As vestes de Jesus – Outubro/1995

Os soldados rasgaram as vestes de Jesus.
Essas nada simbolizavam porque glória, majestade,
divindade e poder são as vestes espirituais
de Jesus.

“E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes,
lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito
pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes,
e sobre a minha túnica lançaram sortes”

Mateus 27: 35

Nossas vestes falam de distinção social,
autoridade, costumes, pudor, respeito, etc.
Biblicamente, elas simbolizam proteção.
Gn 3: 10.

O texto de Mateus fala sobre “as vestes de Jesus”. Parece ser um tema polêmico e de difícil interpretação. No entanto, observe com atenção que, no momento em que Jesus morria pela humanidade na cruz do Calvário, os soldados tiraram as vestes dele e as repartiram entre si.

Fazendo uma aplicação, veremos que não tem sido diferente nos dias de hoje, pois estão tirando e repartindo as vestes de Jesus, ou seja, estão distorcendo as doutrinas cristológicas, ferindo os princípios bíblicos, distanciando muitos da fé cristã ou deixando-os no caminho da dúvida.

Vejamos com que vestes espirituais o Senhor Jesus está protegido e como isso pode ajudar-nos a compreender que Ele é Deus, a segunda pessoa da Trindade. Isto nos convida a uma profunda, consciente e atual reflexão.

A veste de glória e majestade

No Antigo Testamento, Deus manifesta sua presença no meio de seu povo através de sua glória. Moisés rogou a Deus que lhe mostrasse sua glória, Êx 33: 18. O profeta Ezequiel presenciou a glória do Senhor saindo do templo, cap. 10, e, mais tarde, presenciou a glória voltando ao tempo, cap. 34. Era a presença de Deus retornando à sua habitação.

No Novo Testamento, Deus manifesta sua presença ao homem na pessoa de Jesus. Ele é a glória de Deus que veio habitar em nosso meio, Jo 1: 14.

Para que a glória de Deus fosse revelada ao homem foi necessário que Jesus morresse, depois de sepultado, descesse às partes mais baixas da terra e ressuscitasse ao terceiro dia com corpo glorificado, subindo acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas, Ef 4: 8 a 10.

Ele é o rei dos reis e Senhor dos senhores que está vestido de glória e majestade. O salmista reconhece isto quando pergunta: “Quem é o rei da glória? O Senhor dos exércitos, Ele é o Rei da glória”, Sl 24: 10. “Glória e majestade estão diante d’Ele”, 1Cr. 16: 27. O texto de Apocalipse 5: 13 enaltece Jesus dizendo: “Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro [Jesus] seja o louvor, e a honra e a glória, e o poder para todo o sempre”.

A glória de Jesus expressa sua majestade que é grandeza própria dos reis. “Grande é o Senhor [Jesus] e mui digno de louvor”, Sl 48: 1.

Pela sua majestade Ele nos oferece uma grande salvação: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?”, Hb 2: 3. Por que grande? Porque o Deus que a providenciou é grande: “Que Deus é tão grande como o nosso Deus?”, reconhece o salmista; e como é grande o nosso pecado! Rm 3: 23.

Jesus veio como profeta, vive nos céus como sacerdote, e voltará em glória e majestade como Rei dos reis e Senhor dos senhores para implantar o seu reinado na terra, Ap. 17: 14.

A veste da divindade

Os profetas do Antigo Testamento falaram de Jesus como o Messias prometido, o Emanuel, o Deus Forte, Pai da Eternidade e o Príncipe da Paz. Isaías profetizou o seu nascimento, 9: 6. A Bíblia nos ensina que Jesus era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Possuía duas naturezas: humana e divina.

Como homem, teve sua ascendência da linhagem de Davi, Mt. 1:1 e Rm 1:3, sendo concebido por uma virgem por obra do Espírito Santo, Mt. 1:18 a 20. Recebeu nomes humanos, Mc 6: 3, Lc. 19: 10. Era limitado, não podia estar em Jericó e Nazaré ao mesmo tempo. Ele caminhou, sentiu fome, sede e cansaço, Jo 4: 6 e 7.

Como Deus, era ilimitado, estava em todos os lugares ao mesmo instante. Conhecia os pensamentos e intenções do coração dos homens, Lc 5: 22; exerceu autoridade sobre a natureza, Mt 8: 26, e recebeu nomes divinos, Mt. 16: 16 e Ap 1: 17.

Divindade é a veste que nos leva a crer e aceitá-lo como Deus. Nada pode ofuscar essa verdade. Ele é o Deus Filho, segunda pessoa da Trindade.

Na matemática, a soma de um mais um são dois e, mais um, são três; na multiplicação: uma vez uma é um, vezes um novamente é um. Na matemática divina, a Trindade é assim: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três e os três são um.

Há aqueles que reconhecem Jesus como Filho de Deus, mas não como Deus. Dizem que Ele foi um simples homem à semelhança de João Batista, Elias, ou um dos profetas. Não reconhecê-lo como Deus seria proceder da mesma forma como os soldados fizeram quando Ele estava na cruz do calvário, despindo-o e repartindo suas vestes.

Ele, sendo Deus, conhece todas as necessidades do homem, até mesmo antes de pedir-lhe alguma coisa, Porque Ele é Deus, Nele podemos confiar sem nenhuma sombra de dúvida, Ef 3: 20.

A veste de poder

O homem sempre esteve prestando cultos a vários deuses, esquecendo-se de seu verdadeiro Criador. Infelizmente cultuam a deuses criados pela sua fantasia e estes, despidos de poder, nada podem fazer pela humanidade.

Jesus é Deus. Muitos pensam que Jesus, o Deus Filho, operou apenas no passado, e não mais realiza milagres no presente. A Bíblia, entretanto, diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente, Hb 13: 8. Está presente conosco todos os dias, Mt. 28: 20.

Poder é sua veste especial para curar os enfermos, libertar os oprimidos e quebrar os grilhões de Satanás. Ele está protegido com essa veste: ”É-me dado todo o poder no céu e na terra”, Mt. 28: 18. À sua igreja é concedido o direito de usá-la: “Eu vos dei poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum”, Lc 10: 19.

Em Marcos 5: 25 a 34, lemos a história de uma mulher que estava enferma há doze anos e que havia utilizado todos os recursos da época para ser curada. Nada adiantava; pelo contrário, o seu estado era cada vez pior, v. 26. chegou ao seu conhecimento que Jesus passava pela sua cidade. Imediatamente procurou ver Jesus. Dizia ela: “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei”, v. 28. Ela fez o que disse; tocou na veste de Jesus e o milagre aconteceu: de Jesus saiu poder e a hemorragia estancou-se instantaneamente, v. 29.

Na verdade a mulher tocou na veste física de Jesus, v. 31. No sentido espiritual, pela fé, v. 34, tocou na veste de poder de Jesus. Ele é poderoso para curar, basta tocar-lhe na sua veste de poder para receber a bênção almejada.

Por isso, devemos procurar a proteção nas vestes do poder de Jesus para realizarmos sua obra e libertarmos os oprimidos e cativos pelo diabo.

Conclusão

Precisamos saber em quem estamos crendo. Este foi o grito de convicção do apóstolo Paulo quando disse: “… Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”, 2Tm 2: 12. Conhecê-lo através de experiências pessoais é uma necessidade para uma fé inabalável, Salmo 125: 1.

Podemos adquirir esse conhecimento através da leitura e meditação da Palavra, mantendo uma vida de oração e consagração, sendo aluno da Escola Bíblica Dominical e nos empenhando em ganhar almas para o Reino de Deus, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia, outubro de 1995

A Pedagogia dos sonhos – Dezembro/2007

Sonho é uma sequência de fenômenos
psíquicos constituídos de imagens,
representações, atos, ideias, etc., que,
involuntariamente, ocorrem durante o sono.

Outro sentido da palavra se refere
a um desejo veemente ou aspiração,
que pode ser traduzido por visão de futuro.

Neste aspecto, como ensinam
os palestrantes e pregadores, sonhar é pensar positivamente, é projetar o futuro,
é alçar voo na direção de objetivos
preestabelecidos.

Gênesis 37

José é símbolo de sonho. Ainda em casa de seus pais, já apresentava os traços de uma personalidade firme, tolerante e amorosa. Entretanto, algo o destacava: era tido por seus irmãos como “o sonhador”, por causa de suas visões de futuro que lhe eram reveladas: “Lá vem o sonhador”, v. 19. Isso despertava em alguns deles grande rejeição e até ódio, v. 5. Mal sabiam, porém, que o que sonhava recebera de Deus. E o Senhor iria concretizar esses sonhos na sua história, tornando sua vida sublime em todos os aspectos, a ponto de ser um meio para preservação da própria família.

A admiração de seu pai, v. 3, sua projeção no Egito como pessoa temente a Deus e como homem público de grande sucesso devem-se a diversos fatores relacionados aos sonhos recebidos de Deus, Gn 41: 40. Somos admiradores de José. Ninguém imagina o seu triunfo como resultado de um caminho ardiloso ou de manobras político-religiosas.

No entanto, para que chegasse ao pódio de uma vida abençoada e aprovada por Deus, foi necessário trilhar um caminho espinhoso, árduo e muito longo, cap. 45. Seu triunfo não aconteceu por mágica e tampouco pelo virar da varinha de condão. Tudo ocorreu segundo a vontade de Deus. José é fruto de uma vida dirigida por Deus. Assim, destacaremos três pontos importantes quanto aos seus sonhos, objetivando uma reflexão contextualizada.

Propósito definido

Viver os sonhos divinos para quê? Com quais propósitos? É interessante estudar a Bíblia com vista aos propósitos de Deus. E isto está bem claro na vida de José. Sua ascensão ao cargo de Primeiro Ministro no Egito não aconteceu apenas para que seu ego fosse massageado. O propósito final de Deus era abençoar uma família, uma nação e, consequentemente, toda a humanidade, 45: 7.

Deus tem um propósito em tudo. Até mesmo as provações que um cristão enfrenta estão vinculadas ao beneplácito de Deus: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados pelo seu decreto”, Rm 12: 2. A Bíblia diz que Deus criou o homem para louvor de sua glória. Portanto, tudo que aconteceu na vida de José era do consentimento de Deus.

Por isso, se os nossos sonhos, isto é, nossos desejos, ambições, alvos, etc. não têm como propósito glorificar a Deus, acrescer o reino dos céus, contribuir com o fraco ou necessitado, eles não passarão de pesadelos ou desejos efêmeros. Deus quer nos conceder grandes dádivas e nos fazer prósperos em todos os sentidos, mas desde que tenhamos um fim positivo proposto: “muitos são os planos do coração do homem, mas é o propósito do senhor que permanecerá”, Pv 19: 21.

Preço a ser pago

Será que, se José soubesse que passaria por tudo quanto passou, ainda assim desejaria ser fruto dos planos de Deus? Penso que sim, pois ele nos deixa evidências a este respeito ao rejeitar, veementemente, propostas, aparentemente, favoráveis e boas, Gn 39: 9. Entretanto, o sofrimento, a calúnia, a inveja, o ciúme, o desprezo, a prisão não puderam ser impedimentos para que os propósitos de Deus fossem cumpridos.

Os capítulos 37 a 48 deixam evidente que sua trajetória foi desafiadora e dolorida. O sucesso de sua vida como cidadão e pessoa comprometida com Deus custaram-lhe muitas lágrimas, inveja, solidão, assédio, perseguição, prisão, humilhação, renúncia, perseverança e muitos outros males. O preço pago pelos sonhos proféticos foi tão alto que os estudiosos o têm como personagem-tipo de Jesus.

Muitos pregadores usam passagens, como a de José (Gn 37), para motivar seus ouvintes a sonhar. Há até mesmo aqueles que afirmam: quem não sonha não vence na vida. Sonhe alto! Não seja mesquinho! E por aí se vão as mais ufanistas ex-pressões quanto aos sonhos. Mas, o que, na verdade, os pregadores deveriam ensinar é que há um preço para quem quer sonhar. Precisam dizer que o sonhador poderá ganhar muitos inimigos e que os altivos e invejosos procurarão a sua alma.

Então, esse negócio de dizer que o crente tem de sonhar, mas não orientá-lo sobre as implicações desse fenômeno cristão-espiritual é um perigo muito grande. José sonhou, no entanto, por suas atitudes percebe-se que estava consciente das adversidades que lhe sobrevinham de todos os lados.

Tempo a ser cumprido

Diz a Bíblia que “tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”, Ec 3: 1. Os irmãos de José debochavam dele quando ouviam contar seus sonhos. Mal sabiam que Deus tinha um tempo determinado para fazê-los cumprir, 42: 7. O tempo (kairós) de Deus não está preso ao nosso tempo (cronômetro). Deus tem o controle de tudo, pois é poderoso para fazer tudo, muito mais abundantemente e além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, Ef 3: 20.

Os fatos foram acontecendo na vida de José. Ele estava com 17 anos quando teve os primeiros sonhos. Era ainda um adolescente. Um moço sem experiência de vida, mas consciente dos planos de Deus. Nem mesmo o seu pai ousou questionar os mistérios divinos na vida de seu filho, v. 11. Quando foi tirado da prisão para interpretar os sonhos do faraó, ele estava com 30 anos, Gn 41: 46. Depois que Deus cumpriu todos os projetos em sua vida, José veio a falecer aos 110 anos, 50: 26.

Interessante que tudo foi acontecendo dentro do momento (kairós) de Deus. Nem antes e nem depois. Ele faz tudo na hora certa, ou seja, de repente o Espírito Santo é derramado, At 2; as portas se abrem, Ap 3: 7; o enfermo é curado, a bravura do mar é acalmada, o incrédulo é salvo. Nada pode impedir que os ponteiros do relógio de Deus marquem a hora de sua ação. Ele não está condicionado ao nosso tempo, mas somos nós que estamos condicionados a Deus. Descanse e aguarde o tempo determinado do cumprimento das promessas divinas em sua vida.

Os sonhos vêm durante o sono (durante a vida). Ao acordar, a pessoa ainda está com aquelas impressionantes imagens na mente. Então, vamos fazer uma dinâmica. Experimente virar a palavra “acordar” de trás para frente: ficaria DAR-COR-A. Percebeu o que aconteceu com essa inversão? “Dar-cor-a” significa que a vida tem a cor com que a pintamos. De que cor você está colorindo sua vida?

Finalizando, há pessoas que acordam todos os dias, o que é normal, mas parece que passam o dia ou a vida inteira dormindo. Sonhar é acordar para a vida e procurar dar cor aos projetos e realizações de Deus em nossa vida. Acredite em algo melhor que Deus tem para você. Mas não se esqueça de que os sonhos que Deus nos dá têm um propósito definido, um preço a ser pago e um tempo determinado a ser cumprido. Há um caminho longo a ser percorrido. Porém, não desista! Aprenda, diariamente, com José.

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Fonte: Jornal Aleluia, dezembro de 2007

A Pedagogia da perseverança – Abril/2008

“Os vencedores das batalhas
da vida são homens perseverantes que,
sem se julgarem gênios, convenceram-se
de que só pela perseverança
no esforço podem chegar
ao almejado fim”.
Emerson
(1803/1882)

Perseverança, paciência ou persistência são ingredientes indispensáveis em qualquer tipo de empreendimento. Quem desiste não faz história, mas quem persevera escreve a história.

A propósito disso, conta-se “a história relatada pelos chineses, de que um de seus filósofos, durante os seus anos escolares, lançou os seus livros ao chão, certo de que nunca poderia assenhorear-se deles. Certo dia, andando pela rua, encontrou uma senhora que estava esfregando uma barra de ferro sobre uma pedra. Por que está fazendo isto? Perguntou o estudante. Porque desejo obter uma agulha e assim estou afinando esta barra até que fique em condições para coser. A lição da paciência e perseverança não foi desprezada pelo jovem que tomou novamente seus livros, dedicando-se a eles, tornou-se um dos maiores mestres chineses”.

A parábola contada por Jesus, em Lucas 18: 1-8, sobre o dever de orar sempre sem jamais esmorecer ensina-nos que há situações da vida que podem parecer tão pesadas ou longas como a tarefa de tornar uma barra de ferro em uma agulha. Segundo o texto, havia, numa certa cidade, uma viúva, que enfrentava um problema e que, por muitas vezes, procurou certo juiz para julgar sua causa.

A princípio o juiz nada fez por essa mulher, mas, devido a sua insistência ou perseverança, o juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava os homens, decidiu pelo deferimento de sua situação: “Como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça…”, v. 5.

O que está em evidência neste texto, entre muitas mensagens e lições, é o espírito de perseverança que impulsionou a mulher a buscar a solução para a sua vida. Assim como ela perseverou e venceu o obstáculo, Deus nos chama a uma vida de perseverança e vitória em nosso dia-a-dia. Elas ocorrem em algumas áreas vitais.

Perseverança na oração

A necessidade de estar em constante oração está vinculada ou presa à persistência. Quer dizer, não se concebe a oração sem a perseverança. Jesus disse: “… orar sempre e nunca desanimar”, v. 1.

A Bíblia dá grande ênfase à oração, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. A oração move o braço de Deus a favor de quem busca o Senhor em constante oração: “… orai sem cessar”, 1Ts 5: 17. O mandamento bíblico é alimentar a oração com perseverança: “… perseverai na oração”, Rm 12: 12.

Esta foi a experiência de vida do salmista: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”, Sl 40: 1. Ana perseverou em oração e o Senhor concedeu-lhe um filho, 1 Sm 1: 12 e 27. Em certos momentos da vida parece que Deus se esqueceu de nós, os céus são de bronze, etc., mas, ainda assim, prevalece a teologia de Jesus: orar sempre e jamais abrir mão de nossos sonhos ou projetos.

Perseverança no sofrimento

A viúva desejava que o juiz não somente pusesse fim a seu interminável sofrimento, mas que, também, a libertasse das mãos de seu adversário: “Faze-me justiça contra o meu adversário”, v. 3. Esta parábola tem recebido diversas interpretações alegóricas, como, por exemplo, a que diz que a mulher é a igreja, o adversário é Satanás.

Não vamos entrar nesse mérito, embora seja verdade que na vida todos temos um adversário, isto é, um problema, um desafio, um imprevisto, etc., Então, neste caso, o inimigo pode ser representado por qualquer situação adversa da vida.

A viúva não se intimidou com o sofrimento. Ficou firme até o fim, Ap 2: 10. É na luta que o cristão precisa manter-se inabalável e glorificar a Deus: “Mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, e a perseverança experiência, e a experiência, esperança. E a esperança não traz confusão”, Rm 5: 2-5.

Todos sabemos que não existe vitória sem lutas ou sofrimento. E a perseverança precisa fazer parte do estilo de vida de qualquer pessoa que quer vencer na vida: “… sede pacientes na tribulação…”, Rm 12: 12. Tiago trata da paciência no sofrimento: “Meus irmãos, tomai como exemplo de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que Deus lhe deu?”, Tg 5: 10-11.

Perseverança na justiça de Deus

O leitor é capaz de perceber como que Jesus convergiu todo foco de seu discurso a um dos atributos de seu Pai? “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?”, v. 7.

Se o injusto juiz atendeu a pobre viúva, quanto mais Deus, cuja base de seu trono é retidão e justiça, Sl 89: 14. Somente Deus é capaz de fazer justiça com retidão e perfeição, porque Ele não pode ser subornado ou aliciado. Ele não faz acepção de pessoas, At 10: 34.

Com Deus não tem nada de mensalão ou mensalinho, máfia das sanguessugas e/ou das ambulâncias. Com Deus é ou não é, vai ou não vai. Para Ele o importante não é o ter, mas o ser: Deus é a favor do necessitado – “Ele faz justiça e julga a todos os oprimidos”, Sl 103: 6.

O homem falha, mas Deus permanece fiel em suas promessas, porque não pode negar-se a si mesmo, 2Tm 2: 13. Ele é o Jeová Raah, que significa nosso pastor Jo 10: 11; Jeová Jireh, nosso provedor, Gn 22: 8; Jeová Raphá, nossa cura, Êx 15: 26; Jeová Shalom, nossa paz, Jz 6: 24; o Jeová Shamá, nossa presença, Ez 11: 22; Jeová Nissi, nossa vitória, Êx 17: 15; e o Jeová Tsidkenu, nossa justiça, Jr 23: 6.

Esses nomes revelam a santidade, a majestade e o poder de Deus. Por isso, você pode descansar na justiça de Deus, porque mais cedo ou mais tarde, Ele virá ao encontro daquele que persevera, pois Deus não é injusto para ficar esquecido de seu trabalho, Hb 6: 10.

A viúva da história relatada por Jesus não desistiu de seu objetivo, mas perseverou e persuadiu o juiz iníquo a julgar o seu adversário. Cumpriu-se o que diz Provérbios 25: 15: “Pela paciência se persuade um príncipe…”. Por isso, construiu uma história de vida.

Para refletir e agir

Para concluir, reflita, com base nos ensinos desta palavra, a respeito da experiência de vida de um homem que: faliu no comércio aos 31 anos de idade; perdeu para deputado estadual aos 32 anos; faliu novamente no comércio aos 34 anos; aos 35 anos, sua esposa faleceu; teve colapso nervoso aos 36 anos; perdeu para prefeito aos 38 anos; perdeu para deputado federal aos 43 anos; perdeu para deputado estadual aos 46 anos; perdeu novamente para deputado federal aos 48 anos; perdeu para senador aos 55 anos; perdeu para vice-presidente aos 56 anos; perdeu novamente para senador aos 58 anos; mas foi eleito presidente dos Estados Unidos da América aos 60 anos.

Esse homem foi ABRAHAM LINCOLN, um dos heróis dos EUA, homenageado nas notas de 5 dólares por suas virtudes.

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Fonte: Jornal Aleluia, abril de 2008

A Pedagogia da motivação bíblica – Outubro/2003

Há momentos na vida cristã ou no ministério,
no trabalho ou nos estudos, na família
ou nos projetos particulares,
em que somos bombardeados
por uma vontade incrível de desistir de tudo.
De sumir, de morrer.

Em meio às aflições e desencorajamento,
precisamos conhecer um pouco
sobre o que vem a ser a motivação
e seus componentes.

Motivação são todos os elementos psicológicos que levam alguém a fazer alguma coisa. Motivação (motivo em ação), segundo o dicionário Aurélio, é o conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta ou o procedimento moral (bom ou mau) de um indivíduo. Geralmente esses motivos são definidos como necessidades, desejos ou impulsos, oriundos do indivíduo, que dirigem ou mantêm o comportamento voltado para o objetivo.

Para Abrahan Maslow, os motivos pelos quais agimos estão organizados em uma hierarquia de necessidades que vão desde os inferiores até os superiores. Essa hierarquia é composta das seguintes necessidades: fisiológicas (fome, sede, sono e repouso), de segurança (estabilidade, ordem), de amor (família, amizade e outras) de estima (auto-respeito, aprovação), de auto-realização (desenvolvimento de capacidade).

De acordo com Falcão, em Psicologia da Aprendizagem, a motivação pode ser intrínseca e extrínseca. Na primeira, o interesse reside na atividade em si (desempenho estimulado pelo interesse na própria tarefa – processo interno). Na extrínseca, a atividade é encarada como meio para alcançar outro objetivo, através de fatores externos que provocam a motivação, como ponto-chave para se alcançar o sucesso.

Há momentos na vida cristã ou no ministério, no trabalho ou nos estudos, na família ou nos projetos particulares, em que somos bombardeados por uma vontade incrível de desistir de tudo. De sumir, de morrer. Em meio às aflições e desencorajamento, precisamos conhecer um pouco sobre o que vem a ser a motivação e seus componentes.

Antes, porém, de Maslow, de Falcão, de Freud e tantos outros psicólogos modernos, Jesus foi quem primeiro ensinou sobre esse assunto. Interessante, Ele nunca estudou psicologia, mas como psicólogo por excelência conhece, por completo, nossas emoções, sentimentos e intenções. Seu olhar clínico é capaz de desvendar os segredos do coração do homem, dando solução para todas as angústias e pavores de sua alma.

Certa feita, momentos antes de sua crucificação, Jesus dirigiu-se aos discípulos e disse-lhes com voz forte e segura: daqui a mais alguns dias estarei partindo, vocês ficarão sozinhos e terão muitos problemas. Lembrem-se: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo (motivação), porque eu venci o mundo”, João 16: 33.

Jesus os adverte, mas, ao mesmo tempo, procura entusiasmá-los com palavras de fé e coragem. Na verdade ele estava dizendo: vocês precisam estar cheios de motivo. Vejamos que riqueza de ensinos encontramos no sentido dos verbos contidos no discurso de Jesus.

Jesus previu nossas aflições

Isto pode ser visto em sua afirmação: “tereis aflições”. O mestre estava falando sobre fatos concretos que, após sua partida, haveriam de suceder. Nesse caso, previu a perseguição romana, a morte de Tiago à espada, At 12, a perseguição de Saulo de Tarso contra a igreja do Senhor, At 9, o exilo de João na Ilha de Patmos, Ap 1, e todas as lutas e dificuldades que a igreja haveria de enfrentar.

Então, quando Jesus disse aos seus discípulos e, consequentemente, àqueles que haveriam de crer em seu nome, João 17: 20, que no mundo eles enfrentariam perseguições, lutas, problemas, desafios, crises, doenças, etc., ele estava preparando seus seguidores para esses momentos difíceis e tentando dizer que o ministério ou a vida cristã não consistiria num mar de rosas, mas num ato de fé e coragem, de abnegação e amor ao Senhor em meio às aflições.

Portanto, como homens e mulheres não precisamos nos atemorizar com os problemas que nos afligem, mas estejamos conscientes de que tudo que enfrentamos hoje já estava predito pelo Mestre antes de sua crucificação.

Jesus ordenou a motivação

A expressão “Tende bom ânimo” (o verbo está no imperativo) exprime uma ordem, e não um conselho. Este ponto é fantástico. Vejo aqui a pedagogia da motivação pregada por Jesus, porque estar animado é estar motivado por algo.

O triunfo de Jesus no calvário só aconteceu porque os motivos intrínsecos e extrínsecos o impulsionaram a vencer o martírio da cruz. Sua maior motivação foi trabalhar e fazer com prazer a vontade de seu Pai: “Meu pai trabalha até agora, eu trabalho também”, Jo 5: 17.

Trabalhar com submissão e coragem era o forte de Jesus. E ele fazia isso movido pelos objetivos propostos por Deus: Deixou o esplendor de sua glória, simplesmente para fazer a vontade de Deus e viver entre nós.

Alguém disse que a melhor maneira de se motivar é motivar outrem. Parece que essa mensagem está claramente implícita no discurso de Jesus. Não era ele quem precisava de ânimo, de coragem, de fé e de determinação para morrer na cruz? Então, o que ele faz? Procura motivar seus discípulos, encorajá-los para os momentos ruins, a fim de que recebessem motivação.

Seria como se ele pegasse Pedro ou um dos seus apóstolos pelo braço, desse um solavanco e falasse assim: Olha! Eu estou indo embora, mas nada de derrota, nada de fracasso… Filho, tenha bom ânimo, esteja sempre motivado, porque eu venci o mal. Como é bom saber que Jesus quer que estejamos motivados a cada dia.

Não se desespere, não se estresse por qualquer razão, mas tenha sempre em mente que uma pessoa motivada não desiste facilmente, porque possui em suas mãos uma arma poderosa.

Jesus proclamou nossa vitória

Esse fato pode ser visto no último verbo que denota uma ação passada: “eu venci”. Quer dizer: vós vencestes comigo a guerra do calvário; vós ressuscitastes comigo ao terceiro dia; juntos descemos ao abismo e tomamos as chaves do inferno das mãos de Satanás. Vencemos para sempre!

Jesus está dizendo: a vitória é sua… Erga a cabeça e prossiga em frente. Não retroceda em momento algum. Eu, disse Jesus, já decretei o triunfo de minha igreja ao vencer a morte. Levante-se, desprenda-se e tome posse dos remos e navegue com fé e disposição.

O apóstolo Paulo ponderou os ensinos de Jesus a este respeito e confirmou a realidade da vitória proclamada por ele, antes mesmo de sua morte na cruz: “Bendito seja Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou (ação passada) com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo Jesus”, Ef 1: 3.

A bênção do triunfo sobre a nossa vida já está decretada por Jesus. Ele a promulgou publicamente com o sangue vertido no calvário. Por isso, somos mais que vencedores em Cristo Jesus, Rm 8: 37.

Para refletir e agir

Gostaria de encerrar com estas palavras: “Toda manhã, na África, uma gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido do que o mais rápido leão ou morrerá. Toda manhã, na África, um leão acorda. Ele sabe que precisa ultrapassar a velocidade da gazela mais lenta ou morrerá de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando o sol nascer, é melhor você estar correndo.”

Em outras palavras, é melhor você estar lutando, trabalhando, estudando, caminhando e prosseguindo em frente, a fim de que todos os seus sonhos sejam concretizados. Seja sempre uma pessoa motivada!

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Fonte: Jornal Aleluia, outubro de 2003

A graça de envelhecer

A vida é um dom de Deus. Pobre de quem não sabe aprender com a sabedoria de seus avós e das pessoas mais idosas. É neste contexto, de celebrar e recordar a vida dos que são sinais de graça, que trazemos em nossa memória e em nosso coração a vida dos 80 anos, que hoje celebramos, do nosso querido e admirado pai, Sr. Pedro Mendes Dutra.

Como é bom e agradável participarmos de mais uma etapa vencida […]. Nem todos envelhecem da mesma forma. Há até mesmo aqueles que nem gostam do termo velho, porque é uma palavra que traz sentido pejorativo. Todavia, não são todos que têm a graça de se tornarem velhos, porque velho é ser sobrevivente de uma batalha, em que o cuidado da vida e a sabedoria de Deus foram armas que fizeram possível celebrar, hoje, uma idade com saúde invejável por todos.

Quem não gostaria de chegar a esta etapa da vida, lúcido, tranqüilo, consciente e amável? ¨Quem envelhece perde o viço, mas não perde o lustro; perde o brilho, mas não perde o calor¨, assim é caracterizada a velhice. Precisamos aprender com a sabedoria e com a fragilidade dos idosos, principalmente daqueles que deram a vida pelo bem da vida de todos.

Envelhecer é uma graça que Deus reservou para aqueles que o amam e amam a vida. Quantas jovens não sabem se guardar e preservar para o futuro. Enveredaram pelos caminhos da morte e da destruição. Envelhecer é uma escolha e muitos escolheram morrer cedo. Não tiveram a esperança, por isso envelheceram e morreram jovens.

Obrigado, pai, pela esperança cultivada neste caminho de 80 anos de vida. A sua alegria é a nossa alegria. A beleza de sua vida não está no brilho de sua pele e nem de seus olhos, mas no testemunho e na fortaleza de luta e de fé que permearam em cada passo do passado e iluminam os passos do futuro.

Que as palavras de Calebe sejam reais em sua vida: ¨Agora pois o Senhor me conservou em vida […] Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou a Cades-Barneia […] Qual era a minha força então, tal ainda é agora, para a guerra, para sair e para entrar¨, Js 14.

Que Deus o abençoe sempre, dando-lhe saúde, paz e muita esperança. Ao eterno Deus, a nossa profunda gratidão por sua vida. Parabéns! De sua esposa, de seus filhos (as), genros e noras, netos (as) e bisnetos (as), irmãos em Cristo, parentes e amigos.

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Adaptado

Teologia do Evangelho – Maio/2011

Uma reflexão bíblico-teológica
sobre os pontos basilares
das boas-novas de salvação

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele
que nele crê; primeiro do judeu, e também do grego”.
Romanos 1: 16.

Na literatura clássica, a palavra evangelho designava a recompensa dada pela entrega de boas notícias. O evangelho não vem apenas em poder, mas é o próprio poder de Deus. Paulo o reputa como um tesouro sagrado, 1 Timóteo 1: 11 e 15. O termo evangelho provém do grego “evangelion”, que significa, literalmente, “boas-novas”, Marcos 1: 1, 15 e 16: 15.

Para fins práticos, evangelho é o poder de Deus revelado no seu filho, Jesus Cristo; é Deus fazendo missões culturais e transculturais, por meio de seu filho unigênito, João 3: 16; é o verbo que se fez carne e habitou entre nós, João 1. É próprio Jesus encarnado, que morreu e ressuscitou ao 3º dia para consumar a obra da salvação.

O evangelho é o mais fascinante projeto de vida que Deus tem para oferecer à humanidade perdida e condenada. Projeto que reconstrói lares, restaura vidas arruinadas, reintegra o homem à sociedade e o conduz à vida eterna. Ele tem transformado milhares e milhares de pessoas num acontecimento de vida, alegria e esperança, e tem gerado os homens mais humanos da história, dos quais o mundo não era digno.

Por amor e fidelidade ao evangelho de Cristo, homens foram apedrejados, torturados, serrados, desamparados, afligidos, maltratados, tentados, injuriados, mortos a fio da espada, Hebreus 11: 37 e 38. Sem o Evangelho não existiriam os ex-viciados, ex-drogados ex-bandidos, ex-ladrões, ex-alcoólatras, ex-prostitutas, ex-homossexuais, ex-feiticeiros, ex-assassinos, ex-mentirosos, ex-corruptos, ex-condenados, etc.

Somos gratos a Deus pelo evangelho, que tem transformado o mais terrível pecador numa nova criatura em Cristo Jesus, 2 Co 5: 17. Portanto, Evangelho não é invenção humana nem tampouco um conto de fada, mas uma verdade irrefutável, que não pode ser negada e que tem atravessado séculos e mais séculos e chegado até nós.

O apóstolo Paulo, em seu tratado teológico, conforme Romanos 1: 16, trabalha, de maneira bem didática, a riqueza teológica a respeito das verdades incontestáveis sobre o poderoso Evangelho. Nesse tratado, ele pré-estabelece alguns pontos que se tornaram básicos e relevantes para a fé cristã. Senão, vejamos:

Sua origem: Deus

“… é o poder de Deus…”. É importante destacar que o evangelho tem sua origem em Deus, ou seja, ele nasceu no coração de Deus e é tão antigo, se assim podemos dizer, quanto o pecado, Gn 3: 15. Paulo já inicia a carta aos Romanos, capítulo 1.1, afirmando que foi separado para o evangelho de Deus: “Paulo, servo de Jesus Cristo, separado para o evangelho de Deus”.

Evangelho não é algo inventado por algum erudito, nem algo descoberto por algum professor de Teologia. É fato bendito da revelação de Deus. Por isso, a igreja é obra genuína do Evangelho de Deus. Ela, como corpo de Cristo e não como instituição eclesiástica, mas de pessoas lavadas e redimidas pelo sangue de Jesus, só existe por causa do evangelho.

Portanto, ele não é presbiteriano, assembleiano, batista, metodista, pentecostal nem tampouco histórico. As boas-novas de salvação são obra exclusiva de Deus. Sua marca e patente estão registradas nos céus. Não pertencem a nenhuma empresa ou igreja privada. Pelo contrário, à igreja Deus confiou a tarefa de levar o evangelho a toda à criatura, mas não o direito de se apoderar dele, a ponto de querer gerenciá-lo.

Sua força: o poder

“… é o poder…”. Jesus disse: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo…”, Atos 1: 8. A palavra poder é, no original, “dynamis”. Dela se derivam três outras na Língua Portuguesa: a) Dinamite, que é um explosivo. O crente cheio do poder do Espírito destrói todas as fortalezas do diabo. B) Dínamo, gerador de energia. O crente cheio do poder do Espírito Santo é um gerador de energia espiritual.

Jesus disse certa feita: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de águas vivas”, João 7: 38. c) Dinâmico, que se traduz por movimento, capacidade, eficácia. Em outras palavras, o crente cheio do poder do Espírito Santo é ativo, disposto e enfrenta qualquer desafio no trabalho do Senhor. A Bíblia recomenda que sejamos cheios do Espírito: “… mas enchei-vos do Espírito Santo”, Efésios 5: 18.

Sabem por que as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja? Porque ela é movida pelo poder do Espírito Santo, Mateus 16: 18, Atos 1: 8. Nos tempos primitivos o império romano tentou impedir a progresso da igreja, mas não conseguiu. Na idade média ou idade das trevas (séculos V a XV) houve grandes investidas contra a igreja, mas nada pôde detê-la. Ainda hoje, muitas são as investidas de Satanás, mas ela é mais do que vencedora, Romanos 8: 37.

Sua prioridade: a salvação

“… para salvação…”. É importante relembrar que o evangelho nasceu no coração de Deus, e nasceu com um propósito definido por seu criador: trazer salvação ao homem perdido: “Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”, Lucas 19: 10. Não há dúvidas de que a prioridade é a salvação da humanidade. Tudo que fugir desse contexto não é bíblico, mas humano.

Portanto, cremos no Jesus (evangelho) que cura, soluciona problemas, derrama bênçãos sobre o seu, dá prosperidade espiritual e material, abre portas e faz tudo o que for necessário para os que nele confiam. Tudo isso é bom e bíblico, mas não se constitui na essência do objetivo primeiro do evangelho, que é proporcionar ao pecador a vida eterna. Por isso, a igreja não pode perder o sentido dessa verdade.

Os pregadores da atualidade precisam expor a mensagem do arrependimento e da fé, elementos essenciais no processo da conversão. O arrependimento para remissão de pecados foi a contundente mensagem pregada por João Batista no deserto, por Jesus, por ocasião de seu ministério na terra, pelos os discípulos e pelo apóstolo Paulo: “Arrependei-vos e crede no evangelho”. Há de se considerar que o discurso teológico (evangelho) precisa ser contextualizado, mas não pode perder sua essência e beleza bíblica e ungida.

Sua extensão: o mundo

O texto diz: “… de todo aquele…”. Isso nos leva a pensar na universalidade ou expansão das boas novas de salvação, ou seja, o evangelho não nasceu apenas para os judeus, mas para todo aquele que crer em Jesus, primeiro do judeu e também do grego, João 1: 11. Na Grande Comissão, Jesus disse: “Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações…”, Mateus 28: 19. Ele ainda ordenou: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, Mateus 24: 14.

Vale ressaltar que o termo nações neste texto não se refere, necessariamente, às nações politicamente organizadas, mas às etnias ou povos. Uma etnia, por exemplo, é um grupo (povo) que se distingue de outro grupo humano por sua língua e cultura distintas, isto é, costumes, crenças, valores. No Brasil, por exemplo, existem, além dos indígenas, muitas etnias formadas por imigrantes. Os povos da janela 10×40 são etnias que precisam ser alcançadas. Pregar o evangelho a todas as etnias é a missão que Deus incumbiu à igreja na face da terra.

Por isso, não há limites para se pregar o evangelho. Efésios 3: 18 fala das dimensões ou do alcance do evangelho (amor) de Deus: largura: todas as nações e classes de pessoas; extensão: todos os tempos; altura: sua divindade e onipotência; profundidade: a ação poderosa do evangelho, que desce ao abismo do pecado e tira de lá o mais vil pecador. O apóstolo João contemplou em sua visão uma grande multidão (etnias) que fora alcançada pelo evangelho de Deus: “… vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam diante do torno, e do cordeiro…”, Apocalipse 7: 9.

Sua condição: a fé

Aqui está o ponto final do tratado teológico do apóstolo Paulo: “… aquele que crê…”. Observe bem o leitor que a única coisa que o pecador precisa fazer para receber o evangelho da salvação é ter fé em Jesus. No verso 17, o apóstolo autentica sua teologia ao afirmar: “Por que nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé. Como está escrito: mas o justo viverá da fé”. Crer é a porta de recepção ao evangelho. Para receber as boas novas da salvação e mudar de vida não é preciso ter dinheiro, status, posição, fazer boas obras, etc.

Mas é preciso tão-somente crer que Jesus é capaz de transformar a humanidade perdida. O interessante é que ele tem, de fato, alcançado todos os tipos de pessoas e todas elas praticam o mesmo ato: apenas creem no evangelho transformador. Este ponto basilar da teologia paulina encontra forte amparo na carta escrita aos efésios: “Pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie.”, 2: 8.

Portanto, o evangelho é o poder de Deus, que salva por meio da fé: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”, Romanos 10: 9. Os pecadores se convertem ao Senhor Jesus unicamente por meio da fé, ouvindo a mensagem do evangelho: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra (evangelho) de Deus”. Não há outra forma ou mágica de salvação. Basta, simplesmente, crer em Jesus. Todas as demais coisas surgem como resultado deste ato.

Diante dessas considerações, gostaria de relembrar, segundo alguns escritores, algumas diferenças peculiares entre evangelho e religião:

“A religião é obra do homem; mas o evangelho é obra de Deus;

A religião é constituída de ponto de vista; o evangelho de boas notícias;

A religião traz bons conselhos; o evangelho, uma poderosa proclamação;

A religião é o que o homem faz por Deus; o evangelho é o que Deus faz pelo homem;

A religião é o homem em busca de Deus; o evangelho é Deus em busca do homem;

A religião é o homem subindo a escada da justiça própria; o evangelho é Deus descendo a escada da encarnação para se encontrar com o homem no 1º degrau;

A religião toma o homem e o deixa como está; o evangelho toma o homem como está e o deixa transformado;

A religião promove uma reforma exterior e hipócrita; o evangelho efetua uma mudança interior;

A religião passa uma caiação; o evangelho limpa, alveja e dá um novo coração;

A religião diz: alcance; o evangelho diz: obtenha;

A religião diz: tente; o evangelho diz: receba;

A religião diz: esforça-te; o evangelho afirma: confia no Senhor;

A religião diz: desenvolva-se a si mesmo; o evangelho diz: negue-se a si mesmo;

A religião diz: salve-se; o evangelho entregue-se a Jesus;

Existem muitas religiões, mas um só evangelho”. Por isso, Paulo está cheio de razão em dizer: “Não me envergonho do evangelho…, pois é o poder de Deus para salvação…”.

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Fonte: Sermão pregado aos alunos do Curso de Teologia do SPR de Cianorte e do CESUMAR,
Maringá, em 2009. Jornal Aleluia, maio de 2011

Independência ou Morte! O grito de liberdade ecoado na cruz do Calvário – setembro de 2016

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte! […]”

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. O caso mais conhecido é o de Tiradentes, executado pela Coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira. Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro recebeu uma carta da Corte de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal.

Há tempos os portugueses insistiam nessa ideia, pois pretendiam recolonizar o Brasil, e a presença de D. Pedro impedia esse ideal. D. Pedro, porém, respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”. Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra e obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino.

Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o “cumpra-se”, ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência. O príncipe fez uma rápida viagem a Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimentos, pois acreditavam que tudo isso poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembleia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole.

Essas notícias chegaram às mãos de D. Pedro quando estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”. Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil. Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. D. Pedro recorreu a empréstimo da Inglaterra para pagar a independência brasileira.
(Fonte: http://www.suapesquisa.com/independencia).

Surge então uma pergunta: quais as lições prático-pedagógicas extraídas desse marco histórico que completa 194 anos? Como cristãos, o que podemos aprender com esse dia cívico-político? Verdade é que todo acontecimento, de qualquer espécie, tem sempre uma lição de casa a nos transmitir, ainda mais quando se trata de fatos que podemos relacionar às verdades bíblicas.

LIÇÃO 1: O ato da independência do Brasil leva-nos a refletir sobre o momento da independência da humanidade proclamada por Cristo na cruz do Calvário, séculos antes de D. Pedro. Enquanto esse imperador proclamou a independência do Brasil com um grito e uma espada, junto ao rio Ipiranga, SP, rebelando-se contra a ordem vinda de Portugal, num ato legítimo de guerra, Jesus, transpassado por uma espada, bradou lá no Calvário: Independência ou morte. Ou seja, ele estava morrendo pela independência de toda a humanidade: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito, está tudo consumado” (Lc 23:46).

LIÇÃO 2: O ato de independência do Brasil por D. Pedro foi a favor da nação brasileira, ou seja, uma atitude local, militar e governamental, que não envolvia valores espirituais, como a alma do brasileiro. O ato de independência proclamado por Jesus envolveu toda a humanidade, todo aquele que nele crê, visando livrar os pecadores da condenação eterna. Neste aspecto, Jesus morreu pela humanidade, enquanto D. Pedro não morreu pelos brasileiros quando bradou às margens do rio Ipiranga: Independência ou morte!

LIÇÃO 3: O ato de independência e liberdade custou ao Brasil 2 milhões de libras esterlinas. D. Pedro precisou recorrer à Inglaterra e buscar empréstimos para pagar a Colônia Portuguesa. Com isso, o Brasil passou a ser um país independente, mas devedor. O preço pago por Jesus para dizer “independência ou morte” foi o seu próprio sangue, derramado na cruz (1Pe 1:19). Ele não precisou pegar empréstimo de ninguém, mas humilhou-se até a morte e morte de cruz (Fp 2:5-11). Estávamos em dívida com Deus, mas agora tudo está pago.

LIÇÃO 4: D. Pedro, apesar de ter sido uma autoridade política muito importante para os brasileiros, foi um homem falho e mortal. Está sepultado, aguardando, juntamente com todos os mortos, o juízo final. Nessa ocasião, uns ressuscitarão para a vida eterna e outros para a vergonha eterna (Dn 12:2 e Ap 21:11-15). Jesus, por sua vez, morreu e foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia (1Co 15:4). A morte, o inferno, Satanás e os demônios não puderam nem celebrar a morte de Jesus, porque no terceiro dia ele ressurgiu dentre os mortos (Mt 28:6).

LIÇÃO 5: O grito de independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marcou o fim do domínio português e a conquista da autonomia política brasileira. Segundo a história, muitos morreram por essa causa, em nome de uma liberdade terrena. A morte de Jesus, por sua vez, é o marco mais relevante de todos os tempos, pois Cristo conquistou na cruz a liberdade espiritual da humanidade, que caminhava a passos largos para o inferno, dando-lhe a oportunidade de se livrar da morte eterna. Jesus morreu a nossa morte por esse ideal.

LIÇÃO 6: O Brasil completa, no dia 7 de setembro de 2016, quase dois séculos de independência política. Historicamente, é uma data para não ser esquecida, jamais. No entanto, o país continua escravo de uma economia instável e insustentável, deixando os brasileiros aterrorizados. O governo de D. Pedro passou, como tantos outros. O governo de Jesus jamais passará, pois é eterno. Diz a Bíblia que os salvos irão governar com Cristo nesta terra, por ocasião do milênio e, depois, estarão para sempre com Jesus nos céus (Is 60:10-15, Zc 14: 9, 1Ts 4:16-17).

LIÇÃO 7: O dia 7 de setembro será sempre um momento cívico-espiritual para que as igrejas possam orar, jejuar e se consagrar com mais intensidade pelo Brasil, levantando nesse dia mãos santas e suplicando as misericórdias do Senhor (Sl 15, Lm 3:30, 1Tm 2:1-4). É um dia que nos desafia a sairmos às ruas (das regiões celestiais) e protestarmos, ajoelhados e humilhados perante o Senhor, em oração contrita, contra toda a corrupção, mentiras e falcatruas que têm dominado quase todos os setores da política brasileira (Ef 6:10-18.) Que Deus abençoe, proteja e salve o Brasil!

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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2016

Debaixo dos alpendres – Novembro/1991

Anunciar o que Cristo faz em nós e por nós
é um fator importante para nossa vida cristã.

Nossa conversão deve ser transmitida ao mundo,
pois somos a luz do mundo e o sal da terra
.
João 5: 1 a 15

Havia em Jerusalém um tanque chamado Betesda. “Betesda” em hebraico significa “casa da graça” ou “misericórdia”. De certo tempo descia um anjo do Senhor e agitava suas águas. O primeiro que entrasse no tanque após o movimentar das águas seria curado de qualquer enfermidade, Jo. 5: 4.

Junto ao tanque havia cinco alpendres (teto suspenso por colunas ou pilastras), sob os quais ficavam os enfermos, aguardando o movimento as águas. O texto de Jo 5: 1-5 relata a cura de um paralítico que ali estava havia muito tempo. Porém, não conseguia entrar no tanque porque sempre outro o fazia antes dele, Jesus veio e o curou.

Essa história retrata a nossa vida. À semelhança dos enfermos que permaneciam debaixo dos alpendres, aguardando a descida do anjo e o movimentar das águas, nós também devemos ficar sob alguns alpendres, aguardando a ação poderosa de Deus em nossas vidas. Vejamos:


O alpendre da esperança

Todos os enfermos que o texto relata ficavam na expectativa da cura que desejavam, (v. 3). No verso 7, o paralítico revela a esperança que trazia dentro de si, pois carregava consigo tal enfermidade ao longo de 38 anos, (v. 5). Mesmo não tendo ninguém que o ajudasse a descer ao tanque, por ocasião do movimento das águas, a esperança era a voz nítida que lhe dizia sempre: “um dia eu serei curado”. E isso aconteceu, (v.9).

Enquanto existe esperança há possibilidade de se alcançar o alvo. O Salmo 119: 116 diz: “… não permitas que a minha esperança me envergonhe”. Quantos já foram envergonhados porque perderam a esperança! Todas as lutas que enfrentamos em nosso dia a dia devem nos proporcionar esperança, Rm 5: 3 e 4. Sobre todas as coisas, devemos ter esperança de que Cristo vai voltar e buscar a sua igreja.


O alpendre da santificação

Não se sabia quando o anjo desceria para tocar as águas. Isto poderia ocorrer a qualquer momento, (v. 4). Os enfermos deveriam permanecer ali até que isso acontecesse. Por isso, viviam juntos aos alpendres, naturalmente, separados da sociedade e familiares. O enfermo que ficasse em sua casa não contemplaria o anjo descendo para tocar as águas e tampouco teria o privilégio de ser o “primeiro” da fila de espera. Estavam separados do convívio social maior.

Podemos aplicar isso a “santificação”, “dedicação” e “serviço”. Cada enfermo que deseja a cura dedica seu tempo à espera da melhora. Não podemos reivindicar as promessas de Deus sem que nos dediquemos à sua causa. Santificação é buscar, “em primeiro lugar” o reino de Deus e sua justiça para que as demais coisas nos sejam acrescentadas, Mt. 6: 33. A igreja deve permanecer debaixo do alpendre da santificação até que Cristo venha. Caso contrário ela não verá a Deus, B 12: 14.

O alpendre da oração

“Queres ficar são?” foi a pergunta de Jesus ao paralítico. Ele respondeu: “senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque; mas, enquanto vou, desce outro antes de mim”, (v.7). Aqui está um lindo modelo de sincera e profunda oração. Orar é conversar com Deus e mostrar a Ele a nossa necessidade. Isso fez o paralítico: “não tenho ninguém que me ajude”. A seguir, ele recebe a cura dada por Jesus, (v.9)

Ninguém pode negar a “força” da oração feita por um justo, Tg 5: 16. A oração é como as asas de um avião: sem elas não se consegue voar. Viver debaixo do alpendre da oração não tem sido uma missão muito fácil, mas, no entanto, é uma necessidade da Igreja de Jesus. Sem oração a igreja se torna dormente, fria e desfalecida. Mas quando há oração, existe força, avivamento, desprendimento e liberdade para fazer a vontade de Deus.


O alpendre da fé

A fé foi um dos elementos principais na ministração da cura do paralítico. Ele creu na palavra de Jesus: “levanta-te, toma a tua cama, e anda”. Imediatamente ele ficou são, (v.9). A fé é essencial na vida cristã: “Sem fé é impossível agradar a Deus”, Hb 11:6. Ela possui importância fundamental na solução dos problemas da vida.

A vida cristã exige que a fé se desenvolva constantemente, pois os desafios que enfrentamos são também constantes. Quando Cristo vier, Ele quer nos encontrar cheios de fé, Lc 18: 8. Não apenas cheios de fé para sermos curados ou termos nossos problemas resolvidos, mas cheios de fé para vencer o mundo, I Jo 5: 4. O alpendre protege a entrada da casa e dá segurança às pessoas. Assim também é a fé. Ela nos protege contra as astutas ciladas do diabo e nos dá toda segurança em Deus.
O alpendre do testemunho

Após ter recebido o milagre em sua vida, o verso 15 confirma que: “O paralítico foi e anunciou aos judeus que Jesus era o que curava”. Anunciar o que Cristo faz em que nós é um fator importante em nossa vida cristã. Nossa conversão deve ser transmitida ao mundo, pois somos a luz do mundo e o sal da terra, Mt 5: 13,14.

Testemunhar de Jesus é uma questão de convicção cristã. Hoje, muitos já não fazem mais isto. Fomos salvos para testemunhar: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santos, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém com em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”, (At. 1: 8).

Conclusão

Viver debaixo dos cinco alpendres é algo desafiante, principalmente nos dias em que vivemos. Não se ausente deles, permaneça protegido por eles até que o Espírito mova as barreiras e Jesus desça para arrebatar a sua Igreja.

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Fonte: Jornal Aleluia 149, novembro de 1991

Entrevista – Panorama da IPRB em 2002 Somos parte significativa da Igreja do Senhor Entrevistado: Pr. Advanir Alves Ferreira – Julho 2002

Entrevista concedida
pelo Pastor Advanir Alves Ferreira,
presidente da IPRB,
ao pastor Émerson Garcia Dutra, titular
da Secretaria Central da IPRB

PANORAMA DA IPRB EM 2002

A igreja evangélica vem se consolidando no Brasil de uma forma gradativa e constante. Informações do último Censo apontam que os evangélicos cresceram 70,7% nessa última década. Ficamos felizes porque a IPRB tem sua participação nesse crescimento, pois nesses últimos 10 anos seu número de membros multiplicou-se. Esse resultado evidencia a boa aceitação de sua linha doutrinária e de seu trabalho social.

O crescimento revela que sua membresia foi conquistada em razão de sua mensagem libertadora, pregada através de um evangelismo dinâmico. E revela ainda mais: que a Igreja Renovada tem estrutura suficiente para continuar crescendo, servindo ao povo brasileiro, às famílias em conflitos, aos desesperançados, levando-lhes a autêntica e bíblica mensagem de Jesus.

No 3º domingo de julho, a IPRB estará louvando e agradecendo ao Senhor pelos 27 anos de sua organização. São quase três décadas de um árduo e constante trabalho em busca dos pecadores para o reino de Deus. Nesse período, surgiram muitas barreiras que tentaram impedir a marcha da Igreja, mas nem por isso ela estagnou-se. Pelo contrário, a Renovada vem demonstrando, ao passar dos anos, que não é apenas mais uma igreja evangélica neste país, mas, na verdade, é uma Igreja que tem procurado dar uma contribuição positiva para a melhoria de vida material e espiritual de nosso povo, Mt 5: 13-14.

Aproveitando o momento desta festiva data, quando todas as IPRs estarão tributando ao Senhor louvor e adoração por mais um ano de vitórias, o leitor terá a oportunidade, através desta entrevista elaborada pela Secretaria Central (SC), de saber o que pensa o presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, e o que ele tem a dizer aos membros, às lideranças e aos pastores da Igreja.

SC: Como está sendo o relacionamento
da IPRB com as demais igrejas
evangélicas no Brasil?

Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus – O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado em nosso meio.

SC: O que poderia ser feito
para que as igrejas evangélicas
se tornassem mais unidas?

Presidente: É possível ser a Igreja de Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo conhecido, Jo 17: 21.

SC: Como o Senhor avaliou
o resultado do Censo
sobre o crescimento dos evangélicos?

Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação. A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se converterão e os milagres serão uma conseqüência dessa bênção.

SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira será o celeiro
de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?

Presidente: Creio que sim. O brasileiro é sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.

SC: Como o irmão avaliaria
a IPRB após as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembléia?

Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus disse: “santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”, Jo 17: 17. Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.

SC: Com isso, a Igreja
tem-se demonstrado
madura e compromissada com o reino?

Presidente: Tudo indica que sim. A própria Assembléia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou maturidade e firmeza por parte das lideranças. Tenho visitado Presbitérios e visto que as igrejas estão alegres, firmes e preocupadas com a evangelização de vidas.

SC: Considerando estes 27 anos
de organização, pode-se afirmar
que a IPRB é uma Igreja estruturada?

Presidente: Claro que sim. Somos uma igreja equipada. Temos dois Seminários, que se empenham na formação de obreiros com bom nível cultural e espiritual; uma Editora que vem produzindo obras de qualidade, o jornal que serve como instrumento para amalgamar a denominação, as Revistas de EBD, que oferecem segurança doutrinária para a Igreja e todo tipo de material para as secretarias. Na área de missões, a Missão Priscila e Áquila tem realizado excelente trabalho.

A Renovada é hoje uma igreja reconhecida e conceituada. No dia 28 de fevereiro deste ano, por exemplo, a Câmara de Deputados de Brasília homenageou a IPRB por seus 27 anos de organização no Brasil. Neste ano recebemos a visita de líderes da Knox Fellowship, um grupo de renovação da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, voltado ao treinamento para evangelismo e discipulado de Igrejas locais e presbitérios, que se mostraram interessados em estreitar relações com a IPRB e já nos convidaram para participar de reunião da Diretoria da Knox nos Estados Unidos, o que faremos no próximo mês de agosto.

SC: Quais os projetos
para o crescimento da denominação?

Presidente: A Diretoria Executiva, em sua última reunião, lançou um projeto que envolve todos os presbitérios, instituições, pastores e lideranças da IPRB. Esse planejamento que visa ao crescimento e à dinamização das igrejas precisa ser levado a sério. Agir como a igreja dos tempos primitivos, ou aquela que não esteja enclausurada entre quatro paredes deve ser o sonho de cada pastor ou liderança. Uma estratégia forte que a Igreja Primitiva aplicava eram as reuniões de casa em casa. Ainda hoje, essa estratégia, que tem recebido os mais diversos nomes, poderá ser o ponto chave de crescimento da obra de Deus.

SC: O que cada igreja
ou cada Presbitério poderia fazer
para que a IPRB se tornasse mais contextualizada?

Presidente: Poderia procurar servir-se mais dos avanços tecnológicos atuais, sem perder de vista os princípios da Palavra de Deus. Embora não sejam indispensáveis, são fundamentais como estratégia auxiliar de trabalho. Como pode o pastor trabalhar sem um veículo? Já imaginaram o que o apóstolo Paulo faria se tivesse em seu escritório um computador, na igreja os equipamentos de som, os meios de comunicação, ou se tivesse ao seu alcance os recursos que temos hoje? A Igreja dos primeiros séculos não possuía nada disso, mas mesmo assim fez muito para o reino de Deus. Não há dúvidas de que as nossas igrejas precisam se contextualizar e trabalhar sem se contaminar com o mundo.

SC: O irmão tem enfatizado
em suas mensagens a necessidade
de um reavivamento espiritual. Por quê?

Presidente: Prego e continuarei pregando a necessidade de um reavivamento espiritual legítimo e completo. Essa é a mensagem da Renovada. Prego porque acredito que somente através dele a igreja será despertada. E haverá desprendimento, vida com Deus e santificação. Uma verdadeira vida de oração e comunhão só será alcançada quando isso acontecer. Todo partidarismo, divisão e falta de amor serão desfeitos com essa bênção. Devemos desejar esse derramar e rogar ao Senhor para que esse dia chegue logo. A IPRB será outra quando isso acontecer.

SC: Tem uma palavra
para a Igreja Renovada nesta data?

Presidente: Desejo que nesse dia, 3º domingo de julho, sejamos imensamente gratos a Deus e nos tornemos mais próximos do Senhor. Lembremos sempre de que a Renovada é fruto da vontade de Deus, e não da vontade do homem. Vamos unir nossas forças e deixar um pouco as críticas ferinas de lado. Nas cidades onde há mais de uma Igreja, procurem irmanar-se, trabalhar juntos. Façam isso em nome de Jesus. Procurem realizar com amor a obra de Deus. Fiquemos com as palavras do apóstolo Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade”, Fl 2: 3.

Maringá, julho de 2002

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002