O valor do discipulado – Janeiro/2016

O crescimento sustentável da igreja está ligado
ao valor que damos ao discipulado. Como vamos estudar neste artigo, discipulado é muito mais do que um método
de crescimento, é a essência
da igreja que cumpre o IDE de Jesus

1. O chamado para o discipulado. Jesus chama os seus discípulos por sua graça e autoridade. Não havia questionamentos, condições, concessões e garantias. O que estava em questão não era a estabilidade do discípulo, nem para o que o foi chamado, mas simplesmente a autoridade e a graça de Jesus. Mateus 9.9

2. O custo do discipulado. Seguir a Cristo não é tarefa fácil. Mudanças radicais têm de acontecer. Só pessoas com disposição podem atender a este chamado e pagar todos os custos. Lucas 14.28-33 Isso não deve desanimar o discípulo, mas estimulá-lo a pagar os custos com alegria em todos os seus aspectos, porque Jesus pagou um alto preço pelos seus discípulos.

3. A Cruz do discipulado. Leva o discípulo a viver em total negação do “eu”, significando que o discípulo agora, não segue o seu próprio caminho, e sim o caminho de submissão ao senhorio de Cristo. É a crucificação e a mortificação do velho homem. Gálatas 2.20

4. A Palavra do discipulado. O discipulado deve ser bíblico, pois só assim se estabelecerá o fundamento de fé e prática do discípulo. A fonte de conhecimento do discipulado que gera crescimento sustentável é a Palavra de Deus.

5. A oração do discipulado. No discipulado de Cristo, a oração sempre foi exercitada em todas as áreas e momentos de Seu ministério. O discípulo, que tem como fundamento de seu discipulado a vida de Cristo, entende que na caminhada do discipulado é imprescindível orar.

6. A santidade do discipulado. O convite para o discipulado sem santidade é fruto da graça barata. Discipulado é o processo de santificação realizada por meio do Espírito Santo. Gálatas 5.16-26. O discípulo não entra para uma espécie de vida de perfeição, mas entra para uma vida de entrega total e obediência a Deus.

7. O serviço do discipulado. É o chamado para servir a Cristo, aos irmãos e à obra de Deus. Cristo ensinou e deu o exemplo sobre o serviço cristão na última ceia. Leia João 13 O serviço cristão é caracterizado por amar, ouvir, ajudar e levar as cargas uns dos outros.

II – TRANSFORMANDO PESSOAS COMUNS EM DISCÍPULOS

O chamado para o discipulado é o processo de transformar pessoas comuns em discípulos de Jesus. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio do relacionamento com Cristo.

1. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio do relacionamento com Cristo. Cristo chamou pessoas para vínculos de relacionamentos, ligaduras no espírito, alianças entranháveis, compromisso de submissão, de andar na luz, de se deixar tratar. Esse comprometimento é que define se o relacionamento é ou não discipulado. Uma pessoa que decide discipular outras, precisa seguir este caminho proposto por Jesus, transmitir vida por meio do modelo de relacionamento. 1 Coríntios 11.1

2. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio de um ato de obediência. Em Lucas 9.57-62, vemos que discipulado não é uma confissão oral de fé, mas um ato de obediência em fé à ordem: “vai e anuncia o Reino de Deus” e à realidade: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” .

3. Pessoas comuns são transformadas em discípulos quando deixam tudo para trás e andam ao lado de Jesus. Em Lucas 5.1-11, Observamos que o conteúdo do discipulado é largar as redes, atender ao convite para pescar homens e seguir a Jesus como algo vivencial. E, neste caminho de vida, o discípulo aprenderá e crescerá nas verdades do Evangelho.

III – TRANSFORMANDO DISCÍPULOS EM LÍDERES
MULTIPLICADORES

Tudo o que estudamos até aqui, foi o processo de transformar pessoas comuns em discípulos. Agora, vamos estudar como podemos transformar discípulos em líderes multiplicadores por meio do cumprimento do IDE de Jesus. Mateus 28.19, 20.

1. O Líder multiplicador de discípulo. Fazer discípulos é a Grande Comissão da igreja. Enquanto o discípulo caminha na dinâmica do discipulado, faz discípulos de todas as nações. Reproduz vida e caráter como Jesus fez.

2. O Líder multiplicador de sacramento. Jesus deu duas ordenanças à igreja, conhecidas como sacramentos: Batismo e Santa Ceia. O líder multiplicador tem o dever de levar os discípulos a cumprir os sacramentos. Batizá-los em nome da trindade e posteriormente fazer parte da mesa do Senhor.

3. O Líder multiplicador de ensino. Liderar é multiplicar ensino. É ensinar os discípulos a observar o Evangelho integralmente. Uma igreja que quer crescer sustentavelmente tem de investir na multiplicação do ensino por meio do discipulado.

4. Líder multiplicador em Pequenos Grupos. As pessoas que estão sendo ganhas, discipuladas, batizadas e ensinadas devem ser conectadas a um Pequeno Grupo. Ali serão cuidadas e treinadas para se tornarem líderes multiplicadores.

CONCLUSÃO

Aprendemos neste estudo, a importância do discipulado como essência da igreja verdadeira. Com isso, devemos valorizar o discipulado em Pequenos Grupos para alcançar a nova geração. O crescimento da igreja por meio do discipulado não será explosivo, mas gradativo, integral e sustentável.

NOTAS IMPORTANTES

O QUE NÃO É DISCIPULADO

a. Discipulado não é sala de aula de batismo. Ela pode ser uma excelente forma de ensino, mas não é tudo.

b. Discipulado não é aconselhamento. Isso é bom para ajuda mútua.

c. Discipulado não é ensino bíblico. Isso é muito necessário para o crescimento cristão.

d. Discipulado não é um programa ou modelo para o crescimento da igreja. Isso é muito bom para firmar aqueles que acabaram de se converter. E auxilia no crescimento da igreja.

Todos esses métodos de trabalho fazem parte do discipulado,
mas não são a sua essência.

CONCEITO ETIMOLÓGICO DE DISCIPULADO

No grego, a primeira palavra que traz a ideia de discipulado é “akolouthein”, um verbo que significa ‘seguir’. A segunda palavra é “mathetes”, que significa ‘vincular-se a outra pessoa a fim de adaptar-se a ela e adquirir conhecimento prático e teórico’. A terceira palavra é “mimeomai,” que significa ‘imitar’, que enfatiza a natureza de um tipo especial de comportamento, modelado em outra pessoa.

ALGUNS EXEMPLOS DE DISCIPULADO NO NOVO TESTAMENTO

a. JOÃO BATISTA e seus discípulos. Mateus 11.1-7, Marcos 2.18-22, João 1.35-37.

b. BARNABÉ E SAULO. Atos 9.26-28

c. PAULO E TIMÓTEO. 1Timóteo 1.2, 2Timóteo 2.2

A pessoa que foi chamada larga tudo quanto tem, não para fazer algo que tenha valor especial, mas simplesmente por causa daquele chamado, porque, de outro modo, não pode seguir a Jesus. A esse ato não se atribui o menor valor. Em si, continua sendo uma coisa absolutamente destituída de importância, sem merecer atenção […]. Uma vez chamada para fora, a pessoa tem que abandonar a existência anterior, tem que simplesmente “existir” no sentido rigoroso da palavra. O que é velho fica para trás, totalmente abandonado. (BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 8ª edição. São Leopoldo: Sinodal, 2004, p. 21)

A paisagem cristã está coberta de escombros de torres inacabadas e abandonadas – ruínas daqueles que começaram a construir e não puderam terminar. Milhares de pessoas ainda ignoram esta admoestação de Jesus e decidem segui-lo sem primeiro pararem para considerar o custo disso. O resultado é o grande escândalo da cristandade moderna, chamado Cristianismo nominal. […] Não é de se admirar que os cínicos falem de hipócritas na igreja e dispensem a religião por considerá-la um escapismo (STOTT, John R. W. Cristianismo básico. Viçosa, MG: Ultimato, 2007, p. 108)

A imagem usada por Jesus, quando disse que o discípulo que quisesse segui-lo, deveria tomar a sua cruz, era a de um criminoso condenado à crucificação. Ele tinha que carregar a sua cruz até o local da crucificação. Era um caminho sem volta. Esta imagem era comum para aqueles que ouviram este chamado para cruz. O discípulo verdadeiro é aquele que carrega a cruz, mesmo sabendo que é um caminho sem volta.

Como implantar Pequenos Grupos na Igreja local – Setembro/2014

Existem várias maneiras de implantar Pequenos Grupos na Igreja Local. Todas são válidas e possuem aspectos positivos e negativos. Vou compartilhar, neste texto, alguns aspectos importantes, utilizando o texto em que Paulo escreve a Timóteo sobre a transmissão do Evangelho, para a implantação bem-sucedida de Pequenos Grupos.

I – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO EM PEQUENOS
GRUPOS COMEÇA NO MENTOR DA VISÃO

Paulo diz a Timóteo que ele deveria transmitir a outros o que dele aprendera. Paulo é o Mentor da visão. Foi ele quem incentivou Timóteo a compartilhar para outros o Evangelho.

Na Igreja Local, o pastor titular tem de ser o mentor da visão. Ele não pode transferir isto para o pastor auxiliar ou para qualquer outro líder. Ovelhas seguem o Pastor. Alguns pastores querem implantar em suas igrejas o projeto, mas não querem assumir a mentoria. Isto é um risco. A implantação pode até acontecer, mas não subsistirá.

O mentor tem de entender, de forma completa, todo o conteúdo do projeto em Pequenos Grupos: a base bíblica; o que são pequenos grupos; quais são os objetivos bíblicos dos Pequenos Grupos; quando se reúnem; a quantidade de pessoas em cada Pequeno Grupo; como são as reuniões; o que pode acontecer em uma igreja sem pequenos; e as razões para ter Pequenos Grupos na Igreja Local. São coisas básicas, mas que fazem a diferença na implantação.

O mentor tem de amar o projeto. Se o pastor implantar o projeto só para ter mais um programa na igreja, falhará. O pastor tem de estar apaixonado pelo projeto. Sem amor não haverá sucesso. O pastor só amará o projeto quando ele conhecer todo o seu conteúdo.

O mentor tem de entender que a implantação é um processo. Muitos líderes tentaram implantar Pequenos Grupos em suas igrejas e se frustraram porque acharam que seria instantâneo, e não é. Não adianta o pastor reunir a sua igreja e dizer que agora a igreja trabalhará em Pequenos Grupos e esperar que toda a igreja esteja envolvida. A implantação é um processo e isto leva anos. Pelo menos dois anos.

Finalmente, o mentor tem de entender que a implantação do projeto acontece em oração. Se o pastor assumir a mentoria, assimilar o conteúdo e o processo de implantação e não orar, verá o projeto desmoronar. Todo o processo de implantação deve acontecer em oração.

II – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO EM PEQUENOS GRUPOS COMEÇA COM UM GRUPO PILOTO

Paulo diz a Timóteo que ele deveria confiar o ensino a homens que fossem fiéis e idôneos. Líderes da Igreja.

O pastor, na implantação do Projeto em Pequenos Grupos, deve começar pelo Pequeno Grupo Piloto. Este Pequeno Grupo será o início de tudo. O Pequeno Grupo Piloto será o primeiro da igreja e o modelo para os demais nas multiplicações. Este PG Piloto será composto por pessoas que o Senhor colocará no coração do pastor. Os homens fiéis e idôneos da Igreja.

Para a implantação do PG Piloto, o pastor local deve seguir basicamente estes sete passos:

Primeiro: ORAÇÃO
Jesus orou antes de escolher seus discípulos. Lucas 6.12-16

Esta narrativa nos aponta como foi a oração de Jesus.

a) Subiu ao monte a orar. Jesus queria intimidade com Deus. Orou em particular porque não queria errar na escolha dos discípulos. Antes de escolher seus discípulos para o PG Piloto, tenha um momento de oração e de intimidade com Deus. Um lugar em que ninguém o incomode.

b) Passou a noite em oração. Jesus perseverou em oração diante de Deus, para que este O orientasse quanto à escolha. A escolha de um discípulo acontece depois do investimento do nosso tempo em oração a Deus.

c) E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles. Depois do período íntimo e perseverante diante de Deus, Jesus, pela orientação de Deus, escolheu seus discípulos. Depois que você investir o tempo necessário e perseverar na oração, Deus vai mostrar a você, um a um, os seus discípulos para o Pequeno Grupo Piloto.

A oração não vai deixar você escolher pela aparência, assim como fez Samuel, antes de escolher Davi, porque o Senhor não vê a aparência, mas o coração. O Senhor vai colocar em sua vida pessoas que você levará, pelo discipulado, ao nível que Davi tinha com Deus.

Depois que Deus colocar em seu coração as pessoas que serão seus discípulos, não pare de orar. Agora, é hora de orar por elas, para que Deus prepare seus corações para que atendam o seu convite.

Segundo: OBSERVE ALGUMAS CARACTERÍSTICAS
QUE IDENTIFICAM O DISCÍPULO
EM POTENCIAL

Keith Phillips, em seu livro clássico sobre discipulado, A FORMAÇÃO DE UM DISCÍPULO, apresenta as seguintes características:

a) Ele deseja conhecer intimamente a Deus.

b) Ele está disponível.

c) Ele é submisso.

d) Ele é fiel.

e) Ele procura fazer discípulos

Além destas características, observe a frequência e a participação nos cultos e trabalhos da Igreja.

Terceiro: TOME A INICIATIVA E FAÇA O CONVITE

Este passo é fundamental. É aqui que a maioria dos líderes para. O medo, a incerteza e o desafio ficam maiores que o projeto. A maioria dos líderes sabe da importância do discipulado, mas param aqui. Por isso, a Palavra do Senhor para este momento é esta:

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.”

Deus já lhe mostrou quem serão os seus discípulos? Levante-se e faça o convite. No momento em que você fizer o convite, diga que orou antes e que foi o Senhor quem colocou em seu coração os nomes. Diga também que você observou que essa pessoa tem vontade de crescer e pode ser um líder de excelência.

Quarto: EXPLIQUE O QUE É O DISCIPULADO
E A VISÃO DO PROCESSO

Convide as pessoas que você escolheu para um café em sua casa e explique que o discipulado é um meio usado por Deus para o crescimento espiritual e no caráter de Jesus, tanto do discípulo quanto do discipulador, levando-os à maturidade. Diga que o discipulado é relacionamento e vocês vão crescer muito em Deus, por meio de uma reunião semanal para compartilhamento bíblico, aconselhamento e convívio. Diga que a visão do discipulado é que, depois de alguns meses, ele poderá discipular outras pessoas por meio dos Pequenos Grupos.

Quinto – DEIXE QUE A PESSOA DECIDA SE QUER
OU NÃO O DISCIPULADO

Depois que você fizer o convite, peça que ore por uma semana para que Deus confirme em seu coração a entrada dele no processo que mudará sua vida.

Sexto – MÃOS À OBRA

Depois que a pessoa responder a você positivamente, marque um dia que seja bom para vocês para o primeiro encontro.

Sétimo – O PRIMEIRO ENCONTRO

O encontro:

Escolha o lugar, pode ser em sua casa, na casa do discípulo, ou na Igreja.

O encontro deve ser em horários em que a Igreja não tenha programação.

As reuniões devem durar no máximo uma hora.

Sempre deve começar e terminar com orações.

Tenho o cuidado de não ser um professor ensinando algo. Deixe os discípulos falarem e tirarem as dúvidas.

Procure ser o mais claro possível.

Fique tranquilo, com o tempo os encontros se tornam mais leves.

São esses os passos básicos. Tudo muito simples, porém, se observados, resultarão numa boa implantação.

III – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
EM PEQUENOS GRUPOS COMEÇA
COM A ESCOLHA DO MATERIAL

Paulo diz a Timóteo que transmissão do conteúdo do Evangelho deveria ser por meio de ensino.

Na implantação do Projeto, o Pastor deverá elaborar um curriculum de estudos ou, de preferência, seguir o proposto pelo PESC. Este será o material que será utilizado no PG Piloto e nos demais PGs.

IV – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
EM PEQUENOS GRUPOS
DEVE VISAR À MULTIPLICAÇÃO

Paulo transmitiu as verdades do Evangelho a Timóteo que transmitiu a homens fiéis que transmitiram a outros. O Pequeno Grupo Piloto foi implantado para gerar líderes multiplicadores. Cada pessoa do PG Piloto, após o estudo da primeira revista ou, quando sentir segurança, deve começar um Pequeno Grupo do mesmo modo que o pastor começou o Piloto. Para isso, tudo o que foi exposto até aqui, o pastor deverá compartilhar no PG Piloto, após o término da primeira ou segunda revista, como treinamento para que os seus discípulos sejam líderes multiplicadores em outros PGs.

Durante todo o processo de abertura de novos PGs, o líder do novo PG permanece no PG Piloto. O PG Piloto nunca termina, pois é ele que dará sustentação à visão. Funciona assim: na semana, o líder participa do PG Piloto em um dia e, em outro, lidera o seu PG.

Quando houver as demais multiplicações, o líder que abrir um novo PG permanecerá no de origem. Ele sempre será ministrado e ministrará aos corações.

CONCLUSÃO

Estes são passos básicos que facilitarão a implantação dos Pequenos em sua igreja. Qualquer dúvida, durante o processo, pode entrar em contato comigo.

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Observação

Sou pastor da IPRB de Guarantã do Norte, MT. Com estes passos básicos
implantei os Pequenos Grupos em maio de 2013. Hoje, agosto de 2014, estamos
com 10 Pequenos Grupos. Pretendemos começar 2015 com 15 Pequenos
Grupos. Deus tem abençoado estas diretrizes de ação.
Flávio Santos. flaviws@hotmail.com

Pilares da Reforma Protestante – Outubro/2015

No dia 31 de outubro, os cristãos protestantes comemoram o dia da Reforma. Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero, protestou contra a Igreja Romana, afixando, à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, as famosas 95 teses contra vários pontos teológicos da doutrina romana. Tudo começou quando Lutero descobriu que a salvação era pela fé somente.

Além de Martinho Lutero, outros nomes são importantes para o movimento reformador. João Calvino, com sua mente privilegiada, sistematizando princípios doutrinários em sua Instituições da Religião Cristã, uma obra que tem servido, ao longo dos anos, para teólogos, professores e principalmente cristãos que buscam os valores verdadeiros do Cristianismo. Ulrich Zuínglio que, em sua época, queria fazer algo corajoso para Deus. E Menno Simons com a reforma radical, afirmando não haver outro fundamento, senão, aquele que foi estabelecido pela Palavra de Deus.

As proposições teológicas da Reforma Protestante são os Cinco Solas, que são frases latinas que surgiram para enfatizar a diferença entre a teologia reformada e a teologia romana. A palavra latina, sola, significa “somente” ou “apenas”, na língua portuguesa.

Os cinco solas são: Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia e Soli Deo Gloria. Esses são os pilares da Reforma Protestante. Vejamos em detalhes.

Sola Fide – Somente a Fé

O princípio “Sola Fide” é a afirmação de que o homem é justificado única e exclusivamente pela fé, sem o acréscimo das obras do mérito humano. Segundo a tradição reformada é o artigo pelo qual a igreja é sustentada. A justiça do Evangelho de que não nos envergonhamos é o poder de Deus para salvação. É do princípio ao fim pela fé pois, conforme a Carta de Paulo aos Romanos: O justo viverá pela fé.

A fé que justifica o homem é dom de Deus, é o meio pelo qual a justiça de Cristo é imputada ao pecador. Não há glória humana nisso. Pela fé somente, os pecados do homem são lançados sobre Cristo, o verdadeiro justo de Deus, que na Cruz cumpriu toda justiça de Deus. Daí o homem, no tribunal de Deus, ser declarado, de uma vez por todas, justo diante de Deus. A Igreja que quer se manter de pé tem de viver pela fé somente.

Sola Scriptura – Somente a Escritura

A Escritura é a única regra de fé e prática da igreja. Acreditamos em sua Inspiração, Autoridade, Inerrância, Clareza, Necessidade e Suficiência. É somente na Escritura que encontramos a história da salvação. É somente na Escritura que encontramos Jesus representado de várias formas e prometido de várias maneiras no Antigo Testamento, visto e cumprido no Novo Testamento.

É somente na Escritura que encontramos o fundamento da nossa Teologia, seja ela sistemática, bíblica, apologética, hermenêutica, exegética ou pastoral. É somente na Escritura que encontramos o que precisamos para conhecer o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e o Evangelho, para sustentar a fé e nortear a vida cristã.

Solus Christus – Somente Cristo

Somente Cristo foi a reação da Reforma contra a igreja secularizada e contra os sacerdotes que afirmavam sua posição especial para mediar a graça e o perdão de Deus por meio dos sacramentos. A reforma defendeu que a mediação entre o homem e Deus é feita somente por Jesus Cristo.

A salvação do pecador é obra de Cristo. A vida de Jesus sem pecado expiou os homens de seus pecados. Isto trouxe justificação e colocou o homem em uma nova posição com o Pai. A posição de filho por meio da reconciliação. Jesus Cristo é o único salvador. Cristo é central na reforma protestante.

Sola Gratia – Somente a Graça

Além de a graça ser um dos atributos de Deus é, também, o próprio Cristo em Sua encarnação. E é o Espírito Santo quem aplica a graça ao coração do pecador.

A teologia divide a graça em comum e especial. A graça comum é aquela que é comunicada a todos os homens. É a que dá aos homens bênçãos sem medida. A chuva de Deus cai sobre justos e injustos. A graça especial é soteriológica, pois é por meio dela que o homem é salvo. É a comunicação da salvação de Deus ao pecador.

O termo “sola gratia”, refere-se a tudo que o homem possui, e, em especial, à salvação, que é pela graça somente. É pela graça somente que o homem é eleito, regenerado, justificado, santificado e glorificado. É pela graça somente que o homem recebe os dons espirituais e talentos que são usados em favor do Reino. É pela graça somente que o homem recebe as bênçãos de Deus.

Soli Deo Gloria – Somente a Deus a Glória

Soli Deo Gloria é o pilar da Reforma Protestante que afirma que o homem foi criado para a glória de Deus. Como o homem foi criado para dar glória a Deus tudo que ele faz deve ser destinado à glória de Deus. Soli Deo Gloria é o princípio pelo qual toda glória é dada a Deus no processo de salvação. A vida do cristão é vivida diante de Deus e sob sua autoridade. Isso é para a glória de Deus. A ele seja a glória eternamente! Amém. Romanos 11.36 O grito dos reformadores foi para que a Igreja voltasse aos moldes do Cristianismo primitivo. Que a Igreja retornasse à simplicidade do Evangelho. Que a Igreja vivesse apenas pela fé. Que a igreja vivesse apenas na Escritura. Que a Igreja vivesse apenas em Cristo. Que a Igreja vivesse apenas a Graça. Que a Igreja vivesse apenas para a glória de Deus.

Esse deve ser o nosso grito ao comemorar a Reforma Protestante!

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Outubro de 2015