Preparando-se para uma nova fase na vida – Março de 2009

Uma análise contextualizada
de Neemias 1 e 2

“Então lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada, e que as suas portas têm sido queimadas a fogo; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio. Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.”
Neemias 2:17-18

Até quando você vai ficar olhando
e remoendo as ruínas do passado, sem tomar
uma decisão corajosa?

As fases da vida são necessárias para completar os ciclos da nossa existência. Desde o início de tudo e da própria criação do homem, o ser humano passa por etapas diferentes: infância, juventude, vida adulta, velhice… Os jovens se casam e passam a viver uma nova fase na vida. E, na vida a dois, vem o período de adaptação das diferenças de ideias, de hábitos, de costumes… Quando chegam os filhos, nova fase se instala. E assim, dia a dia, caminha-se para a maturidade, para a responsabilidade, rumo à velhice.

É interessante como alguém, mesmo sendo especial (deficiente), não escapa dessas fases. A mente pode continuar como a de um bebê, mas o corpo segue a lei da natureza e da evolução para a maturidade. Esse é um desafio que jamais poderemos deixar de enfrentar. Podemos tentar fugir de tudo na vida, mas não conseguiremos escapar das fases da nossa existência.

Saber que assim é a vida é muito bom. Esses períodos surgem como forma de desafios a serem enfrentados, sejam desagradáveis ou não. E o que vai determinar se passaremos bem por todas elas é a nossa reação antes de tentarmos alcançar a fase seguinte.

No texto bíblico citado, Neemias está vivendo uma fase tranquila em Susã, a fortaleza de Artaxerxes. Neemias provavelmente não conhecesse Jerusalém. Ao que tudo indica, ele deve ter nascido no cativeiro. Mas, um dia, sua vida muda completamente, ao receber notícias trazidas por Hanani, que havia acabado de chegar de Jerusalém. A informação que chega aos ouvidos de Neemias é de uma Jerusalém em estado de calamidade, em ruínas. Isso o incomodou muito. E foram essas notícias que o levaram a orar.

Neemias é conhecido como um homem de oração e consagração. Uma pessoa sintonizada com o céu. E foi por isso que ele alcançou favor de Deus para ir em direção ao desconhecido. Neemias vai viver uma nova e marcante fase em sua vida.

Todas as pessoas estão prestes a iniciar uma nova fase na sua vida. Num piscar de olhos, podem receber uma notícia que mudará totalmente o seu futuro. Sabendo disso, como podemos descobrir a vontade de Deus para caminhar em direção a esse novo passo que estamos prestes a dar?

É fundamental saber que Deus vai estar conosco, que Deus vai responder nossa oração e entrelaçar-se a algum novo projeto quando eu decidir questionar os porquês, ou os acontecimentos ao meu redor, v. 2.

A vida de Neemias começa a mudar quando ele, abatido e preocupado, faz algumas perguntas. Sua indagação a respeito de como andavam as coisas em Jerusalém transformou o seu futuro e suas idealizações.

Quantas pessoas deixaram de questionar os porquês da sua vida há muito tempo. Por que estou regredindo financeiramente? Por que meu relacionamento está tão mal assim? Por que, na minha vida, esse ou aquele plano não dá certo?

Neemias sentiu seu coração sendo direcionado por Deus a um propósito novo, quando ele sai do seu próprio mundo e começa a se abrir para realidade à sua volta. Quando pensa no próximo. Quando encarna as dores dos que ficaram na miséria. Ao tomar essa atitude, descobre que estava vivendo uma tremenda ruína, uma farsa. Seu povo estava desanimado e sem esperança. E tudo que o levou a demover-se foi uma pergunta sobre a realidade de um povo.

Uma pergunta pode abrir um leque do que precisamos fazer para trazer mudanças no quadro em que vivemos. Ouvindo e analisando a resposta, Neemias passa a assumir erros (vv. 6-7) e a procurar soluções (v. 11) para a miséria que estava instalada ao seu redor.

Quando começarmos a questionar os porquês da miséria em nossa casa, os porquês da falta de ânimo, os porquês das orações não respondidas… respostas vão começar a surgir e todas elas levando-nos a entender que precisamos tomar uma posição. A falha nunca é de Deus, é sempre nossa.

Ao levantar meu semblante e tomar uma decisão, Deus vai responder minha oração. É certeza de que estará comigo quando eu decidir edificar sobre os escombros que restaram das derrotas que tive no passado, v. 17-18.

Quantas vezes decidimos interromper algo de suma importância, simplesmente porque não tivemos êxito na primeira instância! Não deu certo, pastor, por isso parei. Não tive apoio, por isso deixei de lado. Não consegui, pastor, por isso voltei. Abandonei os estudos. Deixei o emprego. Larguei tudo…

Quantas pessoas deixaram de ser abençoadas e de realizar tremendas conquistar pelo simples fato de olharem para os escombros de sua vida e dizer: não vale a pena! Por isso deixaram de orar, deixaram de buscar a vontade de Deus e deram tudo como perdido.

Conta-se que quando Thomas Carlyle, historiador inglês, concluiu o segundo volume de sua História da Revolução Francesa, entregou o manuscrito a John Stuart para fazer observações. John leu o manuscrito e emprestou-o a um amigo. Esse amigo deixou-o sobre a escrivaninha certa noite, depois de lê-lo. Na manhã seguinte a empregada, procurando alguma coisa com a qual pudesse acender o fogo, encontrou a pilha de papéis soltos e, pensando que fossem rascunhos antigos, usou-os para acender o fogo. Aquilo que havia custado anos de trabalho a Carlyle era cinza agora! Quando seu amigo Mill, relatou a devastadora notícia a Carlyle, este ficou tão decepcionado com sua perda que não conseguiu fazer nada durante semanas. Um dia, sentado diante da janela aberta, remoendo sua perda, observou um pedreiro reconstruindo uma parede de tijolos. Pacientemente, o homem colocava tijolo sobre tijolo, enquanto assobiava uma alegre melodia. “Pobre tonto”, pensou Carlyle, “como pode estar tão alegre quando a vida é tão fútil?” Naquele momento, ele teve outro pensamento, mas agora referente a si mesmo: “Pobre tonto, você está aqui sentado junto à janela, queixando-se e lamentando, enquanto aquele homem reconstrói uma casa que durou gerações.” Naquele momento, tomado de novo ânimo, levantando-se da cadeira, Carlyle começou a trabalhar no segundo rascunho da História da Revolução Francesa.

Podemos reconstruir sobre as ruínas de nosso passado. O ponto alto da vitória de Neemias está no momento em que ele começa a andar sobre as ruínas de Jerusalém, a observar tudo queimado, danificado e decide reconstruir os muros caídos.

Deixar de ser opróbrio tem a ver com uma decisão que Deus aprova e vai junto conosco. O passado era vergonhoso e cheio de erros, mas Neemias decidiu seguir em frente com o aval de Deus. Neemias terminou uma edificação que parecia impossível, e a fez em apenas cinquenta e dois dias. No final da obra, não somente ele, mas todo o povo entendeu que Deus havia aprovado e ajudado na edificação da cidade, causando grande espanto entre os inimigos.

“Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco do mês de Elul; em cinquenta e dois dias. E sucedeu que, ouvindo-o todos os nossos inimigos, todos os povos que havia em redor de nós temeram, e abateram-se muito a seus próprios olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.” Ne 6: 15-16.

Para aqueles que estão vivendo uma nova fase na vida, faz-se necessário seguir o exemplo de Neemias: fazer perguntas, não se abater diante das ruínas e decidir edificar uma nova vida, tendo a mão de Deus direcionando todos os seus passos.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2009

Mantendo-se vivo no ministério – Fevereiro/2007

“Existem homens que lutam um dia e são bons;
existem outros que lutam um ano e são melhores;
existem aqueles que lutam muitos anos
e são muito bons. Porém, existem
os que lutam toda a vida. Estes são
os imprescindíveis”.
Bertolt Brechet

“Agora, pois o Senhor me conservou em vida,
como falou; quarenta e cinco anos há desde que o Senhor
falou a Moisés, andando Israel ainda no deserto.
E já agora tenho oitenta e cinco anos de idade e ainda estou
tão forte como no dia em que Moisés me enviou;
qual era a minha força então, tal ainda é agora,
para a guerra, para sair e para entrar”.
Josué 14: 10-11

“Quando um homem de Deus desistir de algo que é de suma importância para sua vida, pode ser o primeiro passo para uma série de sucessivas desistências no decorrer da sua trajetória”.

Como trabalhar para que isso não aconteça? Como lutar para que os desafios que tentam nos impedir de ver a ação de Deus no deserto não nos façam enterrar nosso ministério e abandonar as promessas de Deus feitas a nós?

A Bíblia fala de um homem que desafiou os limites da idade e de tudo o que poderia impedi-lo na conquista de um território prometido por Moisés. Esse homem, chamado Calebe, “o cão de Deus”, nos deixa o exemplo de como podemos nos manter vivos em nossos projetos e alvos, mesmo em meio às muitas adversidades e às muitas limitações.

Com Calebe aprendemos
que não há sonhos impossíveis e nem espaço
de tempo que sejam capazes de fazer parar
um homem movido por propósitos e confiança em Deus

Porque os sonhos impossíveis são aqueles que nós perdemos em nossa mente e coração com o passar do tempo.

Calebe estava dizendo que não há barreiras para os que vivem e caminham respirando as promessas que Deus fez um dia. Às vezes tentamos desistir de projetos que Deus colocou em nosso coração porque encontramos resistências por parte das Igrejas, ou por parte de pessoas que estão ao nosso lado. E, ao invés de procurarmos mudar o quadro da nossa vida e marcar a história do lugar onde Deus nos plantou, aceitamos ser tomados por um sentimento de derrota e mediocridade.

Isso ocorreu porque esperávamos que tudo acontecesse como num passe de mágica. Por exemplo, que a Igreja iria explodir em números de imediato, quando às vezes ocorreu o contrário. Mas Deus não nos deixa esquecer de suas promessas e, nesses momentos, nós não podemos deixar de continuar, ou seja, de levar o povo a respirar essas promessas.

Já pensou quantas batalhas Josué venceu? Quantos territórios conquistou para outros homens? Quantas rebeliões presenciou? Quantos iam morrendo ao seu lado na caminhada? Mas, com certeza, algo o manteve vivo durante todos aqueles anos: a esperança de chegar à terra que Moisés prometeu. Nós, igualmente, precisamos manter bem vivos em nossa memória os propósitos de Deus e suas promessas. E saber que não é impossível conquistá-las.

Quer se manter vivo no ministério? Apegue-se às promessas que Deus lhe fez um dia!

Com Calebe aprendemos
que a verdadeira vitória consiste em gastar
a vida pela causa que abraçamos

Foram muitos anos. Eu fico imaginando Calebe esperando o momento de pisar na terra que seria sua. Vendo a conquista dos outros e fazendo parte delas, lutando por elas. Vivendo aquele intervalo entre a promessa e a bênção (sempre mais difícil), quando vem o desânimo pela demora. Mas no seu coração algo dizia: a minha hora vai chegar!

É assim a nossa luta diária para conseguir o que esperamos. Gastar-se. Como a história daquele violinista que estava tocando esplendidamente o seu violino, quando uma mulher lhe disse que daria tudo para tocar como ele, ao que ele respondeu que foi isso que ele fez: deu a sua vida para tocar daquele jeito. Gastar a vida é entregar-se à causa pela qual estamos lutando, mesmo que pareça difícil. Fazer de tudo por aquele objetivo. Viver em função do cumprimento do alvo.

Você estaria disposto a gastar sua vida não somente por programações, mas por pessoas? Para isso Deus nos chamou.

Lembro de ter lido a história de dois homens que pertenciam ao grupo dos moravianos, fundado pelo conde Nicolau Van Zinzendorf. Esse grupo tornou-se um dos maiores movimentos de intercessão do mundo. Eles abriam mapas dos países e intercediam sobre eles. Esses dois jovens pegaram o mapa da África e começaram a orar para que o Senhor os levasse até o lugar certo para evangelizar. Caiu a sorte numa ilha onde não se podia pregar o evangelho. Como chegar lá? Eles se venderam como escravos e foram em direção à África. E, quando o navio estava deixando o porto, eles disseram a frase que se tornou o lema do movimento: “O sacrifício de Jesus é digno”.

Neste momento me vêm à memória nossas reuniões com o grupo de missões do seminário. Quantas vezes fiz a oração citando o lema do grupo, que era baseado na Segunda Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo doze, versículo quinze, onde diz: “Eu de muito boa vontade gastarei e me deixarei gastar em prol das vossas almas, ainda que amando cada vez mais, seja menos amado”. É isso.

Abraçar a causa do Mestre é um desafio cansativo. Mas é a causa que abraçamos. Votos e projetos ministeriais não podem ser esquecidos devido ao cansaço. É necessário manter-se firme, porque o sacrifício pelo Senhor justifica tudo o que temos feito. Gaste-se por isso!

Quer seja a sua uma grande Igreja, quer seja uma pequena Igreja. Ou, quem sabe, você se reúna numa casa ou numa tenda. Parece que vai ser além das suas forças. Mas saiba de uma coisa: “o sacrifício de Jesus justifica o que você tem feito”. Mesmo que pareça não haver resultado, ou que pareça que ninguém esteja vendo. Volte a respirar as promessas de Deus para a sua vida! Lute pelo cumprimento delas. Gaste a sua vida por elas. Porque, ao final, você vai ver que valeu a pena!

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2007

Enfrentando a vida com a visão de Deus – Abril/2007

Parece que até Salomão
perdeu o ar da graça
quando a indignação
tomou conta de seu coração

Todos já tiveram aquele dia de não ter disposição nem mesmo para enfrentar a vida, quando a vontade foi de ficar na cama, quando um mau humor o deixou impaciente com as pessoas e com tudo. Essa é uma realidade na vida do homem, principalmente quando passa por momentos críticos.

Salomão ensina que o estudo da Bíblia produz uma visão consciente e construtiva a respeito da realidade. Ler Eclesiastes 3: 1-15 sem o devido estudo pode parecer que Salomão estava passando por um dia daqueles e que perdeu o ar da graça. Parece que a indignação tomou conta do seu coração. Assim, a vida narrada na perspectiva de Salomão é totalmente sem sentido, depressiva.

Os primeiros versículos dão a impressão de que os acontecimentos vão surgindo sem muita razão e as únicas coisas que restam são explicações simples e racionais para tudo. Ora se nasce, ora se morre, ora se edifica, ora se destrói, ora se ri, ora se chora. Como se tudo passasse pela vida sem sentido algum.

Para o homem sem Deus, pode ser assim mesmo porque ele é vazio. No entanto, o verso 11 mostra a vida com uma visão consciente e construtiva a respeito da realidade: “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo”. Salomão ensina muito a respeito da vida. Este texto e o estudo da Bíblia mostram como viver melhor.

Salomão ensina que os acontecimentos da vida não são uniformes, não são iguais. Nem todos, hoje, têm motivos para sorrir. Para alguns, hoje está sendo tempo de edificar, de plantar e de se alegrar. Tempo onde as coisas não poderiam estar melhores. Para outros, está sendo tempo de destruir e de arrancar o que plantaram durante a vida inteira: desistem de sonhos, desfazem de bens para sobreviver e assim por diante. Há aqueles que estão no tempo de insatisfação nas mais diversas áreas ou momentos de dor, e até de morte.

É difícil entender o momento que o ser humano está passando, porém: “as dores da nossa história não tiram a beleza da vida por si só” (anônimo). Nesses momentos, é preciso entender que as dores e dissabores não alteram o agir de Deus. Depois de alinhar tantos elementos contraditórios, Salomão complementa que Deus fez formosos os mínimos detalhes da vida, da família, do lar, da igreja e assim por diante.

Salomão ensina que o ser humano precisa aprender a existir com discernimento, sabedoria e entendimento. Ensina a buscar sabedoria para viver os acontecimentos ao seu tempo. A grande dificuldade do homem é aprender a viver a experiência certa no tempo certo. É impressionante como ele sempre vive desajustado, fora do tempo com os filhos, com o cônjuge, com Deus, com tudo.

Constantemente, as pessoas se lamentam: “se eu soubesse que os filhos cresciam tão rapidamente, teria aproveitado mais tempo com eles, enquanto ainda estavam no meu controle”. Muitas vezes, o ser humano lamenta por algo que não volta mais. Por isso, é necessário aprender a viver com discernimento. Muitas pessoas amam na hora errada e, por isso, se separam na hora em que não queriam. Não aprendem a sorrir na hora certa e, por isso, choram na hora errada. Não discernem a hora de abraçar e, por isso, se afastam quando não queriam.

Finalizando, a maioria das pessoas não tem discernimento algum para existir e apenas passam pela vida. Não sabem quando edificar ou quando parar. Quando abraçar ou quando se afastar. Às vezes antecipam, outras vezes atrasam. Precisamos aprender a viver cada fato no seu tempo certo. A vida é uma dádiva de Deus. Precisamos aprender a fazer algo de bom com ela e aproveitar o máximo daquilo que Deus nos tem dado. Corra para aproveitar o tempo de Deus para você.

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Fonte: Jornal Aleluia de abril de 2007