Resiliência, uma graça à disposição de todos – Abril/2009

O termo ‘resiliência’ pertence à física,
ou seja, é a propriedade que alguns corpos
apresentam de retornar à forma original ou normal
após terem sido submetidos a uma
deformação elástica.

“O rio atinge seus objetivos
porque aprendeu a contornar
os obstáculos”. (André Luiz)

No sentido figurado, resiliência seria a capacidade de se recobrar facilmente ou de se afastar das mudanças indesejáveis. Neste sentido, para os especialistas em comportamento humano, este termo se aplica ou se molda às pessoas que possuem um alto grau de capacidade para retornar ou dar a volta por cima às situações anteriores (ou originais), quando são vítimas de grandes investidas ou adversidades.

Ser resiliente é ter a capacidade de recomeçar ou começar tudo de novo, depois de sofrer algum dano na vida, seja ele material, físico, ou espiritual. Resiliência é uma graça de que todos precisamos e que está à nossa disposição. Não há como negar esta verdade, pois a provação ou a tentação é, incondicionalmente, fator inerente ao Cristianismo, porque todos estamos sujeitos às intempéries da vida.

Quem nunca foi nocauteado, ou passou por um sério problema, como, por exemplo: uma doença repentina, a perda do emprego, a falência de um negócio, a morte de alguém muito próximo, um golpe na vida espiritual, o trauma de um sequestro ou de um acidente, o rompimento do casamento que durava anos, de uma amizade muito forte, ou, ainda, a reprovação no vestibular ou em algum teste? Verdade é que a vida nos proporciona muitas surpresas, e nem todas agradáveis.

Portanto, ser resiliente constitui-se num desafio constante para qualquer pessoa, seja ela cristã ou não-cristã. Assim, gostaria de convidar o leitor a uma reflexão sobre a graça (bênção) da resiliência, fundamentada no contexto das palavras do apóstolo Paulo, escritas aos Romanos 12: 12: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”.

Alegria na esperança

Parece simples, mas a esperança é o ingrediente número um que possibilita à pessoa nocauteada por algum acontecimento traiçoeiro retornar à condição de voltar ao seu estado normal de vida: ¨Alegrai-vos na esperança¨. Quer dizer, ela seria como um choque elétrico emitido por um desfibrilador em alguém que sofreu parada cardíaca.

Neste caso, a esperança é a carga elétrica que reativa o processo de respiração do paciente. Se não fosse a esperança, Jó, que viveu, aproximadamente, 2000 anos aC., jamais conseguiria dar a volta por cima, quando, em pouco tempo, perdeu todos os seus bens (casa, fazenda, gado), e, inclusive, a própria família, Jó 1-1-15.

No entanto, diante de todas as catástrofes ambientais, materiais e espirituais, ainda teve força para exclamar: ¨Porque eu sei que o meu redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra¨, Jó 19: 25. Ao final, Jó recebeu em dobro tudo o que havia perdido, 42: 10-17. Alegrar-se na esperança é ter a certeza de que a luta e o fracasso não são o fim, mas o começo de uma nova etapa.

Certa feita, perguntaram a Henry Ford: o que é um fracasso? Com voz lúcida e segura, respondeu: “um fracasso é apenas a ocasião de começar uma nova tentativa com mais sabedoria”. Qualquer pessoa está sujeita a algum tipo de insucesso na vida, porque não raro as coisas acontecem ou são como não se imagina.

É nessa hora que a graça ou a bênção da resiliência se manifesta pela força dos olhos da esperança, afirmando que dias melhores virão e que o sinal verde vai aparecer no fim do túnel. Com Jesus, não há dúvidas de que somos mais do que vencedores (resilientes), porque o justo, ainda morrendo, tem esperança, Pv 14: 32 e Rm 8: 37.

Paciência nos desafios

Paciência é um dos segredos para vencer qualquer obstáculo. Todavia, há de se considerar que é, também, uma dificuldade de todos, pois a síndrome da pressa, que é o mal do século, tem roubado do ser humano esta bênção. Quando o apóstolo diz que precisamos ser pacientes na tribulação, pode-se dizer que a capacidade de alguém dar a volta por cima a uma situação constrangedora vai exigir da pessoa uma personalidade firme e pacienciosa.

O apóstolo Tiago, ao exortar sobre a paciência, usa a figura do lavrador para ilustrar a importância desta virtude: ¨Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e últimas chuvas¨, 5: 7. Então, se o objetivo de quem busca se restabelecer de alguma situação adversa é a retomada de novas iniciativas, é preciso fortalecer o coração com a paciência, v. 8.

Apesar de tudo que ocorreu em sua vida e família, Jó conseguiu voltar ao primeiro estado ou à normalidade do dia-a-dia, porque foi paciente na tribulação: ¨Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu…¨, Tg. 5: 11. Nada, em hipótese alguma, segundo os ensinamentos bíblicos, é impossível para quem persiste firme frente aos desafios. Há um ditado francês que diz que “a paciência é amarga, mas o seu fruto, doce”.

Portanto, as coisas difíceis podem levar muito tempo para ser alcançadas, pois o impossível pode demorar um pouco mais. Thomas Edson afirmou: “a nossa maior franqueza reside em que temos a tendência de abandonar. A maneira mais segura para conseguir atingir os objetivos é: tentar uma vez mais”. Como diz o refrão de uma das músicas do cantor Armando Filho: “Uma vez, outra vez, vai em frente, tenta um pouco mais. Quem sabe hoje aqui, angústias vão ter fim. E gozarás perfeita paz”. Tente novamente!

Persistência na devoção

Falar em oração é falar em devoção de vida com Deus. É relacionar-se com Deus no dia-a-dia. Não há como sobreviver no mundo espiritual sem a prática do princípio da oração. Na parábola do juiz iníquo, em Lucas 18: 1-11, Jesus deixou bem claro que para a oração se tornar um discurso convincente diante Deus, é preciso orar sempre (perseverar) sem nunca esmorecer, v. 1.

Para isto, seria extremamente necessário um padrão equilibrado na vida de devoção (oração) a Deus, pois Paulo afirma este conceito teológico: “…perseverai em oração”. A oração é a mola mestra deste processo. Uma pessoa movida pela fé e oração é impulsionada a tomar iniciativas, adquirindo, assim, uma postura de coragem e motivação frente à luta.

Ana, serva fiel do Deus altíssimo, para vencer a multidão de seus cuidados e o desgosto que amargurava a sua alma, e que abatia profundamente o seu semblante, deixando-o totalmente triste, 1Sm 1: 16, 18 e 19, só conseguiu dar a volta por cima e chegar ao estado normal de mãe (pois era estéril e Deus lhe deu um filho), porque persistiu na comunhão e serviço a Deus: “…perseverando ela em orar perante o Senhor”, 1Sm 1: 11.

A verdadeira devoção a Deus consiste numa constante batalha, porque “os vencedores das batalhas da vida são homens perseverantes que, sem se julgaram gênios, convenceram-se de que só pela perseverança no esforço podem chegar ao almejado fim”, (Emerson, 1803-1882). Por isso, quem desiste da batalha jamais faz história, mas quem persevera escreve a história. Seja, portanto, autor de sua própria história.

Para concluir

Desafio você a refletir sobre isto: não desistir nunca, ou seja, “quando as coisas derem errado como, às vezes, acontece; quando a estrada na qual você caminha com dificuldade parece íngreme demais; quando os fundos estão baixos e as dívidas altas, e você quer sorrir, mas tem de suspirar; quando o cuidado o pressiona um pouco para baixo, descanse, se precisar, mas não desista, pois a vida é esquisita com suas idas e vindas.

Como cada um de nós, às vezes, aprende, e muitos fracassos ocorrem, quando se poderia ter vencido se tivesse resistido. O sucesso é apenas o fracasso virado ao avesso, a tinta preta das nuvens da dúvida. […] Portanto, aferre-se à luta quando receber o golpe mais duro. Quando as coisas parecerem piores é que você não deve, em hipótese alguma, desistir¨! (autor anônimo). Por tudo isso, seja sempre resiliente em seus projetos e empreendimentos!

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2003

O Natal cristão – Dezembro/1995

Que é mesmo o Natal?
Festas, presentes, compras, viagens,
encontros familiares?

O cristão deve ter em mente que o Natal
tem um sentido não apenas humano,
mas profundamente
espiritual. É o que podemos aprender
a partir do registro feito por Mateus
sobre o nascimento de Jesus.

Mateus 2: 1-12

Estamos no mês natalino. Apesar de não ser a data correta, pois não se sabe ao certo em que dia o Senhor Jesus nasceu, até porque não há uma data específica registrada na Bíblia, o dia 25 de dezembro, tradicionalmente, é considerado o dia do seu nascimento.

Por isso, é um dia comemorado e festejado por todos. Para muitos, Natal é um dia especial em que pessoas viajam para rever parentes e amigos. Para outros, Natal é promover festas, é uma oportunidade para se deixar extravasar os desejos da carne. Para uma criança, é uma data desejada e esperada com muita ansiedade para se ganhar presentes.

Talvez, para muitos, o Natal seja um momento do ano em que as famílias se reúnem para se alegrar e agradecer a Deus por mais um ano que se passou. Para os empresários e comerciantes, é um dos eventos festivos do ano que abre o maior espaço para vendas em todos os aspectos.

Na verdade, o Natal que a humanidade comemora tem pouco a ver com o nascimento de Jesus. Biblicamente, Ele nasceu um dia em Belém da Judeia. Seu nascimento foi singular, simples e humilde. Em Belém nasceu Jesus, a parte humana, a carne do verbo, as vestimentas de carne e ossos com as quais o verbo se cobriu para que pudéssemos ver a sua glória, Jo 1: 1-3.

E para o cristão, o que é mesmo Natal? Festas, presentes, compras, viagens, encontros familiares, etc. O cristão deve ter em mente que Natal para ele tem um sentido profundamente espiritual, e não apenas um sentido humano. Vejamos, então, o que podemos aprender a respeito do Natal cristão, a partir do registro feito por Mateus sobre o nascimento de Jesus, em Mt 2: 1-1?

Natal é uma busca
constante do verdadeiro Jesus

Os magos que vieram do Oriente perguntaram: onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Sendo eles incumbidos pelo rei Herodes a respeito do menino Jesus, v. 8, partiram em busca do recém-nascido, Vv. 1 e 9.

Eles empreenderam uma longa viagem para encontrar-se com o desejado das nações. Natal é, portanto, exatamente isso: uma busca constante do verdadeiro Jesus. Hoje, muitos o buscam de três maneiras distintas:

a) Buscam o Jesus que não é verdadeiro, de maneira errada: os sacerdotes e os levitas que foram enviados pelos judeus perguntaram a João Batista: Quem és tu? Eles buscavam o Jesus verdadeiro, mas João Batista não o era, Jo 1: 19-20.

b) Buscam o Jesus verdadeiro de maneira errada: em Lucas 2: 48 e 49, seus pais o buscam em lugares em que Ele não estava presente. Buscavam o Jesus verdadeiro, mas não o encontraram onde fora procurado.

c) Buscam o Jesus verdadeiro de maneira verdadeira: os magos fizeram isso e o encontraram com a sua mãe, Mt 1: 11. Nossas irmãs, Maria Madalena, Joana e Maria foram surpreendidas quando os anjos lhes disseram: por que buscais entre os mortos quem está vivo?

Graças a Deus porque o Jesus a quem servimos é verdadeiro e está nos céus, à destra do Pai. Devemos buscá-lo de todo o nosso coração, Mt 7: 7, enquanto podemos encontrá-lo, Is 55: 6.

Natal é uma adoração
constante ao verdadeiro Jesus

Os magos, guiados pela estrela que tinham visto no Oriente, chegaram à casa de Maria, mãe de Jesus, encontraram o menino, e, prostrando-se, o adoraram. Um dos propósitos dessa longa viagem era adorar a Jesus: viemos a adorá-lo, v. 2.

A adoração verdadeira é um dos aspectos relevantes do Natal. Ou seja, não existe Natal sem o compromisso de adorar o menino (Rei) Jesus. Portanto, Natal sem adoração ao Deus Trino e Uno não é Natal. Nesse sentido, todos os dias podem ser Natal, pois todo o dia podemos adorá-lo em Espírito e em verdade, Jo 4: 24.

Porém, não é bem assim que acontece em nossos dias. O mundo comemora o nascimento de Jesus com bebedeiras, festas, etc. Este é o tipo de Natal sem sentido, sem valor, sem espiritualidade e sem aceitação divina, porque não alegra o coração de Deus.

O Natal cristão precisa ser uma constante adoração ao verdadeiro Jesus, que vive e reina para todo o sempre. É ir à igreja não por um hábito, ou por mero costume, ou para ver alguém, mas para adorá-lo com um coração preparado, Sl 108: 1.

Por isso, todo culto, quando o adorador se comporta diante de Deus com adoração verdadeira, pode-se dizer que é dia de Natal, pois Jesus está sendo reverenciado como o Deus-Filho.

Natal é abrir o coração
e oferecer presentes a Jesus

Os magos, depois de buscarem o menino Jesus, encontrando-o, adoraram-no. Então, abrindo seus tesouros, apresentaram-lhe presentes, tais como: ouro, incenso e mirra, v. 11. Vejamos o que isto pode simbolizar para o cristão:

a) Ouro: metal precioso, amarelo e brilhante. Simboliza a realeza de Jesus, ou seja, sua dignidade de Rei. Ele nasceu como rei. Ele é o Rei da glória, Sl 24. Uns o conhecem como um simples homem que marcou a História. Nós o reconhecemos e adoramos como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

b) Incenso: resina aromática que se queimava na antiga dispensação. Isto pode simbolizar o lado divino de Jesus. Nesse aspecto, os magos estavam reconhecendo Jesus como Filho de Deus. Quando o cristão aceita a divindade de Jesus, ele está abrindo seus tesouros e dando presentes a Jesus.

c) Mirra: resina odorífera, medicinal, produzida pelo “balsamodendron”. Analisando o texto de forma abrangente, nesse caso, mirra poderá simbolizar sacrifício. Talvez seja o sacrifício que eles (os magos) empreenderam na longa jornada para ver a criança recém-nascida.

Um dos maiores presentes que podemos dar a Cristo é a nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional, Rm 12: 1. Portanto, abramos nossos tesouros, nossos corações e apresentemos ao Senhor Jesus nossas dádivas. Ele merece. É Natal! Ele nasceu em nossas vidas, aleluia!

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Fonte: Jornal Aleluia de dezembro de 2008 – com adaptações feitas pelo autor

Matusalém: recordista mundial de longevidade – Fevereiro/2012

No dia 25 de janeiro de 2012,
a IPRB deu adeus a mais um de seus
ícones fundadores, o Pr. José Fernandes
Pedrosa, conhecido por quase todos
como pastor Pedrosa, o Patriarca-mor.
Seu exemplo, sua personalidade e seu jeito
de falar, quando o assunto era a contribuição
das igrejas, permanecerão para sempre em nosso meio.

“E foram todos os dias de Pedrosa
noventa e três anos, e morreu”.

Matusalém foi o personagem bíblico mais longevo, desde a criação do mundo. Se fosse hoje, receberia o prêmio de recordista mundial de vida. Ele viveu todos os juros e correção monetária que a vida lhe ofereceu. Seu nome, em hebraico quer dizer “homem armado” ou homem preparado, o que nos dá a ideia de que ele era uma pessoa disposta e bem preparada para a vida.

Interessante que todos os patriarcas, de Adão a Noé, viveram séculos e mais séculos, no entanto o “homem armado” não foi ultrapassado por nenhum deles. O único que esteve mais próximo foi Noé, seu neto, filho de Lameque, que morreu aos 950 anos, após cumprir o chamado específico do Senhor, na construção da Arca, Gênesis 9: 29.

Diante desta realidade, fica claro que Deus nos criou para uma vida longa. No entanto, todos morreremos um dia, assim como Adão, Matusalém, Noé, Moisés e tantos outros na atualidade. A vida é para ser desfrutada, conquanto que seja a serviço de Deus e orientada pelos princípios bíblicos. Sem ele, nele e para ele, tudo se torna em vão. Com isso, vejamos algumas lições:

Uma vida curta ou longa sem Deus
torna-se inútil diante das riquezas celestiais

O próprio Jesus, que morreu na cruz para garantir a vida eterna à humanidade, afirmou que seus seguidores não devem ajuntar tesouros nesta terra, mas nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam, Mateus 6: 20.

Por isso, viver muito ou pouco na dimensão terrena, sem nenhum compromisso com Deus, pode custar uma eternidade sem Ele, João 5: 25. Certa feita, falando sobre a responsabilidade daqueles que o seguem, Jesus não se hesitou em dizer: “que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?

Ou que darão ao homem em recompensa a sua alma? Ou seja, toda riqueza nesta terra sem Deus é inútil ou incomparável às riquezas celestiais. Pensar nas coisas que são lá de cima, e não nas que são da terra, foi sempre o grande desafio dos cristãos, Colossenses 3: 2.

Uma vida curta ou longa a serviço de Deus
torna-se valiosa diante dos bens
materiais deste mundo

O que significa uma vida a serviço de Deus? Que recompensas receberão os salvos em Cristo pela folha de serviços prestados a Deus nesta terra? Penso que estas duas perguntas devem inquietar o leitor e levá-lo a uma reflexão.

Digo isto porque vivemos em mundo capitalista em que tudo gira em torno do dinheiro, do lucro e dos bens materiais, onde predominam os mais fortes e poderosos. À igreja compete verdadeiro comprometimento com o Reino de Deus.

Diante disso, afirmar que uma vida curta ou longa a serviço de Deus seria aquela que não está presa ou voltada para os bens e prazeres do mundo. Uma vida comprometida com Deus e não com o homem; uma vida de inteira responsabilidade a favor do “ide” do Senhor Jesus, Mateus 16: 15.

O apóstolo Paulo deixa evidente, em 1 Coríntios 15: 58, que os serviços prestados a Deus nesta terra são valiosos e têm uma recompensa diante de tudo aquilo que o mundo oferece.

Uma vida curta ou longa nesta terra
exige preparo para se encontrar com Deus

Para Deus não importa se o homem vai viver pouco ou muito nesta terra. Se ele possui pouco ou muito dinheiro; se realiza pequenos ou grandes empreendimentos, a ponto de se tornar famoso, como Steve Jobs, Michael Jackson e tantos outros. Não importa a cor, raça, tribo ou nação. Todos provarão a morte, Hebreus 9: 27, e muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão um dia, “… uns para a vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno, Daniel 12: 2.

O que fazer para se encontrar com Deus na eternidade? O preparo para esse momento é necessário. Na parábola do rico insensato e descompromissado com Deus, que possuía muitas empresas, bens e dinheiro, um dia disse: “Alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos, descansa, come, bebe e folga”. Mas Deus lhe disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?”, Lucas 12: 20.

Deus criou o homem para viver eternamente; viver é uma dádiva divina concedida a todos. Mas o pecado entrou no mundo e com ele a morte, limitando assim a vida do ser humano, Gênesis 2: 16 e 17. Mas, em Jesus, o homem pecador pode readquirir o direito de viver para sempre, pois com ele está a vida eterna: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu filho”, João 5: 11.

Concluindo, gostaria de fazer uso das palavras do grande evangelista D. L. Moody, ao se referir à convicção na vida eterna:

“Se alguma vez vos disserem que Moody está morto, não o creiais! Apenas que subiu mais acima! Deixou esta velha casa de barro para entrar em uma casa imortal, um corpo que não pode ser afetado pela morte, nem contaminado pelo pecado, um corpo feito à imagem do glorioso corpo do Senhor!”

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2012, edição 371, página 5

Marcas da fé não fingida – Junho/2000

O apóstolo Paulo ensina sobre a fé
como um dos elementos básicos da doutrina
cristã no processo da salvação,
e que precisa ser conservada diante de quaisquer
dificuldades que surjam.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele
que nele crê; primeiro do judeu, e também do grego”.

Romanos 1: 16

Tendo conhecimento das falsas doutrinas pregadas por aqueles que se faziam de cristãos, ou achavam que eram os melhores e os mais sinceros dentre os crentes (1Timóteo 1: 3, 4 e 7), como acontece hoje, o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, cartas, para instruí-lo e encorajá-lo quanto aos assuntos práticos como a adoração pública, as qualificações dos oficiais da igreja, e a confrontação do ensino falso na importante igreja de Éfeso, 1Timóteo 1: 18.

Como herdeiro de uma fé não fingida, isto é, sua experiência de conversão não se assemelhava ao papel de um ator que precisa fingir para se apresentar (sentido original da palavra empregada nesses versos) seu testemunho não tinha qualquer mácula de hipocrisia. Isso tornara a vida cristã desse jovem pastor pura e genuína. E, em meio aos falsos ensinos, Paulo recomenda-lhe para permanecer naquilo que aprendeu, 2Tm 3: 14.

No contexto geral de suas cartas a Timóteo, Paulo está falando sobre a fé como um dos elementos básicos da doutrina cristã no processo da salvação, e que precisa ser conservada diante das dificuldades surgidas (1Tm 1: 19). Sua ênfase é a necessidade de uma conduta cristã sem demagogia, uma vida cristã ilibada, comprometida com Deus, prática, autêntica e fiel aos princípios da Bíblia Sagrada. E é exatamente isso que é preciso para que o cristianismo pregado sobreviva.

Talvez seria importante que o leitor pensasse seriamente sobre isso e tentasse descobrir o que o apóstolo está querendo dizer sobre a fé não fingida. Ou quais seriam as lições de vida cristã que ele queria passar à igreja de ontem e hoje. Para isso, gostaria de ajudá-lo e convidá-lo para, juntos, analisarmos, pelo menos, três marcas ou aspectos da fé não fingida.

Presença de expectativa

Seria a esperança cristã fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas bíblicas. Se existe algo que o diabo tenta fazer a todo instante é apagar do coração do cristão a esperança ou expectação de que fatos inexistentes podem acontecer pela fé, Hb 11: 1.

A igreja primitiva viveu essa experiência. Seus primeiros dias foram marcados por muita perseguição; os crentes e pastores eram presos e martirizados. Tiago já havia sido morto, à espada, e Pedro aguardava o momento da morte na prisão (Atos 12: 1-25). Mas a igreja orava incessantemente por ele a Deus, vv. 6 e 12. Enquanto a igreja orava, O anjo de Deus visitou Pedro na prisão, e disse: “Levanta-te depressa” (v. 7). Pedro é milagrosamente solto e, em seguida, dirige-se à casa de Maria, onde a igreja estava reunida (v. 12). Quando chegou a casa, ele bateu à porta do pátio, e uma criada chamada Rode saiu a atender, e vendo que era Pedro, não conteve a alegria, e disse que Pedro estava à porta, Vv. 13 e 14. Ninguém acreditou nesse fato, até o momento que viram-no, e se espantaram com a realidade, vv. 15 e 16. Teriam esses irmãos se esquecido de que estavam orando para que Deus libertasse a Pedro da prisão, ou faltaram-lhes a presença da expectativa cristã?

Aprendemos com essa história que a vida cristã sem a esperança seria o cristianismo sem objetivo, sem finalidade ou sem rumo. Se você está orando por libertação, acredite na libertação vinda de Deus; se você está orando por cura, acredite na cura que Deus fará; se você está orando para Deus abrir as portas, acredite na intervenção de Deus; se você está orando por um avivamento, acredite no derramar genuíno do Espírito Santo. É preciso fé nas promessas da Bíblia Sagrada, especialmente naquelas que falam da volta de Jesus. Alguém disse que precisamos viver o dia de hoje como se Cristo voltasse amanhã. Ele é a nossa esperança – MARANATA, Cl 1: 27.

Uso da perspicácia

Uma pessoa perspicaz é aquela que vê bem; que observa de maneira penetrante ou cuidadosa; pessoa dotada de agudez de espírito, cautelosa ou prudente, 1Jo 4: 1. Quando Jesus enviou os discípulos para anunciarem o reino de Deus entre os gentios e curarem os enfermos e os leprosos, ressuscitarem os mortos e expulsarem os demônios, recomendou-lhes perspicácia: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos: Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”, Mt 10: 16.

Uma passagem que pode nos ajudar a compreender melhor esse fato é a de Atos 17. Paulo e Silas pregavam na cidade de Bereia (v. 10). As pessoas recebiam de bom coração a palavra, de modo que muitos naqueles dias acreditavam naquilo que ouviam (v. 12). Mas nem por isso eles deixaram de ter o cuidado de conferir nas Escrituras se o que estavam ouvindo e aprendendo era assim mesmo (v. 11). Ou seja, eles tiveram a prudência de examinar nas Escrituras o que os pastores pregavam na sinagoga. Eram pessoas de uma agudez de espírito muito profunda. Não é incredulidade examinar o que se ouve ou que se lê.

No sermão profético (Mateus 24), falando sobre os acontecimentos dos últimos dias, Jesus também adverte sobre os perigos que precederão à sua volta, e recomenda essa virtude: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane”, v. 4. Jesus está dizendo que é preciso utilizar o filtro da prudência, e manter-se firme nos princípios da Palavra de Deus.

Ação da persuasão

Em sua declaração de fé, o apóstolo Paulo deixa evidente que ele era um cristão persuadido por Deus, quando disse: “…eu sei em que quem tenho crido, e estou certo (no original – persuadido ou convencido) de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2Tm 1: 12). Ele sabia em quem havia depositado sua crença, pois sua declaração era fruto de uma fé experimental ou pessoal. Isso nos leva a relembrar sua experiência de conversão na estrada de Damasco (Atos 9). Uma vez convertido ou transformado por Deus, nunca mais precisou passar pelo processo de conversão, ainda que tenha ficado três anos no deserto da Arábia antes de fazer missões (Gl 1: 17 e 18).

Um fato comum e natural na vida cristã são certos problemas ou erros apresentados, que podem levar a fé cristã a ficar debilitada (sem força). E, então, é nesse momento que o cristão poderá questionar e duvidar daquilo que Cristo fez por ele no ato da conversão, ou até mesmo questionar o perdão dos pecados que já foram confessados e perdoados. Vale ressaltar que as circunstâncias adversas surgidas neste mundo fazem parte de nosso estado mortal e de nossa experiência humana. Não estamos isentos nem mesmo do fracasso ao pecado, 1Co 10: 12.

Na verdade, há crentes que nunca tiveram uma experiência de conversão, e nem sabem por que estão na igreja; aqueles que cantam e louvam ao Senhor, mas não sabem por que cantam e nem para quem cantam; pessoas que vivem dentro das igrejas e que nunca passaram pelo processo da regeneração; vivem a vida cristã como se ela terminasse aqui na terra. Leia o que Paulo fala sobre isso, 1Co 15: 19. Gente que não está persuadida de nada, nem mesmo de que Jesus perdoou seus pecados. A esses, a Bíblia ordena: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor ”, Atos 3: 19.

Conclusão

Em qualquer circunstância, eis o grande desafio à igreja do Senhor:

“De fato, a concorrência salta aos olhos. De todo lado há alguém clamando: Eis aqui o Cristo, na minha igreja, na minha denominação, no meu credo. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, a apostasia é impressionante. Muitos dos seus discípulos o abandonaram. Entram pela porta da frente e saem pela porta dos fundos. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, há muitos hipócritas dentro das igrejas. Eles desfiguram o rosto para parecer que jejuam, dizem uma coisa e fazem outra, mostram-se belos por fora e escondem a sujeira interior. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, as igrejas cristãs se transformaram em empresas, em clube de serviço, em ponto de encontro, em salão de festa, em restaurante, em lugar de fofoca. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, há pastores que negam a divindade de Jesus, o nascimento virginal de Jesus, a morte expiatória de Jesus, os milagres de Jesus e a ressurreição de Jesus. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, o diabo anda solto. Ele se transforma em anjo de luz e engana a muitos. Ele ainda seduz, mente e ruge como leão. Põe loucura no coração do homem e lhe faz propostas absurdas. Todavia, não perca Jesus de vista!

Não perca Jesus de vista, porque ele é de fato o Cristo, o Filho do Deus vivo Ele tem de fato toda autoridade no céu e na terra; ele é a ressurreição e a vida; ele pode abrir os sete selos e dar sequência a história; ele aparecerá segunda vez em poder e glória e reinará por séculos que tombam sobre séculos numa eterna sucessão” (Revista Ultimato 235, pág. 3).

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2000

Evangelização urbana nos moldes de Jesus – Junho/2004

Um dos fatores determinantes no processo
de crescimento de uma igreja
é o tipo de evangelização por ela realizado.
Evangelização é o ato, é a ação
de comunicar o evangelho.

Um autor afirmou: “evangelizar é um mendigo
dizer a outro mendigo onde conseguir alimento”.
Segundo os entendidos, “nunca, em dois mil anos,
foi tão fácil evangelizar. Nunca foi tão fácil
levar pessoas à conversão e à fé cristã.
Porém, a igreja precisa usar
a metodologia adequada”.

Os missiólogos afirmam que não pode haver nenhum esquema uniforme de evangelização. O que está dando certo em uma determinada igreja não quer dizer que dará certo noutra. Assim, pode-se dizer que o trabalho de evangelização urbana executado pela igreja nunca será ou estará completo. Nesse sentido, haverá sempre necessidade de descobrir as realidades desconhecidas e repensar os métodos, técnicas e estratégias utilizadas nesse processo.

O cenário urbano registrado pelo evangelista João é um protótipo ou um modelo de evangelização urbana que funciona. Jesus havia deixado a Judeia, ao Sul, e seguido para a Galileia, ao Norte, quando sentiu que era necessário passar por Samaria, cidade que ficava entre as duas regiões, v. 4. Ao meio-dia, junto ao poço de Jacó, na cidade de Sicar, travou um longo diálogo com uma mulher samaritana que viera buscar água. E como resultado de sua estada nesse lugar, muitas pessoas foram ter com ele, para ouvir a palavra de Deus, v. 30.

O evangelismo pessoal aplicado por Jesus foi dinâmico e transformador. A pecadora de Samaria ficou convencida de seus pecados e tornou-se uma testemunha de Jesus. Dentre os diversos aspectos bíblico-dogmáticos vistos neste texto na atitude evangelizadora nos moldes de Jesus, destacaremos alguns deles.

Práxis da necessidade – v. 4

O texto diz que “era-lhe necessário passar por Samaria”. Está evidente que ele foi movido por uma intuição própria. Quer dizer: ninguém lhe disse nada, mas a página da história de uma mulher seria escrita a partir do momento em que ele pressentiu que era necessário fazer essa traje-tória, ainda que a rota normal dos judeus fosse dar a volta, seguindo o vale do Rio Jordão para o Norte, até a Galileia.

Podemos chamar este fato de práxis da necessidade ou da compaixão. Mas o que é práxis? Seria a “ação criativa e transformadora do povo de Deus na história, acompanhada de um processo profético e da reflexão crítica que objetiva tornar a obediência cristã ainda mais efetiva”. Em outras palavras, é ação da igreja em atenção à necessidade alheia – especial-mente do pecador.

A Bíblia ensina que Jesus andou na práxis da compaixão e do amor. Ele sentia a necessidade do povo. A história de muita gente foi escrita por suas atitudes criativas e práticas. Certa ocasião ele olhou para uma multidão e sentiu grande compaixão por ela: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos”, Mt 14: 14. Se a igreja quer que sua evangelização urbana seja autêntica e transformadora, Jesus dá a receita: “Te-nho compaixão desta gente”, Mt 15: 32. Sim, não há como evangelizar sem sentir que é necessário passar pelas samarias atuais. Este pré-requisito leva a igreja a perceber que a história de milhares de pessoas que vivem sem Jesus precisa ser mudada.

Mudança de paradigma – v. 9

Judeus e samaritanos não se falavam em hipótese alguma. Era uma rixa antiga. “Os judeus chegavam ao extremo de desencorajar a tentativa de fazer prosélitos dentre os samaritanos […]”. O pedido de Jesus: “dá-me de beber”, deve ter sido considerado pela mulher como uma atitude tolerante, pois, de imediato, ela respondeu: “Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana”. Tanto é que a conversa delongou e o plano de salvação foi exposto por Jesus.

No entanto, esse incidente contrariava o comportamento judeu-samaritano (porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos), vv. 7 e 9. Na verdade, o comportamento ético-cristão de Jesus fala claramente de mudança ou alteração de paradigma. Uma cena desta hoje seria, provavelmente, manchete de capa de revista ou jornal. Ou, na perspectiva religioso-evangélica, mereceria disciplina ou castigo. Porém, o interessante para Jesus não era manter a tradição de uma religião, mas cumprir com a missão de seu Pai e favorecer ao Reino de Deus, Lc 19: 10.

O paradigma “explica como é o mundo e nos ajuda a predizer seu comportamento. É a forma como você percebe esse mundo. Por exemplo: ele está para você da mesma forma como a água está para o peixe. O peixe não sabe que está dentro dela até que o tirem para fora”. Isto se aplica à vida cristã. Às vezes, diga-se de passagem, certos conceitos dependem do paradigma. A maneira como se interpreta uma situação é, às vezes, relativa e pode ser até mesmo, individualista. Porém, Jesus foi além das circunstâncias do relativismo ou individualismo. Ele precisava passar por Samaria, para evangelizar uma pecadora.

Contexto urbano – v. 18

O contexto diz respeito à cultura – aos valores, ideias e sentimentos – de um determinado povo. Também diz respeito às classes sociais, à religião ou religiões. O contexto revela quais são as características que são próprias de uma determinada cidade. Isto ensina que evangelização e contexto precisam andar de mãos dadas. Então, para se usar um determinado tipo de técnica ou método na evangelização é preciso conhecer o contexto, o ambiente em que se vai trabalhar.

Neste caso, Jesus conhecia o contexto da cidade de Sicar. Ele conhecia o modo de vida desse povo. Foi em razão disso que em sua conversa com a Samaritana, ele quer usar o método indutivo, ou seja, ele começou a conversação partindo do particular para o geral – do problema pessoal para a solução. Os argumentos usados por ele foram tão convincentes que a mulher abriu-lhe o coração: “vai, chama o teu marido e vem cá. A mulher respondeu: não tenho marido. Disse-lhe Jesus: disseste bem: Não tenho marido, porque tiveste cinco e o que tens agora não é o teu marido”, vv. 18 e 19.

A igreja precisa conhecer o contexto urbano ou onde se localiza. Saber quais os tipos de pessoas existentes na cidade. Quais as suas preferências e necessidades básicas. Identificar os focos de convergência da juventude, pois “Deus chama a igreja para o seu contexto particular, como um instrumento da sua graça e salvação, desenvolvendo e realizando a missão como um processo criativo e transformador”.

Por fim, vale dizer que a evangelização urbana da igreja nos moldes de Jesus não tem nada a ver com a inovação e comprometimento com os padrões de uma sociedade, mas, simplesmente, com a integridade e contextualização de sua mensagem no cumprimento de sua missão cristã, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia, junho de 2004

Criança: vida que nos ensina – Outubro/1996

Chegando o dia 12 de outubro,
o mundo adulto se lembra de que
as crianças existem.

Há bonitos discursos, o comércio tira
seu proveito, movimentam-se as escolas.

Também a igreja, que tem a responsabilidade de ensinar
às crianças os preceitos do Senhor,
estabelece programas especiais.

Gosto de crianças. Entre outras razões,
porque elas têm muito a nos ensinar.
Analise comigo algumas qualidades
que lhes são peculiares
e veja que grandes lições podem resultar
para a vida cristã.

Em toda a Bíblia há referências às crianças. Destacam-se as exortações sobre o cuidado que se deve ter em ensiná-las: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e quando envelhecer não se desviará dele”. Pv 22: 6.

Ao tempo do Antigo Testamento, as crianças já mantinham comunhão com Deus. Ainda que não fossem conscientes deste fato, elas gozavam da proteção divina. Deus ouviu a voz de Israel quando ainda era criança, Gn 21: 17. Poupou a vida do menino Moisés na ocasião em que o Faraó mandou matar todas as crianças do sexo masculino, Êx 2. Samuel era ainda pequeno quando ouviu a voz de Deus e recebeu o seu chamado para o ministério profético e sacerdotal, 1Sm 3.

O Novo Testamento afirma que Jesus dispensava atenção e empregava tempo para atender as crianças: “Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais”, Mt 19: 14.

Não se pode imaginar a quantidade de lições morais e espirituais que extraímos da vida de uma criança. Dentre as muitas, veremos algumas que são preciosas para a vida do cristão. O texto de Marcos 9:33-37 nos traz algumas delas.

Humildade

Jesus e seus discípulos estavam se dirigindo a Cafarnaum. No caminho, houve uma discussão entre os discípulos, sobre quem seria o maior. Jesus chamou os doze, e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último e servo de todos”, v. 35. Seu ensino foi reforçado quando Ele disse: “Aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus”, Mt 18: 4. Jesus estava ensinando que a grandeza no reino de Deus é o serviço humilde.

Ninguém discorda de que a criança em si é símbolo de humildade e simplicidade. Sua maneira de ser fala claramente sobre isto. Uma criança nunca procura ser maior, ou melhor, mas ser o que é: criança.

A vida cristã deve ser marcada por essa qualidade que é tão recomendada pela Bíblia Sagrada. Humildade é uma virtude com que manifestamos o sentimento da nossa fraqueza ou de nosso pouco ou nenhum mérito, e que faz parte de uma personalidade cristã sólida. Ela deve manifesta-se de maneira voluntária e constante em nossas atitudes, mantendo-nos numa posição de menor: “… cada um considere os outros superiores a si mesmo”, Fp 2: 3.

Não se identifica uma pessoa humilde pela sua maneira de falar, vestir, etc. Isto não vem ao caso. Tampouco se pode dizer que uma pessoa bem vestida não seja humilde. De ambos os lados pode haver engano, tanto de uma falsa humildade como de uma aparente arrogância. “É necessário que Cristo cresça, e que eu diminua”, Jo 3: 30.

Perdão

Ainda falando os discípulos sobre quem seria maior no reino dos céus, Jesus disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrarão no reino dos céus”, Mt 18: 3.

“Tornardes como crianças” – o que venha a ser isso? Não quer dizer que temos que nascer de novo, isto seria impossível, Jo 3: 4-5. Jesus está se referindo ao sentimento de perdão que existe em uma criança. De sua maneira de ser ou proceder quando é atingida, castigada ou rejeitada, perdoando com facilidade e naturalidade.

Quando uma criança é repreendida pelos pais ou por outra pessoa, ela chora, fica brava, mais logo volta a agir naturalmente. Não fica com ódio e mantém a mesma amizade e carinho de filho. Até mesmo quando há brigas entre elas, o espírito de perdão sempre prevalece. No momento de um desacerto, uma bate e quebra o brinquedo da outra, chora. Mas, dali a pouco, tudo fica bem. Parece que não aconteceu nada. A verdade é que a criança sabe perdoar, e com ela precisamos aprender.

Jesus tem razão em dizer que precisamos nos tornar como crianças para entrarmos no reino dos céus. Há situações na vida cristã em que este ensino de Jesus precisa ser vivenciado. A união, o amor, a compreensão e a comunhão no meio da igreja dependem de nossas atitudes.

E às vezes precisamos fazer como as crianças fazem entre si. É claro que Deus não quer que sejamos crianças espiritualmente, mas cristãos que tenham o sentimento de perdão. Há uma frase que diz: “Aquele que não sabe perdoar destrói com as próprias mãos a ponte sobre a qual um dia terá de passar”. De fato, o caminho para o perdão é doloroso, mas quando ele é concedido, constrói-se uma ponte que servirá no amanhã.

Há pessoas doentes, infelizes ou amarguradas porque remoem fatos que ocorreram a anos em sua vida e não foram acertados. São feridas abertas.

Jesus estava transmitindo alguns ensinos éticos cristãos, quando lhe trouxeram algumas crianças para que Ele as abençoasse. Os discípulos não concordaram, mas Jesus disse: “Deixai vir a mim os pequeninos, pois dos tais é o reino dos céus”, Mt 19:13 -15.

Será que podemos extrair alguma lição desse quadro quando as crianças estavam ao redor de Jesus? Claro que sim! O ambiente era o mais saudável possível, pois onde há criança o lugar é alegre e movimentado. Criança é sempre assim: alegre, feliz. Alguém disse que “o inferno é triste porque lá não há crianças”. Elas são o sorriso de Deus para nós.

É natural presenciar a alegria no rosto de uma criança, independente da circunstância em que ela se encontra. Não há tempo ruim, problema, crise ou dificuldade para ela. A criança não quer nem saber se amanhã vai chover ou fazer sol. Ela só pensa em brincar, divertir e aproveitar a vida. Para ela, tudo é festa, é só alegria.

Jesus fala que devemos nos tornar como crianças. É evidente que não seria levar a vida na base de brincadeira, sem pensar em nada, à semelhança de uma criança. Devemos aplicar isso ao nosso relacionamento, e estabelecer um padrão de vida pautado na honestidade, sinceridade, fidelidade e responsabilidade.

No entanto, podemos ser como as crianças, que independem das circunstâncias para viverem alegres. A alegria é um verdadeiro bálsamo para a vida. Uma pessoa triste não tem ânimo pra realizar suas atividades. Ela pode até perder o sentido de viver. A alegria vinda de Deus é força, Ne 8: 10.

Que Deus nos ajude a sermos verdadeiramente como crianças, não num comportamento de infantilidade, mas readquirindo seus traços característicos, que fomos perdendo ao longo dos anos. Eles nos ensinam e nos capacitam a sermos verdadeiros cidadãos dos céus.

Pureza

Criança exala pureza. Ela não tem maldade naquilo que faz ou recebe. O grau e pureza existente na vida de uma criança é algo incalculável. Tornar-se como ela é tornar-se puro, é adquirir o senso de pureza que nela existe. É receber aquela capacidade que expressa uma vida limpa. É exatamente isto que Jesus quer nos ensinar.

Esta é uma das tônicas da Igreja que é candidata ao céu. Em sua oração sacerdotal, Jesus orou pedindo para que ela fosse pura e unida, Jo 17. Pureza e unidade caminham juntas, são coirmãs. A igreja que vive dentro do padrão de santidade, logicamente tem que ser uma igreja unida. Não se separa santidade de unidade ou vice-versa. Jesus disse que o mundo haveria de crer Nele, quando a sua igreja fosse pura e unida, Jo 17: 23.

A igreja precisar tornar-se como uma criança para entrar no reino dos céus, despojando-se de toda imundície, pois o céu é lugar de pessoas puras. Os impuros não herdarão o reino de Deus, 1Co 6: 9 e Hb 4: 12. Deus sempre desejou que o seu povo fosse separado e diferente. Foi para isto que Ele chamou Abraão e escolheu Israel. Mesmo depois de entrar na terra prometida, Deus exigiu pureza dessa nação, Lv 20: 7

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Fonte: Jornal Aleluia 202, de outubro de 1996

As vestes de Jesus – Outubro/1995

Os soldados rasgaram as vestes de Jesus.
Essas nada simbolizavam porque glória, majestade,
divindade e poder são as vestes espirituais
de Jesus.

“E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes,
lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito
pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes,
e sobre a minha túnica lançaram sortes”

Mateus 27: 35

Nossas vestes falam de distinção social,
autoridade, costumes, pudor, respeito, etc.
Biblicamente, elas simbolizam proteção.
Gn 3: 10.

O texto de Mateus fala sobre “as vestes de Jesus”. Parece ser um tema polêmico e de difícil interpretação. No entanto, observe com atenção que, no momento em que Jesus morria pela humanidade na cruz do Calvário, os soldados tiraram as vestes dele e as repartiram entre si.

Fazendo uma aplicação, veremos que não tem sido diferente nos dias de hoje, pois estão tirando e repartindo as vestes de Jesus, ou seja, estão distorcendo as doutrinas cristológicas, ferindo os princípios bíblicos, distanciando muitos da fé cristã ou deixando-os no caminho da dúvida.

Vejamos com que vestes espirituais o Senhor Jesus está protegido e como isso pode ajudar-nos a compreender que Ele é Deus, a segunda pessoa da Trindade. Isto nos convida a uma profunda, consciente e atual reflexão.

A veste de glória e majestade

No Antigo Testamento, Deus manifesta sua presença no meio de seu povo através de sua glória. Moisés rogou a Deus que lhe mostrasse sua glória, Êx 33: 18. O profeta Ezequiel presenciou a glória do Senhor saindo do templo, cap. 10, e, mais tarde, presenciou a glória voltando ao tempo, cap. 34. Era a presença de Deus retornando à sua habitação.

No Novo Testamento, Deus manifesta sua presença ao homem na pessoa de Jesus. Ele é a glória de Deus que veio habitar em nosso meio, Jo 1: 14.

Para que a glória de Deus fosse revelada ao homem foi necessário que Jesus morresse, depois de sepultado, descesse às partes mais baixas da terra e ressuscitasse ao terceiro dia com corpo glorificado, subindo acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas, Ef 4: 8 a 10.

Ele é o rei dos reis e Senhor dos senhores que está vestido de glória e majestade. O salmista reconhece isto quando pergunta: “Quem é o rei da glória? O Senhor dos exércitos, Ele é o Rei da glória”, Sl 24: 10. “Glória e majestade estão diante d’Ele”, 1Cr. 16: 27. O texto de Apocalipse 5: 13 enaltece Jesus dizendo: “Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro [Jesus] seja o louvor, e a honra e a glória, e o poder para todo o sempre”.

A glória de Jesus expressa sua majestade que é grandeza própria dos reis. “Grande é o Senhor [Jesus] e mui digno de louvor”, Sl 48: 1.

Pela sua majestade Ele nos oferece uma grande salvação: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?”, Hb 2: 3. Por que grande? Porque o Deus que a providenciou é grande: “Que Deus é tão grande como o nosso Deus?”, reconhece o salmista; e como é grande o nosso pecado! Rm 3: 23.

Jesus veio como profeta, vive nos céus como sacerdote, e voltará em glória e majestade como Rei dos reis e Senhor dos senhores para implantar o seu reinado na terra, Ap. 17: 14.

A veste da divindade

Os profetas do Antigo Testamento falaram de Jesus como o Messias prometido, o Emanuel, o Deus Forte, Pai da Eternidade e o Príncipe da Paz. Isaías profetizou o seu nascimento, 9: 6. A Bíblia nos ensina que Jesus era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Possuía duas naturezas: humana e divina.

Como homem, teve sua ascendência da linhagem de Davi, Mt. 1:1 e Rm 1:3, sendo concebido por uma virgem por obra do Espírito Santo, Mt. 1:18 a 20. Recebeu nomes humanos, Mc 6: 3, Lc. 19: 10. Era limitado, não podia estar em Jericó e Nazaré ao mesmo tempo. Ele caminhou, sentiu fome, sede e cansaço, Jo 4: 6 e 7.

Como Deus, era ilimitado, estava em todos os lugares ao mesmo instante. Conhecia os pensamentos e intenções do coração dos homens, Lc 5: 22; exerceu autoridade sobre a natureza, Mt 8: 26, e recebeu nomes divinos, Mt. 16: 16 e Ap 1: 17.

Divindade é a veste que nos leva a crer e aceitá-lo como Deus. Nada pode ofuscar essa verdade. Ele é o Deus Filho, segunda pessoa da Trindade.

Na matemática, a soma de um mais um são dois e, mais um, são três; na multiplicação: uma vez uma é um, vezes um novamente é um. Na matemática divina, a Trindade é assim: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três e os três são um.

Há aqueles que reconhecem Jesus como Filho de Deus, mas não como Deus. Dizem que Ele foi um simples homem à semelhança de João Batista, Elias, ou um dos profetas. Não reconhecê-lo como Deus seria proceder da mesma forma como os soldados fizeram quando Ele estava na cruz do calvário, despindo-o e repartindo suas vestes.

Ele, sendo Deus, conhece todas as necessidades do homem, até mesmo antes de pedir-lhe alguma coisa, Porque Ele é Deus, Nele podemos confiar sem nenhuma sombra de dúvida, Ef 3: 20.

A veste de poder

O homem sempre esteve prestando cultos a vários deuses, esquecendo-se de seu verdadeiro Criador. Infelizmente cultuam a deuses criados pela sua fantasia e estes, despidos de poder, nada podem fazer pela humanidade.

Jesus é Deus. Muitos pensam que Jesus, o Deus Filho, operou apenas no passado, e não mais realiza milagres no presente. A Bíblia, entretanto, diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente, Hb 13: 8. Está presente conosco todos os dias, Mt. 28: 20.

Poder é sua veste especial para curar os enfermos, libertar os oprimidos e quebrar os grilhões de Satanás. Ele está protegido com essa veste: ”É-me dado todo o poder no céu e na terra”, Mt. 28: 18. À sua igreja é concedido o direito de usá-la: “Eu vos dei poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum”, Lc 10: 19.

Em Marcos 5: 25 a 34, lemos a história de uma mulher que estava enferma há doze anos e que havia utilizado todos os recursos da época para ser curada. Nada adiantava; pelo contrário, o seu estado era cada vez pior, v. 26. chegou ao seu conhecimento que Jesus passava pela sua cidade. Imediatamente procurou ver Jesus. Dizia ela: “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei”, v. 28. Ela fez o que disse; tocou na veste de Jesus e o milagre aconteceu: de Jesus saiu poder e a hemorragia estancou-se instantaneamente, v. 29.

Na verdade a mulher tocou na veste física de Jesus, v. 31. No sentido espiritual, pela fé, v. 34, tocou na veste de poder de Jesus. Ele é poderoso para curar, basta tocar-lhe na sua veste de poder para receber a bênção almejada.

Por isso, devemos procurar a proteção nas vestes do poder de Jesus para realizarmos sua obra e libertarmos os oprimidos e cativos pelo diabo.

Conclusão

Precisamos saber em quem estamos crendo. Este foi o grito de convicção do apóstolo Paulo quando disse: “… Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”, 2Tm 2: 12. Conhecê-lo através de experiências pessoais é uma necessidade para uma fé inabalável, Salmo 125: 1.

Podemos adquirir esse conhecimento através da leitura e meditação da Palavra, mantendo uma vida de oração e consagração, sendo aluno da Escola Bíblica Dominical e nos empenhando em ganhar almas para o Reino de Deus, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia, outubro de 1995