis pelo rebanho de Deus (Hb 13:17).

BÍBLIA E TEOLOGIA

A teologia existe porque a Bíblia é um livro invulnerável e inatacável. Se a Teologia discute sobre a existência de Deus e os fatos relacionados a ele e ao mundo, não há como desvincular um do outro nem tampouco fundamentar qualquer tese teológica sem o respaldo das Escrituras. Não é assim que temos visto hoje em dia, quando muitos tentam sustentar de qualquer forma suas correntes teológicas. Jesus disse que uma casa (teologia) sem fundamento (Bíblia), construída sobre a areia, não suportaria a chuva e a força dos ventos que soprariam contra ela (Mt 7:24-27).

Pregam-se, hoje, mensagens sem nenhuma fundamentação bíblico-teológica. Por isso, os pastores e líderes da IPRB precisam precaver-se com relação àquilo que ensinam nos púlpitos. Há muita discussão desnecessária sobre certos conceitos que não nos levam a lugar algum. O verdadeiro conhecimento bíblico é a essência de uma boa e sadia teologia bíblica. Deus disse pelo profeta Oséias que o seu povo errava por falta de conhecimento (Os 4:6). É tempo de pregar e ensinar usando a mesma linguagem.

TEOLOGIA E ECLESIOLOGIA

É bem verdade que a teologia bíblica não é um produto acabado. Se assim fosse, não existiriam discussões e especulações a seu respeito. Todavia, ela não deve ser banalizada, como ocorreu em algumas circunstâncias da história. Há quem diga que a teologia, de tempo em tempo, precisa ser reformulada. Essa é uma questão que tem sido alvo de debates acadêmicos e ministeriais. No entanto, sendo ou não verdade qualquer conjectura a respeito de seus conceitos, seus princípios bíblicos jamais poderão ser alterados.

A eclesiologia, por sua vez, que é o ramo da teologia que trata da doutrina da igreja, responsável por assuntos importantes, como o papel da salvação, sua origem, sua disciplina, sua forma de se relacionar com o mundo, seu papel social, as mudanças ocorridas, as crises enfrentadas, a relação com outras denominações e sua forma de governo (veja a Confissão de Fé da IPRB), deve ser orientada por uma teologia, essencialmente, bíblica, madura e equilibrada, e, por que não dizer, holística. Por isso, a IPRB crê e adota uma eclesiologia com diretrizes balizadas unicamente pela Bíblia, o que nos outorga o status de uma denominação séria e reconhecida pelos segmentos políticos, religiosos e sociais em geral.

ECLESIOLOGIA E UNIDADE

Se a eclesiologia é responsável pela conduta da igreja dentro dos trilhos de uma teologia sadia e equilibrada, a unidade, neste caso, é o resultado dessa engrenagem, que funciona como mola-mestra da igreja. Quer dizer, a unidade é o ponto-chave para que a igreja tenha êxito na missão de fazer discípulos de todas as nações, segundo as palavras do próprio Jesus: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. […] Eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados em unidade” (Jo 17:21 e 23).

Fica evidente no discurso de Jesus que a unidade move o corpo de Cristo. Sem ela o mundo é impedido de crer que Jesus foi o enviado do Pai, e não há como o corpo ter vida plena. Paulo deixa isso claro quando fala da igreja como corpo de Cristo: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo (1Co 12:12). Portanto, entende-se que a unidade é parte essencial e indispensável, a fim de que os membros do corpo de Cristo sejam de mesma disposição mental e parecer.

UNIDADE E DIVERSIDADE

Por fim, aqui se complementa o processo da arte de falar uma mesma língua. A unidade é a característica dominante do corpo; e a diversidade, a cooperação no funcionamento. Parece não ser possível ter o mesmo parecer quando se trata de igreja. No entanto, na unidade todos são um e um são todos, porque o corpo precisa ser bem ajustado. Dentro da diversidade, todos não são todos, porque são membros diferentes que formam o corpo. Todavia, todos dependem de todos porque estão ligados uns aos outros no mesmo corpo.

Mas como explicar isso? O apóstolo Paulo dá a receita certa para esta pergunta: “Porque também o corpo não é só membro, mas muitos. […] O certo é que há muitos membros, mas um só corpo” (1Co 12:14,20). Portanto, a diversidade na unidade é uma realidade necessária, e não há como dizer o contrário. É na diversidade que as ideias opostas se acasalam e geram bons resultados. Além do mais, é bom lembramos que Deus nos criou únicos e é exatamente por isso que não seremos jamais iguais: “Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhes aprouve” (1Co 12:18).

Por isso, caros colegas, estejamos certos de que Deus colocou cada um nós em seu devido lugar no corpo, com uma função específica, o que é salutar para a igreja. Podemos, sim, caminhar harmoniosamente dentro da diversidade, tendo um mesmo parecer, como o apóstolo recomenda aos crentes de Corinto, respeitando o espaço psicológico uns dos outros, porque a igreja é de Deus, e não nossa. Uma das grandes virtudes do ser humano é ser submisso a Deus e aguardar o momento certo de ser usado por ele naquilo que for a Sua vontade.

Desta forma, desejamos que Deus capacite e abençoe a todos os pastores e pastores auxiliares da IPRB, dando-lhes muita graça e sabedoria. Que nossos pastores e suas famílias sejam, dignamente, reconhecidos como homens e mulheres que o Senhor escolheu para pastorear o rebanho divino.

LIÇÕES PEDAGÓGICAS CONCLUSIVAS

Diante de tudo que analisamos, vamos elencar algumas lições bíblico-pedagógicas, que nos propõem diretrizes para o uso comum de uma mesma língua no discurso ministerial e denominacional.

Lição 1: Nenhum projeto, seja ele espiritual ou material, terá sucesso se todos não se unirem para falar ou pensar uma mesma coisa.

Lição 2: Todo projeto precisa ter como propósito primeiro o Reino de Deus, e não do homem ou da instituição.

Lição 3: Quando não se fala uma mesma língua, na edificação de qualquer empreendimento, a tendência é que ele seja embargado por Deus.

Lição 4: Falar a mesma língua consiste na arte da unidade-diversidade, para que os pontos de vista tenham uma vista correta dos pontos.

Lição 5: Para se elaborar qualquer tipo de projeto, precisamos, antes de tudo, consultar e buscar a direção e a aprovação de Deus.