Em quem confiar nas horas de crise?

“Entre os ídolos inúteis das nações existe algum
que possa trazer chuva?
Podem os céus, por si mesmos, produzir chuvas copiosas?
Somente tu o podes, Senhor, nosso Deus!
Portanto, a nossa esperança está em ti, pois tu fazes
todas essas coisas.”

Jeremias 14: 22

A crise hídrica em algumas regiões de nosso país é notícia constante nos meios de comunicação. Todos os dias, fala-se sobre a falta d’água em São Paulo e em outras regiões do Sudeste brasileiro. Os reservatórios que abastecem toda a região metropolitana da capital paulista estão com pouquíssima água. Crescem, por isso, as campanhas para uso consciente da água.

O que é problema gravíssimo para o Sudeste virou até piada em outras regiões do país. Recentemente, um garoto do Acre postou um vídeo que, até 15 de fevereiro, havia tido mais de 500 mil visualizações só no Facebook. O menino abre uma torneira, entra embaixo de muita água e zomba dos paulistanos.

O Brasil é rico em recursos hídricos. Nosso país tem de 12 a 16% da água doce disponível no planeta. Mas a concentração desse precioso líquido está nas regiões onde as florestas são mais preservadas e a população é menor. Por isso, no litoral brasileiro e nas regiões Sudeste e Nordeste, onde estão 70% da população, os centros urbanos sofrem por falta d’água.

As perspectivas, infelizmente, não são boas. Os estudiosos do clima preveem para os próximos anos aumento de temperatura e redução significativa das chuvas.

Quanto desperdício de água se vê na lavagem de carros e de calçadas. Quanta água desperdiçada nos longos banhos. Tudo isso colabora para a escassez que agora vivenciamos. E há, também, a culpa dos governantes, que não tomaram medidas antecipadamente para evitar a crise.

O profeta Jeremias e a seca

Uma forte crise hídrica também foi o tema abordado em Jeremias 14. A seca trazia prejuízos incalculáveis para o povo. O profeta menciona as dificuldades vividas nas cidades pela falta de chuvas (vv. 2-3); fala sobre a seca nos campos (v. 4) e o sofrimento dos animais pela falta de comida (vv. 5-6). As cidades definhavam, as cisternas estavam vazias, os agricultores nada colhiam, os animais pereciam. O povo estava desesperado.

Jeremias associa a seca que seu país vivia ao juízo divino. Havia pecado, afastamento de Deus, esquecimento da lei, prostituição religiosa. Jeremias, então, afirma: “Embora os nossos pecados nos acusem, age por amor do teu nome, ó Senhor! Nossas infidelidades são muitas; temos pecado contra ti. Ó Esperança de Israel, tu que o salvas na hora da adversidade… não nos abandones”.

Não podemos dizer que o Brasil vive seus melhores dias. Hoje, 23 de fevereiro de 2015, há manifestações de caminhoneiros em sete estados brasileiros, parando rodovias, pedindo preços mais baixos de combustíveis, pedágios mais baratos, fretes mais compensadores. No Paraná, professores estão em greve com várias reivindicações ao governo. Sinais de corrupção há por todo lado, em todos os poderes. Fala-se em recessão econômica em 2015. Que fazer em situações assim?

Na hora da crise, o profeta Jeremias vê uma só saída: clamar pela intervenção de Deus. Ele afirma que os ídolos pagãos não poderiam faziam chover. Nem a natureza, por si, segundo o profeta, tinha o poder de derramar copiosas chuvas.

A fé que Jeremias nutria em seu coração apontava para o Senhor como sendo aquele que tem tudo sob o seu domínio, inclusive a natureza. Por isso, diz o profeta: “Nossa esperança está em ti.”

O profeta nos ensina que, em todos os momentos, precisamos compreender que o Senhor tem o controle de tudo. Ele é soberano. Ele faz chover. Exemplo disso foi a experiência do profeta Elias, que orou e por três anos e seis meses não choveu; depois, orou de novo, e choveu abundantemente (1Rs 17, 18; Tg 5:17-18).

Embora haja razões científicas para explicar a falta de chuvas, as Escrituras nos fazem ver a questão sob outra perspectiva, com olhos de quem conhece o sobrenatural poder de quem criou todas as coisas e que rege o universo segundo seu querer.

Lembro-me de um professor de Teologia, vindo da América do Norte, que fora missionário no interior do Piauí por alguns anos. Ele contava a história de um missionário, também no Piauí, que enfrentara forte resistência ao pregar o Evangelho.

Num período de intensa seca, certa vez aquele missionário orou, pedindo chuva. Ninguém acreditava que, em terra tão árida, com um período tão prolongado de estiagem, uma simples oração pudesse fazer chover. Para surpresa de todos, choveu logo após a oração. A resposta àquela súplica do missionário fez o povo ver que há um Deus soberano, que controla a natureza. Lembro-me, também, de um edificante testemunho de um produtor agrícola, temente a Deus, que em período de seca, orou e viu chover sobre suas terras.

Experiências assim fortalecem nossa fé. Em pleno século XXI, do império da ciência e da tecnologia, do esfacelamento das verdades absolutas, em que reina uma fé que se apega ao que pode ser visto, tocado e sentido, devemos voltar os olhos e o coração às verdades eternas das Escrituras, que nos revelam um Deus que tudo criou e que jamais perdeu o controle sobre sua criação. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.” (Sl 19: 1)

O Senhor a quem servimos é soberano e controla a natureza. Diante desse Deus nos curvamos. Nele está a nossa esperança porque ele faz até os céus produzirem copiosas chuvas.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2015
Disponível em Issuu

A questão teológica da singularidade de Cristo – Jornal Aleluia 232

Aqueles que nunca ouviram
o evangelho serão salvos?

Quem nunca fez uma destas perguntas: “os que jamais ouviram o Evangelho estão perdidos?”; ou então “os índios vão ser salvos?”.

Em nossas escolas bíblicas dominicais, ou nas conversas sobre evangelismo e missões, sempre surgem dúvidas como essas.

Normalmente nossas respostas são muito evasivas, se é que temos alguma. Não refletimos sequer nas implicações que elas possam vir a ter.

Teólogos, pastores e seminaristas fazem a mesma indagação e procuram investigar o assunto sob uma perspectiva bíblica, teológica e filosófica.

A globalização, o pluralismo religioso, a extrema valorização da religiosidade de cada povo como fenômeno cultural, o crescente contato entre os povos e o intercâmbio entre pessoas de diversas culturas vêm fazendo surgir diferentes respostas quanto à salvação dos que nunca ouviram a pregação do Evangelho. Na prática, parece que a mentalidade moderna não admite mais a concepção de que só o Cristianismo têm a resposta única para a salvação humana. Nosso sentimentalismo e todas as influências da globalização nos impedem que afirmemos que os budistas, os muçulmanos, ou os índios, para citar alguns exemplos, que nunca ouviram sobre Jesus, e, portanto, não crêem n’Ele, estão indo para o inferno. Preferimos ignorar o assunto, ou então, bem lá dentro de nós, cremos que, no final, Deus vai dar um “jeitinho”.

A afirmação da singularidade de Cristo como Salvador do mundo, ou seja, dizer que só Jesus salva, é um tema que vem sendo largamente discutido nos Estados Unidos. Diferentes livros sobre o assunto estão sendo publicados. No Brasil, ainda não temos discutido amplamente essa temática, mas mesmo inconscientemente, e sem o necessário debate, possuímos nossas idéias e respostas. Alguns pastores que andaram pesquisando o pensamento de membros de suas igrejas sobre isso se assustaram ao perceber que a maioria dos crentes não achava que a pregação do Evangelho aos povos não-alcançados fosse essencial porque, de alguma forma, Deus iria salvá-los, mesmo sem a ajuda de missionários humanos. Já pensou nas implicações disso para missões?

O tema está sendo discutido no Brasil nos meios teológicos por causa de sua grande relevância. Afirmar, ou então negar, a singularidade de Cristo como Salvador, têm implicações para diversos aspectos da fé cristã, indo a soteriologia (doutrina da salvação) à missiologia (estudo de missões). Como subsídio para a discussão do assunto, a Editora Aleluia lançou um livro sobre o tema. Chama-se E Aqueles que Nunca Ouviram? Três pontos de vista sobre o destino dos não-evangelizados.

As respostas

Alguns teólogos acreditam que mesmo aquelas pessoas que nunca ouviram o evangelho podem ser salvas. Se, através da criação – revelação geral – vierem a crer em Deus, ainda que não conheçam a Jesus, serão redimidas de seus pecados. Dizem que qualquer religião pode ser um instrumento útil para aproximar a pessoa de Deus. Isso é chamado de “inclusivismo”, porque Deus inclui todos em sua graça, antes de excluí-las no julgamento. Mas a fundamentação bíblica desse ponto de vista é muito questionável.

Outros dizem que ninguém será salvo com base no conhecimento que possam ter de Deus através da natureza. No entanto, chegam ao absurdo de afirmar que, logo após a morte, aqueles que nunca ouviram o Evangelho terão uma oportunidade de dizer “sim” ou “não” a Jesus. Deus concederá a todos os homens a chance de ouvir o evangelho e optar, ou não, pela redenção trazida por Jesus. Tomam por base alguns textos difíceis de 1 Pedro (como o cap. 3: 18ss). Dão ao seu ponto de vista o nome de “perseverança divina” ou “evangelismo post-mortem”

Há também os teólogos que ensinam não haver qualquer oportunidade de salvação para o homem, se não existir conhecimento de Cristo e uma resposta pessoal e consciente ao seu chamado. Essa posição é conhecida como “exclusivismo”; às vezes também “restritivismo”. Para que alguém seja salvo, é fundamental ouvir o Evangelho nesta vida e fazer uma decisão por Jesus. Essa é a interpretação que mais parece se afinar ao ensino geral das Escrituras Sagradas.

Os três pontos de vista mencionados aqui – inclusivismo, perseverança divina e restritivismo – são amplamente discutidos na obra E aqueles que nunca ouviram? Três pontos de vista sobre o destino dos não-evangelizados, que a Editora Aleluia publicou. O livro foi escrito por três professores de teologia norte-americanos. É em forma de debate. Cada autor expõe seu ponto de vista e, depois, seu pensamento é avaliado e criticado em duas réplicas escritas pelos co-autores.

A linguagem do livro é clara, com excelente fundamentação. Originalmente foi publicado em inglês pela Inter Varsity Press. A leitura dessa obra irá ajudar todos os que sempre buscaram resposta para a pergunta: “o que vai acontecer aos que jamais ouviram a pregação do Evangelho?”.

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Fonte: Jornal Aleluia 232

Pr. Jonathan Ferreira dos Santos – Outubro/2002

Um dos líderes do movimento de renovação
instaurado na década de 60, do século XX
Um dos fundadores da Igreja Cristã Presbiteriana
Fundador e diretor do Instituto Bíblico de Cianorte, atualmente Seminário Presbiteriano Renovado
Fundador e Diretor da Missão Antioquia

Pr. Rubens Paes e Pr. Francisco Barretos

Origem e preparo teológico

A origem do pastor Jonathan é muito humilde. Tendo nascido em uma família pobre, começou a trabalhar cedo. Ainda criança, vendia frutas para ajudar no orçamento da família. Só aos sete anos de idade é que ganhou seu primeiro par de sapatos.

Contudo, as dificuldades financeiras não foram empecilho à vocação divina. Jonathan Ferreira dos Santos formou-se no Seminário Presbiteriano de Campinas, instituição de renome no meio evangélico brasileiro. Após sua graduação, a Junta de Missões Nacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil colocou diante dele três opções: Porto Alegre, RS; Dracena, SP, e Cianorte, PR. Após orar, deixou a decisão para a própria Junta. Como não havia ninguém disposto a ir para Cianorte, esse foi o campo que lhe designaram.

Em janeiro de 1962, o Pr. Jonathan e D. Euza dirigiram-se a Cianorte. As estradas eram ruins, não havia asfalto, as travessias dos rios eram feitas em balsas. Sua esposa deixara um excelente emprego. D. Euza, pessoa fina e requintada, sofreu com as dificuldades que havia na Cianorte dos anos 60. Mas Deus abriu as portas e foi suprindo as necessidades. Poucos meses depois que o casal havia chegado à cidade, D. Euza foi nomeada diretora da única escola que havia em Cianorte.

Devido à sua formação teológica, resistia a princípio as idéias pentecostais. Mas participou de um encontro de avivamento em Belo Horizonte, dirigido pelo pastor Eneias Tognini, e ali foi batizado com o Espírito Santo. Seu ministério tomou uma nova direção.

Fundação do Instituto Bíblico

Em 12 de agosto de 1965, o pastor Jonathan fundou o Instituto Bíblico Presbiteriano de Cianorte. Funcionava inicialmente nas dependências da Igreja Presbiteriana, à rua Porto Seguro. “Era um instituto que não tinha prédio, nem professores, mas tinha alunos”, brinca o pastor Jonathan.

Contudo, aquele projeto estava no coração de Deus. Em janeiro de 1966, o pastor Jonathan recebeu a doação de uma quadra inteira para lá instalar o Instituto Bíblico. Vieram alunos dos estados de Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina e de muitos outros lugares do Brasil. Os anos de 1966 a 1976 foram marcados pelas mais poderosas manifestações de Deus, relata o Pr. Jonathan.

O Pr. Adolfo Neves foi aluno do Instituto nos anos de 1968 a 1971. Naquela época o número de alunos chegou a 120. Segundo ele, o trabalho do pastor Jonathan foi marcado pela coragem e pela determinação.

Também o pastor Lauro Celso de Souza conheceu o pastor Jonathan na década de 1960. Oraram juntos muitas vezes, fizeram diversas vigílias e viagens. Numa frase de rara inspiração, disse o pastor Lauro: “Tive e tenho o pastor Jonathan como ministro referencial do Evangelho de Jesus Cristo”.

Em 1976, o pastor Jonathan saiu de Cianorte e foi para Londrina. Depois, foi para São Paulo. Há diversos anos, dirige a Missão Antioquia, sediada no Vale da Bênção, em Araçariguama, SP. Lá é feito um trabalho assistencial em que se cuida de 400 crianças. A Missão Antioquia tem mais de 100 missionários em 20 países. A visão que deu à luz a Missão Antioquia nasceu em reuniões de oração realizadas no Instituto Bíblico de Cianorte.

Diretores do Seminário de Cianorte

Desde o ano 2000, o Seminário de Cianorte está sob a direção do pastor Esdras Mendes Linhares. Foram diretores desta instituição: Jonathan Ferreira dos Santos, Décio de Azevedo, Enoque Pereira Borges, Joel Ribeiro de Camargo, Palmiro Francisco de Andrade, José Sidney Dantas, Altair do Carmo Mateus Nunes e Joel de Campos Perroud.
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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2002

Complemento
Falece a esposa, dona Eusa

Depois de longos dez anos de luta contra enfermidade pertinaz,
a irmã Eusa, esposa do Pr. Jonathan F. dos Santos,
faleceu, no dia 25/02/2011, aos 77 anos.

A IPRB no contexto religioso brasileiro – Julho/2003

A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil
está vivendo uma nova onda
de despertamento. Igrejas locais estão crescendo,
novos presbitérios estão sendo fundados
e tanto a liderança como a membresia
estão conscientes de sua responsabilidade
neste mundo decadente. A denominação
está trabalhando em diferentes áreas,
a fim de oferecer maior contribuição à sociedade

Áreas que a IPRB está priorizando:

Ajudando espiritualmente as pessoas
através das igrejas locais

As igrejas locais têm tido o mais importante papel na denominação. Nelas os crentes são alimentados com a Palavra e treinados para fazer evangelismo pessoal. Algumas estão implantando o sistema de células ou trabalhando com pequenos grupos. Além das atividades normais de evangelismo, muitas igrejas locais têm programas específicos para alcançar famílias carentes, presidiários, dependentes químicos e outras pessoas necessitadas, exercendo a ação social.

Apoiando aos campos missionários

A MISPA é o braço missionário da denominação. Seu início foi modesto. Hoje a missão tem seus escritórios em Assis, SP, e vários pastores se dedicam à administração da missão com tempo integral. Seu sustento vem das contribuições das igrejas locais e de ofertas voluntárias doadas por aqueles que têm o coração na obra missionária.

A MISPA desenvolve projetos especiais no sertão pernambucano e no Norte do Brasil. A MISPA, além de sustentar campos missionários em diversos municípios brasileiros, trabalha entre algumas tribos indígenas e dá apoio a campos missionários internacionais em África do Sul, Angola, Bélgica, Bolívia, Argentina, Chile, China, Colômbia, Cabo Verde, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Haiti, Inglaterra, Índia, Itália, Japão, Polônia, Portugal, Rússia, Suíça e Venezuela.

A MISPA mantém cursos de missiologia e oferece vários cursos práticos, nas férias, para treinamento de interessados em auxiliar no evangelismo nas igrejas locais, junto aos seus pastores.

Ensinando e preparando
novos pastores e missionários

A IPRB tem dois seminários para a formação de seus pastores e missionários. Um deles está em Cianorte, região Sul do Brasil, com cerca de 150 alunos, e outro em Anápolis, no Brasil Central, com 70 alunos.
Além de encontros de avivamento, para os pastores já em atividade há dois projetos importantes: o PESC (Planejamento Estratégico de Crescimento Integral Sustentável) e outro destinado ao apoio e treinamento aos novos pastores, que tenham menos de dez anos de ministério. Os dois projetos promovem cursos, fornecem literatura e têm um líder para dinamizá-los. Além disso, por ocasião das Assembleias Gerais, um dia é dedicado ao SAT (Seminário de Atualização Teológica), quando um preletor fala a toda a liderança.

Publicando literatura própria

Para produção de literatura própria a baixo curso, a Igreja possui a Editora Aleluia. Ela nasceu a partir da publicação do Jornal Aleluia, editado inicialmente a cada dois meses. Hoje o Jornal é mensal e já ultrapassou a 420 edições. Para isso possui gráfica própria com cerca de 30 funcionários. A Editora publica livros de autores brasileiros e estrangeiros, hinários, redige e publica revistas de EBD e folhetos para evangelização. Distribui literatura de outros publicadores, além de prestar serviços comerciais a quem solicita seus préstimos. Ainda na área da comunicação, a Editora gerencia o site da denominação e um próprio, como Loja Virtual.

Ênfases e planos

A realidade brasileira exige uma Igreja ativa, dinâmica. As pessoas querem mais que formas litúrgicas e rituais. Nesse contexto, a IPRB tem procurado descobrir meios para fazer um evangelismo mais eficaz. Há, também, uma consciência da importância da comunhão, do discipulado, da Escola Bíblica Dominical e do trabalho social.

As igrejas locais têm sido encorajadas a desenvolver atividades especiais de evangelismo e comunhão através de grupos familiares. Uma forte ênfase vem sendo dada ao treinamento de liderança nas igrejas locais.

Os seminários estão profundamente envolvidos em preparar pessoas para o pastorado e também para o campo missionário. Além de cursos de extensão, há projetos para que se desenvolvam cursos para treinamento teológico em vídeo a serem destinados a líderes leigos que vivem em regiões mais distantes. E entendimentos para instalação de cursos de nível superior aos de graduação.

A IPRB é uma igreja nova. Muitas Igrejas locais, buscando sua estruturação, construíram ou estão construindo seus templos. Outras já estão ampliando. Há ainda muito a ser feito em todas as áreas e necessidades físicas a serem supridas. Uma novidade é a “Igreja da Criança”. Um templo com todas as instalações voltadas para o mundo infantil, separadas dos adultos, objetivando seu crescimento.

Os líderes locais, os pastores e a liderança nacional da IPRB têm planos, projetos e sonhos. Para que os grandes ideais se tornem realidade, requer-se o envolvimento total de cada membro do Corpo de Cristo. O peso do trabalho não pode recair apenas sobre os ombros da liderança ou de alguns. Cada cristão tem de assumir sua responsabilidade como discípulo de Jesus. A Igreja de Jesus só faz progresso quando todos abraçam a obra do Senhor com profundo amor em seus corações.

O Brasil tem uma população de mais de 206 milhões de habitantes. Destes, 125 milhões são católicos romanos. O último Censo mostrou um declínio no quadro da religião majoritária, cerca de 11,9%, e um avanço dos evangélicos, que passaram de 13 para 26 milhões. As igrejas que tiveram crescimento mais expressivo foram as pentecostais e as que estão abertas para a obra de renovação espiritual. A membresia da IPRB quase que dobrou nesse período, mostrando um crescimento de 95,3%. Em 2016 ultrapassou os 150 mil membros adultos.

A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil é um ramo do presbiterianismo no Brasil com forte ênfase na obra do Espírito Santo. A Denominação prega que tanto o batismo com o Espírito Santo como os dons são bênçãos para os dias atuais. Prega, também, que o poder do Espírito é fundamental para todos os que desejam ter uma vida cristã eficaz e procuram comunicar o Evangelho com poder e autoridade. Adoração, comunhão, santificação, missões e evangelismo são algumas das palavras-chaves para os presbiterianos renovados.

Traços distintivos

Questiona-se, às vezes, o “presbiterianismo” dos presbiterianos renovados. Recente artigo de uma revista teológica fez isso. Não há como deixar de confessar que a IPRB tem suas peculiaridades. Uma delas é a posição teológica de seus pastores. Há defensores da teologia calvinista como também aqueles que abraçam as ênfases arminianas. Isso porque a Igreja aprendeu a não deixar que determinadas questões teológicas sejam entraves à boa convivência e à realização da obra de Deus.

Outra peculiaridade está em sua forma de governo. A IPRB adota o sistema presbiteriano, porém simplificado. Nele não existem os Sínodos, mas em seu lugar há uma diretoria, com poderes administrativos, formada por todos os presidentes de Presbitérios que decidem as principais questões da Igreja. O órgão máximo é a Assembleia Geral que elege a Diretoria Executiva. Essa estrutura lhe confere dinamismo administrativo, sem tirar o sentido participativo necessário diante da realidade social e cultural tão diversa que existe no Brasil.

Há, ainda, outras peculiaridades que dão à IPRB uma compleição bem particular. A liturgia simples e a inserção do trabalho leigo têm um alto valor no crescimento da Denominação.

Afinidade e união
marcam a origem da Igreja

No final dos anos 60, um movimento de renovação espiritual alcançou uma parte do meio presbiteriano no Brasil. Foi marcado por intensa oração, jejum, manifestação do dom de línguas, profecias e de outros dons do Espírito.

Grupos avivados surgiram e foram crescendo internamente até que, em 1968, esses membros da Igreja Presbiteriana do Brasil que foram influenciados pelo movimento de renovação espiritual deixaram a denominação e fundaram a Igreja Cristã Presbiteriana.

Processo semelhante aconteceu na Igreja Presbiteriana Independente. Muitos pastores e membros deixaram a Igreja e, em julho de 1972, fundaram a Igreja Presbiteriana Independente Renovada.

Essas duas denominações caminharam lado a lado mas, percebendo sua grande afinidade, trabalharam pela sua união. Em 8 de janeiro de 1975, dois presbitérios da Igreja Cristã Presbiteriana e seis da Igreja Presbiteriana Independente Renovada uniram-se, após uma série de reuniões de estudos e de entrosamento, e constituíram a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil.

Participaram da primeira assembléia 58 pastores, 30 evangelistas e 78 igrejas foram representadas. A nova Denominação tinha 8 presbitérios, 8.335 membros e 12.497 alunos na EBD.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002
Dados atualizados em março de 2017

A família e as relações afetivas no mundo pós-moderno – Junho/2003

A expressão “pós-modernismo”
ganhou espaço na Teologia, no Direito,
na Filosofia, nas artes e em outros ramos
do conhecimento humano.
Convencionou-se chamar de pós-moderno
o período que começou em 1945,
após a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto o Modernismo representava
uma ruptura com o passado, o Pós-modernismo
mescla o antigo com o novo; é eclético

Os novos conceitos éticos, a moral e os costumes que vão ganhando forma e conquistando espaço trazem preocupações. Há certas áreas em que o homem parece regredir. A qualidade da vida emocional das pessoas está piorando a cada dia. Nos relacionamentos interpessoais falta carinho e sobra agressividade, falta compromisso e sobeja infidelidade. O caráter das pessoas está enfraquecido.

Os costumes mudaram sensivelmente na segunda metade do século XX. Toda essa mudança influenciou a família. Os lares tornaram-se mais frágeis. A sexualidade foi banalizada. Os filhos passaram a viver de forma mais independente. Os jovens já não são tão entusiastas quando falam em casamento. Homens e mulheres estão fugindo aos compromissos que a união conjugal traz consigo. Dentro e fora das igrejas, muita gente vive verdadeiros pesadelos em seus relacionamentos conjugais. Não é incomum ver homens e mulheres frustrados que, se pudessem, voltariam no tempo e jamais se casariam.

Contudo, esse não foi o plano de Deus ao instituir o casamento. O Senhor viu que a solidão não era boa para o homem. Por isso, criou a mulher. O Criador pensou em companheirismo, em vida sentimental, em carinho, em amor. E o lar é o lugar que Deus planejou para que as pessoas tenham supridas suas carências emocionais.

Que é o casamento

Dizem alguns, em tom de brincadeira, que o casamento é um barco feito para naufragar. Se ele conseguir sustentar-se sobre as águas, será exceção. Que pensamos nós, cristãos, acerca do casamento? Embora vivamos numa sociedade chamada de “pós-moderna”, e estejamos cercados por conceitos morais liberais, nossos princípios devem estar firmados nas Escrituras Sagradas.

a) O casamento é uma instituição divina, Gn 2: 18. Foi Deus quem estabeleceu o matrimônio, com o objetivo de tornar o homem completo e feliz. A união conjugal não é um barco feito para naufragar. Jesus ressaltou a importância do matrimônio e o confirmou como sendo instituição divina, Mc 10: 7-9.

b) O casamento é uma união exclusiva, Gn 2: 24. A idéia original de Deus para o casamento é a monogamia. O Senhor criou uma mulher, Eva, e a entregou a um homem, Adão. Contudo, a cobiça humana e as transformações culturais e sociais se encarregaram de fazer mudanças na estrutura familiar. Por isso a poligamia tornou-se tão comum nos relatos do Antigo Testamento e impregnou muitas culturas.

No Brasil, a bigamia é crime. Quem contrai novo casamento, sendo ainda casado, pode ser condenado de dois a seis anos de reclusão. E o solteiro que contrai núpcias com alguém que é casado, sabendo dessa circunstância, pode ser condenado à prisão pelo período de um a três anos. A lei, no entanto, não tem o poder de fazer com que maridos e esposas sejam fiéis no relacionamento conjugal.

c) O casamento é uma união entre pessoas de sexo diferente. Dirão alguns leitores que é óbvio que o casamento se dá entre pessoas de sexo diferente. Infelizmente, já não é tão óbvio assim. Há legisladores brasileiros lutando pela aprovação de projetos de lei que autorizariam a união civil entre homossexuais.

Em 2002, um projeto de autoria do deputado Ricardo Fiúza propunha a seguinte redação para o artigo 11 do Código Civil: “O direito à vida, à integridade físico-psíquica, à identidade, à honra, à imagem, à liberdade, à privacidade, à opção sexual e outros reconhecidos à pessoa são natos, absolutos, intransmissíveis, indisponíveis, irrenunciáveis, ilimitados, imprescritíveis, impenhoráveis e inexpropriáveis”. (grifo nosso).

O uso da expressão opção sexual na lei teria amplos efeitos e concederia aos homossexuais a total proteção do Direito. No entanto, nossa abordagem aqui não tem como fundamento o Direito, mas as Escrituras Sagradas. Aos olhos divinos, o casamento é uma união entre homem e mulher. As Escrituras sempre abominaram o homossexualismo, 1Co 6: 9-10; 1Tim 1: 10, etc.

d) O casamento é uma união permanente. Deus planejou o casamento para durar a vida toda, Gn 1: 24. Contudo, já ao tempo do Antigo Testamento, os casais enfrentavam tantos problemas que Moisés legislou acerca do divórcio. A mulher ficava completamente desprotegida diante de um marido que não desejava mais permanecer casado.

Mas, quando chegamos ao Novo Testamento, percebemos o quanto Jesus zelou pela saúde da família. Quando lhe perguntaram sobre o divórcio, ele respondeu que Moisés o autorizara por causa da dureza do coração do povo, Mc 10: 9. Jesus protegeu o matrimônio, valorizou a mulher na sociedade judaica e disse que a única hipótese em que o divórcio era admissível seria no caso de infidelidade conjugal, Mt 19: 9.

Para muitos, o vínculo conjugal pode ser desfeito a partir do momento em que ocorrerem os primeiros conflitos ou quando os cônjuges não combinarem mais. Nem todos pensam nos traumas que a separação e o divórcio trazem não só para o casal, mas também para toda a família.

A Bíblia é clara com respeito aos fortes vínculos dessa união, Mt 19: 9; 1Co 7: 10-11. A expressão “unir” (heb. qbd dabaq), em Gênesis 2: 24, originalmente tem o sentido de colar, soldar, pressupondo que qualquer tentativa de rompimento trará efeitos devastadores.

Reafirmando o valor da vida afetiva

Podemos afirmar sem medo de errar que as relações afetivas nos lares não são as melhores. Por isso, talvez este seja o momento ideal para você avaliar, juntamente com seu cônjuge e filhos, qual tem sido o nível do relacionamento afetivo em sua família.

Casais e filhos muito atarefados vão se tornando cada vez mais ausentes da vida familiar. Reveja as prioridades, reorganize seu tempo para que os males e as pressões da chamada “pós-modernidade” não destruam sua família e seus sonhos.

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Fonte: O texto é parte do primeiro capítulo do livro “Curando Lares Feridos”,
de Rubens Paes, publicado pela Editora Aleluia, Arapongas, PR, 2003