Artigos sobre o tema

Orai sem cessar – Novembro/2005

Oportuna análise da recomendação
paulina presente na Carta
aos Tessalonicentes 5: 17

Orar é o melhor remédio para todas as crises e carências humanas. Sem oração, a vida cristã torna-se árida. A oração é a chave nas mãos da fé que pode abrir o celeiro do céu, onde estão os inesgotáveis recursos divinos. É pela oração que nós abrimos o coração a Deus. Por isso devemos empregar esforços e táticas para conservar aberta a comunhão entre Ele e nós (Salmo 42:8).

Através de todos os tempos, os homens têm sentido a necessidade de orar, tornando-se piores ou melhores, consoante o grau de intensidade e persistência com que o fazem (Atos 10: 1-4)

O grande pregador Moody disse o seguinte acerca da oração:

“A oração é a porta pela qual Deus opera a sua vontade soberana em nossas vidas. Um filho de Deus se vê mais apoiado nos joelhos do que um filósofo na ponta dos pés.” Isto é tão verdade que a própria experiência nos revela o grande alcance e o superior efeito da oração. Jesus iniciou e terminou o seu ministério voltado para oração.

É inconcebível:

Felicidade ou vitória, sem darmos graças.

Esforços diários coroados de êxito, sem Deus partilhar.

Problemas difíceis, sem Deus para aconselhar.

Impotência e fraqueza, sem pedir auxílio a Deus.

Desgostos, sem recorremos a Deus para consolação.

Aflições, sem o socorro divino.
Há muita solidão e tristeza numa vida sem oração.

O que a oração não é:

não é um argumento bem idealizado
para tentar convencer a Deus;

não é uma imposição para o agir de Deus;

não é um meio de persuasão para Deus agir;

não deve ser apenas um rol de pedidos
para benefício pessoal;

não pode ser meras repetições.

O que a oração é:

é trabalho e é poder;

é uma solene correspondência entre nós e Deus;

é a porta para a mais íntima comunhão
e convivência com Deus;

é a nossa respiração espiritual;

é uma transação entre nós e Deus;

é um refúgio para o fraco;

é um reforço para o forte;

é a chave para a direção divina;

é um dos fatores mais importantes para moldar
o caráter em conformidade com o propósito divino;

é um mandamento;

é o maior privilégio que nós possuímos;

é a expressão de necessidades e gratidão.

Moody também dizia que não há registros de Jesus ter ensinado os seus discípulos a pregar, mas ensinou-os a orar. Como um pai ou mãe tem prazer em que o filho converse com ele(a), lhe faça confidências, lhe peça conselhos ou fale dos seus problemas, também Deus tem prazer em que os seus filhos procedam do mesmo modo. A oração do homem íntegro é o seu contentamento (Provérbios 15:8). Devemos dar, frequentemente, a Deus este prazer.

Geralmente as orações são feitas sob o peso das necessidades. Mas, pondo os nossos interesses de parte, oração deverá ser essencialmente desejo de conviver com Deus. O anseio pelas coisas espirituais, a avidez de descobrir os mistérios divinos, a sensação interior que se traduz por fome de Deus, é que determinam a frequência e intensidade que a oração tem nas nossas vidas (Salmo 42:1 e 2).

Para chegar a Deus – diz o filósofo brasileiro Hermógenes – é simples: basta que tenhamos por Ele a mesma avidez que o peixe fora de água tem por lá voltar. O cristão deve ter a sensação permanente da presença de Deus.

Um fabricante de produtos de vitaminas, na sua campanha publicitária, chamou à avitaminose e falta de elementos nutricionais na nossa estrutura física de fome oculta. As pessoas podem saciar a fome com uma refeição abundante; mas nem sempre se alimentam, por isso ele designou a avitaminose dessa maneira.

Infelizmente as pessoas hoje também padecem de fome espiritual oculta. O mundo está cheio de desespero, tristeza, sofrimento, ansiedade; o que precisamos não é de mais religião, mas de uma experiência espiritual autêntica com Deus. Apresente-se no lugar de oração! Uma vida que tenha por alicerce uma experiência genuína com Deus poderá resistir a qualquer temporal.

A presença de Deus em nossa vida é uma necessidade absoluta. Sem Deus presente na vida coletiva da igreja ou na vida particular de cada membro, é impossível permanecer, prosperar e vencer. E nenhum cristão poderá atingir apreciável crescimento espiritual sem intensiva oração, pois ela é o único veículo de correspondência entre Deus e nós e a única forma de requerer e manter a sua presença.

Você tem orado?

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Fonte: Jornal Aleluia de novembro de 2005

No coração dos líderes, nasce o clamor pelo avivamento – Setembro/2006

Avivar é dar vida, trazer de volta
aquilo que já foi. Para experimentá-lo
é preciso que as pessoas reconheçam
sua necessidade

O clamor pelo avivamento precisa ter seu início no coração dos líderes, conforme o livro de Joel. Seu apelo foi “Chorem os sacerdotes, ministros do Senhor, entre o alpendre e o altar”, 2: 17. Porém, é necessário levar o povo à fonte: “Convertei-vos a mim de todo o vosso coração; e isso com jejuns, e com choro, e com pranto. E rasgai o vosso coração, e não as vossas vestes, e convertei-vos ao SENHOR, vosso Deus…”, 2: 12-13.

Nossa amada igreja possui como slogan este clamor: “Aviva, ó Senhor, a tua obra”. Que esta seja a oração de cada presbiteriano renovado, especialmente de seus ministros.

Avivar é dar vida. Reavivar seria, no caso, ressuscitar trazer de volta aquilo que já foi. Para experimentá-lo é preciso que as pessoas reconheçam a sua necessidade. O avivamento traz alegria, ousadia, despertamento à igreja. É como o primeiro milagre que Jesus realizou: quando só havia água, aí, então, Ele agiu e transformou-a em vinho, Jo 2: 1-11.

Um tempo da busca ansiosa

Todo movimento de avivamento é precedido do cálice da frieza e indiferença generalizada. É o caso, inclusive, de se sentir na pele a solidão diante de um “vale de ossos secos” que torna evidente a miséria reinante, onde se pode ver com clareza a desistência de muitos.

Por isso, vemos que os reavivamentos ocorridos na história da igreja sempre foram iniciados a partir de um remanescente que teve de enfrentar a oposição da maioria que sempre preferiu reclamar do estado caótico em vez de buscar a solução através do quebrantamento diante de Deus, a fim de que a terra fosse sarada, 2 Cr 7: 14.

A igreja só poderá conquistar o coração do mundo quando tiver seu coração conquistado por Jesus, Sl 62: 8. Cristo não pode nos possuir até que sejamos verdadeiramente quebrantados. Precisamos semear com lágrimas para vermos o fruto ou tomarmos posse das promessas que plantamos com fé, Sl 126: 1.

Um tempo de refrigério

Deus faz de seus ministros “labaredas de fogo”, Hb 1: 7, e, ao iniciar, o avivamento se alastra como fogo e passa a envolver um número ilimitado de pessoas, gerando arrependimento de pecados, salvação de vidas, despertamento missionário e maior zelo pelas coisas de Deus. O resultado sempre é estrondoso.

Diante do intenso ardor causado nos corações dos cristãos, tem início uma batalha contra as próprias fortalezas do mal, saqueando as vidas que estão sob o jugo de Satanás. Isso resulta em conversões de pessoas e famílias que jamais se imaginaria fossem dar esse passo, pois passamos a empunhar “as armas da nossa milícia que não são carnais, mas são poderosas em Deus para destruição das fortalezas” (2Co 10: 4). O fogo inflama como em madeira seca.

Robert Murray McCheyne, séc. XIX, na Escócia, buscou ansiosamente pelo avivamento e, quando ele veio foi descrito como “uma enchente represada, rompendo todos os obstáculos”. Lágrimas corriam de muitos olhos, e algumas pessoas caíam no chão, gemendo e clamando por misericórdia. Daquela noite em diante, houve reuniões diariamente por muitas semanas. A cidade inteira foi abalada. Muitos crentes duvidaram; outros se enfureciam; mas a Palavra de Deus crescia poderosamente e prevalecia. Houve casos em que famílias inteiras foram convertidas ao mesmo tempo.

No entanto, não se pode ignorar que junto com a beleza das rosas há os espinhos, que são os oposicionistas, aqueles se intitulam os “guardiões do modo como Deus deve agir”. Um exemplo disso foi quando Deus abençoou Andrew Murray e a Igreja Reformada da cidade do Cabo com um avivamento. O Espírito desceu e operou poderosamente, mas ele enfrentou muita oposição.

A meu ver, pode-se até medir a profundidade do avivamento pela quantidade de perseguição que enfrenta. Alguns pastores da mesma Igreja de Murray disseram que ele ensinava uma doutrina falsa, que havia saído dos trilhos, mas a palavra do Senhor prevalecia.

Os estragos que são produzidos na igreja, bem como a falta de mergulhar intensamente na obra de evangelização e destruição das obras do maligno, procedem dos próprios crentes – não dos ímpios! Eles não nos causam muitos problemas, mas sim, aqueles que se consideram crentes e que, na realidade, são mornos e, por isso, causam mal-estar ao Senhor Jesus, Ap 3: 15.

Mas quando a igreja está vivendo o mover de Deus em seu interior, ela jamais temerá qualquer crítica ou oposição, pois as portas do inferno não vão prevalecer diante dela, Mt 16: 18.

Um tempo de perseverança na unção

Ao estudarmos a história da igreja e os avivamentos que aconteceram, podemos encontrar os desistentes que se fizeram de vítimas diante da tendência humanista de, pouco a pouco, se cansar e abandonar tudo por causa das oposições e críticas daqueles que não se abriram para receber algo novo de Deus.

A unção sempre foi discutida e questionada, mas só quem a experimenta pode dizer qual é o seu “sabor”. Tenho comigo uma convicção: aqueles que não dão liberdade para Deus tocar seus corações, e isto Ele só fará se abrirmos a porta voluntariamente, certamente serão tocados pelo Diabo, que é especialista em arrombar corações críticos, frios e indiferentes.

Há de se levar em conta que todo pioneiro do avivamento pagou um alto preço para que ele viesse e para que fosse alastrado e mantido. Em se tratando de avivamento, não podemos esquecer que, “se não houver lenha, o fogo se apagará”, não por ser falso, mas por falta de ser alimentado.

“O fogo do céu não é de segunda categoria, fogo usado, de segunda mão, gasto, que perdeu a qualidade. Deus tem somente um tipo de fogo: sempre renovado, claro, inflamado, saltitante e novinho em folha” – (Renhard Bonke).

Muitos dizem orgulhosamente: “eu falei que isso era só fogo de palha”, mas quem ousaria dizer que o fogo na palha não é fogo? O que faltou foi juntar a lenha sobre ele. O propósito real do avivamento é fazer mover a máquina, levando o Evangelho aos corações das multidões que estão “…no vale da decisão”, Jl 3: 14. Quando isso não é assumido com seriedade, sua chama acaba diminuindo, pois o mover de Deus é para que a igreja “levante-se e vá…, e não para que ela se assente e fique lamentando as críticas e oposições”. Não existe no movimento de avivamento o ministério “esquentador de banco”, ao contrário, corações avivados não suportam ficar sem ação em hora de luta e de quebrantamento.

Conclusão

O mesmo Deus que visitou seu povo, em Atos 2, quer fazer uma obra especial em nossos dias. O mesmo Espírito Santo que esteve na Rua Azusa, há 100 anos, quer se fazer presente em nossas vidas e em nossas igrejas. Por isso, digo a todos que “é tempo de buscar ao SENHOR, até que venha e chova a justiça sobre nós”, Os 10: 12. Bem-vindo, Espírito Santo!

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 2006

Pr. Rubens Paes é o novo diretor do Aleluia Fevereiro/2006

Palavra do presidente da IPRB
sobre a nomeação do Pr. Rubens Paes
como diretor da Editora Aleluia

A vida é transitória. Tudo passa ligeiramente e tem o tempo certo, Ec 3. O grande sucesso de um líder reside em sua capacidade de preparar sucessores. Mesmo porque, como cristãos, precisamos crer que Deus dirige a história. Ele é o responsável pelo curso da Igreja na terra. Para isso, o Espírito Santo, nosso eterno Consolador, precisa ter plena liberdade em nosso meio. Neste aspecto, nosso irmão soube valorizar a direção de Deus

Estamos certos de que, desde o momento em que o professor Joel R. Camargo decidiu, em oração, entregar a direção do Jornal Aleluia, o Senhor já havia confirmado e separado a pessoa para ocupar seu lugar. Por isso, podemos afirmar que não foi propriamente uma opção da Diretoria Administrativa a nomeação do pastor Rubens Paes, mas sua escolha já estava nos planos de Deus.

O pastor Rubens Paes, que por muitos é chamado de Rubinho, natural de Assis, SP, nasceu no dia 12/08/61. É casado com Gisele Veríssimo Paes e tem um filho (Gustavo). Foi recebido como evangelista no rol de obreiros da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil em dezembro de 83, pelo Presbitério de Osasco, e ordenado ao pastorado em abril de 87, pelo Presbitério de Londrina. Bacharelou-se em Teologia, em dez/ 1983. Concluiu sua pós-graduação em Novo Testamento em 1991, pela Faculdade Teológica Batista de São Paulo (FTBSP). Além da formação teológica, graduou-se em Letras, pela Faculdade de Filosofia Ciências e Letras de Arapongas (FAFICLA), em 1989, e em Direito, pela Universidade Estadual de Londrina (UEL), em 1995. É, também, pós-graduado em Direito Civil e Processo Civil pela UEL. Trabalha no setor editorial há muitos anos. Traduziu alguns livros, coordenou a edição de outros e publicou uma obra sobre família.

Cremos que Deus proporcionará ao pastor Rubens a capacidade necessária para que dê continuidade ao trabalho que lhe foi confiado. A Josué, sucessor de Moisés, Deus disse: “Como fui com Moisés, assim serei contigo, não te deixarei nem te desampararei”, Js 1: 5. Nossa constante oração é para que Deus continue a prosperar os caminhos da Gráfica e Editora Aleluia e que ela não seja simplesmente uma empresa para abastecer o mercado evangélico, mas, acima de tudo, uma agência evangélica comprometida com o crescimento do Reino de Deus.

Assim, conclamamos, mais uma vez, a liderança em geral dos Presbitérios, das Igrejas Locais e a todos os membros da IPRB para prestarem contínuo apoio espiritual, humano e material à nossa querida Editora Aleluia.

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2006

Biografia do Pastor Rubens Paes

Origem da IPR de Palmital, SP Julho/2006

A Igreja Presbiteriana Renovada
de Palmital, SP, teve seu início
com um trabalho da MISPA

Por Pr. Rubens Paes

Como tudo começou

Em 1984, o presbítero Loudomiro Carneiro era o presidente da MISPA. Funcionário da CEAGESP, passando a residir em Palmital, convidou o então evangelista Rubens Paes, primeiro secretário da Missão, para mudar-se para aquela cidade. Dois eram os objetivos que o presidente da MISPA tinha em mente. Primeiro, que a Missão tivesse um secretário com tempo integral. Segundo, a fundação do trabalho presbiteriano renovado naquela cidade com fortes tradições religiosas não-evangélicas.

Primeira reunião: sete pessoas

Em 25/07/1984 reuniram-se em Palmital, SP, na Avenida Reginalda Leão, 915, sete pessoas para fundar a IPR naquela cidade. A primeira diretoria do campo missionário foi constituída pelas seguintes pessoas: presidente, evangelista Rubens Paes; secretário, presbítero Loudomiro Carneiro; tesoureira, Coraly Júlia Gonçalves Carneiro.

Em uma casa alugada na Av. Reginalda Leão começaram a ser realizados os primeiros cultos. Um programa de rádio, que era integralmente custeado pela saudosa irmã Coraly Júlia Gonçalves Carneiro, foi um precioso meio de evangelização. As primeiras conversões começaram a ocorrer na cidade. Também, pessoas que residiam na zona rural ouviam os programas radiofônicos e foram chegando-se à Igreja.

A IPR de Palmital em 2006

A igreja em Palmital cresceu e está forte, alegre e vibrante. O número de membros está perto dos 300. Um lindo templo foi construído na cidade, na rua Coronel Afonso Negrão, 70.

No dia 25 de julho de 2006, a IPR de Palmital, SP, comemorou 22 anos de sua fundação. A igreja, que hoje congrega quase 300 membros, está sob a liderança do Pr. Hélio Varella Júnior. A Missão Priscila e Áquila – MISPA – foi representada no evento pelo Pr. Edson Rodrigues Félix.

Homenagens aos membros
fundadores da Igreja

O Pr. Hélio Varella Jr. convidou os membros fundadores da igreja para participarem do culto de comemoração dos 22 anos de fundação da Igreja e fez a todos uma inesquecível homenagem. Homenageou, inclusive, o pedreiro que trabalhou na construção do templo.

Durante o culto leu a ata da primeira reunião e emocionou os fundadores daquela igreja. Levou a igreja a cantar os mesmos hinos e trouxe à memória de todos os sonhos, agora concretizados, que haviam nascido há mais de duas décadas. O Pr. Rubens Paes, de Arapongas, PR, foi o pregador.

Especial homenagem foi prestada à irmã Aparecida, hoje com 89 anos. Todos os renovados de Palmital conhecem sua fé e dedicação à obra. Quando a igreja foi organizada, lá estava ela entre os sete primeiros membros arrolados. Desde 1977, vinha ela orando pela abertura do trabalho presbiteriano renovado naquela cidade. E em 1984, já com quase 70 anos, era a mais assídua de todos. E continua firme nos cultos, beirando agora os 90 anos de idade.

Em Palmital cumpre-se a palavra de Jesus: “….edificarei a minha Igreja e as portas do inferno não prevalecerão contra ela.”

Texto redigido em 06-07-2006

Sete de outubro: eleições à vista – Outubro/2010

No dia 7 de outubro de 2010, os brasileiros
irão às urnas eleger prefeitos e vereadores.
A escolha de nossos representantes precisa
ser feita com extrema cautela

Recentemente, o pastor batista Paschoal Piragine, de Curitiba, PR, fez um corajoso pronunciamento de teor político, alertando sua igreja acerca de determinados posicionamentos tomados pelo partido que está no governo. Até hoje (22/09/2010), o vídeo já foi visto por mais de dois milhões de pessoas na Internet (www.youtube.com).

Neste momento devemos abstrair-nos de nossas paixões políticas e partidárias para fazermos uma reflexão mais aprofundada sobre o que queremos para o nosso país. Antes de votar, pesquise a vida dos candidatos que você escolheu para que o representem. Procure saber se eles não estão envolvidos em denúncias de corrupção.

Precisamos mudar nosso país e podemos fazer isso através do voto. Será que seus candidatos refletem os pontos de vista que você tem. Que posicionamentos são defendidos sobre temas éticos e morais, como aborto, união estável entre pessoas do mesmo sexo, adoção de crianças por casais homossexuais, etc? Que conflitos há entre os posicionamentos de seu candidato e as convicções que você defende? Muitos votam sem pensar nessas questões.

O apólogo do espinheiro

A Bíblia contém uma interessante história em que as árvores conversam sobre qual delas reinaria sobre as demais. A narrativa está em Juízes 9: 7-21 e foi contada em um momento de crise política em Israel.

As árvores precisavam escolher um rei. Reuniram-se, então, e pediram à oliveira que reinasse sobre elas. Mas a oliveira recusou-se a assumir tal função. Por causa disso, as árvores pediram à figueira: “Vem tu e reina sobre nós.” Mas a figueira também não aceitou o convite. O mesmo aconteceu com relação à videira. Por fim, as árvores foram falar com o espinheiro. “E o espinheiro respondeu: Se vocês querem mesmo me fazer o seu rei, venham e fiquem debaixo da minha sombra. Se vocês não fizerem isso, sairá fogo do espinheiro e queimará os cedros do Líbano.”

Essa história faz-nos refletir sobre nossa responsabilidade política. Nossas decisões muitas vezes nos levam em direção à consolidação das instituições democráticas. Contudo, decisões tomadas incorretamente nos fazem caminhar em direção ao matadouro.

A fábula das árvores que queriam escolher um rei nos ensina grandes verdades. Líderes autoritários são como o espinheiro. Não são dados ao diálogo. Eles não conseguem ocultar sua personalidade dura e intransigente. Revelam-se desde cedo. O espinheiro aceitou o convite, mas de imediato mostrou-se duro e irredutível.

A sombra do espinheiro

Se escolhermos mal nossos governantes, estaremos nos abrigando à sombra do espinheiro. O Presidente da República e os governadores exercem o Poder Executivo. Senadores e deputados, dentre outras atribuições, têm a responsabilidade de legislar. Nós, população, vivemos sob o império das leis. Portanto, pense na procuração que você dará a homens e mulheres que, em seu nome, farão leis para nosso Brasil.

Um candidato humorista afirma, em sua propaganda política, que não sabe o que um deputado faz. Mas que, se for eleito, ele vai aprender para contar ao eleitor. Em todo o Brasil são vistos candidatos que, ao que tudo indica, não têm condições de exercer nenhum tipo de mandato.

Escolha bem

A Bíblia está repleta de narrativas de cunho político, especialmente no Antigo Testamento. Tais narrativas mostram descuidos tanto de líderes políticos quanto do povo. Governantes incautos podem trazer grande insatisfação. O rei Roboão, sucessor de Salomão, sem qualquer experiência administrativa, sem tato político, sem capacidade de ouvir os mais experientes, causou uma divisão em Israel.

Portanto, reafirmo, sejamos cuidados. Líderes autocráticos, que não sabem compartilhar decisões, são perigosos. E também fiquemos atentos aos que, fazendo-se de democráticos, desejam sustentar projetos pessoais ou de um grupo, esquecendo-se do povo.

É curioso observar que as “repúblicas democráticas” ou “repúblicas populares” eram redutos de ditadores. A República Popular da China nada mais é que a China comunista; a extinta DDR (República Democrática Alemã) era a Alemanha comunista; a República de Cuba nada mais é do que a república do senhor Fidel Castro; a República Democrática Popular da Coreia é a Coreia do Norte. A história é clara quando mostra a força de líderes carismáticos que, perpetuando-se no poder, subjugaram o povo.

Liberdade de escolha

Está em nossas mãos a escolha. Reflitamos bem antes de elegermos quem governará o país nos próximos anos. Feita a escolha, teremos de arcar com as consequências. Não vamos abrigar-nos à sombra do espinheiro.

Quero concluir com duas afirmações de Salomão: “Quando os honestos governam, o povo se alegra; mas, quando os maus dominam, o povo reclama.” Pv 29: 2; Provérbios 29:18: “Um país sem a orientação de Deus é um país sem ordem. Quem guarda a lei de Deus é feliz.”

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Fonte: Adaptado do artigo publicado no Jornal Aleluia de outubro de 2010, ed. 357, p. 02

Significado de ministério no Novo Testamento – Julho/1998

Compreender o pastorado em sua essência
é uma tarefa a que todo ministro
do evangelho deveria se dedicar. A falta
de entendimento dos mais profundos conceitos
existentes no Novo Testamento
sobre este assunto leva muitos obreiros
a um ministério fraco, que não enfoca
os propósitos de Deus para os que estão
na liderança do rebanho.

Já conheci e também já ouvi falar acerca de pastores que tratam suas igrejas como se fossem empresas. Outros são dominadores, autocratas, perseguem aqueles que não compartilham de seus pontos de vista. Tratam o rebanho como se todos fossem seus subalternos. Que visão deturpada de ministério! Que visão míope para um chamado tão nobre! Para muitos pastores, ser ministro do Evangelho é fazer parte de uma elite. Essas pessoas nunca compreenderam sua vocação.

Fico impressionado com homens da envergadura teológica de Karl Barth, que, com o renome que possuía, e com tamanha contribuição que deu à Teologia, enquanto se dedicava ao magistério teológico em Basileia, na Suíça, também se preocupava com o ministério da pregação em um presídio, e chegou a dizer: “Entre as minhas atividades em Basileia ainda se deveria mencionar que, para as minhas pregações ocasionais, a prisão local tornou-se nestes anos o meu púlpito predileto. (Dádiva e Louvor, Ed. Sinodal, pág. 429). Isso é servir. Na verdade, a ideia essencial de ministério no Novo Testamento é a de serviço. E a grande inspiração do ministério de Deus é o exemplo de Jesus: “Pois o próprio Filho do homem não veio para ser servido, mas para servir e dar a sua vida em resgate por muitos”.

Ministros servos

Há diferentes termos usados no Novo Testamento para se referir ao trabalho pastoral, geralmente traduzidos para o português como ministério. Todos enfocam a ideia de serviço. É muito bonito ler 1Co 4:1: “Assim, pois, importa que os homens nos considerem como ministros de Cristo…” . Ou também At 26:16: “Porque por isto te apareci, para te constituir ministro…”. O termo grego que aparece aqui é huperetes, cujo significado sempre está ligado à ideia geral de serviço.

Huperetes era a palavra grega para designar aquele que rema, portanto, o membro da tripulação de um navio. Mas referia-se também a qualquer serviçal. O termo designa o oficial de justiça em Mt 5:25; os serventuários, em Mt 26:58; o assistente na sinagoga, em Lc. 4:20, o servo auxiliar, At. 13:5; os guardas em Jo 7:32. É como se Paulo dissesse: “que os homens nos considerem como serviçais de Cristo”. Muito bem traduz a Bíblia na Linguagem de Hoje: “Vocês nos devem tratar como servidores de Cristo.”

Diákonos é outra palavra largamente usada no NT para se referir ao ministério do homem de Deus. Quando Jesus disse que veio para servir, Mt 20:28, usa um verbo que tem essa mesma raiz. O apóstolo Paulo emprega essa palavra para falar dos ministros do evangelho em 2Co 3:6, etc. A palavra diakonia aparece traduzida como ministério em 2Co 4:1; 5:18; 1Tm 1:12.

No grego secular, o termo diákonos significava servir à mesa. O trabalho envolvia sujeição pessoal, que era considerada indigna e indecorosa para um homem livre. Também poderia referir-se simplesmente a cuidar das necessidades do lar e, às vezes, era também usado para indicar qualquer trabalho num sentido mais genérico, como prestar serviço a uma causa. O termo também foi muito usado no Novo Testamento para referir-se ao trabalho dos diáconos na assistência social, 1Tm 3:10, 13; Rm 16:1; Fp 1:1; 1Tm 3:8, 12.

Ministros cooperadores

Dois outros termos que aparecem no NT, e com eles vou finalizando este artigo, são synergon e leitourgon. Synergon, 1Ts 3:2, significa trabalhar juntamente. O termo aparece em Rm 16:3; 1Co 3:9. A ênfase é a do trabalho conjunto. O homem de Deus precisa conscientizar-se de que ele é apenas instrumento. Ele planta a semente, vem outro e rega. Mas quem dá vida e faz crescer é Deus. Portanto, do Senhor é a glória.

E, finalmente, o termo leitourgos, que está em Romanos 15:16; Fp 2:25. A princípio, indicava o ato de fazer obras públicas a próprias expensas; fazer serviço para o povo. A forma mais antiga do termo é composta de laos (povo) e ergon (trabalho). Daí é que veio esse significado.

Na Septuaginta, tradução do AT para o grego, a palavra refere-se ao serviço dos sacerdotes e levitas no templo. No NT, em Hebreus, o termo é usado no sentido ritual sagrado. Veja Hb 8:2. Paulo o utiliza em Rm 15:16, onde parece ter um significado semelhante ao empregado no AT, indicando um trabalho sacerdotal do apóstolo, levando os gentios a Cristo. Em Fp 2:25,30, o termo indica cooperador, ajudador. O ministro é um leitourgos porque cabe a ele fazer discípulos, cuidar desses discípulos e levá-los ao crescimento na fé, para que se tornem semelhantes a Jesus.

Portanto, o pastor é um servo que gasta sua vida para ajudar a promover o crescimento do Corpo de Cristo: “E ele concedeu outros para pastores e mestres com vistas ao aperfeiçoamento dos santos para o desempenho do seu serviço, para a edificação do corpo de Cristo”, Ef 4:11-12. Seus interesses vão muito além daquilo que pode nortear o trabalho de qualquer profissional.

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Fonte: Jornal Aleluia 222, de julho de 1999

“Persiste em ler…” – Março de 2006

O mercado editorial cristão tem crescido
de modo extraordinário no Brasil.
A cada mês, o leitor tem à sua disposição dezenas
de novos títulos. São obras acadêmicas, devocionais,
de autoajuda, testemunhos, etc.
A Editora Aleluia se insere nesse contexto,
publicando literatura que ensina e edifica

Como seria bom se todos soubéssemos aproveitar bem a riqueza de conteúdo que nos é oferecida. Mas, infelizmente, as estatísticas comprovam que o brasileiro lê pouco, quando comparado aos europeus ou aos norte-americanos. No Brasil, a média de livros lidos por ano é de 1,8 por pessoa. Na Europa, ultrapassa a casa dos sete livros por pessoa. E há mais uma agravante na realidade brasileira: pesquisas revelam que até nos meios universitários há muita dificuldade na interpretação de textos.

Apesar do triste quadro em que está imersa a cultura brasileira, os evangélicos levam vantagem no hábito da leitura. Leem mais do que o restante da população. Leem a Bíblia, leem os textos usados nas escolas bíblicas, leem os autores cristãos.

O poder da literatura

A literatura é um poderoso instrumento para formar opinião, firmar conceitos, propagar ideias, criar debates. Há obras que jamais cairão no esquecimento. Atravessam séculos, milênios e não perdem sua atualidade. A Bíblia é o maior exemplo. E tantas outras verdadeiras pérolas da literatura mundial permanecem sendo editadas e influenciando pessoas.

Precisamos ler mais. E devemos ser críticos quando abrimos um livro e começamos a nos deliciar com ele. O leitor deve ser o grande juiz dos conceitos que o autor está querendo transmitir.

Diante de tantas opções para alimentar nossas mentes e almas, temos de ser criteriosos nas escolhas que fazemos.

A fé cristã na mira
de grandes autores

Redigi este artigo para chamar a atenção do leitor para algumas novidades no mundo editorial secular que têm como objetivo achincalhar a fé.

Muitas obras já foram publicadas com a finalidade de questionar as bases do Cristianismo. Recentemente, algumas ganharam notoriedade em todo o mundo. Seja pelo estilo romanceado, seja pela linguagem, foram ganhando força e criando polêmica. Quero chamar a atenção para duas delas.

Jesus e Javé – Os Nomes Divinos é o título de um novo livro publicado no Brasil. Em 276 páginas, o autor, Harold Bloom, rebate conceitos fundamentais em que o Cristianismo se baseia. Ele contesta a ideia de que existe uma cultura judaico-cristã. Nega qualquer continuidade entre Judaísmo e Cristianismo e opõe-se à ideia de que o Deus do Antigo Testamento seja uma divindade amorosa, como a que nós, cristãos, cultuamos.

Uma resenha publicada na revista Veja afirma que o autor apresenta um Jesus que “mostra pouco afeto por seus discípulos, que parecem escolhidos por sua incapacidade de entender o que o mestre prega…” (Jerônimo Teixeira, “Deus não é amor”, Veja, 22/02/ 2006, p. 107).

O Código Da Vinci é outra dessas obras polêmicas que atacam a fé. Milhões de cópias já foram vendidas em todo o mundo. Escrito por Dan Brown, o romance propõe a falsidade do Cristianismo. O autor questiona a veracidade histórica da fé e afirma que Jesus foi casado com Maria Madalena, com quem teve uma filha.

Que respostas temos?

Enquanto alguns autores escolhem como tema de suas obras a crítica ao Cristianismo, e vendem milhões de exemplares, nós, cristãos, muitas vezes ficamos apáticos. Não temos respostas para dar àqueles que leem essas obras e nos questionam sobre pontos da fé que lhes parecem contraditórios.

O apóstolo Pedro orientou seus leitores: “Estando sempre preparados para responder a todo aquele que vos pedir razão da esperança que há em vós”, 1 Pe 3: 15.

E a literatura infanto-juvenil:
que livros nossos filhos estão lendo?

Além dos nítidos ataques à fé direcionados ao leitor adulto, nossos jovens e adolescentes também estão na mira dos escritores. Nos últimos anos, a autora J. K. Rowling fez sucesso em todo o mundo ao escrever diversos livros cujo principal personagem é Harry Potter, o mais amado bruxo das crianças e adolescentes.

Segundo especialistas em comportamento, essa série de obras tem influenciado muitos jovens leitores e os levado à prática da bruxaria. Artigo publicado pela Folha de São Paulo, em 06/09/2004, mostra que, por influência do bruxo da ficção, adolescentes estão se tornando praticantes da bruxaria Wica: “Inspirados por sucessos como o fenômeno Harry Potter, muitos jovens começam a pesquisar sobre o assunto na internet e encontram páginas de grupos que promovem rituais.” (“Folha de São Paulo, Folha-teen, “O Feitiço virou moda”).

As Crônicas de Nárnia

Recentemente, a mídia chamou a atenção para As Crônicas de Nárnia. Esse trabalho literário merece ser conhecido.

Em dezembro, a famosa obra O Leão, a Feiticeira e o Guarda-Roupa, escrita por C. S. Lewis, virou filme. Talvez, muitos tenham se assustado com o título e pensado tratar-se de mais alguma obra que apregoe o ocultismo. Enganou-se quem pensou assim.

Quanto à obra de C. S. Lewis, não é preciso ter medo algum. Famoso pensador cristão irlandês, ele escreveu a série As Crônicas de Nárnia voltadas para o público juvenil. São sete obras que, sem mencionar o Cristianismo ou o nome de Jesus, tratam de profundas questões concernentes à fé cristã. Usando linguagem simbólica, personagens mitológicos, o leitor é levado a refletir sobre temas como redenção, pecado, natureza humana, etc.

Conclusão

Quando Paulo recomendou a Timóteo: “Persiste em ler” (1Tim 4:13), referia-se à necessidade que o jovem pastor tinha de dedicar-se à leitura das Escrituras.

Diante da riqueza dos debates contemporâneos, de modo nenhum podemos manter-nos alienados das ideias que circulam no mundo secular e também no religioso. Devemos, sim, saber filtrar e reter o que é bom. 1Timóteo 4:13.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2006

Os dons do Espírito Santo – Dezembro/2004

Todo movimento de renovação espiritual,
para ser legítimo, precisa aceitar
e pôr em prática, de forma irrestrita,
as doutrinas bíblicas relacionadas
à ação do Espírito Santo.
E uma delas é a existência dos dons espirituais
para os nossos dias. Os dons são ferramentas
que o Espírito de Deus entrega aos crentes, conforme sua vontade e propósito, sempre visando
à edificação do Corpo de Cristo.

A Igreja está envolvida numa intensa batalha espiritual. Seus conflitos não se travam contra poderes humanos, mas contra potestades do mal. Por isso, é importante ter recursos espirituais para lutar contra os poderes que escravizam o homem, levando-o ao pecado.

Os dons são para hoje ou não?

Para os grupos carismáticos e pentecostais, a atualidade dos dons espirituais é um fato incontestável. Mas não ocorre a mesma coisa nas igrejas chamadas de históricas ou tradicionais. Nestas, a não-aceitação da atualidade dos dons sempre foi motivo de discussões e divisões.

Para alguns teólogos, os dons eram apenas para os dias apostólicos, para a igreja primitiva. Quem pensa dessa maneira toma por base o texto de 1Co 13: 8-10. A expressão “quando vier o que é perfeito”, no v. 10, significaria que, ao cessar a era apostólica, ou quando estivesse completo o cânon do Novo Testamento, também cessariam os dons. Contudo, a crença de que os dons eram apenas para o primeiro século da era cristã não é unanimidade nem mesmo dentro das igrejas históricas.

Os argumentos favoráveis à existência dos dons para os nossos dias são muito mais convincentes. Há em 1Co 13: 8-10 uma clara referência à volta de Cristo. Só após a segunda vinda de Cristo é que não mais precisaremos usar os dons.

Jesus prometeu capacitar os crentes para a pregação da Palavra, Lc 10: 19. A história da Igreja confirma o uso dos dons nos seguintes períodos: IV século – Irineu, Tertuliano, Crisóstomo e Agostinho; séculos V ao XV, os valdenses, os albigenses, os jansenitas e os pietistas alemães; no século XIX, os metodistas; os quakers, Wesley, Whitefield, Moody, além de outros que passaram por essa experiência.

A diversidade de dons

Os dons têm sua origem na ação do Espírito Santo, 1Co 12: 1-11. Ele é quem os distribui soberanamente aos crentes, com objetivos específicos, 1Co 12: 7, 11.

Geralmente, ao estudarmos os dons espirituais nos prendemos àqueles mencionados em 1Co 12. Mas há diferentes listas de dons no Novo Testamento:

Romanos 12: 6-8: profetizar, ministrar, exortar, contribuir, presidir e exercer misericórdia. O contexto desses versículos enfatiza que todos somos membros do Corpo de Cristo e dependemos uns dos outros. Cada crente contribui para o crescimento do Corpo, usando o dom específico que tem recebido.

Efésios 4: 11-16: apóstolos, profetas, evangelistas, pastores-mestres. Através desses ministérios os crentes são equipados para o serviço. À proporção que cada um presta sua contribuição, todo o corpo vai sendo edificado, v. 12, e cada membro em particular vai crescendo e adquirindo maturidade espiritual, vv. 13-16.

1Coríntios 12: 4-10: palavra de sabedoria, palavra de conhecimento, fé, dons de curar, operações de milagres, profecia, discernimento de espíritos, variedade de línguas, interpretação de línguas. Essa passagem, juntamente com os vv. 28 a 31, se complementa ao narrar os dons do Espírito Santo. No v. 7 o apóstolo ensina duas grandes lições. A primeira é de que o Espírito concede dons a cada crente: “a manifestação do Espírito é concedida a cada um…”. Outra lição é a do fim proveitoso dos dons. Não há distribuição de dom sem finalidade específica.

1Coríntios 12: 28: apóstolos, profetas, mestres, operadores de milagres, dons de curar, socorros, governar, variedades de línguas.

1Pedro 4: 10-11: falar, servir. O objetivo dessa passagem é acentuar que, se o crente recebe um dom espiritual, deve empregá-lo a serviço dos outros membros, conforme o poder de Deus e para a glória do Senhor.

Manifestação do Espírito
no Antigo e Novo Testamentos

Há uma nítida diferença entre o agir do Espírito no Antigo Testamento e no Novo. No AT, o Espírito Santo agia sobre algumas pessoas específicas, com um propósito especial, dando-lhes capacidade para executarem certas tarefas. Alguns exemplos:

Belzaleel recebeu habilidades para trabalhar na obra
do tabernáculo, Êx 35: 30-31;

Otoniel, Gideão, Jefté e outros receberam poder
vindo do Espírito para livrar e governar Israel;

veja também estas ações especiais do Espírito no AT, dando habilidade específicas a certas pessoas para profetizar, Nm 11:26-27; operar milagres, Js 10: 12-13; ter fé, 1Re 18: 23-30; ter discernimento, 2Rs 5: 25-27; ter sabedoria, 1Rs 4: 29 e Gn 41: 25.

No Novo Testamento, no entanto, há uma nova perspectiva sobre o mover do Espírito Santo. Vê-se que o Espírito age irrestritamente no Corpo de Cristo. Ele é o selo que identifica que o salvo é propriedade de Deus, Ef 1: 13; 4: 30. Todo salvo tem o Espírito, Rm 8: 9. O Espírito é quem habilita os crentes para o serviço cristão. Ele é o distribuidor dos dons.
Conclusões

Há algumas importantes lições que temos de ter em mente sobre os dons:

1. devemos procurar com zelo os melhores dons, ou seja, aqueles que trazem edificação aos irmãos, 1Co 12: 31;

2. os dons devem ser usados para o benefício da igreja e não para proveito próprio;

3. cada cristão deve procurar desenvolver seus dons, 1Tm 4: 14 e 2Tm 1: 6;

4. se os dons não forem bem usados poderão provocar confusão no seio da Igreja, causando escândalo à obra de Deus;

5. o exercício dos dons espirituais não indica o grau de espiritualidade de uma pessoa. Compare 1Co 1: 4-7 com 1Co 3: 1-3. Embora os coríntios tivessem muitos dons, foram chamados de crianças em Cristo. O termômetro para se medir a espiritualidade de um crente é o fruto do Espírito, Gl 5: 22-23.

6. Os dons só terão valor diante de Deus se forem exercidos com amor.

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Fonte: Jornal Aleluia de dezembro de 2004

O trono da violência – Julho/2000

A expressão “trono da violência”
foi usada pelo profeta Amós (6: 3)
para falar de líderes políticos e religiosos
que desrespeitavam o direito do povo
para proteger seus próprios interesses.
Agiam de má fé, lesavam a parte mais fraca.
Todos precisavam calar-se diante deles

Caim matou Abel. Desde então, os relatos bíblicos mostram uma sociedade impregnada pela maldade. Quem lê o profeta Oseias (4: 2) vê em suas palavras os crimes retratados todos os dias nos jornais: “O que só prevalece é perjurar, mentir, matar, furtar e adulterar, e há arrombamentos e homicídios sobre homicídios.” Séculos antes de Cristo, a conduta de um povo que dizia conhecer a Lei do Senhor era vergonhosa.

A violência serve de cenário para a parábola do Bom Samaritano. Jesus refere-se à conduta dos salteadores que, após terem roubado tudo o que o homem possuía, o deixaram muito ferido e semimorto.

Violência que atemoriza a sociedade

Pessoas violentas promovem a insegurança da família e da comunidade. Recentemente um fato abalou o Brasil. Um homem seqüestrou um ônibus no Rio de Janeiro e, após diversas horas de tensão, o desfecho foi trágico. Uma senhora que estava sendo usada por ele como escudo humano foi baleada e morreu. Depois, morreu também o bandido, enquanto era levado ao hospital.

Assaltos a ônibus de turistas, roubos de veículos, seqüestros, crimes cometidos no trânsito, arrombamentos de residências, estupros são apenas alguns exemplos de como anda a criminalidade em nosso país. Há pouco tempo, a TV divulgou o seqüestro de um pastor no Rio de Janeiro. Com idade avançada, ele ficou vários dias em poder dos bandidos. Sem receber alimentação, ao ser resgatado seu estado de saúde era extremamente debilitado.

A população sente-se atemorizada, desamparada como parte mais fraca diante da ousadia dos bandidos e do poderio de suas armas. Os alarmes nos carros, as grades nas janelas, o seguro que se faz contra roubo são apenas alguns dos recursos que as pessoas usam para sentir-se um pouco mais protegidas e, assim, defender seu patrimônio.

Violência que fez o governo
pensar num plano emergencial

Preocupado com a segurança pública, recentemente o governo federal divulgou um plano que tem como objetivo diminuir a violência em nosso país. Alguns dos pontos mais importantes são os seguintes: suspensão, por seis meses, da emissão de registros de arma; criação de um fundo para financiar ações de segurança nos Estados; desbloqueio de verbas destinadas à construção de penitenciárias estaduais; projetos de reforma do Código Penal e do Código de Processo Penal; projetos que autorizem a infiltração policial em organizações criminosas e a ampliação do programa de proteção à testemunha.

Violência que recebe oposição da Igreja

A Igreja cristã é por natureza pacifista. No Sermão da Montanha, Jesus referiu-se aos pacificadores como bem-aventurados, porque serão chamados filhos de Deus, Mt 5: 9. A expressão “Deus da paz” é usada diversas vezes no Novo Testamento para referir-se ao Senhor. Veja, por exemplo, Rm 16: 20. Um dos requisitos para alguém ser líder eclesiástico já aos tempos do Novo Testamento é que tal pessoa não fosse violenta, 1Tim 3: 3.

Na história da Igreja Cristã, há eventos marcados pela violência. Um exemplo foi o período da chamada “Santa Inquisição”. Atitudes violentas, no entanto, não têm nada a ver com a essência do Cristianismo e do Evangelho.

O melhor caminho para diminuir a violência

Um plano de combate à violência é, sem dúvida, um importante passo e as medidas, se devidamente implementadas, com certeza vão inibir a ação dos bandidos. Mas isso não é tudo. É preciso haver mudanças individuais. Há alguns dias, o governador do Rio de Janeiro, Anthony Garotinho, contou uma ilustração interessante numa de suas entrevistas. Um pai estava trabalhando em casa. O filho, pequenino, a todo momento o interrompia. Pensando em ocupar o tempo do filho, o pai pegou um mapa-múndi, recortou-o, separando os continentes, os mares, etc. Depois, entregou ao filho os pedaços de papel e disse-lhe que só voltasse quando houvesse juntado as partes corretamente.

Não demorou quase nada e lá estava o menino de volta, com a tarefa realizada. O pai ficou admirado e perguntou: “como você conseguiu fazer isso tão depressa?” O filho respondeu: “Eu olhei na parte detrás do mapa e havia figuras de diversas partes do corpo humano. Fui juntando tudo: cabeça, pescoço, braços, mãos, tronco, pernas, pés. Quando acabei, olhei do outro lado e o mundo também estava certinho!”

A lição é clara demais: o caminho para consertar o mundo é consertar, primeiro, o homem individualmente. E isso, só o Evangelho pode fazer: “E, assim, se alguém está em Cristo, é nova criatura; as coisas antigas já passaram; eis que se fizeram novas.”, 2Coríntios 5:17.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2000

O poder destrutivo da intolerância – Junho/2005

Uma reflexão sobre Lucas 9: 46-56.

“As leis, por si mesmas, não conseguem
assegurar liberdade de expressão; para que
cada homem exponha seus pontos de vista
sem sofrer penalidade deve haver espírito
de tolerância em toda a população”
                                       
Albert Einstein (1879 – 1955)

Desde o seunascedouro e durantetoda a história da Igreja, o Cristianismo sofre constantementedoistipos de ataques: os externos, promovidos porforças não-cristãs que querem barrar a expansão da fé, e os internos, que nascem dentro das próprias comunidades eclesiásticas.

Exemplo de investidas externas à Igreja são as perseguições movidas pelos oponentes do Cristianismo, que fizeram milhares de mártires.

Mas há também o que se poderia chamar de autofagia no Corpo de Cristo. Muitos conflitos nascem dentro da própria comunidade cristã. Surgem verdadeiros duelos onde cada uma das partes quer fazer prevalecer seus pontos de vista, sem importar-se com os danos que isso possa trazer.

Um retrato dessa autodestruição pode ser visto nos problemas vivenciados pela igreja de Corinto, que estava completamente dividida. A dificuldade foi tratada por Paulo em sua Primeira Carta aos Coríntios. O apóstolo repreendeu com severidade aqueles que promoviam divisões.

Os cismas na Igreja geralmente ocorrem porque há uma luta por poder. Procura-se normalmente justificar as divisões por questões doutrinárias. Mas o cerne de toda problemática geralmente tem a ver com alguma disputa por autoridade e prevalência de idéias. O orgulho leva à disputa por poder. No texto que nos serve de base para esta reflexão, os discípulos discutiram sobre qual deles era o maior, vv. 46-48. Como conseqüência, vieram as atitudes intolerantes.

Sejam de origem externa ou interna, os ataques contra o Corpo de Cristo têm sempre a intolerância como ponto de apoio. O intolerante não sabe ouvir opiniões contrárias às suas, não respeita limites, é perseguidor.

Em Lucas 9: 46 a 56, há dois interessantes episódios envolvendo Jesus e os discípulos. Nos dois casos, o tema da intolerância está presente. Na primeira narrativa, vv. 49-50, o apóstolo João conta ao Senhor que havia visto um homem que expulsava demônios em nome de Jesus, porém lho proibira: “Nós lho proibimos, por que não segue conosco.” Se aquele homem pertencia a um outro círculo de convivência, raciocina João, como poderia, então, ex-pulsar demônios em nome de Jesus?

O Senhor, tratando do assunto com extrema sabedoria, disse não à intolerância. João e os demais apóstolos foram repreendidos pelo Senhor, que disse: “Não proibais; pois quem não é contra vós outros é por vós”.

Jesus, assim, condenou a visão míope, unilateral, autofágica e auto-mutiladora. Aquela atitude de João feria não apenas o homem que fora repreendido, mas o Reino de Deus. Ao invés de agregar forças, os discípulos estavam desprezando alguém que poderia fazer um importante trabalho pelo Reino de Deus.

Assim é que, muitas vezes, continuamos agindo até hoje. Basta um ponto de divergência para que a intolerância se manifeste. E o resultado todos conhecemos!

Na seqüência da narrativa bíblica (vv. 51-56), há outro episódio curioso. Novamente, João é um dos que lideram o movimento. Jesus não fora recebido numa aldeia de samaritanos. Tiago e João, cheios de ira, perguntaram: “Senhor, queres que mandemos descer fogo do céu para os consumir?” E, de novo, Jesus repreendeu os discípulos. Não havia necessidade de fogo do céu. Estavam ali almas preciosas que seriam alcançadas pela graça de Deus. Jesus sabia que, mais tarde, o movimento missionário chegaria aos samaritanos. E, de fato, após um tempo Filipe pregou o Evangelho àquelas pessoas, At 8: 4-8.

Se desejamos ver igrejas fortes, saudáveis, temos de aprender a ser mais tolerantes, não-exclusivistas. O modelo ensinado por Jesus é de um coração fraterno e compreensivo. Atitudes permeadas pelo amor, fruto do Espírito, trarão mais paz em nossos relacionamentos.

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2005

O pastor modelo – Junho/2002

O trabalho de alguns pastores tem sido alvo
de ferozes críticas na mídia. Os jornais e a TV
não perdoam deslizes e se incumbem de levar
os escândalos aos ouvidos de toda a nação.
Como evangélicos, não gostamos de ver o bom
nome do Evangelho maculado
pelo testemunho inadequado
de homens que deveriam
ser exemplos de vida

Já ao tempo do Novo Testamento, a Igreja sofria certas ameaças. Lobos que se vestiam de ovelhas rodeavam o rebanho de Jesus. Seus interesses eram egoístas; seus métodos, espúrios; seu vocabulário, enganador.

O texto de 1Pedro 5: 1-4 é um verdadeiro crivo para separar o bom do mau pastor. Em dias de mercantilismo da religião, em que pessoas com caráter doentio promovem escândalos, é necessário que aprendamos com o apóstolo as atitudes fundamentais de quem deseja pastorear o rebanho de Deus. Ele mostra três grandes provas a que todo aquele que almeja o pastorado deve se submeter e ser aprovado.

A prova das motivações

Quais os interesses que levam alguém a optar pelo sagrado ministério? Não pode ser outro, mas sim a vocação divina. Pedro disse que ninguém pode ir para o ministério pastoral movido por qualquer tipo de constrangimento. À vocação divina se atende com espontaneidade, como fizeram os discípulos que, deixando seus trabalhos e familiares, responderam ao chamado de Jesus, Mt 4: 18-22.

Professores de seminários e de instituições teológicas costumam dizer, nos primeiros dias de aula, aos alunos: “Se você veio estudar no seminário porque não conseguiu passar no vestibular, está no caminho errado”. Ministério pastoral não é segunda opção, não é decisão forçada por circunstâncias humanas.

Ainda quanto às motivações, Pedro cita a “sórdida ganância”. Essa expressão refere-se a interesses financeiros. Desde o primeiro século, certas pessoas pensavam no ministério como fonte de ganhos financeiros.

O mercantilismo da fé tornou-se um grande negócio. Há pregadores que usam o Evangelho como instrumento para enganar o povo em sua simplicidade e arrebanhar os incautos. Não pensam nas almas perdidas, mas no dinheiro que podem vir a obter através de contribuições.

A prova do temperamento

Será que para alguém ser pastor é necessário que tenha um determinado temperamento? É evidente que não. Mas é preciso, sim, que tenha controle de seu temperamento.

O apóstolo Pedro havia sido um homem impulsivo e volúvel. Num momento confessara a Jesus: “Tu és o Cristo, o Filho do Deus vivo” (Mt 16: 16); logo depois, ouviu a repreensão: “Arreda, Satanás! Tu és para mim pedra de tropeço, porque não cogitas das coisas de Deus, e sim das dos homens” (Mt 16: 23); numa circunstância afirmou: “Senhor, estou pronto a ir contigo, tanto para a prisão como para a morte…” (Lc 22: 23); depois disse: “Não conheço tal homem” (Mt 26: 72), negando a Jesus.

O Espírito, contudo, moldou o apóstolo Pedro. Do alto de sua experiência pastoral, afirmou que todo aquele que pastoreia o rebanho de Deus não pode agir como “dominador”. Ora, que é isso senão uma afirmação de que o temperamento de quem exerce o pastorado deve ser completamente submetido ao controle do Espírito de Deus?

O pastor dominador não é temperante, modesto ou cordato, comportamentos essenciais mencionados por Paulo em 1Tm 3: 3. O dominador não ouve os liderados, é autocrático, não permite aos outros fazer escolhas, sente-se dono do rebanho e faz prevalecer sempre sua vontade. Tal pessoa não serve para o pastorado, de acordo com o apóstolo Pedro.

A prova do caráter

Finalmente, o apóstolo manda que os pastores sejam modelo para o rebanho. Essa foi a mesma preocupação que Paulo expressou para com Timóteo: “Ninguém despreze a tua mocidade; pelo contrário, torna-te padrão dos fiéis, na palavra, no procedimento, no amor, na fé, na pureza.” (1Tm 4: 12).

A palavra grega traduzida por “padrão” nesse versículo é “typos”. Esse termo (tipo) está relacionado às artes gráficas. O tipo gráfico é um bloco de metal fundido ou de madeira que tem em uma de suas faces uma determinada gravação em relevo. Através da impressão são feitas tantas cópias quantas necessárias. Assim deve ser o pastor: um tipo. Seu caráter deve ser reproduzido no rebanho.

A dura verdade é que há uma crise de comportamento no mundo atual. Essa crise tem sérios reflexos na igreja. Mas quem não tem condições de ser modelo, padrão para o rebanho, também não deve exercer o pastorado.

O caráter íntegro e o amor incondicional ao Senhor são marcas daquele que atendeu à vocação divina. Paulo, em 1Tm 3: 1- 7, enumera as qualificações necessárias para quem aspira ao ministério.

É impossível ser pastor sem o fruto do Espírito na vida, Gl 5: 22-23. São essas qualidades que dão condições ao homem de Deus de desenvolver um pastorado eficaz, produtivo e abençoado.

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2002

O ministério modelo – Da obra ‘Ministério Excelente’, 2004

Os quatro evangelhos são a grande fonte
de que dispomos para analisar
o ministério de Jesus.
Basta uma leitura rápida desses textos
para nos encantarmos com a beleza
das narrativas e a riqueza de detalhes
e ênfases quando os autores
descrevem a vida do Senhor.

Neste capítulo, (*) nossa atenção se volta para duas passagens dos evangelhos que resumem os objetivos e as estratégias utilizadas por Jesus: Lucas 4: 18-19 e Mateus 9: 35-39. São textos curtos, mas permitem ampla reflexão sobre o trabalho realizado por Jesus como modelo para a ação pastoral hoje.

Lucas 4: 18-19

Em Lucas 4: 18-19, o leitor do Evangelho encontra uma síntese perfeita do ministério de Jesus. O Senhor havia acabado de passar por um longo período de jejum e tentação, ao final do qual saíra vitorioso. Estava iniciando seu ministério. Jesus foi à Galiléia e sua fama já estava se espalhando. Ia às sinagogas, ensinava e as pessoas ficavam impressionadas não só com o conteúdo de seu ensino, mas também com a forma como ele expunha as Escrituras. Sua palavra tinha autoridade (Mc 1: 22).

Chegando a Nazaré, onde fora criado, Jesus dirigiu-se à sinagoga, leu o texto de Isaías 61: 1-2 e disse que naquele dia aquela palavra profética estava se cumprindo. A leitura que Jesus fez na sinagoga foi a seguinte:

O Espírito do Senhor está sobre mim, pelo que me ungiu para evangelizar os pobres; enviou-me para proclamar libertação aos cativos e restauração da vista aos cegos, para pôr em liberdade os oprimidos, e apregoar o ano aceitável do Senhor. (Lc 4: 18-19)

O Espírito do Senhor
está sobre mim, pelo que me ungiu…

Ao dizer que o Espírito do Senhor estava sobre ele, Jesus faz uma grande distinção entre a ação do Espírito na vida dos servos de Deus do Antigo Testamento e em sua própria vida. No AT, o Espírito vinha sobre determinadas pessoas em ocasiões específicas. Dava instruções quanto ao quê deveriam dizer e as impulsionava a ação. Com Jesus era diferente. O Espírito do Senhor estava sobre ele não de forma temporária, mas permanente e representava a plenitude dos dons e da graça divina sobre o Messias:

Repousará sobre ele o Espírito do SENHOR, o Espírito de sabedoria e de entendimento, o Espírito de conselho e de fortaleza, o Espírito de conhecimento e de temor do SENHOR. (Isaías 11: 2)

O Pai não só entregou um ministério nas mãos de Jesus, mas capacitou-o para a tarefa. O apóstolo Pedro reconheceu o valor dessa unção especial do Espírito sobre Jesus para o desempenho de seu ministério messiânico (At 10: 38).

Com Jesus, inaugurou-se um novo tempo nas relações entre o Espírito e o salvo. Num de seus diálogos com os discípulos, o Senhor disse: R20;E eu rogarei ao Pai, e ele vos dará outro Consolador, a fim de que esteja para sempre convoscoR21; (João 14:16). E após sua ressurreição, R20;soprou sobre eles e disse-lhes: Recebei o Espírito Santo.R21; (Jo 20: 22)

Sem unção do Espírito não há ministério eficiente, há mero profissionalismo; não há sermões, há discursos; não há formação de caráter dos ouvintes, mas informação que serve apenas para o intelecto. Sem unção do Espírito o pregador não tem alimento para dar às almas famintas.

A unção do Espírito traz visão ao ministério pastoral. O espírito abre os olhos do pastor para que ele consiga enxergar as reais necessidades que estão ao seu derredor. No ministério de Jesus, o Espírito o ungiu para diferentes tarefas, como é possível ver nas afirmativas do texto.

… me ungiu para evangelizar os pobres

Quem eram os pobres, aos quais Jesus se referia? Eram aquelas pessoas sem recursos financeiros, desprezadas pelos doutores judeus. Estes as julgavam incapazes de compreender a lei e os ensinos que eles ministravam. Os pobres eram, também, aqueles que tinham consciência de sua fragilidade espiritual e que sabiam que sua justiça própria não os levaria a lugar algum. Por isso, buscavam a graça redentora oferecida pelo Messias.

Os fariseus referiam-se ao povo como se fosse escória: R20;Quanto a esta plebe que nada sabe da lei, é maldita.R21; (Jo 7: 49). Jesus, no entanto, disse que os pobres de espírito são bem-aventurados, porque deles é o reino dos céus (Mt 5: 3). Em muitas situações, os pobres serviram de exemplo em seus ensinos (Mc 12: 42-43; Lc 16: 19-31)

Jesus foi ungido para evangelizar tais pobres. O verbo evangelizar (gr. euaggelizw) significa levar boas notícias, anunciar boas novas. Nas traduções gregas do Antigo Testamento, a palavra era usada para referir-se a qualquer tipo de boa notícia, particularmente aquelas relacionadas à bondade de Deus e às bênçãos trazidas pelo Messias. No NT, o termo é empregado para falar das boas-novas a respeito da vinda do reino de Deus, e da salvação que pode ser obtida através de Cristo.

Evangelizar, no NT, não é apenas fazer o mero anúncio de uma verdade, mas refere-se também a instruir as pessoas a respeito das verdades que pertencem à salvação que há em Cristo. A evangelização praticada por Jesus não era uma proclamação vazia. Exigia mudança de caráter e de comportamento, como aconteceu com a mulher samaritana (Jo 4) ou com Zaqueu (Lc 19).

Jesus tinha visão de ministério. Fora ungido para levar boas notícias aos excluídos. Talvez muitos pastores se vejam limitados no trabalho pastoral porque esteja faltando visão de trabalho. Você foi ungido para quê? Para que tipo de trabalho Deus o chamou e o capacitou? Os ministérios são diversos e as capacitações também.

enviou-me para proclamar
libertação aos cativos

Os grandes opressores da alma do povo eram a lei, o pecado, o poder político romano e, sobretudo, Satanás. Os ouvintes de Jesus eram totalmente escravizados, embora não o admitissem: R20;Responderam-lhe: Somos descendência de Abraão e jamais fomos escravos de alguém; como dizes tu: Sereis livres?R21; (Jo 8: 33).

A unção de Jesus era, também, para proclamação de R20;liberdade aos cativosR21;. O verbo R20;proclamarR21; era usado para designar a atividade de um arauto. Sugere formalismo, gravidade e autoridade que deveria ser escutada e obedecida. No Novo Testamento, esse verbo era usado para referir-se à proclamação pública do evangelho e aos assuntos a ele atinentes.

A libertação dos cativos é um tema profundamente enraizado nas Escrituras, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento: Sl 102: 20; 107: 10-16; 146: 7; Is 42: 7; 45: 13; 49: 9, 24, 25; 52R21;2,3; Zc 9: 11, 12; Cl 1: 13. O Senhor é um Deus de liberdade.

Jesus não anunciou libertação política. Após sua ressurreição, quando os discípulos pareciam ainda estar encantados com a idéia de um Messias político, perguntaram-lhe: R20;Senhor, será este o tempo em que restaures o reino a Israel? Respondeu-lhes: Não vos compete conhecer tempos ou épocas que o Pai reservou pela sua exclusiva autoridadeR21; (At 1: 6-7).

Os judeus sofriam a opressão política exercida pelo Império Romano. Jesus sabia que o povo esperava um Messias que trouxesse libertação política. No entanto, ele não se deixou desviar do grande alvo de seu ministério: alcançar os que estavam espiritualmente cativos. A pior escravidão que existe é a do espírito. Quem tem o espírito sob algemas não exerce sua vontade, não pensa, não toma decisões. A liberdade do espírito é a maior que existe. A partir dela, é possível desfrutar de outras liberdades.

O pastor precisa saber para que foi chamado e como vai cumprir a vontade de Deus para sua vida. Muitas vezes, durante o exercício do ministério surgem belas propostas que tentam afastar o vocacionado do seu chamado. Jesus poderia até encantar-se com o sonho de liberdade política de seu povo. Mas, os cativos que ele precisava libertar eram outros.

…restauração da vista aos cegos

A referência aqui é aos que estão mortos em seus delitos. Tais pessoas foram imobilizadas pelo pecado e tornaram-se insensíveis. Não conseguem enxergar o avançado estado de decomposição espiritual em que se encontram até que Cristo abra as portas da prisão e faça com que seus olhos vejam a luz (Is 49: 9).

para pôr em liberdade os oprimidos

É preciso notar a distinção entre as expressões R20;proclamar libertação aos cativosR21; e R20;pôr em liberdade os oprimidosR21;. A primeira fala de anunciação de uma verdade, a segunda fala de ação. Jesus não apenas anunciou que era a liberdade era viável, e não uma utopia, mas ele foi ungido pelo Espírito para, definitivamente, libertar os oprimidos.

e apregoar o ano aceitável do Senhor

O ano aceitável do Senhor; é uma alusão ao ano do jubileu, em que os escravos eram libertos, as dívidas perdoadas, as terras devolvidas aos antigos proprietários, etc. (Lv 25: 8-54). Era um ano de restauração. Na mensagem de Jesus, o R20;ano aceitávelR21; é o momento que Deus escolheu para revelar seu Filho ao mundo. É o tempo em que Ele mostra sua boa vontade aos homens, disposto a celebrar uma nova aliança.

Mateus 9: 35-36

E percorria Jesus todas as cidades e povoados, ensinando nas sinagogas, pregando o evangelho do reino e curando toda sorte de doenças e enfermidades. Vendo ele as multidões, compadeceu-se delas, porque estavam aflitas e exaustas como ovelhas que não têm pastor.

Esse texto também ajuda a entender o ministério de Jesus como modelo para o pastorado. A passagem revela diferentes dimensões da atividade de Jesus como pastor de almas.

Jesus, pastor das cidades e dos povoados

Muitos pastores cobiçam pastorear grandes igrejas em movimentados centros urbanos. Sentem arrepios só em pensar na hipótese de trabalhar com comunidades pequenas, interioranas. Nesses casos, o foco desses pastores não são as almas, mas o status que o ministério lhes proporcionará.

Jesus não desprezava as pequenas vilas, onde habitavam pessoas simples e pobres. Tampouco deixava de visitar as grandes cidades de seu tempo. Seu ministério tinha como foco o indivíduo. Por isso, ele ia onde estivesse o homem.

Jesus, mestre

Uma das dimensões do ministério de Jesus era o ensino. Os evangelhos são riquíssimos nas narrativas em que os discípulos sentam-se aos pés de Jesus para ouvir suas lições. Jesus ensinou sobre o reino de Deus, sobre o pecado, sobre o homem, etc. Sua linguagem era direta, clara, objetiva. Usou parábolas para ensinar. Através de fatos conhecidos de seus ouvintes ensinava verdades espirituais profundas (Mt 13, 18, 20, etc.). Jesus permitia que os discípulos fizessem perguntas, tirassem dúvidas (Lc 8: 9). Usou o método de perguntas e respostas (Mc 8: 27). Uma das mais ricas narrativas do Evangelho em que Jesus ensina seus discípulos está em Mt 5 a 7.

O pastor precisa saber ensinar. Precisa ser mestre (Ef 4: 11). Em 1Tim 3: 2, falando acerca dos bispos, o apóstolo Paulo exige que os que aspiram o episcopado sejam aptos para ensinar. Se o pastor não ensina, o rebanho fica desnutrido. Não há igreja que sobreviva sem alimento sólido. É o ensino que coloca a Palavra na mente e no coração do povo.

Jesus, o arauto das boas-novas

Em Mateus 9: 35, o verbo traduzido por R20;pregavaR21; também poderia ser traduzido por R20;proclamavaR21;. O conteúdo da pregação de Jesus era o Evangelho do Reino e o coração de seu ensino está no Sermão do Monte (Mat. 5-7).

Os pregadores contemporâneos estão afastando-se da simplicidade do ensino de Jesus. Estão deturpando a essência do Evangelho. Muitos pregam que a decisão por Cristo trará prosperidade financeira, aumento de bens, muitas riquezas. Fazem promessas de que a aceitação do Evangelho vai resultar numa rechonchuda conta bancária. Que diria Jesus se estivesse sentado num banco de igreja, ouvindo um desses sermões em que os pregadores dão a idéia de que o Evangelho é um negócio que se faz com Deus? Essa é a graça barata criticada pelo teólogo Dietrich Bonhoeffer. É a graça sem compromisso, que Jesus desconheceu.

Jesus e a cura das enfermidades

O ministério não é feito só com palavras. A eloqüência do pregador não garante a satisfação do povo. O ministério se faz com o poder que vem do Espírito de Deus. Jesus era mestre, pregador e também demonstrava que a unção do Senhor estava sobre ele ao curar as enfermidades. O apóstolo Pedro reconheceu isso em At 10: 38.

O ministério pastoral tem de ser holístico, integral, abrangente, como o de Jesus. Ele ensinava, pregava e curava. Fazia tudo movido por compaixão (Mt 9: 36). Muitos são os pastores que fundam igrejas pensando nas vantagens financeiras que poderão obter. São os mercenários condenados por Paulo quando escreveu a Timóteo (1Tim 6:5).

Concluindo

Jesus não se preocupou com o número de seguidores que se agregariam a ele. Quando lhe perguntaram: R20;Senhor, são poucos os que são salvos?R21; ele respondeu: R20;Esforçai-vos por entrar pela porta estreita, pois eu vos digo que muitos procurarão entrar e não poderão.R21; (Lc 13: 23-24). E, certa vez, ao pregar um duro sermão, quando todos se retiraram, ele perguntou aos discípulos: R20;quereis também vós outros retirar-vos?R21; (Jo 6: 67).

Jesus enfatizou o compromisso e a mudança de vida. Não há lugar para vida cristã descompromissada nos relatos do Novo Testamento: R20;Dizia a todos: Se alguém quer vir após mim, a si mesmo se negue, dia a dia tome a sua cruz e siga-me.R21; (Lucas 9: 23).

As pessoas deixavam Jesus fascinado. Não as altivas, poderosas, cheias de si. Essas foram duramente criticadas por Jesus. Mas Jesus sentiu compaixão dos que estavam debilitados, dos oprimidos, dos pobres, dos rejeitados, dos considerados pecadores. A esses Jesus dedicou sua vida a fim de restaurá-los e de dar-lhes uma esperança renovada. Esse é o trabalho do pastor.

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Fonte: capítulo do livro “Ministério Excelente” Editora Aleluia, 2004

Em quem confiar nas horas de crise?

“Entre os ídolos inúteis das nações existe algum
que possa trazer chuva?
Podem os céus, por si mesmos, produzir chuvas copiosas?
Somente tu o podes, Senhor, nosso Deus!
Portanto, a nossa esperança está em ti, pois tu fazes
todas essas coisas.”

Jeremias 14: 22

A crise hídrica em algumas regiões de nosso país é notícia constante nos meios de comunicação. Todos os dias, fala-se sobre a falta d’água em São Paulo e em outras regiões do Sudeste brasileiro. Os reservatórios que abastecem toda a região metropolitana da capital paulista estão com pouquíssima água. Crescem, por isso, as campanhas para uso consciente da água.

O que é problema gravíssimo para o Sudeste virou até piada em outras regiões do país. Recentemente, um garoto do Acre postou um vídeo que, até 15 de fevereiro, havia tido mais de 500 mil visualizações só no Facebook. O menino abre uma torneira, entra embaixo de muita água e zomba dos paulistanos.

O Brasil é rico em recursos hídricos. Nosso país tem de 12 a 16% da água doce disponível no planeta. Mas a concentração desse precioso líquido está nas regiões onde as florestas são mais preservadas e a população é menor. Por isso, no litoral brasileiro e nas regiões Sudeste e Nordeste, onde estão 70% da população, os centros urbanos sofrem por falta d’água.

As perspectivas, infelizmente, não são boas. Os estudiosos do clima preveem para os próximos anos aumento de temperatura e redução significativa das chuvas.

Quanto desperdício de água se vê na lavagem de carros e de calçadas. Quanta água desperdiçada nos longos banhos. Tudo isso colabora para a escassez que agora vivenciamos. E há, também, a culpa dos governantes, que não tomaram medidas antecipadamente para evitar a crise.

O profeta Jeremias e a seca

Uma forte crise hídrica também foi o tema abordado em Jeremias 14. A seca trazia prejuízos incalculáveis para o povo. O profeta menciona as dificuldades vividas nas cidades pela falta de chuvas (vv. 2-3); fala sobre a seca nos campos (v. 4) e o sofrimento dos animais pela falta de comida (vv. 5-6). As cidades definhavam, as cisternas estavam vazias, os agricultores nada colhiam, os animais pereciam. O povo estava desesperado.

Jeremias associa a seca que seu país vivia ao juízo divino. Havia pecado, afastamento de Deus, esquecimento da lei, prostituição religiosa. Jeremias, então, afirma: “Embora os nossos pecados nos acusem, age por amor do teu nome, ó Senhor! Nossas infidelidades são muitas; temos pecado contra ti. Ó Esperança de Israel, tu que o salvas na hora da adversidade… não nos abandones”.

Não podemos dizer que o Brasil vive seus melhores dias. Hoje, 23 de fevereiro de 2015, há manifestações de caminhoneiros em sete estados brasileiros, parando rodovias, pedindo preços mais baixos de combustíveis, pedágios mais baratos, fretes mais compensadores. No Paraná, professores estão em greve com várias reivindicações ao governo. Sinais de corrupção há por todo lado, em todos os poderes. Fala-se em recessão econômica em 2015. Que fazer em situações assim?

Na hora da crise, o profeta Jeremias vê uma só saída: clamar pela intervenção de Deus. Ele afirma que os ídolos pagãos não poderiam faziam chover. Nem a natureza, por si, segundo o profeta, tinha o poder de derramar copiosas chuvas.

A fé que Jeremias nutria em seu coração apontava para o Senhor como sendo aquele que tem tudo sob o seu domínio, inclusive a natureza. Por isso, diz o profeta: “Nossa esperança está em ti.”

O profeta nos ensina que, em todos os momentos, precisamos compreender que o Senhor tem o controle de tudo. Ele é soberano. Ele faz chover. Exemplo disso foi a experiência do profeta Elias, que orou e por três anos e seis meses não choveu; depois, orou de novo, e choveu abundantemente (1Rs 17, 18; Tg 5:17-18).

Embora haja razões científicas para explicar a falta de chuvas, as Escrituras nos fazem ver a questão sob outra perspectiva, com olhos de quem conhece o sobrenatural poder de quem criou todas as coisas e que rege o universo segundo seu querer.

Lembro-me de um professor de Teologia, vindo da América do Norte, que fora missionário no interior do Piauí por alguns anos. Ele contava a história de um missionário, também no Piauí, que enfrentara forte resistência ao pregar o Evangelho.

Num período de intensa seca, certa vez aquele missionário orou, pedindo chuva. Ninguém acreditava que, em terra tão árida, com um período tão prolongado de estiagem, uma simples oração pudesse fazer chover. Para surpresa de todos, choveu logo após a oração. A resposta àquela súplica do missionário fez o povo ver que há um Deus soberano, que controla a natureza. Lembro-me, também, de um edificante testemunho de um produtor agrícola, temente a Deus, que em período de seca, orou e viu chover sobre suas terras.

Experiências assim fortalecem nossa fé. Em pleno século XXI, do império da ciência e da tecnologia, do esfacelamento das verdades absolutas, em que reina uma fé que se apega ao que pode ser visto, tocado e sentido, devemos voltar os olhos e o coração às verdades eternas das Escrituras, que nos revelam um Deus que tudo criou e que jamais perdeu o controle sobre sua criação. “Os céus proclamam a glória de Deus e o firmamento anuncia a obra de suas mãos.” (Sl 19: 1)

O Senhor a quem servimos é soberano e controla a natureza. Diante desse Deus nos curvamos. Nele está a nossa esperança porque ele faz até os céus produzirem copiosas chuvas.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2015
Disponível em Issuu

A questão teológica da singularidade de Cristo – Jornal Aleluia 232

Aqueles que nunca ouviram
o evangelho serão salvos?

Quem nunca fez uma destas perguntas: “os que jamais ouviram o Evangelho estão perdidos?”; ou então “os índios vão ser salvos?”.

Em nossas escolas bíblicas dominicais, ou nas conversas sobre evangelismo e missões, sempre surgem dúvidas como essas.

Normalmente nossas respostas são muito evasivas, se é que temos alguma. Não refletimos sequer nas implicações que elas possam vir a ter.

Teólogos, pastores e seminaristas fazem a mesma indagação e procuram investigar o assunto sob uma perspectiva bíblica, teológica e filosófica.

A globalização, o pluralismo religioso, a extrema valorização da religiosidade de cada povo como fenômeno cultural, o crescente contato entre os povos e o intercâmbio entre pessoas de diversas culturas vêm fazendo surgir diferentes respostas quanto à salvação dos que nunca ouviram a pregação do Evangelho. Na prática, parece que a mentalidade moderna não admite mais a concepção de que só o Cristianismo têm a resposta única para a salvação humana. Nosso sentimentalismo e todas as influências da globalização nos impedem que afirmemos que os budistas, os muçulmanos, ou os índios, para citar alguns exemplos, que nunca ouviram sobre Jesus, e, portanto, não crêem n’Ele, estão indo para o inferno. Preferimos ignorar o assunto, ou então, bem lá dentro de nós, cremos que, no final, Deus vai dar um “jeitinho”.

A afirmação da singularidade de Cristo como Salvador do mundo, ou seja, dizer que só Jesus salva, é um tema que vem sendo largamente discutido nos Estados Unidos. Diferentes livros sobre o assunto estão sendo publicados. No Brasil, ainda não temos discutido amplamente essa temática, mas mesmo inconscientemente, e sem o necessário debate, possuímos nossas idéias e respostas. Alguns pastores que andaram pesquisando o pensamento de membros de suas igrejas sobre isso se assustaram ao perceber que a maioria dos crentes não achava que a pregação do Evangelho aos povos não-alcançados fosse essencial porque, de alguma forma, Deus iria salvá-los, mesmo sem a ajuda de missionários humanos. Já pensou nas implicações disso para missões?

O tema está sendo discutido no Brasil nos meios teológicos por causa de sua grande relevância. Afirmar, ou então negar, a singularidade de Cristo como Salvador, têm implicações para diversos aspectos da fé cristã, indo a soteriologia (doutrina da salvação) à missiologia (estudo de missões). Como subsídio para a discussão do assunto, a Editora Aleluia lançou um livro sobre o tema. Chama-se E Aqueles que Nunca Ouviram? Três pontos de vista sobre o destino dos não-evangelizados.

As respostas

Alguns teólogos acreditam que mesmo aquelas pessoas que nunca ouviram o evangelho podem ser salvas. Se, através da criação – revelação geral – vierem a crer em Deus, ainda que não conheçam a Jesus, serão redimidas de seus pecados. Dizem que qualquer religião pode ser um instrumento útil para aproximar a pessoa de Deus. Isso é chamado de “inclusivismo”, porque Deus inclui todos em sua graça, antes de excluí-las no julgamento. Mas a fundamentação bíblica desse ponto de vista é muito questionável.

Outros dizem que ninguém será salvo com base no conhecimento que possam ter de Deus através da natureza. No entanto, chegam ao absurdo de afirmar que, logo após a morte, aqueles que nunca ouviram o Evangelho terão uma oportunidade de dizer “sim” ou “não” a Jesus. Deus concederá a todos os homens a chance de ouvir o evangelho e optar, ou não, pela redenção trazida por Jesus. Tomam por base alguns textos difíceis de 1 Pedro (como o cap. 3: 18ss). Dão ao seu ponto de vista o nome de “perseverança divina” ou “evangelismo post-mortem”

Há também os teólogos que ensinam não haver qualquer oportunidade de salvação para o homem, se não existir conhecimento de Cristo e uma resposta pessoal e consciente ao seu chamado. Essa posição é conhecida como “exclusivismo”; às vezes também “restritivismo”. Para que alguém seja salvo, é fundamental ouvir o Evangelho nesta vida e fazer uma decisão por Jesus. Essa é a interpretação que mais parece se afinar ao ensino geral das Escrituras Sagradas.

Os três pontos de vista mencionados aqui – inclusivismo, perseverança divina e restritivismo – são amplamente discutidos na obra E aqueles que nunca ouviram? Três pontos de vista sobre o destino dos não-evangelizados, que a Editora Aleluia publicou. O livro foi escrito por três professores de teologia norte-americanos. É em forma de debate. Cada autor expõe seu ponto de vista e, depois, seu pensamento é avaliado e criticado em duas réplicas escritas pelos co-autores.

A linguagem do livro é clara, com excelente fundamentação. Originalmente foi publicado em inglês pela Inter Varsity Press. A leitura dessa obra irá ajudar todos os que sempre buscaram resposta para a pergunta: “o que vai acontecer aos que jamais ouviram a pregação do Evangelho?”.

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Fonte: Jornal Aleluia 232

Pr. Jonathan Ferreira dos Santos – Outubro/2002

Um dos líderes do movimento de renovação
instaurado na década de 60, do século XX
Um dos fundadores da Igreja Cristã Presbiteriana
Fundador e diretor do Instituto Bíblico de Cianorte, atualmente Seminário Presbiteriano Renovado
Fundador e Diretor da Missão Antioquia

Pr. Rubens Paes e Pr. Francisco Barretos

Origem e preparo teológico

A origem do pastor Jonathan é muito humilde. Tendo nascido em uma família pobre, começou a trabalhar cedo. Ainda criança, vendia frutas para ajudar no orçamento da família. Só aos sete anos de idade é que ganhou seu primeiro par de sapatos.

Contudo, as dificuldades financeiras não foram empecilho à vocação divina. Jonathan Ferreira dos Santos formou-se no Seminário Presbiteriano de Campinas, instituição de renome no meio evangélico brasileiro. Após sua graduação, a Junta de Missões Nacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil colocou diante dele três opções: Porto Alegre, RS; Dracena, SP, e Cianorte, PR. Após orar, deixou a decisão para a própria Junta. Como não havia ninguém disposto a ir para Cianorte, esse foi o campo que lhe designaram.

Em janeiro de 1962, o Pr. Jonathan e D. Euza dirigiram-se a Cianorte. As estradas eram ruins, não havia asfalto, as travessias dos rios eram feitas em balsas. Sua esposa deixara um excelente emprego. D. Euza, pessoa fina e requintada, sofreu com as dificuldades que havia na Cianorte dos anos 60. Mas Deus abriu as portas e foi suprindo as necessidades. Poucos meses depois que o casal havia chegado à cidade, D. Euza foi nomeada diretora da única escola que havia em Cianorte.

Devido à sua formação teológica, resistia a princípio as idéias pentecostais. Mas participou de um encontro de avivamento em Belo Horizonte, dirigido pelo pastor Eneias Tognini, e ali foi batizado com o Espírito Santo. Seu ministério tomou uma nova direção.

Fundação do Instituto Bíblico

Em 12 de agosto de 1965, o pastor Jonathan fundou o Instituto Bíblico Presbiteriano de Cianorte. Funcionava inicialmente nas dependências da Igreja Presbiteriana, à rua Porto Seguro. “Era um instituto que não tinha prédio, nem professores, mas tinha alunos”, brinca o pastor Jonathan.

Contudo, aquele projeto estava no coração de Deus. Em janeiro de 1966, o pastor Jonathan recebeu a doação de uma quadra inteira para lá instalar o Instituto Bíblico. Vieram alunos dos estados de Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina e de muitos outros lugares do Brasil. Os anos de 1966 a 1976 foram marcados pelas mais poderosas manifestações de Deus, relata o Pr. Jonathan.

O Pr. Adolfo Neves foi aluno do Instituto nos anos de 1968 a 1971. Naquela época o número de alunos chegou a 120. Segundo ele, o trabalho do pastor Jonathan foi marcado pela coragem e pela determinação.

Também o pastor Lauro Celso de Souza conheceu o pastor Jonathan na década de 1960. Oraram juntos muitas vezes, fizeram diversas vigílias e viagens. Numa frase de rara inspiração, disse o pastor Lauro: “Tive e tenho o pastor Jonathan como ministro referencial do Evangelho de Jesus Cristo”.

Em 1976, o pastor Jonathan saiu de Cianorte e foi para Londrina. Depois, foi para São Paulo. Há diversos anos, dirige a Missão Antioquia, sediada no Vale da Bênção, em Araçariguama, SP. Lá é feito um trabalho assistencial em que se cuida de 400 crianças. A Missão Antioquia tem mais de 100 missionários em 20 países. A visão que deu à luz a Missão Antioquia nasceu em reuniões de oração realizadas no Instituto Bíblico de Cianorte.

Diretores do Seminário de Cianorte

Desde o ano 2000, o Seminário de Cianorte está sob a direção do pastor Esdras Mendes Linhares. Foram diretores desta instituição: Jonathan Ferreira dos Santos, Décio de Azevedo, Enoque Pereira Borges, Joel Ribeiro de Camargo, Palmiro Francisco de Andrade, José Sidney Dantas, Altair do Carmo Mateus Nunes e Joel de Campos Perroud.
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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2002

Complemento
Falece a esposa, dona Eusa

Depois de longos dez anos de luta contra enfermidade pertinaz,
a irmã Eusa, esposa do Pr. Jonathan F. dos Santos,
faleceu, no dia 25/02/2011, aos 77 anos.

A IPRB no contexto religioso brasileiro – Julho/2003

A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil
está vivendo uma nova onda
de despertamento. Igrejas locais estão crescendo,
novos presbitérios estão sendo fundados
e tanto a liderança como a membresia
estão conscientes de sua responsabilidade
neste mundo decadente. A denominação
está trabalhando em diferentes áreas,
a fim de oferecer maior contribuição à sociedade

Áreas que a IPRB está priorizando:

Ajudando espiritualmente as pessoas
através das igrejas locais

As igrejas locais têm tido o mais importante papel na denominação. Nelas os crentes são alimentados com a Palavra e treinados para fazer evangelismo pessoal. Algumas estão implantando o sistema de células ou trabalhando com pequenos grupos. Além das atividades normais de evangelismo, muitas igrejas locais têm programas específicos para alcançar famílias carentes, presidiários, dependentes químicos e outras pessoas necessitadas, exercendo a ação social.

Apoiando aos campos missionários

A MISPA é o braço missionário da denominação. Seu início foi modesto. Hoje a missão tem seus escritórios em Assis, SP, e vários pastores se dedicam à administração da missão com tempo integral. Seu sustento vem das contribuições das igrejas locais e de ofertas voluntárias doadas por aqueles que têm o coração na obra missionária.

A MISPA desenvolve projetos especiais no sertão pernambucano e no Norte do Brasil. A MISPA, além de sustentar campos missionários em diversos municípios brasileiros, trabalha entre algumas tribos indígenas e dá apoio a campos missionários internacionais em África do Sul, Angola, Bélgica, Bolívia, Argentina, Chile, China, Colômbia, Cabo Verde, Cuba, Espanha, Estados Unidos, França, Haiti, Inglaterra, Índia, Itália, Japão, Polônia, Portugal, Rússia, Suíça e Venezuela.

A MISPA mantém cursos de missiologia e oferece vários cursos práticos, nas férias, para treinamento de interessados em auxiliar no evangelismo nas igrejas locais, junto aos seus pastores.

Ensinando e preparando
novos pastores e missionários

A IPRB tem dois seminários para a formação de seus pastores e missionários. Um deles está em Cianorte, região Sul do Brasil, com cerca de 150 alunos, e outro em Anápolis, no Brasil Central, com 70 alunos.
Além de encontros de avivamento, para os pastores já em atividade há dois projetos importantes: o PESC (Planejamento Estratégico de Crescimento Integral Sustentável) e outro destinado ao apoio e treinamento aos novos pastores, que tenham menos de dez anos de ministério. Os dois projetos promovem cursos, fornecem literatura e têm um líder para dinamizá-los. Além disso, por ocasião das Assembleias Gerais, um dia é dedicado ao SAT (Seminário de Atualização Teológica), quando um preletor fala a toda a liderança.

Publicando literatura própria

Para produção de literatura própria a baixo curso, a Igreja possui a Editora Aleluia. Ela nasceu a partir da publicação do Jornal Aleluia, editado inicialmente a cada dois meses. Hoje o Jornal é mensal e já ultrapassou a 420 edições. Para isso possui gráfica própria com cerca de 30 funcionários. A Editora publica livros de autores brasileiros e estrangeiros, hinários, redige e publica revistas de EBD e folhetos para evangelização. Distribui literatura de outros publicadores, além de prestar serviços comerciais a quem solicita seus préstimos. Ainda na área da comunicação, a Editora gerencia o site da denominação e um próprio, como Loja Virtual.

Ênfases e planos

A realidade brasileira exige uma Igreja ativa, dinâmica. As pessoas querem mais que formas litúrgicas e rituais. Nesse contexto, a IPRB tem procurado descobrir meios para fazer um evangelismo mais eficaz. Há, também, uma consciência da importância da comunhão, do discipulado, da Escola Bíblica Dominical e do trabalho social.

As igrejas locais têm sido encorajadas a desenvolver atividades especiais de evangelismo e comunhão através de grupos familiares. Uma forte ênfase vem sendo dada ao treinamento de liderança nas igrejas locais.

Os seminários estão profundamente envolvidos em preparar pessoas para o pastorado e também para o campo missionário. Além de cursos de extensão, há projetos para que se desenvolvam cursos para treinamento teológico em vídeo a serem destinados a líderes leigos que vivem em regiões mais distantes. E entendimentos para instalação de cursos de nível superior aos de graduação.

A IPRB é uma igreja nova. Muitas Igrejas locais, buscando sua estruturação, construíram ou estão construindo seus templos. Outras já estão ampliando. Há ainda muito a ser feito em todas as áreas e necessidades físicas a serem supridas. Uma novidade é a “Igreja da Criança”. Um templo com todas as instalações voltadas para o mundo infantil, separadas dos adultos, objetivando seu crescimento.

Os líderes locais, os pastores e a liderança nacional da IPRB têm planos, projetos e sonhos. Para que os grandes ideais se tornem realidade, requer-se o envolvimento total de cada membro do Corpo de Cristo. O peso do trabalho não pode recair apenas sobre os ombros da liderança ou de alguns. Cada cristão tem de assumir sua responsabilidade como discípulo de Jesus. A Igreja de Jesus só faz progresso quando todos abraçam a obra do Senhor com profundo amor em seus corações.

O Brasil tem uma população de mais de 206 milhões de habitantes. Destes, 125 milhões são católicos romanos. O último Censo mostrou um declínio no quadro da religião majoritária, cerca de 11,9%, e um avanço dos evangélicos, que passaram de 13 para 26 milhões. As igrejas que tiveram crescimento mais expressivo foram as pentecostais e as que estão abertas para a obra de renovação espiritual. A membresia da IPRB quase que dobrou nesse período, mostrando um crescimento de 95,3%. Em 2016 ultrapassou os 150 mil membros adultos.

A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil é um ramo do presbiterianismo no Brasil com forte ênfase na obra do Espírito Santo. A Denominação prega que tanto o batismo com o Espírito Santo como os dons são bênçãos para os dias atuais. Prega, também, que o poder do Espírito é fundamental para todos os que desejam ter uma vida cristã eficaz e procuram comunicar o Evangelho com poder e autoridade. Adoração, comunhão, santificação, missões e evangelismo são algumas das palavras-chaves para os presbiterianos renovados.

Traços distintivos

Questiona-se, às vezes, o “presbiterianismo” dos presbiterianos renovados. Recente artigo de uma revista teológica fez isso. Não há como deixar de confessar que a IPRB tem suas peculiaridades. Uma delas é a posição teológica de seus pastores. Há defensores da teologia calvinista como também aqueles que abraçam as ênfases arminianas. Isso porque a Igreja aprendeu a não deixar que determinadas questões teológicas sejam entraves à boa convivência e à realização da obra de Deus.

Outra peculiaridade está em sua forma de governo. A IPRB adota o sistema presbiteriano, porém simplificado. Nele não existem os Sínodos, mas em seu lugar há uma diretoria, com poderes administrativos, formada por todos os presidentes de Presbitérios que decidem as principais questões da Igreja. O órgão máximo é a Assembleia Geral que elege a Diretoria Executiva. Essa estrutura lhe confere dinamismo administrativo, sem tirar o sentido participativo necessário diante da realidade social e cultural tão diversa que existe no Brasil.

Há, ainda, outras peculiaridades que dão à IPRB uma compleição bem particular. A liturgia simples e a inserção do trabalho leigo têm um alto valor no crescimento da Denominação.

Afinidade e união
marcam a origem da Igreja

No final dos anos 60, um movimento de renovação espiritual alcançou uma parte do meio presbiteriano no Brasil. Foi marcado por intensa oração, jejum, manifestação do dom de línguas, profecias e de outros dons do Espírito.

Grupos avivados surgiram e foram crescendo internamente até que, em 1968, esses membros da Igreja Presbiteriana do Brasil que foram influenciados pelo movimento de renovação espiritual deixaram a denominação e fundaram a Igreja Cristã Presbiteriana.

Processo semelhante aconteceu na Igreja Presbiteriana Independente. Muitos pastores e membros deixaram a Igreja e, em julho de 1972, fundaram a Igreja Presbiteriana Independente Renovada.

Essas duas denominações caminharam lado a lado mas, percebendo sua grande afinidade, trabalharam pela sua união. Em 8 de janeiro de 1975, dois presbitérios da Igreja Cristã Presbiteriana e seis da Igreja Presbiteriana Independente Renovada uniram-se, após uma série de reuniões de estudos e de entrosamento, e constituíram a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil.

Participaram da primeira assembléia 58 pastores, 30 evangelistas e 78 igrejas foram representadas. A nova Denominação tinha 8 presbitérios, 8.335 membros e 12.497 alunos na EBD.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002
Dados atualizados em março de 2017

A família e as relações afetivas no mundo pós-moderno – Junho/2003

A expressão “pós-modernismo”
ganhou espaço na Teologia, no Direito,
na Filosofia, nas artes e em outros ramos
do conhecimento humano.
Convencionou-se chamar de pós-moderno
o período que começou em 1945,
após a Segunda Guerra Mundial.
Enquanto o Modernismo representava
uma ruptura com o passado, o Pós-modernismo
mescla o antigo com o novo; é eclético

Os novos conceitos éticos, a moral e os costumes que vão ganhando forma e conquistando espaço trazem preocupações. Há certas áreas em que o homem parece regredir. A qualidade da vida emocional das pessoas está piorando a cada dia. Nos relacionamentos interpessoais falta carinho e sobra agressividade, falta compromisso e sobeja infidelidade. O caráter das pessoas está enfraquecido.

Os costumes mudaram sensivelmente na segunda metade do século XX. Toda essa mudança influenciou a família. Os lares tornaram-se mais frágeis. A sexualidade foi banalizada. Os filhos passaram a viver de forma mais independente. Os jovens já não são tão entusiastas quando falam em casamento. Homens e mulheres estão fugindo aos compromissos que a união conjugal traz consigo. Dentro e fora das igrejas, muita gente vive verdadeiros pesadelos em seus relacionamentos conjugais. Não é incomum ver homens e mulheres frustrados que, se pudessem, voltariam no tempo e jamais se casariam.

Contudo, esse não foi o plano de Deus ao instituir o casamento. O Senhor viu que a solidão não era boa para o homem. Por isso, criou a mulher. O Criador pensou em companheirismo, em vida sentimental, em carinho, em amor. E o lar é o lugar que Deus planejou para que as pessoas tenham supridas suas carências emocionais.

Que é o casamento

Dizem alguns, em tom de brincadeira, que o casamento é um barco feito para naufragar. Se ele conseguir sustentar-se sobre as águas, será exceção. Que pensamos nós, cristãos, acerca do casamento? Embora vivamos numa sociedade chamada de “pós-moderna”, e estejamos cercados por conceitos morais liberais, nossos princípios devem estar firmados nas Escrituras Sagradas.

a) O casamento é uma instituição divina, Gn 2: 18. Foi Deus quem estabeleceu o matrimônio, com o objetivo de tornar o homem completo e feliz. A união conjugal não é um barco feito para naufragar. Jesus ressaltou a importância do matrimônio e o confirmou como sendo instituição divina, Mc 10: 7-9.

b) O casamento é uma união exclusiva, Gn 2: 24. A idéia original de Deus para o casamento é a monogamia. O Senhor criou uma mulher, Eva, e a entregou a um homem, Adão. Contudo, a cobiça humana e as transformações culturais e sociais se encarregaram de fazer mudanças na estrutura familiar. Por isso a poligamia tornou-se tão comum nos relatos do Antigo Testamento e impregnou muitas culturas.

No Brasil, a bigamia é crime. Quem contrai novo casamento, sendo ainda casado, pode ser condenado de dois a seis anos de reclusão. E o solteiro que contrai núpcias com alguém que é casado, sabendo dessa circunstância, pode ser condenado à prisão pelo período de um a três anos. A lei, no entanto, não tem o poder de fazer com que maridos e esposas sejam fiéis no relacionamento conjugal.

c) O casamento é uma união entre pessoas de sexo diferente. Dirão alguns leitores que é óbvio que o casamento se dá entre pessoas de sexo diferente. Infelizmente, já não é tão óbvio assim. Há legisladores brasileiros lutando pela aprovação de projetos de lei que autorizariam a união civil entre homossexuais.

Em 2002, um projeto de autoria do deputado Ricardo Fiúza propunha a seguinte redação para o artigo 11 do Código Civil: “O direito à vida, à integridade físico-psíquica, à identidade, à honra, à imagem, à liberdade, à privacidade, à opção sexual e outros reconhecidos à pessoa são natos, absolutos, intransmissíveis, indisponíveis, irrenunciáveis, ilimitados, imprescritíveis, impenhoráveis e inexpropriáveis”. (grifo nosso).

O uso da expressão opção sexual na lei teria amplos efeitos e concederia aos homossexuais a total proteção do Direito. No entanto, nossa abordagem aqui não tem como fundamento o Direito, mas as Escrituras Sagradas. Aos olhos divinos, o casamento é uma união entre homem e mulher. As Escrituras sempre abominaram o homossexualismo, 1Co 6: 9-10; 1Tim 1: 10, etc.

d) O casamento é uma união permanente. Deus planejou o casamento para durar a vida toda, Gn 1: 24. Contudo, já ao tempo do Antigo Testamento, os casais enfrentavam tantos problemas que Moisés legislou acerca do divórcio. A mulher ficava completamente desprotegida diante de um marido que não desejava mais permanecer casado.

Mas, quando chegamos ao Novo Testamento, percebemos o quanto Jesus zelou pela saúde da família. Quando lhe perguntaram sobre o divórcio, ele respondeu que Moisés o autorizara por causa da dureza do coração do povo, Mc 10: 9. Jesus protegeu o matrimônio, valorizou a mulher na sociedade judaica e disse que a única hipótese em que o divórcio era admissível seria no caso de infidelidade conjugal, Mt 19: 9.

Para muitos, o vínculo conjugal pode ser desfeito a partir do momento em que ocorrerem os primeiros conflitos ou quando os cônjuges não combinarem mais. Nem todos pensam nos traumas que a separação e o divórcio trazem não só para o casal, mas também para toda a família.

A Bíblia é clara com respeito aos fortes vínculos dessa união, Mt 19: 9; 1Co 7: 10-11. A expressão “unir” (heb. qbd dabaq), em Gênesis 2: 24, originalmente tem o sentido de colar, soldar, pressupondo que qualquer tentativa de rompimento trará efeitos devastadores.

Reafirmando o valor da vida afetiva

Podemos afirmar sem medo de errar que as relações afetivas nos lares não são as melhores. Por isso, talvez este seja o momento ideal para você avaliar, juntamente com seu cônjuge e filhos, qual tem sido o nível do relacionamento afetivo em sua família.

Casais e filhos muito atarefados vão se tornando cada vez mais ausentes da vida familiar. Reveja as prioridades, reorganize seu tempo para que os males e as pressões da chamada “pós-modernidade” não destruam sua família e seus sonhos.

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Fonte: O texto é parte do primeiro capítulo do livro “Curando Lares Feridos”,
de Rubens Paes, publicado pela Editora Aleluia, Arapongas, PR, 2003

O valor das metas no ministério cristão – Abril/2004

Mais do que nunca,
os cristãos estão conscientes
da necessidade de sonhar
e estabelecer metas para criar projetos ousados

Esta é uma mudança importante no comportamento da igreja cristã da atualidade que, em muitos de seus segmentos, vivia uma crise de objetividade e dominada por uma nostalgia infrutífera. No entanto, vemos muita gente sonhando alto e, às vezes, sem ter a mínima noção de como chegar ao sonho proposto no coração. Sonhar é preciso. Sem sonhos começamos a morrer ou vivemos para cumprir os sonhos de outrem.

Deus sonhou em resgatar a humanidade e elaborou um plano para concretizar esse sonho maravilhoso. Com certeza, Deus pensou na maravilhosa bênção de voltar a ter o ser humano restaurado ao seu estado original, uma vez que o pecado tornou o homem um ser maldoso e distante do seu Criador. Mas Deus sabia que isto lhe custaria muito caro e custou nada mais que a vida do seu próprio Filho. Por isso, teve de idealizar uma estratégia para alcançar esse objetivo. A essa estratégia, que é um conjunto de ações e atitudes práticas e sequenciais para alcançar o objetivo, chamamos de metas.

O ponto-chave para a realização de um ministério de sucesso passa necessariamente pela obtenção de uma visão clara e divina daquilo que queremos, pela encarnação dessa visão, tornando-a missão de vida, e pelo estabelecimento de metas para otimizar esta visão para não se perder na caminhada ministerial. Um ministro do Evangelho precisa trabalhar dentro de uma visão clara. Todo líder precisa saber que a visão é o fundamento de toda tarefa em liderança. A visão exige ação e dedicação. Chamamos isso de missão. Contudo, uma missão só pode ser realizada através do estabelecimento de metas. Sua visão de ministério não será realizada a não ser através de um ousado conjunto de metas.

Henry Kaiser disse: “Defina claramente o que você quer mais que qualquer outra coisa na vida; registre os meios pelos quais você pretende consegui-lo e não permita que nada, seja lá o que for, o impeça de alcançar essa meta.”

Exemplos bíblicos

Na Bíblia encontramos exemplos claros de como Deus leva a sério esse assunto. A começar em Gênesis, nos deparamos com o chamado de Deus para Noé livrar a raça humana do extermínio. Nesse episódio Deus revelou a Noé o seu plano de preservá-lo juntamente com sua família e, ao mesmo tempo, destruir a raça humana através do dilúvio. Veja que Deus deu a visão, que se tornou a missão de sua vida, mas a realização desta missão foi levada a cabo através de um plano de metas bem rígido e sequencial, estabelecido pelo próprio Deus, antes de qualquer coisa, Gn 6: 13-22.

Outro texto que me impressiona muito acerca desse assunto é o de 1Sm 15: 1-35. Nessa passagem, vemos Deus ordenando a Saul, rei de Israel, através de Samuel, a destruição dos amalequitas. Veja a ordem: “Vai, pois, pois agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente tudo o que tiver, e não lhe perdoes; porém matarás desde o homem até a mulher, desde os meninos até aos de peito, desde os bois até às ovelhas e desde os camelos até aos jumentos”. Infelizmente Saul, ao invés de cumprir as metas de acordo com a visão que Deus lhe dera, fez do seu próprio jeito.

No primeiro texto vimos que Noé cumpriu as metas estabelecidas por Deus: construiu a arca, colocou os animais dentro dela literalmente como Deus lhe ordenara e teve seu nome eternizado como um líder fiel e vitorioso.

Já no segundo exemplo, Saul não levou muito a sério a realização de sua tarefa ministerial de acordo com um plano de metas baseado na visão que Deus lhe dera, que era a de destruir completamente os amalequitas.

Isso lhe custou o reinado e o seu nome passou para a história como um dos líderes bíblicos derrotados por infidelidade e incapacidade de dar conta da responsabilidade que recebera de Deus. Veja a importância das metas no ministério cristão.

As metas nos desafiam

Ninguém sobrevive sem desafios novos e interessantes. Desde a infância somos movidos por desafios: aprender a falar, andar, escrever, etc… Na vida temos de estabelecer metas para alcançarmos nossos sonhos. Caso contrário, nossos sonhos acabarão se tornando pesadelos, uma vez que os sonhos não se realizam sem trabalho e esforço. Todo esforço e trabalho sem etapas mensuráveis não produzem os efeitos desejáveis. As metas podem produzir uma atmosfera propícia para suportarmos a espera de uma conquista.

Veja que Noé trabalhou mais de cem anos motivado pela salvação de sua vida e de sua família na construção da arca, Hb 11: 7. Jesus viveu como homem, mesmo sendo Deus, por 33 anos e meio, motivado pela salvação da humanidade, Fp 2:6-11. Leia esse texto. Cada ministro tem no reino de Deus uma missão, que é a de fazer outros discípulos, e deve desenvolver o ministério para o qual foi chamado dentro da visão recebida de Deus. Isso certamente nos desafia a estabelecer metas.

Jesus enfrentou a cruz porque essa era uma das metas estabelecidas em seu ministério. Foi um desafio grandioso, mas ele o fez, porque fazia parte de um todo que o levaria ao status de Salvador do mundo de acordo com o plano geral do Pai, que Ele mesmo havia aceitado por amor do seu Santo Nome e também por amor à humanidade.

A realização de metas nos consolida
como líderes (1Sm 15: 22)

Saul não foi consolidado como um rei de sucesso porque vacilou na hora de cumprir as metas estabelecidas por Deus através de seu líder espiritual que era Samuel. Cada pessoa que deseja tornar-se um líder de sucesso tem de cumprir suas metas na igreja. Na vida, de um modo em geral, só conseguimos êxito quando alcançamos nossos alvos. Cada área da nossa vida tem de ser consolidada por metas alcançadas. Estabeleça suas metas na sua vida espiritual, familiar, material e pessoal e lute porque o seu sucesso depende de sua capacidade de perseguir as metas. Ouça o seu líder e seja fiel a ele. Não seja como Saul, que ignorou Samuel e fez as coisas do seu jeito.

A prática das metas treina nossa obediência: “Eis que o obedecer é melhor que do que o sacrificar.” Por causa do tempo em que vivemos no mundo sem Jesus, não estamos preparados para a obediência. Por isso as metas nos ajudam a treinar esse aspecto da nossa conduta diante de Deus. Sem obediência não alcançaremos êxito na vida. A obediência aos pais, aos discipuladores, aos pastores e principalmente a Deus é indispensável. Temos de aprender a fazer as coisas do jeito de Deus. Não basta fazer! Há pessoas que acham que o importante é unicamente fazer, mas a Bíblia nos mostra que o importante é fazer como Deus deseja.

As metas curam o caráter,
afiando nossas capacidades

As pessoas resistem às metas porque não são treinadas para receber ordens e não gostam disso. Sentem-se ofendidas, manipuladas e ameaçadas. Duas palavras que mais ouvimos recentemente são “alvo” e “metas”. Ficar ouvindo alguém nos pedir as metas não é nada confortante para nós, pois elas nos assustam. Mas ninguém pode dizer que, por causa do estabelecimento de metas, sua vida ficará mais difícil ou mais pobre ou não conseguirá realizar os seus sonhos. Pelo contrário, há os que nem sonham! A visão que nos leva a uma missão e ao estabelecimento de metas despertará sonhos de ganhar vidas, de nos encontrarmos e de termos um ministério pautado em ações específicas que tragam resultados.

Nosso medo das metas vem da referência negativa que temos na nossa tradição cristã baseada numa igreja onde o trabalho era feito por poucos e apreciado e criticado por muitos. Leia Hb 5: 8; Mt 9: 13; Ec 10: 10; 2Tm 2: 15.

As metas dão objetividade ao ministério

Um ministro não pode perder tempo com coisas supérfluas, nem tampouco perder tempo realizando aquilo que, embora seja bom, não faça parte da sua visão de ministério. Há muita coisa boa sendo desenvolvida no mundo cristão, mas nem todas têm relação com a minha visão ministerial. E minha missão não é fazer tudo aquilo que é bom, mas aquilo que Deus preparou para mim. Nesse caso as metas nos ajudam muito porque elas nos tiram do ativismo e nos colocam nos trilhos da visão de Deus pra nós.

Jesus realizou seu ministério baseado numa visão clara revelada nos profetas. Encarnou sua missão de forma radical, mas com metas objetivas. Em Mc 1: 38 Jesus, que já havia curado muita gente no dia anterior, se recusa a ter sua agenda imposta pelo povo ou pelas circunstâncias daquele momento. A multidão queria que Jesus continuasse por ali para curar os demais enfermos daquelas cercanias que estavam vindo até ele. Mas ele disse: “Vamos às aldeias vizinhas, para que ali eu também pregue, porque para isso vim.”

Isso deixa claro que o ministério cristão precisa de objetividade e não somente de ser preenchido com muitas atividades, por melhor ou mais interessantes que sejam.

Princípios para o estabelecimento de metas

A mensurabilidade – Nunca se deve estabelecer uma meta que não possa ser medida. Exemplo: “minha meta é ganhar Arapongas para Jesus”. Essa é uma visão, um sonho, e não uma meta. “Vamos treinar 500 líderes em 3 anos para evangelizar Arapongas”. Isso é uma meta mensurável. Cada meta é parte de todo um sistema de metas com a finalidade de cumprir a visão.

A organização – Quando estabelecemos metas, somos forçados a organizá-las dentro de uma ordem de prioridades para que não haja conflito de metas ou duplicação de esforços. Sem organização é impossível alcançar sucesso. As pessoas envolvidas na visão de uma igreja ou ministério precisam saber o que elas devem fazer, como e quando. O ministro cristão deve saber organizar-se e distribuir as tarefas de acordo com as aptidões, a visão em execução e os apelos da Palavra de Deus. Aprenda a separar as metas organizadamente: estilo de vida pessoal, atividades sociais, metas financeiras, metas de família, etc. Uma forma correta de organizar metas é escrevê-las e treinar as pessoas; no caso de metas pessoais, lê-las com frequência e fazer avaliações periódicas.

Separar as metas permanentes das temporais – As metas são muitas e precisamos aprender a separar as temporais das permanentes para não nos perdermos e ficarmos concentrados em um tipo só de meta, amargando o prejuízo da perda do foco ou visão. Exemplo: orar uma hora por dia deve ser uma meta permanente, porém evangelizar dois jovens no centro da cidade por semana não. A oração deve ser permanente: nunca devemos parar de orar; contudo evangelizar os jovens não. As metas podem mudar, mesmo porque elas são muitas numa visão ministerial. Temos de estar atentos para modificarmos as metas assim que as situações exigirem.

O princípio do realismo – Há muito exagero por aí. Os líderes nem sempre olham para a realidade que os cerca e isso é um perigo muito grande que pode render frustração e fracasso. Por exemplo, um seminarista de 2° ano num curso de quatro anos não pode estabelecer a meta de ser diretor do seminário em um ano. Mas, se ele estabelecer a meta de alcançar esse objetivo em 20 anos, isso fica mais realista. O ministério não suporta mágica. Ele é feito por homens e mulheres de visão, mas também por pessoas que sabem discernir seu potencial sem subestimá-lo nem superestimá-lo.

Conclusão

O desejo de Deus é que aprendamos a colocar em prática o propósito maravilhoso que Ele tem para as nossas vidas através de metas mensuráveis e não vivamos por aí fazendo as coisas de qualquer jeito, sem organização. Lute e descubra o que Deus tem pra você e estabeleça como você vai fazer cada coisa e quando vai fazer. Deus o abençoe e conte com a sabedoria e a unção do Espírito Santo.

O estabelecimento de metas é fruto de uma disciplina permanente. Não há como você elaborá-las de uma vez por todas. Seja um ministro de visão clara, apaixonado, a ponto de tornar sua visão na missão da sua vida. Seja capaz de estabelecer metas bem definidas e trabalhar focalizado nelas em todo o tempo.

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Fonte: Jornal Aleluia de abril de 2004

A Igreja rasante – Março/2001

A igreja de hoje preocupa
pela sua forma rasante de ser.
Parece que está muito ligada
a valores terrenos, esquecendo-se dos valores
celestiais que lhe deram origem

Há algum tempo, no interior do Estado de Minas Gerais, o piloto de um pequeno avião, que levava consigo um cameraman com a incumbência de filmar uma festa popular, resolveu, não sabemos por que razão, dar um voo rasante. O resultado desse aventuroso voo foi uma trombada com um poste da rede elétrica que matou várias pessoas e feriu outras, além de um “belo” inquérito policial para apurar as responsabilidades, sem levar em conta o prejuízo da destruição do avião.

A igreja de hoje preocupa pela sua forma rasante de ser; parece que está muito ligada a valores terrenos, esquecendo-se dos valores celestiais que lhe deram origem. Pensando sobre isso, entendemos que alguns fatores têm caracterizado a forma rasante de ser de muitas igrejas de hoje.

Perda da voz profética, Ez 3: 17; Jr 6: 27

“Filho do homem, eu te dei por atalaia sobre a casa de Israel; da minha boca ouvirás a palavra, e os avisarás da minha parte”.

A principal função do atalaia era avisar e advertir o povo quanto ao perigo iminente. Percebemos que, na ânsia de crescer, há muitos grupos cristãos que estão mais preocupados em agradar aos homens do que em proclamar o Evangelho integral.

A Igreja não pode perder de vista a missão de tocar a trombeta contra a corrupção, injustiças, opressão, falsidade, enfim contra todo o tipo de pecado. Jesus foi um autêntico atalaia, Mt 24. Não podemos nos dobrar diante da voz do deus deste mundo.

Teologia de balcão, At 8: 18-20 e At 15: 1-29

“Vendo, porém Simão que, pelo fato de imporem os apóstolos as mãos, era concedido o Espírito Santo, ofereceu-lhes dinheiro…”

Estamos no tempo da prática de teologias de observação rasa, sem consistência. As igrejas de hoje têm sido abaladas por um tremendo volume de idéias e práticas oriundas de observação superficial, sem o necessário embasamento bíblico. Isso tem produzido muitos cristãos sem compromisso com Deus e com Sua missão na Terra.

Simão, o mágico, ao observar que, através da imposição das mãos de Pedro, o Espírito Santo era concedido às pessoas, num passe de mágica desenvolveu sua “Teologia de Balcão”. Não percebeu as implicações necessárias para que houvesse aquelas manifestações genuínas do poder de Deus.

Simão tentou usar um princípio pagão para alcançar privilégios espirituais. Este é apenas um exemplo, mas há uma gama enorme de idéias humanas e pagãs inseridas e aceitas como práticas cristãs. Esta “teologia” quase sempre é produzida por mentes nervosas, achando que evangelho é “negócio”; é fruto de mentes dissociadas da realidade e vazias da revelação divina.

A verdadeira teologia é aquela que resulta de um coração nascido de novo e está atrelada a uma experiência real e contínua com Cristo. Mas a falsa teologia é fruto de mera reflexão humana e de uma prática espiritual irrefletida, como no caso dos filhos de Ceva que, mesmo usando o nome de Jesus, tiveram de fugir desnudos e feridos, por exercerem práticas espirituais sem conteúdo, At 19: 13-17.

O estacionamento da cruz, Mc 8: 34-38

“Quem quiser, pois, salvar a sua vida, perdê-la-á, e quem perder a vida por causa de mim e do Evangelho, salvá-la-á”, Mc 8: 35.

A cruz é o símbolo que evidencia a religião cristã. A mensagem do Cristianismo sempre esteve atrelada à cruz, porque Jesus, o Salvador, foi condenado a morrer numa cruz. O termo “cristão” significa “ser parecido com Cristo”, ou seja, andar como Ele andou, viver como Ele viveu e, se necessário, morrer como Ele morreu. Jesus nos convida para uma vida prazerosa, mas sacrificial; abundante, mas sofrida. No versículo acima citado, quem perde ganha, e quem ganha perde.

Ao chegar a nossa igreja atrasado, no domingo à noite, não é fácil encontrar lugar para estacionar, devido ao grande número de carros e à falta de espaço. Mas ao final do culto, o problema deixa de existir porque cada um toma o seu carro e vai para casa, deixando o estacionamento vazio.

Já quanto ao compromisso de carregar a cruz, parece acontecer o contrário. Enquanto o culto é realizado, o carro fica no estacionamento e muitos crentes carregam a cruz. Findo o culto, deixam a cruz de Cristo no estacionamento ao entrarem no carro, vindo a retomá-la somente no próximo domingo – e olha lá…

Estes cristãos só podem ser identificados durante o culto e nunca na vida diária, o que é uma pena. O correto é assumir a postura de Paulo, que disse: “Estou crucificado com Cristo; logo, já não sou eu quem vive, mas Cristo vive em mim”, Gl 2: 19-20.

O evolucionismo cristão, Ml 3: 6 e Mt 24: 35

“Por que Eu, o Senhor, não mudo.”

É perfeitamente cabível que haja mudanças orgânicas, diaconais e conceituais no andar da carruagem da Igreja rumo à Canaã Celestial, mas desde que sejam mudanças que tenham por objetivo recuperar a integralidade da intenção de Deus para Sua igreja. Quaisquer outras mudanças implicarão em sérios prejuízos.

Quando ouvimos falar da Teoria da Evolução, de Charles Darwin, ficamos profundamente tristes e não temos dúvidas em afirmar que ela se constitui num delírio forjado na mente de um homem sem Deus. É uma invenção sem cabimento esta estória de evolução das espécies. Mas, infelizmente, temos assistido a uma outra evolução, ou seja, a “evolução” do Cristianismo, que muitos têm aplaudido de pé.

O trágico nisso tudo é que Darwin escreveu uma teoria sobre a evolução. Portanto, cada um é livre para acreditar se quiser, pois é simplesmente uma teoria, onde ele propõe idéias baseadas em hipóteses. Contudo, o Cristianismo, que não é uma teoria, vem evoluindo inexplicavelmente.

Ao olharmos o Cristianismo pregado no NT e vivido pela Igreja Primitiva e compará-lo, historicamente, com a fé cristã até os nossos dias veremos diferenças radicais, ressalvadas as exceções históricas produzidas por avivamentos genuínos, que trouxeram de volta a disposição para o martírio, a comunhão de bens, a despreocupação denominacional, a exaltação de Jesus, o discipulado, milagres em série, enfim a atuação inconteste do Espírito Santo – uma espécie de continuação dos Atos dos Apóstolos.

A Palavra de Deus está completa, Ap 22: 18-19, e por isso não dá para entender por que muitos usam a Bíblia como se fosse um livro de receitas culinárias. Na medida em que são experimentados os vários tipos de comida, vão mudando para outras receitas e até inventando outras com base nas que já existem. O interessante é que saboreiam demais uma receita e desprezam outras necessariamente vitais, produzindo assim um Cristianismo diferente em cada época e descompromissado com a intenção original de Deus.

Conclusão

A Igreja foi vocacionada para voar nas alturas, pois o apóstolo Paulo afirma categoricamente que o Deus Pai “nos tem abençoado com todas as bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo”, Ef 1: 3. Desta forma, a missão da igreja deve ser a de buscar as coisas lá do alto, onde Cristo vive, assentado à direita de Deus, Cl 3: 1b. A Igreja do Senhor não pode se aventurar a viver rasantemente.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2001

Quando o Crepúsculo Chegar – Setembro/1989

Edificante palavra de ânimo
e coragem, redigida depois de dez anos
de luta contra o período
mais crítico de sua enfermidade

Como é maravilhoso o crepúsculo matutino, quando a luz da aurora vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito. Não é assim o crepúsculo vespertino, quando o sol vai se pondo mais e mais até anoitecer. A noite chegou. A melancolia, o medo, as preocupações acentuam-se cada vez mais. Não só os homens passam por esses dois estágios da vida; isso também ocorre com os animais e as civilizações. Onde está o esplendor da Grécia, o poderio do Império Romano? Só nos restam relatos históricos e nada mais…

Quero, nesta oportunidade, ater-me à existência humana. O crepúsculo chega por meio de uma enfermidade incurável, da velhice, do abandono do lar por parte do esposo ou da esposa, da morte de um ente querido, da perda de emprego e tantos outros infortúnios. O que fazer? Muitos se deixam vencer e prostram-se, aguardando, na morte, a melhor saída. Outros, porém, enfrentam qualquer circunstância e procuram viver vitoriosamente, antes que a noite chegue.

A história fornece muitos exemplos daqueles que pararam quando ainda muito poderiam fazer em prol da causa que abraçaram. É o caso de Menahem Begin, primeiro ministro de Israel por muitos anos, que, inesperadamente, abandona seu cargo e se isola no mundo exterior. Entre as muitas suposições, julga-se que assim agiu após a morte de sua esposa. Temos ainda o famoso imperador Carlos V, da Espanha, no século XVI. Conquistou tantas terras que sobre elas o sol jamais se punha. Entrega seu trono a seu filho, Felipe II, e passa o final de sua vida num convento…

Na década de 60, presenciei, em praça pública, numa de nossas cidades, manifestação idêntica. Um pastor, que havia conseguido uma cadeira num legislativo estadual, reúne seus amigos e comunica que estava renunciando o seu cargo, sem explicações plausíveis.

Será isso uma coisa normal? Entendo que não, porque outros têm agido de maneira diferente, especialmente os servos de Deus que, esperando no Senhor, renovarão suas forças, subirão com asas e como águias voarão. Correrão e não se cansarão; caminharão e não se fatigarão. Porque Ele dá esforço ao cansado e multiplica as forças aos que não têm nenhum vigor, Is 40: 31 e 29.

Nas interrupções físicas, Deus tem dado muitas oportunidades. Cito, para glória de Deus, o exemplo da irmã Ester Josepetti, da segunda IPR de Maringá, de saudosa memória. Vítima de enfermidade incurável, por mais de seis anos enfrentou-a vitoriosamente. Jamais abandonou seus compromissos com a Igreja. Até mesmo no final de sua existência, quando a enfermidade dilacerava seus ossos e suas carnes, ela manteve-se firme e ativa. Muitas vezes apoiada em alguém, participava dos cultos, vigílias, reuniões de oração, campanhas, etc. Quando não mais pôde sair de sua casa, promovia ali as reuniões de oração, vigílias e cultos semanais. Só parou quando entrou para a glória.

Não posso também esquecer-me da irmã Soledade, da IPR de Arapongas, de saudosa memória, que fez de sua cadeira de rodas o seu púlpito, de onde pregou o evangelho e louvou a Deus por muitos anos.

Peço vênia para relatar minha experiência. No ano de 1979, o crepúsculo chegou para mim, através de uma insuficiência renal crônica. Os médicos declararam que minha enfermidade não teria mais cura. Tive de depender, daquela época em diante, de uma máquina de hemodiálise. Grande foi minha tristeza. Estava à frente do Seminário, presidia o Presbitério de Curitiba e fazia campanhas nas Igrejas locais e palestras nos encontros de avivamento.

O que fazer? Parar? Fui aconselhado a assim agir. Mas o Espírito Santo, que habita em mim, levou-me a clamar ao Senhor para que não permitisse que isso acontecesse. Foi essa a minha oração. Como resposta, o Senhor disse que iria me sustentar e mostrar aos médicos o seu poder. Estava, naquela época, com cinquenta e cinco anos. Dez anos são passados e continuo à frente do Seminário como professor e diretor, presido o Presbitério de Cianorte, a Associação Evangélica Educacional Beneficente e participo das reuniões administrativas da Igreja Renovada. Presido, também, anualmente, o Encontro de Avivamento de Cianorte e, ainda, prego nos encontros de avivamento e de obreiros.

Continuo com o meu tratamento, agora, em casa, orando para que Deus não permita que eu venha parar antes do tempo. No decorrer desses de anos, enfrentei crises que me levaram as forças, mas continuo trabalhando.

Para você, caro leitor, que está enfrentando, ou vai enfrentar o crepúsculo, aconselho a não parar. Procure fazer alguma coisa e Deus lhe abrirá as portas. Não se deixe vencer, mas reaja diante do período crepuscular.

Faça sua a oração de Davi: Agora, também, quando estou velho e de cabelos brancos, não me desampares, ó Deus, até que tenha anunciado a tua força a esta geração e o teu poder a todos os vindouros. “Não me rejeites no tempo da velhice; não me desampares, quando for acabando a minha força; porque na velhice ainda darão frutos; serão viçosos e florescentes”, Salmo 71:9, 18, 92:14.

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 1989
Reproduzido na edição especial, em homenagem ao Pr. Palmiro, de julho de 1991

O relacionamento conjugal abençoado tem suas regras – Maio/2007

Casamento é um compromisso a dois
que requer companheirismo, disposição
em compreender um ao outro, força nos momentos
difíceis e muita união.
Por isso, o matrimônio é uma comunidade de vida
e de amor para sempre, onde os cônjuges
se ajudam e se completam.

O Jornal do SBT, na edição do dia 13 de outubro de 2006, trouxe uma reportagem em que mostrava o Censo do IBGE. Nela constava que o número de matrimônio no Brasil subiu em dez por cento. A estatística mostrava, ainda, que as pessoas resolvem se casar por volta dos trinta anos e que, em um ano, há aproximadamente setecentos mil casamentos no Brasil.

Outro fato interessante, porém negativo, é que, mesmo havendo um aumento no número de casamento, a média de sua duração, dividido por estado, é: Rio de Janeiro, onze anos; São Paulo, sete anos; Minas Gerais, seis anos. A repórter terminou dizendo: “que seja eterno enquanto dure”. Mas o que fazer para que um casamento dure até que a morte separe os cônjuges?

Gênesis 2: 24 diz: “por isso, deixa o homem pai e mãe e se une à sua mulher, tornando-se os dois uma só carne”. Esse texto traz princípios que, se observados, podem levar um casal a não entrar na estatística do IBGE, mas, sim, ingressar na vontade de Deus.

Quando Deus criou o homem logo viu que não era bom que este ficasse só. Com isso, a vontade de Deus foi de fazer uma auxiliadora que lhe fosse idônea. Isto é, uma pessoa que estivesse ao lado do homem e fosse semelhante a ele. Quando o homem viu esta mulher, aprovou a criação de Deus e, com isto, fora implantada a primeira lei entre os homens, a do casamento, que assim pode ser resumida:

Deixar pai e mãe

Na atualidade, tanto o homem quanto a mulher buscam independência pessoal dos seus progenitores. Com isso, o relacionamento no casamento tem o sentido de começar algo novo sem a interferência de ninguém. É a chamada independência pessoal.

Porém, independência pessoal e casamento não caminham juntos. Salomão já dizia: “o solitário busca o seu próprio interesse e insurge-se contra a verdadeira sabedoria”, Pv 18: 1. Sem sabedoria no dia-a-dia da vida conjugal, as dificuldades serão mais difíceis de serem superadas. Por isso, os dois precisam dar o sentido bíblico à união conjugal e saber compartilhar esse novo relacionamento.

Unir à sua mulher

No namoro, as pessoas se conhecem; no noivado, os dois fazem um acordo; e, no casamento, este pacto é selado diante dos homens e de Deus através da cerimônia civil e religiosa. Assim, vamos pedir a bênção de Deus para esta união. Bênção essa que concede o poder ao casal para alcançar sucesso, prosperidade, fertilidade e longevidade: “o que acha uma esposa acha o bem e alcançou a benevolência do Senhor”, Pv 18: 22. Cônjuges, percebam e entendam que o casamento não é com a mamãe e nem com o papai, mas o dois vão se tornar marido e esposa.

O Senhor criou o homem e a mulher com vocação para o amor, a comunhão e a união particular, pessoal e íntima. Ele fez o necessário para que a solidão do homem fosse suprida pela mulher e a da mulher pelo homem. Deus fez uma mulher com a capacidade de ajudar o seu companheiro, pois ela tinha os mesmos sentimentos e afeições do seu parceiro. Os dois poderiam caminhar juntos.

Tornar uma só carne

Neste ponto começa o maior desafio para o casal. Porque se trata de duas pessoas com cultura, hábitos, costumes e manias diferentes. E, quando começam a viver juntos, logo tudo aflora. Quando eram namorados conseguiam disfarçar bem os defeitos, mas, na convivência a dois, as coisas complicam. Por isso, o tempo de relacionamento mostrado pelo IBGE pode ser explicado. O relacionamento interpessoal deve ter um objetivo comum. E, se o objetivo é “viver juntos até que a morte os separe”, os dois devem envidar esforços para vencer a si mesmos nos pontos que os conflitam e procurar avançar mais nos aspectos que os unem e os aproximam.

Para iniciar, um relacionamento perfeito só é possível quando há harmonia e, para viver em harmonia, é preciso que ambos sejam um e não dois. O exemplo da maionese pode explicar, pois, na maionese, todos os ingredientes se unem para formar um novo sabor. O casamento deve ter um novo sabor. Depois, não deve ser esquecida a auto-regulagem, que é a capacidade de controlar todos os impulsos e reações que venham colocar a união em perigo, produzindo desarmonia. E aconselha-se a pôr em prática:

A criatividade – que é a capacidade de juntos terem idéias para resolver problemas, pois problemas todos têm. Mas o que faz a diferença é a capacidade criadora para saírem deles juntos, sem ninguém ficar para trás.

O compromisso – que é saber que no casamento os dois têm obrigações e deveres, e que eles devem ser respeitados. Cada um deve saber seu papel e função no casamento. Se um falhar, os dois sofrerão as conseqüências; se os dois acertarem nas decisões, haverá bons momentos entre eles e o fortalecimento do relacionamento.

A responsabilidade – que implica na obrigação de cada um responder pelos seus atos ou, quando for responsável por alguém, responder por este também. No casamento, os dois respondem diante dos homens e de Deus por esta nova família.

Com isso, os cônjuges podem caminhar para um casamento perfeito, pois casamento perfeito não é aquele que não tem problema, mas aquele em que há uma atuação mútua entre marido e esposa para que esta aliança se mantenha sólida até que a morte os separe. Isto é simbolizado pela aliança que os dois usam. Há dois instrumentos poderosos que Deus deu a todos: o pensamento, para refletir, e o diálogo, para chegar a um acordo. Tudo isso temperado com amor e fidelidade.

Considerações finais

Podemos perceber que o casamento não é somente uma cerimônia, mas é uma vivência que requer esforço próprio. Cada um deve pensar sempre na felicidade do outro para que a união seja duradoura. Isso tudo deve ser de acordo com a vontade de Deus que é até que a morte os separe.

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Fonte: Jornal Aleluia, maio/2007

Alguns comentários
De André Prado
Igreja Batista de Bonsucesso
Rio de Janeiro

É muito importante estarmos cientes dos planos de Deus para a formação do lar, pois assim poderemos estar mais capacitados a resistirmos às investidas do diabo. O destruidor de nossas vidas tem investido fortemente no relacionamento conjugal, pois, conseguindo destruí-lo, atinge um sem número de pessoas que, direta ou indiretamente, estão ligadas a ele. Vejo que este artigo do pastor Nilton, ainda que abordando de forma compacta este assunto, traz à luz tudo o que é necessário para um bom alicerce matrimonial.

Do Pr. Marco Aurélio
Lagamar, MG

A ideia de casamento surgiu na mente de Deus, e sua instituição se concretizou com a criação do homem e da mulher. Atualmente o desafio de marido e esposa é entender suas diferenças e olhar para aquele que os criou com o propósito de serem um e de compartilharem os desafios cotidianos. O Pr. Nilton Vieira de Mattos foi muito feliz em sua reflexão sobre o relacionamento conjugal abençoado. Ele tem suas regras. Isso pelo fato de que é necessário que haja a coparticipação para o sucesso no casamento, deixando uma realidade passada e vivendo uma situação presente, onde os dois formam uma nova família. Parabéns, pastor Nilton; continue a escrever e a cooperar para o sucesso de tantos lares carentes de uma palavra segura e orientadora.

Do Pr. Eliandro Costa Cordeiro
Seminário Presbiteriano Renovado
Cianorte, PR

O Pr. Nilton relembra-nos elementos simples, porém impreteríveis ao casamento. Infelizmente esta instituição divina tem-se tornado, a cada dia, apenas um ritual de passagem, onde um ou outro assume um papel independente ou até mesmo de déspota. “Ancorar-nos” na Palavra de Deus é sempre o melhor caminho. Ainda que “aparentemente” simples, a realidade requer esforço, conforme diz o autor, mas nada que o amor não vença. Portanto, parabéns ao pastor pelo artigo e ao Jornal Aleluia por procurar ser sempre atual e bíblico.

Renovando a vida – Fevereiro de 2014

“e dar-vos-ei um coração novo,
e porei dentro em vós um espírito novo;
e tirarei da vossa carne o coração de pedra,
e vos darei um coração de carne”
Ez. 36.26

Todos nós desejamos renovar alguma coisa. Uns pensam em fazer uma reforma na casa, ampliar, pintar, modificar. As mulheres querem apenas trocar alguns móveis: o guarda-roupas, o sofá, algumas cadeiras… Boa parte dos homens sonha em trocar de carro. Eles têm várias razões para isso. A verdade é que todos nós desejamos renovar alguma coisa de nosso uso ou de nosso trabalho, mesmo que sejam algumas peças de roupa.

Agimos assim porque renovar é preciso! Só que há um detalhe: para qualquer reforma, substituição ou renovação é preciso dinheiro. São necessários recursos financeiros, o que nem todos têm. Mas, quero apresentar algumas áreas de nossa vida que podemos renovar sem comprometer o orçamento da família.

Para quem está pensando numa ampla renovação, já começamos pelo nome de nossa Comunidade: Presbiteriana Renovada.

Na área espiritual, todos nós sempre quisemos e sempre haveremos de querer uma vida Renovada. Como a maioria, eu também gosto de pensar assim, mas desejo algo mais, quero uma vida renovada, longa e útil, que eu não precise trocar a todo o momento. Quero uma VIDA RENOVADA que dure, mais do que algumas semanas, que faça a diferença neste ano e nos anos vindouros.

E fico pensando como conseguir isso. Como fluir dessa bênção.

E descubro que para renovar nossas vidas precisamos estar abertos para a novidade de vida que Deus traz a todos nós na pessoa de Jesus Cristo, seu Filho.

RENOVAR é possível
para aqueles que querem ser regenerados

Ao nos entregarmos ao Senhor Jesus, recebemos um novo coração e um novo espírito, fomos regenerados, transformados em novas pessoas, renovados. Deus circuncidou os nossos corações incrédulos, dando-nos um coração que o ama e deseja obedecê-lo.

Ser regenerado é ser transformado de velha criatura em uma nova pessoa. É nascer de novo! É receber novo nome, mente renovada e a capacidade para ter novas atitudes. É a capacidade de abandonar velhos hábitos. O jeito antigo do nosso modo de ver e viver a vida; agora é transformado! E nos dá capacidade de ver e viver a nossa história a partir do prisma de Deus.

Ser regenerado é experimentar uma ampla, intensa e plena renovação.

Tudo quanto precisávamos Deus já fez ao nos regenerar, pois um coração duro é teimoso, não responde a Ele. O Senhor nos abençoou de tal forma, capacitando-nos a viver em novidade de vida.

Portanto:

Chega de adiar, comece agora
a renovação em sua vida!

Bônus sem ônus é o que todos querem, mas é preciso um investimento mínimo, senão nunca experimentaremos o que desejamos. Para que experimentemos a renovação em nossa vida é preciso simplesmente continuarmos vinculados em Jesus.

Nossa vida não pode estar alienada dos projetos, dos sonhos e dos objetivos de DEUS. No livro de Esdras vemos que ele compreendeu isto muito bem. (Ed 7.27) O apóstolo Paulo nos ensina assim: “Uma coisa faço, esquecendo-me das coisas que para trás ficam prossigo para o alvo da minha SOBERANA vocação de Deus em Cristo Jesus”.

Deus tem algo a mais para você, tem algo a mais para sua família, tem algo a mais para sua casa. Algo a mais da parte de DEUS. Mude hoje, mude agora tome uma decisão e aja segundo o PROPÓSITO de Deus. E você vai experimentar a mais profunda e mais significativa renovação que existe.

Renove a devoção
e seja bênção na família e na sociedade

Por onde começar? Comece renovando seu relacionamento com Deus. A oração e a meditação da Bíblia certamente livrarão você do pecado, do marasmo, da inércia, do ranço e o colocarão numa nova dimensão espiritual.
Umas das coisas que sempre entendi é que Deus sempre busca se relacionar conosco. Ele criou meios para se relacionar com Abraão e os patriarcas, com Moisés, com Davi, com seus juízes, com seus profetas e tantos outros.

A grande nuvem de testemunhas de Hebreus 11 fica a nos rodear, indicando que Deus se relacionou com homens que tinham problemas como qualquer um hoje, que pecava como pecamos, mas Deus sempre separou homens e mulheres para se relacionarem profundamente com ELE.

Um cristão devoto é uma bênção na família, na igreja e sociedade. Tenho certeza de que tudo começará a fazer sentido para você, de que a vida será mais colorida, e de que o sofrimento e o vazio de sua alma deixarão de existir.

DEUS está nos esperando no lugar secreto!!! DEUS está à sua procura. Ele quer encontrar o verdadeiro adorador, aquele que chora na presença dele e que caminha em novidade de VIDA. Portanto, renove seu relacionamento dom Deus. Ao fazer isto, DEUS irá renovar seu relacionamento conjugal, familiar e profissional. Se essas coisas estão se desintegrando, é porque falta o principal – um profundo relacionamento com Ele.

Adore a Deus pelo que Ele é: santo, justo, amoroso, e por tudo quanto Ele fez e fará em sua vida. Quando estiver trabalhando, viajando, cantando ou mesmo comendo uma pizza, faça tudo para a glória de Deus. A adoração alegra o coração de Deus.

Renove sua paixão missionária

O mandamento da grande comissão ainda está em vigor e precisamos obedecê-lo. Provavelmente você tem um parente, amigo ou vizinho que ainda não ouviu a respeito da salvação, portanto, permita que eles vejam Jesus em sua vida.

Renove o serviço

Não há cristão convertido sem dom. Jesus aos subir ao alto levou cativo o cativeiro e deu dons aos homens. Envolva-se em algo que glorifique ao Pai. Se observar atentamente perceberá que nesta igreja há um espaço para você servir. Servir é terapêutico, pois quando servimos sentimo-nos úteis e isso gera cura em nossa alma.

Comece servindo aqueles que são recém-chegados à sua Comunidade. Renove a alegria de pregar o Evangelho e servir aos irmãos. Você vai notar que Deus abrirá meios e oportunidades para que isto aconteça abundantemente em sua vida.

Renove seu amor pela sua família

Haverá um grande desequilíbrio se for bem sucedido na vida social, comercial ou profissional, e desqualificado por não ter amado e cuidado pela própria família.

Portanto, priorize a sua família. Se você é solteiro, honre seus pais e ame os seus irmãos. Se é casado, ame seu cônjuge e cuide dos seus filhos. Os filhos são herança do Senhor para nossas vidas.

Salomão registrou em Eclesiastes 9: 9 que a mulher de nossa mocidade é toda recompensa que obtivemos debaixo do sol. Sempre coubemos que o maior desafio de um cristão é viver o Evangelho dentro de sua própria casa. Encare esse desafio, seja um luzeiro em seu lar.

Ao renovar a sua vida você se tornará um instrumento de vida e paz na vida das pessoas.

……………………………
Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2014

Halloween, uma tradição exótica que teimamos em importar – Outubro/2003

Qual seria a necessidade de um estudo
sobre o Halloween, se esta é uma festa americana
e de alguns países europeus?

É que, apesar de essa festividade não ser muito
conhecida pela maioria das pessoas no Brasil,
ela vem ganhando grande espaço
em nossa cultura através de escolas primárias,
escolas de inglês, TV, clubes, etc.
Por essa razão, pais, professores e pastores
precisam saber mais sobre esta festa pagã.

O que são as festas de Halloween? O Halloween acontece nas noites dos dias 31 de outubro quando são geralmente celebradas as festas à fantasia, fogueiras e com crianças vestidas de monstros, fantasmas, bruxas, etc., as quais saem de casa em casa pedindo doces (brincadeira de “trick or treat”, “travessuras ou doces”).

Simbolismos e suas origens

Definição: “Hallowed” é uma palavra do Inglês antigo que significa “santo”, e “e’en” também de origem inglesa significa “noite”, então o significado é “Noite Santa” ou “All Hallows Eve”, “Noite de Todos os Santos”.

O dia 31 de outubro

O dia 31 de outubro não é uma escolha por acaso. No calendário celta, este é um dos quatro principais dias de descanso das bruxas, os quatro dias de “meio trimestre”. O primeiro, 2 de fevereiro, conhecido como Dia da Marmota, honrava a Brigite, a deusa pagã da cura. O segundo, um feriado de maio chamado Beltane, era, entre os bruxos, o tempo de plantar. Neste dia os druidas executavam ritos mágicos para incentivar o crescimento das plantações. O terceiro, uma festa de colheita em agosto, era comemorado em honra ao deus sol, a divindade brilhante, Lugh.

Esses três primeiros dias marcavam a passagem das estações, o tempo de plantar e o tempo de ceifar, bem como o tempo da morte e ressurreição da terra. O último, Samhain, marcava a entrada do inverno. Nesse tempo, os druidas executavam rituais em que um caldeirão simbolizava a abundância da deusa. Dizia-se que era tempo de “estado intermediário”, uma temporada sagrada de superstição e de conjurações de espíritos.

Para os druidas, 31 de outubro era a noite em que Samhain voltava com os espíritos dos mortos. Eles precisavam ser apaziguados ou agradados; caso contrário, os vivos seriam ludibriados. Acendiam-se enormes fogueiras nos topos das colinas para afugentar os espíritos maus e aplacar os poderes sobrenaturais que controlavam os processos da natureza. Recentemente alguns imigrantes europeus, de um modo especial os irlandeses, introduziram o Halloween nos Estados Unidos. No final do século passado, seus costumes se haviam tornado populares. Era ocasião de infligir danos às propriedades, e consentir que se praticassem atos diabólicos não tolerados noutras épocas do ano

A Igreja Católica celebrava originalmente o “Dia de Todos os Santos” no mês de maio e não dia 1 de novembro como é feito atualmente. O Papa Gregório III, em 835, tentando apaziguar a situação nos territórios pagãos recém conquistados no noroeste da Europa, permitiu-lhes combinar o antigo ritual do “Dia de Samhain” ou “Vigília de Samhain” (algo parecido com o que os católicos fizeram no Brasil com os deuses africanos e os santos da igreja no tempo da escravidão). O Panteão de Roma, templo edificado para adoração de uma multiplicidade de deuses, foi transformado em igreja. Os cristãos celebravam ali o dia dos santos falecidos no dia posterior ao que os pagãos celebravam o dia de seu Senhor dos Mortos.

Druidas

Estes eram membros de um culto sacerdotal entre os celtas na antiga França, Inglaterra e Irlanda que adoravam deuses semelhantes aos dos gregos e romanos, mas com nomes diferentes. Pouco se sabe sobre eles, pois os sacerdotes passavam seus ensinamentos apenas oralmente jurando e fazendo jurar segredo.

Algumas práticas porém são conhecidas. Eles moravam nas florestas e cavernas, e diziam dar instruções, fazer justiça e prever o futuro através de vôo de pássaros, do fogo, do fígado e outras entranhas de animais sacrificados. Os druidas também ofereciam sacrifícios humanos e tinham como sagrados a lua, a “meia-noite”, o gato, o carvalho, etc. Os druidas foram dizimados pelos romanos na França e Inglaterra antes do final do primeiro século, mas continuaram ativos na Irlanda até o quarto século.

Bruxas e fantasmas

Os antigos druidas acreditavam que em uma certa noite (31 de outubro), bruxas, fantasmas, espíritos, fadas, e duendes saiam para prejudicar as pessoas.

Lua cheia, gatos e morcegos

Acreditava-se que a lua cheia marcava a época de praticar certos rituais ocultos. O gato estava associado as bruxas por superstição. Acreditava-se que as bruxas podiam transferir seus espíritos para gatos, então acreditava-se que toda bruxa tinha um gato. O gato era tido como “um espírito familiar” e muitos eram mortos quando se suspeitava ser uma bruxa.

Os druidas também tinham os gatos como animais sagrados, acreditando terem eles sido seres humanos transformados em gatos como punição por algum tipo de perversidade. Representavam portanto seres humanos encarnados, espíritos malvados, ou os “espíritos familiares” das bruxas. A cor do gato originalmente não era um fator importante. O morcego, por sua habilidade de perseguir sua presa no escuro, adquiriu a reputação de possuir forças ocultas.

O mamífero voador também possuía as características de pássaro (para o ocultismo, símbolo da alma) e de demônio (por ser noturno). No período medieval acreditava-se que demônios transformavam-se em morcegos.

Cabeças de Abóbora (“Jack-o-lanterns”)

A lanterna feita com uma abóbora recortada em forma de “careta”, veio da lenda de um homem notório chamado Jack, a quem foi negada a entrada no céu, por sua maldade, e no inferno, por pregar peças no diabo. Condenado a perambular pela terra como espírito até o dia do juízo final, Jack colocou uma brasa brilhante num grande nabo oco, para iluminar-lhe o caminho através da noite. Este talismã (que virou abóbora) simbolizava uma alma condenada.

“Travessuras ou Doces” – “Trick or Treat”

Acreditava-se na cultura celta que para se apaziguar espíritos malignos, era necessário deixar comida para eles. Esta prática foi transformada com o tempo e os mendigos passaram a pedir comida em troca de orações por quaisquer membros mortos da família. Também neste contexto, havia na Irlanda a tradição, que um homem conduzia uma procissão para angariar oferendas de agricultores, a fim de que sua colheitas não fossem amaldiçoadas por demônios. Uma espécie de chantagem, que daí deu origem ao “travessuras ou doces” “Trick or Treat”.

As máscaras e fantasias

As máscaras têm sido um meio de supersticiosamente afastar espíritos maus ou mudar a personalidade do usuário e também de comunicação com o mundo dos espíritos. Acreditava-se enganar e assustar os espíritos malignos, quando vestidos com máscaras. Também em outras culturas pessoas tem usado máscaras para assustar demônios que acreditavam trazer desastres como epidemias, secas, etc. Grupos envolvidos com magia negra e bruxaria também usam máscaras para “criar uma ligação” com o mundo dos espíritos.

As fogueiras

A palavra inglesa para fogueira (de acampamento, festas, etc.) é “Bonfire”. Alguém pode até pensar que quer dizer “fogo bom”, mas na verdade vem de “Bone” (osso) + “Fire” (fogo). Nas celebrações da “Vigília de Samhain” nos dias 31 de outubro, os druidas acreditavam poder ver boas coisas e mal agouros do futuro através do fogo. Nestas ocasiões, os druidas construíam grandes fogueiras com cestas de diversos formatos e queimavam vivos prisioneiros de guerra, criminosos e animais. Observando a posição dos corpos em chama, eles diziam ver o futuro.

As cores laranja e preta

As cores usadas no Halloween, o laranja e o preto, também tem sua origem no oculto. Elas estiveram ligadas a missas comemorativas em favor dos mortos, celebradas em novembro. As velas de cera de abelha tinham cor alaranjada, e os esquifes eram cobertos com tecidos pretos.

O Halloween hoje

Vejamos agora a celebração atual do Halloween. Não é uma temática de trevas, morte, medo, ameaças, destruição e mal? Há bruxas, vassouras, morcegos, corujas, esqueletos, morte e monstros. Há lugares do mundo (cada vez mais) em que as crianças se disfarçam de demônios, bruxas e fantasmas, e saem à rua quando já está escuro, para repetir o que faziam os Druidas: pedir comida – só que agora pedem guloseimas e, em vez de maldições, ameaçam com travessuras.

No Halloween há adivinhações, velas e invocação de espíritos. Há sacrifícios de cães, gatos, ratos, galinhas, cabras e até de seres humanos! Podemos pensar: “não é para levar isso tão a sério”. No entanto, o maligno leva a sério, e Deus também.

O que a Bíblia diz

Sobre o culto ao medo: 2Tim 1: 7

Sobre um dia especial dedicado ao mal: Salmos 118: 24

O que Deus pensa dessa práticas e seus praticantes: Deut.18: 9-14;
Isa. 8: 19; Lev. 19: 26, 31; 20: 6-8; 20: 27;

Sobre as chantagens da esmola: Salmo 37: 25

No Novo Testamento: Gal. 5: 19-21; Apoc. 21: 8; 22: 15

Nossa resposta: Rom. 12: 2; 1João 4: 4; Efés. 6: 12; 1Pedro 5: 8-9; 2Cor. 2: 11.

Refletindo …

Existe algo de ruim nisto?

Quer dizer que esta simples festividade com pessoas e crianças se fantasiando, pedindo doces é um remanescente de antigas práticas de magia negra, culto aos mortos e outras coisas sinistras?

Tire suas conclusões:

Nos Estados Unidos foram proibidas as orações públicas. O princípio do sectarismo tirou das escolas a celebração do Natal. Mas o Halloween permanece.

O abrigo de gatos de Chicago tem uma procura muito grande de gatos pretos durante os festejos de Halloween. Temendo que os gatos estivessem sendo usados em rituais macabros pelos que se auto-proclamam bruxos, a Sociedade Protetora de Animais excluiu a adoção durante essa temporada.

No Brasil e no mundo estão aparecendo pessoas se auto-intitulando bruxos. Simbolismo apenas? Pense em alguns símbolos e analise-os. Há algum significado? Há alguma importância? Há alguma influência? Exemplo: bruxas, fantasmas, cabeças de abóbora, fantasias macabras, etc.

Deve uma igreja acolher tais festividades?

Deve um crente participar de tais festividades? Hoje, mais e mais casos de sacrifícios humanos ocorrem no mundo ocidental justamente nesta época.

Em Jeremias 10: 2, lemos: “Não aprendais o caminho das gentes”. Uma pessoa que deseja agradar a Deus deveria dedicar seu tempo e apoio a celebrações como esta? Deveria permitir que seus filhos participem nas atividades populares relacionadas com esse festival pagão? Estamos cultivando os frutos do Espírito ou permitindo que ocasiões como esta nos façam cultivar uma tendência à idolatria, inimizade, luta, ciúmes, ódio e egoísmo (Gl 5: 19-23)? O Halloween promove o amor a Deus e a Seu Filho Jesus ou nos envolve com demônios, bruxarias e uma quantidade de outras atividades que são especificamente condenadas na Bíblia?

O Halloween nunca foi uma festividade cristã e não tem lugar na vida de um crente que nasceu de novo em Cristo Jesus. Na verdade, é uma abominação ao Senhor, e devemos tomar uma posição firme contra essa festa e tudo aquilo que ela encerra. Vemos que sua história é claramente pagã, e que a expressão moderna também o é.

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2003

Desceu Cristo ao Inferno? – Outubro/2002

O texto de 1Pedro 3: 18-20 tem sido motivo
de muitos debates entre teólogos
e cristãos. Mas, será que Cristo desceu
a um mundo inferior entre
a sua morte e ressurreição?
É o que vamos analisar.

As várias interpretações

1) Interpretação arminiana – Defende que os contemporâneos de Noé não tiveram nenhum redentor e nenhum guia. Portanto, Deus teve de lhes suprir esta deficiência e, assim, por fim, o Senhor ressuscitado lhes trouxe a salvação. Para eles, a rejeição do Evangelho no passado não foi uma rejeição final e definitiva.

Mas, será que a morte não coloca um fim no período em que Deus opera com Sua graça para salvar pecadores? Será que existe neste texto de Pedro o ensino de uma nova oportunidade para os ímpios se salvarem, mesmo depois de sua morte? A grande dificuldade é que os santos do Antigo Testamento já haviam crido no Messias e, por isso, estavam justificados, Rm 4: 3; Gl 3: 6-9.

2) Interpretação luterana diz que Cristo morreu e, antes de ser ressuscitado, teve seu espírito restituído ao corpo e, na totalidade de sua natureza humana, foi ao inferno e proclamou sua vitória a Satanás. Mas, essa interpretação traz dificuldade porque não havia tido ainda nenhuma manifestação de vitória de Cristo.

3) Interpretação anglicana ensina que a alma de Cristo desceu ao inferno para conquistar a morte e o diabo (tomar as chaves) e para libertar as almas dos homens justos e bons, que desde a queda de Adão morreram por causa de Deus e na fé e na crença em Jesus, que estava para vir. Sua conquista destruiu qualquer reivindicação que o diabo tinha sobre os homens, e a descida foi parte do “resgate” pago por Cristo.

Mas, as Escrituras não ensinam que os crentes do Antigo Testamento foram para o Hades e que Jesus lá desceu para libertá-los. Esses crentes foram estar com Deus após a sua morte, Sl 73: 23-24. Enquanto Cristo estava na terra, Elias e Moisés já estavam com Deus no céu, e não no Hades, 2Rs 2: 11; Lc 9: 29-32.

Análise bíblica de 1Pedro 3: 18-20

1) Qual o significado das expressões
“carne” e “espírito vivificado”?

Neste texto, Pedro está contrastando dois estados de existência de nosso Redentor.

a) O estado de limitação de Cristo.

“Na carne”: este estado é a natureza humana de Cristo, 1Pe 4: 1; 1 Jo 4: 2; 2Jo 7; Jo 1: 14; 1Tm 3: 16, Rm 1: 3-4. A expressão “morto na carne” faz referência quando Jesus morreu e saiu do estado de fraqueza e de limitação.

b) O estado de não-limitação

“Espírito vivificado”. A expressão “vivificado no espírito” se refere à natureza divina de Jesus. Seu estado antes de sua encarnação. E foi neste estado que Ele pregou aos “espíritos em prisão”.

Quando o texto fala que Jesus “vivificado em espírito foi e pregou, não está se referindo a um lugar depois de sua morte, mas onde Ele estava quando havia desobedientes dos tempos de Noé” (v. 20). Foi neste espírito que Ele pregou através dos profetas.

“Também”. A palavra “também” do v. 19 mostra a ênfase do estado de limitação para o estado de não-limitação. Dito de outra forma: Cristo pregou quando estava em nosso meio, como homem (dias de Sua carne), mas também pregou como Divino (não-limitação) nos dias de Noé através dos profetas.

2) Quando Cristo pregou?

O ensino desta passagem não é o que Cristo fez entre a morte e a ressurreição, mas o que Ele fez no seu estado antes da Encarnação – estado não-limitado, no tempo de Noé, 1Pe 1: 8-12.

3) Qual o conteúdo da pregação? O que Cristo pregou?

Jesus pregou o evangelho aos contemporâneos de Noé. Espiritualmente, Cristo estava presente em Noé quando este era o “pregoeiro da justiça”, 2Pe 2: 5. Em 1Pe 1: 10-11, o apóstolo mostra o evangelho sendo pregado pelos profetas. Noé certamente pregou aos seus contemporâneos o evangelho e convocou-os ao arrependimento.

4) Quem são estes “espíritos em prisão”
a quem Cristo pregou?

A expressão “espíritos em prisão” se refere às pessoas que no tempo de Noé (noutro tempo) rejeitaram a sua pregação e que foram consideradas “espíritos em prisão”, incapazes de fazer qualquer coisa que os deixassem livres. Permaneceram no cativeiro espiritual; permaneceram incrédulos quanto à mensagem pregada por Noé e na prisão de suas almas.

Concluímos, portanto, afirmando que:

1) Não aceitamos: uma descida literal de Cristo ao Inferno; que o diabo possuía as “chaves” da morte e do inferno, que Jesus as tomou dele; uma segunda chance de salvação aos desobedientes após sua morte.

2) Aceitamos: que Cristo esteve sempre presente tipologicamente no Antigo Testamento, pregando através dos profetas o Evangelho de Salvação, Rm 4: 3; Gl 16-9, 2Pe 2: 5.

Fontes bibliográficas

1) Revista Fides Reformata, vol. IV, nº 1, 1999
2) Revista Os Puritanos, nº 1, ano IX, 2001

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2002

Simonton: o missionário que trouxe o Presbiterianismo ao Brasil – Novembro/2002

Texto elaborado pelo Pastor Mário de Jesus Arruda

(1833 – 1867)

Durante o curso no Seminário,
a idéia de ser missionário não
o deixava em paz, até que escreveu à junta de missões oferecendo-se para trabalho
no Brasil.

Depois de 54 dias num barco
a vela, Simonton entrou na baía
de Guanabara. Era agosto
de 1859.

Simonton nasceu em West Hanover, estado da Pensilvânia, nos EUA, sendo o nono e último filho de um conceituado médico, deputado federal e devoto cristão. Ao batizarem o filho, os pais o dedicaram a Deus e ao ministério do evangelho. Sendo muito honesto consigo mesmo, não se sentia um bom cristão.

No seu diário, transcrito em parte no livro “Simonton”, podemos ver sua luta íntima. Aos 22 anos, sentiu necessidade de buscar seriamente a Deus pela oração e cuidadosamente pela leitura da Bíblia. Fez então sua pública profissão de fé e seguiu para o seminário de Princeton. Durante o curso, a ideia de ser missionário não o deixava em paz, até que escreveu à junta de missões oferecendo-se para trabalho no Brasil.

Depois de 54 dias num barco a vela, Simonton entrou na baía de Guanabara. Era agosto de 1859. Diz o seu diário: “É difícil descrever as emoções com que saudei esses píncaros elevados (o Pão de Açúcar e Corcovado). O sentimento predominante é de alegria, pela conclusão feliz da longa jornada, aliado ao temor da grande responsabilidade e dos problemas dos trabalho que me espera”.

A primeira tarefa a que se dedicou de corpo e alma foi a de aprender a língua portuguesa. Procurava conversar tanto com adultos como crianças, sempre estudando e se aprimorando, até que dominou o português tanto na fala como na escrita. Esse fato muito contribuiu para o sucesso do jornal “Imprensa Evangélica”, cujo primeiro número foi publicado em novembro de 1864.

Entre as metas cardinais para a implantação do reino de Jesus Cristo no Brasil, Simonton realçava a importância de literatura evangélica. “A Bíblia, e também livros e folhetos evangélicos, devem inundar o Brasil. É impossível envolver um país tão vasto sem o auxílio da palavra impressa”. Muitos liam e reliam a “Imprensa Evangélica”, na qual Simonton publicava editoriais e seus sermões, além de contribuições de outros. Passados muitos anos, ainda havia um crente chamado Juca, que morava no Rio das Antas e ainda preservava sua coleção, recitando de memória trechos dos sermões de Simonton.

Em seu primeiro ano no Brasil, iniciou uma Escola Dominical com os filhos de amigos e vizinhos. Em seu diário escreve: “Este é o primeiro ano completo que passo no Brasil. Essa escola, algumas Bíblias e folhetos postos em circulação, constituem o conjunto do meu trabalho entre os brasileiros. Sinto a minha falta de fé e oro por sucesso. Almejo por pregar Cristo mais experimentalmente por ser capaz de falar daquilo que conheço, porque Cristo o revelou a mim”. Não tardou a fundação de uma igreja em 1862, recebendo duas pessoas por pública profissão de fé.

Nesse ano Simonton fez uma viagem aos EUA para ver sua mãe enferma e prestar relatórios às igrejas. Também conheceu Helen Murdoch, com quem se casou em março de 1863. O diário diz: “Para mim, meu futuro lar no Brasil colore-se de cores vivas. Dou graças a Deus por me ter provido graça, coragem e amor no coração daquela a quem dediquei afeições, a ponto de se dispor a separar-se de amigos, do lar e da terra natal, a fim de compartilhar da minha vida o dos meus labores”.

Voltaram ao Brasil. Foi um ano de alegrias inéditas até o nascimento de sua primeira filhinha. Nove dias depois, diz o diário: “Que Deus tenha misericórdia de mim, pois águas profundas rolam agora sobre minha alma. Helen jaz num caixão, na sala. Deus a tirou tão rapidamente que tudo ainda parece sonho”. Depois de algum tempo a pequena Helen foi para a casa dos tios, missionários em São Paulo. O versículo que sustentara Simonton no passado ainda falava ao seu coração: “Deus não é Deus dos mortos, mas dos vivos”.

Simonton, agora mais que nunca, vivia pelo trabalho de compartilhar Cristo. Nesta época o padre José Manoel da Conceição professou a sua fé em Cristo e foi batizado. Simonton e Conceição foram grandes colaboradores no trabalho de implantação da igreja nestes primeiros tempos, cooperando também na “Imprensa Evangélica”, cuja influência não foi alcançada por nenhuma outra agência empregada pela missão.

O ano de 1865 viu a organização do primeiro presbitério e o Sr. Conceição foi ordenado o primeiro ministro presbiteriano brasileiro. Nesta época, quando o Presidente Lincoln foi morto, Simonton pregou o sermão usando como texto o salmo 46:1-3, sermão que tocou os corações de crentes e descrentes.

No final de 1866, diz o diário: “No retrospecto de minha própria vida durante o ano que agora se finda, sinto-me culpado. Aponto algumas obras realizadas da melhor maneira possível, mas em medida tenho eu progredido na direção do céu? Aí é que me sinto em falta. Não consigo ir além da prece do publicano ‘Tem misericórdia de mim, pecador’. Como suspiro por um coração inteiramente dominado por Cristo!”

Fundou no Rio a primeira Escola Dominical e Igreja Presbiteriana, um jornal, um presbitério e, agora, um seminário para alcançar uma outra meta principal: “a formação de um ministério nacional idôneo, isto é, pastores brasileiros para brasileiros”. Cristo certamente o vinha dominando.

Sem o saber, chegara ao seu último ano de ministério. No prédio da igreja no Rio funcionava uma escola primária com 70 alunos. Escolas para os filhos de crentes também eram uma meta principal. Continuava a viajar pelo interior, pregando e zelando pelo testemunho fiel de cada membro e pela evangelização pessoal, cada crente comunicando o evangelho a outra pessoa.

Em seu dia a dia, Simonton vivia o que pregava. Neste curto ministério de oito anos recebeu 80 pessoas na igreja, fruto visível de uma vida consagrada a Deus. Em dezembro de 1867, contando somente com 34 anos, Simonton morreu em São Paulo, vítima de febre amarela. Dois dias antes de sua morte, sua irmã perguntou se tinha alguma palavra à sua igreja no Rio. Simonton replicou: “Deus levantará alguém para tomar o meu lugar. Ele usará os seus instrumentos para o Seu trabalho”. E assim o tem feito. Louvado seja o Senhor!

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Fonte: Texto elaborado pelo Pastor Mário de Jesus Arruda
Fonte principal: TICKER, Ruth A. Até aos Confins da Terra.
São Paulo. 1986. Vida Nova
Biografia publicada no Jornal Aleluia de novembro de 2002

Retroceder? Jamais – Maio/2016

Hebreus 10.36-38

Em verdade vos afirmo que necessitais de perseverança, a fim de que, havendo cumprido a vontade de Deus, alcanceis plenamente o que Ele prometeu; pois dentro de pouco tempo “Aquele que vem virá, e não tardará. Mas o justo viverá pela fé! Contudo, se retroceder, minha alma não se agradará dele”

Desde o início há aqueles que perseveram e avançam, e, aqueles que desanimam e retrocedem. Ao longo de minha caminhada cristã e pastoral tenho observado este fato. Mas a questão é: de que grupo você faz parte. Dos que avançam ou dos que retrocedem? À luz do texto acima, pense comigo:

I – Volta de Jesus: “Aquele que vem, virá e não tardará”

Em Habacuque 2.3, lemos: Porquanto esta visão se cumprirá num tempo determinado no futuro; é uma visão que fala do fim, e não falhará! Ainda que demore, aguarde-a confiante; porque ela certamente virá e não se retardará. Deus é fiel em cumprir sua Palavra. Nesta linha precisamos avançar cheios de fé e esperança.

A ordem bíblica é: vigiar e orar. Estamos vivendo tempo de apostasia, relativismo, credulidade e incredulidade. Mas hoje precisamos firmar nossa fé na Palavra. Há qualquer momento Ele (Jesus) pode vir buscar a sua igreja. Você está preparado? Pense com seriedade sobre esta questão tão séria.

II – Perseverança: “Em verdade vos afirmo que necessitais de perseverança”

Perseverar, permanecer, ser constante é atitude daqueles que não retrocedem. Adão e Eva, os patriarcas, os juízes, os profetas, os apóstolos, os crentes do NV sempre tiveram dificuldade em perseverar. Hoje não é diferente.

Se não cultivarmos a nossa vida espiritual através da oração, Palavra, comunhão, serviço e prestação de contas, fracassaremos. Não podemos perder o foco: “olhando para Ele autor e consumador da fé”. Ninguém chega a lugar nenhum se não tiver foco e perseverança.

III – Fé: “Mas o justo viverá pela fé”

Nada melhor do que lembrarmos Hebreus 11.1: “Ora, a fé é o firme fundamento das coisas que se esperam, e a prova das coisas que se não veem”. Qual é o fundamento da nossa fé? A Palavra de Deus, em Romanos 10.17, lemos: Logo a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus. A nossa fé precisa estar arraigada, fundamentada, sedimentada na Palavra de Deus. Em Hebreus 11, temos o registro dos heróis da fé que venceram e não retrocederam. Leia com atenção e faça um confronto com a sua vida.

Concluindo, corajosa e ousadamente vamos declarar que pertencemos ao grupo dos que avançam e não retrocedem. Que Deus nos ajude. Por Jesus, amém.

Maio de 2016

Os sonhos e seu preço – Agosto/2013

“DEUS é o nosso refúgio e fortaleza,
socorro bem presente na angústia.”

Salmo 46:1

Toda pessoa que sonha paga um alto preço. Assim foi com José do Egito, um exemplo bastante conhecido. Os matadores de sonhos não são as pessoas mais distantes. São os da própria casa, os mais próximos, os da comunhão eclesiástica, os companheiros da liderança. Convido você a refletir sobre isso para não ser incluído na lista dos matadores de sonhos e nem ter seus sonhos mortos.

Sonhe os sonhos de Deus

Quando temos convicção de que Deus está conosco não temos medo ainda que todos se levantem contra nós. É óbvio que podemos pagar um preço alto, mas nada nos intimida. É bem conhecido o caso de Neemias que teve o sonho da reconstrução dos muros de Jerusalém. Foi em frente e Deus o honrou. Quando estamos na direção de Deus, temos segurança, firmeza.

Sonhe comigo os sonhos de Deus para esta Igreja. Deus tem feito muitas promessas que ainda não se cumpriram. As que se cumpriram são a garantia de que as demais se cumprirão. Concluir a construção do templo, enviar filhos da igreja para os campos missionários, implantar projetos sociais, produzir DVDs para o ministério de louvor, enfim, expandir e multiplicar as células de comunhão, edificação e evangelismo, tudo isto e muito mais está por vir.

Quero motivar esta nova geração visionária que está despontando, e aos mais experientes, a dar todo suporte necessário para que os sonhos de Deus se realizem e se cumpram efetivamente na vida desta igreja.

Seja perseverante:
José não desistiu

José sofreu a inveja e perseguição de seus irmãos, a calúnia da esposa de Potifar, o sofrimento do cárcere, o esquecimento do copeiro-mor, mas ficou firme esperando em Deus. Foi um alto preço pago, mas valeu a pena. Não pelo fato de ter-se tornado vice-rei do Egito, mas pelo fato de salvar a sua família, o seu povo da fome, da morte. “Se a semente cair na terra e não morrer fica só, mas se morrer produz fruto”.

Quantos que se levantam para abortar nossos sonhos. Por que razão? Porque todo sonhador incomoda. Constitui ameaça àqueles que querem ficar na zona de conforto, na mesmice, na rotina, no saudosismo, no passado. Quero motivar você a perseverar em seus sonhos. Há um campo fértil pela frente. Os desafios são enormes. Às vezes precisamos vencer gigantes; noutros momentos, temos de lidar com as ‘raposinhas’ que sutilmente procuram devassar nossos sonhos.

Lance sua confiança inteira
e plenamente no Senhor

Nas horas em que pensamos que estamos sozinhos, Deus levanta companheiros para estarem conosco na batalha. Sempre Deus coloca um ‘Cirineu’ em nosso caminho para amenizar nosso sofrimento.

Você e eu temos oportunidade, no curso de nossa caminhada, de servir de Cirineu a alguém e, vezes por outra, recebermos os benefícios dos cirineus que Deus coloca ao nosso lado, no nosso caminho. Vamos em frente. Vamos continuar sonhando.

Deus garante a vitória!

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O milagre da multiplicação – Agosto/2010

Que atitudes tomar para que
aconteça o milagre da multiplicação?

2Samuel 6: 1-7

Fomos criados para crescer, multiplicar, encher a terra, Gn, 1:28. Deus chama a Abraão e lhe faz promessas de que sua descendência seria tão numerosa como as estrelas no céu e a areia do mar, Gn 12. Jesus nos chama e envia para fazermos discípulos, Mt. 28: 19. De acordo com o relato de Atos 2: 47, Deus acrescentava todos os dias novos convertidos à Igreja. No século XXI, com todos os recursos que temos, convém entender que, para crescer, multiplicar, povoar o céu, precisamos:

Ampliar nossa visão de crescimento

O lugar em que habitamos nos é estreito, v.1. Precisamos nos libertar da visão míope e sermos levados para um lugar espaçoso, Sl 18:19. Temos de nos libertar das quatro paredes, da zona de conforto, dos embaraços desta vida, Hb. 12: 1. Há quem só pense em crescimento financeiro ou numérico. Mas é preciso pensar nas múltiplas áreas de crescimento, tanto social, cultural como, sobretudo, a espiritual.

Ser cooperador e aceitar sugestões

Ninguém consegue fazer nada sozinho, v. 2. Se atuarmos juntos, seremos melhores no trabalho, na obra de Deus. Há o apoio mútuo, o encorajamento, o incentivo. O companheirismo. Um complementa o outro, 1 Co 12: 12-31.

Estar debaixo da autoridade

Para crescermos sem conflitos é importante entendermos o princípio da autoridade. Os discípulos foram ao profeta Eliseu, pediram-lhe permissão e o convidaram para ir com eles, vv. 2b e 3. Os insubmissos dão lugar ao diabo e pecam contra Deus. (A rebeldia é pior que a idolatria). Esteja sempre debaixo da autoridade espiritual. Eliseu foi com eles, avalizando o trabalho por eles realizado. E houve bons resultados.

Prestar contas

Finalmente, temos de entender que somos convocados para fazermos a obra e precisamos prestar contas ao nosso Senhor. Precisamos assumir compromisso sério com o Senhor da obra. Precisamos devolver o “machado” ao seu legítimo dono, ou seja, fazer a prestação de contas. Um dia seremos chamados a fazer isso. Então, será necessário, no dia-a-dia, que o Senhor esteja conosco para fazer com que o milagre aconteça e o machado flutue.

Concluindo, acima de tudo, precisamos estar com as mãos limpas e o coração puro. Deus quer fazer o milagre da multiplicação em sua vida, em sua família, na sua célula, na Igreja. Então, de sua parte, eis o grande desafio: responder positivamente ao chamado Senhor.

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Fonte: Jornal Aleluia, ed. 355, p. 15, de agosto de 2010.

Jesus é amoroso e sensível – Fevereiro de 2014

A dádiva incomensurável de Jesus ao mundo é a revelação do amor de Deus para conosco! Ele próprio é o amor encarnado. É a expressão máxima da “Glória de Deus”. Jamais conheceríamos a Deus, se Jesus não no-lo houvesse revelado. Jesus, como Deus, e Deus homem, é amoroso e sensível às nossas dores, sejam elas quais forem. À luz dos textos de 1João 4.16; Lucas 19.41 e João 11.35, reflita comigo:

Deus é amor

Como podemos experimentar do amor de Deus? Podemos conhecê-lo em nossas vidas através de Jesus, do seu sacrifício por nós na cruz. Paulo, em Romanos 5.8, deixa claro que o “amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito que nos foi dado”. Jesus disse em João 15.26b: “Eu o mandarei a vocês da parte do Pai, e Ele falará a respeito de mim”.

Jesus foi obediente até a morte e morte de cruz tão somente por amor à humanidade. Porque Jesus é o amor de Deus encarnado, ele torna-se sensível às nossas lágrimas, decepções, sofrimentos, angústias e dores.

Chorou por Jerusalém

Quando ia chegando, vendo a cidade chorou – Lucas 19.41. O contexto bíblico nos mostra um momento de festa, de júbilo. Jesus entrava de forma triunfal na cidade de Jerusalém. Vestes e palmas eram colocadas na estrada, discípulos e multidão exclamavam extasiados: “Bendito é o Rei que vem em nome do Senhor! Paz no céu e glória nas maiores alturas.” Não obstante a euforia, Jesus olha para a cidade e chora.

Se pudéssemos retroceder no tempo e chegar próximo dEle e perguntar: Mestre, o clima é de alegria, é o auge de teu ministério, todos te aclamam, porque lágrimas rolam em tua face? Jesus sempre via além. A óptica de Jesus é bifocal. Viu a incredulidade do povo, a falsidade dos religiosos e a Jerusalém que seria destruída num futuro próximo. Compadeceu-se de Jerusalém. Jesus chorou!

Chorou por nós

Jesus, movido de grande compaixão, chorou, João 11: 35. Por inferência, acredito que Jesus chorou no horto de Getsêmani e, em muitos outros momentos, e chora até hoje por nós. Por que Jesus chorou? Porque é humano também. É o Verbo que se fez carne e habitou entre nós (João 1.14). Ele sente as nossas dores, nossos sofrimentos. Ele viu as lágrimas de Marta e Maria e a falsidade dos religiosos da época. Em Romanos 12.15 está escrito: “chorai com os que choram”. Como nós nascemos e vivemos uma boa parte de nossa vida chorando, Jesus chora conosco e por nós. Chora por nos amar.

Felizes os que choram

Mas Jesus também nos consola. Em Mateus 5.4 está registrado: “Felizes os que choram, porque Deus os consolará”. Que haja lágrimas de arrependimento, de confissão de pecados, de amor pelas vidas que perecem. Lágrimas por aqueles que sofrem à nossa volta, pelos doentes, enlutados. Chora pelos órfãos, pelos encarcerados pelo pecado, pelos víciados e pelos violentos. Chora por nós e pelos nossos irmãos que passam por dificuldades, as mais diversas possíveis.

Esse é o Cristianismo de um Jesus que chora. Que Deus nos ajude a sermos assim compassivos.

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Fevereiro de 2014

Como lidar com a morte – Dezembro/2013

A morte é consequência do pecado. “E o Senhor Deus lhe deu esta ordem: De toda árvore do jardim comerás livremente, mas da árvore do conhecimento do bem e do mal não comerás; porque, no dia que dela comeres, certamente morrerás” (Gênesis 2.16-17). Pela desobediência do homem, entrou a morte. A partir desse momento, a humanidade tem enfrentado a questão da morte.

A princípio, não gostamos de comentar nem de ouvir falar sobre este assunto. Parece que é algo tão distante que só acontece com outras pessoas, ou nas outras famílias. Quando chega a nossa vez, estamos despreparados e, muitas vezes, ficamos reféns destes momentos tão tristes. À luz da Bíblia, gostaria de refletir com você sobre esta realidade que acaba, dia mais, dia menos, alcançando a todos nós.

Somos consolados porque Jesus ressuscitou: “Ele não está aqui, mas ressuscitou” (Lucas 24.6a). A ressurreição de Jesus é a garantia da nossa ressurreição. “A estes também, depois de ter padecido (Jesus), se apresentou vivo, com muitas provas incontestáveis, aparecendo-lhes durante quarenta dias e falando das coisas concernentes ao Reino de Deus” (Atos 1.3).

Somos consolados porque Cristo venceu a morte: “Tragada foi a morte pela vitória” (1Coríntios 15.54b). Podemos desafiar a própria morte, pois a vida que temos é eterna. “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está no seu Filho. Aquele que o Filho tem a vida; aquele que não tem o Filho de Deus não tem a vida” (1João 5.11-12).

Somos consolados porque, enfim, o crente não morre: “Todo o que vive e crê em mim não morrerá, eternamente. Crês isto?” (João 11.26). A morte física para o crente é o momento de sua promoção de sua casa terrena para a celestial, deste mundo de trevas para o mundo de luz. Aqui forasteiro, lá cidadão definitivo do céu. Você é convertido a Jesus? Seus queridos são também. Fique tranquilo. A morte é problema para os descrentes, para os perdidos. Para o salvo e, para seus familiares, não.

Somos consolados porque temos esperança: É o que nos assegura o apóstolo Paulo: “Ora, a esperança não confunde, porque o amor de Deus foi derramado em nossos corações pelo Espírito Santo, que nos foi outorgado” (Romanos 5.5). Estaremos para sempre com o Senhor.

Somos consolados porque cremos na ressurreição: A ressurreição de Jesus é a garantia de que ressuscitaremos no último dia (Romanos 6)

Conclusão: “Consolemo-nos uns aos outros com estas palavras”.

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Dezembro de 2013

Balido de ovelhas, mugido de bois – Julho/2011

A obediência foi, é e sempre será o pilar número um para uma vida vitoriosa em todos
os aspectos.

1Samuel 15.22b diz: “A obediência é melhor do que sacrifício”. O ser humano sempre teve dificuldades em obedecer.

Essa atitude começou no Éden
e perdura até hoje, no tempo da graça.

Mesmo depois de termos passado pelo processo do novo nascimento, sendo salvos por Jesus, membros do Corpo de Cristo, continuamos enfrentando esse o terrível problema da desobediência. Precisamos trabalhar contra isso constantemente em nossas vidas. 1Samuel 15 nos ensina lições preciosas que nos ajudam a vencer as dificuldades na área da obediência. Vejamos algumas:

Ouvir a mensagem do Senhor

Deus tinha o compromisso de fazer justiça contra os amalequitas que haviam afrontado os israelitas quando saíram do Egito. A ordem era clara: “Vai, pois, agora, e fere a Amaleque, e destrói totalmente a tudo o que tiver, e nada lhe poupes; porém matarás homem e mulher, meninos e crianças de peito, bois e ovelhas, camelos e jumentos”. 1Samuel 15: 3. Era um juízo radical sobre os amalequitas, mas era ordem do Senhor. Não deveriam poupar nada e a ninguém.

Ser radical no cumprimento
da ordem do Senhor

Saul cumpriu em parte a ordem. Poupou Agague e o melhor do rebanho. Precisamos ter cuidado com nossas ações e conduta. Ordem dada, ordem cumprida. Não podemos fazer concessão ao pecado. Saul e seus soldados encheram os olhos com o melhor dos amalequitas. Traduzindo para nossos dias, isso significa aderir aos prazeres e buscar riquezas, adquiridas fraudulosamente.

Assumir responsabilidade

Temos a tendência de transferir responsabilidade como fez Saul. Mas o balido das ovelhas e o mugido dos bois denunciaram a desobediência de Saul. Quando Samuel pede explicações a Saul, Ele procura transferir a responsabilidade para seus soldados. Saul procurou “sair pela tangente”, dizendo que havia ido sacrificar ao Senhor…”. Mas Deus deixa muito claro que sacrifício sem obediência é pecado. Precisamos ter muito cuidado ao celebrarmos ao Senhor. Sem obediência, a adoração, louvor, celebração, oração, pregação, entrega de dízimo e oferta ou qualquer outra coisa que se faça é pecado. Primeiro obediência, depois o sacrifício.

Assim, conclamo a todos à obediência custe o que custar. Humilhe-se, deixe a arrogância, o orgulho de lado e seja obediente como foi Jesus: “ate a morte e morte de cruz”. Obediência sem cruz não existe. Pela cruz nos foi aberto o caminho que nos dá acesso ao trono.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2011

No alvorecer de 2018 – reflexão – Janeiro/2018

No alvorecer de 2018

Enquanto o mundo existir, sempre haverá semeadura e colheita, frio e calor, verão e inverno, dia e noite (Gênesis 7.22b – BLH)

Deus fez uma aliança com Noé que nunca mais destruiria o mundo com água e lhe garantiu que o mundo seguiria o seu caminho, conforme o texto acima. É de nossa experiência que um ano sucede a outro ano. Findamos 2017 e iniciamos 2018.

O que temos a contar do ano que se findou? Qual é nossa expectativa para o ano atual? Convidamos você a refletir conosco sobre este tema.

O ano de 2017 foi muito decisivo para todos nós como pessoa, família, igreja e país. Como pessoa, vimos as grandes transformações tecnológicas, principalmente na área da informática. Mas também o avanço do pecado. Menosprezo aos valores éticos e morais. Na família, uma banalização total. Perda completa do foco principal que é Deus. Na igreja, um espírito mercadológico muito forte, um espírito de competição demoníaco. Um espírito de rebelião reinando e tomando conta de muitos corações, outrora dóceis e sensíveis à obediência aos seus líderes. No país, a corrupção grassando escancaradamente. Pouca coisa se fez para acrescentar para o cidadão brasileiro.

Entretanto, se esses indicativos mostram que as coisas não caminharam bem, com a iniquidade aumentando e o amor se esfriando, tudo é prenúncio da volta do Senhor Jesus! ALELUIA! O que fazer diante desse quadro? Tentaremos oferecer algumas sugestões que, se seguidas, poderão nos ajudar a dar nossa parcela de contribuição para as necessárias mudanças:

Devemos assimilar e colocar em prática os princípios exarados nas Sagradas Escrituras no que tange à nossa conduta cristã. Caráter ilibado, testemunho comprovado, vida santa, amor fraternal e de servo, perdoar tantas vezes quanto for necessário, primar pela obediência, exercer a fé simples, porém poderosa. Viver uma vida santa e de intimidade com o Senhor.

Nós, como igreja, haveremos de nos dedicar muito mais uns aos outros, servindo uns aos outros, orando uns pelos outros, amando uns aos outros. Perdoando-nos uns aos outros. Suportando-nos uns aos outros. Sendo instrumento de bênçãos uns aos outros. Lealdade aos líderes e à igreja. Amar os cultos e desejar participar deles, da EBD, dos treinamentos, retiros, acampamentos, cursos (aliança, homem ao máximo, mulher única), encontro de casais, de família, das células, dos grupos de evangelismo. Contribuir com dízimos e ofertas. Usando a linguagem popular: vamos “vestir a camisa” da igreja.

Deus tem compromisso com a família – Julho/2012

“Disse o Senhor a Noé:
Entra tu e toda a tua casa na arca,
porque tenho visto que és justo diante de mim nesta geração”, Gn 7:1

“Então falou Deus a Noé dizendo:
Sai da arca, tu com tua mulher, e teus filhos e as mulheres de teus filhos”, Gn 8:16

“E eles disseram: Crê no Senhor Jesus Cristo
e serás salvo, tu e a tua casa”, Atos 16:31

Deus tem um cuidado todo especial com a família. A família é composta de esposo, esposa e filhos. Eventualmente podem fazer parte da família pessoas consanguíneas ou afins. A família precisa ser abençoada e abençoadora. Em meio a uma geração corrompida e famílias desestruturadas, somos chamados por Deus para fazer diferença. Sermos exemplo, modelo. Que responsabilidade!

Noé, pela sua fidelidade e justiça, alcança sua salvação e de sua família. O julgamento de Deus veio sobre a raça humana através das águas do dilúvio. Todavia, Noé e sua família foram poupados. Deus está olhando para o homem e deseja ardentemente estabelecer aliança de salvação através de Cristo Jesus. “Crê no Senhor Jesus, e, serás salvo tu e tua casa (família)”. Deus procura um membro da família para dizer: entra na arca tu e tua família. Se você já foi alcançado pelo Senhor, saiba que há uma promessa de salvação para sua família. Seja fiel a Deus. Creia na Palavra. Dê bom testemunho de sua fé. Honre o Cristo do Cristianismo. Não perca a esperança. Toda sua casa pode perfeitamente ser salva. Este é o propósito de Deus.

Faça de sua família uma família abençoadora. Confesse a Jesus como Senhor de sua família. Que o temor do Senhor domine todo sentimento de sua família, tanto nas atitudes como nas decisões, agindo sempre sob a orientação e direção do Senhor.

Faça de sua família uma família acolhedora. Acolha aqueles que necessitam de amparo, de ajuda, de salvação. Lázaro convidou Jesus para ir a sua casa. Acolheu a Jesus e foi muito abençoado. Acolha uma célula de evangelismo, comunhão e crescimento.

Estabeleça um clima de comunhão familiar. Que o esposo, no temor e intimidade com o Senhor, a esposa no interior da casa e os filhos em volta da mesa sejam instrumentos de bênçãos. Exerça o princípio do perdão. Viva em amor. Seja instrumento de paz. “Bem-aventurados os pacificadores…”. Que sua vida familiar seja uma inspiração às pessoas mais próximas. Viva a santidade em família.

Concluindo, nossa oração é que cada membro alcance testemunho externo de viver em comunhão e amor na família, na igreja. Esta é a maior mensagem que o mundo espera de nós como Igreja, como Corpo de Cristo.

Que Deus nos ajude. Por Cristo Jesus, amém.

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Artigo inserido no site em julho de 2012

Onde foi parar a nossa causa? – Março/2006

Tudo existe porque há um motivo.
Quando desaparece o fator motivacional,
desaparece também tudo o que foi gerado
por esse fator. Por exemplo, um dia acontecerá
o arrebatamento da igreja
e, então, não haverá mais motivo
para a existência do Cristianismo bíblico
sobre a face da Terra. A igreja só existe
por causa de Jesus Cristo.

Era o ano de 1987 quando me converti na 2ª IPR de Ponta Grossa, PR. Fui batizado em uma chácara que tinha uma piscina com águas correntes (o que era fora do comum na época) pelo então pastor da nossa igreja, o Pr Daniel Zaponi (que saudades!). Jesus tornou-se o motivo da minha existência física, emocional e espiritual. Não conseguia mais viver sem o Espírito Santo morando em meu coração. Eram meus primeiros dias de vida cristã.

Em Cianorte. Que emoção! Lembro-me até hoje do cheiro daquele ônibus velho e barulhento, de nossa chegada àquela cidade, pra mim pequena, mas muito significativa. Já tinha ouvido falar sobre o derramar do Espírito Santo e suas consequências. Os dons espirituais eram buscados por todos que desejavam ansiosamente uma renovação espiritual. Esses não conseguiam mais ser meros religiosos dentro da igreja. O que queriam mesmo era ser discípulos de Jesus Cristo.

Por isso, muitos falavam das maravilhas que Deus operava naquele lugar. Na época, ainda existiam as federações nacional e presbiteriais, que realizavam forte movimento de busca pela obra do Espírito Santo entre jovens e senhoras. Quando a diretoria visitava uma igreja, podia ter certeza de que haveria batismo com o Espírito Santo, profecias, visões, revelações e muita unção da parte do Senhor. Era muito bom. Se não me engano, o presidente da FENAJIR – Federação Nacional de Jovens da Igreja Presbiteriana Renovada – era um jovem (hoje meu amigo) chamado Douglas do Valle. Hoje pastor da 2ª IPR de Londrina, PR.

Ah, sim, me lembro! Esse jovem me inspirava. As lideranças regionais tinham em quem se espelhar. As mocidades das igrejas locais eram motivadas a buscar ao Senhor constantemente. E eles buscavam. Buscavam com prazer. Buscavam porque acreditam na causa em que estavam envolvidos. Buscavam porque tinham a certeza de que as razões que os impulsionavam eram celestiais. Buscavam porque os resultados mostravam que havia muitas pessoas querendo ter mais experiências com a obra do Espírito Santo.

Já em Cianorte, nunca tinha visto tanta gente que acreditava na mesma coisa junta. Era como se Atos dos Apóstolos estivesse acontecendo ali: “Em cada alma havia temor, e muitos prodígios e sinais eram feitos… todos os que creram estavam juntos… perseveravam unânimes… tomavam as suas refeições com alegria e singeleza de co-ração… louvando a Deus e contando com a simpatia de todo o povo…”, At 2: 43-47. A realidade bíblica tornava-se uma realidade pessoal para cada encontrista. Isso fortalecia cada vez mais a causa abraçada por todos.

Por falar em “louvando a Deus”, quem não se lembra daquelas músicas. A canção “Os guerreiros se preparam…” fazia ecoar a voz dos pastores. “Obra Santa do Espírito” era o hino oficial da renovação espiritual. Os cânticos eram entoados mais com a boca espiritual do que com a do corpo. Era possível ver no brilho dos olhos de cada cristão a chama ardente do Espírito Santo. E, quanto mais ardia, mais cantavam. Quanto mais cantavam, mais ardia o ardor pela causa.

Quem não se lembra daqueles alojamentos, dos banheiros, dos colégios públicos, daqueles colchões, das filas para o almoço, das refeições, da salada de repolho, da carne com batata, da sala de oração cheia de gente. E, por incrível que pareça para os nossos dias, a sala de oração sempre estava cheia de pessoas que buscavam o batismo com Espírito Santo e o exercício dos dons espirituais. Havia momentos em que era impossível entrar ou andar dentro dela porque o espaço era pequeno para a quantidade de crentes que ali estavam.

O fato é que eu estive lá e, numa época em que o padre Marcelo Rossi nem conhecia a música “tem anjos voando neste lugar”, eu me sentia como se o céu estivesse baixando realmente ali. Essa sensação era visível na expressão facial dos encontristas. Era como se os anjos nos servissem constantemente. Era como se a interação entre o mundo espiritual e o mundo humano não tivesse limites. Era como se a divisória entre o campo celestial e o campo material deixasse de existir por alguns instantes. Era como se a causa divina houvesse incorporado em todos e se tornasse uma forte causa para os humanos cristãos.

Eu, de origem religiosa (por parte de pai, adventista; por parte de mãe, presbiteriana), estava envolvido completamente nessa causa. A “Renovada”, como era conhecida em nossa cidade, estava alicerçada numa espécie de causa trinitária, que se constituía na ênfase ao poder do Espírito Santo, à santificação e ao evangelismo.

Foi uma época interessante. O fato é que a gente acreditava. Eu quase morava na igreja. Ia de terça a domingo (e às vezes na segunda-feira, na casa do pastor Daniel e da irmã Nelcy Zaponi).

Você pode ler este texto e me achar saudosista. E quem sabe até seja mesmo. Porém, tínhamos uma causa. Uma grande, divina, forte e santa causa. Hoje eu me pergunto: onde ela foi parar?

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2006

Desafios de um novo tempo – Maio/2006

Chegou o momento de a IPRB
dar continuidade em cumprir
o propósito de Deus em sua vocação
histórica na conquista
do Brasil
Deuteronômio 1: 10-11

Esta meditação originou-se do sermão que preguei no 36° Encontro de Avivamento e Missões da IPRB, em Cianorte – 08/04/2004. Refletindo sobre a realidade do mundo atual e dos desafios que esperam a igreja neste novo milênio, cheguei a algumas conclusões que compartilho com os leitores.

Hoje vivemos na pós-modernidade. São dias de mudanças e de multiplicação da ciência, da quebra de tabus e do controle remoto, dos celulares, do computador e da internet on-line. Vivemos em um mundo de plástico, onde tudo é descartável. É também neste tempo de valores passageiros que as pessoas na sociedade se tornam desprezíveis e desvalorizadas.

A Igreja é desafiada a fazer a diferença. É neste mundo de desesperança e perdição que Deus tem desafiado a igreja a trazer um tempo novo de salvação e avivamento. Um tempo que deve ser de grandes desafios e realizações; de conquistar novos territórios e ampliar a visão ministerial; de vitórias e de expansão do Reino de Deus.

Percebo que a Igreja Presbiteriana Renovada está convocada para os desafios deste novo tempo: 1) esta convocação tem ressoado no coração de muitos, e gostaria muito que ressoasse no seu também; 2) Este desafio nos tem mobilizado e feito aflorar em nós a capacidade de executar com dedicação e resultados a obra que Deus nos confiou.

Assim sendo, podemos considerar
algumas afirmações importantes:

1. Apesar dos desafios do presente século, Deus tem uma grande colheita de almas a entregar a quantos crêem que podem, por graça, realizar um ministério frutífero.

2. O crescimento da IPRB, a multiplicação de suas fileiras e a participação mais efetiva na expansão do Reino de Deus, o cumprimento do IDE de Jesus mediante a evangelização sistemática através das células, grupos familiares ou pequenos grupos é apenas uma questão de tempo.

3. Chegou o momento de a IPRB dar continuidade em cumprir o propósito de Deus em sua vocação histórica na conquista do Brasil.

Moisés liberou uma palavra profética a uma a geração de pessoas que iria conquistar Canaã, Dt 1: 11. Afirmo, em convicção muito forte e baseado na atualidade da Bíblia: 1) esta é uma palavra atualizada de Deus para a IPRB, e para quantos se apoderarem dela para sua vida e ministério; 2) O alvo de Deus para nós é superar os desafios da pós-modernidade e expandir o Reino de Deus.

Visando ampliar nossa visão e ajudar-nos na superação dos desafios dos dias em que vivemos, ofereço algumas sugestões:

Observe o ministério de Jesus

Jesus é o melhor referencial para o novo tempo porque foi vanguarda em seu tempo e superou os desafios de seus dias. Hoje, todos buscam um referencial ou modelo para sua vida, ministério e para a Igreja. Todos buscam se espelhar em alguém ou em algum método. Convido o leitor a se espelhar em Jesus, sua forma de viver e de conduzir sua vida. Então vejamos:

Sua relação com o Pai. Esta relação foi responsável pelo sucesso de todo projeto na vida de Jesus. O caminho do sucesso da igreja hoje esta em valorizar a relação com Deus: na vida de comunhão, consagração, adoração e principalmente em uma vida de santidade. Não há conquistas sem Deus. Jesus prezou a comunhão, buscando Deus para a sua vida. A verdadeira espiritualidade não está em meios ou métodos, que podem, de forma secundária, oferecer uma excelente ajuda. Mas a base do sucesso espiritual é a comunhão e vida com Deus, Mt 14: 23; Lc 6: 12. Jesus valorizou o que vinha do Pai para sua vida.

Sua relação com o Espírito Santo. Quem fez a diferença na vida e no ministério de Jesus foi o Espírito Santo. Ele guiou, operou e realizou as obras do Pai na vida de Jesus. Para vencer os desafios do tempo presente, valorize a unção dele em sua vida. Seja um homem espiritual. A unção do Espírito Santo capacitou Jesus a cumprir todo o projeto de Deus para sua vida, At 10: 30. Não há possibilidade de realizarmos a obra do ministério com êxito sem o poder e a unção do Espírito Santo.

Observe sua relação com os homens

O alvo de Deus sempre foi os homens. Jesus entendeu isto e exerceu seu ministério buscando homens para a salvação, treinou um grupo com direcionamento especifico de dar continuidade à obra por ele iniciada.

Jesus treinou pessoas. Homens necessitam de acompanhamento, atenção e valorização para que possam dar os frutos que Deus espera. No discipulado, podemos oferecer treinamento, acompanhamento e aconselhamento, para gerarmos homens devotados a Deus e que dêem prosseguimento ao mesmo ministério de Jesus.

Jesus se identificava com as pessoas. As necessidades das pessoas falavam ao seu coração e Ele supria e ajudava a todos que o buscavam. A igreja deve desenvolver um ministério integral que atenda o homem como todo: o espiritual, o emocional e o material, Mc 8: 2.

Jesus tinha a resposta para as pessoas. A isso podemos chamar de Ministério da provisão. É sair na frente. É ter o que o outro precisa. Se quisermos não receber de outros, temos de ter a revelação de Deus para o presente e pagar o preço. Caso contrário devemos ter a humildade de aprender e receber o que Deus tem distribuído através de tantos nestes dias, Mt 14: 19.

Conscientize-se da vocação da Igreja

A cada geração Deus confia a realização da obra a um grupo que compõe o corpo de Cristo na face da terra. Como este grupo dos dias atuais não podemos nos escusar, pois temos de ser resposta para nosso tempo. Somos parte do projeto de Deus nesta geração. Conscientizar as pessoas e integrá-las ao mover de Deus para hoje se faz necessário, se quisermos cumprir com resultados o nosso chamado para este tempo novo.

Somos parte da geração com a visão de conquistar o Brasil. Temos de estar abertos ao que Deus está fazendo hoje. Os patriarcas, os profetas, os apóstolos, cada qual teve o seu tempo e realizaram com êxito o ministério por Deus a eles confiado. Chegou o nosso tempo e agora a nossa vez de cumprir este mesmo chamado.

Somos a igreja de hoje. Devemos exercer o mesmo ministério de Jesus, com a visão de Deus para os dias atuais: valorizar o Pai, caminhar na unção do Espírito, ganhando, consolidando, treinando e enviando pessoas a conquistar outros, visando ao crescimento do Reino de Deus e à expansão da Igreja.

Exerça o ministério voltado a um novo tempo

Quando estamos do lado de fora de um projeto de qualquer natureza, podemos ter duas atitudes: se gostarmos, aplaudimos e, se não gostarmos, vaiamos. Quando porém fazemos parte, nos sentimos responsáveis tanto pelos acertos quanto pelos erros. E, diante do que Deus está fazendo, tanto podemos ficar de fora ou fazer parte, depende de nossa posição. O que vemos nos dias atuais é que:

Se Deus tem dado um ministério de multiplicação,
então que devemos crer.

Se crermos que Deus tem liberado uma Palavra profética a esta geração, então devemos, como parte do corpo de Cristo, recebê-la, Dt 1: 11.

Se Deus tem levantado um exército de valentes conquistadores, então devemos nos envolver.

Deus deu à IPRB uma grande experiência – o avivamento; Ele provou que podemos – nos equipou com dons e com a unção do Espírito Santo; Deus nos deu uma visão de conquista e multiplicação – Devemos aceitar o desafio e cumprir o propósito de Deus. “Ninguém pode impedir um homem determinado a cumprir o propósito de Deus”. Então: seja você este homem.

Diante do exposto:

Não abra mão de seu território.
Temos conquistado e não podemos voltar atrás.

Confirme o que você tem semeado. A colheita virá em breve.

Mantenha limpo o céu de sua vida. A santidade é meio eficaz para vencer.

Continue declarando que os desafios serão superados, pois é chegado o templo da colheita e da multiplicação.

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Fonte: Jornal Aleluia de maio de 2004

Desafio ministerial da atualidade – Fevereiro/2003

Como homens e mulheres
de Deus desta geração, estamos
perante o desafio de levarmos
a igreja a uma realidade que faça frente
à atual forma de vivência humana
e social

Como ministros e líderes cristãos deste tempo de possibilidades e de desafios ministeriais, somos levados a nos conscientizar de que vivemos uma época de uma revolução de conceitos e valores, de mudanças abrangentes e profundas tais que ainda não tomamos ampla consciência de sua exata a dimensão.

Cabe-nos velar para que, no cenário de uma globalização crescente, as conquistas da igreja não se restrinjam a simples questão de ser apenas mais uma organização religiosa. E sim um organismo vivo que gere transformações profundas e intensas na evolução da nossa sociedade.

A chamada globalização tem-nos deixado em um mundo sem fronteiras, todavia a dolorosa verdade é que, junto com as fronteiras das nações, caem os principais valores éticos, morais e espirituais que foram estabelecidos por Deus para reger a vida do homem na face da terra.

Considero que, quanto mais o homem se fechar no seu indiferentismo e no individualismo do seu mundo de solidão, mais ele se descobrirá carente e necessitado do conhecimento de Deus e da salvação pela graça em Jesus Cristo.

Os fatos que se apresentam têm condenado homens e mulheres a viver em uma sociedade cada vez mais individualizada, quase intransponível. Porém cada vez mais necessitados da revelação do amor de Deus que sempre será a resposta para os mais profundos anseios humanos.

Perante este novo quadro de fenômenos como a globalização, sobretudo a que é imposta aos menos favorecidos e carentes, que sofrem sem uma verdadeira opção ou orientação que norteie suas vidas perante essa nova realidade, a pergunta que fica para os futuros ministros do evangelho é: como a igreja se comportará? Que tipo de ministério deverá ser exercido?

São dúvidas que nos desafiam a sermos criteriosos e nos tornarmos em obreiros de maior valor e que busquem o resgate do homem da era digital.

A graça de Deus, que é a solução para a humanidade, e sobretudo a salvação, terá de se revelar pela dedicação de homens e mulheres valorosos que tenham o propósito de combater forças escravizadoras, inimigos que não se podem ver, mas que criam crises e instabilidade na família e em comunidades inteiras.

O valor do ministro

O valor de um homem de Deus é dimensionado não apenas pelo seu discurso, mas principalmente por sua espiritualidade e aplicação dos princípios de Deus em sua própria vida. Nós vivemos em dias de profundas transformações e as necessidades humanas se tornam ainda mais prementes diante dos falsos ensinos, do materialismo, do consumismo desenfreado, da exploração pelos poderosos, da falsa segurança representada por uma vivência de pura aparência e, sobretudo, por uma religiosidade formal.

A igreja é desafiada frente ao descompromisso e o esfriamento da fé e do amor como cumprimento do tempo do fim. Faz-se necessário um comprometimento ainda maior, uma dedicação ainda mais sacrificial. É preciso ser destemido e fazer cumprir a chamada ministerial perante tamanhos desafios.

Uma experiência passada, por mais válida que tenha sido, por mais consistente que tenha parecido, por si só não será suficiente perante tão grande desafio da modernidade.

Para avançar e manter-se na vocação de Deus, é necessário que sejamos homens e mulheres de visão, de compromisso com a verdade e de percepção espiritual na atuação ministerial, neste cenário de mutações constantes, sob pena de se tornar evasivo o nosso ministério.

Em muitos casos serão dispensáveis a liturgia e os rituais. O que é imprescindível é a consistência dos princípios de fidelidade a Deus e ao ministério. Como bem expressou o apóstolo Paulo em Colossenses 4:17: “Cuida do ministério que recebestes do Senhor, para o cumprires”.

Como ministros devemos ser arautos e precursores de uma realidade, onde se valorizem os princípios e não os ritos. O ministério deve ser cumprido com entusiasmo, fé e amor ao chamado. Devemos fazer com que a salvação e a Justiça de Deus se estabeleçam tanto nos palácios dos mais abastados quanto nas choupanas dos desafortunados.

Que possamos entender que para cuidar do essencial é preciso muitas vezes despir-se do secundário. Para se fortalecer é necessário despojar-se do que seja apenas acessório, do que seja somente rito ou liturgia religiosa, porém jamais dos princípios fundamentais que norteiam a fé cristã.

Como igreja devemos escancarar as portas do Reino dos Céus a esta geração, levando aos lares, às ruas e praças a verdadeira mensagem da redenção. Um ministério direcionado a gerar transformação de vidas e não apenas mudanças ocasionais.

Afinal, como vaticinou o apóstolo em Romanos 1: 16: “Porque não me envergonho do evangelho, pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele que crê”.

As múltiplas abrangências
de nosso ministério

01) Vivemos em tempos de uma revolução de conceitos e valores, de mudanças abrangentes e profundas tais que ainda não tomamos ampla consciência de sua exata a dimensão.

02) Diante disso, não se restrinja a ser apenas mais uma organização religiosa. Faça de sua Igreja um organismo vivo que gere transformações profundas e intensas na evolução da nossa sociedade.

03) O quadro social e moral escravizador que a globalização nos impõe não é maior que a graça de Deus, que é a solução para a humanidade e terá de se revelar pela dedicação de homens e mulheres valorosos, que usem mais que rituais ou liturgias, mas firmem-se na verdade, na fé, nos princípios, na esperança e na certeza da ação libertadora e transformadora do Senhor.

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Fonte: Jornal Aleluia, fevereiro de 2003

Crescer em Deus é possível – Maio/2006

O apóstolo Paulo, ao escrever
a Carta à Igreja em Éfeso, procurou trazer
à mente de seus destinatários
algumas verdades relevantes:
a) o eterno propósito de Deus (1: 3-14);
b) a graça redentora a todos os homens (2: 1-10);
c) a unidade da Igreja (4: 1-16);
d) a necessidade de um viver diário
digno do Senhor (5: 6).

Para Paulo, aplicar esses princípios na vida resultaria em um crescimento espiritual sadio, levando o cristão à estatura da maturidade de Cristo ou à “estatura de varão perfeito”. Efésios 2: 21.

É possível vencer as barreiras e crescer

O versículo que deu base a esta meditação fala-nos de um edifício que, estando bem ajustado, terá como resultado o crescimento espiritual. Nestes últimos meses, venho edificando uma residência. A cada dia, vejo que o tijolo e a argamassa, somados ao trabalho de um profissional da construção civil, pouco a pouco fazem crescer um bonito edifício.

O propósito de Deus é ajustar nossas vidas de forma que cresçamos em todas as áreas do nosso viver, o que culminará em um forte edifício. Seremos homens e mulheres sarados, abençoados, vencedores e maduros espiritualmente. Contudo, apesar de ser esse o propósito de Deus, nem sempre isso tem ocorrido.

Ao olharmos para dentro de nós mesmos, para o nosso homem interior, temos encontrado limitações, barreiras e mesmo cadeias emocionais que tendem a gerar uma vida limitada, de frustrações, que atrapalham o nosso crescimento em Deus. Diante disso, surge-nos uma pergunta: o que fazer?

Lamentar, ou mesmo disfarçar, como se tudo estivesse bem, e acabando por aceitar tais situações de fracasso ou derrota seria uma opção. Ceder às limitações e, como escravo, manter a vida presa a estas realidades seria outra. Mas superar e, pela graça de Deus, obter o crescimento por Ele idealizado seria, com toda certeza, a melhor de todas as opções.

Como cristão, acredito que podemos superar e mesmo alcançar o crescimento idealizado por Deus em todas as áreas de nossas vidas.

O rei Davi, ao viver um momento de limitação interior, de acusação da consciência e perda da comunhão com Deus pelo pecado, bradou no Salmo 51: “Cria em mim, ó Deus, um coração puro, e renova em mim um espírito reto”… Sim, um coração puro e um espírito reto são o primeiro fator que nos ajudará a crescer em Deus, vencendo as limitações.

Situações que causaram transtornos a si mesmo e a outros, prejuízos, ofensas e mesmo o distanciamento de Deus pelo pecado ou esfriamento espiritual necessitam ser reparados. Pergunte-se: o que eu devo fazer para reparar esta situação? Zaqueu tem muito a nos ensinar sobre reparar ou restituir.

Esteja disposto a reparar, a restituir, a voltar atrás, se necessário for. Ofereça oportunidade para que Deus possa refazer sua vida e a de outras pessoas.

Fraquezas, pecados e mesmo os reveses da vida precisam ser confessados ou, então, tornar-se-ão cadeias e prisões tais que será impossível rompê-las. Confesse seus pecados a Deus e obtenha o Seu perdão.

Mudanças necessitam ocorrer em sua vida e não são impossíveis. Para obtê-las, basta disposição e força de vontade para mudar. Faça uma auto-análise. Considere o que há de errado e mude sua vida, pautando-a nos princípios da Palavra de Deus.

É possível buscar transformação e crescer

O segundo fator é estar aberto ao novo de Deus. Paulo bem expressou em sua Segunda Carta aos Coríntios: “Pelo que, se alguém está em Cristo, nova criatura é; as coisas velhas já passaram; eis que tudo se fez novo”. Alguns, só de pensar, nem é necessário falar, e já deixam a resistência ao novo brotar em seu coração. Apenas por ser novo deve ser rejeitado?

O passado por vezes nos domina. Em alguns, por haver sido muito bom, uma grande experiência com Deus, um momento inesquecível. Diante disto, não conseguem acreditar que possa surgir novamente algo tão bom e aí ficam presos ao passado. Para outros, foi muito ruim, ou mesmo doloroso, e o medo de se ferir novamente os impede de crer em algo novo que possa ser de fato bom.

Bem, não importa. O que passou passou e não voltará outra vez. Por que razão ficar preso ao que já passou e resistir o novo de Deus? Tire os olhos do passado, viva o seu presente como um presente de Deus para você. Aprenda a olhar para o futuro. O melhor de Deus ainda está por vir em sua vida. Você se lembra do relato sobre as bodas de Caná da Galileia?

É possível crer em Deus e crescer

Finalmente, deixo com você umas poucas sugestões que suponho lhe ajudarão em seu crescimento em Deus.

a) Procure sempre se ver com a perspectiva de Deus.

b) Seja uma pessoa idealista, acreditando sempre no melhor.

c) Não desperdice seu tempo pensando nos fracassos e reveses da vida.

d) Aprenda com as experiências e siga sempre em frente.

e) Nunca culpe a ninguém por fracassos ou desilusões na vida.

f) Assuma sempre a responsabilidade de suas ações e atitudes.

g) Acredite nos sonhos e no chamado de Deus para você.

Ah… não se esqueça: crescer em Deus é possível!

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Fonte: Jornal Aleluia de maio de 2006

As chaves do avivamento – Maio/2006

“Bem-aventurada aquela que creu
que se hão de cumprir
as coisas que da parte do Senhor
lhe foram ditas”
Lucas 1: 45

A história da igreja cristã registra vários avivamentos que tiveram grande valor no desenvolvimento e crescimento da obra do Senhor, no decorrer dos séculos. A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil é fruto de avivamento, enviado por Deus na segunda metade do Século XX, mais precisamente nos anos sessenta. Somos uma igreja de raízes históricas no presbiterianismo e fruto da renovação espiritual. Isto significa que cremos na unção e no exercício dos dons do Espírito Santo para os dias de hoje.

Por essa razão, a IPRB tem estabelecido como meta, nestes próximos anos, enfatizar o reavivamento de Deus em suas fileiras. Ao pensarmos em avivamento o que nos vem à mente? (Solicito que você, leitor, coloque este tema em sua mente enquanto faz a leitura deste artigo).

O maior avivamento que o mundo já conheceu e que resultou na revelação do salvador, no derramar do Espírito Santo e o no estabelecimento da igreja de Jesus, teve seu início na revelação de Deus através de um anjo enviado pelo Senhor a uma jovem do século primeiro, no interior de Israel, em uma cidade chamada Nazaré, na Palestina do século I da era cristã.

O evangelista Lucas registra, no evangelho que leva o seu nome, no primeiro capítulo e nos versos 26 e 27: “Ora, no sexto mês, foi o anjo Gabriel enviado por Deus a uma cidade da Galileia, chamada Nazaré, a uma virgem desposada com um varão cujo nome era José, da casa de Davi; e o nome da virgem era Maria”.

Ao empreendermos uma análise da experiência vivida pela jovem Maria, podemos, além de revermos a história do anúncio do nascimento de Jesus, nosso único e suficiente Salvador e Senhor, obter as chaves que muito nos ajudarão a uma vida cheia do avivamento de Deus.

Segundo o texto, aquela jovem esboçou algumas atitudes em relação à revelação de Deus para sua vida e que culminariam no maior de todos os avivamentos da história: a encarnação do verbo de Deus.

O verso vinte e oito diz: “Alegra-te, muito favorecida! O Senhor é contigo”. Alegria é uma das características básicas e importantes do avivamento. O apóstolo Paulo escreveu em sua Carta aos Filipenses, no capítulo quatro, verso quatro: “Alegrai-vos sempre no Senhor”.

Que tipo de alegria o anjo revela em sua expressão a Maria? Das festas, das conquistas e realizações humanas? NÃO. Ele revela a alegria de sermos escolhidos de Deus – Ela se alegraria de ser escolhida do Senhor.

A alegria de saber que Deus é conosco – Maria se alegraria de ter Deus sempre com ela.

Avivamento não nasce na tristeza, nas letras ou no esforço humano e sim na alegria de saber que o Senhor está conosco. Entendo que a primeira chave do avivamento é: deixar a alegria do Senhor invadir nosso coração e nos motivar a nos alegrarmos e celebrarmos diante dele como fez Miriã, no deserto, após grande livramento de Deus a seu povo.

Outra chave fundamental para o avivamento, encontramos no verso trinta: “Não temas,… pois achaste graça diante de Deus”.

O avivamento não é gerado por homens, por conceitos humanos, por estratégias nascidas nas pesquisas ou nos bancos das grandes faculdades teológicas. Avivamento é um ato soberano de Deus. Se, de fato, queremos avivamento genuíno temos de, primeiro, agradar ao Senhor. Avivamento é graça de Deus.

Não há avivamento sem que Deus se agrade de nós. Israel só obteve suas maiores conquistas quando Deus se agradou de seu povo. Deus se agradou daquela jovem e fez dela protagonista do maior avivamento de todos os tempos. A encarnação do Verbo de Deus e a revelação da salvação a todos os homens através de Jesus. Assim, se Deus se agradar de nós, seremos uma das igrejas mais avivadas do Brasil, porque a segunda chave do avivamento é achar graça aos olhos de Deus.

No verso 35 o anjo expressou: “Virá sobre ti o Espírito Santo, e o poder do Altíssimo te cobrirá com a sua sombra”. Nesta frase encontramos a terceira chave para o avivamento genuíno: estar sob a cobertura do Espírito Santo. Nunca haverá avivamento genuíno sem o mover da do Espírito Santo e sem o derramar do poder do Altíssimo.

O Espírito Santo é o agente promotor de todos os avivamentos da história, desde Abel, no início da história humana, até os mais recentes avivamentos da igreja pós-moderna. Jesus disse: “Recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo”. E o profeta Joel vaticinou: … Derramarei o meu Espírito sobre toda a carne; vossos filhos e vossas filhas profetizarão, os vossos anciãos terão sonhos, os vossos mancebos terão visões; e também sobre os servos e sobre as servas naqueles dias derramarei o meu Espírito.

Todos os avivamentos genuínos da história brotaram em apenas um lugar: na sombra do Onipotente. É aí que a IPRB, seus líderes, pastores, professores de teologia e todo o seu povo devem estar, se de fato queremos um avivamento genuíno e poderoso para marcar a história da igreja, do Brasil e do mundo neste novo século.

Finalizando, convido o leitor a observar o versículo trinta e sete que expressa: “Para Deus não haverá impossível em todas as suas promessas”.

Avivamento é o cumprir das promessas de Deus na vida de seu povo. Abraão esperou na promessa de ser pai de uma multidão, Moisés em tirar o povo da casa da escravidão e celebrar a Deus no sopé do monte Sinai. Josué em conquistar a terra prometida. E a IPRB, o que espera?

Nossos primeiros pais acreditaram que, na força do Espírito Santo, conduziriam uma “Obra Santa” e assim o fizeram. Cabe agora a esta nova geração, da qual eu e você temos o privilégio de fazer parte, de reivindicar as mesmas promessas, depender mais do Espírito Santo, caminhar no caminho da santidade, trilhar o caminho do avivamento e não ter medo do novo de Deus para a igreja do século XXI, pois, afinal, como afirma o evangelista Lucas, em Atos 2.39: “A promessa vos pertence a vós, a vossos filhos, e a todos os que…o Senhor nosso Deus chamar. E Deus está nos chamando hoje para o avivamento. Assim sendo, a quarta chave do avivamento é: tomar posse das promessas de Deus para hoje.

Quero desafiar você a crer e receber o avivamento de Deus em sua vida e colocá-lo em prática.
Que o Senhor o abençoe!

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Fonte: Jornal Aleluia de maio de 2006

O dilema de um pai – Agosto/2001

Neste estudo, vamos recordar o que ocorreu com um pai
muito conhecido
e famoso, nada menos que o rei Davi.

Se, por um lado, encontramos na biografia desse
eminente chefe de Estado muitos exemplos positivos, por outro, na qualidade de chefe de um lar, encontramos pontos negativos que serão
alvo de análise a seguir, não com outra intenção
senão a de ajudar a todos os pais para que não venham ter o triste final que teve o Rei Davi.

2Samuel 15: 13-18

Quantas vezes, bons profissionais, pessoas de bem, despertam nossa atenção pelo seu sucesso e renome. Homens bem-sucedidos na advocacia, engenharia, medicina, agricultura, enfim, em todos os ramos, até mesmo no ministério, um bom pastor, presbítero, diácono ou líder em geral, são por vezes um PAI falho, que acabam deixando a desejar na área da educação de um filho.

Isso ocorre por desinformação, negligência, imprudência ou mesmo por força de um passado mal vivido, na qualidade de chefe do lar.

Pais atentos aos seus filhos
têm a percepção do mal
assediando sua família

O episódio que vamos analisar ocorreu nos finais do reinado de Davi, quando seus filhos já estavam moços. Após Absalão retornar para Jerusalém e ser admitido à presença do rei, promoveu uma revolta militar contra seu pai e o obrigou a fugir para continuar vivo, 2Samuel 14 e 15.

Há pais que não percebem que a puberdade do filho ou filha já chegou, mas é preciso estar atento aos conflitos advindos desta nobre época, fase em que precisam de muita ajuda. Vejamos algumas falhas de Davi nesse aspecto:

1) Amnom ficou doente em razão dos problemas sexuais que atingiam sua mente. Davi, o pai, nem notou – deu a filha Tamar de mão beijada para Amnom, 2 Sm 13: 6-7. Davi deveria estranhar, ao menos perguntar, “por que tua irmã?”, “tenho vários cozinheiros que estão à tua disposição”, não o fez, e nem teve a percepção do mal armado no coração e mente do próprio filho.

2) Outra falta de percepção de Davi está registrada nos versículos 23-27 do cap.13. A ideia de que ‘o tempo cura tudo’ aqui não funcionou porque, depois de dois anos, Absalão pede para o pai deixar seu irmão ir com ele ao campo. As intenções não eram das melhores. Davi deveria conhecer a história de José e seus irmãos, quando seu pai Jacó mandou José ao encontro de seus irmãos, que estavam cheios ódio, Gn 37: 4. O amigo de Amnom, Jonadabe, insinua a Davi que todos sabiam da decisão de Absalão, v. 32.

3) Consumado o crime, a Davi só restava chorar, lamentar e se humilhar pelo erro cometido, 2Samuel 13: 31 e 36.

Pais educadores assumem
a responsabilidade em relação aos filhos

Não era Absalão, embora sendo o irmão mais velho, quem deveria cuidar do problema de Amnom e Tamar, mas sim Davi, quem deveria chamá-los e tratar do assunto em família. A Bíblia, porém, nos diz que ele só irou-se, 2 Sm 13: 21.

Nem era Talmai, o avô de Absalão, que deveria cuidar do neto, ainda que exista uma relação íntima dos avós, esta função cabe aos pais, 2 Sm 13: 37. Até Joabe acaba por fazer alguma coisa, tentando resolver o problema, 2Sm 14: 1ss. Ele entende que o pai Davi estava muito acomodado.

Não é a igreja, o pastor, a escola dominical ou qualquer pessoa ou órgão que tem o dever de cuidar de nossos filhos. Lamentavelmente, hoje, como fruto da tecnologia avançada, temos a babá eletrônica, a TV, responsável no cuidado de nossos filhos.

Pais amorosos não reagem apenas com o coração ou emoção, mas também com a razão

Como reagiu Davi

1) Apenas irou-se com o incesto de Amnom e Tamar, 2Sm 13: 21.

2) Apenas chorou com a morte de Amnom 2Sm 13: 37. Nessa hora, “as lágrimas não substituem o suor que devemos verter em benefício da felicidade”.

3) Apenas beijou seu filho Absalão, 2Sm 14: 33, quando deveria ao menos aplicar disciplinas, chamar-lhe a atenção, exortá-lo… Não, ele simplesmente beija-o! O tempo consolou Davi, 13: 39, ao contrário de Absalão que, quanto mais os dias se passavam, mais ódio abrigava em seu coração contra Amnom, 13: 22, 23, e contra o pai (cap. 15). Esse ódio avolumou-se tanto que, primeiro, levou-o a matar o próprio irmão e, segundo, tirou o pai da própria casa.

O que faltou a Davi foi justamente enxergar os problemas familiares. Nem sempre devemos agir sobre a influência de nossas emoções. Precisamos também racionalizar, ou seja, agir com a razão, principalmente em relação às questões da personalidade e formação de nossos filhos.

O próprio Adonias, 1Rs 1: 5-9, usurpou o trono, acreditando na fragilidade que tinha seu pai. Diz o texto: “jamais seu pai o contrariou”.

Psiquiatras e conselheiros de família nos advertem que prejudicamos nossos filhos, se formos muito condescendentes e esperarmos muito pouco deles. As crianças cujos pais dizem que as amam demais, evitando castigá-las, são como carros que descem uma rua sem obedecer aos sinais de tráfego e sem freio. Confusas e espantadas, essas crianças ou adolescentes podem afrontar seus pais com atitudes cada vez piores, abusando de sua liberalidade. Talvez pensem: “Se formos muito longe errando, alguém vai tentar nos brecar?”

Pais convertidos aos filhos
aproveitam o máximo do tempo
para estar ao lado deles

Amnom tinha um Rei que vinha vê-lo, mas não tinha um Pai para conversar. É triste, mas é a pura realidade de hoje, quando os pais são meras visitas dentro de casa. Assim era Davi. “Vindo o rei visitá-lo”, 13: 6.

Não recuse o convite de seu filho. Quando adultos, nossos filhos dificilmente nos envolvem em seus negócios, a não ser quando precisam de um dinheirinho. Mas, quando crianças, isso ocorre com frequência. É imprescindível que os pais aceitem, quando eles o fazem. Davi não aproveitou a oportunidade que Absalão lhe ofertou, 2Sm 13: 24-25.

Quando Davi se apercebeu, já era muito tarde. Veja o que aconteceu:

1) Tamar fora estuprada;

2) Amnom fora morto;

3) Absalão, rebelado, acabou também morto;

4) Adonias, não respeitando o Rei, que ainda vivia, tenta usurpar o trono.

Não deixe ficar tarde demais para dedicar tempo aos seus filhos. Se não fizer assim, você corre o risco de vir a chorar e a lamentar-se por não ter agido corretamente no tempo certo. Foi o que ocorreu com Davi, 2Sm 13: 36, 37; 18: 33; 19: 4.

No caso de dificuldade entre o casal, antes de pensar em separação, divórcio ou em si mesmo, pense nos filhos. Procure uma orientação segura a este respeito. O pastor Cícero Bartolomeu, em seu livro A Família Feliz, da Editora Aleluia, afirma:

“… casamentos são desfeitos e quantos outros ainda estão à beira da falência? Já observou como existem lares arruinados? Pensou em quantas crianças estão vivendo longe de seus pais? Onde estão os castelos e sonhos? Onde estão as juras de amor? Onde estão as promessas que fizeram diante do altar?”.

Conclusão

Vivemos em época difícil para a educação de filhos. Mas não podemos nos esquecer de que temos a Palavra de Deus que nos orienta, guia e aconselha nas áreas de dificuldades entre pais e filhos, Sl 32: 8. As barreiras de relacionamento, diálogo, demonstração de amor, carinho e afeto dentro da família podem ser destruídas através da prática dos princípios estabelecidos na Bíblia para um lar. Deus é amor, e esse amor é o grande segredo para a verdadeira felicidade.

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Artigo publicado no Jornal Aleluia de agosto de 2001

Dia do Presbítero (2)

Primeiro de agosto, dia do presbítero
Quem é esse homem? O que é esse título?
Por que essa homenagem?

No sistema presbiteriano, há o presbítero docente e o presbítero regente. Docente é o pastor, o líder espiritual do rebanho, a quem cabe doutrinar a igreja, conduzindo-a nos caminhos do Senhor. Regente é o presbítero que se dedica à administração da igreja, sendo eleito e ordenado para isso. Participa, ao lado do pastor, da composição do Conselho da Igreja.

Muitos pastores de hoje foram presbíteros ontem. Trabalharam muitos anos na igreja e pela Igreja e essa experiência prática que trouxeram tem sido muito útil à sua atual visão de serviço.

De fato, a Igreja Renovada deve muito aos seus presbíteros. Pioneiros, pode-se dizer que eles implantaram centenas de trabalhos que, prosperando, hoje são fortes igrejas. Basta olhar as fotos antigas da denominação para comprovar isso. Alguns, ao mudar-se para novas regiões, como faziam os patriarcas que erguiam um altar, começaram pontos de pregação que logo se transformaram em fortes congregações e igrejas.

Só para citar alguns exemplos, foi o caso de um presbítero que, ao aposentar-se, saiu de São Paulo e iniciou o trabalho no Piauí. Hoje, nesse Estado, existe um grande Presbitério. Foi esse também o caso dos presbíteros de Rondônia, bem como dos de Minas. Estes adentraram o Estado da Bahia, empunhando a bandeira da MISPA, e fundaram, em várias cidades, as primeiras igrejas.

Hoje, o Estado da Bahia tem dois grandes Presbitérios. Outros presbíteros abriram os trabalhos no Nordeste, como o Pr. Otoniel de Souza, e hoje Pernambuco tem fortes igrejas. Alguns, partindo de Assis, SP, foram, a serviço da MISPA, abrir igrejas nas capitais nordestinas. Atualmente fortes trabalhos! Um presbítero de Cruzeiro do Oeste, PR, Osvaldo Borges, foi para Mato Grosso e fundou inúmeras igrejas, de tal forma que a Renovada nascia juntamente com muitas cidades.

Dois presbíteros dedicaram-se às instituições: um deles, Loudomiro Carneiro, construiu a atual sede da MISPA, em Assis, após adquirir uma belíssima área, e serviu a obra missionária por vinte anos. Outro, Joel Ribeiro de Camargo, fundou a gráfica e editora Aleluia, instituição basilar para o incentivo da cultura religiosa na denominação.

Dois outros presbíteros, Jamil Josepetti e Divino Guimarães, legaram à igreja os documentos que fazem hoje sua estrutura jurídica. À medida que um fato novo surgia, demandando uma decisão da diretoria nacional da Igreja, um texto era produzido e, hoje, a igreja, bem estruturada, caminha com segurança nessa área. Graças ao conhecimento desses homens na área do Direito, normas foram redigidas para criação de igrejas, de presbitérios, recepção de pastores, etc. Resoluções e Estatutos claros, explicitando cada passo para ação dos vários órgãos administrativos. Alguns desses documentos, inclusive, têm sido copiados por outras denominações.

Centenas de outros presbíteros viram igrejas nascendo em suas casas; fundaram pontos de pregação, congregações e igrejas. Pregaram, ensinaram, batizaram. Fizeram a obra com dedicação.

Muitos templos foram construídos graças ao empenho e liberalidade de presbíteros. Não se pode esquecer do irmão Saturnino Borges Teixeira, conhecido como Teixeirinha, de Londrina, PR, que tinha prazer de auxiliar na construção de templos, favoreceu muitos pastores na compra de veículos e, principalmente, contribuiu com o Seminário de Cianorte, custeando, em todos os anos, os estudos de vários seminaristas.

Em 2015, a Renovada tem 2.510 presbíteros. Representam uma força extraordinária no crescimento da igreja. Repousa sobre seus ombros a grande responsabilidade de, nos concílios (conselhos das igrejas, presbitérios e assembleias gerais), representar o pensamento do povo que os elegeu.

Neste ano em que comemoramos os 40 anos da IPRB, nosso desejo é de que todos os presbíteros cultivem o mesmo amor que envolveu a geração de presbíteros fundadores da Renovada, homens que se entregaram incondicionalmente à obra; que tenham o mesmo alvo, dedicando-se à causa do Senhor com o mesmo entusiasmo. A recompensa virá do Senhor.

Mensagem à família do pastor Francisco Araújo Barretos Neto

Pastor da IPRB desde 1993. Em 2000 integrou-se
à equipe da Editora Aleluia, onde atuou
como redator de 2000 a 2008

Francisco Araújo Barretos Neto fora pastor da IPRB de 16 de dezembro de 1993 até 25 de janeiro de 2010, quando faleceu em Rondonópolis, MT, onde residiam seus familiares.

Nasceu aos 15 de junho de 1963.
Fora recebido como pastor em 16 de dezembro de 1993 e ordenado em 27 de fevereiro de 1999. Detentor do prontuário número 713.

Pastoreou as igrejas de Jaciara e Alto Araguaia, em Mato
Grosso, e de Pati do Alferes, no Estado do Rio de Janeiro.

Em 01 de dezembro de 2000 veio do Rio de Janeiro para Arapongas, PR, onde se integrou à equipe da Editora Aleluia, e atuou, durante sete anos, como redator do Jornal Aleluia, órgão oficial da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil.

Em 2008, desligou-se por motivo de enfermidade.

Formação

Cursou Ciências Contábeis.

Formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul
do Brasil, no Rio de Janeiro.

Fez Especialização em Psicologia Pastoral e em Educação Religiosa.

Mestrado em Teologia no Seminário Teológico Batista do Sul
do Brasil, no Rio de Janeiro.

Enquanto trabalhava no Jornal Aleluia, formou-se em Comunicação
Social (Jornalismo) pela UNOPAR, Londrina, PR – 21/01/2007.

Mensagem

à família do Pastor Francisco

Embora distante de vocês, o mesmo sentimento de perda de um companheiro, de um amigo e de um irmão me envolve neste momento.

DE COMPANHEIRO, porque tive o privilégio de descobrir o Pr. Francisco quando ainda trabalhava em Pati do Alferes, no Estado do Rio, e convidá-lo para vir integrar-se à equipe da Editora Aleluia, o que aconteceu no final do ano 2000.

Assentamos juntos, à mesa de trabalho, durante anos. Percebi que ele queria crescer. Então, conseguimos os recursos para que cursasse Jornalismo. Durante quatro anos ele fez a jornada Arapongas-Londrina e eu via que o fazia com alegria. Ele cresceu na profissão. Serviu à Igreja. Produziu reportagens fotográficas e bons textos, tanto para o Jornal como para a Revista de Escola Dominical.

DE AMIGO, porque estava sempre pronto para o trabalho. Convocado, nunca deixava de atuar com interesse. Simples em seus costumes, morava sozinho num apartamento no próprio prédio da Gráfica, e sabíamos que sua presença ali era como a de um guardião para aquele patrimônio.

DE IRMÃO, porque era um homem de fé, conhecedor da Palavra, pregador e assíduo aos trabalhos da Igreja.

Deixei a direção da Editora, mas ele continuou lá, ao lado do Pr. Rubens Paes. Nos últimos anos, percebíamos que sua capacidade parecia declinar, estava meio esquecido, mais lento, mas nem de longe imaginávamos que um moço assim tão forte poderia estar sendo assediado por um mal tão terrível.

Um dia, soubemos de um acidente de carro, que ele parecia querer esconder. Depois, alguém nos informou sobre um desmaio, durante um culto, que ele disse que não era nada. Fatos assim estranhos se sucederam. Até que ele mesmo percebeu o aparecimento de dificuldades visuais.

Mas o especialista constatou que seus olhos estavam perfeitos. E recomendou exames mais profundos os quais revelaram a presença de um mal contra o qual ele lutou bravamente. Várias cirurgias, tratamentos, melhoras, pioras…

Enfim, chegou o momento em que a trombeta soou. Era a hora de atravessar o rio. E ele ouviu a voz de seu Senhor chamando-o: “Francisco, chega de sofrer… Você foi um servo bom e fiel. Venha aqui. Venha morar comigo.”

Impossibilitado de estar presente, como seria meu desejo, transmito minhas condolências à família.

E que o bálsamo dos céus console os corações.

A memória do justo é eterna.

Joel R. Camargo
Ex-Diretor da Editora Aleluia

Arapongas, 25 de janeiro de 2010

O momento do adeus – Fevereiro de 2006

Pronunciamento
do Prof. Joel R. Camargo
para a Diretoria Administrativa
reunida em Anápolis, GO,
em dezembro de 2005

A vida é uma longa viagem…
Se for de trem, a composição parte e segue seu rumo. Depois de horas, pára numa estação, descem alguns passageiros e sobem outros.

Ela dá o sinal e reinicia sua marcha.
Na próxima estação, descem mais pessoas e outras sobem…

E assim por diante…

Chegou meu momento de descer!

Estou deixando a direção da Junta de Publicações
e da Editora Aleluia. Na verdade, penso que estou fazendo uma parada para realimentar minha visão
e entusiasmo.
Porque ainda vou prosseguir servindo ao meu Senhor
e à Igreja.

Quando parar?
Eis uma decisão muito complicada.
Quando parar de dirigir? Quando parar de comandar,
de liderar? Quando abandonar a política?

Mas essa atitude tem de ser tomada.
As instituições são maiores que as pessoas.
Outros valores, novos, mais vigorosos, podem assumir nosso lugar e conduzir a igreja, a empresa ou o que quer que seja com outros olhos.

Ninguém é insubstituível.

Foi pensando assim que resolvi deixar a direção
da Editora Aleluia. O momento pareceu-me certo para essa decisão.

Primeiro, porque a Editora está num estágio muito bom
de trabalho, já tem sua sede, bons equipamentos, finanças estabilizadas. Pode marchar com suas próprias pernas, como vem fazendo.

Segundo, porque há pessoas que podem conduzir
a instituição com toda segurança, administrando-a
com total entrosamento com a Igreja,
com os funcionários e clientes.

E, por último, porque estou trabalhando no Jornal Aleluia há 32 anos. Dediquei o melhor de minha vida a esse mister. Começamos do nada. Foi uma semente
que plantamos e que prosperou, com a graça de Deus.

Agora que tudo está bem, gostaria de me colocar
um pouco ao lado e ver a Editora crescendo, avançando.
Esse talvez fosse meu maior prêmio por todas
as vicissitudes que esses anos me impuseram.

Então, chegou o momento do adeus.

Quero agradecer a todos que ombrearam comigo nessa empreitada. Tanto na Igreja – líderes, pastores, diretores – como aos funcionários, à família e amigos. Às várias Diretorias da Junta de Publicações. Aos ex-funcionários.

E também às pessoas de outras denominações que foram solidárias com esse empreendimento. Às editoras irmãs, livreiros, distribuidores, fornecedores, meu muito obrigado. Aos que redigiram lições, artigos e escreveram livros, igualmente registro meu sincero reconhecimento.

Infelizmente, nesta longa empreitada, sempre acabamos ferindo alguns, desgostando outros, sendo
mal-entendidos ou não atendendo como gostaríamos. Quero aproveitar
para pedir que me perdoem e creditem toda atitude negativa ou palavra imprópria ao desejo que sempre tive de levar avante esta amada instituição.

Agradeço aos que me sustentaram com suas orações,
ou com suas palavras de encorajamento,
e aos que contribuíram financeiramente
para que a Gráfica honrasse seus compromissos
em tempos difíceis.
Tudo foi muito bom. Que ótimo! A Igreja me confiou alguns talentos e estou devolvendo-os.
Penso que quadruplicados.

Joel Camargo
Anápolis, dezembro de 2005

………………..

Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2006

O lugar do IBA nas raízes históricas da IPRB – Maio/2011

Para se alinhavar algo sobre a história do Instituto Bíblico de Arapongas, instituição que atuou na área do ensino teológico de 1970 a 1974, talvez seja necessário inicialmente propor um conceito de avivamento e relembrar as razões das origens da Igreja Presbiteriana Renovada. A seguir, verificar quem foi seu fundador e diretor, apontando traços da ação do Rev. Palmiro Francisco de Andrade, homem que esteve no centro desses acontecimentos. E, por fim, tentar recordar um pouco do ambiente espiritual que permeou essa escola e, assim, poder pensar na sua importância como formadora de homens e mulheres que, vocacionados, foram ali preparados para a tarefa ministerial.

O avivamento

O avivamento espiritual, conquanto tenha aspectos concretos que podem ser vistos pela história, sociologia e teologia, também é a vivência de experiências pessoais quase inexplicáveis. Quem tentou descrevê-lo não fugiu de termos como reuniões maravilhosas, convicções pessoais, fogueira, pentecostes, unção, glória… Evan Roberts foi mais longe:

“O avivamento no País de Gales não vem dos homens: é obra de Deus” [1].

Vendo-o assim, da mesma forma como ocorreu em outros países que tiveram o privilégio de experimentá-lo, também chegou ao Brasil. Somos a geração que testemunhou sua eclosão, como um presente de Deus, uma resposta dos céus a muitos clamores e angustiosas orações, na forma como rogava o profeta Habacuque:

“Aviva, Senhor, a tua obra” [2].

Avivamento que veio chocar-se, na década de 60 do século XX, com um processo de secularização presente em alguns meios teológicos, e que era aplaudido como

“altamente positivo para a desmitificação da religiosidade alienante…” [3]

Mas, ao finalizar obra na qual relata a chegada do movimento pentecostal ao Brasil, no século XX, conclui o historiador e pastor presbiteriano Elben César:

“Não se pode negar a redescoberta da pessoa e obra do Espírito nesse século pentecostal. Isto procede do Senhor, não se tenha dúvida.” [4]

É nesse tempo e nesse ambiente espiritual que nasce a Igreja Presbiteriana Independente Renovada, a IPIR, depois de meses[5] muito tensos para os que aceitaram o avivamento, quando dezenas de pastores e presbíteros foram despojados de suas funções. A IPIR não foi resultado de decisões de um líder, nem de um projeto, e muito menos do acaso, mas de uma ação que tinha de ser tomada para agasalhar espiritualmente os que se achavam desorientados diante de um quadro conflituoso. Historicamente, ela é fruto de um processo de pregação do avivamento[6], de busca de uma igreja santificada, de um desejo profundo de conhecer mais a Palavra de Deus, de expandir a obra missionária, de servir mais a Jesus e, sobretudo, de viver plenamente a vontade do Senhor para sua Igreja.

Raízes históricas

Duas fontes recentes podem oferecer preciosos subsídios. Comemorando, em 2010, os 35 anos de existência da Igreja, fora editada a obra A IPRB na virada do milênio, do Pr. Advanir Alves Ferreira[7], seu presidente. Trata-se de amplo relato com destaque aos seus últimos dez anos de atividades, com introduções históricas.

E, mais especificamente, devemos citar um trabalho científico que aborda esse início da obra de avivamento, a tese “Conflitos no campo protestante: o movimento carismático e o surgimento da Igreja Presbiteriana Renovada (1965-1975)”.[8] Trata-se de amplo e bem documentado texto, presente na edição de setembro de 2010 da Revista Brasileira de História das Religiões. Seu autor, o professor Sérgio Gini, da Universidade Estadual de Maringá, doutorando em Sociologia pela Universidade Federal do Paraná, pastor da IPI, discorre sobre a origem da Igreja Presbiteriana Independente Renovada, a IPIR. Com 43 páginas, inicia-se fazendo referência aos principais cismas no meio protestante brasileiro. Nos prolegômenos, destaca o afloramento do avivamento na IPI. Segundo ele, esse movimento cria uma tensão doutrinária interna que resultaria em medidas administrativas, vindo, no início dos anos 70, a dar origem à IPIR.[9]

Um homem, um líder

A história do IBA não poderia ser descrita sem que conhecêssemos, primeiramente, um homem chamado Palmiro Francisco de Andrade.[10] Quem esteve na famosa reunião do Sítio Marília pode fazer constar isso em seu currículo. Algo inusitado aconteceu ali. O local, a rodovia que liga Cambé a Londrina, em frente à empresa Cacique de Café Solúvel. Instalações rústicas. Manhã fria do dia 5 de julho de 1968. Ali está reunido um concílio da maior importância: o Sínodo Meridional da IPI.

O despertamento espiritual já havia alcançado algumas igrejas no meio presbiteriano independente nos Estados do Paraná, São Paulo e Minas e isso inquietava sua liderança, que passara a tomar posições. A missão de seu presidente, o Rev. Palmiro de Francisco de Andrade, pastor em Joinville, SC, não era outra senão a de colocar um ponto-final na questão em sua área administrativa. E ele vinha plenamente decidido a resolver o “problema”.

Entretanto, diz o refrão popular: “o homem põe e Deus dispõe”. Para falar aos ministros, fora convidado o Rev. Antônio Elias, pastor presbiteriano, de Niterói, RJ, conhecido avivalista, que discorreu sobre ‘A doutrina do Espírito Santo’. Ao final, o inesperado: o evento produzira efeito contrário ao que se previa. E, entre outros, o Rev. Palmiro teve uma experiência espiritual marcante e fora batizado com o Espírito Santo. Agora, ao voltar para Joinville, SC, levava a chama pentecostal que iria definir sua história dali para frente.

Com dois cursos superiores – teologia e história – vasta experiência ministerial e pedagógica, conferencista, de muita autoridade na Palavra, professor em faculdade de sua cidade, 44 anos, dotado de personalidade forte, esse foi um dos valentes que Deus levantou, nessa época, para iniciar uma obra que culminaria no cumprimento de Sua vontade para nosso país. E o revestiu de uma firmeza muito grande para poder enfrentar as turbulências que os próximos anos lhe reservariam.

Pelo menos sete trabalhos se destacam em sua biografia: fora pastor na IPI até 21/05/1972, um dos fundadores do Jornal Aleluia, fundou e foi diretor do IBA, participou da organização da IPIR, fundou e pastoreou a IPR de Arapongas, pastoreou a IPR de Curitiba (hoje 1ª IPR) e encerrou sua carreira como diretor do Seminário Presbiteriano Renovado de Cianorte, PR, depois de dedicar 19 anos à Renovada.

Embora não fosse pastor da IPI de Arapongas, PR, o Rev. Palmiro, quando diretor do IBA, passou a ser conhecido pelos membros pela sua espiritualidade e mansidão. Viam nele um homem temente a Deus e cheio do Espírito. Passaram a amá-lo e, aos poucos, sua liderança foi-se impondo. Muitos lares se abriram para a oração. O grupo avivado crescia não só em Arapongas, mas também em cidades vizinhas como Apucarana, Maringá, Paranavaí, Campo Mourão, Assis e Cianorte.[11]

Já residindo em Arapongas, PR, desde 1970, no começo de 1972 o Presbitério designou o Rev. Palmiro para assumir a IPI local. A oposição aos líderes avivados, que já era grande, avultou-se ainda mais. Por isso, escudado em decisões do Supremo Concílio, no dia 21 de maio de 1972, o Presbitério, reunido em Maringá, PR, despojou, entre outros, o pastor Palmiro de seus direitos eclesiásticos, afastando-o do pastorado, e dissolveu o Conselho de Arapongas. Ferido o pastor, as ovelhas procuraram um novo local para suas reuniões. Era o começo da futura Renovada em Arapongas.

Uma escola, um propósito

Funcionava desde 1962, nas dependências do Colégio Evangélico de Arapongas, PR, o Instituto Bíblico João Calvino, o IBJC, escola de teologia fundada e dirigida pelo Rev. Antonio de Godoi Sobrinho. Em 1969, havendo conflitos com a Igreja local, seu diretor demitiu-se e a Fundação Eduardo Carlos Pereira, entidade que administrava o IBJC, nomeou, no dia 25 de fevereiro de 1970, para seu lugar, o Rev. Palmiro de Andrade, que de imediato se transfere de Joinville, SC, para Arapongas, no começo de 1970, e se apresenta para assumir a direção da escola. O ex-diretor, alegando que o nome “IBJC” era um patrimônio da família, não consentiu no seu uso e ele foi extinto. Em seu lugar, o Rev. Palmiro criou, no dia 03 de maio de 1970, o IBA, Instituto Bíblico de Arapongas, com novos currículos, novos métodos de trabalho e novos professores.[12]

Nascia assim, ainda pertencente à IPI, um novo Instituto Bíblico, funcionando nas dependências cedidas pela igreja local, agora, porém, chamado de Instituto Bíblico de Arapongas – o IBA. Ter uma instituição para formar pastores na linha do movimento de renovação foi, sem dúvida, uma grande porta para a solidificação da futura igreja, que viria a ser organizada dois anos depois.

Numa mesma escola, alunos de posições diferentes agora compartilhavam salas de aulas, refeitório e o internato. Entre os que não queriam nem saber de avivamento estava o Otávio Nascimento. Línguas? Curas? Profecias? Isso não era com ele. Um rapaz forte, inteligente, de firmes convicções. Os meses se passaram. Os alunos, nos finais de semana, faziam escalas de serviço e treinamento nas igrejas da região. Otávio ia regularmente para Apucarana. Lá dava assistência a um grupo que aceitara o avivamento, mas ele, sempre na sua. Um final de semana, o grupo teria uma vigília. Estavam orando, quando, de repente, o Otávio fora batizado com o Espírito Santo! E falou línguas até o amanhecer. No outro dia, um domingo, não pôde pregar, não só pelo esgotamento físico, mas porque, se abrisse a boca, só falava em línguas. Ficou hospedado na casa de uma irmã por dois dias. Achando-se melhor, foi até a rodoviária. Mas o funcionário não entendeu nada do que queria, porque o Otávio ainda estava embriagado pelo Espírito e não percebia que estava falando em línguas…

Hoje, quem é o Otávio? Depois de pastorear igrejas renovadas por cerca de vinte anos no Brasil, foi para a Suíça. Reside em Zurique e, além de pastor local, preside uma federação de Igrejas Cristãs de Língua Portuguesa. Sua experiência está em seu livro autobiográfico.[13]

A formação, os resultados

Assim, o IBA foi trabalhando. Chega, porém, o ano de 1972, quando a IPIR fora organizada em Assis, SP. O Pr. Palmiro fora eleito seu presidente. Era natural que o IBA tivesse de deixar as dependências do Colégio Evangélico. Fora alugado um hotel na cidade, o Hotel Prado, situado na Rua Marabu, 229, que serviu de internato e de residência para o Pastor Palmiro. Uma ampla cozinha era liderada por dona Rosa Paula Lima, carinhosamente chamada de Tia Rosa pelos alunos. E um salão, na Rua Tico-Tico, 499, que havia sido uma antiga oficina mecânica, reformado, era agora o local para as aulas.

Oficialmente, o IBA fora instalado na IPIR no dia 8 de agosto de 1972, com 36 alunos. Um culto de ação de graças fora realizado no dia 16 do mesmo mês, estando presentes a diretoria da IPIR e o prefeito de Arapongas, Sr. Sadao Yokomizo. Houve a posse da diretoria do IBA: diretor pastor Palmiro Francisco de Andrade, tesoureiro Dr. Severo Franco e secretário Paulo Gomes.[14]

Nesse novo lar, o IBA formou admiráveis alunos, gente de fibra espiritual, de oração, que faziam evangelismo nas ruas, nas cadeias, que no louvor vibravam como se estivessem vivendo num paraíso, pisando em nuvens. Jovens – moços e moças – que sabiam com muita segurança de seu chamado. E o resultado foi uma plêiade de pastores que serviram e ainda servem com total integridade aos propósitos do reino de Deus.

À noite e nos fins de semana, o salão da Rua Tico-Tico recebia o grupo avivado de Arapongas para seus cultos. Nesse local houve lindas conversões, muitos restauraram sua vida espiritual, casais se reconciliaram e houve também um eficiente trabalho de libertação que beneficiou a muitos. Era o núcleo inicial da igreja local que veio a ser organizada em 12 de novembro de 1972.

Missão cumprida

O IBA formou três turmas. A de 1972, com 13 alunos[15]; a segunda, no final de 1973, com 14 alunos, e a última, em 74 com três: Nair Ribeiro, Raimundo Wilson e João Matos.

Em 1974, mais de 26 jovens já estavam atuando no sagrado ministério: Alvino de Paula Neves, João Bernardino, Jérson de Paula Neves, Natanael A. Palazin, Ronaldo Tavares, Daniel de Almeida, Francisco da Silva, Jair de Andrade, Ariovaldo Cardoso, Manoel Messias, Otávio Nascimento, Esmael Arcas, Dilmar de Paula Neves e as missionárias: Agda Batistela, Mariza Maciel e Rísia Maria da Costa.[16]

Então chegou o tempo em que IPIR e ICP (Igreja Cristã Presbiteriana) uniram-se, formando a IPRB, Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Depois de vários meses de aproximação e de reuniões de trabalho, numa inesquecível assembleia, realizada em Maringá, no dia 8 de janeiro de 1975, as duas igrejas deram-se as mãos. A ICP administrava o Instituto Bíblico de Cianorte e decidiu-se que os alunos do IBA seriam transferidos para aquela instituição[17], que passou ao status de seminário, o Seminário Presbiteriano Renovado de Cianorte.

Passados quarenta anos que tudo isso aconteceu, a cortina do tempo foi levantada e realizado um reencontro dos ex-alunos, professores e familiares. Nos dias 1 e 2 de maio de 2010, em Arapongas, PR, uma festa de abraços, de risos e de lágrimas, de cânticos, de fotos e de recordações. E também de saudades e ações de graças.

Que bom ter tanto a comemorar!

——-
Fonte: Revista Ressurgir nº 1, de maio de 2011, páginas 13 a 16

NOTAS

[1] Bartleman, F. A História do Avivamento. Azusa. 2ª ed. Americana: Worship Produções, 1981, p. 26.

[2] Habacuque, 3: 2.

[3] Souza, M. Q. de. A IPI do Brasil, o avivamento e o pentecostalismo. In Cadernos de O Estandarte. 2º Caderno do Centenário. São Paulo: Editora Pendão Real, janeiro de 2003, p. 29.

[4] César, E. M. L. História da Evangelização do Brasil. Dos Jesuítas aos neopentecostais. Viçosa: Ultimato, 2000, p. 157.

[5] O Supremo Concílio que se definiu sobre a situação dos avivados fora realizado em Brasília em janeiro de 1972. A organização da IPIR viria a concretizar-se em julho daquele ano.

[6] Lima, É. F. S. A IPI do Brasil e o pentecostalismo na década de 50. In: Cadernos de O Estandarte. 1º Caderno do Centenário. São Paulo: Editora Pendão Real, julho de 2002, pp. 42-59.

[7] O livro-relatório fora organizado pelo Pr. Émerson Garcia Dutra, tem 319 páginas e fora editado em 2010 pela Ed. Aleluia.

[8] Disponível em: http://www.dhi.uem.br/gtreligiao/pdf7/08.pdf

[9] O texto traz depoimentos e informações sobre a atuação de pastores como Azor Etz Rodrigues, Abel Amaral Camargo, Palmiro de Andrade, Jobel Cândido Venceslau, Jamil Josepetti, José Zaponi, Jonathan Ferreira dos Santos e outros. Refere-se à origem do Jornal Aleluia, ao Instituto Bíblico de Arapongas, o IBA, à reunião do sítio Marília, à reunião do Supremo Concílio da IPI, realizado em Brasília, em 1972, que se posicionou de forma final sobre a não permanência dos avivados na Igreja.

[10] Palmiro Francisco de Andrade nasceu em Biguaçu, SC, aos 11/10/1924 e faleceu em Cianorte, PR., em 01/06/1991.

[11] Em Cianorte, em 1968, um grupo se desligara da IPB. Sob liderança do Pr. Jonathan F. Santos, fora fundada a Igreja Cristã Presbiteriana. O trabalho expandiu-se, organizou-se um Presbitério e um Instituto Bíblico.

[12] .O Rev. Silas Barbosa Dias, ex-aluno, registrou no Orkut: “Em 1970, eu tinha uma caderneta onde anotava os fatos mais marcantes do dia. No dia 06 de maio, tivemos nossa primeira aula, há exatamente 40 anos. O IBA foi instituído no dia 03 de maio de 1970. No dia 04, houve um culto, quando pregou o pastor Abel Amaral Camargo. No dia 05, outro culto, e pregou o pastor Matias Quintela de Souza. Finalmente, no dia 06, a aula.”

[13] Nascimento, O. R. do. Resistindo às provas e crescendo na fé. Arapongas: Aleluia, 1999.

[14]Paes, R. IBA: Marco histórico na educação teológica da igreja. Jornal Aleluia, junho de 2010, ed. 353, p. 8.

[15] Segundo informação do Pr. Natanael Palazin, os 13 formandos da 1ª turma foram: Tânia Maria Tadei, Natanael Antonio Palazin, Shirley Menezes, Manoel Messias, Ariovaldo Cardozo, Rute Dominoni, Ronaldo Tavares, Neusa Naramoto, Gerson Paula Neves, Daniel de Almeida, João Bernardino e Marlene Ramos. Do antigo Seminário, ficaram sete alunos que seriam formandos dessa turma. Ele se lembrou de três: Osmar Menezes, Amélia e Jessé.

[16] Jornal Aleluia, abril de 1974, p. 2.

[17] Foram transferidos 29 alunos para Cianorte.

História da Editora Aleluia – Agosto/2005

Fundada em 1987,
tem como um de seus objetivos
prestar serviços na área de produção literária,
tanto à Igreja como a terceiros

Em 1987, a Junta de Publicações da IPRB, que já possuía a Gráfica Aleluia,
criou a Editora Aleluia. Esse novo passo permitiu a ampliação da prestação de serviços à Igreja e também a terceiros, e proporcionou recursos
para a manutenção dessas duas entidades.

Sede própria

Aos poucos o imóvel alugado em Arapongas, PR, em que estava a gráfica, foi tornando-se pequeno e inviável. Era preciso mudar-se, mas desejava-se fazê-lo para um prédio que fosse próprio. Isso foi tema para muitas orações. E Deus mostrou a solução. Em 1993, a Editora obteve, por doação do Município de Arapongas, no Parque Industrial II, uma área muito boa. Adquiriu um barracão nela existente, ampliou-o e ali se instalou, à Rua Gavião de Cauda Curta, 115, Parque Industrial II.

Na época, as ruas nesse Parque Industrial eram sem asfalto, a área achava-se isolada, longe do centro e cercada por chácaras; hoje é região nobre. Ali a Editora construiu, em várias etapas, as edificações que lhe permitiram expandir-se. Com a aquisição de novas máquinas, a gráfica cresceu, informatizou-se. E a qualidade dos serviços melhorou significativamente.

Em 1996, foi possível importar uma impressora industrial e uma dobradeira. Vários equipamentos foram sendo adquiridos, substituídos ou reformados. Em 2004 adquiriu uma impressora offset bicolor.

A redação, coração da editora

Assim, em 2005, a Editora Aleluia acha-se instalada em Arapongas, PR. Tem seu prédio próprio, com 1350 m2, onde está sua gráfica. Além dos funcionários e técnicos dos diversos departamentos (produção, faturamento, distribuição, manutenção, etc.) há a redação que é o coração da Editora. Há dois pastores trabalhando, em tempo integral, na redação: desde agosto de 1986, o Pr. Rubens Paes e, desde o final de 1999, o Pr. Francisco Araújo Barretos Neto. E, desde 1974, está na direção o prof. Joel R. Camargo.

Produção de livros

É na área de produção de livros que a Editora Aleluia tem-se empenhado ultimamente. Já chegam a 35 os títulos publicados. Vários livros de excelente qualidade foram traduzidos e produzidos, bem como de autores brasileiros, principalmente de pastores da Igreja. Essa é uma área em que a Editora Aleluia está pronta para crescer.

O primeiro livro publicado foi “O maior pecado do século: aborto”, de autoria do Pr. Jobel C. Venceslau, editado em setembro de 1985, com 23 páginas. O segundo, “Manual de lições bíblicas para preparação de batismo” do Pr. Abel A. Camargo, em fevereiro de 1988, com 85 páginas.

Revistas para EBD

Em 1977, a Igreja decidiu que deveria editar sua própria revista de EBD e o Aleluia se encarregou disso. Em 1978 nascia a número 1 e já começava bem! Seu tema era: “As bases da renovação espiritual”. E assim tem sido.

Produzida regularmente, em 2005 a revista para adultos chegou a 72 edições. Procurando ser original em seu texto e apresentada numa linguagem de fácil compreensão ao aluno, tendo suas lições redigidas pelos próprios pastores da Igreja, a Revista de EBD Aleluia tem sido qualificada como um dos melhores materiais dessa natureza entre os produzidos no Brasil.

Para ensino aos adolescentes, a Editora elaborou um currículo específico e criou uma revista. Trabalhando durante seis anos, editou uma série de 15 volumes com textos redigidos por professores, pedagogos e pastores. Um trabalho esmerado, que resultou num conjunto de manuais da mais alta especificidade.

Além de revistas para novos convertidos e para jovens, uma equipe vem trabalhando na produção dos originais de material de apoio para educação cristã de crianças de 0 (zero) a 11 (onze) anos. Serão produzidas revistas para alunos, professores e cartazes. Em 2004, já foram editadas as primeiras revistas dessa faixa: Mel e Leite e Berçário.

Agenda Aleluia

A Agenda Aleluia tem sido um banco de dados indispensável para toda a liderança. Sua criação pela Editora foi um instrumento que pressionou a coleta e a organização de informações pessoais e administrativas sobre a denominação. Agora também disponível na Internet, chamada Agenda Virtual.

Folhetos

Mais de 20 milhões de folhetos já foram editados, em 15 títulos, com mensagens muito objetivas. Estão disponíveis também em espanhol. Recentemente foi dado início à série Fé e Renovação, para folhetos de 15 a 20 páginas.

Hinário

Além do hinário com texto, com 450 hinos, e de ter editado o hinário com partituras musicais (atualmente esgotado), vem editando também o hinário com música, agora na forma de cadernos, e o hinário cifrado, em duas cores.

Loja Virtual e Televendas

Modernizando seu atendimento, com o advento da Internet, o Aleluia montou sua Loja Virtual e nela estão disponíveis todos os seus livros e produtos, facilitando a aquisição pelas igrejas, pastores e interessados. Pelo sistema de Televendas (0800), atende à igreja sem despesas para os pastores.

O Aleluia tem procurado estabelecer pontos de distribuição de seus produtos nas principais livrarias do Brasil e tem estado nas reuniões, Assembleias e Encontros promovidos pela Igreja, divulgando o que produz e suprindo as igrejas.

Site da IPRB

Também criou e tem mantido atualizado o site da IPRB, onde divulga as principais notícias denominacionais, artigos do Jornal Aleluia, estudos bíblicos, fotos e informações gerais de interesse dos membros e da liderança, sendo também instrumento valioso na propagação da Igreja e seus princípios doutrinários.

Contribuição em mão dupla

É confortador saber da imensa contribuição do Aleluia para a denominação. Pensar que tudo isso teve seu efeito positivo: vidas foram edificadas, pessoas foram orientadas, preservou-se a linda história desse grupo heróico de renovação e até igrejas nasceram pelo influxo dessa literatura.

Mas a Editora não fez todo esse trabalho sozinha. Muitos irmãos compreenderam o papel que a palavra escrita desempenha e colaboraram escrevendo lições de EBD, artigos, manuais e livros. Funcionários, companheiros e pastores, na Editora, trabalharam com dedicação. A Diretoria Executiva da Igreja destinou verbas, igrejas locais e irmãos prestaram apoio financeiro. Houve aqueles que, nas horas de dificuldades, estenderam sua destra de companhia, ofereceram sugestões e, sobretudo, sustentaram com orações. A todos, o registro de reconhecimento e gratidão.

Refletindo sobre essas bênçãos, e avaliando tudo quanto se fez neste sentido, a Igreja deve render graças ao Senhor. Ele sabe quanto tudo isso custou em esforço, em lutas, em tempo e em amor pelo seu reino.

A Deus, toda honra e toda glória.

Joel R. Camargo
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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2005

Complementação

17-dez-2005 – Joel R. Camargo, aposentando-se, desliga-se da direção da Junta de Publicações e da Editora Aleluia, a pedido.

17-dez-2005 – Pastor Rubens Paes é nomeado para a direção da Editora Aleluia e da Junta de Publicações, substituindo Joel R. Camargo.

2011 – A Editora passa a chamar-se Aleluia Empreendimentos Gráficos Ltda., após mudanças na estrutura administrativa.

 

 

Com objetivo de imprimir o Jornal Aleluia,
em 1978 fez-se a aquisição da primeira impressora. Dava-se início ao que viria
ser a Gráfica Aleluia

Em Cianorte, PR

Em 1978, Joel R. Camargo fora convidado para dirigir o Seminário da IPRB em Cianorte, PR. O Jornal Aleluia, que estava sendo redigido por ele em Arapongas e impresso em Londrina, foi transferido para essa cidade. Mas tinha de ser impresso em Maringá, PR, distante 67 quilômetros. Era muito trabalhoso, porque, além de longe, só começavam a compor o Aleluia depois que terminavam seu jornal local, por volta das 22 horas ou mais. O redator tinha de ficar ali, junto, fazendo as revisões e orientando a montagem das páginas e dos fotolitos.

A impressão do jornal terminava de madrugada. O dia já estava amanhecendo, quando retornava a Cianorte. Fez isso muitas e muitas vezes. Ia cansado, mas feliz porque levava no carro cheio mais uma edição do Jornal. Trabalhando sozinho, nos dias seguintes, teria de empacotar tudo, endereçar, colocar nos Correios e começar a preparar nova edição.

As primeiras máquinas

O alvo de fazer o melhor e com qualidade começava a ser barrado pelas dificuldades econômicas. A inflação galopante, o fato de só poder ser impresso em Maringá, à noite, e outras tantas dificuldades levaram a pensar na compra de máquinas para se produzir o jornal.

O primeiro equipamento foi uma compositora IBM, que a Igreja importou, e que chegaria em 5/6/78. Um imenso passo para uma igreja pequena. Embora permitisse compor o jornal, as dificuldades persistiam. A solução seria tentar imprimir o jornal.

Um dia, quando as portas pareciam estar todas fechadas, orando, Joel clamou ao Senhor por recursos. E o fez com tanta convicção que marcou na parte final de sua bíblia: Hoje pedi uma impressora ao Senhor. 19/set/78″.

Exatamente um mês depois, 19 de outubro, estava chegando a Cianorte, a primeira impressora. Um veículo da firma vendedora viera entregar as máquinas. No Seminário, duas pequenas salas foram destinadas para uso do Aleluia. Uma era a redação e, na outra, o equipamento fora instalado. Era tão pequeno que viera no porta-malas do carro: apenas uma impressora offset de mesa e uma gravadora de chapas. Mas isso encheu de alegria a todos.

E foi assim, com muito esforço e oração, que se produziu “em casa” a edição número 29 do Jornal Aleluia, com 16 páginas, em outubro de 1979. A vontade de vencer era tão grande que permitiu fazer, dali para frente, com equipamento tão sem recursos, tanta coisa, que hoje, folheando o Jornal da época, é difícil acreditar ter sido isso possível.

Retorno a Arapongas

Em 1980, o Aleluia deixou o Seminário e instalou-se no centro de Cianorte, fase em que outras máquinas foram adquiridas. Agora possuía uma guilhotina, uma gravadora de fotolitos. Nesse período já foi possível produzir as primeiras revistas para Escola Dominical.

Em 1981, voltou para Arapongas, PR, instalando-se num salão alugado, à rua Tricódomo, 238, fundos. Já havia um bom começo de gráfica. Além do que trouxera de Cianorte, nos anos seguintes fora agregando outros equipamentos, entre eles uma impressora com mais recursos. Em 1986, adquire seu primeiro computador com os primeiros programas. Já se podia dizer que a Igreja tinha uma gráfica, que viria a ser a base para a criação da Editora.

A Deus, toda honra e toda glória.
Joel R. Camargo
             


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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2005

 

 

O primeiro número do Jornal Aleluia
fora editado em 1972, em Assis, SP

Lançado com objetivo de levar à Igreja
a mensagem renovadora do avivamento,
mais tarde tornou-se órgão oficial da IPRB

Nasce o Jornal

No final da década de 60, a renovação espiritual havia alcançado parte das igrejas presbiterianas no Brasil. Em Assis, SP, pastores da Igreja Presbiteriana Independente percebiam a grande necessidade de levar essa mensagem renovadora a toda a Igreja. Seus artigos e notícias, porém, não eram divulgados pelo órgão oficial de sua Igreja, que via o avivamento com reservas.

Os fundadores

Sem voz, os pastores Abel Amaral Camargo, Azor Etz Rodrigues, Nilton Tuller, de Assis, SP, e Palmiro Francisco de Andrade, de Arapongas, PR, resolveram fundar um jornal para divulgar o avivamento que estava ocorrendo em algumas igrejas. Assim, em janeiro de 1972 circulava a primeira edição do Jornal Aleluia.

Aleluia nº 2

Em julho de 1972, organizava-se a IPIR – Igreja Presbiteriana Independente Renovada. No mês de outubro de 72, fora editado, em Maringá, PR, o que viria a ser o Aleluia número 2. Seu objetivo era informar aos pastores e crentes, alcançados pelo avivamento, que a IPIR, havia sido organizada.

Pr. Nilton Tuller
editou também o Aleluia nº 2

Aleluia número 3

A regularidade de publicação do Aleluia começa a partir de fevereiro de 1974. Nessa época a IPIR já era uma realidade, com vários presbitérios organizados. Em Arapongas, PR, estava o Pr. Palmiro Francisco de Andrade, à frente da Igreja recém-organizada, do Seminário, o IBA, (Instituto Bíblico de Arapongas) e era presidente da IPIR.

O objetivo desse projeto era lançar uma publicação para amalgamar os grupos que vinham chegando, as novas adesões. O professor Joel R. Camargo fora convidado para redigir e dirigir esse jornal.

Surgiram os primeiros assinantes, o jornal expandiu-se. Às vezes chegavam cartas de lugares distantes e desconhecidos e as pessoas dizendo: “Conheci o Jornal Aleluia, gostei muito e quero saber como me tornar assinante.”

O Aleluia número 1 da IPRB

Em 1975, a IPIR uniu-se à ICP (Igreja Cristã Presbiteriana), nascendo a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. As duas denominações tinham tudo em comum e resolveram tornar-se uma só Igreja, a IPRB. O Aleluia foi declarado seu órgão oficial. Em janeiro daquele ano saía o primeiro número, agora impresso em offset. A manchete anunciava: “Nasce a Igreja Presbiteriana Renovada.”

O número 300

Com persistência, após 33 anos de vida, em agosto de 2005, o Jornal Aleluia chega à significativa marca de 300 edições! Acompanhando bem de perto todos os passos da Igreja Presbiteriana Renovada, o jornal tornou-se-lhe um documento extraordinário, pois registrou seu pensamento e sua história desde o seu nascedouro. Na verdade, bem antes, pois surgiu quando ainda nem havia a Renovada. Documentou fatos durante a IPIR e vem servindo continuamente à IPRB.

A Deus, toda honra e toda glória
Joel R. Camargo

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Fontes: 1.Jornal Aleluia de agosto de 2005
2.Jornal Aleluia, fevereiro 2012. Os primeiros tempos do Jornal: a fundação da Gráfica

Complementação

17-dez-2005 – Joel R. Camargo, aposentando-se, desliga-se da direção da Junta de Publicações e da Editora Aleluia, a pedido.

17-dez-2005 – Pastor Rubens Paes é nomeado para a direção da Editora Aleluia e da Junta de Publicações, substituindo Joel R. Camargo.

2011 – A Editora passa a chamar-se Aleluia Empreendimentos Gráficos Ltda., após mudanças na estrutura administrativa.

2014 – Em outubro de 2014, o jornal chegou a 400 edições.

Jobel Cândido Venceslau – Setembro/2004

Pastor pioneiro da IPRB
Pioneiro da obra de renovação no Brasil
Jubilado em 2003

O pastor Jobel Cândido Venceslau é um dos pioneiros da obra de renovação eclodida na década de 60. Já quando estudante ao ministério, pregava intensamente o despertamento espiritual. Após sua ordenação como pastor, em 1967, assumiu a Igreja de Campo Mourão, PR. Em julho daquele ano aconteceram os primeiros batismos com o Espírito Santo.

A Igreja evangelizava e crescia na região. Mas, em 1968, surgem as primeiras oposições oficiais à obra de renovação. Ele, porém continuou na mesma linha e Deus foi abençoando seu campo, dando muitas conversões. Um dia, leu o texto de Ezequiel 37 para pregar, mas não conseguiu. O Espírito do Senhor tomou a igreja de tal forma que muitos foram batizados, outros renovados. Deus agia poderosamente. Eram anos de bênçãos. A igreja crescia.

É um prazer recordar a biografia desse varão valoroso, pai carinhoso, fiel chefe de família e pastor amado. O pastor Jobel, 64 anos, pastor em Assis, SP, está à frente da Congregação Presbiterial do Parque Universitário. Cadastrado no rol de pastores sob número 17, ocupou os mais diferentes cargos de liderança e já pastoreou grandes igrejas com vasta folha de trabalho em favor do reino de Deus.

Das reuniões de Diretoria da Igreja, ficaram algumas lembranças positivas sobre sua atuação. Prudente, conselheiro, sempre que havia um problema em discussão sua palavra era uma luz oportuna.

A santa mensagem do Evangelho adentrou a casa da família Venceslau em 1893, através do Major Antônio Brás Nogueira, no Município de Cianorte, PR. Nessa época Joaquim Cândido Venceslau e Cândida Silvério Venceslau (avós de Jobel) entregaram suas vidas a Cristo. A grande família Venceslau tem membros radicados em quase todas as Igrejas evangélicas nos Estados do Paraná e São Paulo e outros. Jobel nasceu aos 20 de novembro de 1940, em Santo Antônio da Platina, PR. Filho de José Cândido Venceslau (presbítero) e Izabel Domingues.

Formação

Sentindo-se vocacionado para o ministério, estudou no Instituto Bíblico João Calvino, em Arapongas, PR, de 1963 a 1965. Em janeiro de 1966, assumiu a Igreja de Campina da Lagoa, PR, como obreiro provisionado. Morava em Campo Mourão, PR, e dava assistência a um vasto campo de trabalho, incluindo São José de Pitanga, Nova Cantu, Ivaiporã, Goioerê e cidades vizinhas.

Em 14/01/1967 contraiu núpcias com Maria Macedo Venceslau, fiel companheira, ajudadora idônea e companheira de jugo. Desse casamento nasceram quatro filhos: Jobel Cândido Venceslau Junior, Jader Macedo Venceslau, Jabner Macedo Venceslau e Jaqueline Macedo Venceslau.

A ordenação ao pastorado ocorreu no dia 07/05/ 1967, pelo Presbitério do Oeste do Paraná, da IPI, em Umuarama, PR., sob a bênção do Pr. Ner de Moura, nosso querido patriarca.

Pastorado

Quando pastor em Campo Mourão, PR, Deus abençoou muito o seu ministério e começou um grande avivamento na cidade e região, no meio presbiteriano, culminando com o surgimento da Igreja Presbiteriana Independente Renovada, a IPIR. Em 1973, transferiu-se para Osasco, SP., ficando até dezembro de 1978. Nessa fase, comprou uma área e construiu o templo da primeira igreja, em localização privilegiada. Osasco cresceu, muitos outros trabalhos foram abertos por seu intermédio e que hoje são florescentes igrejas e até Presbitérios.

Seu ministério em Goiânia e Brasília, na IPR de Cruzeiro, foi igualmente muito abençoado. A Igreja cresceu e abriu muitos trabalhos na região da capital. Seu segundo período em Brasília foi igualmente próspero. Quando precisou deixar a Igreja, por estar bastante enfermo, seu rol tinha aproximadamente 1.500 membros. Assumiu um trabalho menor, onde pôde ficar apenas 100 dias. Para um período de licença, mudou-se para Assis, SP, sendo membro, com toda a família na IPR Central. Em 2002, já recuperado, assumiu a Congregação de Vila Rodrigues, no Parque Universitário, hoje uma próspera Congregação Presbiterial.

Liderança

Ao longo de seus 37 anos de ministério, foi presidente de Presbitério por mais de uma dezena de vezes. Foi membro da Diretoria Executiva Nacional como secretário, secretário executivo e vice-presidente por vários anos, lutou pela causa do Mestre ao lado do Pastor Abel A. Camargo e Pr. Dr. Jamil Josepetti, sempre dando sua assessoria nos momentos cruciais da vida da igreja.

Os filhos

Jobel Cândido Venceslau Júnior – Presbítero IPR Central de Assis, Professor da EBD, Corretor de Seguros, Mestrando em Administração e Bacharel em Direito. Sua esposa Elaine de Souza Venceslau é vice-presidente das senhoras e pedagoga. Seus filhos: Gabriel, 11 anos, é vocal e baterista dos adolescentes; Isabela, 09 anos, e Rafaela, 07 anos, são coreógrafas.

Jader Macedo Venceslau – Administrador de Empresas, tecladista do Ministério de Louvor da IPR Central de Assis. Sua esposa Roberta de Souza Barreiros Venceslau é pedagoga. Seus filhos: Renata, 03 anos, e Julia, 10 meses.

Jabner Macedo Venceslau – Formado em Ciência da Computação com estágio na Espanha e na Inglaterra, tecladista, membro da IPR Central, solteiro.

Jaqueline Macedo Venceslau – Cursando Publicidade e Propaganda, tecladista, coreógrafa, membro da IPR do Parque Universitário, solteira.

Destaques

O pastor Jobel participou da reunião do “Sítio Marília”, em Londrina, em 05/07/1968, evento que foi o marco inicial do avivamento no Paraná. Nessa reunião, entre outros, o pastor Palmiro de Andrade, que era presidente de um Sínodo e tinha restrições ao avivamento, fora batizado com o Espírito Santo e, a partir daí, reviu suas posições. O preletor fora o pastor presbiteriano, Rev. Antonio Elias. Conta o pastor Jobel que um dos líderes da IPB, indignado, teria perguntado, numa reunião, se o Rev. Antonio Elias era ou não pentecostal. Houve um momento de silêncio e o Rev. Boanerges Ribeiro respondeu: “Olha, se o Elias é pentecostal eu não sei, mas onde ele passa o povo todo fica pentecostal.”

Publicações

O pastor Jobel sempre foi um leitor ardoroso. Estava sempre com um livro à mão, falando de seu conteúdo ou mesmo revendendo-o. Colaborou bastante com a Editora Aleluia, escrevendo várias lições para EBD. E foi dele o primeiro livro publicado pelo Aleluia. Era um opúsculo contra o aborto, chamado “Aborto, o maior pecado do século” (1985).
Depois, publicou Quem é Jesus, 1997,
e O Cristo que Conheci, 2003.

………….

Fontes:

Texto de Joel R. Camargo publicado no Jornal Aleluia de setembro
de 2004, pp. 8 e 9.

Além de entrevista com o Pr. Jobel, e de texto redigido por Jobel Cândido Venceslau Junior, especialmente para esta edição, o autor serviu-se de informações do Jornal Aleluia 47, de outubro de 1982.

“Pr. Jobel C. Venceslau, um dos fundadores da IPIR e IPR, conta como foi levado à renovação pelo Pr. Enéas Tognini”. Entrevista ao Jornal Aleluia de maio de 2014, edição 395, páginas 10 e 11.

Complementos

1 – Título de Pastor Pioneiro

O Presbitério de Assis, reunido no templo da IPR de Paraguaçu Paulista, SP, no dia 19/11/2005, teve o prazer de passar às mãos de um de seus membros, o estimado Pastor Jobel Cândido Venceslau, o Titulo de Pastor Pioneiro. Este título foi oferecido pela Diretoria Executiva da IPRB, como parte das comemorações dos 30 anos da denominação, aos pastores que estiveram presentes na fundação da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, em 08/01/1975.

O título foi entregue ao Pastor Jobel Cândido Venceslau pelo Pastor Darci da Silva Lima, da IPR de Marília – SP. No momento da entrega do título, o Pastor Elton Nogueira de Almeida (Presidente do Presbitério de Assis), traduziu em palavras a satisfação de todos por estar compartilhando deste momento, e por contar com a ajuda do Pastor Jobel Cândido Venceslau como companheiro de ministério, elogiando sua conduta e firmeza durante estes 30 anos em que esteve lutando em prol desta obra de renovação. Em seguida fez uma oração, agradecendo ao Senhor Jesus, pela vida do nobre colega.

2 – Jubilação

A jubilação do Pr. Jobel Cândido Venceslau fora aprovada pela Diretoria Administrativa em dezembro de 2013. Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2014.

Francisco Araújo Barretos Neto – Janeiro de 2010

Pastor da IPRB desde 1993. Em 2000 integrou-se
à equipe da Editora Aleluia, onde atuou
como redator de 2000 a 2008

Francisco Araújo Barretos Neto fora pastor da IPRB de 16 de dezembro de 1993 até 25 de janeiro de 2010, quando faleceu em Rondonópolis, MT, onde residiam seus familiares.

Nasceu aos 15 de junho de 1963.
Fora recebido como pastor em 16 de dezembro de 1993 e ordenado em 27 de fevereiro de 1999. Detentor do prontuário número 713.

Pastoreou as igrejas de Jaciara e Alto Araguaia, em Mato
Grosso, e de Pati do Alferes, no Estado do Rio de Janeiro.

Em 01 de dezembro de 2000 veio do Rio de Janeiro para Arapongas, PR, onde se integrou à equipe da Editora Aleluia, e atuou, durante sete anos, como redator do Jornal Aleluia, órgão oficial da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil.

Em 2008, desligou-se por motivo de enfermidade.

Formação

Cursou Ciências Contábeis.

Formado em Teologia pelo Seminário Teológico Batista do Sul
do Brasil, no Rio de Janeiro.

Fez Especialização em Psicologia Pastoral e em Educação Religiosa.

Mestrado em Teologia no Seminário Teológico Batista do Sul
do Brasil, no Rio de Janeiro.

Enquanto trabalhava no Jornal Aleluia, formou-se em Comunicação
Social (Jornalismo) pela UNOPAR, Londrina, PR – 21/01/2007.

Mensagem

à família do Pastor Francisco

Embora distante de vocês, o mesmo sentimento de perda de um companheiro, de um amigo e de um irmão me envolve neste momento.

DE COMPANHEIRO, porque tive o privilégio de descobrir o Pr. Francisco quando ainda trabalhava em Pati do Alferes, no Estado do Rio, e convidá-lo para vir integrar-se à equipe da Editora Aleluia, o que aconteceu no final do ano 2000.

Assentamos juntos, à mesa de trabalho, durante anos. Percebi que ele queria crescer. Então, conseguimos os recursos para que cursasse Jornalismo. Durante quatro anos ele fez a jornada Arapongas-Londrina e eu via que o fazia com alegria. Ele cresceu na profissão. Serviu à Igreja. Produziu reportagens fotográficas e bons textos, tanto para o Jornal como para a Revista de Escola Dominical.

DE AMIGO, porque estava sempre pronto para o trabalho. Convocado, nunca deixava de atuar com interesse. Simples em seus costumes, morava sozinho num apartamento no próprio prédio da Gráfica, e sabíamos que sua presença ali era como a de um guardião para aquele patrimônio.

DE IRMÃO, porque era um homem de fé, conhecedor da Palavra, pregador e assíduo aos trabalhos da Igreja.

Deixei a direção da Editora, mas ele continuou lá, ao lado do Pr. Rubens Paes. Nos últimos anos, percebíamos que sua capacidade parecia declinar, estava meio esquecido, mais lento, mas nem de longe imaginávamos que um moço assim tão forte poderia estar sendo assediado por um mal tão terrível.

Um dia, soubemos de um acidente de carro, que ele parecia querer esconder. Depois, alguém nos informou sobre um desmaio, durante um culto, que ele disse que não era nada. Fatos assim estranhos se sucederam. Até que ele mesmo percebeu o aparecimento de dificuldades visuais.

Mas o especialista constatou que seus olhos estavam perfeitos. E recomendou exames mais profundos os quais revelaram a presença de um mal contra o qual ele lutou bravamente. Várias cirurgias, tratamentos, melhoras, pioras…

Enfim, chegou o momento em que a trombeta soou. Era a hora de atravessar o rio. E ele ouviu a voz de seu Senhor chamando-o: “Francisco, chega de sofrer… Você foi um servo bom e fiel. Venha aqui. Venha morar comigo.”

Impossibilitado de estar presente, como seria meu desejo, transmito minhas condolências à família.

E que o bálsamo dos céus console os corações.

A memória do justo é eterna.

Joel R. Camargo
Ex-Diretor da Editora Aleluia

Arapongas, 25 de janeiro de 2010

Anairton de Souza Pereira – Dezembro/2004

Pastor pioneiro da IPRB
e membro da Diretoria Executiva.
Pastor da IPR de Cruzeiro, SP, desde a sua organização.

Temos o prazer de apresentar o pastor provavelmente
com o mais longo pastorado local numa igreja da Renovada. O pastor Anairton, 50 anos, é um dos pioneiros da obra
de renovação e com larga folha de trabalhos realizados.
Sempre primou pela linha doutrinária que abraçou
desde o princípio da Igreja. Fez uso e valorizou
o exercício dos dons espirituais.

Conversão

Nascido num lar evangélico, fez sua pública profissão de fé na Igreja Presbiteriana de Conceição de Ipanema. Foi nessa igreja que começou a ter oportunidade para pregar e onde recebeu seu chamado para o ministério.

Anairton nasceu em Conceição de Ipanema, MG, em 1º de agosto de 1953. Filho de Delarvino de Souza Pereira e Zédina de Souza Pereira. Casou-se em 20/01/1979, com Eunice Hernandes e tem três filhos: Damares (casada com Rosivaldo), Jether (casado com Zaíne) e Denise. E um neto: Gabriel, com três anos.

Avivamento

Como tinha muita simpatia pelo avivamento, costumava frequentar a Igreja Batista Renovada. Em 1.973, ingressou na Igreja Cristã Presbiteriana. E participou de um Encontro de Avivamento em Cianorte, no Paraná, onde Deus falou ao seu coração, confirmando seu chamado para o ministério, e de onde saiu muito abençoado com as várias palavras proféticas que recebera.

Em 1.973, ingressou na Igreja Cristã Presbiteriana de Vila das Mercês, no Ipiranga, São Paulo e foi batizado pelo pastor Joed Lamônica Crespo, em São Caetano do Sul. Recebeu nessa ocasião o batismo com o Espírito Santo e, logo em seguida, os dons espirituais, os quais têm sido uma bênção em sua vida e na Igreja.

Cursou, a partir de 1974, o Seminário Pentecostal do Avivamento Bíblico, em São Paulo, hoje da Igreja Evangélica Assembleia de Deus.

Ingresso na IPR

Com a união da ICP e IPIR, em 1.975, filiou-se à Igreja Presbiteriana Renovada de Osasco, SP. Em outubro assumiu a Congregação no Jardim Mutinga, recebendo-a com 16 membros, deixando-a, em 1976, com 38 e um terreno onde hoje está o templo da Igreja.

Participou da Assembleia Geral de janeiro de 1.977, em Belo Horizonte, onde foi examinado e recebido como pastor evangelista. E fora designado para assumir o pastorado da IPR de Cruzeiro, SP, no dia 27 de janeiro de 1.977. Na época, era presidente do Presbitério da Grande São Paulo o pastor Jobel Cândido Venceslau. No ano seguinte, no dia 4 de março, fora ordenado pastor, recebendo o número 162 no prontuário da IPRB.

Em janeiro de 2.005, completa 28 anos de pastorado à frente da IPR de Cruzeiro.

Um Presbitério

Partindo de Cruzeiro, o trabalho se estendeu por toda a região. Como consequência, foi organizado, em 12 de dezembro de 1.986, o Presbitério do Vale do Paraíba, que é formado por Igrejas e congregações estabelecidas em 20 municípios, abrangendo o Vale do Paraíba, Sul de Minas Gerais e Oeste Fluminense. A formação desse Presbitério contou diretamente com a liderança espiritual e administrativa do Pr. Anairton.

O Pr. Anairton está à frente do Presbitério do Vale do Paraíba desde sua fundação, com exceção do ano de 1.984, ano em que ficou fora da Diretoria.

Gosta de trabalhar com o Presbitério do Vale do Paraíba por se tratar de um grupo muito unido, que tem procurado preservar os princípios que a igreja abraçou desde os começos, afirma.

Nos Encontros

O Pr. Anairton tem sido insistentemente convidado para pregar em Encontros de Avivamento e em campanhas de despertamento. Em Cruzeiro já realizou 20 Encontros, eventos que têm trazido crescimento para todos.

Na Diretoria da IPRB

Em janeiro de 1.989, foi eleito vice-presidente da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil e exerceu esse cargo por seis anos. Depois fora Segundo Tesoureiro por três anos. Afirma que foi gratificante trabalhar, entre outros companheiros, ao lado do Dr. Jamil Josepetti, que deixou marcas de um grande líder, excelente administrador e amigo fiel.

A IPR de Cruzeiro

Cruzeiro foi uma das primeiras cidades alcançadas pelo avivamento Espiritual, já na década de 60, sob liderança do pastor Altair Monteiro. O pastor Anairton assume a Igreja em 1977. Era um salão alugado na Vila Batista. Depois foi alugado um maior no centro da cidade, na rua Coronel Castro, 623. Em 26/01/1975 foi organizada como Igreja. Em 1976 já se reunia no templo próprio, à rua Eng. Penido, 19. Atualmente, está se reunindo no novo templo, na rua Othon Barcelos, 19. Sua EBD (Escola Dominical) está com 156 alunos e a Igreja com 341 membros.
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Fonte:
Texto de JRC, redigido em 2009.
Servimo-nos de informações recentes da Profª. Eunice Hernandes Pereira e de dados
do Jornal Aleluia de maio/1986, fev./1999, julho/2001 e dezembro/2003

Atualizações

Eleito segundo tesoureiro da Diretoria Executiva da IPRB,
em dezembro de 2012, pela XVIII Assembleia Geral, realizada
em Poços de Caldas,MG, para o triênio 2013/2015

Em dezembro de 2015 fora reeleito segundo tesoureiro
da Diretoria Executiva da IPRB pela XIX Assembleia Geral realizada
em Poços de Caldas, MG, para o triênio 2016/2018

Advanir Alves Ferreira – Fevereiro de 2001

Pastor da IPRB desde 1985
Terceiro presidente da IPRB
Pastor da 10ª IPR de Maringá

Advanir Alves Ferreira é pastor da IPRB desde 17/08/1985,
quando fora recebido pelo Presbitério de Maringá.
Ordenado em 31/12/1988 e detentor é do prontuário 381.

Natural de Londrina, PR, onde nasceu

no dia 1º de dezembro de 1956.
Casado com Jucieni Aguiar Ferreira e tem dois filhos.

Formação

Formado em Economia pela Universidade de Maringá.

Foi professor nessa mesma Universidade, lecionando
Introdução à Economia.

Atuou na área administrativa como Secretário
da Administração municipal em Maringá, PR, por quatro anos.

Cursou Teologia na EETAD, 1980/1983.

Em 2008, concluiu o doutorado em Liderança
e Administração Cristã, pela Faculdade Teológica Sul Americana.

Atuação na IPRB

Exerceu o cargo de primeiro secretário da IPRB

Ex-professor do Seminário Presbiteriano Renovado de Cianorte

Presidente do Presbitério de Maringá

Presidente da IPRB desde 2001 eleito pela XIV Assembleia Geral
realizada em Anápolis, Goiás, em janeiro de 2001.

Reeleito em dezembro de 2003 pela XV Assembleia Geral
realizada em Sumaré, SP, para o triênio 2004/2006

Reeleito em dezembro de 2006 pela XVI Assembleia Geral realizada em Luziânia, GO, para o triênio 2007/2007

Reeleito em dezembro de 2009 pela XVII Assembleia Geral realizada em Poços de Caldas, MG, para o triênio 2010/2012

Reeleito presidente da IPRB em dezembro de 2012 pela XVIII Assembleia Geral realizada em Poços de Caldas, MG, para o triênio 2013/2015

Reeleito presidente da IPRB em dezembro de 2015 pela XIX Assembleia Geral realizada em Poços de Caldas, MG, para o triênio 2016/2018.

Adolfo Neves – Outubro/2004

Pastor pioneiro da IPRB chamado carinhosamente
de “batizador”, por ter realizado o primeiro batismo
por imersão, ainda ao tempo da IPIR

O pastor Adolfo Neves vivenciou os dias iniciais da Renovada. Concluído o Seminário, em 1971 assumiu o campo de Presidente Venceslau, SP, e, no ano seguinte, o de Pirapozinho, SP.

Nesse tempo, várias igrejas do interior do Estado de São Paulo, Paraná, Minas e Goiás estavam sendo alcançadas pelo avivamento. Ele também experimentara essa bênção que, por um lado era de alegria, por outro de dificuldades.

Alegria porque via pessoas sendo batizadas com o Espírito Santo e se dedicando ao evangelismo como nunca o fizeram anteriormente; de alegria porque o amor ao evangelho se despertara profundamente em muitas vidas; de alegria porque o povo se voltava para Bíblia com sede e para a vida de oração com muita fé. Mas de tristeza por causa das lutas eclesiásticas que essa posição suscitou.

Havia em Pirapozinho um grupo de irmãos vivenciando essa experiência e estavam interessados em dar continuidade ao trabalho. Para isso fora alugado um salão na Rua Florisvaldo Ribeiro Bessa, 1209.

O primeiro culto ocorreu no dia 28 de maio de 1972, com a presença de 62 pessoas. A Igreja fora organizada mais tarde, em 6 de agosto de 1972, estando entre as primeiras a se definir como Igreja Presbiteriana Independente Renovada, a IPIR. A reunião de organização se deu na casa do presbítero Jacyr Cardoso Garcia.

Um marco histórico é que o primeiro batismo nas águas na IPIR foi realizado por essa Igreja, no dia 17/09/1972, no sítio de Altino R. Santana, no distrito de Tarabay, com direito a banda de música. Foi oficiante o Pr. Adolfo Neves, estando presentes os pastores Palmiro de Andrade e Celsino Marques de Azevedo.

Pela sua bravura e força espiritual, convém relembrar os nomes dos primeiros oficiais, eleitos na data de organização: diáconos: Nehemias Francisco Lagos, Altair Rodrigues Menezes, Alfredo Frebonio dos Santos, Ivanice Bessa Oliveira, Ivanilda Bessa Evangelista do Lago e Nair Lourdes Garcia; e presbíteros Jacyr Cardoso Garcia, Djalma Barbosa Oliveira e Geraldo Soares de Oliveira, tendo o pastor Adolfo Neves como presidente do Conselho.

Além de Pirapozinho e Cândido Mota, pastoreou, no Paraná: Goioerê (nessa ocasião fez uma viagem missionária a Foz do Iguaçu e lá foi realizada a primeira Escola Bíblica Dominical na casa de Dorival Francisco da Silva, na época funcionário da Itaipu, hoje pastor da IPR em Rondônia), Ubiratã, Campina da Lagoa, Toledo, Assis Chateaubriand, Aldeia Feliz, Marechal Cândido Rondon e suas congregações. No Mato Grosso, pastoreou a Igreja de Sinop.

Missionário

Por um período esteve ajudando numa casa de recuperação em Curitiba, PR, marcado por gloriosas experiências. Depois de trabalhar em mais de 35 cidades, em três Estados; depois de construir ou reformar mais de vinte imóveis; depois de ganhar, pela graça de Deus, um número considerável de vidas para Jesus, das quais mais de dez são pastores, fora enviado, pela MISPA, para o Estado do Amapá, onde desembarcou em 04/02/1994.

Sua incumbência era a de fundar o trabalho Renovado na cidade de Macapá, e dar assistência aos campos missionários daquele Estado. No Estado havia quatro trabalhos, fundados pelo Pr. Márcio Lemes e Soeli e Ronaldo Gazoni. Atuou nesse campo até 1999. Atualmente está à frente do trabalho o presb. Euclides Augusto Palheta Pires e conta com 38 membros e 52 alunos na EBD.

Formação

Adolfo Neves é membro da grande família dos Neves, de Palmital, na região central do Paraná. Filho de Vitório de Paula Neves e de Dulvina Vidal, nasceu aos 23/11/1946, em Linha Nova, sendo registrado em Pitanga. PR. É o filho mais velho entre os 11 irmãos.

Desde a infância fora ensinado nos preceitos da Palavra de Deus. Sua conversão se deu no dia 31 de dezembro de 1967, quando Deus permitiu que um incêndio destruísse tudo que haviam construído até então. Sua casa, com todos os móveis e pertences, tudo se queimou e a família chegou a precisar de doação até de roupas.

Adolfo, que já se sentia chamado para o ministério, começou a pensar seriamente na transitoriedade da vida. Em 1968 matriculava-se no Instituto Bíblico de Cianorte, onde fez seu preparo para o ministério.

Família

Foi no Seminário que conheceu Isabel Cristina. Casaram-se em 1971. Souberam que não poderiam ter filhos, porém o Senhor operou um milagre em suas vidas e lhes deu três varões: Jônatas, Israel e Paulo César, que hoje é pastor auxiliar em Faxinal, PR. Há também a Natasha que é a alegria dos avós.

Conclusão

Atualmente pastoreia a IPR de Guarapuava, PR. Deus tem dado um novo rumo ao seu ministério, acatando a visão celular como princípio bíblico que tem por objetivo proporcionar à igreja não só um crescimento numérico, mas principalmente um crescimento do Corpo de Cristo e da expansão do Reino do Senhor sobre a terra.

Texto de Joel Ribeiro de Camargo

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Fontes:

1 – Jornal Aleluia de outubro de 2004, páginas 6 e 7.

2 – Além de texto recente, fornecido pela família, servimo-nos
do Jornal Aleluia de setembro de 1986, p. 7 (biografia),
do Jornal Aleluia de novembro de 1997, p. 16 (sobre Pirapozinho)
e do Jornal Aleluia de dezembro de 1994, p. 12 (sobre Macapá).

Como você tem tratado sua família? – Agosto/2006

Quando os pais estão bem consigo mesmos,
eles conseguem dialogar,
transmitir amor, educar melhor seus filhos
e dar a devida assistência à família.
Então, cuide mais de sua saúde física,
psicológica e espiritual para que isso
aconteça em seu lar.

Ficamos estarrecidos com certas notícias sobre acontecimentos que envolvem o relacionamento entre pais e filhos, esposo e esposa ou filhos e pais. Como pais, convém refletir sobre nossa responsabilidade para com a família. Contemplamos, nos dias atuais, duros e constantes ataques contra esta instituição. Sendo a família a célula básica da sociedade, o que vier a acontecer com ela refletirá diretamente no mundo em que vivemos. Satanás tem procurado destruí-la, pois sabe que ela define a sociedade em que estamos inseridos.

Esses três fatos iniciais – o valor da família, o perigo que vem correndo e a existência de um destruidor – cobram dos pais cristãos maior responsabilidade por serem o sal da terra e a luz do mundo em seu lar, junto aos filhos.

De fato, a família merece nosso melhor cuidado. Falo como pastor e como pai. O apóstolo Paulo afirma, em 1Timóteo 5: 8, que, quando não cuidamos da família, erramos e agimos tal como uma pessoa incrédula. Por isso, vamos relembrar alguns pontos importantes de nossa responsabilidade para o bem-estar da família.

Os pais têm de ter amor por sua família

O ambiente familiar, que deveria ser o local para demonstração de carinho, amor, afeto e diálogo, em muitos momentos se torna lugar de brigas, discórdias e indisciplina. Muitos pais não conseguem expressar amor pelos seus filhos. Como um pai ou mãe pode dizer que não ama os filhos? Mesmo que eles vivam em rebeldia não deverão ser desprezados, pois: “…os filhos são herança do Senhor, e o fruto do ventre, o seu galardão. Como flechas na mão do valente, assim são os filhos da mocidade”, Sl 127: 4-5. Um bom relacionamento pode evitar falhas ou corrigir os erros cometidos.

A Bíblia nos ensina que devemos amar todos os nossos familiares, pois se alguém disser que ama a Deus e odeia a seu irmão é mentiroso. Aquele que não ama a quem vê como pode amar a Deus a quem não vê? A prática de uma boa convivência é necessária porque todos precisam sentir que são amados, que são aceitos, que pertencem a uma família e isso acontece através de cada gesto e de cada palavra. Pais, esposas e filhos podem viver melhor: “A tua mulher será como a videira frutífera aos lados da tua casa; os teus filhos, como plantas de oliveira, à roda da tua mesa”, Sl 128: 3.

Os pais precisam assumir o compromisso de orar todos os dias para que Deus renove e aumente o amor de uns pelos outros dentro da família. O resultado de um bom relacionamento é que todos serão abençoados pelo Senhor e a alegria fará parte do dia-a-dia do lar. Dia das Mães e Dia dos Pais são um ótimo momento para reunião e reflexão familiar, mas não devemos ficar só nisso. Mudanças para melhor podem acontecer sob a direção de Deus: “instruir-te-ei e ensinar-te-ei o caminho que deves seguir; guiar-te-ei com os meus olhos”, Sl 32: 8.

Os pais precisam estabelecer prioridades

Prioridade implica em colocarmos certas questões em ordem de acordo com seu grau de importância. Se errarmos nessa sequência, poderemos colher resultados desastrosos. Se quisermos cuidar bem dos outros, primeiro temos de atentar para nós mesmos. Quando estamos bem conosco, conseguimos dialogar, transmitir amor, educar melhor nossos filhos e dar a devida assistência à família. Verdadeiramente, ninguém consegue amar o próximo, se não amar a si mesmo antes, Lc 10: 27.

Há muitos que não “esquentam a cabeça” nem consigo e nem com sua família. Os filhos ficam ao léu do tempo, não cuidam da comida deles, não cuidam das roupas, nem se preocupam com seus estudos, nem com o futuro da casa. Para esses pais, um pouco de organização pessoal, de planejamento familiar, de temor de Deus no coração e o estabelecimento de prioridades ajudariam a aprimorar a vida em família: “Todo aquele, pois, que escuta estas minhas palavras e as pratica, assemelhá-lo-ei ao homem prudente, que edificou a sua casa sobre a rocha”, Mt 7: 24. Se isso acontecer, os membros da casa viverão melhor e mais felizes.

Com relação à vida eclesiástica, é necessário ter firmeza nas posições tomadas para que uma coisa não prejudique as outras. Deus está em primeiro lugar, à família vêm depois e, finalmente, as atividades da igreja. Muitos já dedicaram muito tempo para a igreja e, quando se lembraram de seus filhos, já era tarde, já os tinham perdido para o mundo. Por isso, reservar tempo para gastar com o esposo, com a esposa, com filhos, faz muito bem à saúde da família: “O justo anda na sua sinceridade; bem-aventurados serão os seus filhos depois dele”, Pv 20: 27. Às vezes oramos muito e esquecemos dos deveres conjugais. Tudo precisa ter o seu devido lugar e equilíbrio.

Os pais precisam educar seus filhos

Na sociedade atual, há pais e há mães que desenvolvem os dois papéis: o de papai e o de mamãe. Com tantas separações, a estrutura social familiar acha-se bastante fragilizada. O momento é bem diferente da ideal, da orientada pelo Senhor em sua Palavra. Por isso, todos os pastores, pais e educadores estão conscientes da necessidade de sair em socorro à família, ou seja, prestar apoio e ajuda aos pais e aos filhos através de conselhos, ensinos, palestras, cursos, grupos familiares, eventos especiais, etc.

A educação secular e cristã dos filhos (relembramos aqui o relevante papel da Escola Dominical) deve ser prioridade para que eles tenham um futuro melhor e, consequentemente, seu filhos cumpram o que está em Pv 17: 6: “Coroa dos velhos são os filhos dos filhos; e a glória dos filhos são seus pais”.

A geração do mundo globalizado vive a maior crise paterna que já existiu! Pesquisas apontam que, semanalmente, os pais têm em média sete minutos de conversa significativa com seus filhos. Um dos resultados é que os filhos entram na vida sexual mais cedo, envolvem-se com drogas e violência. Mas quando há educação séria, pautada nas Escrituras sagradas, o pai não é visto apenas como o provedor da família, mas também é amigo, companheiro, confidente e muito mais. Cabe a eles ensinar as regras do jogo na estrada da vida para que seus filhos se tornem adultos responsáveis.

Por causa da complexidade da educação dos filhos, muitos pais sabem que precisam de mais informações e querem aprender, independentemente da idade, a lidar com seus filhos menores, adolescentes ou jovens. A Igreja tem procurado proporcionar-lhes isso. Quando os pais são reeducados, os filhos compreendem que o aprendizado é uma constância na vida, que sempre há algo a ser assimilado, que nunca se deve parar de estudar. O fato de não estar frequentando uma escola ou faculdade não significa que não esteja aprendendo sobre a vida. O dia-a-dia tem muito a ensinar aos pais e aos filhos.

Conclusão

Hoje não está fácil para a família. Se essa é também a sua constatação, nunca deixe de orar em favor de seu casamento, de seus filhos e dos demais familiares. É desejo de Deus que seu lar seja um altar. Os pais merecem os parabéns neste “dia das mães”, mas precisam de coragem para cultivar relações promissoras dentro de casa. A leitura da Bíblia esclarecerá muitas questões para o sucesso familiar. Que assim Deus nos ajude.

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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2006

Um olhar de amor pelos nossos filhos – Junho/1991

Liberdade com responsabilidade:
orientação pastoral
sobre o avanço das drogas
no meio urbano

A força do mundo das drogas é tremenda. Apesar do esforço das autoridades e dos educadores, uma faixa cada vez maior da sociedade vem se envolvendo com entorpecentes. Alguns por desinformação, outros por ganância. Acho que algum trabalho, alguma medida precisaríamos tomar para proteger nossos filhos e nossos jovens. E é sobre isso que desejo conversar com os pastores e líderes de igrejas.

Como nessa área não tenho autoridade para determinar, quero apenas sugerir aos obreiros que desenvolvam, em todas as igrejas, um trabalho de atendimento aos lares e às famílias, orientando preventivamente a respeito dos perigos das drogas. Elas matam, destroem vidas, levam almas ao inferno. Minam a saúde, a paz, a vida financeira e a vida espiritual de quem com elas se envolve. Tiram jovens das escolas e das igrejas e levam ao caminho do vício, do roubo e dos crimes. Por isso, um trabalho de orientação precisa ser feito, imediatamente, a fim de imunizarmos cada vida que pertence ao nosso rebanho, tentando isolá-la das possíveis influências negativas que possam advir do meio em que vivem os jovens, moços e moças, tanto na rua, como nas escolas ou no emprego.

Penso que poderiam ser feitas palestras, estudos, até com proveito, mas acho que o caminho seria outro, mais direto e mais pessoal. O pastor deveria visitar a família, colocar pais e filhos em torno de uma mesa e expor claramente o assunto. Sem alarme, mas agindo pastoralmente, avisando, comprovando com dados o avanço das drogas no meio urbano. Explicar também aos pais como acompanhar os filhos, como orientá-los, sem prendê-los demasiadamente, mas também sem dar tudo o que querem, proporcionando uma liberdade com responsabilidade. Observar os horários e as companhias. Criar laços mais estreitos com os filhos, saindo com eles e vivendo mais junto deles. A mãe deve verificar bem de perto qualquer mudança de comportamento nos filhos e filhas e, em caso de suspeita, já no início eliminar qualquer indício de uso de drogas. Temos de fazer um trabalho preventivo, como se fosse uma vacina, porque depois que estiver viciado, aí vai ser a hora do choro e da lamentação.

E, quanto à Igreja, em seu programa, sugiro que dê toda atenção possível aos adolescentes e jovens, levando-os a ocupar seu tempo ocioso. Proponham atividades que possam conduzi-los a uma visão profunda da vida espiritual e social, com momentos de louvor, estudos, confraternização e oração. Os jovens precisam chegar a uma real conversão e devem ter a oportunidade de prestar serviços à causa.

Disse que a força do mundo das drogas é muito grande, é demoníaca. E a ingenuidade dos jovens é enorme. Se juntarmos a curiosidade, a mente vazia e a desinformação, eis aí uma porta aberta para o traficante. Não, não vamos deixar nossos filhos assim tão desprotegidos. Vamos conversar com eles. A começar pelas crianças, pedindo que não aceitem nada da mão de estranhos. Temos de começar cedo. Se a criança já tem capacidade de nos atender, vamos falar com ela de modo a salvá-la desse caminho terrível. Tudo depende de nós, líderes religiosos, e dos pais. Dar amor é dar meios para que sobrevivam nesse mundo dominado pelo maligno, 1João 5:19.

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 1991, pg. 02 da edição 144

Avivamento hoje, necessário e urgente – Setembro/2016

Reflexão com base em Daniel 10: 19

AVIVAMENTO TRAZ ARREPENDIMENTO

“A profundidade de qualquer avivamento será determinada precisamente pela profundidade do espírito de arrependimento que o produziu.”

O AVIVAMENTO TRAZ HUMILDADE

É preciso que sejamos humildes aos nossos próprios olhos, pois o fracasso ou o sucesso, em última análise, dependerá disso. Caso nos consideremos importantes, já estamos derrotados. Deus sempre procurou um povo humilde. Ele não pode usar outro tipo de pessoa. Martinho Lutero, o grande reformador, escreveu: “Quando o Senhor Jesus diz ‘ARREPENDA-SE’, Ele quer dizer que toda a vida do crente na terra deve ser um constante e permanente arrependimento”.

AVIVAMENTO TRAZ RELACIONAMENTO
ÍNTIMO COM DEUS

Precisamos de um relacionamento mais íntimo, vivo, pessoal, e comunhão maior com Deus. Só o homem que vive em comunhão com a realidade divina está habilitado a levar as pessoas a Deus. Daniel recebe o fardo de seu povo sobre os ombros, um homem de lágrimas. O povo havia se esquecido de Jerusalém e do lugar de oração e as pessoas se mostravam pouco interessadas em adorar e servir a Deus. Parecia que o povo de Deus estava com o coração “cauterizado” e todos viviam uma vida tomada pela apatia e pelo adormecimento espiritual.

Assim como hoje, quando a maioria dos cristãos não quer aumentar sua carga de oração. Muitos crentes acham mais fácil criticar a orar. Mas, como os profetas de antigamente, precisamos orar por aqueles que não oram por si mesmos. Precisamos confessar os pecados do povo. A carne, naturalmente, reluta diante de tão árduo sacrifício. Os gemidos não são muito populares em algumas igrejas, assim como não são agradáveis os brados de uma mulher dando à luz. A angústia na intercessão não é companhia agradável para os que estão conformados e acomodados em uma vida egoísta no mundo. E as igrejas não querem ouvir os gemidos da intercessão. Estão muito mais preocupadas em se divertir. Envolvem-se em ativismo desnecessário ou implantam inovações que tomam o lugar daquilo que deveria ser primazia. A verdadeira intercessão com angústia de alma é tão nítida no espírito quanto as dores de um parto natural. A semelhança é quase perfeita. Nenhuma alma jamais renasce sem esse processo.

Todos os avivamentos de salvação vêm dessa maneira. Os fardos do povo de Deus precisam pesar em nossos corações. Jamais seremos verdadeiros PASTORES E OBREIROS, INTERCESSORES a não ser que sintamos as aflições do povo sobre nossos ombros. As tristezas do nosso Senhor devem estar sobre nós. Devemos estar no Jardim do Getsêmani com Ele. “O penoso trabalho da sua alma” deve estar sobre nós. Devemos temer, como Ele temeu, que não viveria para ver as respostas das orações e lágrimas pelo avivamento. Uma vida de oração é muito mais importante do que prédios e organizações. Mas, às vezes, esses interesses substituem a oração. Entretanto, as almas entram no reino só através de orações. As orações não podem ser normais, mas devem ser sopradas pelo Espírito de Deus.

O AVIVAMENTO DESTRÓI BARREIRAS
DENOMINACIONAIS E OS PARADIGMAS

A operação de Deus em nossos corações deve ser mais profunda do que jamais experimentamos, suficientemente para destruir as barreiras denominacionais, partidárias, apegos a títulos e a reconhecimentos. Deus tem usado muitos homens, de diversas denominações, mas às vezes olhamos para tudo isso com um olhar crítico, ao invés de reter o que é bom e esquecer o que não concordamos.

“Deus é quem aperfeiçoa aqueles que Ele mesmo escolhe.”

O AVIVAMENTO TRAZ OS DONS

Devemos buscar o dom da fé, o discernimento de espíritos, a cura e a profecia. Precisamos de mais sabedoria e também de amor. O dom da fé, para efetuar grandes milagres, pois em nossas igrejas deveriam ser notórios os milagres e maravilhas. Precisamos da fé para que venha o avivamento. Temos de profetizar a respeito das grandes coisas que estão por vir. Realizarmos atos proféticos em nossas igrejas e no presbitério. Uma misteriosa e poderosa mobilização no mundo espiritual está às portas. Temos de ter a sensação de “céu aqui na terra” com a certeza de que o sobrenatural existe e em sua plenitude em nossas igrejas. Muitos que agora são cristãos silenciosos liderarão movimentos. Devemos buscar os sinais e maravilhas. Mc 16:17

John Wesley orou assim: “Senhor, manda-nos o antigo avivamento sem seus defeitos; mas, se não for possível, manda-o de volta com todos seus defeitos. Precisamos de avivamento.”

O AVIVAMENTO TRAZ HUMILDADE
E, CONSEQUENTEMENTE, A UNIDADE

Deus usa os mais humildes e às vezes desprezíveis. “De Nazaré pode sair alguma coisa boa?” Uma carga de dinamite não produz o produto final, mas ajuda a soltar as pedras que depois serão transformadas em monumentos pelas mãos talentosas do escultor.

Assim são aqueles que Deus levanta para revolucionar. Não queremos uma igreja poderosa que influencie e manipule o poder humano, mas queremos uma igreja que transforme pessoas mediante o poder do sangue de Cristo. O conceito muda, damos a Deus sem esperar receber, agradamos a Deus e não a nós mesmos. Quando houve o grande avivamento na rua Azuza em Los Angeles, Califórnia, em 1906 , liderada por William Joseph Seymour, as pessoas se preocupavam em viver o amor de Deus. Nenhum pregador ousava criticar igrejas, pastores , denominações. O Espírito Santo não lhes dava tempo de pensar, falar ou ouvir mal de nenhuma criatura. Não precisavam se defender em meio às perseguições. O Espírito Santo se encarregava de tudo. O Espírito direcionava o conteúdo das pregações.

Na Igreja da Rua Azuza não havia instrumentos, nem precisavam deles, tudo era espontâneo, o poder de Deus os enchia e os comovia com cânticos espirituais. Havia pregação espontânea e apelos ao altar para salvação, santificação e batismo no Espírito Santo. Quando há unção e a glória de Deus está sobre o ministério pastoral e na igreja, Deus mesmo se encarrega de fazer o apelo e as pessoas são impactadas debaixo da nuvem da glória de Deus.

O AVIVAMENTO TRAZ SANTIDADE

Daniel, à semelhança de Isaías, teve seus lábios tocados, e começou a profetizar pela unção e poder de Deus. Daniel foi profundamente quebrantado. Seu corpo se enfraqueceu. Daniel caiu prostrado diante do ser celestial, diante da manifestação da glória de Deus. A glória do Senhor é poderosa demais para um frágil ser humano suportar. Daniel se humilhou diante de Deus. Nós temos feito o mesmo hoje? Daniel tinha joelhos que se curvavam quebrantados diante de Deus. Enquanto a Igreja ora, trava-se uma batalha nas regiões celestiais, há uma guerra em andamento entre os anjos de Deus e os anjos de Satanás.
De fato, a santidade traz a unção e, a unção, autoridade.

Precisamos ver o nosso povo dando glória a Deus, falando em línguas estranhas, profetizando. É urgente e necessária a manifestação dos dons , curas, milagres e maravilhas.

Vejamos um relato de um morador próximo a um dos locais de reunião de Seymour:

“Eles gritaram três dias e três noites. Era época da Páscoa. As pessoas vinham de todas partes. Na manhã seguinte não havia como chegar perto da casa. Assim que as pessoas entravam, elas caíam sob o poder de Deus, e a cidade inteira se comoveu. Gritaram tanto que a base da casa cedeu, mas ninguém ficou ferido. A separação racial foi quebrada, famílias brancas começaram a participar e serem batizadas com o Espírito Santo. Nenhum instrumento musical foi usado. Pois não eram necessários. Um coro de anjos foi ouvido por alguns, no espírito. Nenhuma oferta foi recolhida. Nenhum anúncio foi escrito para divulgar as reuniões. Nenhuma organização eclesiástica estava por trás disso. Todos que estavam em contato com Deus, logo que entravam nas reuniões percebiam que o Espírito Santo era o líder.”

A primeira edição da Fé Apostólica afirmou uma reação comum para a revitalização dos visitantes: “Pregadores orgulhosos e bem vestidos vêm para ‘investigar’. Logo o seu aspecto importante é substituído com assombro. Então vem a convicção de que, muitas vezes, num curto espaço de tempo você irá encontrá-los chafurdando no chão sujo, pedindo perdão a Deus e se tornando como criancinhas.”

Ó Senhor, aviva a tua obra!

O fogo do avivamento – Setembro/2006

Os reavivamentos mais famosos da história
da igreja aconteceram na Europa
e na América do Norte.
Entre eles estão a Reforma Protestante
e o movimento da Rua Azusa.
No Brasil, Daniel Berg e Gunnar Vingren
são os fundadores da obra pentecostal.
Nas décadas de 60 e 70, várias igrejas
experimentaram um reavivamento espiritual,
quando surgiu a Igreja Presbiteriana
Renovada do Brasil.

É curioso o nome do livro de Levítico no original: “Vaikrá”, que significa “Ele Grita”. Mas, quem está gritando? Deus. E o que Ele grita? Sejam santos. O livro mostra todas as formas, rituais, ofertas e sacrifícios, para ensinar a Israel a se aproximar de um Deus santo. E o fogo da oferta de holocausto deveria arder continuamente sobre o altar sem se apagar, Lv 6: 13. Então, como manter o fogo do avivamento?

O fogo do avivamento
da rendição absoluta a Deus

“Então, caiu fogo do Senhor, e consumiu o holocausto, e a lenha, e as pedras, e a terra, e ainda lambeu a água que estava no rego. O que vendo todo o povo, caiu de rosto em terra e disse: O Senhor é Deus! O Senhor é Deus!”, 1Rs 18: 38-39.

Como eram os dias de Elias? Eram dias de ambiguidades. Havia um Israel que ora servia a Deus, ora servia a Baal. Ora dizia que o Senhor é Deus, ora dizia que Baal era deus. Então Elias desafiou a todos: “Por que vocês estão divididos em dois pensamentos? Se Baal é deus sirvam a ele, mas se o Senhor é Deus, servi-O”. Porém, vocês precisam decidir. Elias os desafiou para uma prova e Deus respondeu com fogo. O holocausto foi consumido e como o povo reagiu? Prostrado diante do Senhor dizendo: “Só o Senhor é Deus! Só o Senhor é Deus”.

Muito pior do que os ídolos estarem no andor, no oratório, na escrivaninha, ao lado da cama, no retrovisor do carro, é quando eles estão no coração, na mente: Ez 14: 3; Cl 3: 5. Mas, o fogo do avivamento nos faz sermos por inteiro para Deus e nos capacita a sermos totalmente dirigidos pelo Senhor.

Hoje o Senhor Deus Todo-poderoso enviará fogo dos céus sobre nós. Fogo de reavivamento e não mais ficaremos divididos. Deus enviará fogo de reavivamento sobre nós para não mais servirmos a dois senhores. Não mais pensaremos duas vezes: renunciaremos o mundo e abraçaremos totalmente o Senhor. Detestaremos o pecado e amaremos a Deus. Rejeitaremos o amor ao dinheiro e nos contentaremos com a presença do Senhor.

O fogo do avivamento
do coração rasgado para Deus

“Agora, porém, declara o Senhor, voltem-se para mim de todo o coração, com jejum, lamento e pranto. RASGUEM O CORAÇÃO, e não as vestes. Voltem-se para o Senhor, o seu Deus, pois é ele é misericordioso e compassivo, muito paciente e cheio de amor; arrepende-se, e não envia a desgraça”, Joel 2: 12-13.

Poderíamos chamar Joel de “O Profeta do Avivamento” ou “O Profeta do Derramar do Espírito”. As igrejas históricas, tradicionais, pentecostais, renovadas e neopentecostais concordam que o que aconteceu com a igreja primitiva, em Atos 2, é o cumprimento da profecia de Joel 2: 28: “derramarei o meu espírito sobre toda a carne…”. Todos querem um avivamento de profecias, de visões, de revelações, de prosperidade e crescimento. Um avivamento para nós, nossos filhos e nossas filhas.

Antes, porém, Deus enviará um avivamento de santidade. O fogo do reavivamento que o Senhor enviará rasgará os nossos corações porque a vida com Cristo não é teatro, não é encenação, não é novela, não é fantasia, não é magia. Se isto estiver acontecendo em sua vida, hoje Deus vai mudar sua história, Ez 36: 26. Ele vai trocar a oração do fariseu pela do pecador arrependido, Lc 18: 9-14. Hoje o fogo do reavivamento vai trocar a nossa aparência pela essência, a nossa encenação por adoração.

O fogo do avivamento
da paixão evangelística

“Mas receberão poder quando o Espírito Santo descer sobre vocês, e serão minhas testemunhas em Jerusalém, em toda a Judeia e Samaria, e até os confins da terra”, At 1: 8.

Por que somos cristãos? Para sermos santificados, reavivados e produzirmos frutos através da pregação do evangelho de Cristo. Deus não virá sobre o crente apenas para produzir arrepios e emoções, mas também para testemunhar, evangelizar e discipular. O fogo do reavivamento dá uma visão de conquista das nações e de evangelização do mundo. Quando somos abrasados pelo fogo de Deus, ele gera em nós uma paixão por vidas, pelas almas.

Vamos orar como estes homens: John Knox: “Senhor, dá-me a Escócia ou eu morro”; George Whitefield: “Se não queres dar-me almas, retira a minha!”; D. L. Moody: “Usa-me, então, meu salvador, para qualquer alvo e em qualquer maneira que precisares. Aqui está meu pobre coração, uma vasilha vazia, enche-a com Tua graça”; Henrique Martyn, ajoelhado na praia da Índia, dizia: “Aqui quero ser inteiramente gasto por Deus”; David Brainerd: “Eis-me aqui, Senhor. Envia-me até aos confins da terra: envia-me aos bárbaros habitantes das selvas, envia-me para longe de tudo que tem o nome de conforto, na terra; envia-me mesmo para a morte, se for no Teu serviço e para o progresso do Teu reino”.

Este é o clamor, a oração, o grito e a paixão de coração incendiado pelo fogo do reavivamento. Quem experimenta esse fogo sai pelos quatro cantos da cidade incendiando corações com o evangelho de Jesus, seja através de literatura, cruzadas, campanhas, programas de TV ou de rádio, células, grupos familiares, G-12 ou G-5… Porque o importante são as almas.

Conclusão

O livro de Levítico mostra que os sacerdotes deveriam manter o fogo constantemente aceso sobre o altar. Sempre tinha de haver lenha para que o fogo não se apagasse. Deus nos aviva, mas cabe a nós o papel de manter a chama acesa. Isso é feito através de uma vida de oração, estudo da Bíblia, louvor e adoração. Certa vez perguntaram ao avivalista John Wesley: “num incêndio, o que você salvaria? Ele disse: o fogo”. Então, meu amado, hoje salve o fogo do reavivamento em sua vida.

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 2006

Retorno aos caminhos do Senhor – Outubro/2006

As reformas são necessárias
quando algo já não atende às finalidades
presentes em sua origem. Muitas vezes precisamos
reformular nossa vida material, emocional,
espiritual, nossos pensamentos e nossa visão
de mundo, Rm 12: 2. A Bíblia fala
de várias reformas na vida do povo
de Deus, Jr 31: 33; Ez 36: 26; 2Re 22.

Neste texto vamos expor as causas da Reforma
Religiosa do Séc. XVI e conhecer os principais reformadores.

A reforma redescobre o ensino bíblico

Nos dias do rei Josias, após longos anos de reinado de homens perversos, a nação se encontrava mergulhada na idolatria e completamente afastada de Deus. A ruína já estava predita. A solução foi uma profunda reforma. Altares pagãos foram derrubados, o templo e o culto foram reparados e até ossos de sacerdotes pagãos foram queimados. É importante ressaltar que tanto essa como toda reforma espiritual precisa ser motivada pelo redescobrimento da Palavra e ensino bíblico.

Foi o que aconteceu no século XVI. Durante um longo período de trevas espirituais, a igreja havia se afastado da Bíblia e se contaminado com práticas pagãs. A imoralidade tomava conta de seus líderes. A igreja que coroou reis e imperadores já não conseguia satisfazer às ansiedades da alma humana.

Ao longo da Idade Média, a igreja havia perdido sua identidade. Preocupada com luxo e bens materiais, vendia cargos eclesiásticos a quem pudesse pagar (prática chamada “simonia”, que deu origem a ingressos de sacerdotes que mal sabiam celebrar uma missa), vendia o perdão dos pecados e o direito à salvação (as indulgências).

Mas as almas continuavam clamando e perecendo. As cerimônias religiosas eram celebradas numa língua desconhecida da maioria dos fiéis. Poucos conheciam a Bíblia, inclusive sacerdotes. Ocorria o que profetizou Jeremias: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos”, Jr 8: 20; e o que Jesus constatou: ovelhas desgarradas procuravam quem as alimentasse, Mt 9:36; Tt 3:3; 1Pe 2:25.

A reforma produz muitos questionamentos

Deus, que jamais abandona os seus (Is 40:11; 49:15), levantou homens para reverter esse quadro sinistro. No século XII, os valdenses já questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. Os cátaros ou albigenses defenderam, nos séculos XII e XIII, a necessidade de santificação. Os petrobrussianos rejeitavam a missa e defendiam o casamento dos padres.

No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu a secularização dos bens eclesiásticos, o fortalecimento do poder temporal do rei e a negação da presença corpórea de Cristo na eucaristia. Essas ideias influenciaram o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia. Entre as vozes protestantes estava a do monge dominicano Girolamo Savanarola, o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado.

O movimento religioso iniciado na Alemanha, no séc. XVI, teve mais êxito porque causou alteração religiosa com desdobramentos econômicos, políticos e sociais em todo ocidente. No campo político, os reis estavam descontentes com o papa, pois este interferia muito em seus comandos. O homem renascentista, cada vez mais crítico, fazia oposição aos preceitos da Igreja. A ideia de um estado universal foi cedendo lugar ao conceito de nação-estado.

Com a formação das cidades, a classe média forte (a burguesia comercial) estava inconformada com os clérigos católicos que condenavam suas atividades. Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. As descobertas de novas terras por Colombo e Cabral acentuaram essas mudanças. Os fundamentos do velho mundo estavam ruindo.

A reforma levanta homens de Deus

A faísca veio em 1517 quando Tetzel, um padre dominicano, pregava as indulgências com grande exibicionismo: dizia que cada vez que caia uma moeda na bolsa do frade, uma alma saía do purgatório. Diante disso, Lutero resolveu protestar, fixando na porta da Igreja de Wittenberg suas famosas 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina católica. A resposta do papa Leão X veio na bula “Exsurge Domine”, ameaçando Lutero de excomunhão. Mas já era tarde demais, pois suas teses já haviam sido distribuídas por toda a Alemanha.

Lutero queimou a bula papal em praça pública e recusou-se a comparecer à dieta de Worms para retratar-se. Em 1529, na dieta de Spira, os cristãos reformistas foram apelidados pela primeira vez de “protestantes”. Nessa época, os ideais da reforma já estavam estourando em diversas partes como na Suíça (Zurique), França e nos Países Baixos. Em todos esses países houve perseguição aos reformadores e aos novos protestantes. Intensificou-se ainda mais a represália com a chamada “Contrarreforma”, promovida pelo catolicismo.

Seguiram-se cem anos de guerras religiosas dos reis católicos contra os protestantes. Mas a reforma prosperou, pois não era obra de homem, mas de Deus! Igrejas protestantes foram fundadas em todas as partes do mundo. O espírito liberal (princípio protestante), somado ao vigor da incipiente fé evangélica, fez com que o Cristianismo sofresse “reformas dentro da Reforma”, produzindo novos idealizadores do movimento. Os principais reformadores foram:

Martinho Lutero – Nasceu em Eisleben, em 1483, numa família de camponeses. Foi ordenado sacerdote em 1507, entrando na ordem agostiniana. Doutor em Ciências, Filosofia e Teologia, mestre em artes, lecionou em Wittenberg. Sistematizou a doutrina da justificação pela fé e reivindicou a liberdade de interpretar a Bíblia. Seu pensamento reformou o sistema de ensino alemão, que inaugurou a escola moderna. A ideia da escola pública para todos, organizada em três grandes ciclos (fundamental, médio e superior), nasce de seu projeto educacional. Deu origem ao conceito de utilidade social da educação e escreveu que “A maior força de uma cidade é ter muitos cidadãos instruídos”.

Philipp Melanchthon (1497-1560), o “preceptor da Alemanha”, durante o período em que Lutero estava impedido de se manifestar publicamente foi o porta-voz da causa reformista e um dos encarregados de reorganizar as igrejas dos principados que haviam aderido ao luteranismo. Esse trabalho resultou no projeto de criação de um sistema de escolas públicas, adotado pelo estado da Saxônia e, depois, copiado em quase toda a Alemanha. Melanchthon e Lutero defendiam a educação também para as meninas.

Huldreich Zwinglio – De família de fazendeiros, nasceu em 1484, em Wildhaus. Foi sacerdote católico. Recebeu o grau de bacharel em artes, estudando nas Universidades de Viena e Basileia. Por volta de 1519, já sob a influência dos escritos de Erasmo e Lutero, começou a pregar em Zurique contra certos abusos da Igreja Católica e, logo em seguida, a deixou, convertendo-se.

João Calvino – Nasceu em 1509 na cidade francesa de Noyon, na Picardia. Em 1523, em Paris, estudou latim, humanidades, e teologia. Em 1528, iniciou seus estudos jurídicos e a língua grega. Converteu-se à fé evangélica por volta de 1533 e teve de fugir por colaborar com a reforma. Em 1536 publicou a primeira edição da sua grande obra: “As Institutas” ou “Tratado da Religião Cristã”. Em Estrasburgo, produziu uma apologia da fé reformada entre outras obras. Casou-se com a viúva Idelette de Bure. Em 1541, em Genebra, assumiu o pastorado da igreja reformada e escreveu para ela as célebres “Ordenanças Eclesiásticas”. Tornou-se o sistematizador da teologia protestante e criador presbiterianismo.

João Knox (1515-72) – Padre escocês que começou a pregar ideias da Reforma em 1540. Foi preso em 1547 pelo exército francês e mandado para a França. Passou por Genebra onde absorveu de modo completo a doutrina de Calvino. Em 1559 voltou à Escócia para liderar um movimento de reforma nacional.

Concluindo, toda vez que o Cristianismo se afastou dos princípios básicos da fé, Deus levantou pessoas para reformar a igreja. Eles buscaram a Deus em oração e leitura da Bíblia. O resultado foi o retorno aos caminhos do Senhor. Hoje, mais do nunca, precisamos reavaliar nossas vidas e reformá-las a partir da Bíblia. Você está sendo desafiado a isso.

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Artigo publicado no Jornal Aleluia de outubro de 2006

Reformados, sempre reformando – Outubro/2006

Os cristãos reformados têm um grande desafio
para nossos dias: manter sempre,
diante do coração e da mente, os motivos
propulsores da Reforma Protestante do século XVI,
como a questão das indulgências
(compra de perdão dos pecados),
a idolatria, as relíquias, a infalibilidade papal,
entre tantos outros dogmas e princípios.

Podemos lembrar que, ao inspirar os reformadores a darem início ao movimento, o Espírito Santo tinha como objetivo principal a saúde espiritual do corpo de Cristo (a Igreja), que havia se desviado completamente do seu chamado original, Mateus 28: 19-20, e estava trilhando caminhos opostos ao “Ide” de Jesus.

A necessidade de estudar os princípios da reforma

O mundo latino conheceu as expressões doutrinárias: Sola Scriptura (Somente a Escritura), Solus Christus (Somente Cristo), Sola Gratia (Somente a Graça), Sola Fide (Somente a Fé) e Soli Deo Gloria (A Deus somente a glória). Mas muitos podem perguntar se há relevância em estudar essas questões nos dias atuais. A resposta está no fato de que muitos dos problemas daquela época estão bem presentes em nossos dias, e no meio evangélico.

Vejamos, por exemplo, o evangelho pregado por algumas denominações neopentecostais. A ênfase está no “eu”, no “ego” de quem está ouvindo a mensagem, e não em Cristo ou em Sua Palavra. Isso contraria dois princípios da reforma: somente a Escritura e somente Cristo. A falta de conhecimento das doutrinas ensinadas pelos reformadores faz muitos líderes, pregadores e evangelistas cometerem erros desastrosos para o Cristianismo.

Um deles é o culto que deveria ser teocêntrico (Deus como centro), e se torna antropocêntrico (o centro é o homem, o ser humano), contrariando um ponto fundamental da reforma: a Deus somente a glória. Essa contrariedade se torna visível por causa da ênfase exagerada dada à prosperidade financeira ou à questão da cura divina como sendo primordiais para a manifestação de Deus.

Os cristãos reformados e renovados têm o dever de cultivar uma vida espiritual sadia e equilibrada, tendo como base a soberania de Deus. O Senhor sabe muito bem quais são as necessidades e dificuldades de seus filhos, antes de serem proferidas por nossos lábios em oração. Então, devemos orar apresentando nossas petições? Certamente que sim! Devemos crer que “tudo o que pedimos em nome de Cristo” Ele nos concederá? É claro que sim!

Contudo, nossa posição é de servos, não de senhor. Não estamos em condições de exigir nada. Qual o melhor caminho a seguir? Estudarmos a Reforma e voltarmos aos seus princípios: somente a Bíblia, somente Cristo, somente a Graça, somente a Fé e, a Deus, somente a glória. Vejamos dois deles.

Sola Scriptura: “Somente a Escritura”

Timothy George afirma: “Todos os reformadores estavam convencidos daquilo que Zuinglio chamou de ‘a clareza e certeza da palavra de Deus’ …Eles eram irrestritos em sua aceitação da Bíblia como a única e divinamente inspirada Palavra do Senhor”. A Escritura Sagrada é autoridade única e também suficiente para nortear a Igreja de Cristo. Ela é a verdadeira base para se evitar os erros doutrinários da atualidade.

As experiências humanas jamais devem ser colocadas no mesmo nível de autoridade que as Escrituras, pois a Escritura Sagrada é a fonte de todo posicionamento cristão. Ela é a verdadeira base para alicerçar a fé de todo crente em Jesus Cristo: “De sorte que a fé é pelo o ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”, Rm 10: 17. A leitura da Bíblia produz conhecimento, bem-estar espiritual e um viver cristão saudável. Ela é a espada do Espírito Santo, que convence cada um do “pecado da justiça e do juízo”. As experiências espirituais servem como testemunho da ação de Deus.

As profecias, visões, revelações escritas em outros livros jamais devem assumir o lugar da Palavra de Deus e nem direcionar o caminho daqueles que seguem a Jesus. Tudo que for contrário à Palavra deve ser rejeitado: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”, Gl 1: 8.

Solus Christus: “Somente Cristo”

Cada pessoa tem o seu jeito de ser, sua personalidade, seu estilo, e cada reformador tinha seu próprio modo de transmitir as verdades sobre a centralidade de Cristo. Mas eles não abriam mão da verdade de que existe “um só mediador entre Deus e o homem, Cristo Jesus, homem”, 1Tm 2:5. Por exemplo, Zuinglio insistiu que: “Cristo é o único caminho que leva à salvação para todos os que existiram, existem e existirão” – (Timothy George. Teologia dos Reformadores. p. 310).

No decorrer da história sempre houve pessoas tentando substituir a pessoa de Jesus. Por exemplo, o Catolicismo Romano passou a prestar culto a Maria já no século V d.C., o culto às imagens, no século VIII d.C., e a canonização dos santos, no século X d.C. Instituiu também o sacerdotalismo, que colocava a salvação e a comunhão com Deus nas mãos dos sacerdotes. O pecador não mais era responsável perante Deus e sim perante o sacerdote. A Reforma faz com que Cristo ocupe o seu lugar na igreja e na vida das pessoas.

João Alves dos Santos, em As Doutrinas da Reforma, afirmou: “O que o catolicismo ensina a respeito de Cristo não é diferente daquilo que professamos em nossos credos. A encarnação, nascimento virginal, divindade, morte vicária e ressurreição são cridas e ensinadas. O problema é que a Igreja Romana não crê na suficiência e exclusividade da obra de Cristo para a salvação. Maria é erigida à posição de intercessora e até co-redentora (não oficialmente, ainda) e os santos entram também com os méritos de sua intercessão para a obra salvífica” – (www.monergismo.com).

A Bíblia é categórica em reformar a mente de seu leitor quando afirma: “E em nenhum outro há salvação; porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”, At 4: 12. As idéias, as formas de pensar e os conceitos de qualquer ser humano são mudados, reformados, quando essa pessoa passa a ler a Palavra de Deus. Ali ele entende quem merece o centro de nossa vida. Antes de ser assunto ao céu, Jesus afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”, Mt 28: 18. É imperativo conhecermos os pensamentos dos reformadores.

Conclusão

Os dias atuais desafiam a que voltemos aos ideais dos reformadores, porque eles nada mais fizeram do que se voltarem aos ideais apostólicos: “nós perseveraremos na oração e no ministério da Palavra”, At 6: 4. Para aqueles que estão com dificuldades de aceitar uma reforma pessoal, Paulo afirma que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir com justiça”, 2Tm 3: 16. Os reformados precisam sempre estar se reformando a partir das Escrituras Sagradas. É tempo de praticar os ideais da Reforma.

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2006

Pr. Jonathan Ferreira dos Santos – Outubro/2002

Um dos líderes do movimento de renovação
instaurado na década de 60, do século XX
Um dos fundadores da Igreja Cristã Presbiteriana
Fundador e diretor do Instituto Bíblico de Cianorte, atualmente Seminário Presbiteriano Renovado
Fundador e Diretor da Missão Antioquia

Pr. Rubens Paes e Pr. Francisco Barretos

Origem e preparo teológico

A origem do pastor Jonathan é muito humilde. Tendo nascido em uma família pobre, começou a trabalhar cedo. Ainda criança, vendia frutas para ajudar no orçamento da família. Só aos sete anos de idade é que ganhou seu primeiro par de sapatos.

Contudo, as dificuldades financeiras não foram empecilho à vocação divina. Jonathan Ferreira dos Santos formou-se no Seminário Presbiteriano de Campinas, instituição de renome no meio evangélico brasileiro. Após sua graduação, a Junta de Missões Nacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil colocou diante dele três opções: Porto Alegre, RS; Dracena, SP, e Cianorte, PR. Após orar, deixou a decisão para a própria Junta. Como não havia ninguém disposto a ir para Cianorte, esse foi o campo que lhe designaram.

Em janeiro de 1962, o Pr. Jonathan e D. Euza dirigiram-se a Cianorte. As estradas eram ruins, não havia asfalto, as travessias dos rios eram feitas em balsas. Sua esposa deixara um excelente emprego. D. Euza, pessoa fina e requintada, sofreu com as dificuldades que havia na Cianorte dos anos 60. Mas Deus abriu as portas e foi suprindo as necessidades. Poucos meses depois que o casal havia chegado à cidade, D. Euza foi nomeada diretora da única escola que havia em Cianorte.

Devido à sua formação teológica, resistia a princípio as idéias pentecostais. Mas participou de um encontro de avivamento em Belo Horizonte, dirigido pelo pastor Eneias Tognini, e ali foi batizado com o Espírito Santo. Seu ministério tomou uma nova direção.

Fundação do Instituto Bíblico

Em 12 de agosto de 1965, o pastor Jonathan fundou o Instituto Bíblico Presbiteriano de Cianorte. Funcionava inicialmente nas dependências da Igreja Presbiteriana, à rua Porto Seguro. “Era um instituto que não tinha prédio, nem professores, mas tinha alunos”, brinca o pastor Jonathan.

Contudo, aquele projeto estava no coração de Deus. Em janeiro de 1966, o pastor Jonathan recebeu a doação de uma quadra inteira para lá instalar o Instituto Bíblico. Vieram alunos dos estados de Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina e de muitos outros lugares do Brasil. Os anos de 1966 a 1976 foram marcados pelas mais poderosas manifestações de Deus, relata o Pr. Jonathan.

O Pr. Adolfo Neves foi aluno do Instituto nos anos de 1968 a 1971. Naquela época o número de alunos chegou a 120. Segundo ele, o trabalho do pastor Jonathan foi marcado pela coragem e pela determinação.

Também o pastor Lauro Celso de Souza conheceu o pastor Jonathan na década de 1960. Oraram juntos muitas vezes, fizeram diversas vigílias e viagens. Numa frase de rara inspiração, disse o pastor Lauro: “Tive e tenho o pastor Jonathan como ministro referencial do Evangelho de Jesus Cristo”.

Em 1976, o pastor Jonathan saiu de Cianorte e foi para Londrina. Depois, foi para São Paulo. Há diversos anos, dirige a Missão Antioquia, sediada no Vale da Bênção, em Araçariguama, SP. Lá é feito um trabalho assistencial em que se cuida de 400 crianças. A Missão Antioquia tem mais de 100 missionários em 20 países. A visão que deu à luz a Missão Antioquia nasceu em reuniões de oração realizadas no Instituto Bíblico de Cianorte.

Diretores do Seminário de Cianorte

Desde o ano 2000, o Seminário de Cianorte está sob a direção do pastor Esdras Mendes Linhares. Foram diretores desta instituição: Jonathan Ferreira dos Santos, Décio de Azevedo, Enoque Pereira Borges, Joel Ribeiro de Camargo, Palmiro Francisco de Andrade, José Sidney Dantas, Altair do Carmo Mateus Nunes e Joel de Campos Perroud.
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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2002

Complemento
Falece a esposa, dona Eusa

Depois de longos dez anos de luta contra enfermidade pertinaz,
a irmã Eusa, esposa do Pr. Jonathan F. dos Santos,
faleceu, no dia 25/02/2011, aos 77 anos.

EBD: formando pessoas para a vida – Fevereiro/2003

A Escola Bíblica Dominical, instrumento fundamental
da educação cristã, na Igreja precisa ser vista como ministério indispensável em razão da qualidade do ensino
que oferece com continuidade, profundidade e formação ética

Afirma-se, entre os pastores, que há igrejas
que são ótimas parteiras, mas péssimas babás;
outras são ótimas babás, mas péssimas parteiras.

Querem dizer que há igrejas que desenvolvem ótimo evangelismo,
mas não cuidam de suas novas ovelhas e elas se perdem.
Existem aquelas que acompanham o novo convertido
até a maturidade cristã, mas não usam
ou não têm métodos de crescimento.

Nesse contexto, é que entra o papel da educação cristã, área da igreja que visa desenvolver um trabalho de babá com aqueles que nasceram no reino do Deus. Para tanto, as igrejas e pastores precisam superar vários desafios.

Desafios de formar educadores

A educação cristã na Igreja precisa ser vista como ministério e o educador cristão como ministro, Ef 4: 11. Com isso, teremos mais pessoas com formação nessa área atuando dentro da Igreja e pessoas da Igreja atuando na rede educacional secular. Assim como há investimento na formação teológica de um pastor, precisa haver também na formação educacional da pessoa que tem um chamado de Deus para esse ministério. Pode ser um curso de graduação, especialização, mestrado e até doutorado.

Valor do ensino – Conceitos errados levam a resultados desastrosos. Por isso é importante reavaliar que tipo de pensamento está dirigindo as práticas educativas dos responsáveis por essa área na igreja. À vezes temos professores, mas nem sempre educadores. O educador tem algo a dizer, sabe o que está dizendo e por que está dizendo. Se os resultados não estão sendo os esperados, existem mudanças a serem feitas. E tudo começa com a contextualização do conceito de educação cristã.

Que é educação cristã – A palavra educação vem do latim ducare que significa guiar, conduzir; e o prefixo e, significando para fora. Assim, educação pode ser entendida como a atividade de conduzir para fora. No Novo Testamento, o vocábulo khristianós refere-se aos cristãos, ou seja, as pessoas que praticam os ensinamentos de Cristo. Dessa forma, podemos pensar em educação cristã como um conjunto de atividades que conduz as pessoas para fora do reino das trevas e as ensina e capacita a viverem de acordo com os princípios de Jesus Cristo.

Papel da educação cristã – O neoconverso tem uma história de vida e conceitos adquiridos no decorrer de sua existência que precisam ser trabalhados. Para ele, é um momento de intensa luta e de dúvidas. Cabe à Igreja, através dos meios de instrução, ajudá-lo a entender o que está acontecendo. Ele está assimilando idéias bíblicas à sua maneira e é nessa fase que certos conceitos precisam ser corrigidos ou ampliados. Porém, para isso, é necessário superar o costume de fazer educação cristã de qualquer maneira. É preciso saber para onde se está direcionando o educando.

Desafios de educar para tempos como este

Desde os seus primórdios, a comunidade cristã percebeu que seu propósito educacional era a promoção da fé cristã vivenciada. Porque o maior problema da humanidade nunca foi o ateísmo, mas a idolatria nos aspectos econômico, social, político, cultural e religioso.

A sociedade atual – Os últimos cinco séculos se caracterizaram pela modernização da vida através das ciências, da invenção, da técnica, do forte uso da razão, do pensamento reflexivo e crítico, com resultados, sobretudo, na área econômica permitindo mais controle sobre a vida, maior bem-estar, maiores facilidades e meios para viver bem.

O ser humano atual – Isso produziu uma sociedade moderna, com pessoas que querem ser modernas, ou seja, que têm pensamento próprio, crítico e livre, que conhecem cientificamente muitas coisas, que têm comportamentos novos, sobretudo em relação à família, ao trabalho e à espiritualidade, que são mais livres, mais individualizadas. Esse é o mundo que está desafiando o educador cristão.

Numa época em que o visual predomina, é muito importante pensar nos recursos técnicos do ensino. É fundamental considerar-se o valor do material de apoio escrito (as revistas de EBD) que devem estar nas mãos dos alunos.

Investindo em pessoas – O cristão não deve se conformar com esse século, mas ser transformado pela renovação da mente, Rm 12: 2. Ao formar um novo crente, desde a criança até o adulto, o educador cristão deve encarar o desafio de ser e produzir cristãos para tempo como este. Não é errado cursar uma faculdade nessa área para atuar dentro ou fora da igreja. Pelo contrário, com maior conhecimento, produzirá melhores resultados. Por isso, invista em você mesmo.

Desafios de formar cristãos

Nas igrejas evangélicas, o púlpito é o centro da educação cristã. É através dele que o pastor imprime à igreja a linha espiritual que o trabalho precisa. Mas, convenhamos: por causa da distância, da falta de diálogo, da formalidade, o púlpito nem sempre responde a todas as necessidades imediatas de cada pessoa que entra no templo. Por isso, a Igreja precisa ter outros mecanismos de educação cristã, para atender às várias faixas etárias.

Consolidação – Após a decisão (ou a conversão), são dadas as primeiras instruções e procura-se ver quais são as principais necessidades espirituais do novo convertido. Por isso, é importante se fazer isso com o mais profundo amor e segurança.

Discipulado – Não basta apenas ganhar pessoas para Cristo. É preciso capacitá-las a viver como cristãos. Discipular é conseguir que o novo convertido firme seus passos nos ensinos de Jesus, de tal maneira que haja mudança de vida e se envolva nas atividades da igreja. Antes do batismo, todo neoconverso deve fazer um curso preparatório e, após o batismo, um curso de discipulado.

A Escola Bíblica – A EBD tem a vantagem da continuidade e profundidade. O educador cristão precisa transmitir, formar e construir valores perenes para a vida cristã e secular. Para tanto, a escola bíblica dominical é fundamental para formar o caráter e os conceitos bíblicos de seus participantes.

Cursos e palestras – Alguns temas específicos, tanto na área administrativa, pessoal ou doutrinária, são mais bem assimilados quando ensinados em momentos especiais e para um grupo seleto. Para tanto, é necessário investimento. Encontros, seminários, acampamentos, cursos rápidos proporcionam esses treinamentos e ampliam a visão dos membros da Igreja.

Formar liderança – Explorar o potencial criativo de cada indivíduo é um meio para que o educando tenha prazer em compreender, conhecer e descobrir a vida cristã. Isso produzirá pessoas desejosas de serem treinadas para trabalhar nos departamentos internos ou no evangelismo. É por isso que uma escola para formação de liderança dentro da igreja é fundamental. Mas quem cursar essa escola, jamais deve deixar de ser aluno da EBD.

Conclusão

Um grande desafio para 2003 é fazer com que as pessoas que aceitaram a Cristo cresçam na fé, permaneçam fiéis a Ele, não abandonando sua igreja. Se forem bem consolidadas, treinadas e enviadas darão muitos frutos no reino de Deus. Por isso, na área educacional, a palavra cristã incita essa atividade a enriquecer-se pela teologia e pelo estudo da Bíblia.

Assumam uma prática educativa que enfatize:

1 – O pleno desenvolvimento de seus educandos em sua vida pessoal, social, política e espiritual;

2 – O esforço de desenvolver uma ação educativa em que o evangelho seja vivido na realidade atual da sociedade;

3 – O processo de contínua aprendizagem da verdade libertadora, rumo à maturidade cristã;

4 – O diálogo permanente entre educador e educando na busca da compreensão da verdade bíblica;

5 – O trabalho eclesiástico com participação ativa e criativa de todos;

6 – A unção do Espírito Santo como meio de convencimento da verdade cristã.

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2003

Domingo de Páscoa ou do chocolate? – Reflexão – abril de 2007

O que é Páscoa?
Qual tem sido o seu sentido
para a humanidade?

Para muitos, especialmente em nossa cultura, é o dia seguinte ao sábado de “Aleluia” ou, ainda, o dia de comer as guloseimas deliciosas preparadas para serem consumidas nesta época: os famosos “ovos de páscoa”. Quem não gosta? É claro que é muito bom comer chocolate, principalmente quando não temos problemas de saúde ou não estamos acima do peso! Comer chocolate é bom demais!

Mas, afinal, o que é Páscoa? Qual o verdadeiro sentido da Páscoa?

A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa passagem. A celebração da Páscoa entre os judeus marcava o episódio da morte dos primogênitos – a décima praga. Israel foi liberto da escravidão egípcia por Moisés. Naquela noite, sob orientação divina, eles prepararam-se para partir do Egito: mataram o cordeiro, símbolo de Jesus, e passaram seu sangue sobre os umbrais das portas; quando o anjo da morte passou, à meia-noite, não atingiu nenhum dos israelitas.

Por ocasião desta festa judaica, Jesus celebrou a Páscoa com os seus discípulos, trazendo um novo simbolismo para a nova religião que nascia: o Cristianismo. Foi a última ceia partilhada por Jesus e os seus discípulos. Naquela oportunidade, o Senhor instituiu a Santa Ceia.

Após ter sido morto e sepultado, no terceiro dia, no domingo, o Senhor Jesus ressuscitou e levantou-se da sepultura vencendo a morte. Por isso, nessa data é comemorada a Sua ressurreição.

A Páscoa é o evento religioso-cristão considerado a mais importante festa da cristandade! Páscoa para nós, que cremos no Senhor Jesus, é mais que ganhar, dar, vender, comprar “ovos” de chocolate ou deliciar-se com guloseimas. É o dia em que celebramos a ressurreição do Mestre da Galileia, que morreu, mas ressuscitou e está vivo para todo sempre. Aleluia!

Ele Vive!!!

Dia mundial de missões – Reflexão – outubro 2007

O dia 20 de outubro é o Dia Mundial de Missões. Nessa data, somos chamados a refletir sobre nosso posicionamento missionário. Recebemos a incumbência de continuar a obra de Jesus no mundo e, por isso, temos a responsabilidade de desenvolver um ministério missiológico. Precisamos repensar a nossa vocação missionária como verdadeira Igreja, cuja função no mundo é a evangelização.

Como Igreja, devemos ter a consciência de que a principal razão da nossa existência é adorar a Deus e fazer missões. O mandamento do Senhor para nós é: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Essa é a ordem que recebemos do Dele.

Na IPRB, comemoramos no segundo domingo de outubro, o Dia da Mispa – Missão Priscila e Áquila – agência missionária de nossa Igreja. Nesse dia, devemos falar nas igrejas locais sobre a Mispa e o trabalho que desenvolve com muita competência no Brasil e no exterior.

Como podemos ter uma atuação autêntica na obra missionária? Envolvendo a igreja em missões, orando pelos missionários, levando missionários à igreja, regularmente, para que falem sobre seu trabalho, contribuindo financeiramente, sendo fiéis nos 3% que a Igreja deve remeter mensalmente à Mispa… Podemos adotar um campo ou missionário, mandando-lhe mensalmente uma oferta, escrever para os missionários com regularidade, enviando-lhes jornais, revistas, cartas, fotos, boletins, e-mails, CDs, DVDs, etc. Interessante também é programar cultos de missões, conferências missionárias, abertura de novas congregações e, se possível, separar uma porcentagem do que ganhamos ou da arrecadação mensal da igreja para missões.

Essas são algumas formas que podemos utilizar para fazer missões. Bom é orar, mas não nos esqueçamos de que os campos também têm suas grandes necessidades materiais. Retaguarda é sustentar as cordas. É cumprir plenamente o mandamento do Senhor! Você tem sido um missionário? “Cada coração com Cristo é um missionário e cada coração sem Cristo é um campo missionário”!

Você é missionário ou campo missionário?

Dia dos namorados – Reflexão – junho 2007

No dia 12 de junho comemora-se o Dia dos Namorados. A origem dessa data no Brasil é atribuída ao publicitário João Dória que, em 1950, criou um slogan comercial que dizia “não é só com beijos que se prova o amor”. A intenção de Dória era criar o equivalente brasileiro ao Valentine’s Day, o Dia dos Namorados dos Estados Unidos. É provável que o dia 12 de junho tenha sido escolhido porque é uma época em que o comércio de presentes é pequeno. A idéia funcionou tão bem para os comerciantes que, desde aquela época, o Brasil inteiro comemora anualmente a data.

Quem tem um(a) namorado(a) logo pensa: o que vou dar de presente e o que será que vou ganhar?!? É lógico que existem aqueles despercebidos que se esquecem dessa data! Será? É verdade, especialmente depois que o namorado(a) já se tornou o seu cônjuge.

Infelizmente, muitos deixam de ser namorados(as) após o casamento, perderam o lado romântico da vida a dois e vivem juntos, mas sem nenhum atrativo, apenas por conveniência ou para manter a aparência diante da família e da sociedade. Na verdade, perderam o desejo intenso de um pelo outro, o prazer de estar juntos, de desfrutar da companhia um do outro. Quando isso acontece, perde-se o brilho da vida conjugal, tendo como resultado o enfado.

Entendemos que Deus planejou e constituiu a família. Ela começa com o namoro, o noivado e termina com o casamento. Após o casamento não devemos esquecer que ainda continuamos a ser namorados(as) do nosso cônjuge e, por isso, temos de cultivar as atitudes que tínhamos antes de casar: a gentileza, o amor, o carinho, a criatividade para surpreender e ganhar a pessoa amada…

Não podemos desconsiderar uma série de fatores imprescindíveis para vida a dois: devemos continuar com o mesmo brilho dos tempos de namoro. Precisamos cultivar o nosso amor através de atitudes para com o nosso cônjuge. O plano de Deus é que sejamos namorados até que a morte nos separe! Que Deus abençoe cada um dos eternos namorados!

Dia do presbítero – Reflexão – agosto 2007

No primeiro domingo de agosto comemoramos, na 3ª IPR de Anápolis-GO, o Dia do Presbítero. Agradecemos a Deus pela vida dos presbíteros Welington Carlos (Carlinhos), Diógenes e Naasson pelo trabalho desempenhado em nossa Igreja e ao nosso lado, apoiando-nos na obra que Deus colocou em nossas mãos. Obrigado!

O presbítero é um oficial da Igreja, eleito por ela, conhecido como braço direito do pastor, desempenhando várias funções no corpo de Cristo. A importância desse oficial na Igreja é incalculável e tem origem histórica no Novo Testamento. Por causa do sistema de administração através dos presbíteros, a nossa igreja recebeu o nome de Presbiteriana.

As primeiras igrejas do Novo Testamento foram governadas por presbíteros eleitos pelas comunidades. A Reforma Protestante restaurou este ofício cristão no seu modo original e segundo o modelo bíblico, uma vez que este, devido os desvios da Igreja durante a Idade Média, havia sido ignorado. O reformador João Calvino, na Suíça, no século XVI, resgatou esta função.

Com a vinda da Igreja Presbiteriana para o Brasil, no século XIX, muitos presbíteros foram eleitos, o que contribuiu para o crescimento da Igreja brasileira. Entre eles, destacamos a pessoa do presbítero João Antunes de Moura, de Itapeva-SP, um dos primeiros presbíteros da Igreja Presbiteriana do Brasil, avô do Pastor Ner de Moura, um dos pastores pioneiros da nossa Igreja.

Na Igreja Presbiteriana Renovada, muitos presbíteros destacaram-se e galgaram posições importantes dentro da denominação, na diretoria nacional ou nas instituições da Igreja, como por exemplo: Dr. Jamil Josepetti e José Fernandes Pedrosa (que foram depois ordenados pastores), Joel Ribeiro de Camargo (que fundou a Editora Aleluia), Loudomiro Carneiro (que construiu a atual sede da Mispa) e Divino Guimarães (que militou na Diretoria da IPRB) e outros. Ainda hoje, muitos presbíteros continuam destacando-se, fazendo a obra de forma incansável nos conselhos e nas diretorias presbiteriais. Aos 1.985 presbíteros da IPRB, parabéns!

Queremos, nesta oportunidade, glorificar a Deus por todos os presbíteros da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, que os senhores continuem dando a sua colaboração à denominação, ajudando seus pastores como verdadeiros companheiros, caminhando lado a lado, sabendo que “o vosso trabalho não é vão no Senhor” como disse o apóstolo Paulo. Deus abençoe a todos os nossos amados presbíteros!

Dia do índio – Reflexão – abril 2007

Dia do índio? Isso é um absurdo,
dizem alguns!!! Eles merecem atenção?
Por que se preocupar com eles?
Ah, temos mais o que fazer!

Esse sempre foi o discurso de homens gananciosos que buscavam riquezas a qualquer custo na América. Os colonizadores portugueses, que vieram para o Brasil, a partir do século XVI, dizimaram os donos dessa terra. Os índios, indefesos, foram perseguidos, agredidos e mortos sem nenhuma compaixão de seus algozes “civilizados”, o homem branco europeu.

Em 1940, realizou-se no México o primeiro Congresso Indigenista Interamericano que contou com a presença de autoridades de vários países das Américas e líderes indígenas. Como resultado, criou-se, em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas, a data que comemora o dia do índio no Brasil: 19 de abril.

Infelizmente, os índios têm sido vítimas do abuso de pessoas que se consideram superiores social, cultural, intelectual e espiritualmente. Na verdade, o índio tinha sua própria cultura e cosmovisão, não sendo inferior em nada aos conquistadores. A sua cultura era apenas diferente da dos europeus e nada mais.

Os índios são seres humanos tanto quanto qualquer um de nós. Eles também foram criados à imagem e semelhança de Deus e, como qualquer ser humano, precisam de Jesus.

Os índios necessitam de salvação, precisam conhecer a Cristo. Quando o Senhor Jesus disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações (etnias)”, ele se referia a todos os grupos existentes sobre a face da terra, inclusive os indígenas. No Brasil, existem centenas de tribos que ainda não receberam a mensagem do Evangelho e não têm sequer um versículo da Palavra de Deus em sua língua.

A Mispa tem feito um excelente trabalho junto a algumas aldeias no Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, havendo muitos índios já convertidos e igrejas organizadas.

Infelizmente as autoridades brasileiras têm dificultado o trabalho dos missionários junto a eles. A FUNAI e alguns antropólogos, “defensores” dos índios, têm sido um impedimento para que os índios conheçam a Deus. Em nome da defesa da cultura indígena, têm acusado os missionários, impedindo-os de atuar junto a eles.

Nossa missão é orar pelos indígenas, pois ainda continuam sendo espoliados nos seus bens, nas suas terras, e há tribos que passam necessidades; orar para que os missionários possam ter livre acesso às tribos, levando ajuda social e as boas-novas de salvação.

Que Deus abençoe os nossos irmãos indígenas de todo o Brasil!

Dia da IPRB – Reflexão – julho 2007

O terceiro domingo de julho é o dia da IPRB. No Brasil, o presbiterianismo nasceu com a vinda de Ashbel Green Simonton, primeiro missionário presbiteriano, em 1859. De seu trabalho, surgiu a Igreja Presbiteriana do Brasil. Ao longo dos anos, formaram-se vários ramos, todos eles conservando, na essência, a teologia e a forma de governo presbiteriano. Nesta data, a denominação relembra sua história, sua doutrina, seus alvos.

Como resultado do avivamento surgido no final da década de 60 nas igrejas IPB e IPI, nasceu a nossa amada igreja, a IPRB, Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, que tem como presidente o Pr. Advanir Alves Ferreira. Naqueles dias houve um grande despertamento e Deus levantou homens com uma unção poderosa para essa grande obra no Brasil.

Os pioneiros da IPRB acreditaram no grande mover de Deus, por isso, tomaram decisões corajosas. Entre esses desbravadores estão alguns pastores e presbíteros, como: Abel Camargo do Amaral, Jamil Josepetti, Joel Ribeiro de Camargo, José Fernandes Pedrosa, Jonathan Ferreira dos Santos, Palmiro Francisco de Andrade, Lauro Celso de Souza, Ner de Moura, Jobel Cândido Venceslau, entre muitos outros. Todos tiveram um papel decisivo no surgimento de nossa Igreja.

A “Renovada”, como é carinhosamente chamada, é resultado da fusão de grupos oriundos da IPIR e ICP, que se uniram no dia 08 de janeiro de 1975, fundando a IPRB. O tempo passou e com ele a primeira geração dos fundadores, agora fazemos parte da segunda geração de líderes. A IPRB está plantada em todas as capitais brasileiras e em todos os continentes. Tem atualmente 390 igrejas, 1.171 templos, 823 pastores, 1.986 presbíteros, 2.580 diáconos, 1.957 diaconisas, e 100.832 membros. Aleluia!

Temos o privilégio de ter a ALELUIA (gráfica e editora), a MISPA (Missão Priscila e Áquila) e dois Seminários, um em Cianorte, PR, e outro em Anápolis, GO. Muito tem sido feito, mas ainda há muito por fazer, o trabalho é um desafio!

Que Deus continue a usar os líderes da nossa igreja para levar essa obra avante até o dia da volta do Senhor Jesus. Parabéns a todos os líderes e membros. Parabéns à IPRB pelo seu dia!

Chegou o Natal – Reflexão – dezembro de 2007

O Natal existe para relembrarmos o nascimento do Senhor Jesus.
Foi há dois mil anos, é verdade, porém é como se fosse hoje: Jesus nascendo
em cada coração, em cada vida. Numa terra distante, um casal albarda seu animal e parte, de madrugada, da pequenina Nazaré para a longínqua Belém.
Sobem montanhas, cruzam vales e planícies. Uma mulher grávida conduz
seu tesouro escondido em seu ventre. Não era uma criatura qualquer que estava sendo esperada. E nasce, em condições humildes, aquele menino prometido pelos profetas, que se apresentaria, mais tarde, como Filho de Deus. Aquele
que visitaria aldeia por aldeia, cidade por cidade, comprovando, por sinais,
o seu poder. Aquele que mudaria o mundo com sua mensagem de amor e, sobretudo, de salvação. E, mais que isso, aquele que daria sua vida, seu sangue remidor, para selar suas palavras.

No Natal há um ambiente peculiar, um clima de festas, alegria, luzes coloridas piscando, músicas apropriadas, férias, encontro com parentes e amigos inesquecíveis, frutas típicas, comidas diferentes, etc. Natal é o momento ideal para receber e dar presentes. Natal é uma época sem igual! Quem não gosta desta data? Todos nós! É claro!

No Natal, muitas e boas lembranças invadem a mente da maioria de nós! Lembranças de momentos preciosos que desfrutamos ao lado das pessoas tão caras, a quem tanto amamos! Pessoas que fizeram ou fazem parte da nossa vida, embora algumas já não mais estejam conosco, já se foram, deixando para trás flashes marcantes de sua existência! São lembranças que jamais serão apagadas de nossa memória, mas que estão como jóias preciosas, entesouradas no cofre que existe no recôndito de nosso coração.

Para muitos, Natal é apenas festa e alegria, mas há algo, além disso, que não podemos esquecer. Natal, antes de tudo, é a comemoração do nascimento de alguém muito especial, o nascimento do Senhor Jesus! Por causa dele temos esta festa tão significativa.

Além de receber presentes singulares e valiosos de pessoas tão amadas, está o presente que veio do céu para toda humanidade, que é Jesus. Aquele menino que nasceu em Belém há dois mil anos é o grande presente que todos podem receber daquele que nos amou de tal maneira que o deu para todos nós. Ele não é mais apenas o pequeno menino da manjedoura, mas o nosso único e suficiente Salvador.

Infelizmente, muitos têm-se esquecido do mais importante no Natal que é o aniversariante do dia: Jesus!

A festa natalina será apenas mais uma festa, se Jesus não estiver presente. Deve estar presente e ser devidamente honrado.

Neste Natal vamos juntos abrir os braços e receber com alegria o grande presente de Deus e fazer d’Ele o verdadeiro motivo do Natal. Que nunca venhamos esquecer que o único motivo pelo qual o Natal existe é Jesus! Sem Ele, o Natal se torna apenas mais uma festa sem nenhum sentido especial.

Que Deus nos abençoe!

Ano-novo Reflexão – janeiro 2007

Chegamos ao final de mais um ano! E o ano novo tomou conta do calendário. Pela graça do nosso bom Deus, vencemos mais uma vez! As lutas vieram, mas triunfamos, no Senhor Jesus, sobre todas elas. Jesus nos fez vencedores em tudo! Atravessamos vales escorregadios, desertos causticantes, tempestades bravias, montanhas que pareciam intransponíveis e saímos ilesos porque o Senhor esteve conosco!

Este é um momento oportuno para refletirmos sobre o ano que passou. Com certeza muitas coisas boas e ruins aconteceram, mas em todas elas tivemos experiências que marcaram nossa vida para sempre. Para nós, que cremos na soberania de Deus, nada nos aconteceu por acaso, mas tudo teve um fim proveitoso. Como disse o apóstolo Paulo aos Romanos: “todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus”. Às vezes não entendemos certos acontecimentos, mas mesmo assim devemos ter o espírito de gratidão ao Pai, pois temos consciência de que Ele, com sabedoria infinita, controla todas as coisas.

Um novo ano nos espera e com ele a esperança de dias melhores. As expectativas são muitas. Porém, o que acontecerá só Deus sabe! No entanto, acreditamos que Deus continuará nos abençoando.

A passagem de ano é um bom momento para projetar nosso futuro, sabendo que “O homem faz planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor”, como diz a Palavra de Deus em Provérbios.

Nesta oportunidade, queremos convidá-lo, juntamente com sua família, para fazer um projeto de vida. Um projeto a curto, médio e a longo prazo, colocando no papel aquilo que você deseja, não esquecendo sobretudo do lado espiritual, pois ele é fundamental. A Bíblia diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus e as demais coisas serão acrescentadas”.

O problema de muitas pessoas é que costumam deixar Deus em segundo plano e o resultado é uma vida embaraçada, enrolada, atrapalhada em todos os sentidos. O salmo 34 diz: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará”. Confia no Senhor Jesus e Ele cuidará dos detalhes de sua vida no ano que estamos iniciando! Que Deus nos abençoe e nos faça prosperar!

História do Presbiterianismo no Brasil – Agosto/2009

O Presbiterianismo no Brasil
é fruto do trabalho missionário do norte-americano
Ashbel Green Simonton.
Ele chegou ao Brasil no dia 12de agosto de 1859
e, algum tempo depois, começou o seu ministério
fundando a Igreja Presbiteriana do Brasil,
em 1862, no Rio de Janeiro. Podemos dividir
a história do Presbiterianismo do final
do século XIX em três etapas distintas:

1 – A época de Simonton – de 1859 a 1867

Havendo iniciado o trabalho na capital do Brasil, então Rio de Janeiro, faz sua primeira viagem para o interior do estado em 1860, visitando também a cidade de São Paulo e algumas do interior paulista. Em razão desses contatos, algum tempo depois começa a IPB na capital Paulista com o missionário Alexander Latmer Blackford e sua esposa Lilie, irmã de Simonton. Este casal tinha vindo dos Estados Unidos para ajudá-lo no trabalho missionário no Brasil (ATAÍDES, p. 41).

Em 1864, o Rev. Blackford recebe a visita de Antonio Martins Borges, da cidade de Brotas, SP. Este queria saber mais sobre o Evangelho, pois havia sido abordado por José Manuel da Conceição, JMC, um ex-padre que havia se entregado a Cristo graças ao ministério de Simonton. Em 1865, Blackford visita essa cidade e, ali, organizou-se a 3ª Igreja Presbiteriana no Brasil.

Com três igrejas organizadas, Simonton funda o Presbitério do Rio de Janeiro, em 16 de dezembro de 1865, e ordena o primeiro pastor brasileiro, José Manuel da Conceição. Em oito anos e quatro meses, Simonton organizou três igrejas (Rio, São Paulo e Brotas), um Presbitério (Rio de Janeiro), um Jornal (Imprensa Evangélica), um Seminário (Seminário Primitivo) e uma Escola (No Rio). Vítima de febre amarela, falece, no dia 09 de dezembro de 1867, em São Paulo, e é sepultado no cemitério dos protestantes.

2 – Expansão do Presbiterianismo – de 1867 a 1888

Com a morte do missionário Simonton, a Igreja Presbiteriana continuou o seu trabalho com os missionários americanos, pastores nacionais e leigos. O ex-padre JMC teve um papel importante no trabalho de evangelismo de cidade em cidade, no estado de São Paulo e sul de Minas Gerais. Neste período, ocorre a formação dos primeiros líderes nacionais e há uma grande expansão da evangelização, sendo muitas igrejas organizadas, tais como, Sorocaba e Borda da Mata, em 1869, e muitas outras nos anos seguintes. Este foi um momento importante do trabalho leigo no Brasil. Estes leigos, presbíteros e membros da igreja, continuaram evangelizando e distribuindo Bíblias com muito amor e fervor. Entre eles, podemos destacar o presbítero João Antunes de Moura, morador da cidade de Faxina (hoje Itapeva, SP), que se empenhou em levar Bíblias, como colportor, a várias cidades da sua região, inclusive chegando ao Estado do Paraná nas cidades de Guarapuava e Ponta Grossa (ATAÍDES, p. 99). Este irmão era avô do saudoso Pr. Ner de Moura, um dos pioneiros da IPRB, que faleceu em junho de 2009, aos 93 anos.

Em razão desse crescimento, em 1888 foi criado o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana no Brasil. Este Sínodo era composto por missionários norte-americanos tanto do Sul como do norte, e por pastores nacionais e presbíteros.

3 – Período entre a criação do Sínodo
e a Cisão – de 1888 a 1903

Com a criação do Supremo Concílio, a igreja alcançou certa independência, mas alguns problemas afloraram, trazendo consigo grandes dificuldades. Pelo menos três problemas debatidos durante este período vão gerar a divisão da igreja presbiteriana em 1903: o Sínodo, o Seminário e a Maçonaria.

A relação dos missionários com os concílios

Com a criação do Sínodo no Brasil, os missionários passaram a fazer parte dele, inclusive da sua diretoria. Blackford representava o Sínodo do norte dos Estados Unidos e Smith, o do sul. Isto trouxe certo desconforto aos pastores nacionais que achavam que esses missionários não deveriam fazer parte da direção da igreja nacional. No entanto, os missionários não abriam mão disso, o que gerou certa dificuldade entre eles.

Reorganização do seminário

O Mackenzie, escola localizada em São Paulo, era também responsável pelo seminário. Esse foi o segundo ponto. Alguns pastores brasileiros discordavam e queriam o Seminário separado da Escola. No entanto, os missionários faziam algumas exigências para investir num Seminário separado do Mackenzie, pois isso não era do interesse deles.

Em 1896, Eduardo Carlos Pereira, um dos principais líderes nacionais, desafiou os missionários, dizendo-lhes que se não investissem no Seminário separado da Escola, a Igreja Nacional o faria, lançando então uma campanha, através do “Estandarte” (Jornal Presbiteriano), a fim de arrecadar 100:000$000 (cem contos de réis) para essa finalidade. Afirmava ele: “vamos tirar das nossas algibeiras”. O resultado não foi o esperado, por isso, até a cisão em 1903, não haviam conseguido o montante necessário para tal obra.

Incompatibilidade da maçonaria com o Evangelho

Em 1898, surge a questão da incompatibilidade da maçonaria com o Evangelho. Alguns pastores nacionais levantaram essa questão, usando o “Estandarte” para propagar suas teses. Eles acusavam a maçonaria de servir de instrumento ou “mão-de-gato” ao Mackenzie para tirar o Seminário da Igreja. O Rev. Eduardo C. Pereira, líder dessa facção e pastor da catedral de São Paulo, propôs demitir ou eliminar os maçons da igreja nos seguintes termos:

“Que os secretários permanentes dos diversos presbitérios passem cartas demissórias aos missionários dos Boards para quaisquer presbitérios dos Estados Unidos indicados pelos mesmos; e, caso não peçam as ditas cartas no prazo de noventa dias, sejam eliminados dos respectivos presbitérios.

Que os secretários permanentes dos diversos presbitérios passem cartas demissórias aos ministros e crentes maçons para qualquer igreja Evangélica indicada por eles mesmos; e, caso não as peçam no prazo de noventa dias, sejam eliminados do rol dos respectivos presbitérios e igrejas.” (PEREIRA, p. 20).

No Sínodo de 1903, nas primeiras sessões, travou-se uma guerra sobre a maçonaria. Não havendo conciliação pela intransigência da minoria que radicalmente rejeitava a maçonaria ocorreu a separação, em 31/07/1903. Criou-se, então, a IPI – Igreja Presbiteriana Independente. Eduardo C. Pereira, logo após a cisão, escreveu: “Contristados, despedimo-nos do Sínodo na memorável noite de 03 de julho de 1903, lamentando profundamente que os missionários tivessem preferido tão dolorosa solução às nossas dificuldades eclesiásticas”, (PEREIRA, p. 27).

O Sínodo justificou-se dizendo: “Os irmãos dissidentes insistiam em que a nossa igreja pronunciasse contra a maçonaria…” (PEREIRA, p. 27 e 28) explicou que entendiam que a maçonaria não era incompatível com o Evangelho. A partir desse momento tivemos duas igrejas presbiterianas no Brasil: a IPB e a IPI.

Surge o avivamento

No final da década de 60 e começo da década de 70, surgiu o avivamento dentro dessas Igrejas. O avivamento provocou dissidências no meio presbiteriano tradicional, levando à organização da ICP – Igreja Cristã Presbiteriana – em 1968, e à IPIR – Igreja Presbiteriana Independente – em 1972. Essas duas denominações se aproximaram e deram os passos para sua unificação, o que ocorreu em 08/01/1975, nascendo então a IPRB – Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Durante 34 anos a IPRB tem caminhado e crescido. Dos 8.335 membros iniciais hoje são mais de 116.000, distribuídos por 44 presbitérios e aos cuidados de 886 pastores. Enfrentou alguns problemas, venceu o período de transição e está assumindo sua identidade.

A IPRB é uma grande denominação pela sua linha doutrinária, estrutura jurídica e missão. Possui a Gráfica e Editora Aleluia, que tem excelente estrutura física e administrativa e edita o Jornal Aleluia, que circula há 38 anos.; dois conceituados seminários – o Seminário Presbiteriano Renovado, de Cianorte, PR e SPR Brasil Central, Anápolis, GO, este com uma extensão muito bem estruturada em Goiânia; uma Agência Missionária – a Mispa (Missão Priscila e Áquila) – com sede em Assis, SP (www.iprb.org.br). Acima de tudo, a IPRB tem um patrimônio incalculável que são os seus pastores, missionários e membros.

Que neste aniversário de 150 anos da chegada de Simonton à nossa Pátria, louvemos juntos a Deus pelo presbiterianismo no Brasil até que o Senhor volte! Que Deus nos abençoe!

Referências:

ATAÍDES, Florêncio Moreira de. SIMONTON: o missionário que impactou o Brasil. Arapongas, PR: Aleluia, 2008.

PEREIRA, Eduardo Carlos. As Origens da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. São Paulo: Almenara, 1965, 2ª Ed.

Site: http://www.iprb.org.br. In: 07/06/09

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Fonte: Artigo publicado no Jornal Aleluia de agosto de 2009, páginas 08 e 09.

A Reforma Protestante do Século XVI – Fevereiro/2004

“O justo viverá pela sua fé”

O texto de Romanos 1:17
foi fundamental para que surgisse
a Reforma Protestante no Século XVI

Quando Martinho Lutero leu essa passagem
das Escrituras, foi convencido de que nossa justificação não se dá através
das boas obras, mas sim através da fé.
Inicialmente, ‘Reforma Protestante’ foi um termo pejorativo
empregado pelos católicos romanos àqueles que protestaram
contra o sistema religioso da época, mas esse termo
foi assimilado e usado a partir do século XVI até nossos dias
para designar os grandes fatos vividos pelos que desejavam
e desejam pautar sua vida religiosa
segundo a Bíblia.

Que foi a Reforma
Protestante?

Dependendo do ponto de vista, poderíamos ter vários conceitos. No entanto, consideramos a Reforma como um movimento de retorno aos padrões bíblicos do Novo Testamento. Isso expressa a realidade da “Reforma Protestante”, pois tudo que se fez tinha a finalidade de levar as pessoas a se aproximarem de Deus através de um relacionamento profundo com Ele.

Por que aconteceu
a Reforma Protestante?

Alguns fatores contribuíram para que acontecesse a Reforma. Entre eles podemos destacar os seguintes:

a) As mudanças geográficas. O século XVI foi a era das grandes navegações realizadas pelas superpotências Portugal e Espanha e, consequentemente, das grandes descobertas. Com isso o mundo não se limitava mais à Europa, mas o novo mundo trouxe novos horizontes de conquista e expansão.

b) Mudanças políticas. Surgem as nações-estados. A Europa começa a se fragmentar em países independentes politicamente uns dos outros. Surgem países como a Inglaterra, França, Espanha, Portugal, etc. Com isso é natural o desejo de cada governante de sentir-se livre de um poder central e dominador que era o papado.

c) Mudanças intelectuais. Há grandes transformações intelectuais com o surgimento dos humanistas cristãos, os quais tiveram um interesse profundo pelo estudo das Escrituras Sagradas e das línguas originais e começaram a fazer uma comparação entre o Novo Testamento e o que a Igreja Católica Romana estava vivendo. Entre esses humanistas podemos destacar Desidério Erasmo ou Erasmo de Rotherdan que influenciou os reformadores com o seu Novo Testamento Grego.

d) Mudanças religiosas. O autoritarismo da Igreja católica romana era insustentável. O catolicismo não satisfazia os anseios espirituais do povo que buscava uma religião satisfatória e prática, que respondesse às suas indagações e expectativas.

Onde aconteceu
a Reforma Protestante?

A Reforma aconteceu na Alemanha, mas logo, se espalhou para outros países como Inglaterra, Suíça, França, Escócia, etc. Em cada país podemos destacar um líder que levou avante este movimento.

Quando
ocorreu a Reforma?

A partir do final do Século XII, começam a surgir alguns movimentos na Europa que pediam mudanças dentro da Igreja Católica Romana. Entre eles podemos destacar dois grupos:

Os valdenses com Pedro Valdo na Itália.

Os cataritas na França.

Também surgiram alguns homens que podemos considerá-los pré-reformadores como:

John Wycliff na Inglaterra, no século XIV, 1384

John Huss na Boêmia, no começo do século XV, 1415

Jerônimo Savanarola na Itália, no final do século XV, 1498

A Reforma Protestante, no entanto, só aconteceu no Século XVI na Alemanha, quando o frade agostiniano Martinho Lutero afixou as 95 teses nas portas da igreja do castelo de Wittenberg.

Era o dia 31 de outubro de 1517, véspera do dia de “todos os santos”, quando milhares de peregrinos afluíam para Wittenberg para a comemoração do feriado do “dia todos os santos e finados”, 01 e 02 de novembro.

Era costume pregar nos lugares públicos os avisos e comunicados. Lutero aproveitou a oportunidade e, através de suas teses, combatia as indulgências que eram vendidas por João Tetzel com a falsa promessa de muitos benefícios. Ele dizia que, se alguém comprasse uma indulgência para um parente falecido, “no momento em que a moeda tocasse no fundo do cofre a alma saltava do inferno e ia direto para o céu”.

Quais foram
os principais reformadores?

Na Alemanha, Martinho Lutero (1483/1546)

Na Suíça, Huldreich Zwínglio (1484/1531) e João Calvino (1509/1564)

Quais foram
as principais obras de Lutero?

Lutero expressa suas ideias através de três obras. São elas:

a) A Liberdade Cristã. Nesse livro, pregou que somos livres em Cristo. Negou nessa obra que somente o papa pudesse interpretar as Escrituras, mas que podiam ser lidas e interpretada por qualquer crente sincero.

b) Apelo à Nobreza. Aqui Lutero faz um apelo para o povo se unir contra a Igreja Católica Romana.

c) Cativeiro Babilônico da Igreja. Afirmava que a Igreja estava vivendo num cativeiro, assim como o povo de Israel esteve na Babilônia escravizado.

Quais eram as principais doutrinas
defendidas por Lutero?

a) Justificação pela fé. Baseado nos ensinos de Paulo, ele ensinava que o homem não é justificado pelas suas obras, mas pela fé em Jesus Cristo.

b) A infalibilidade da Bíblia. Ele considerava a Bíblia infalível e acima de toda e qualquer tradição religiosa. Enquanto a Igreja Católica Romana defendia a ideia de que o papa era infalível e a Bíblia era sujeita à sua interpretação, Lutero afirmava que A Bíblia estava acima do papa, pois ela é a Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo.

c) Sacerdócio de todos os crentes. Lutero negava o conceito que afirmava ter o papa poderes sobrenaturais como intermediário entre o povo e Deus. Ele defendia a ideia de que todo crente é um sacerdote e tem livre acesso à presença de Deus. Não precisamos de um intermediário, o único intermediário entre o homem e Deus é o Senhor Jesus Cristo.

Quais eram os princípios
fundamentais da Reforma?

a) Supremacia das Escrituras sobre a tradição.

b) A supremacia da fé sobre as obras.

c) A supremacia do povo sobre o sacerdócio exclusivo.

Lutero foi vitorioso?

Sim. Apesar das tentativas para condenarem Lutero, o papa e o Imperador Carlos V não conseguiram. Quando foi convocado a comparecer ao concílio diante do imperador, ele expressou-se destemidamente da seguinte forma: “É impossível retratar-me, a não ser que me provem que estou laborando em erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão evidente. Não posso confiar nas decisões de concílios e de Papas, pois é evidente que eles não somente têm errado, mas se têm contraditado uns aos outros. Minha consciência está alicerçada na Palavra de Deus. Assim Deus me ajude. Amém”.

Uma das expressões mais profundas do sentimento de Lutero está no hino Castelo Forte que diz:

“Que a Palavra ficará, sabemos com certeza, e nada nos assustará, com Cristo por defesa; se temos de perder os filhos bens, mulher, embora a vida vá, por nós Jesus está, e dar-nos-á seu Reino”.

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Fonte: Artigo publicado no Jornal Aleluia de fevereiro de 2004

História do Pentecostalismo – Setembro/2006

“O justo viverá pela sua fé”

Quando falamos em Pentecostalismo,
referimo-nos a um fenômeno característico
do século XX: o avivamento que aflorou
em Los Angeles, USA, em 1906

Analisando a História da Igreja, podemos observar nitidamente que Deus sempre avivou ou reavivou sua Igreja em várias ocasiões diferentes. Esses períodos da Era Cristã foram marcados por reavivamentos maravilhosos, onde Deus se manifestou aos seus servos de forma sobrenatural.

No período da Reforma Protestante, no século XVI, Deus levantou homens como Martinho Lutero, João Calvino e John Knox. No século XVIII, ocorreu o Avivamento Morávio com o Conde Zinzendorf, o Grande Reavivamento na Inglaterra com John Wesley, Charles Wesley e George Whitefield e o Reavivamento Americano com Jonathan Edwards. Nenhum destes avivamentos foi conhecido como Pentecostal, pois o termo é do início do século XX, quando houve o derramamento do Espírito Santo nos Estados Unidos da América, semelhante à manifestação de Atos dois.¹

Conceito de avivamento espiritual

A palavra “Avivamento” vem do verbo “avivar” que significa: tornar mais vivo, despertar, reanimar-se e vivificar-se. John Stott conceitua avivamento como: “… uma visitação inteiramente sobrenatural do Espírito soberano de Deus, pela qual uma comunidade inteira toma consciência de Sua santa presença e é surpreendida por ela”.2 Devemos compreender que Avivamento é o cumprimento da Promessa de Deus em Joel 2 e a resposta da oração, inspirada pelo Espírito Santo, do profeta Habacuque que dizia: “Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos”.3

Avivamento é, acima de tudo, a manifestação de Deus no meio do povo, através do Espírito Santo, com a finalidade de renovar, reavivar e despertar a Igreja sonolenta e acomodada. O movimento Pentecostal é fruto de um Avivamento genuíno que ocorreu na América do Norte, no início do século passado, e que se espalhou por todo mundo, inclusive no Brasil.

Origens do Pentecostalismo

Tradicionalmente, reconhece-se o começo do movimento Pentecostal com o Avivamento ocorrido em 1906, em Los Angeles (EUA), na Rua Azusa, caracterizado pelo batismo com o Espírito Santo, evidenciado pelos dons do Espírito: línguas estranhas, curas, profecias, interpretação de línguas, etc. O Avivamento na Rua Azusa, rapidamente cresceu alcançando outros lugares e pessoas de várias partes do mundo que foram até lá para conhecer, de perto, o movimento.4

Algum tempo depois, vários grupos semelhantes foram formados em muitos lugares dos USA, mas com o rápido crescimento do movimento, o nível de organização também cresceu até o grupo denominar-se Missão da Fé Apostólica da Rua Azusa. A partir desse movimento, houve um despertamento espiritual e nasceu um fervor missionário por parte daqueles que iam sendo avivados.

Pentecostalismo no Brasil

No Brasil, o Pentecostalismo chegou em 1910 e 1911 com a vinda de missionários que tinham sido avivados na América do Norte. O primeiro deles foi o presbiteriano Louis Francescon,5 que dedicou seu trabalho entre as colônias italianas no Sul e Sudeste do Brasil6 e resultou no nascimento da Congregação Cristã no Brasil. Logo depois, chegaram os batistas Daniel Berg e Gunnar Vingren7 que vieram como missionários para Belém, PA,8 e, ali, iniciaram a Igreja Assembleia de Deus, em 1911.9

Devemos entender que o Pentecostalismo brasileiro nunca foi homogêneo em razão de suas diferenças internas. O sociólogo Ricardo Mariano10 classifica-o em três vertentes:

Pentecostalismo Clássico

Deuteropentecostalismo e

Neopentecostalismo.11

Vejamos cada uma delas.

Pentecostalismo clássico

A primeira vertente do Pentecostalismo reproduziu no Brasil uma tipologia Norte-Americana e é chamada de “Pentecostalismo Clássico”, que abrange o período de 1910 a 1950. Esse é o período de fundação e “domínio” Pentecostal dessas duas denominações: a Congregação Cristã no Brasil e a Igreja Assembleia de Deus, que se difundiram em todo território nacional. Ambas caracterizavam-se pelo anticatolicismo, ênfase na crença no Espírito Santo, sectarismo radical, principalmente a primeira, e por um ascetismo que rejeitava os valores do mundo e defendia a plenitude da vida moral. Essa vertente constitui a maior Igreja Evangélica brasileira representada pela Assembleia de Deus atualmente.

Deuteropentecostalismo

A segunda vertente é chamada de “Deuteropentecostalismo” 12 vindo através da Igreja do Evangelho Quadrangular, 13 em 1951, com o missionário Harold Willians.14 Na capital paulista, ele criou a Cruzada Nacional de Evangelização e percorreu quase todos estados brasileiros. Seu trabalho era centrado na cura divina e na evangelização das massas, principalmente pelo rádio, contribuindo bastante para a expansão do Pentecostalismo no Brasil.15 Paralelamente, surgem duas Igrejas Pentecostais16 autônomas: “O Brasil para Cristo” (1955) e a “Igreja Deus é Amor” (1962), fundadas pelos missionários Manoel de Melo e David Miranda, respectivamente.

Nas décadas de 60 e 70, houve um movimento de avivamento com manifestações carismáticas, ou seja, pentecostais, nas Igrejas tradicionais, tendo como resultado o surgimento de vários grupos denominados “Renovados”. Há, a partir desse período, uma proliferação de novas Igrejas pentecostais, como por exemplo, a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil,17 a Convenção Batista Nacional, a Igreja do Avivamento Bíblico, a Igreja Metodista Wesleyana, a Igreja Cristã Maranata, entre outras.

Neopentecostalismo

A terceira vertente é a Neopentecostal.18 O neopentecostalismo tem início na segunda metade dos anos 70. São igrejas fundadas por brasileiros que, influenciados por movimentos norte-americanos, começaram suas denominações com características diferentes das duas vertentes anteriores. A Igreja Universal do Reino de Deus, a Internacional da Graça de Deus, a Comunidade Sara Nossa Terra e a Renascer em Cristo estão entre as principais. As igrejas neopentecostais utilizam intensamente a mídia eletrônica para propagar seu movimento, funcionam como empresas e pregam a Teologia da Prosperidade. O Neopentecostalismo constitui a vertente pentecostal mais influente e a que mais cresce hoje no Brasil.19

O Pentecostalismo iniciado na Rua Azusa, em 1906, está completando um século. E, como resultado de sua consistência e seriedade, tem-se mantido por todo esse tempo e com certeza continuará até a volta do Senhor. Os desvios e abusos que eventualmente têm surgido não podem descaracterizar aquilo que nasceu no coração de Deus, que é reavivar o seu povo para uma obra do fim.

Que Deus nos ajude a ser renovados a cada dia!

Bibliografia

CÉSAR, Elben M. Lens. História da Evangelização do Brasil. Viçosa, MG: Ultimato, 2000.

MARIANO, Ricardo. Neopentecostais. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

STOTT, John. A verdade do Evangelho: um apelo a unidade. São Paulo: ABU Editora, 2000.

TUCKER, Ruth. “…Até os Confins da Terra”: Uma História Biográfica das Missões Cristãs. São Paulo: Vida Nova, 1986.

Notas bibliográficas

1 – Conhecido como Pentecostal por apresentar características espirituais semelhantes a do Pentecostes, registrado em Atos dois.

2 – STOTT, John. A verdade do Evangelho, p. 119.

3 – Habacuque 3: 2.

4 – Esse movimento de avivamento foi liderado por William Joseph Seymour.

5 – Louis Francescon era um Italiano que estava morando nos USA e mudou-se para o Brasil em 1910.

6 – O trabalho de Francescon se desenvolveu no Braz, em São Paulo,
e em Santo Antônio da Platina, no Paraná.

7 – Daniel Berg e Gunnar Vingren eram suecos.

8 – TUCKER, Ruth. “…Até os Confins da Terra”, p. 511.

9 – CÉSAR, Elben M. L. História da Evangelização do Brasil, p. 113.

10 – Ricardo Mariano é sociólogo e pesquisador do movimento Neopentecostal no Brasil.

11 – MARIANO, Ricardo. Neopentecostais, p. 23.

12 – O berço das igrejas Deuteropentecostais é São Paulo.

13 – A International Church of The Four-Square Gospel foi fundada em 1920, em Los Angeles, pela missionária canadense Aimee Semple Mcpherson.

14 – Harold Willians, ex-ator de filmes de Faroeste, que depois de convertido se tornou o missionário no Brasil.

15 – CÉSAR, p. 129 e 130.

16 – CÉSAR, p. 139.

17 – A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil foi organizada em Maringá, PR, no dia 08 de janeiro de 1975.

18 – Diferente da segunda, o berço das igrejas Neopentecostais é o Rio de Janeiro.

19 – www.pt.34of100e.info/Pentecostal.

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Fonte: Artigo publicado no Jornal Aleluia de setembro de 2006.

Ashbel Green Simonton: vida e missão – Biografia

Texto elaborado pelo Pastor Florêncio Moreira de Ataídes

(1833 – 1867)

No dia 27 de novembro de 1858,
o jovem Simonton encaminhou
à Junta de Missões Estrangeiras seu pedido formal para ser missionário, mencionando o Brasil como campo da sua preferência, deixando, no entanto, a decisão final aos cuidados da Junta.
Fora aceito. Em agosto de 1859 aportava no Rio de Janeiro.

Simonton nasceu no dia 20 de janeiro de 1833, em West Hanover, na Pensilvânia, descendente de presbiterianos escoceses-irlandeses que haviam migrado para os Estados Unidos. Era filho de William Simonton e Martha Davis. Tinha nove irmãos, sendo cinco homens, denominados os quinque frates (os cinco irmãos): William, John, James Thomas e quatro irmãs: Martha, Jane, Elizabeth (Lillie) e Anna Mary.

Desde cedo, Simonton recebeu as melhores influências morais, intelectuais e espirituais da fé presbiteriana em que fora criado e que podem ser facilmente observadas no seu diário, escrito a partir dos dezenove anos de idade.

Quando viajava ao sul dos Estados Unidos, atuando como professor, deixava transparecer, em suas reflexões e personalidade sensível, profundo interesse pelas coisas espirituais, embora, até então, não tivesse feito sua profissão de fé. Observava os problemas sociais de sua época, como, por exemplo, mostrando-se radicalmente contra a questão da escravidão. Sobre o comércio de africanos, considerava-o como um “tráfico desumano e nenhum homem com sentimento humanitário poderia se engajar nele” (MATOS, p. 27). Não concordava com o comportamento de homens que se aproveitavam dos seus semelhantes para se beneficiarem economicamente.

Importava-se também com os pobres e, na antevéspera do natal, expressou assim seus sentimentos: “O inverno chegou violento, neve e frio para o prazer dos ricos e desespero dos pobres (…) Neste inverno haverá mais sofrimentos entre as classes pobres do que jamais houve. Milhares de trabalhadores já foram despedidos nas cidades e aglomerados industriais; os aluguéis e a comida estão caros” (MATOS, p. 78). A situação precária de milhares de pessoas o incomodava: “isso consistia num grave problema social, o que não passou despercebido por ele. Simonton era uma pessoa preocupada com o social, almejando o bem-estar de todos” (ATAÍDES, p. 19).

Até então, não tinha tomado uma decisão de servir a Cristo, pois lhe faltava uma profunda experiência com Deus. No entanto, sua conversão não demorou muito para acontecer. Em março de 1855, a igreja, da qual sua mãe era membro, promoveu uma campanha de oração onde ele se entregou a Cristo, assumindo publicamente o seu compromisso com Deus. A partir daquele momento “passou a considerar o ministério como possibilidade em sua carreira. Fez, então, uma decisão corajosa que mudou para sempre o sentido de sua vida: respondeu afirmativamente ao apelo do pastor” (ATAÍDES, p. 20).

Em resposta ao chamado, em julho daquele ano, ingressou no Seminário de Princeton, a fim de preparar-se para o ministério. Ainda no primeiro semestre, ouviu, na capela do seminário, um sermão que o despertou para missões. “O pregador era o Dr. Charles Hodge, eminente teólogo e professor do seminário, que o fez pensar seriamente na possibilidade de devotar-se à obra missionária no estrangeiro. Aquele sermão tocou profundamente o coração sensível do jovem seminarista Simonton, levando-o a pensar seriamente, pela primeira vez, sobre o trabalho missionário” (ATAÍDES, p.23).

Com o consentimento de sua mãe, no dia 27 de novembro de 1858, encaminhou à Junta de Missões Estrangeiras o pedido formal para ser missionário, mencionando o Brasil como campo da sua preferência, deixando, no entanto, a decisão final aos cuidados da Junta. Foi aceito e ordenado pastor, começando os preparativos para a viagem no ano seguinte.

Na manhã do dia 18 de junho 1859, despediu-se, no porto de Baltimore, de sua mãe e de seu irmão John que o acompanharam até o navio. Sua mãe escreveu no diário dela naquela ocasião: “É difícil separar-se daqueles que talvez não vejamos mais na terra. Mas quando penso no valor das almas imortais que se estão perdendo pela falta do Evangelho puro… Recomendo você com orações e lágrimas ao Senhor, que tudo faz para o bem” (www.missiodei.com.br. In: 25/08/06). Oraram fervorosamente por ele e em seguida embarcou num navio à vela chamado Banshee, rumo ao Brasil. Estava deixando para trás sua pátria, família e amigos, muitos dos quais não mais veria nesta terra. Foram 55 dias de viagem, mas desembarcou, finalmente, no porto da capital do Brasil, o Rio de Janeiro, no dia 12 de agosto daquele ano.

Quando Simonton chegou aqui havia muitos protestantes ingleses (anglicanos) que tinham vindo para cá ao longo de meio século, liberados por tratado comercial entre o Império do Brasil e a Inglaterra. No entanto, eles não evangelizavam em razão das restrições que faziam parte do acordo. A religião oficial do Brasil Imperial era o catolicismo romano.

Simonton vivia a grande expectativa de pregar o evangelho aqui. Estava bem consciente de que devia amar as pessoas para ganhá-las para o Senhor, pois ser missionário sem amor era, para ele, um mau negócio. Como método de evangelização começou a dar aulas de inglês, como forma de estabelecer contato com as pessoas e aperfeiçoar sua fluência na língua portuguesa, o que lhe consistia um grande problema. Lutava para aprender o idioma o mais rápido possível, a fim de que pudesse comunicar bem o evangelho. Três meses depois de sua chegada ao Brasil escreveu: “O que mais me interessa agora é aprender a língua… e enquanto não o completar, não tenho condições de ser útil aqui… Todos os esforços que fiz até agora para aprender o português não tiveram sucesso” (MATOS, p. 132).

Depois de alguns meses no Brasil, “no dia 22 de abril de 1860, num domingo, Simonton realizou a primeira Escola Dominical em sua casa, sendo este seu primeiro trabalho em Português” (ATAÍDES, p. 40), o que o deixou muito feliz.

Simonton não ficou apenas no Rio, mas visitou várias cidades dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, deixando nelas a semente do Evangelho, onde nasceram muitas igrejas presbiterianas.

No final de 1862, voltou a sua terra para visitar sua mãe que estava enferma. Infelizmente, quando chegou ela já havia partido para o Senhor. Teve a oportunidade de rever seus irmãos pela última vez, descrevendo assim esse encontro: “a noite passada, ficamos conversando até tarde sobre o passado e sobre os que partiram. Cada um contribuía com maior ou menor parte dos tesouros de sua memória; muitos incidentes e lembranças foram revividos e a conexão do presente com o passado parecia completa” (MATOS, p. 154).

Ainda no final daquele ano, Simonton conheceu a jovem Helen Murdoch com quem se casara em 19 de março de 1863. Em seguida, vieram para o Brasil e aqui Helen viveu cerca de um ano e veio a falecer por causa de complicações no parto.[1] Simonton enlutado e sozinho escreveu suas mais dolorosas palavras: “Deus tenha piedade de mim agora, pois águas profundas rolaram sobre mim. Helen está estendida em seu caixão, na salinha de entrada. Deus a levou de repente que ando como quem sonha” (MATOS, p.164).

A morte da esposa foi uma perda irreparável, um golpe do qual jamais se recuperou. No entanto, continuou o seu ministério com muito ardor. Com os colegas de ministério: Blackford, Schneider e Chamberlain, fundou algumas igrejas Presbiterianas (Rio, São Paulo e Brotas), organizou um Presbitério (o Presbitério do Rio de Janeiro), um jornal (Imprensa Evangélica), um Seminário (Seminário Primitivo) e uma Escola Paroquial (no Rio de Janeiro). Tudo isso ocorreu no curto período de oito anos e quatro meses.

Simonton fazia incansavelmente a obra de Deus e o seu trabalho prosperava em vários lugares. Um dos frutos mais importantes do seu ministério foi a conversão do padre José Manuel da Conceição, conhecido como JMC, que se tornou uma peça-chave na evangelização de muitas cidades nos estados de São Paulo e sul de Minas Gerais. JMC foi o primeiro pastor brasileiro ordenado.

Em novembro de 1867, Simonton foi acometido de febre amarela e não mais se recuperou. Apesar de ser devidamente assistido pelos médicos, não resistiu e faleceu precocemente, no dia 09 de dezembro de 1867, aos 33 anos. O túmulo do missionário Simonton está ao lado do de JMC, no Cemitério dos Protestantes, em São Paulo.

Em 12 de agosto de 1959, no centésimo aniversário de sua chegada ao Brasil, a Igreja Presbiteriana do Brasil colocou, ao pé da lápide do pioneiro, uma placa comemorativa com a seguinte inscrição: “Primeiro centenário da chegada do Rev. Ashbel Green Simonton ao Brasil. O seu trabalho não foi em vão no Senhor” (MATOS, p. 30).

Em 12 de agosto de 2009 comemoramos os 150 anos da chegada de Simonton ao Brasil para estabelecer o presbiterianismo. Como presbiterianos temos motivos para louvar a Deus pela sua vida. Reconhecemos a importância de seu trabalho, o qual continua frutificando para glória de Deus! Amém.

REFERÊNCIAS

ATAÍDES, Florêncio Moreira de. Simonton: o missionário que impactou
o Brasil. Arapongas, PR: Aleluia, 2008.

MATOS, Aldery Souza (org.). O Diário de Simonton. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2002.

www.missiodei.com.br. In: 25/08/06

[1] Helen Murdoch Simonton, filha de Ashbel e Helen, viveu quase toda sua vida em Baltimore, estado de Maryland nos Estados Unidos, e faleceu aos 88 anos, no dia sete de janeiro de 1952.

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FONTE: Texto elaborado pelo Pastor Florêncio Moreira de Ataídes
Publicado no Jornal Aleluia de julho de 2009

O valor do discipulado – Janeiro/2016

O crescimento sustentável da igreja está ligado
ao valor que damos ao discipulado. Como vamos estudar neste artigo, discipulado é muito mais do que um método
de crescimento, é a essência
da igreja que cumpre o IDE de Jesus

1. O chamado para o discipulado. Jesus chama os seus discípulos por sua graça e autoridade. Não havia questionamentos, condições, concessões e garantias. O que estava em questão não era a estabilidade do discípulo, nem para o que o foi chamado, mas simplesmente a autoridade e a graça de Jesus. Mateus 9.9

2. O custo do discipulado. Seguir a Cristo não é tarefa fácil. Mudanças radicais têm de acontecer. Só pessoas com disposição podem atender a este chamado e pagar todos os custos. Lucas 14.28-33 Isso não deve desanimar o discípulo, mas estimulá-lo a pagar os custos com alegria em todos os seus aspectos, porque Jesus pagou um alto preço pelos seus discípulos.

3. A Cruz do discipulado. Leva o discípulo a viver em total negação do “eu”, significando que o discípulo agora, não segue o seu próprio caminho, e sim o caminho de submissão ao senhorio de Cristo. É a crucificação e a mortificação do velho homem. Gálatas 2.20

4. A Palavra do discipulado. O discipulado deve ser bíblico, pois só assim se estabelecerá o fundamento de fé e prática do discípulo. A fonte de conhecimento do discipulado que gera crescimento sustentável é a Palavra de Deus.

5. A oração do discipulado. No discipulado de Cristo, a oração sempre foi exercitada em todas as áreas e momentos de Seu ministério. O discípulo, que tem como fundamento de seu discipulado a vida de Cristo, entende que na caminhada do discipulado é imprescindível orar.

6. A santidade do discipulado. O convite para o discipulado sem santidade é fruto da graça barata. Discipulado é o processo de santificação realizada por meio do Espírito Santo. Gálatas 5.16-26. O discípulo não entra para uma espécie de vida de perfeição, mas entra para uma vida de entrega total e obediência a Deus.

7. O serviço do discipulado. É o chamado para servir a Cristo, aos irmãos e à obra de Deus. Cristo ensinou e deu o exemplo sobre o serviço cristão na última ceia. Leia João 13 O serviço cristão é caracterizado por amar, ouvir, ajudar e levar as cargas uns dos outros.

II – TRANSFORMANDO PESSOAS COMUNS EM DISCÍPULOS

O chamado para o discipulado é o processo de transformar pessoas comuns em discípulos de Jesus. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio do relacionamento com Cristo.

1. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio do relacionamento com Cristo. Cristo chamou pessoas para vínculos de relacionamentos, ligaduras no espírito, alianças entranháveis, compromisso de submissão, de andar na luz, de se deixar tratar. Esse comprometimento é que define se o relacionamento é ou não discipulado. Uma pessoa que decide discipular outras, precisa seguir este caminho proposto por Jesus, transmitir vida por meio do modelo de relacionamento. 1 Coríntios 11.1

2. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio de um ato de obediência. Em Lucas 9.57-62, vemos que discipulado não é uma confissão oral de fé, mas um ato de obediência em fé à ordem: “vai e anuncia o Reino de Deus” e à realidade: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” .

3. Pessoas comuns são transformadas em discípulos quando deixam tudo para trás e andam ao lado de Jesus. Em Lucas 5.1-11, Observamos que o conteúdo do discipulado é largar as redes, atender ao convite para pescar homens e seguir a Jesus como algo vivencial. E, neste caminho de vida, o discípulo aprenderá e crescerá nas verdades do Evangelho.

III – TRANSFORMANDO DISCÍPULOS EM LÍDERES
MULTIPLICADORES

Tudo o que estudamos até aqui, foi o processo de transformar pessoas comuns em discípulos. Agora, vamos estudar como podemos transformar discípulos em líderes multiplicadores por meio do cumprimento do IDE de Jesus. Mateus 28.19, 20.

1. O Líder multiplicador de discípulo. Fazer discípulos é a Grande Comissão da igreja. Enquanto o discípulo caminha na dinâmica do discipulado, faz discípulos de todas as nações. Reproduz vida e caráter como Jesus fez.

2. O Líder multiplicador de sacramento. Jesus deu duas ordenanças à igreja, conhecidas como sacramentos: Batismo e Santa Ceia. O líder multiplicador tem o dever de levar os discípulos a cumprir os sacramentos. Batizá-los em nome da trindade e posteriormente fazer parte da mesa do Senhor.

3. O Líder multiplicador de ensino. Liderar é multiplicar ensino. É ensinar os discípulos a observar o Evangelho integralmente. Uma igreja que quer crescer sustentavelmente tem de investir na multiplicação do ensino por meio do discipulado.

4. Líder multiplicador em Pequenos Grupos. As pessoas que estão sendo ganhas, discipuladas, batizadas e ensinadas devem ser conectadas a um Pequeno Grupo. Ali serão cuidadas e treinadas para se tornarem líderes multiplicadores.

CONCLUSÃO

Aprendemos neste estudo, a importância do discipulado como essência da igreja verdadeira. Com isso, devemos valorizar o discipulado em Pequenos Grupos para alcançar a nova geração. O crescimento da igreja por meio do discipulado não será explosivo, mas gradativo, integral e sustentável.

NOTAS IMPORTANTES

O QUE NÃO É DISCIPULADO

a. Discipulado não é sala de aula de batismo. Ela pode ser uma excelente forma de ensino, mas não é tudo.

b. Discipulado não é aconselhamento. Isso é bom para ajuda mútua.

c. Discipulado não é ensino bíblico. Isso é muito necessário para o crescimento cristão.

d. Discipulado não é um programa ou modelo para o crescimento da igreja. Isso é muito bom para firmar aqueles que acabaram de se converter. E auxilia no crescimento da igreja.

Todos esses métodos de trabalho fazem parte do discipulado,
mas não são a sua essência.

CONCEITO ETIMOLÓGICO DE DISCIPULADO

No grego, a primeira palavra que traz a ideia de discipulado é “akolouthein”, um verbo que significa ‘seguir’. A segunda palavra é “mathetes”, que significa ‘vincular-se a outra pessoa a fim de adaptar-se a ela e adquirir conhecimento prático e teórico’. A terceira palavra é “mimeomai,” que significa ‘imitar’, que enfatiza a natureza de um tipo especial de comportamento, modelado em outra pessoa.

ALGUNS EXEMPLOS DE DISCIPULADO NO NOVO TESTAMENTO

a. JOÃO BATISTA e seus discípulos. Mateus 11.1-7, Marcos 2.18-22, João 1.35-37.

b. BARNABÉ E SAULO. Atos 9.26-28

c. PAULO E TIMÓTEO. 1Timóteo 1.2, 2Timóteo 2.2

A pessoa que foi chamada larga tudo quanto tem, não para fazer algo que tenha valor especial, mas simplesmente por causa daquele chamado, porque, de outro modo, não pode seguir a Jesus. A esse ato não se atribui o menor valor. Em si, continua sendo uma coisa absolutamente destituída de importância, sem merecer atenção […]. Uma vez chamada para fora, a pessoa tem que abandonar a existência anterior, tem que simplesmente “existir” no sentido rigoroso da palavra. O que é velho fica para trás, totalmente abandonado. (BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 8ª edição. São Leopoldo: Sinodal, 2004, p. 21)

A paisagem cristã está coberta de escombros de torres inacabadas e abandonadas – ruínas daqueles que começaram a construir e não puderam terminar. Milhares de pessoas ainda ignoram esta admoestação de Jesus e decidem segui-lo sem primeiro pararem para considerar o custo disso. O resultado é o grande escândalo da cristandade moderna, chamado Cristianismo nominal. […] Não é de se admirar que os cínicos falem de hipócritas na igreja e dispensem a religião por considerá-la um escapismo (STOTT, John R. W. Cristianismo básico. Viçosa, MG: Ultimato, 2007, p. 108)

A imagem usada por Jesus, quando disse que o discípulo que quisesse segui-lo, deveria tomar a sua cruz, era a de um criminoso condenado à crucificação. Ele tinha que carregar a sua cruz até o local da crucificação. Era um caminho sem volta. Esta imagem era comum para aqueles que ouviram este chamado para cruz. O discípulo verdadeiro é aquele que carrega a cruz, mesmo sabendo que é um caminho sem volta.

Como implantar Pequenos Grupos na Igreja local – Setembro/2014

Existem várias maneiras de implantar Pequenos Grupos na Igreja Local. Todas são válidas e possuem aspectos positivos e negativos. Vou compartilhar, neste texto, alguns aspectos importantes, utilizando o texto em que Paulo escreve a Timóteo sobre a transmissão do Evangelho, para a implantação bem-sucedida de Pequenos Grupos.

I – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO EM PEQUENOS
GRUPOS COMEÇA NO MENTOR DA VISÃO

Paulo diz a Timóteo que ele deveria transmitir a outros o que dele aprendera. Paulo é o Mentor da visão. Foi ele quem incentivou Timóteo a compartilhar para outros o Evangelho.

Na Igreja Local, o pastor titular tem de ser o mentor da visão. Ele não pode transferir isto para o pastor auxiliar ou para qualquer outro líder. Ovelhas seguem o Pastor. Alguns pastores querem implantar em suas igrejas o projeto, mas não querem assumir a mentoria. Isto é um risco. A implantação pode até acontecer, mas não subsistirá.

O mentor tem de entender, de forma completa, todo o conteúdo do projeto em Pequenos Grupos: a base bíblica; o que são pequenos grupos; quais são os objetivos bíblicos dos Pequenos Grupos; quando se reúnem; a quantidade de pessoas em cada Pequeno Grupo; como são as reuniões; o que pode acontecer em uma igreja sem pequenos; e as razões para ter Pequenos Grupos na Igreja Local. São coisas básicas, mas que fazem a diferença na implantação.

O mentor tem de amar o projeto. Se o pastor implantar o projeto só para ter mais um programa na igreja, falhará. O pastor tem de estar apaixonado pelo projeto. Sem amor não haverá sucesso. O pastor só amará o projeto quando ele conhecer todo o seu conteúdo.

O mentor tem de entender que a implantação é um processo. Muitos líderes tentaram implantar Pequenos Grupos em suas igrejas e se frustraram porque acharam que seria instantâneo, e não é. Não adianta o pastor reunir a sua igreja e dizer que agora a igreja trabalhará em Pequenos Grupos e esperar que toda a igreja esteja envolvida. A implantação é um processo e isto leva anos. Pelo menos dois anos.

Finalmente, o mentor tem de entender que a implantação do projeto acontece em oração. Se o pastor assumir a mentoria, assimilar o conteúdo e o processo de implantação e não orar, verá o projeto desmoronar. Todo o processo de implantação deve acontecer em oração.

II – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO EM PEQUENOS GRUPOS COMEÇA COM UM GRUPO PILOTO

Paulo diz a Timóteo que ele deveria confiar o ensino a homens que fossem fiéis e idôneos. Líderes da Igreja.

O pastor, na implantação do Projeto em Pequenos Grupos, deve começar pelo Pequeno Grupo Piloto. Este Pequeno Grupo será o início de tudo. O Pequeno Grupo Piloto será o primeiro da igreja e o modelo para os demais nas multiplicações. Este PG Piloto será composto por pessoas que o Senhor colocará no coração do pastor. Os homens fiéis e idôneos da Igreja.

Para a implantação do PG Piloto, o pastor local deve seguir basicamente estes sete passos:

Primeiro: ORAÇÃO
Jesus orou antes de escolher seus discípulos. Lucas 6.12-16

Esta narrativa nos aponta como foi a oração de Jesus.

a) Subiu ao monte a orar. Jesus queria intimidade com Deus. Orou em particular porque não queria errar na escolha dos discípulos. Antes de escolher seus discípulos para o PG Piloto, tenha um momento de oração e de intimidade com Deus. Um lugar em que ninguém o incomode.

b) Passou a noite em oração. Jesus perseverou em oração diante de Deus, para que este O orientasse quanto à escolha. A escolha de um discípulo acontece depois do investimento do nosso tempo em oração a Deus.

c) E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles. Depois do período íntimo e perseverante diante de Deus, Jesus, pela orientação de Deus, escolheu seus discípulos. Depois que você investir o tempo necessário e perseverar na oração, Deus vai mostrar a você, um a um, os seus discípulos para o Pequeno Grupo Piloto.

A oração não vai deixar você escolher pela aparência, assim como fez Samuel, antes de escolher Davi, porque o Senhor não vê a aparência, mas o coração. O Senhor vai colocar em sua vida pessoas que você levará, pelo discipulado, ao nível que Davi tinha com Deus.

Depois que Deus colocar em seu coração as pessoas que serão seus discípulos, não pare de orar. Agora, é hora de orar por elas, para que Deus prepare seus corações para que atendam o seu convite.

Segundo: OBSERVE ALGUMAS CARACTERÍSTICAS
QUE IDENTIFICAM O DISCÍPULO
EM POTENCIAL

Keith Phillips, em seu livro clássico sobre discipulado, A FORMAÇÃO DE UM DISCÍPULO, apresenta as seguintes características:

a) Ele deseja conhecer intimamente a Deus.

b) Ele está disponível.

c) Ele é submisso.

d) Ele é fiel.

e) Ele procura fazer discípulos

Além destas características, observe a frequência e a participação nos cultos e trabalhos da Igreja.

Terceiro: TOME A INICIATIVA E FAÇA O CONVITE

Este passo é fundamental. É aqui que a maioria dos líderes para. O medo, a incerteza e o desafio ficam maiores que o projeto. A maioria dos líderes sabe da importância do discipulado, mas param aqui. Por isso, a Palavra do Senhor para este momento é esta:

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.”

Deus já lhe mostrou quem serão os seus discípulos? Levante-se e faça o convite. No momento em que você fizer o convite, diga que orou antes e que foi o Senhor quem colocou em seu coração os nomes. Diga também que você observou que essa pessoa tem vontade de crescer e pode ser um líder de excelência.

Quarto: EXPLIQUE O QUE É O DISCIPULADO
E A VISÃO DO PROCESSO

Convide as pessoas que você escolheu para um café em sua casa e explique que o discipulado é um meio usado por Deus para o crescimento espiritual e no caráter de Jesus, tanto do discípulo quanto do discipulador, levando-os à maturidade. Diga que o discipulado é relacionamento e vocês vão crescer muito em Deus, por meio de uma reunião semanal para compartilhamento bíblico, aconselhamento e convívio. Diga que a visão do discipulado é que, depois de alguns meses, ele poderá discipular outras pessoas por meio dos Pequenos Grupos.

Quinto – DEIXE QUE A PESSOA DECIDA SE QUER
OU NÃO O DISCIPULADO

Depois que você fizer o convite, peça que ore por uma semana para que Deus confirme em seu coração a entrada dele no processo que mudará sua vida.

Sexto – MÃOS À OBRA

Depois que a pessoa responder a você positivamente, marque um dia que seja bom para vocês para o primeiro encontro.

Sétimo – O PRIMEIRO ENCONTRO

O encontro:

Escolha o lugar, pode ser em sua casa, na casa do discípulo, ou na Igreja.

O encontro deve ser em horários em que a Igreja não tenha programação.

As reuniões devem durar no máximo uma hora.

Sempre deve começar e terminar com orações.

Tenho o cuidado de não ser um professor ensinando algo. Deixe os discípulos falarem e tirarem as dúvidas.

Procure ser o mais claro possível.

Fique tranquilo, com o tempo os encontros se tornam mais leves.

São esses os passos básicos. Tudo muito simples, porém, se observados, resultarão numa boa implantação.

III – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
EM PEQUENOS GRUPOS COMEÇA
COM A ESCOLHA DO MATERIAL

Paulo diz a Timóteo que transmissão do conteúdo do Evangelho deveria ser por meio de ensino.

Na implantação do Projeto, o Pastor deverá elaborar um curriculum de estudos ou, de preferência, seguir o proposto pelo PESC. Este será o material que será utilizado no PG Piloto e nos demais PGs.

IV – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
EM PEQUENOS GRUPOS
DEVE VISAR À MULTIPLICAÇÃO

Paulo transmitiu as verdades do Evangelho a Timóteo que transmitiu a homens fiéis que transmitiram a outros. O Pequeno Grupo Piloto foi implantado para gerar líderes multiplicadores. Cada pessoa do PG Piloto, após o estudo da primeira revista ou, quando sentir segurança, deve começar um Pequeno Grupo do mesmo modo que o pastor começou o Piloto. Para isso, tudo o que foi exposto até aqui, o pastor deverá compartilhar no PG Piloto, após o término da primeira ou segunda revista, como treinamento para que os seus discípulos sejam líderes multiplicadores em outros PGs.

Durante todo o processo de abertura de novos PGs, o líder do novo PG permanece no PG Piloto. O PG Piloto nunca termina, pois é ele que dará sustentação à visão. Funciona assim: na semana, o líder participa do PG Piloto em um dia e, em outro, lidera o seu PG.

Quando houver as demais multiplicações, o líder que abrir um novo PG permanecerá no de origem. Ele sempre será ministrado e ministrará aos corações.

CONCLUSÃO

Estes são passos básicos que facilitarão a implantação dos Pequenos em sua igreja. Qualquer dúvida, durante o processo, pode entrar em contato comigo.

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Observação

Sou pastor da IPRB de Guarantã do Norte, MT. Com estes passos básicos
implantei os Pequenos Grupos em maio de 2013. Hoje, agosto de 2014, estamos
com 10 Pequenos Grupos. Pretendemos começar 2015 com 15 Pequenos
Grupos. Deus tem abençoado estas diretrizes de ação.
Flávio Santos. flaviws@hotmail.com

Pilares da Reforma Protestante – Outubro/2015

No dia 31 de outubro, os cristãos protestantes comemoram o dia da Reforma. Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero, protestou contra a Igreja Romana, afixando, à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, as famosas 95 teses contra vários pontos teológicos da doutrina romana. Tudo começou quando Lutero descobriu que a salvação era pela fé somente.

Além de Martinho Lutero, outros nomes são importantes para o movimento reformador. João Calvino, com sua mente privilegiada, sistematizando princípios doutrinários em sua Instituições da Religião Cristã, uma obra que tem servido, ao longo dos anos, para teólogos, professores e principalmente cristãos que buscam os valores verdadeiros do Cristianismo. Ulrich Zuínglio que, em sua época, queria fazer algo corajoso para Deus. E Menno Simons com a reforma radical, afirmando não haver outro fundamento, senão, aquele que foi estabelecido pela Palavra de Deus.

As proposições teológicas da Reforma Protestante são os Cinco Solas, que são frases latinas que surgiram para enfatizar a diferença entre a teologia reformada e a teologia romana. A palavra latina, sola, significa “somente” ou “apenas”, na língua portuguesa.

Os cinco solas são: Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia e Soli Deo Gloria. Esses são os pilares da Reforma Protestante. Vejamos em detalhes.

Sola Fide – Somente a Fé

O princípio “Sola Fide” é a afirmação de que o homem é justificado única e exclusivamente pela fé, sem o acréscimo das obras do mérito humano. Segundo a tradição reformada é o artigo pelo qual a igreja é sustentada. A justiça do Evangelho de que não nos envergonhamos é o poder de Deus para salvação. É do princípio ao fim pela fé pois, conforme a Carta de Paulo aos Romanos: O justo viverá pela fé.

A fé que justifica o homem é dom de Deus, é o meio pelo qual a justiça de Cristo é imputada ao pecador. Não há glória humana nisso. Pela fé somente, os pecados do homem são lançados sobre Cristo, o verdadeiro justo de Deus, que na Cruz cumpriu toda justiça de Deus. Daí o homem, no tribunal de Deus, ser declarado, de uma vez por todas, justo diante de Deus. A Igreja que quer se manter de pé tem de viver pela fé somente.

Sola Scriptura – Somente a Escritura

A Escritura é a única regra de fé e prática da igreja. Acreditamos em sua Inspiração, Autoridade, Inerrância, Clareza, Necessidade e Suficiência. É somente na Escritura que encontramos a história da salvação. É somente na Escritura que encontramos Jesus representado de várias formas e prometido de várias maneiras no Antigo Testamento, visto e cumprido no Novo Testamento.

É somente na Escritura que encontramos o fundamento da nossa Teologia, seja ela sistemática, bíblica, apologética, hermenêutica, exegética ou pastoral. É somente na Escritura que encontramos o que precisamos para conhecer o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e o Evangelho, para sustentar a fé e nortear a vida cristã.

Solus Christus – Somente Cristo

Somente Cristo foi a reação da Reforma contra a igreja secularizada e contra os sacerdotes que afirmavam sua posição especial para mediar a graça e o perdão de Deus por meio dos sacramentos. A reforma defendeu que a mediação entre o homem e Deus é feita somente por Jesus Cristo.

A salvação do pecador é obra de Cristo. A vida de Jesus sem pecado expiou os homens de seus pecados. Isto trouxe justificação e colocou o homem em uma nova posição com o Pai. A posição de filho por meio da reconciliação. Jesus Cristo é o único salvador. Cristo é central na reforma protestante.

Sola Gratia – Somente a Graça

Além de a graça ser um dos atributos de Deus é, também, o próprio Cristo em Sua encarnação. E é o Espírito Santo quem aplica a graça ao coração do pecador.

A teologia divide a graça em comum e especial. A graça comum é aquela que é comunicada a todos os homens. É a que dá aos homens bênçãos sem medida. A chuva de Deus cai sobre justos e injustos. A graça especial é soteriológica, pois é por meio dela que o homem é salvo. É a comunicação da salvação de Deus ao pecador.

O termo “sola gratia”, refere-se a tudo que o homem possui, e, em especial, à salvação, que é pela graça somente. É pela graça somente que o homem é eleito, regenerado, justificado, santificado e glorificado. É pela graça somente que o homem recebe os dons espirituais e talentos que são usados em favor do Reino. É pela graça somente que o homem recebe as bênçãos de Deus.

Soli Deo Gloria – Somente a Deus a Glória

Soli Deo Gloria é o pilar da Reforma Protestante que afirma que o homem foi criado para a glória de Deus. Como o homem foi criado para dar glória a Deus tudo que ele faz deve ser destinado à glória de Deus. Soli Deo Gloria é o princípio pelo qual toda glória é dada a Deus no processo de salvação. A vida do cristão é vivida diante de Deus e sob sua autoridade. Isso é para a glória de Deus. A ele seja a glória eternamente! Amém. Romanos 11.36 O grito dos reformadores foi para que a Igreja voltasse aos moldes do Cristianismo primitivo. Que a Igreja retornasse à simplicidade do Evangelho. Que a Igreja vivesse apenas pela fé. Que a igreja vivesse apenas na Escritura. Que a Igreja vivesse apenas em Cristo. Que a Igreja vivesse apenas a Graça. Que a Igreja vivesse apenas para a glória de Deus.

Esse deve ser o nosso grito ao comemorar a Reforma Protestante!

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Outubro de 2015

Preparando-se para uma nova fase na vida – Março de 2009

Uma análise contextualizada
de Neemias 1 e 2

“Então lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada, e que as suas portas têm sido queimadas a fogo; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio. Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.”
Neemias 2:17-18

Até quando você vai ficar olhando
e remoendo as ruínas do passado, sem tomar
uma decisão corajosa?

As fases da vida são necessárias para completar os ciclos da nossa existência. Desde o início de tudo e da própria criação do homem, o ser humano passa por etapas diferentes: infância, juventude, vida adulta, velhice… Os jovens se casam e passam a viver uma nova fase na vida. E, na vida a dois, vem o período de adaptação das diferenças de ideias, de hábitos, de costumes… Quando chegam os filhos, nova fase se instala. E assim, dia a dia, caminha-se para a maturidade, para a responsabilidade, rumo à velhice.

É interessante como alguém, mesmo sendo especial (deficiente), não escapa dessas fases. A mente pode continuar como a de um bebê, mas o corpo segue a lei da natureza e da evolução para a maturidade. Esse é um desafio que jamais poderemos deixar de enfrentar. Podemos tentar fugir de tudo na vida, mas não conseguiremos escapar das fases da nossa existência.

Saber que assim é a vida é muito bom. Esses períodos surgem como forma de desafios a serem enfrentados, sejam desagradáveis ou não. E o que vai determinar se passaremos bem por todas elas é a nossa reação antes de tentarmos alcançar a fase seguinte.

No texto bíblico citado, Neemias está vivendo uma fase tranquila em Susã, a fortaleza de Artaxerxes. Neemias provavelmente não conhecesse Jerusalém. Ao que tudo indica, ele deve ter nascido no cativeiro. Mas, um dia, sua vida muda completamente, ao receber notícias trazidas por Hanani, que havia acabado de chegar de Jerusalém. A informação que chega aos ouvidos de Neemias é de uma Jerusalém em estado de calamidade, em ruínas. Isso o incomodou muito. E foram essas notícias que o levaram a orar.

Neemias é conhecido como um homem de oração e consagração. Uma pessoa sintonizada com o céu. E foi por isso que ele alcançou favor de Deus para ir em direção ao desconhecido. Neemias vai viver uma nova e marcante fase em sua vida.

Todas as pessoas estão prestes a iniciar uma nova fase na sua vida. Num piscar de olhos, podem receber uma notícia que mudará totalmente o seu futuro. Sabendo disso, como podemos descobrir a vontade de Deus para caminhar em direção a esse novo passo que estamos prestes a dar?

É fundamental saber que Deus vai estar conosco, que Deus vai responder nossa oração e entrelaçar-se a algum novo projeto quando eu decidir questionar os porquês, ou os acontecimentos ao meu redor, v. 2.

A vida de Neemias começa a mudar quando ele, abatido e preocupado, faz algumas perguntas. Sua indagação a respeito de como andavam as coisas em Jerusalém transformou o seu futuro e suas idealizações.

Quantas pessoas deixaram de questionar os porquês da sua vida há muito tempo. Por que estou regredindo financeiramente? Por que meu relacionamento está tão mal assim? Por que, na minha vida, esse ou aquele plano não dá certo?

Neemias sentiu seu coração sendo direcionado por Deus a um propósito novo, quando ele sai do seu próprio mundo e começa a se abrir para realidade à sua volta. Quando pensa no próximo. Quando encarna as dores dos que ficaram na miséria. Ao tomar essa atitude, descobre que estava vivendo uma tremenda ruína, uma farsa. Seu povo estava desanimado e sem esperança. E tudo que o levou a demover-se foi uma pergunta sobre a realidade de um povo.

Uma pergunta pode abrir um leque do que precisamos fazer para trazer mudanças no quadro em que vivemos. Ouvindo e analisando a resposta, Neemias passa a assumir erros (vv. 6-7) e a procurar soluções (v. 11) para a miséria que estava instalada ao seu redor.

Quando começarmos a questionar os porquês da miséria em nossa casa, os porquês da falta de ânimo, os porquês das orações não respondidas… respostas vão começar a surgir e todas elas levando-nos a entender que precisamos tomar uma posição. A falha nunca é de Deus, é sempre nossa.

Ao levantar meu semblante e tomar uma decisão, Deus vai responder minha oração. É certeza de que estará comigo quando eu decidir edificar sobre os escombros que restaram das derrotas que tive no passado, v. 17-18.

Quantas vezes decidimos interromper algo de suma importância, simplesmente porque não tivemos êxito na primeira instância! Não deu certo, pastor, por isso parei. Não tive apoio, por isso deixei de lado. Não consegui, pastor, por isso voltei. Abandonei os estudos. Deixei o emprego. Larguei tudo…

Quantas pessoas deixaram de ser abençoadas e de realizar tremendas conquistar pelo simples fato de olharem para os escombros de sua vida e dizer: não vale a pena! Por isso deixaram de orar, deixaram de buscar a vontade de Deus e deram tudo como perdido.

Conta-se que quando Thomas Carlyle, historiador inglês, concluiu o segundo volume de sua História da Revolução Francesa, entregou o manuscrito a John Stuart para fazer observações. John leu o manuscrito e emprestou-o a um amigo. Esse amigo deixou-o sobre a escrivaninha certa noite, depois de lê-lo. Na manhã seguinte a empregada, procurando alguma coisa com a qual pudesse acender o fogo, encontrou a pilha de papéis soltos e, pensando que fossem rascunhos antigos, usou-os para acender o fogo. Aquilo que havia custado anos de trabalho a Carlyle era cinza agora! Quando seu amigo Mill, relatou a devastadora notícia a Carlyle, este ficou tão decepcionado com sua perda que não conseguiu fazer nada durante semanas. Um dia, sentado diante da janela aberta, remoendo sua perda, observou um pedreiro reconstruindo uma parede de tijolos. Pacientemente, o homem colocava tijolo sobre tijolo, enquanto assobiava uma alegre melodia. “Pobre tonto”, pensou Carlyle, “como pode estar tão alegre quando a vida é tão fútil?” Naquele momento, ele teve outro pensamento, mas agora referente a si mesmo: “Pobre tonto, você está aqui sentado junto à janela, queixando-se e lamentando, enquanto aquele homem reconstrói uma casa que durou gerações.” Naquele momento, tomado de novo ânimo, levantando-se da cadeira, Carlyle começou a trabalhar no segundo rascunho da História da Revolução Francesa.

Podemos reconstruir sobre as ruínas de nosso passado. O ponto alto da vitória de Neemias está no momento em que ele começa a andar sobre as ruínas de Jerusalém, a observar tudo queimado, danificado e decide reconstruir os muros caídos.

Deixar de ser opróbrio tem a ver com uma decisão que Deus aprova e vai junto conosco. O passado era vergonhoso e cheio de erros, mas Neemias decidiu seguir em frente com o aval de Deus. Neemias terminou uma edificação que parecia impossível, e a fez em apenas cinquenta e dois dias. No final da obra, não somente ele, mas todo o povo entendeu que Deus havia aprovado e ajudado na edificação da cidade, causando grande espanto entre os inimigos.

“Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco do mês de Elul; em cinquenta e dois dias. E sucedeu que, ouvindo-o todos os nossos inimigos, todos os povos que havia em redor de nós temeram, e abateram-se muito a seus próprios olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.” Ne 6: 15-16.

Para aqueles que estão vivendo uma nova fase na vida, faz-se necessário seguir o exemplo de Neemias: fazer perguntas, não se abater diante das ruínas e decidir edificar uma nova vida, tendo a mão de Deus direcionando todos os seus passos.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2009

Mantendo-se vivo no ministério – Fevereiro/2007

“Existem homens que lutam um dia e são bons;
existem outros que lutam um ano e são melhores;
existem aqueles que lutam muitos anos
e são muito bons. Porém, existem
os que lutam toda a vida. Estes são
os imprescindíveis”.
Bertolt Brechet

“Agora, pois o Senhor me conservou em vida,
como falou; quarenta e cinco anos há desde que o Senhor
falou a Moisés, andando Israel ainda no deserto.
E já agora tenho oitenta e cinco anos de idade e ainda estou
tão forte como no dia em que Moisés me enviou;
qual era a minha força então, tal ainda é agora,
para a guerra, para sair e para entrar”.
Josué 14: 10-11

“Quando um homem de Deus desistir de algo que é de suma importância para sua vida, pode ser o primeiro passo para uma série de sucessivas desistências no decorrer da sua trajetória”.

Como trabalhar para que isso não aconteça? Como lutar para que os desafios que tentam nos impedir de ver a ação de Deus no deserto não nos façam enterrar nosso ministério e abandonar as promessas de Deus feitas a nós?

A Bíblia fala de um homem que desafiou os limites da idade e de tudo o que poderia impedi-lo na conquista de um território prometido por Moisés. Esse homem, chamado Calebe, “o cão de Deus”, nos deixa o exemplo de como podemos nos manter vivos em nossos projetos e alvos, mesmo em meio às muitas adversidades e às muitas limitações.

Com Calebe aprendemos
que não há sonhos impossíveis e nem espaço
de tempo que sejam capazes de fazer parar
um homem movido por propósitos e confiança em Deus

Porque os sonhos impossíveis são aqueles que nós perdemos em nossa mente e coração com o passar do tempo.

Calebe estava dizendo que não há barreiras para os que vivem e caminham respirando as promessas que Deus fez um dia. Às vezes tentamos desistir de projetos que Deus colocou em nosso coração porque encontramos resistências por parte das Igrejas, ou por parte de pessoas que estão ao nosso lado. E, ao invés de procurarmos mudar o quadro da nossa vida e marcar a história do lugar onde Deus nos plantou, aceitamos ser tomados por um sentimento de derrota e mediocridade.

Isso ocorreu porque esperávamos que tudo acontecesse como num passe de mágica. Por exemplo, que a Igreja iria explodir em números de imediato, quando às vezes ocorreu o contrário. Mas Deus não nos deixa esquecer de suas promessas e, nesses momentos, nós não podemos deixar de continuar, ou seja, de levar o povo a respirar essas promessas.

Já pensou quantas batalhas Josué venceu? Quantos territórios conquistou para outros homens? Quantas rebeliões presenciou? Quantos iam morrendo ao seu lado na caminhada? Mas, com certeza, algo o manteve vivo durante todos aqueles anos: a esperança de chegar à terra que Moisés prometeu. Nós, igualmente, precisamos manter bem vivos em nossa memória os propósitos de Deus e suas promessas. E saber que não é impossível conquistá-las.

Quer se manter vivo no ministério? Apegue-se às promessas que Deus lhe fez um dia!

Com Calebe aprendemos
que a verdadeira vitória consiste em gastar
a vida pela causa que abraçamos

Foram muitos anos. Eu fico imaginando Calebe esperando o momento de pisar na terra que seria sua. Vendo a conquista dos outros e fazendo parte delas, lutando por elas. Vivendo aquele intervalo entre a promessa e a bênção (sempre mais difícil), quando vem o desânimo pela demora. Mas no seu coração algo dizia: a minha hora vai chegar!

É assim a nossa luta diária para conseguir o que esperamos. Gastar-se. Como a história daquele violinista que estava tocando esplendidamente o seu violino, quando uma mulher lhe disse que daria tudo para tocar como ele, ao que ele respondeu que foi isso que ele fez: deu a sua vida para tocar daquele jeito. Gastar a vida é entregar-se à causa pela qual estamos lutando, mesmo que pareça difícil. Fazer de tudo por aquele objetivo. Viver em função do cumprimento do alvo.

Você estaria disposto a gastar sua vida não somente por programações, mas por pessoas? Para isso Deus nos chamou.

Lembro de ter lido a história de dois homens que pertenciam ao grupo dos moravianos, fundado pelo conde Nicolau Van Zinzendorf. Esse grupo tornou-se um dos maiores movimentos de intercessão do mundo. Eles abriam mapas dos países e intercediam sobre eles. Esses dois jovens pegaram o mapa da África e começaram a orar para que o Senhor os levasse até o lugar certo para evangelizar. Caiu a sorte numa ilha onde não se podia pregar o evangelho. Como chegar lá? Eles se venderam como escravos e foram em direção à África. E, quando o navio estava deixando o porto, eles disseram a frase que se tornou o lema do movimento: “O sacrifício de Jesus é digno”.

Neste momento me vêm à memória nossas reuniões com o grupo de missões do seminário. Quantas vezes fiz a oração citando o lema do grupo, que era baseado na Segunda Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo doze, versículo quinze, onde diz: “Eu de muito boa vontade gastarei e me deixarei gastar em prol das vossas almas, ainda que amando cada vez mais, seja menos amado”. É isso.

Abraçar a causa do Mestre é um desafio cansativo. Mas é a causa que abraçamos. Votos e projetos ministeriais não podem ser esquecidos devido ao cansaço. É necessário manter-se firme, porque o sacrifício pelo Senhor justifica tudo o que temos feito. Gaste-se por isso!

Quer seja a sua uma grande Igreja, quer seja uma pequena Igreja. Ou, quem sabe, você se reúna numa casa ou numa tenda. Parece que vai ser além das suas forças. Mas saiba de uma coisa: “o sacrifício de Jesus justifica o que você tem feito”. Mesmo que pareça não haver resultado, ou que pareça que ninguém esteja vendo. Volte a respirar as promessas de Deus para a sua vida! Lute pelo cumprimento delas. Gaste a sua vida por elas. Porque, ao final, você vai ver que valeu a pena!

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2007

Enfrentando a vida com a visão de Deus – Abril/2007

Parece que até Salomão
perdeu o ar da graça
quando a indignação
tomou conta de seu coração

Todos já tiveram aquele dia de não ter disposição nem mesmo para enfrentar a vida, quando a vontade foi de ficar na cama, quando um mau humor o deixou impaciente com as pessoas e com tudo. Essa é uma realidade na vida do homem, principalmente quando passa por momentos críticos.

Salomão ensina que o estudo da Bíblia produz uma visão consciente e construtiva a respeito da realidade. Ler Eclesiastes 3: 1-15 sem o devido estudo pode parecer que Salomão estava passando por um dia daqueles e que perdeu o ar da graça. Parece que a indignação tomou conta do seu coração. Assim, a vida narrada na perspectiva de Salomão é totalmente sem sentido, depressiva.

Os primeiros versículos dão a impressão de que os acontecimentos vão surgindo sem muita razão e as únicas coisas que restam são explicações simples e racionais para tudo. Ora se nasce, ora se morre, ora se edifica, ora se destrói, ora se ri, ora se chora. Como se tudo passasse pela vida sem sentido algum.

Para o homem sem Deus, pode ser assim mesmo porque ele é vazio. No entanto, o verso 11 mostra a vida com uma visão consciente e construtiva a respeito da realidade: “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo”. Salomão ensina muito a respeito da vida. Este texto e o estudo da Bíblia mostram como viver melhor.

Salomão ensina que os acontecimentos da vida não são uniformes, não são iguais. Nem todos, hoje, têm motivos para sorrir. Para alguns, hoje está sendo tempo de edificar, de plantar e de se alegrar. Tempo onde as coisas não poderiam estar melhores. Para outros, está sendo tempo de destruir e de arrancar o que plantaram durante a vida inteira: desistem de sonhos, desfazem de bens para sobreviver e assim por diante. Há aqueles que estão no tempo de insatisfação nas mais diversas áreas ou momentos de dor, e até de morte.

É difícil entender o momento que o ser humano está passando, porém: “as dores da nossa história não tiram a beleza da vida por si só” (anônimo). Nesses momentos, é preciso entender que as dores e dissabores não alteram o agir de Deus. Depois de alinhar tantos elementos contraditórios, Salomão complementa que Deus fez formosos os mínimos detalhes da vida, da família, do lar, da igreja e assim por diante.

Salomão ensina que o ser humano precisa aprender a existir com discernimento, sabedoria e entendimento. Ensina a buscar sabedoria para viver os acontecimentos ao seu tempo. A grande dificuldade do homem é aprender a viver a experiência certa no tempo certo. É impressionante como ele sempre vive desajustado, fora do tempo com os filhos, com o cônjuge, com Deus, com tudo.

Constantemente, as pessoas se lamentam: “se eu soubesse que os filhos cresciam tão rapidamente, teria aproveitado mais tempo com eles, enquanto ainda estavam no meu controle”. Muitas vezes, o ser humano lamenta por algo que não volta mais. Por isso, é necessário aprender a viver com discernimento. Muitas pessoas amam na hora errada e, por isso, se separam na hora em que não queriam. Não aprendem a sorrir na hora certa e, por isso, choram na hora errada. Não discernem a hora de abraçar e, por isso, se afastam quando não queriam.

Finalizando, a maioria das pessoas não tem discernimento algum para existir e apenas passam pela vida. Não sabem quando edificar ou quando parar. Quando abraçar ou quando se afastar. Às vezes antecipam, outras vezes atrasam. Precisamos aprender a viver cada fato no seu tempo certo. A vida é uma dádiva de Deus. Precisamos aprender a fazer algo de bom com ela e aproveitar o máximo daquilo que Deus nos tem dado. Corra para aproveitar o tempo de Deus para você.

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Fonte: Jornal Aleluia de abril de 2007

Resiliência, uma graça à disposição de todos – Abril/2009

O termo ‘resiliência’ pertence à física,
ou seja, é a propriedade que alguns corpos
apresentam de retornar à forma original ou normal
após terem sido submetidos a uma
deformação elástica.

“O rio atinge seus objetivos
porque aprendeu a contornar
os obstáculos”. (André Luiz)

No sentido figurado, resiliência seria a capacidade de se recobrar facilmente ou de se afastar das mudanças indesejáveis. Neste sentido, para os especialistas em comportamento humano, este termo se aplica ou se molda às pessoas que possuem um alto grau de capacidade para retornar ou dar a volta por cima às situações anteriores (ou originais), quando são vítimas de grandes investidas ou adversidades.

Ser resiliente é ter a capacidade de recomeçar ou começar tudo de novo, depois de sofrer algum dano na vida, seja ele material, físico, ou espiritual. Resiliência é uma graça de que todos precisamos e que está à nossa disposição. Não há como negar esta verdade, pois a provação ou a tentação é, incondicionalmente, fator inerente ao Cristianismo, porque todos estamos sujeitos às intempéries da vida.

Quem nunca foi nocauteado, ou passou por um sério problema, como, por exemplo: uma doença repentina, a perda do emprego, a falência de um negócio, a morte de alguém muito próximo, um golpe na vida espiritual, o trauma de um sequestro ou de um acidente, o rompimento do casamento que durava anos, de uma amizade muito forte, ou, ainda, a reprovação no vestibular ou em algum teste? Verdade é que a vida nos proporciona muitas surpresas, e nem todas agradáveis.

Portanto, ser resiliente constitui-se num desafio constante para qualquer pessoa, seja ela cristã ou não-cristã. Assim, gostaria de convidar o leitor a uma reflexão sobre a graça (bênção) da resiliência, fundamentada no contexto das palavras do apóstolo Paulo, escritas aos Romanos 12: 12: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”.

Alegria na esperança

Parece simples, mas a esperança é o ingrediente número um que possibilita à pessoa nocauteada por algum acontecimento traiçoeiro retornar à condição de voltar ao seu estado normal de vida: ¨Alegrai-vos na esperança¨. Quer dizer, ela seria como um choque elétrico emitido por um desfibrilador em alguém que sofreu parada cardíaca.

Neste caso, a esperança é a carga elétrica que reativa o processo de respiração do paciente. Se não fosse a esperança, Jó, que viveu, aproximadamente, 2000 anos aC., jamais conseguiria dar a volta por cima, quando, em pouco tempo, perdeu todos os seus bens (casa, fazenda, gado), e, inclusive, a própria família, Jó 1-1-15.

No entanto, diante de todas as catástrofes ambientais, materiais e espirituais, ainda teve força para exclamar: ¨Porque eu sei que o meu redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra¨, Jó 19: 25. Ao final, Jó recebeu em dobro tudo o que havia perdido, 42: 10-17. Alegrar-se na esperança é ter a certeza de que a luta e o fracasso não são o fim, mas o começo de uma nova etapa.

Certa feita, perguntaram a Henry Ford: o que é um fracasso? Com voz lúcida e segura, respondeu: “um fracasso é apenas a ocasião de começar uma nova tentativa com mais sabedoria”. Qualquer pessoa está sujeita a algum tipo de insucesso na vida, porque não raro as coisas acontecem ou são como não se imagina.

É nessa hora que a graça ou a bênção da resiliência se manifesta pela força dos olhos da esperança, afirmando que dias melhores virão e que o sinal verde vai aparecer no fim do túnel. Com Jesus, não há dúvidas de que somos mais do que vencedores (resilientes), porque o justo, ainda morrendo, tem esperança, Pv 14: 32 e Rm 8: 37.

Paciência nos desafios

Paciência é um dos segredos para vencer qualquer obstáculo. Todavia, há de se considerar que é, também, uma dificuldade de todos, pois a síndrome da pressa, que é o mal do século, tem roubado do ser humano esta bênção. Quando o apóstolo diz que precisamos ser pacientes na tribulação, pode-se dizer que a capacidade de alguém dar a volta por cima a uma situação constrangedora vai exigir da pessoa uma personalidade firme e pacienciosa.

O apóstolo Tiago, ao exortar sobre a paciência, usa a figura do lavrador para ilustrar a importância desta virtude: ¨Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e últimas chuvas¨, 5: 7. Então, se o objetivo de quem busca se restabelecer de alguma situação adversa é a retomada de novas iniciativas, é preciso fortalecer o coração com a paciência, v. 8.

Apesar de tudo que ocorreu em sua vida e família, Jó conseguiu voltar ao primeiro estado ou à normalidade do dia-a-dia, porque foi paciente na tribulação: ¨Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu…¨, Tg. 5: 11. Nada, em hipótese alguma, segundo os ensinamentos bíblicos, é impossível para quem persiste firme frente aos desafios. Há um ditado francês que diz que “a paciência é amarga, mas o seu fruto, doce”.

Portanto, as coisas difíceis podem levar muito tempo para ser alcançadas, pois o impossível pode demorar um pouco mais. Thomas Edson afirmou: “a nossa maior franqueza reside em que temos a tendência de abandonar. A maneira mais segura para conseguir atingir os objetivos é: tentar uma vez mais”. Como diz o refrão de uma das músicas do cantor Armando Filho: “Uma vez, outra vez, vai em frente, tenta um pouco mais. Quem sabe hoje aqui, angústias vão ter fim. E gozarás perfeita paz”. Tente novamente!

Persistência na devoção

Falar em oração é falar em devoção de vida com Deus. É relacionar-se com Deus no dia-a-dia. Não há como sobreviver no mundo espiritual sem a prática do princípio da oração. Na parábola do juiz iníquo, em Lucas 18: 1-11, Jesus deixou bem claro que para a oração se tornar um discurso convincente diante Deus, é preciso orar sempre (perseverar) sem nunca esmorecer, v. 1.

Para isto, seria extremamente necessário um padrão equilibrado na vida de devoção (oração) a Deus, pois Paulo afirma este conceito teológico: “…perseverai em oração”. A oração é a mola mestra deste processo. Uma pessoa movida pela fé e oração é impulsionada a tomar iniciativas, adquirindo, assim, uma postura de coragem e motivação frente à luta.

Ana, serva fiel do Deus altíssimo, para vencer a multidão de seus cuidados e o desgosto que amargurava a sua alma, e que abatia profundamente o seu semblante, deixando-o totalmente triste, 1Sm 1: 16, 18 e 19, só conseguiu dar a volta por cima e chegar ao estado normal de mãe (pois era estéril e Deus lhe deu um filho), porque persistiu na comunhão e serviço a Deus: “…perseverando ela em orar perante o Senhor”, 1Sm 1: 11.

A verdadeira devoção a Deus consiste numa constante batalha, porque “os vencedores das batalhas da vida são homens perseverantes que, sem se julgaram gênios, convenceram-se de que só pela perseverança no esforço podem chegar ao almejado fim”, (Emerson, 1803-1882). Por isso, quem desiste da batalha jamais faz história, mas quem persevera escreve a história. Seja, portanto, autor de sua própria história.

Para concluir

Desafio você a refletir sobre isto: não desistir nunca, ou seja, “quando as coisas derem errado como, às vezes, acontece; quando a estrada na qual você caminha com dificuldade parece íngreme demais; quando os fundos estão baixos e as dívidas altas, e você quer sorrir, mas tem de suspirar; quando o cuidado o pressiona um pouco para baixo, descanse, se precisar, mas não desista, pois a vida é esquisita com suas idas e vindas.

Como cada um de nós, às vezes, aprende, e muitos fracassos ocorrem, quando se poderia ter vencido se tivesse resistido. O sucesso é apenas o fracasso virado ao avesso, a tinta preta das nuvens da dúvida. […] Portanto, aferre-se à luta quando receber o golpe mais duro. Quando as coisas parecerem piores é que você não deve, em hipótese alguma, desistir¨! (autor anônimo). Por tudo isso, seja sempre resiliente em seus projetos e empreendimentos!

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2003

O Natal cristão – Dezembro/1995

Que é mesmo o Natal?
Festas, presentes, compras, viagens,
encontros familiares?

O cristão deve ter em mente que o Natal
tem um sentido não apenas humano,
mas profundamente
espiritual. É o que podemos aprender
a partir do registro feito por Mateus
sobre o nascimento de Jesus.

Mateus 2: 1-12

Estamos no mês natalino. Apesar de não ser a data correta, pois não se sabe ao certo em que dia o Senhor Jesus nasceu, até porque não há uma data específica registrada na Bíblia, o dia 25 de dezembro, tradicionalmente, é considerado o dia do seu nascimento.

Por isso, é um dia comemorado e festejado por todos. Para muitos, Natal é um dia especial em que pessoas viajam para rever parentes e amigos. Para outros, Natal é promover festas, é uma oportunidade para se deixar extravasar os desejos da carne. Para uma criança, é uma data desejada e esperada com muita ansiedade para se ganhar presentes.

Talvez, para muitos, o Natal seja um momento do ano em que as famílias se reúnem para se alegrar e agradecer a Deus por mais um ano que se passou. Para os empresários e comerciantes, é um dos eventos festivos do ano que abre o maior espaço para vendas em todos os aspectos.

Na verdade, o Natal que a humanidade comemora tem pouco a ver com o nascimento de Jesus. Biblicamente, Ele nasceu um dia em Belém da Judeia. Seu nascimento foi singular, simples e humilde. Em Belém nasceu Jesus, a parte humana, a carne do verbo, as vestimentas de carne e ossos com as quais o verbo se cobriu para que pudéssemos ver a sua glória, Jo 1: 1-3.

E para o cristão, o que é mesmo Natal? Festas, presentes, compras, viagens, encontros familiares, etc. O cristão deve ter em mente que Natal para ele tem um sentido profundamente espiritual, e não apenas um sentido humano. Vejamos, então, o que podemos aprender a respeito do Natal cristão, a partir do registro feito por Mateus sobre o nascimento de Jesus, em Mt 2: 1-1?

Natal é uma busca
constante do verdadeiro Jesus

Os magos que vieram do Oriente perguntaram: onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Sendo eles incumbidos pelo rei Herodes a respeito do menino Jesus, v. 8, partiram em busca do recém-nascido, Vv. 1 e 9.

Eles empreenderam uma longa viagem para encontrar-se com o desejado das nações. Natal é, portanto, exatamente isso: uma busca constante do verdadeiro Jesus. Hoje, muitos o buscam de três maneiras distintas:

a) Buscam o Jesus que não é verdadeiro, de maneira errada: os sacerdotes e os levitas que foram enviados pelos judeus perguntaram a João Batista: Quem és tu? Eles buscavam o Jesus verdadeiro, mas João Batista não o era, Jo 1: 19-20.

b) Buscam o Jesus verdadeiro de maneira errada: em Lucas 2: 48 e 49, seus pais o buscam em lugares em que Ele não estava presente. Buscavam o Jesus verdadeiro, mas não o encontraram onde fora procurado.

c) Buscam o Jesus verdadeiro de maneira verdadeira: os magos fizeram isso e o encontraram com a sua mãe, Mt 1: 11. Nossas irmãs, Maria Madalena, Joana e Maria foram surpreendidas quando os anjos lhes disseram: por que buscais entre os mortos quem está vivo?

Graças a Deus porque o Jesus a quem servimos é verdadeiro e está nos céus, à destra do Pai. Devemos buscá-lo de todo o nosso coração, Mt 7: 7, enquanto podemos encontrá-lo, Is 55: 6.

Natal é uma adoração
constante ao verdadeiro Jesus

Os magos, guiados pela estrela que tinham visto no Oriente, chegaram à casa de Maria, mãe de Jesus, encontraram o menino, e, prostrando-se, o adoraram. Um dos propósitos dessa longa viagem era adorar a Jesus: viemos a adorá-lo, v. 2.

A adoração verdadeira é um dos aspectos relevantes do Natal. Ou seja, não existe Natal sem o compromisso de adorar o menino (Rei) Jesus. Portanto, Natal sem adoração ao Deus Trino e Uno não é Natal. Nesse sentido, todos os dias podem ser Natal, pois todo o dia podemos adorá-lo em Espírito e em verdade, Jo 4: 24.

Porém, não é bem assim que acontece em nossos dias. O mundo comemora o nascimento de Jesus com bebedeiras, festas, etc. Este é o tipo de Natal sem sentido, sem valor, sem espiritualidade e sem aceitação divina, porque não alegra o coração de Deus.

O Natal cristão precisa ser uma constante adoração ao verdadeiro Jesus, que vive e reina para todo o sempre. É ir à igreja não por um hábito, ou por mero costume, ou para ver alguém, mas para adorá-lo com um coração preparado, Sl 108: 1.

Por isso, todo culto, quando o adorador se comporta diante de Deus com adoração verdadeira, pode-se dizer que é dia de Natal, pois Jesus está sendo reverenciado como o Deus-Filho.

Natal é abrir o coração
e oferecer presentes a Jesus

Os magos, depois de buscarem o menino Jesus, encontrando-o, adoraram-no. Então, abrindo seus tesouros, apresentaram-lhe presentes, tais como: ouro, incenso e mirra, v. 11. Vejamos o que isto pode simbolizar para o cristão:

a) Ouro: metal precioso, amarelo e brilhante. Simboliza a realeza de Jesus, ou seja, sua dignidade de Rei. Ele nasceu como rei. Ele é o Rei da glória, Sl 24. Uns o conhecem como um simples homem que marcou a História. Nós o reconhecemos e adoramos como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

b) Incenso: resina aromática que se queimava na antiga dispensação. Isto pode simbolizar o lado divino de Jesus. Nesse aspecto, os magos estavam reconhecendo Jesus como Filho de Deus. Quando o cristão aceita a divindade de Jesus, ele está abrindo seus tesouros e dando presentes a Jesus.

c) Mirra: resina odorífera, medicinal, produzida pelo “balsamodendron”. Analisando o texto de forma abrangente, nesse caso, mirra poderá simbolizar sacrifício. Talvez seja o sacrifício que eles (os magos) empreenderam na longa jornada para ver a criança recém-nascida.

Um dos maiores presentes que podemos dar a Cristo é a nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional, Rm 12: 1. Portanto, abramos nossos tesouros, nossos corações e apresentemos ao Senhor Jesus nossas dádivas. Ele merece. É Natal! Ele nasceu em nossas vidas, aleluia!

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Fonte: Jornal Aleluia de dezembro de 2008 – com adaptações feitas pelo autor

Matusalém: recordista mundial de longevidade – Fevereiro/2012

No dia 25 de janeiro de 2012,
a IPRB deu adeus a mais um de seus
ícones fundadores, o Pr. José Fernandes
Pedrosa, conhecido por quase todos
como pastor Pedrosa, o Patriarca-mor.
Seu exemplo, sua personalidade e seu jeito
de falar, quando o assunto era a contribuição
das igrejas, permanecerão para sempre em nosso meio.

“E foram todos os dias de Pedrosa
noventa e três anos, e morreu”.

Matusalém foi o personagem bíblico mais longevo, desde a criação do mundo. Se fosse hoje, receberia o prêmio de recordista mundial de vida. Ele viveu todos os juros e correção monetária que a vida lhe ofereceu. Seu nome, em hebraico quer dizer “homem armado” ou homem preparado, o que nos dá a ideia de que ele era uma pessoa disposta e bem preparada para a vida.

Interessante que todos os patriarcas, de Adão a Noé, viveram séculos e mais séculos, no entanto o “homem armado” não foi ultrapassado por nenhum deles. O único que esteve mais próximo foi Noé, seu neto, filho de Lameque, que morreu aos 950 anos, após cumprir o chamado específico do Senhor, na construção da Arca, Gênesis 9: 29.

Diante desta realidade, fica claro que Deus nos criou para uma vida longa. No entanto, todos morreremos um dia, assim como Adão, Matusalém, Noé, Moisés e tantos outros na atualidade. A vida é para ser desfrutada, conquanto que seja a serviço de Deus e orientada pelos princípios bíblicos. Sem ele, nele e para ele, tudo se torna em vão. Com isso, vejamos algumas lições:

Uma vida curta ou longa sem Deus
torna-se inútil diante das riquezas celestiais

O próprio Jesus, que morreu na cruz para garantir a vida eterna à humanidade, afirmou que seus seguidores não devem ajuntar tesouros nesta terra, mas nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam, Mateus 6: 20.

Por isso, viver muito ou pouco na dimensão terrena, sem nenhum compromisso com Deus, pode custar uma eternidade sem Ele, João 5: 25. Certa feita, falando sobre a responsabilidade daqueles que o seguem, Jesus não se hesitou em dizer: “que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?

Ou que darão ao homem em recompensa a sua alma? Ou seja, toda riqueza nesta terra sem Deus é inútil ou incomparável às riquezas celestiais. Pensar nas coisas que são lá de cima, e não nas que são da terra, foi sempre o grande desafio dos cristãos, Colossenses 3: 2.

Uma vida curta ou longa a serviço de Deus
torna-se valiosa diante dos bens
materiais deste mundo

O que significa uma vida a serviço de Deus? Que recompensas receberão os salvos em Cristo pela folha de serviços prestados a Deus nesta terra? Penso que estas duas perguntas devem inquietar o leitor e levá-lo a uma reflexão.

Digo isto porque vivemos em mundo capitalista em que tudo gira em torno do dinheiro, do lucro e dos bens materiais, onde predominam os mais fortes e poderosos. À igreja compete verdadeiro comprometimento com o Reino de Deus.

Diante disso, afirmar que uma vida curta ou longa a serviço de Deus seria aquela que não está presa ou voltada para os bens e prazeres do mundo. Uma vida comprometida com Deus e não com o homem; uma vida de inteira responsabilidade a favor do “ide” do Senhor Jesus, Mateus 16: 15.

O apóstolo Paulo deixa evidente, em 1 Coríntios 15: 58, que os serviços prestados a Deus nesta terra são valiosos e têm uma recompensa diante de tudo aquilo que o mundo oferece.

Uma vida curta ou longa nesta terra
exige preparo para se encontrar com Deus

Para Deus não importa se o homem vai viver pouco ou muito nesta terra. Se ele possui pouco ou muito dinheiro; se realiza pequenos ou grandes empreendimentos, a ponto de se tornar famoso, como Steve Jobs, Michael Jackson e tantos outros. Não importa a cor, raça, tribo ou nação. Todos provarão a morte, Hebreus 9: 27, e muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão um dia, “… uns para a vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno, Daniel 12: 2.

O que fazer para se encontrar com Deus na eternidade? O preparo para esse momento é necessário. Na parábola do rico insensato e descompromissado com Deus, que possuía muitas empresas, bens e dinheiro, um dia disse: “Alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos, descansa, come, bebe e folga”. Mas Deus lhe disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?”, Lucas 12: 20.

Deus criou o homem para viver eternamente; viver é uma dádiva divina concedida a todos. Mas o pecado entrou no mundo e com ele a morte, limitando assim a vida do ser humano, Gênesis 2: 16 e 17. Mas, em Jesus, o homem pecador pode readquirir o direito de viver para sempre, pois com ele está a vida eterna: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu filho”, João 5: 11.

Concluindo, gostaria de fazer uso das palavras do grande evangelista D. L. Moody, ao se referir à convicção na vida eterna:

“Se alguma vez vos disserem que Moody está morto, não o creiais! Apenas que subiu mais acima! Deixou esta velha casa de barro para entrar em uma casa imortal, um corpo que não pode ser afetado pela morte, nem contaminado pelo pecado, um corpo feito à imagem do glorioso corpo do Senhor!”

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2012, edição 371, página 5

Marcas da fé não fingida – Junho/2000

O apóstolo Paulo ensina sobre a fé
como um dos elementos básicos da doutrina
cristã no processo da salvação,
e que precisa ser conservada diante de quaisquer
dificuldades que surjam.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele
que nele crê; primeiro do judeu, e também do grego”.

Romanos 1: 16

Tendo conhecimento das falsas doutrinas pregadas por aqueles que se faziam de cristãos, ou achavam que eram os melhores e os mais sinceros dentre os crentes (1Timóteo 1: 3, 4 e 7), como acontece hoje, o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, cartas, para instruí-lo e encorajá-lo quanto aos assuntos práticos como a adoração pública, as qualificações dos oficiais da igreja, e a confrontação do ensino falso na importante igreja de Éfeso, 1Timóteo 1: 18.

Como herdeiro de uma fé não fingida, isto é, sua experiência de conversão não se assemelhava ao papel de um ator que precisa fingir para se apresentar (sentido original da palavra empregada nesses versos) seu testemunho não tinha qualquer mácula de hipocrisia. Isso tornara a vida cristã desse jovem pastor pura e genuína. E, em meio aos falsos ensinos, Paulo recomenda-lhe para permanecer naquilo que aprendeu, 2Tm 3: 14.

No contexto geral de suas cartas a Timóteo, Paulo está falando sobre a fé como um dos elementos básicos da doutrina cristã no processo da salvação, e que precisa ser conservada diante das dificuldades surgidas (1Tm 1: 19). Sua ênfase é a necessidade de uma conduta cristã sem demagogia, uma vida cristã ilibada, comprometida com Deus, prática, autêntica e fiel aos princípios da Bíblia Sagrada. E é exatamente isso que é preciso para que o cristianismo pregado sobreviva.

Talvez seria importante que o leitor pensasse seriamente sobre isso e tentasse descobrir o que o apóstolo está querendo dizer sobre a fé não fingida. Ou quais seriam as lições de vida cristã que ele queria passar à igreja de ontem e hoje. Para isso, gostaria de ajudá-lo e convidá-lo para, juntos, analisarmos, pelo menos, três marcas ou aspectos da fé não fingida.

Presença de expectativa

Seria a esperança cristã fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas bíblicas. Se existe algo que o diabo tenta fazer a todo instante é apagar do coração do cristão a esperança ou expectação de que fatos inexistentes podem acontecer pela fé, Hb 11: 1.

A igreja primitiva viveu essa experiência. Seus primeiros dias foram marcados por muita perseguição; os crentes e pastores eram presos e martirizados. Tiago já havia sido morto, à espada, e Pedro aguardava o momento da morte na prisão (Atos 12: 1-25). Mas a igreja orava incessantemente por ele a Deus, vv. 6 e 12. Enquanto a igreja orava, O anjo de Deus visitou Pedro na prisão, e disse: “Levanta-te depressa” (v. 7). Pedro é milagrosamente solto e, em seguida, dirige-se à casa de Maria, onde a igreja estava reunida (v. 12). Quando chegou a casa, ele bateu à porta do pátio, e uma criada chamada Rode saiu a atender, e vendo que era Pedro, não conteve a alegria, e disse que Pedro estava à porta, Vv. 13 e 14. Ninguém acreditou nesse fato, até o momento que viram-no, e se espantaram com a realidade, vv. 15 e 16. Teriam esses irmãos se esquecido de que estavam orando para que Deus libertasse a Pedro da prisão, ou faltaram-lhes a presença da expectativa cristã?

Aprendemos com essa história que a vida cristã sem a esperança seria o cristianismo sem objetivo, sem finalidade ou sem rumo. Se você está orando por libertação, acredite na libertação vinda de Deus; se você está orando por cura, acredite na cura que Deus fará; se você está orando para Deus abrir as portas, acredite na intervenção de Deus; se você está orando por um avivamento, acredite no derramar genuíno do Espírito Santo. É preciso fé nas promessas da Bíblia Sagrada, especialmente naquelas que falam da volta de Jesus. Alguém disse que precisamos viver o dia de hoje como se Cristo voltasse amanhã. Ele é a nossa esperança – MARANATA, Cl 1: 27.

Uso da perspicácia

Uma pessoa perspicaz é aquela que vê bem; que observa de maneira penetrante ou cuidadosa; pessoa dotada de agudez de espírito, cautelosa ou prudente, 1Jo 4: 1. Quando Jesus enviou os discípulos para anunciarem o reino de Deus entre os gentios e curarem os enfermos e os leprosos, ressuscitarem os mortos e expulsarem os demônios, recomendou-lhes perspicácia: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos: Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”, Mt 10: 16.

Uma passagem que pode nos ajudar a compreender melhor esse fato é a de Atos 17. Paulo e Silas pregavam na cidade de Bereia (v. 10). As pessoas recebiam de bom coração a palavra, de modo que muitos naqueles dias acreditavam naquilo que ouviam (v. 12). Mas nem por isso eles deixaram de ter o cuidado de conferir nas Escrituras se o que estavam ouvindo e aprendendo era assim mesmo (v. 11). Ou seja, eles tiveram a prudência de examinar nas Escrituras o que os pastores pregavam na sinagoga. Eram pessoas de uma agudez de espírito muito profunda. Não é incredulidade examinar o que se ouve ou que se lê.

No sermão profético (Mateus 24), falando sobre os acontecimentos dos últimos dias, Jesus também adverte sobre os perigos que precederão à sua volta, e recomenda essa virtude: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane”, v. 4. Jesus está dizendo que é preciso utilizar o filtro da prudência, e manter-se firme nos princípios da Palavra de Deus.

Ação da persuasão

Em sua declaração de fé, o apóstolo Paulo deixa evidente que ele era um cristão persuadido por Deus, quando disse: “…eu sei em que quem tenho crido, e estou certo (no original – persuadido ou convencido) de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2Tm 1: 12). Ele sabia em quem havia depositado sua crença, pois sua declaração era fruto de uma fé experimental ou pessoal. Isso nos leva a relembrar sua experiência de conversão na estrada de Damasco (Atos 9). Uma vez convertido ou transformado por Deus, nunca mais precisou passar pelo processo de conversão, ainda que tenha ficado três anos no deserto da Arábia antes de fazer missões (Gl 1: 17 e 18).

Um fato comum e natural na vida cristã são certos problemas ou erros apresentados, que podem levar a fé cristã a ficar debilitada (sem força). E, então, é nesse momento que o cristão poderá questionar e duvidar daquilo que Cristo fez por ele no ato da conversão, ou até mesmo questionar o perdão dos pecados que já foram confessados e perdoados. Vale ressaltar que as circunstâncias adversas surgidas neste mundo fazem parte de nosso estado mortal e de nossa experiência humana. Não estamos isentos nem mesmo do fracasso ao pecado, 1Co 10: 12.

Na verdade, há crentes que nunca tiveram uma experiência de conversão, e nem sabem por que estão na igreja; aqueles que cantam e louvam ao Senhor, mas não sabem por que cantam e nem para quem cantam; pessoas que vivem dentro das igrejas e que nunca passaram pelo processo da regeneração; vivem a vida cristã como se ela terminasse aqui na terra. Leia o que Paulo fala sobre isso, 1Co 15: 19. Gente que não está persuadida de nada, nem mesmo de que Jesus perdoou seus pecados. A esses, a Bíblia ordena: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor ”, Atos 3: 19.

Conclusão

Em qualquer circunstância, eis o grande desafio à igreja do Senhor:

“De fato, a concorrência salta aos olhos. De todo lado há alguém clamando: Eis aqui o Cristo, na minha igreja, na minha denominação, no meu credo. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, a apostasia é impressionante. Muitos dos seus discípulos o abandonaram. Entram pela porta da frente e saem pela porta dos fundos. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, há muitos hipócritas dentro das igrejas. Eles desfiguram o rosto para parecer que jejuam, dizem uma coisa e fazem outra, mostram-se belos por fora e escondem a sujeira interior. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, as igrejas cristãs se transformaram em empresas, em clube de serviço, em ponto de encontro, em salão de festa, em restaurante, em lugar de fofoca. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, há pastores que negam a divindade de Jesus, o nascimento virginal de Jesus, a morte expiatória de Jesus, os milagres de Jesus e a ressurreição de Jesus. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, o diabo anda solto. Ele se transforma em anjo de luz e engana a muitos. Ele ainda seduz, mente e ruge como leão. Põe loucura no coração do homem e lhe faz propostas absurdas. Todavia, não perca Jesus de vista!

Não perca Jesus de vista, porque ele é de fato o Cristo, o Filho do Deus vivo Ele tem de fato toda autoridade no céu e na terra; ele é a ressurreição e a vida; ele pode abrir os sete selos e dar sequência a história; ele aparecerá segunda vez em poder e glória e reinará por séculos que tombam sobre séculos numa eterna sucessão” (Revista Ultimato 235, pág. 3).

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2000

Evangelização urbana nos moldes de Jesus – Junho/2004

Um dos fatores determinantes no processo
de crescimento de uma igreja
é o tipo de evangelização por ela realizado.
Evangelização é o ato, é a ação
de comunicar o evangelho.

Um autor afirmou: “evangelizar é um mendigo
dizer a outro mendigo onde conseguir alimento”.
Segundo os entendidos, “nunca, em dois mil anos,
foi tão fácil evangelizar. Nunca foi tão fácil
levar pessoas à conversão e à fé cristã.
Porém, a igreja precisa usar
a metodologia adequada”.

Os missiólogos afirmam que não pode haver nenhum esquema uniforme de evangelização. O que está dando certo em uma determinada igreja não quer dizer que dará certo noutra. Assim, pode-se dizer que o trabalho de evangelização urbana executado pela igreja nunca será ou estará completo. Nesse sentido, haverá sempre necessidade de descobrir as realidades desconhecidas e repensar os métodos, técnicas e estratégias utilizadas nesse processo.

O cenário urbano registrado pelo evangelista João é um protótipo ou um modelo de evangelização urbana que funciona. Jesus havia deixado a Judeia, ao Sul, e seguido para a Galileia, ao Norte, quando sentiu que era necessário passar por Samaria, cidade que ficava entre as duas regiões, v. 4. Ao meio-dia, junto ao poço de Jacó, na cidade de Sicar, travou um longo diálogo com uma mulher samaritana que viera buscar água. E como resultado de sua estada nesse lugar, muitas pessoas foram ter com ele, para ouvir a palavra de Deus, v. 30.

O evangelismo pessoal aplicado por Jesus foi dinâmico e transformador. A pecadora de Samaria ficou convencida de seus pecados e tornou-se uma testemunha de Jesus. Dentre os diversos aspectos bíblico-dogmáticos vistos neste texto na atitude evangelizadora nos moldes de Jesus, destacaremos alguns deles.

Práxis da necessidade – v. 4

O texto diz que “era-lhe necessário passar por Samaria”. Está evidente que ele foi movido por uma intuição própria. Quer dizer: ninguém lhe disse nada, mas a página da história de uma mulher seria escrita a partir do momento em que ele pressentiu que era necessário fazer essa traje-tória, ainda que a rota normal dos judeus fosse dar a volta, seguindo o vale do Rio Jordão para o Norte, até a Galileia.

Podemos chamar este fato de práxis da necessidade ou da compaixão. Mas o que é práxis? Seria a “ação criativa e transformadora do povo de Deus na história, acompanhada de um processo profético e da reflexão crítica que objetiva tornar a obediência cristã ainda mais efetiva”. Em outras palavras, é ação da igreja em atenção à necessidade alheia – especial-mente do pecador.

A Bíblia ensina que Jesus andou na práxis da compaixão e do amor. Ele sentia a necessidade do povo. A história de muita gente foi escrita por suas atitudes criativas e práticas. Certa ocasião ele olhou para uma multidão e sentiu grande compaixão por ela: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos”, Mt 14: 14. Se a igreja quer que sua evangelização urbana seja autêntica e transformadora, Jesus dá a receita: “Te-nho compaixão desta gente”, Mt 15: 32. Sim, não há como evangelizar sem sentir que é necessário passar pelas samarias atuais. Este pré-requisito leva a igreja a perceber que a história de milhares de pessoas que vivem sem Jesus precisa ser mudada.

Mudança de paradigma – v. 9

Judeus e samaritanos não se falavam em hipótese alguma. Era uma rixa antiga. “Os judeus chegavam ao extremo de desencorajar a tentativa de fazer prosélitos dentre os samaritanos […]”. O pedido de Jesus: “dá-me de beber”, deve ter sido considerado pela mulher como uma atitude tolerante, pois, de imediato, ela respondeu: “Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana”. Tanto é que a conversa delongou e o plano de salvação foi exposto por Jesus.

No entanto, esse incidente contrariava o comportamento judeu-samaritano (porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos), vv. 7 e 9. Na verdade, o comportamento ético-cristão de Jesus fala claramente de mudança ou alteração de paradigma. Uma cena desta hoje seria, provavelmente, manchete de capa de revista ou jornal. Ou, na perspectiva religioso-evangélica, mereceria disciplina ou castigo. Porém, o interessante para Jesus não era manter a tradição de uma religião, mas cumprir com a missão de seu Pai e favorecer ao Reino de Deus, Lc 19: 10.

O paradigma “explica como é o mundo e nos ajuda a predizer seu comportamento. É a forma como você percebe esse mundo. Por exemplo: ele está para você da mesma forma como a água está para o peixe. O peixe não sabe que está dentro dela até que o tirem para fora”. Isto se aplica à vida cristã. Às vezes, diga-se de passagem, certos conceitos dependem do paradigma. A maneira como se interpreta uma situação é, às vezes, relativa e pode ser até mesmo, individualista. Porém, Jesus foi além das circunstâncias do relativismo ou individualismo. Ele precisava passar por Samaria, para evangelizar uma pecadora.

Contexto urbano – v. 18

O contexto diz respeito à cultura – aos valores, ideias e sentimentos – de um determinado povo. Também diz respeito às classes sociais, à religião ou religiões. O contexto revela quais são as características que são próprias de uma determinada cidade. Isto ensina que evangelização e contexto precisam andar de mãos dadas. Então, para se usar um determinado tipo de técnica ou método na evangelização é preciso conhecer o contexto, o ambiente em que se vai trabalhar.

Neste caso, Jesus conhecia o contexto da cidade de Sicar. Ele conhecia o modo de vida desse povo. Foi em razão disso que em sua conversa com a Samaritana, ele quer usar o método indutivo, ou seja, ele começou a conversação partindo do particular para o geral – do problema pessoal para a solução. Os argumentos usados por ele foram tão convincentes que a mulher abriu-lhe o coração: “vai, chama o teu marido e vem cá. A mulher respondeu: não tenho marido. Disse-lhe Jesus: disseste bem: Não tenho marido, porque tiveste cinco e o que tens agora não é o teu marido”, vv. 18 e 19.

A igreja precisa conhecer o contexto urbano ou onde se localiza. Saber quais os tipos de pessoas existentes na cidade. Quais as suas preferências e necessidades básicas. Identificar os focos de convergência da juventude, pois “Deus chama a igreja para o seu contexto particular, como um instrumento da sua graça e salvação, desenvolvendo e realizando a missão como um processo criativo e transformador”.

Por fim, vale dizer que a evangelização urbana da igreja nos moldes de Jesus não tem nada a ver com a inovação e comprometimento com os padrões de uma sociedade, mas, simplesmente, com a integridade e contextualização de sua mensagem no cumprimento de sua missão cristã, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia, junho de 2004

Criança: vida que nos ensina – Outubro/1996

Chegando o dia 12 de outubro,
o mundo adulto se lembra de que
as crianças existem.

Há bonitos discursos, o comércio tira
seu proveito, movimentam-se as escolas.

Também a igreja, que tem a responsabilidade de ensinar
às crianças os preceitos do Senhor,
estabelece programas especiais.

Gosto de crianças. Entre outras razões,
porque elas têm muito a nos ensinar.
Analise comigo algumas qualidades
que lhes são peculiares
e veja que grandes lições podem resultar
para a vida cristã.

Em toda a Bíblia há referências às crianças. Destacam-se as exortações sobre o cuidado que se deve ter em ensiná-las: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e quando envelhecer não se desviará dele”. Pv 22: 6.

Ao tempo do Antigo Testamento, as crianças já mantinham comunhão com Deus. Ainda que não fossem conscientes deste fato, elas gozavam da proteção divina. Deus ouviu a voz de Israel quando ainda era criança, Gn 21: 17. Poupou a vida do menino Moisés na ocasião em que o Faraó mandou matar todas as crianças do sexo masculino, Êx 2. Samuel era ainda pequeno quando ouviu a voz de Deus e recebeu o seu chamado para o ministério profético e sacerdotal, 1Sm 3.

O Novo Testamento afirma que Jesus dispensava atenção e empregava tempo para atender as crianças: “Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais”, Mt 19: 14.

Não se pode imaginar a quantidade de lições morais e espirituais que extraímos da vida de uma criança. Dentre as muitas, veremos algumas que são preciosas para a vida do cristão. O texto de Marcos 9:33-37 nos traz algumas delas.

Humildade

Jesus e seus discípulos estavam se dirigindo a Cafarnaum. No caminho, houve uma discussão entre os discípulos, sobre quem seria o maior. Jesus chamou os doze, e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último e servo de todos”, v. 35. Seu ensino foi reforçado quando Ele disse: “Aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus”, Mt 18: 4. Jesus estava ensinando que a grandeza no reino de Deus é o serviço humilde.

Ninguém discorda de que a criança em si é símbolo de humildade e simplicidade. Sua maneira de ser fala claramente sobre isto. Uma criança nunca procura ser maior, ou melhor, mas ser o que é: criança.

A vida cristã deve ser marcada por essa qualidade que é tão recomendada pela Bíblia Sagrada. Humildade é uma virtude com que manifestamos o sentimento da nossa fraqueza ou de nosso pouco ou nenhum mérito, e que faz parte de uma personalidade cristã sólida. Ela deve manifesta-se de maneira voluntária e constante em nossas atitudes, mantendo-nos numa posição de menor: “… cada um considere os outros superiores a si mesmo”, Fp 2: 3.

Não se identifica uma pessoa humilde pela sua maneira de falar, vestir, etc. Isto não vem ao caso. Tampouco se pode dizer que uma pessoa bem vestida não seja humilde. De ambos os lados pode haver engano, tanto de uma falsa humildade como de uma aparente arrogância. “É necessário que Cristo cresça, e que eu diminua”, Jo 3: 30.

Perdão

Ainda falando os discípulos sobre quem seria maior no reino dos céus, Jesus disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrarão no reino dos céus”, Mt 18: 3.

“Tornardes como crianças” – o que venha a ser isso? Não quer dizer que temos que nascer de novo, isto seria impossível, Jo 3: 4-5. Jesus está se referindo ao sentimento de perdão que existe em uma criança. De sua maneira de ser ou proceder quando é atingida, castigada ou rejeitada, perdoando com facilidade e naturalidade.

Quando uma criança é repreendida pelos pais ou por outra pessoa, ela chora, fica brava, mais logo volta a agir naturalmente. Não fica com ódio e mantém a mesma amizade e carinho de filho. Até mesmo quando há brigas entre elas, o espírito de perdão sempre prevalece. No momento de um desacerto, uma bate e quebra o brinquedo da outra, chora. Mas, dali a pouco, tudo fica bem. Parece que não aconteceu nada. A verdade é que a criança sabe perdoar, e com ela precisamos aprender.

Jesus tem razão em dizer que precisamos nos tornar como crianças para entrarmos no reino dos céus. Há situações na vida cristã em que este ensino de Jesus precisa ser vivenciado. A união, o amor, a compreensão e a comunhão no meio da igreja dependem de nossas atitudes.

E às vezes precisamos fazer como as crianças fazem entre si. É claro que Deus não quer que sejamos crianças espiritualmente, mas cristãos que tenham o sentimento de perdão. Há uma frase que diz: “Aquele que não sabe perdoar destrói com as próprias mãos a ponte sobre a qual um dia terá de passar”. De fato, o caminho para o perdão é doloroso, mas quando ele é concedido, constrói-se uma ponte que servirá no amanhã.

Há pessoas doentes, infelizes ou amarguradas porque remoem fatos que ocorreram a anos em sua vida e não foram acertados. São feridas abertas.

Jesus estava transmitindo alguns ensinos éticos cristãos, quando lhe trouxeram algumas crianças para que Ele as abençoasse. Os discípulos não concordaram, mas Jesus disse: “Deixai vir a mim os pequeninos, pois dos tais é o reino dos céus”, Mt 19:13 -15.

Será que podemos extrair alguma lição desse quadro quando as crianças estavam ao redor de Jesus? Claro que sim! O ambiente era o mais saudável possível, pois onde há criança o lugar é alegre e movimentado. Criança é sempre assim: alegre, feliz. Alguém disse que “o inferno é triste porque lá não há crianças”. Elas são o sorriso de Deus para nós.

É natural presenciar a alegria no rosto de uma criança, independente da circunstância em que ela se encontra. Não há tempo ruim, problema, crise ou dificuldade para ela. A criança não quer nem saber se amanhã vai chover ou fazer sol. Ela só pensa em brincar, divertir e aproveitar a vida. Para ela, tudo é festa, é só alegria.

Jesus fala que devemos nos tornar como crianças. É evidente que não seria levar a vida na base de brincadeira, sem pensar em nada, à semelhança de uma criança. Devemos aplicar isso ao nosso relacionamento, e estabelecer um padrão de vida pautado na honestidade, sinceridade, fidelidade e responsabilidade.

No entanto, podemos ser como as crianças, que independem das circunstâncias para viverem alegres. A alegria é um verdadeiro bálsamo para a vida. Uma pessoa triste não tem ânimo pra realizar suas atividades. Ela pode até perder o sentido de viver. A alegria vinda de Deus é força, Ne 8: 10.

Que Deus nos ajude a sermos verdadeiramente como crianças, não num comportamento de infantilidade, mas readquirindo seus traços característicos, que fomos perdendo ao longo dos anos. Eles nos ensinam e nos capacitam a sermos verdadeiros cidadãos dos céus.

Pureza

Criança exala pureza. Ela não tem maldade naquilo que faz ou recebe. O grau e pureza existente na vida de uma criança é algo incalculável. Tornar-se como ela é tornar-se puro, é adquirir o senso de pureza que nela existe. É receber aquela capacidade que expressa uma vida limpa. É exatamente isto que Jesus quer nos ensinar.

Esta é uma das tônicas da Igreja que é candidata ao céu. Em sua oração sacerdotal, Jesus orou pedindo para que ela fosse pura e unida, Jo 17. Pureza e unidade caminham juntas, são coirmãs. A igreja que vive dentro do padrão de santidade, logicamente tem que ser uma igreja unida. Não se separa santidade de unidade ou vice-versa. Jesus disse que o mundo haveria de crer Nele, quando a sua igreja fosse pura e unida, Jo 17: 23.

A igreja precisar tornar-se como uma criança para entrar no reino dos céus, despojando-se de toda imundície, pois o céu é lugar de pessoas puras. Os impuros não herdarão o reino de Deus, 1Co 6: 9 e Hb 4: 12. Deus sempre desejou que o seu povo fosse separado e diferente. Foi para isto que Ele chamou Abraão e escolheu Israel. Mesmo depois de entrar na terra prometida, Deus exigiu pureza dessa nação, Lv 20: 7

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Fonte: Jornal Aleluia 202, de outubro de 1996

As vestes de Jesus – Outubro/1995

Os soldados rasgaram as vestes de Jesus.
Essas nada simbolizavam porque glória, majestade,
divindade e poder são as vestes espirituais
de Jesus.

“E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes,
lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito
pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes,
e sobre a minha túnica lançaram sortes”

Mateus 27: 35

Nossas vestes falam de distinção social,
autoridade, costumes, pudor, respeito, etc.
Biblicamente, elas simbolizam proteção.
Gn 3: 10.

O texto de Mateus fala sobre “as vestes de Jesus”. Parece ser um tema polêmico e de difícil interpretação. No entanto, observe com atenção que, no momento em que Jesus morria pela humanidade na cruz do Calvário, os soldados tiraram as vestes dele e as repartiram entre si.

Fazendo uma aplicação, veremos que não tem sido diferente nos dias de hoje, pois estão tirando e repartindo as vestes de Jesus, ou seja, estão distorcendo as doutrinas cristológicas, ferindo os princípios bíblicos, distanciando muitos da fé cristã ou deixando-os no caminho da dúvida.

Vejamos com que vestes espirituais o Senhor Jesus está protegido e como isso pode ajudar-nos a compreender que Ele é Deus, a segunda pessoa da Trindade. Isto nos convida a uma profunda, consciente e atual reflexão.

A veste de glória e majestade

No Antigo Testamento, Deus manifesta sua presença no meio de seu povo através de sua glória. Moisés rogou a Deus que lhe mostrasse sua glória, Êx 33: 18. O profeta Ezequiel presenciou a glória do Senhor saindo do templo, cap. 10, e, mais tarde, presenciou a glória voltando ao tempo, cap. 34. Era a presença de Deus retornando à sua habitação.

No Novo Testamento, Deus manifesta sua presença ao homem na pessoa de Jesus. Ele é a glória de Deus que veio habitar em nosso meio, Jo 1: 14.

Para que a glória de Deus fosse revelada ao homem foi necessário que Jesus morresse, depois de sepultado, descesse às partes mais baixas da terra e ressuscitasse ao terceiro dia com corpo glorificado, subindo acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas, Ef 4: 8 a 10.

Ele é o rei dos reis e Senhor dos senhores que está vestido de glória e majestade. O salmista reconhece isto quando pergunta: “Quem é o rei da glória? O Senhor dos exércitos, Ele é o Rei da glória”, Sl 24: 10. “Glória e majestade estão diante d’Ele”, 1Cr. 16: 27. O texto de Apocalipse 5: 13 enaltece Jesus dizendo: “Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro [Jesus] seja o louvor, e a honra e a glória, e o poder para todo o sempre”.

A glória de Jesus expressa sua majestade que é grandeza própria dos reis. “Grande é o Senhor [Jesus] e mui digno de louvor”, Sl 48: 1.

Pela sua majestade Ele nos oferece uma grande salvação: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?”, Hb 2: 3. Por que grande? Porque o Deus que a providenciou é grande: “Que Deus é tão grande como o nosso Deus?”, reconhece o salmista; e como é grande o nosso pecado! Rm 3: 23.

Jesus veio como profeta, vive nos céus como sacerdote, e voltará em glória e majestade como Rei dos reis e Senhor dos senhores para implantar o seu reinado na terra, Ap. 17: 14.

A veste da divindade

Os profetas do Antigo Testamento falaram de Jesus como o Messias prometido, o Emanuel, o Deus Forte, Pai da Eternidade e o Príncipe da Paz. Isaías profetizou o seu nascimento, 9: 6. A Bíblia nos ensina que Jesus era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Possuía duas naturezas: humana e divina.

Como homem, teve sua ascendência da linhagem de Davi, Mt. 1:1 e Rm 1:3, sendo concebido por uma virgem por obra do Espírito Santo, Mt. 1:18 a 20. Recebeu nomes humanos, Mc 6: 3, Lc. 19: 10. Era limitado, não podia estar em Jericó e Nazaré ao mesmo tempo. Ele caminhou, sentiu fome, sede e cansaço, Jo 4: 6 e 7.

Como Deus, era ilimitado, estava em todos os lugares ao mesmo instante. Conhecia os pensamentos e intenções do coração dos homens, Lc 5: 22; exerceu autoridade sobre a natureza, Mt 8: 26, e recebeu nomes divinos, Mt. 16: 16 e Ap 1: 17.

Divindade é a veste que nos leva a crer e aceitá-lo como Deus. Nada pode ofuscar essa verdade. Ele é o Deus Filho, segunda pessoa da Trindade.

Na matemática, a soma de um mais um são dois e, mais um, são três; na multiplicação: uma vez uma é um, vezes um novamente é um. Na matemática divina, a Trindade é assim: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três e os três são um.

Há aqueles que reconhecem Jesus como Filho de Deus, mas não como Deus. Dizem que Ele foi um simples homem à semelhança de João Batista, Elias, ou um dos profetas. Não reconhecê-lo como Deus seria proceder da mesma forma como os soldados fizeram quando Ele estava na cruz do calvário, despindo-o e repartindo suas vestes.

Ele, sendo Deus, conhece todas as necessidades do homem, até mesmo antes de pedir-lhe alguma coisa, Porque Ele é Deus, Nele podemos confiar sem nenhuma sombra de dúvida, Ef 3: 20.

A veste de poder

O homem sempre esteve prestando cultos a vários deuses, esquecendo-se de seu verdadeiro Criador. Infelizmente cultuam a deuses criados pela sua fantasia e estes, despidos de poder, nada podem fazer pela humanidade.

Jesus é Deus. Muitos pensam que Jesus, o Deus Filho, operou apenas no passado, e não mais realiza milagres no presente. A Bíblia, entretanto, diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente, Hb 13: 8. Está presente conosco todos os dias, Mt. 28: 20.

Poder é sua veste especial para curar os enfermos, libertar os oprimidos e quebrar os grilhões de Satanás. Ele está protegido com essa veste: ”É-me dado todo o poder no céu e na terra”, Mt. 28: 18. À sua igreja é concedido o direito de usá-la: “Eu vos dei poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum”, Lc 10: 19.

Em Marcos 5: 25 a 34, lemos a história de uma mulher que estava enferma há doze anos e que havia utilizado todos os recursos da época para ser curada. Nada adiantava; pelo contrário, o seu estado era cada vez pior, v. 26. chegou ao seu conhecimento que Jesus passava pela sua cidade. Imediatamente procurou ver Jesus. Dizia ela: “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei”, v. 28. Ela fez o que disse; tocou na veste de Jesus e o milagre aconteceu: de Jesus saiu poder e a hemorragia estancou-se instantaneamente, v. 29.

Na verdade a mulher tocou na veste física de Jesus, v. 31. No sentido espiritual, pela fé, v. 34, tocou na veste de poder de Jesus. Ele é poderoso para curar, basta tocar-lhe na sua veste de poder para receber a bênção almejada.

Por isso, devemos procurar a proteção nas vestes do poder de Jesus para realizarmos sua obra e libertarmos os oprimidos e cativos pelo diabo.

Conclusão

Precisamos saber em quem estamos crendo. Este foi o grito de convicção do apóstolo Paulo quando disse: “… Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”, 2Tm 2: 12. Conhecê-lo através de experiências pessoais é uma necessidade para uma fé inabalável, Salmo 125: 1.

Podemos adquirir esse conhecimento através da leitura e meditação da Palavra, mantendo uma vida de oração e consagração, sendo aluno da Escola Bíblica Dominical e nos empenhando em ganhar almas para o Reino de Deus, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia, outubro de 1995

A Pedagogia dos sonhos – Dezembro/2007

Sonho é uma sequência de fenômenos
psíquicos constituídos de imagens,
representações, atos, ideias, etc., que,
involuntariamente, ocorrem durante o sono.

Outro sentido da palavra se refere
a um desejo veemente ou aspiração,
que pode ser traduzido por visão de futuro.

Neste aspecto, como ensinam
os palestrantes e pregadores, sonhar é pensar positivamente, é projetar o futuro,
é alçar voo na direção de objetivos
preestabelecidos.

Gênesis 37

José é símbolo de sonho. Ainda em casa de seus pais, já apresentava os traços de uma personalidade firme, tolerante e amorosa. Entretanto, algo o destacava: era tido por seus irmãos como “o sonhador”, por causa de suas visões de futuro que lhe eram reveladas: “Lá vem o sonhador”, v. 19. Isso despertava em alguns deles grande rejeição e até ódio, v. 5. Mal sabiam, porém, que o que sonhava recebera de Deus. E o Senhor iria concretizar esses sonhos na sua história, tornando sua vida sublime em todos os aspectos, a ponto de ser um meio para preservação da própria família.

A admiração de seu pai, v. 3, sua projeção no Egito como pessoa temente a Deus e como homem público de grande sucesso devem-se a diversos fatores relacionados aos sonhos recebidos de Deus, Gn 41: 40. Somos admiradores de José. Ninguém imagina o seu triunfo como resultado de um caminho ardiloso ou de manobras político-religiosas.

No entanto, para que chegasse ao pódio de uma vida abençoada e aprovada por Deus, foi necessário trilhar um caminho espinhoso, árduo e muito longo, cap. 45. Seu triunfo não aconteceu por mágica e tampouco pelo virar da varinha de condão. Tudo ocorreu segundo a vontade de Deus. José é fruto de uma vida dirigida por Deus. Assim, destacaremos três pontos importantes quanto aos seus sonhos, objetivando uma reflexão contextualizada.

Propósito definido

Viver os sonhos divinos para quê? Com quais propósitos? É interessante estudar a Bíblia com vista aos propósitos de Deus. E isto está bem claro na vida de José. Sua ascensão ao cargo de Primeiro Ministro no Egito não aconteceu apenas para que seu ego fosse massageado. O propósito final de Deus era abençoar uma família, uma nação e, consequentemente, toda a humanidade, 45: 7.

Deus tem um propósito em tudo. Até mesmo as provações que um cristão enfrenta estão vinculadas ao beneplácito de Deus: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados pelo seu decreto”, Rm 12: 2. A Bíblia diz que Deus criou o homem para louvor de sua glória. Portanto, tudo que aconteceu na vida de José era do consentimento de Deus.

Por isso, se os nossos sonhos, isto é, nossos desejos, ambições, alvos, etc. não têm como propósito glorificar a Deus, acrescer o reino dos céus, contribuir com o fraco ou necessitado, eles não passarão de pesadelos ou desejos efêmeros. Deus quer nos conceder grandes dádivas e nos fazer prósperos em todos os sentidos, mas desde que tenhamos um fim positivo proposto: “muitos são os planos do coração do homem, mas é o propósito do senhor que permanecerá”, Pv 19: 21.

Preço a ser pago

Será que, se José soubesse que passaria por tudo quanto passou, ainda assim desejaria ser fruto dos planos de Deus? Penso que sim, pois ele nos deixa evidências a este respeito ao rejeitar, veementemente, propostas, aparentemente, favoráveis e boas, Gn 39: 9. Entretanto, o sofrimento, a calúnia, a inveja, o ciúme, o desprezo, a prisão não puderam ser impedimentos para que os propósitos de Deus fossem cumpridos.

Os capítulos 37 a 48 deixam evidente que sua trajetória foi desafiadora e dolorida. O sucesso de sua vida como cidadão e pessoa comprometida com Deus custaram-lhe muitas lágrimas, inveja, solidão, assédio, perseguição, prisão, humilhação, renúncia, perseverança e muitos outros males. O preço pago pelos sonhos proféticos foi tão alto que os estudiosos o têm como personagem-tipo de Jesus.

Muitos pregadores usam passagens, como a de José (Gn 37), para motivar seus ouvintes a sonhar. Há até mesmo aqueles que afirmam: quem não sonha não vence na vida. Sonhe alto! Não seja mesquinho! E por aí se vão as mais ufanistas ex-pressões quanto aos sonhos. Mas, o que, na verdade, os pregadores deveriam ensinar é que há um preço para quem quer sonhar. Precisam dizer que o sonhador poderá ganhar muitos inimigos e que os altivos e invejosos procurarão a sua alma.

Então, esse negócio de dizer que o crente tem de sonhar, mas não orientá-lo sobre as implicações desse fenômeno cristão-espiritual é um perigo muito grande. José sonhou, no entanto, por suas atitudes percebe-se que estava consciente das adversidades que lhe sobrevinham de todos os lados.

Tempo a ser cumprido

Diz a Bíblia que “tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”, Ec 3: 1. Os irmãos de José debochavam dele quando ouviam contar seus sonhos. Mal sabiam que Deus tinha um tempo determinado para fazê-los cumprir, 42: 7. O tempo (kairós) de Deus não está preso ao nosso tempo (cronômetro). Deus tem o controle de tudo, pois é poderoso para fazer tudo, muito mais abundantemente e além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, Ef 3: 20.

Os fatos foram acontecendo na vida de José. Ele estava com 17 anos quando teve os primeiros sonhos. Era ainda um adolescente. Um moço sem experiência de vida, mas consciente dos planos de Deus. Nem mesmo o seu pai ousou questionar os mistérios divinos na vida de seu filho, v. 11. Quando foi tirado da prisão para interpretar os sonhos do faraó, ele estava com 30 anos, Gn 41: 46. Depois que Deus cumpriu todos os projetos em sua vida, José veio a falecer aos 110 anos, 50: 26.

Interessante que tudo foi acontecendo dentro do momento (kairós) de Deus. Nem antes e nem depois. Ele faz tudo na hora certa, ou seja, de repente o Espírito Santo é derramado, At 2; as portas se abrem, Ap 3: 7; o enfermo é curado, a bravura do mar é acalmada, o incrédulo é salvo. Nada pode impedir que os ponteiros do relógio de Deus marquem a hora de sua ação. Ele não está condicionado ao nosso tempo, mas somos nós que estamos condicionados a Deus. Descanse e aguarde o tempo determinado do cumprimento das promessas divinas em sua vida.

Os sonhos vêm durante o sono (durante a vida). Ao acordar, a pessoa ainda está com aquelas impressionantes imagens na mente. Então, vamos fazer uma dinâmica. Experimente virar a palavra “acordar” de trás para frente: ficaria DAR-COR-A. Percebeu o que aconteceu com essa inversão? “Dar-cor-a” significa que a vida tem a cor com que a pintamos. De que cor você está colorindo sua vida?

Finalizando, há pessoas que acordam todos os dias, o que é normal, mas parece que passam o dia ou a vida inteira dormindo. Sonhar é acordar para a vida e procurar dar cor aos projetos e realizações de Deus em nossa vida. Acredite em algo melhor que Deus tem para você. Mas não se esqueça de que os sonhos que Deus nos dá têm um propósito definido, um preço a ser pago e um tempo determinado a ser cumprido. Há um caminho longo a ser percorrido. Porém, não desista! Aprenda, diariamente, com José.

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Fonte: Jornal Aleluia, dezembro de 2007

A Pedagogia da perseverança – Abril/2008

“Os vencedores das batalhas
da vida são homens perseverantes que,
sem se julgarem gênios, convenceram-se
de que só pela perseverança
no esforço podem chegar
ao almejado fim”.
Emerson
(1803/1882)

Perseverança, paciência ou persistência são ingredientes indispensáveis em qualquer tipo de empreendimento. Quem desiste não faz história, mas quem persevera escreve a história.

A propósito disso, conta-se “a história relatada pelos chineses, de que um de seus filósofos, durante os seus anos escolares, lançou os seus livros ao chão, certo de que nunca poderia assenhorear-se deles. Certo dia, andando pela rua, encontrou uma senhora que estava esfregando uma barra de ferro sobre uma pedra. Por que está fazendo isto? Perguntou o estudante. Porque desejo obter uma agulha e assim estou afinando esta barra até que fique em condições para coser. A lição da paciência e perseverança não foi desprezada pelo jovem que tomou novamente seus livros, dedicando-se a eles, tornou-se um dos maiores mestres chineses”.

A parábola contada por Jesus, em Lucas 18: 1-8, sobre o dever de orar sempre sem jamais esmorecer ensina-nos que há situações da vida que podem parecer tão pesadas ou longas como a tarefa de tornar uma barra de ferro em uma agulha. Segundo o texto, havia, numa certa cidade, uma viúva, que enfrentava um problema e que, por muitas vezes, procurou certo juiz para julgar sua causa.

A princípio o juiz nada fez por essa mulher, mas, devido a sua insistência ou perseverança, o juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava os homens, decidiu pelo deferimento de sua situação: “Como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça…”, v. 5.

O que está em evidência neste texto, entre muitas mensagens e lições, é o espírito de perseverança que impulsionou a mulher a buscar a solução para a sua vida. Assim como ela perseverou e venceu o obstáculo, Deus nos chama a uma vida de perseverança e vitória em nosso dia-a-dia. Elas ocorrem em algumas áreas vitais.

Perseverança na oração

A necessidade de estar em constante oração está vinculada ou presa à persistência. Quer dizer, não se concebe a oração sem a perseverança. Jesus disse: “… orar sempre e nunca desanimar”, v. 1.

A Bíblia dá grande ênfase à oração, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. A oração move o braço de Deus a favor de quem busca o Senhor em constante oração: “… orai sem cessar”, 1Ts 5: 17. O mandamento bíblico é alimentar a oração com perseverança: “… perseverai na oração”, Rm 12: 12.

Esta foi a experiência de vida do salmista: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”, Sl 40: 1. Ana perseverou em oração e o Senhor concedeu-lhe um filho, 1 Sm 1: 12 e 27. Em certos momentos da vida parece que Deus se esqueceu de nós, os céus são de bronze, etc., mas, ainda assim, prevalece a teologia de Jesus: orar sempre e jamais abrir mão de nossos sonhos ou projetos.

Perseverança no sofrimento

A viúva desejava que o juiz não somente pusesse fim a seu interminável sofrimento, mas que, também, a libertasse das mãos de seu adversário: “Faze-me justiça contra o meu adversário”, v. 3. Esta parábola tem recebido diversas interpretações alegóricas, como, por exemplo, a que diz que a mulher é a igreja, o adversário é Satanás.

Não vamos entrar nesse mérito, embora seja verdade que na vida todos temos um adversário, isto é, um problema, um desafio, um imprevisto, etc., Então, neste caso, o inimigo pode ser representado por qualquer situação adversa da vida.

A viúva não se intimidou com o sofrimento. Ficou firme até o fim, Ap 2: 10. É na luta que o cristão precisa manter-se inabalável e glorificar a Deus: “Mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, e a perseverança experiência, e a experiência, esperança. E a esperança não traz confusão”, Rm 5: 2-5.

Todos sabemos que não existe vitória sem lutas ou sofrimento. E a perseverança precisa fazer parte do estilo de vida de qualquer pessoa que quer vencer na vida: “… sede pacientes na tribulação…”, Rm 12: 12. Tiago trata da paciência no sofrimento: “Meus irmãos, tomai como exemplo de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que Deus lhe deu?”, Tg 5: 10-11.

Perseverança na justiça de Deus

O leitor é capaz de perceber como que Jesus convergiu todo foco de seu discurso a um dos atributos de seu Pai? “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?”, v. 7.

Se o injusto juiz atendeu a pobre viúva, quanto mais Deus, cuja base de seu trono é retidão e justiça, Sl 89: 14. Somente Deus é capaz de fazer justiça com retidão e perfeição, porque Ele não pode ser subornado ou aliciado. Ele não faz acepção de pessoas, At 10: 34.

Com Deus não tem nada de mensalão ou mensalinho, máfia das sanguessugas e/ou das ambulâncias. Com Deus é ou não é, vai ou não vai. Para Ele o importante não é o ter, mas o ser: Deus é a favor do necessitado – “Ele faz justiça e julga a todos os oprimidos”, Sl 103: 6.

O homem falha, mas Deus permanece fiel em suas promessas, porque não pode negar-se a si mesmo, 2Tm 2: 13. Ele é o Jeová Raah, que significa nosso pastor Jo 10: 11; Jeová Jireh, nosso provedor, Gn 22: 8; Jeová Raphá, nossa cura, Êx 15: 26; Jeová Shalom, nossa paz, Jz 6: 24; o Jeová Shamá, nossa presença, Ez 11: 22; Jeová Nissi, nossa vitória, Êx 17: 15; e o Jeová Tsidkenu, nossa justiça, Jr 23: 6.

Esses nomes revelam a santidade, a majestade e o poder de Deus. Por isso, você pode descansar na justiça de Deus, porque mais cedo ou mais tarde, Ele virá ao encontro daquele que persevera, pois Deus não é injusto para ficar esquecido de seu trabalho, Hb 6: 10.

A viúva da história relatada por Jesus não desistiu de seu objetivo, mas perseverou e persuadiu o juiz iníquo a julgar o seu adversário. Cumpriu-se o que diz Provérbios 25: 15: “Pela paciência se persuade um príncipe…”. Por isso, construiu uma história de vida.

Para refletir e agir

Para concluir, reflita, com base nos ensinos desta palavra, a respeito da experiência de vida de um homem que: faliu no comércio aos 31 anos de idade; perdeu para deputado estadual aos 32 anos; faliu novamente no comércio aos 34 anos; aos 35 anos, sua esposa faleceu; teve colapso nervoso aos 36 anos; perdeu para prefeito aos 38 anos; perdeu para deputado federal aos 43 anos; perdeu para deputado estadual aos 46 anos; perdeu novamente para deputado federal aos 48 anos; perdeu para senador aos 55 anos; perdeu para vice-presidente aos 56 anos; perdeu novamente para senador aos 58 anos; mas foi eleito presidente dos Estados Unidos da América aos 60 anos.

Esse homem foi ABRAHAM LINCOLN, um dos heróis dos EUA, homenageado nas notas de 5 dólares por suas virtudes.

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Fonte: Jornal Aleluia, abril de 2008

A Pedagogia da motivação bíblica – Outubro/2003

Há momentos na vida cristã ou no ministério,
no trabalho ou nos estudos, na família
ou nos projetos particulares,
em que somos bombardeados
por uma vontade incrível de desistir de tudo.
De sumir, de morrer.

Em meio às aflições e desencorajamento,
precisamos conhecer um pouco
sobre o que vem a ser a motivação
e seus componentes.

Motivação são todos os elementos psicológicos que levam alguém a fazer alguma coisa. Motivação (motivo em ação), segundo o dicionário Aurélio, é o conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta ou o procedimento moral (bom ou mau) de um indivíduo. Geralmente esses motivos são definidos como necessidades, desejos ou impulsos, oriundos do indivíduo, que dirigem ou mantêm o comportamento voltado para o objetivo.

Para Abrahan Maslow, os motivos pelos quais agimos estão organizados em uma hierarquia de necessidades que vão desde os inferiores até os superiores. Essa hierarquia é composta das seguintes necessidades: fisiológicas (fome, sede, sono e repouso), de segurança (estabilidade, ordem), de amor (família, amizade e outras) de estima (auto-respeito, aprovação), de auto-realização (desenvolvimento de capacidade).

De acordo com Falcão, em Psicologia da Aprendizagem, a motivação pode ser intrínseca e extrínseca. Na primeira, o interesse reside na atividade em si (desempenho estimulado pelo interesse na própria tarefa – processo interno). Na extrínseca, a atividade é encarada como meio para alcançar outro objetivo, através de fatores externos que provocam a motivação, como ponto-chave para se alcançar o sucesso.

Há momentos na vida cristã ou no ministério, no trabalho ou nos estudos, na família ou nos projetos particulares, em que somos bombardeados por uma vontade incrível de desistir de tudo. De sumir, de morrer. Em meio às aflições e desencorajamento, precisamos conhecer um pouco sobre o que vem a ser a motivação e seus componentes.

Antes, porém, de Maslow, de Falcão, de Freud e tantos outros psicólogos modernos, Jesus foi quem primeiro ensinou sobre esse assunto. Interessante, Ele nunca estudou psicologia, mas como psicólogo por excelência conhece, por completo, nossas emoções, sentimentos e intenções. Seu olhar clínico é capaz de desvendar os segredos do coração do homem, dando solução para todas as angústias e pavores de sua alma.

Certa feita, momentos antes de sua crucificação, Jesus dirigiu-se aos discípulos e disse-lhes com voz forte e segura: daqui a mais alguns dias estarei partindo, vocês ficarão sozinhos e terão muitos problemas. Lembrem-se: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo (motivação), porque eu venci o mundo”, João 16: 33.

Jesus os adverte, mas, ao mesmo tempo, procura entusiasmá-los com palavras de fé e coragem. Na verdade ele estava dizendo: vocês precisam estar cheios de motivo. Vejamos que riqueza de ensinos encontramos no sentido dos verbos contidos no discurso de Jesus.

Jesus previu nossas aflições

Isto pode ser visto em sua afirmação: “tereis aflições”. O mestre estava falando sobre fatos concretos que, após sua partida, haveriam de suceder. Nesse caso, previu a perseguição romana, a morte de Tiago à espada, At 12, a perseguição de Saulo de Tarso contra a igreja do Senhor, At 9, o exilo de João na Ilha de Patmos, Ap 1, e todas as lutas e dificuldades que a igreja haveria de enfrentar.

Então, quando Jesus disse aos seus discípulos e, consequentemente, àqueles que haveriam de crer em seu nome, João 17: 20, que no mundo eles enfrentariam perseguições, lutas, problemas, desafios, crises, doenças, etc., ele estava preparando seus seguidores para esses momentos difíceis e tentando dizer que o ministério ou a vida cristã não consistiria num mar de rosas, mas num ato de fé e coragem, de abnegação e amor ao Senhor em meio às aflições.

Portanto, como homens e mulheres não precisamos nos atemorizar com os problemas que nos afligem, mas estejamos conscientes de que tudo que enfrentamos hoje já estava predito pelo Mestre antes de sua crucificação.

Jesus ordenou a motivação

A expressão “Tende bom ânimo” (o verbo está no imperativo) exprime uma ordem, e não um conselho. Este ponto é fantástico. Vejo aqui a pedagogia da motivação pregada por Jesus, porque estar animado é estar motivado por algo.

O triunfo de Jesus no calvário só aconteceu porque os motivos intrínsecos e extrínsecos o impulsionaram a vencer o martírio da cruz. Sua maior motivação foi trabalhar e fazer com prazer a vontade de seu Pai: “Meu pai trabalha até agora, eu trabalho também”, Jo 5: 17.

Trabalhar com submissão e coragem era o forte de Jesus. E ele fazia isso movido pelos objetivos propostos por Deus: Deixou o esplendor de sua glória, simplesmente para fazer a vontade de Deus e viver entre nós.

Alguém disse que a melhor maneira de se motivar é motivar outrem. Parece que essa mensagem está claramente implícita no discurso de Jesus. Não era ele quem precisava de ânimo, de coragem, de fé e de determinação para morrer na cruz? Então, o que ele faz? Procura motivar seus discípulos, encorajá-los para os momentos ruins, a fim de que recebessem motivação.

Seria como se ele pegasse Pedro ou um dos seus apóstolos pelo braço, desse um solavanco e falasse assim: Olha! Eu estou indo embora, mas nada de derrota, nada de fracasso… Filho, tenha bom ânimo, esteja sempre motivado, porque eu venci o mal. Como é bom saber que Jesus quer que estejamos motivados a cada dia.

Não se desespere, não se estresse por qualquer razão, mas tenha sempre em mente que uma pessoa motivada não desiste facilmente, porque possui em suas mãos uma arma poderosa.

Jesus proclamou nossa vitória

Esse fato pode ser visto no último verbo que denota uma ação passada: “eu venci”. Quer dizer: vós vencestes comigo a guerra do calvário; vós ressuscitastes comigo ao terceiro dia; juntos descemos ao abismo e tomamos as chaves do inferno das mãos de Satanás. Vencemos para sempre!

Jesus está dizendo: a vitória é sua… Erga a cabeça e prossiga em frente. Não retroceda em momento algum. Eu, disse Jesus, já decretei o triunfo de minha igreja ao vencer a morte. Levante-se, desprenda-se e tome posse dos remos e navegue com fé e disposição.

O apóstolo Paulo ponderou os ensinos de Jesus a este respeito e confirmou a realidade da vitória proclamada por ele, antes mesmo de sua morte na cruz: “Bendito seja Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou (ação passada) com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo Jesus”, Ef 1: 3.

A bênção do triunfo sobre a nossa vida já está decretada por Jesus. Ele a promulgou publicamente com o sangue vertido no calvário. Por isso, somos mais que vencedores em Cristo Jesus, Rm 8: 37.

Para refletir e agir

Gostaria de encerrar com estas palavras: “Toda manhã, na África, uma gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido do que o mais rápido leão ou morrerá. Toda manhã, na África, um leão acorda. Ele sabe que precisa ultrapassar a velocidade da gazela mais lenta ou morrerá de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando o sol nascer, é melhor você estar correndo.”

Em outras palavras, é melhor você estar lutando, trabalhando, estudando, caminhando e prosseguindo em frente, a fim de que todos os seus sonhos sejam concretizados. Seja sempre uma pessoa motivada!

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Fonte: Jornal Aleluia, outubro de 2003

A graça de envelhecer

A vida é um dom de Deus. Pobre de quem não sabe aprender com a sabedoria de seus avós e das pessoas mais idosas. É neste contexto, de celebrar e recordar a vida dos que são sinais de graça, que trazemos em nossa memória e em nosso coração a vida dos 80 anos, que hoje celebramos, do nosso querido e admirado pai, Sr. Pedro Mendes Dutra.

Como é bom e agradável participarmos de mais uma etapa vencida […]. Nem todos envelhecem da mesma forma. Há até mesmo aqueles que nem gostam do termo velho, porque é uma palavra que traz sentido pejorativo. Todavia, não são todos que têm a graça de se tornarem velhos, porque velho é ser sobrevivente de uma batalha, em que o cuidado da vida e a sabedoria de Deus foram armas que fizeram possível celebrar, hoje, uma idade com saúde invejável por todos.

Quem não gostaria de chegar a esta etapa da vida, lúcido, tranqüilo, consciente e amável? ¨Quem envelhece perde o viço, mas não perde o lustro; perde o brilho, mas não perde o calor¨, assim é caracterizada a velhice. Precisamos aprender com a sabedoria e com a fragilidade dos idosos, principalmente daqueles que deram a vida pelo bem da vida de todos.

Envelhecer é uma graça que Deus reservou para aqueles que o amam e amam a vida. Quantas jovens não sabem se guardar e preservar para o futuro. Enveredaram pelos caminhos da morte e da destruição. Envelhecer é uma escolha e muitos escolheram morrer cedo. Não tiveram a esperança, por isso envelheceram e morreram jovens.

Obrigado, pai, pela esperança cultivada neste caminho de 80 anos de vida. A sua alegria é a nossa alegria. A beleza de sua vida não está no brilho de sua pele e nem de seus olhos, mas no testemunho e na fortaleza de luta e de fé que permearam em cada passo do passado e iluminam os passos do futuro.

Que as palavras de Calebe sejam reais em sua vida: ¨Agora pois o Senhor me conservou em vida […] Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou a Cades-Barneia […] Qual era a minha força então, tal ainda é agora, para a guerra, para sair e para entrar¨, Js 14.

Que Deus o abençoe sempre, dando-lhe saúde, paz e muita esperança. Ao eterno Deus, a nossa profunda gratidão por sua vida. Parabéns! De sua esposa, de seus filhos (as), genros e noras, netos (as) e bisnetos (as), irmãos em Cristo, parentes e amigos.

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Adaptado

Teologia do Evangelho – Maio/2011

Uma reflexão bíblico-teológica
sobre os pontos basilares
das boas-novas de salvação

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele
que nele crê; primeiro do judeu, e também do grego”.
Romanos 1: 16.

Na literatura clássica, a palavra evangelho designava a recompensa dada pela entrega de boas notícias. O evangelho não vem apenas em poder, mas é o próprio poder de Deus. Paulo o reputa como um tesouro sagrado, 1 Timóteo 1: 11 e 15. O termo evangelho provém do grego “evangelion”, que significa, literalmente, “boas-novas”, Marcos 1: 1, 15 e 16: 15.

Para fins práticos, evangelho é o poder de Deus revelado no seu filho, Jesus Cristo; é Deus fazendo missões culturais e transculturais, por meio de seu filho unigênito, João 3: 16; é o verbo que se fez carne e habitou entre nós, João 1. É próprio Jesus encarnado, que morreu e ressuscitou ao 3º dia para consumar a obra da salvação.

O evangelho é o mais fascinante projeto de vida que Deus tem para oferecer à humanidade perdida e condenada. Projeto que reconstrói lares, restaura vidas arruinadas, reintegra o homem à sociedade e o conduz à vida eterna. Ele tem transformado milhares e milhares de pessoas num acontecimento de vida, alegria e esperança, e tem gerado os homens mais humanos da história, dos quais o mundo não era digno.

Por amor e fidelidade ao evangelho de Cristo, homens foram apedrejados, torturados, serrados, desamparados, afligidos, maltratados, tentados, injuriados, mortos a fio da espada, Hebreus 11: 37 e 38. Sem o Evangelho não existiriam os ex-viciados, ex-drogados ex-bandidos, ex-ladrões, ex-alcoólatras, ex-prostitutas, ex-homossexuais, ex-feiticeiros, ex-assassinos, ex-mentirosos, ex-corruptos, ex-condenados, etc.

Somos gratos a Deus pelo evangelho, que tem transformado o mais terrível pecador numa nova criatura em Cristo Jesus, 2 Co 5: 17. Portanto, Evangelho não é invenção humana nem tampouco um conto de fada, mas uma verdade irrefutável, que não pode ser negada e que tem atravessado séculos e mais séculos e chegado até nós.

O apóstolo Paulo, em seu tratado teológico, conforme Romanos 1: 16, trabalha, de maneira bem didática, a riqueza teológica a respeito das verdades incontestáveis sobre o poderoso Evangelho. Nesse tratado, ele pré-estabelece alguns pontos que se tornaram básicos e relevantes para a fé cristã. Senão, vejamos:

Sua origem: Deus

“… é o poder de Deus…”. É importante destacar que o evangelho tem sua origem em Deus, ou seja, ele nasceu no coração de Deus e é tão antigo, se assim podemos dizer, quanto o pecado, Gn 3: 15. Paulo já inicia a carta aos Romanos, capítulo 1.1, afirmando que foi separado para o evangelho de Deus: “Paulo, servo de Jesus Cristo, separado para o evangelho de Deus”.

Evangelho não é algo inventado por algum erudito, nem algo descoberto por algum professor de Teologia. É fato bendito da revelação de Deus. Por isso, a igreja é obra genuína do Evangelho de Deus. Ela, como corpo de Cristo e não como instituição eclesiástica, mas de pessoas lavadas e redimidas pelo sangue de Jesus, só existe por causa do evangelho.

Portanto, ele não é presbiteriano, assembleiano, batista, metodista, pentecostal nem tampouco histórico. As boas-novas de salvação são obra exclusiva de Deus. Sua marca e patente estão registradas nos céus. Não pertencem a nenhuma empresa ou igreja privada. Pelo contrário, à igreja Deus confiou a tarefa de levar o evangelho a toda à criatura, mas não o direito de se apoderar dele, a ponto de querer gerenciá-lo.

Sua força: o poder

“… é o poder…”. Jesus disse: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo…”, Atos 1: 8. A palavra poder é, no original, “dynamis”. Dela se derivam três outras na Língua Portuguesa: a) Dinamite, que é um explosivo. O crente cheio do poder do Espírito destrói todas as fortalezas do diabo. B) Dínamo, gerador de energia. O crente cheio do poder do Espírito Santo é um gerador de energia espiritual.

Jesus disse certa feita: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de águas vivas”, João 7: 38. c) Dinâmico, que se traduz por movimento, capacidade, eficácia. Em outras palavras, o crente cheio do poder do Espírito Santo é ativo, disposto e enfrenta qualquer desafio no trabalho do Senhor. A Bíblia recomenda que sejamos cheios do Espírito: “… mas enchei-vos do Espírito Santo”, Efésios 5: 18.

Sabem por que as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja? Porque ela é movida pelo poder do Espírito Santo, Mateus 16: 18, Atos 1: 8. Nos tempos primitivos o império romano tentou impedir a progresso da igreja, mas não conseguiu. Na idade média ou idade das trevas (séculos V a XV) houve grandes investidas contra a igreja, mas nada pôde detê-la. Ainda hoje, muitas são as investidas de Satanás, mas ela é mais do que vencedora, Romanos 8: 37.

Sua prioridade: a salvação

“… para salvação…”. É importante relembrar que o evangelho nasceu no coração de Deus, e nasceu com um propósito definido por seu criador: trazer salvação ao homem perdido: “Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”, Lucas 19: 10. Não há dúvidas de que a prioridade é a salvação da humanidade. Tudo que fugir desse contexto não é bíblico, mas humano.

Portanto, cremos no Jesus (evangelho) que cura, soluciona problemas, derrama bênçãos sobre o seu, dá prosperidade espiritual e material, abre portas e faz tudo o que for necessário para os que nele confiam. Tudo isso é bom e bíblico, mas não se constitui na essência do objetivo primeiro do evangelho, que é proporcionar ao pecador a vida eterna. Por isso, a igreja não pode perder o sentido dessa verdade.

Os pregadores da atualidade precisam expor a mensagem do arrependimento e da fé, elementos essenciais no processo da conversão. O arrependimento para remissão de pecados foi a contundente mensagem pregada por João Batista no deserto, por Jesus, por ocasião de seu ministério na terra, pelos os discípulos e pelo apóstolo Paulo: “Arrependei-vos e crede no evangelho”. Há de se considerar que o discurso teológico (evangelho) precisa ser contextualizado, mas não pode perder sua essência e beleza bíblica e ungida.

Sua extensão: o mundo

O texto diz: “… de todo aquele…”. Isso nos leva a pensar na universalidade ou expansão das boas novas de salvação, ou seja, o evangelho não nasceu apenas para os judeus, mas para todo aquele que crer em Jesus, primeiro do judeu e também do grego, João 1: 11. Na Grande Comissão, Jesus disse: “Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações…”, Mateus 28: 19. Ele ainda ordenou: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, Mateus 24: 14.

Vale ressaltar que o termo nações neste texto não se refere, necessariamente, às nações politicamente organizadas, mas às etnias ou povos. Uma etnia, por exemplo, é um grupo (povo) que se distingue de outro grupo humano por sua língua e cultura distintas, isto é, costumes, crenças, valores. No Brasil, por exemplo, existem, além dos indígenas, muitas etnias formadas por imigrantes. Os povos da janela 10×40 são etnias que precisam ser alcançadas. Pregar o evangelho a todas as etnias é a missão que Deus incumbiu à igreja na face da terra.

Por isso, não há limites para se pregar o evangelho. Efésios 3: 18 fala das dimensões ou do alcance do evangelho (amor) de Deus: largura: todas as nações e classes de pessoas; extensão: todos os tempos; altura: sua divindade e onipotência; profundidade: a ação poderosa do evangelho, que desce ao abismo do pecado e tira de lá o mais vil pecador. O apóstolo João contemplou em sua visão uma grande multidão (etnias) que fora alcançada pelo evangelho de Deus: “… vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam diante do torno, e do cordeiro…”, Apocalipse 7: 9.

Sua condição: a fé

Aqui está o ponto final do tratado teológico do apóstolo Paulo: “… aquele que crê…”. Observe bem o leitor que a única coisa que o pecador precisa fazer para receber o evangelho da salvação é ter fé em Jesus. No verso 17, o apóstolo autentica sua teologia ao afirmar: “Por que nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé. Como está escrito: mas o justo viverá da fé”. Crer é a porta de recepção ao evangelho. Para receber as boas novas da salvação e mudar de vida não é preciso ter dinheiro, status, posição, fazer boas obras, etc.

Mas é preciso tão-somente crer que Jesus é capaz de transformar a humanidade perdida. O interessante é que ele tem, de fato, alcançado todos os tipos de pessoas e todas elas praticam o mesmo ato: apenas creem no evangelho transformador. Este ponto basilar da teologia paulina encontra forte amparo na carta escrita aos efésios: “Pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie.”, 2: 8.

Portanto, o evangelho é o poder de Deus, que salva por meio da fé: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”, Romanos 10: 9. Os pecadores se convertem ao Senhor Jesus unicamente por meio da fé, ouvindo a mensagem do evangelho: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra (evangelho) de Deus”. Não há outra forma ou mágica de salvação. Basta, simplesmente, crer em Jesus. Todas as demais coisas surgem como resultado deste ato.

Diante dessas considerações, gostaria de relembrar, segundo alguns escritores, algumas diferenças peculiares entre evangelho e religião:

“A religião é obra do homem; mas o evangelho é obra de Deus;

A religião é constituída de ponto de vista; o evangelho de boas notícias;

A religião traz bons conselhos; o evangelho, uma poderosa proclamação;

A religião é o que o homem faz por Deus; o evangelho é o que Deus faz pelo homem;

A religião é o homem em busca de Deus; o evangelho é Deus em busca do homem;

A religião é o homem subindo a escada da justiça própria; o evangelho é Deus descendo a escada da encarnação para se encontrar com o homem no 1º degrau;

A religião toma o homem e o deixa como está; o evangelho toma o homem como está e o deixa transformado;

A religião promove uma reforma exterior e hipócrita; o evangelho efetua uma mudança interior;

A religião passa uma caiação; o evangelho limpa, alveja e dá um novo coração;

A religião diz: alcance; o evangelho diz: obtenha;

A religião diz: tente; o evangelho diz: receba;

A religião diz: esforça-te; o evangelho afirma: confia no Senhor;

A religião diz: desenvolva-se a si mesmo; o evangelho diz: negue-se a si mesmo;

A religião diz: salve-se; o evangelho entregue-se a Jesus;

Existem muitas religiões, mas um só evangelho”. Por isso, Paulo está cheio de razão em dizer: “Não me envergonho do evangelho…, pois é o poder de Deus para salvação…”.

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Fonte: Sermão pregado aos alunos do Curso de Teologia do SPR de Cianorte e do CESUMAR,
Maringá, em 2009. Jornal Aleluia, maio de 2011

Independência ou Morte! O grito de liberdade ecoado na cruz do Calvário – setembro de 2016

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte! […]”

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. O caso mais conhecido é o de Tiradentes, executado pela Coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira. Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro recebeu uma carta da Corte de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal.

Há tempos os portugueses insistiam nessa ideia, pois pretendiam recolonizar o Brasil, e a presença de D. Pedro impedia esse ideal. D. Pedro, porém, respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”. Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra e obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino.

Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o “cumpra-se”, ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência. O príncipe fez uma rápida viagem a Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimentos, pois acreditavam que tudo isso poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembleia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole.

Essas notícias chegaram às mãos de D. Pedro quando estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”. Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil. Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. D. Pedro recorreu a empréstimo da Inglaterra para pagar a independência brasileira.
(Fonte: http://www.suapesquisa.com/independencia).

Surge então uma pergunta: quais as lições prático-pedagógicas extraídas desse marco histórico que completa 194 anos? Como cristãos, o que podemos aprender com esse dia cívico-político? Verdade é que todo acontecimento, de qualquer espécie, tem sempre uma lição de casa a nos transmitir, ainda mais quando se trata de fatos que podemos relacionar às verdades bíblicas.

LIÇÃO 1: O ato da independência do Brasil leva-nos a refletir sobre o momento da independência da humanidade proclamada por Cristo na cruz do Calvário, séculos antes de D. Pedro. Enquanto esse imperador proclamou a independência do Brasil com um grito e uma espada, junto ao rio Ipiranga, SP, rebelando-se contra a ordem vinda de Portugal, num ato legítimo de guerra, Jesus, transpassado por uma espada, bradou lá no Calvário: Independência ou morte. Ou seja, ele estava morrendo pela independência de toda a humanidade: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito, está tudo consumado” (Lc 23:46).

LIÇÃO 2: O ato de independência do Brasil por D. Pedro foi a favor da nação brasileira, ou seja, uma atitude local, militar e governamental, que não envolvia valores espirituais, como a alma do brasileiro. O ato de independência proclamado por Jesus envolveu toda a humanidade, todo aquele que nele crê, visando livrar os pecadores da condenação eterna. Neste aspecto, Jesus morreu pela humanidade, enquanto D. Pedro não morreu pelos brasileiros quando bradou às margens do rio Ipiranga: Independência ou morte!

LIÇÃO 3: O ato de independência e liberdade custou ao Brasil 2 milhões de libras esterlinas. D. Pedro precisou recorrer à Inglaterra e buscar empréstimos para pagar a Colônia Portuguesa. Com isso, o Brasil passou a ser um país independente, mas devedor. O preço pago por Jesus para dizer “independência ou morte” foi o seu próprio sangue, derramado na cruz (1Pe 1:19). Ele não precisou pegar empréstimo de ninguém, mas humilhou-se até a morte e morte de cruz (Fp 2:5-11). Estávamos em dívida com Deus, mas agora tudo está pago.

LIÇÃO 4: D. Pedro, apesar de ter sido uma autoridade política muito importante para os brasileiros, foi um homem falho e mortal. Está sepultado, aguardando, juntamente com todos os mortos, o juízo final. Nessa ocasião, uns ressuscitarão para a vida eterna e outros para a vergonha eterna (Dn 12:2 e Ap 21:11-15). Jesus, por sua vez, morreu e foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia (1Co 15:4). A morte, o inferno, Satanás e os demônios não puderam nem celebrar a morte de Jesus, porque no terceiro dia ele ressurgiu dentre os mortos (Mt 28:6).

LIÇÃO 5: O grito de independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marcou o fim do domínio português e a conquista da autonomia política brasileira. Segundo a história, muitos morreram por essa causa, em nome de uma liberdade terrena. A morte de Jesus, por sua vez, é o marco mais relevante de todos os tempos, pois Cristo conquistou na cruz a liberdade espiritual da humanidade, que caminhava a passos largos para o inferno, dando-lhe a oportunidade de se livrar da morte eterna. Jesus morreu a nossa morte por esse ideal.

LIÇÃO 6: O Brasil completa, no dia 7 de setembro de 2016, quase dois séculos de independência política. Historicamente, é uma data para não ser esquecida, jamais. No entanto, o país continua escravo de uma economia instável e insustentável, deixando os brasileiros aterrorizados. O governo de D. Pedro passou, como tantos outros. O governo de Jesus jamais passará, pois é eterno. Diz a Bíblia que os salvos irão governar com Cristo nesta terra, por ocasião do milênio e, depois, estarão para sempre com Jesus nos céus (Is 60:10-15, Zc 14: 9, 1Ts 4:16-17).

LIÇÃO 7: O dia 7 de setembro será sempre um momento cívico-espiritual para que as igrejas possam orar, jejuar e se consagrar com mais intensidade pelo Brasil, levantando nesse dia mãos santas e suplicando as misericórdias do Senhor (Sl 15, Lm 3:30, 1Tm 2:1-4). É um dia que nos desafia a sairmos às ruas (das regiões celestiais) e protestarmos, ajoelhados e humilhados perante o Senhor, em oração contrita, contra toda a corrupção, mentiras e falcatruas que têm dominado quase todos os setores da política brasileira (Ef 6:10-18.) Que Deus abençoe, proteja e salve o Brasil!

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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2016

Debaixo dos alpendres – Novembro/1991

Anunciar o que Cristo faz em nós e por nós
é um fator importante para nossa vida cristã.

Nossa conversão deve ser transmitida ao mundo,
pois somos a luz do mundo e o sal da terra
.
João 5: 1 a 15

Havia em Jerusalém um tanque chamado Betesda. “Betesda” em hebraico significa “casa da graça” ou “misericórdia”. De certo tempo descia um anjo do Senhor e agitava suas águas. O primeiro que entrasse no tanque após o movimentar das águas seria curado de qualquer enfermidade, Jo. 5: 4.

Junto ao tanque havia cinco alpendres (teto suspenso por colunas ou pilastras), sob os quais ficavam os enfermos, aguardando o movimento as águas. O texto de Jo 5: 1-5 relata a cura de um paralítico que ali estava havia muito tempo. Porém, não conseguia entrar no tanque porque sempre outro o fazia antes dele, Jesus veio e o curou.

Essa história retrata a nossa vida. À semelhança dos enfermos que permaneciam debaixo dos alpendres, aguardando a descida do anjo e o movimentar das águas, nós também devemos ficar sob alguns alpendres, aguardando a ação poderosa de Deus em nossas vidas. Vejamos:


O alpendre da esperança

Todos os enfermos que o texto relata ficavam na expectativa da cura que desejavam, (v. 3). No verso 7, o paralítico revela a esperança que trazia dentro de si, pois carregava consigo tal enfermidade ao longo de 38 anos, (v. 5). Mesmo não tendo ninguém que o ajudasse a descer ao tanque, por ocasião do movimento das águas, a esperança era a voz nítida que lhe dizia sempre: “um dia eu serei curado”. E isso aconteceu, (v.9).

Enquanto existe esperança há possibilidade de se alcançar o alvo. O Salmo 119: 116 diz: “… não permitas que a minha esperança me envergonhe”. Quantos já foram envergonhados porque perderam a esperança! Todas as lutas que enfrentamos em nosso dia a dia devem nos proporcionar esperança, Rm 5: 3 e 4. Sobre todas as coisas, devemos ter esperança de que Cristo vai voltar e buscar a sua igreja.


O alpendre da santificação

Não se sabia quando o anjo desceria para tocar as águas. Isto poderia ocorrer a qualquer momento, (v. 4). Os enfermos deveriam permanecer ali até que isso acontecesse. Por isso, viviam juntos aos alpendres, naturalmente, separados da sociedade e familiares. O enfermo que ficasse em sua casa não contemplaria o anjo descendo para tocar as águas e tampouco teria o privilégio de ser o “primeiro” da fila de espera. Estavam separados do convívio social maior.

Podemos aplicar isso a “santificação”, “dedicação” e “serviço”. Cada enfermo que deseja a cura dedica seu tempo à espera da melhora. Não podemos reivindicar as promessas de Deus sem que nos dediquemos à sua causa. Santificação é buscar, “em primeiro lugar” o reino de Deus e sua justiça para que as demais coisas nos sejam acrescentadas, Mt. 6: 33. A igreja deve permanecer debaixo do alpendre da santificação até que Cristo venha. Caso contrário ela não verá a Deus, B 12: 14.

O alpendre da oração

“Queres ficar são?” foi a pergunta de Jesus ao paralítico. Ele respondeu: “senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque; mas, enquanto vou, desce outro antes de mim”, (v.7). Aqui está um lindo modelo de sincera e profunda oração. Orar é conversar com Deus e mostrar a Ele a nossa necessidade. Isso fez o paralítico: “não tenho ninguém que me ajude”. A seguir, ele recebe a cura dada por Jesus, (v.9)

Ninguém pode negar a “força” da oração feita por um justo, Tg 5: 16. A oração é como as asas de um avião: sem elas não se consegue voar. Viver debaixo do alpendre da oração não tem sido uma missão muito fácil, mas, no entanto, é uma necessidade da Igreja de Jesus. Sem oração a igreja se torna dormente, fria e desfalecida. Mas quando há oração, existe força, avivamento, desprendimento e liberdade para fazer a vontade de Deus.


O alpendre da fé

A fé foi um dos elementos principais na ministração da cura do paralítico. Ele creu na palavra de Jesus: “levanta-te, toma a tua cama, e anda”. Imediatamente ele ficou são, (v.9). A fé é essencial na vida cristã: “Sem fé é impossível agradar a Deus”, Hb 11:6. Ela possui importância fundamental na solução dos problemas da vida.

A vida cristã exige que a fé se desenvolva constantemente, pois os desafios que enfrentamos são também constantes. Quando Cristo vier, Ele quer nos encontrar cheios de fé, Lc 18: 8. Não apenas cheios de fé para sermos curados ou termos nossos problemas resolvidos, mas cheios de fé para vencer o mundo, I Jo 5: 4. O alpendre protege a entrada da casa e dá segurança às pessoas. Assim também é a fé. Ela nos protege contra as astutas ciladas do diabo e nos dá toda segurança em Deus.
O alpendre do testemunho

Após ter recebido o milagre em sua vida, o verso 15 confirma que: “O paralítico foi e anunciou aos judeus que Jesus era o que curava”. Anunciar o que Cristo faz em que nós é um fator importante em nossa vida cristã. Nossa conversão deve ser transmitida ao mundo, pois somos a luz do mundo e o sal da terra, Mt 5: 13,14.

Testemunhar de Jesus é uma questão de convicção cristã. Hoje, muitos já não fazem mais isto. Fomos salvos para testemunhar: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santos, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém com em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”, (At. 1: 8).

Conclusão

Viver debaixo dos cinco alpendres é algo desafiante, principalmente nos dias em que vivemos. Não se ausente deles, permaneça protegido por eles até que o Espírito mova as barreiras e Jesus desça para arrebatar a sua Igreja.

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Fonte: Jornal Aleluia 149, novembro de 1991

Entrevista – Panorama da IPRB em 2002 Somos parte significativa da Igreja do Senhor Entrevistado: Pr. Advanir Alves Ferreira – Julho 2002

Entrevista concedida
pelo Pastor Advanir Alves Ferreira,
presidente da IPRB,
ao pastor Émerson Garcia Dutra, titular
da Secretaria Central da IPRB

PANORAMA DA IPRB EM 2002

A igreja evangélica vem se consolidando no Brasil de uma forma gradativa e constante. Informações do último Censo apontam que os evangélicos cresceram 70,7% nessa última década. Ficamos felizes porque a IPRB tem sua participação nesse crescimento, pois nesses últimos 10 anos seu número de membros multiplicou-se. Esse resultado evidencia a boa aceitação de sua linha doutrinária e de seu trabalho social.

O crescimento revela que sua membresia foi conquistada em razão de sua mensagem libertadora, pregada através de um evangelismo dinâmico. E revela ainda mais: que a Igreja Renovada tem estrutura suficiente para continuar crescendo, servindo ao povo brasileiro, às famílias em conflitos, aos desesperançados, levando-lhes a autêntica e bíblica mensagem de Jesus.

No 3º domingo de julho, a IPRB estará louvando e agradecendo ao Senhor pelos 27 anos de sua organização. São quase três décadas de um árduo e constante trabalho em busca dos pecadores para o reino de Deus. Nesse período, surgiram muitas barreiras que tentaram impedir a marcha da Igreja, mas nem por isso ela estagnou-se. Pelo contrário, a Renovada vem demonstrando, ao passar dos anos, que não é apenas mais uma igreja evangélica neste país, mas, na verdade, é uma Igreja que tem procurado dar uma contribuição positiva para a melhoria de vida material e espiritual de nosso povo, Mt 5: 13-14.

Aproveitando o momento desta festiva data, quando todas as IPRs estarão tributando ao Senhor louvor e adoração por mais um ano de vitórias, o leitor terá a oportunidade, através desta entrevista elaborada pela Secretaria Central (SC), de saber o que pensa o presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, e o que ele tem a dizer aos membros, às lideranças e aos pastores da Igreja.

SC: Como está sendo o relacionamento
da IPRB com as demais igrejas
evangélicas no Brasil?

Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus – O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado em nosso meio.

SC: O que poderia ser feito
para que as igrejas evangélicas
se tornassem mais unidas?

Presidente: É possível ser a Igreja de Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo conhecido, Jo 17: 21.

SC: Como o Senhor avaliou
o resultado do Censo
sobre o crescimento dos evangélicos?

Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação. A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se converterão e os milagres serão uma conseqüência dessa bênção.

SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira será o celeiro
de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?

Presidente: Creio que sim. O brasileiro é sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.

SC: Como o irmão avaliaria
a IPRB após as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembléia?

Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus disse: “santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”, Jo 17: 17. Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.

SC: Com isso, a Igreja
tem-se demonstrado
madura e compromissada com o reino?

Presidente: Tudo indica que sim. A própria Assembléia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou maturidade e firmeza por parte das lideranças. Tenho visitado Presbitérios e visto que as igrejas estão alegres, firmes e preocupadas com a evangelização de vidas.

SC: Considerando estes 27 anos
de organização, pode-se afirmar
que a IPRB é uma Igreja estruturada?

Presidente: Claro que sim. Somos uma igreja equipada. Temos dois Seminários, que se empenham na formação de obreiros com bom nível cultural e espiritual; uma Editora que vem produzindo obras de qualidade, o jornal que serve como instrumento para amalgamar a denominação, as Revistas de EBD, que oferecem segurança doutrinária para a Igreja e todo tipo de material para as secretarias. Na área de missões, a Missão Priscila e Áquila tem realizado excelente trabalho.

A Renovada é hoje uma igreja reconhecida e conceituada. No dia 28 de fevereiro deste ano, por exemplo, a Câmara de Deputados de Brasília homenageou a IPRB por seus 27 anos de organização no Brasil. Neste ano recebemos a visita de líderes da Knox Fellowship, um grupo de renovação da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, voltado ao treinamento para evangelismo e discipulado de Igrejas locais e presbitérios, que se mostraram interessados em estreitar relações com a IPRB e já nos convidaram para participar de reunião da Diretoria da Knox nos Estados Unidos, o que faremos no próximo mês de agosto.

SC: Quais os projetos
para o crescimento da denominação?

Presidente: A Diretoria Executiva, em sua última reunião, lançou um projeto que envolve todos os presbitérios, instituições, pastores e lideranças da IPRB. Esse planejamento que visa ao crescimento e à dinamização das igrejas precisa ser levado a sério. Agir como a igreja dos tempos primitivos, ou aquela que não esteja enclausurada entre quatro paredes deve ser o sonho de cada pastor ou liderança. Uma estratégia forte que a Igreja Primitiva aplicava eram as reuniões de casa em casa. Ainda hoje, essa estratégia, que tem recebido os mais diversos nomes, poderá ser o ponto chave de crescimento da obra de Deus.

SC: O que cada igreja
ou cada Presbitério poderia fazer
para que a IPRB se tornasse mais contextualizada?

Presidente: Poderia procurar servir-se mais dos avanços tecnológicos atuais, sem perder de vista os princípios da Palavra de Deus. Embora não sejam indispensáveis, são fundamentais como estratégia auxiliar de trabalho. Como pode o pastor trabalhar sem um veículo? Já imaginaram o que o apóstolo Paulo faria se tivesse em seu escritório um computador, na igreja os equipamentos de som, os meios de comunicação, ou se tivesse ao seu alcance os recursos que temos hoje? A Igreja dos primeiros séculos não possuía nada disso, mas mesmo assim fez muito para o reino de Deus. Não há dúvidas de que as nossas igrejas precisam se contextualizar e trabalhar sem se contaminar com o mundo.

SC: O irmão tem enfatizado
em suas mensagens a necessidade
de um reavivamento espiritual. Por quê?

Presidente: Prego e continuarei pregando a necessidade de um reavivamento espiritual legítimo e completo. Essa é a mensagem da Renovada. Prego porque acredito que somente através dele a igreja será despertada. E haverá desprendimento, vida com Deus e santificação. Uma verdadeira vida de oração e comunhão só será alcançada quando isso acontecer. Todo partidarismo, divisão e falta de amor serão desfeitos com essa bênção. Devemos desejar esse derramar e rogar ao Senhor para que esse dia chegue logo. A IPRB será outra quando isso acontecer.

SC: Tem uma palavra
para a Igreja Renovada nesta data?

Presidente: Desejo que nesse dia, 3º domingo de julho, sejamos imensamente gratos a Deus e nos tornemos mais próximos do Senhor. Lembremos sempre de que a Renovada é fruto da vontade de Deus, e não da vontade do homem. Vamos unir nossas forças e deixar um pouco as críticas ferinas de lado. Nas cidades onde há mais de uma Igreja, procurem irmanar-se, trabalhar juntos. Façam isso em nome de Jesus. Procurem realizar com amor a obra de Deus. Fiquemos com as palavras do apóstolo Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade”, Fl 2: 3.

Maringá, julho de 2002

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002

Queremos avivamento – Outubro/2015

O que estamos falando e fazendo
para termos um real avivamento?

Qual tem sido sua contribuição pessoal
para que o avivamento se instale
e permaneça em sua vida e em sua igreja?

Constantemente tenho ouvido, tanto de membros quanto de pastores, um clamor por avivamento. Segundo o dicionário Silveira Bueno, “avivado” significa “atiçado, reanimado, realçado, restaurado”. Tenho percebido que o avivamento é uma necessidade para a igreja. Vejamos algumas razões:

Por que precisamos crer no avivamento?

a) Porque é triste para o pastor pregar uma mensagem, quando ele mesmo está em dúvida se a mensagem pregada veio do coração de Deus ou do próprio coração.

b) Porque é triste para o pastor dirigir-se para o templo desmotivado, desanimado e entregar uma mensagem em que o resultado não foi de jejum, oração e leitura da Bíblia. Mas baseada no último problema enfrentado ou, às vezes, usando um texto como pretexto para pôr para fora mágoas do próprio coração.

c) Porque é triste para o pastor perceber que seus ouvintes não estão sendo alimentados com as mensagens pregadas.

d) Porque é triste para o pastor perceber que o povo entra e sai vazio dos cultos.

e) Porque é duro para o povo estar presente em tantas reuniões, sem ter uma só experiência com Deus.

Realmente, diante de um quadro assim, é preciso avivamento.

Depois de terem experimentado este poder, esta ação poderosa do Espírito Santo, At 2: 1-4, os apóstolos não mais abriram mão da vida de oração e do contato diário com as Escrituras, At 6: 4. Muitas vezes pensamos que a correria do dia-a-dia é que vai levar nossa igreja a crescer, porém de nada adiantará estar aqui ou acolá sem tirarmos tempo para uma íntima comunhão com o Espírito Santo e com a Palavra de Deus.

A correria produzirá cansaço e mensagens fracas, mas quando paramos para ouvir Deus, para falarmos com Deus, teremos uma palavra ungida para respondermos a todos sobre nossa esperança.

Por que precisamos de avivamento?

Por que é bom lembrar que as multidões seguiam Jesus sempre à procura de um milagre, à procura de sinais, Mc 6: 55-56. Hoje não é diferente. Multidões têm ido aos templos procurando remédio para sua dor, o bálsamo para sua alma, amor, carinho e compreensão. Mas o que têm encontrado?

Muitas vezes encontram mensagens fracas e vazias, púlpitos sem fogo, crentes indiferentes, criticas ao próximo, liturgia sem vida e cansativa e, por vezes, ouvimos reclamações dos crentes dizendo: “Por que as pessoas entram em nossa igreja e não se convertem? Por que nossa igreja não cresce?”

Isto acontece porque falta poder na igreja. Deus que salvar, transformar, curar, realizar sinais e maravilhas, mas não tem encontrado no meio de muitos dos seus um lugar para agir. Muitos cristãos deixam a obra de Deus em segundo plano, colocando em primeiro lugar, em suas vidas, o ter, o possuir, o comprar e vender, esquecendo-se de dar primazia às questões do reino de Deus. Assim, a igreja caminha a passos lentos, enfraquecida, quando a Bíblia diz que Deus tem para a igreja uma vida mais que abundante.

Por que o avivamento não vem?

O avivamento não vem porque os que falam de avivamento só o fazem dentro do templo. A doutrina do batismo com Espírito Santo está esquecida em muitos púlpitos. Muitas vezes tem-se levado a igreja para o lazer, para comemorações, para diversões, ao invés de levá-la para perto de Deus. Embora o lazer seja necessário, o que leva uma igreja a ser triunfante e crescente é a ação poderosa do Espírito Santo.

Sabemos que Deus espera de nós uma busca incessante como prova de que realmente queremos o avivamento, Mt 7: 7-8. É fácil saber quando, de fato, queremos alguma coisa. Exemplo:

– Se desejarmos adquirir um veículo, falamos de carro a toda hora. Lemos sobre carro, perguntamos sobre marcas de carros. Observamos os carros à nossa volta, vamos às revendedoras de carros, etc. Tudo isso porque queremos um carro.

Temos agido assim em relação ao Espírito Santo? Em relação ao avivamento? Embora eu fosse bem garoto na época, me lembro do grande avivamento dos anos 60. O país estava passando por um momento difícil. O golpe militar parou o Brasil. Naquele momento só existiam duas classes sociais: a rica e a pobre. Via-se alguém de calça jeans, era o rico, porque os pobres normalmente vestiam roupas remendadas.

Nesse clima, a igreja só via esperança em Deus. Então passou a buscá-lo incessantemente. Em Belo Horizonte, as denominações deixaram de lado suas diferenças e alugaram o andar de um prédio, no centro da cidade, só para oração. Lembro-me de que meu pai, presbítero Bartolomeu, junto com muitos outros irmãos, após um dia estafante de serviço pesado e de se alimentar mal, ao invés de ir para casa, iam direto para o lugar de oração. Passavam a noite gemendo e chorando diante de Deus, pedindo poder e unção e só se alimentavam na tarde do dia seguinte, porque queriam um avivamento.

O resultado dessa devoção foi o surgimento de grandes pregadores, de igrejas fortes e abençoadas, e os frutos destes trabalhos estamos colhendo e vivenciando até hoje. É preciso falar, buscar, clamar, desejar este avivamento todo dia. Em casa, no carro, no trabalho, no templo, no púlpito, andando, trabalhando. Não se trata de pensamento positivo, mas de um desejo ardente de ter uma profunda experiência com Deus.

Deus quer avivar o seu povo

Deus quer dinamizar o seu povo, realçar, restaurar, atiçar, porém tem encontrado corações mais voltados para as questões desse mundo do que para as coisas de Deus. Há cristãos que se envergonham do Evangelho de Jesus Cristo.

Lemos no livro de Atos dos Apóstolos que os primeiros cristãos tinham prazer e alegria em confessar sua fé e pregavam o Evangelho de Jesus com ousadia em todo lugar. O assunto da igreja era Jesus Cristo, o ex-crucificado. Percebemos que o assunto de boa parte do povo de Deus, nos dias atuais, é:

– Pescaria, o tamanho do último peixe fisgado. Ou o esporte. Qual time ou jogador é melhor? Que técnico é melhor? Quem vai ser campeão? Etc. Há obreiros deixando os templos fechados em dia de determinados jogos. É um absurdo! Temos de nos aproximar de Deus e não do mundo.

Creio que temos assuntos melhores, mais edificantes, mais produtivos para o reino de Deus. Tem de haver diferença entre a igreja e o mundo. O mundo caminha para o abismo, enquanto a igreja caminha para o céu. Os ímpios, em suas orgias, não fazem qualquer comentário positivo sobre o reino de Deus, mas vejo cristãos em nossos ajuntamentos falarem positivamente do que é próprio do reino das trevas.

É hora de despertarmos, de dedicarmos mais tempo para as questões de Deus, de buscarmos com mais interesse as coisas do Senhor. Ele quer fazer grandes obras entre nós e nós somos a boca, as mãos e os pés de Deus neste mundo. Ele precisa contar com sua igreja. Somos responsáveis pela expansão do reino de Deus.

Despertemos, sejamos crentes avivados e voltados para os interesses mais altos do reino de Deus.

Por Jesus e pela Renovada.

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Fonte: Jornal Aleluia de maio de 2005

Igrejas Pentecostais no Brasil – Revista EBD Aleluia, 69, Lição 16

Que denominações surgiram
no século XX, no Brasil?
Que dados históricos temos sobre elas?

Igrejas pentecostais

O termo pentecostal deriva-se da palavra Pentecostes. Entre os judeus, era a segunda das três grandes festas anuais a que todo o povo devia comparecer. Era chamada de Pentecostes porque era observada no quinquagésimo dia depois do segundo dia da Páscoa.

A festa do Pentecostes era também conhecida como a festa das semanas, porque observava sete semanas depois da Páscoa, Dt 16: 9. Também se denominava festa das primícias, Êx 23: 16; Nm 28: 26.

Os grupos pentecostais têm apresentado grande crescimento no Brasil. São unânimes quanto às doutrinas cristãs básicas, tais como: pecado original, penas eternas, salvação pela fé, escatologia, santificação. Além disso, têm alguns traços característicos:

Ênfase à doutrina do batismo com o Espírito Santo.

Ensino de que os dons são para hoje e não apenas para a igreja do primeiro século, Mc 16: 17-18.

Aproveitamento do leigo na igreja.

Liturgia informal, com oportunidades para testemunhos, cânticos acompanhados por palmas.

Aceitação da escatologia dispensacionalista, segundo a qual a Igreja não passa pela Grande Tribulação e a vinda de Jesus será em duas fases distintas.

Ênfase à doutrina bíblica da santificação, Ef 4: 13.

Algumas igrejas são rigorosas nos usos e costumes.

1. Assembleia de Deus. Foi fundada por dois jovens, Daniel Berg e Gunnar Vingren, que haviam emigrado da Suécia para os Estados Unidos. Em Chicago, participaram de uma convenção pentecostal. Os dois operários suecos receberam de Deus uma chamada especial para o Brasil. Chegaram a Belém do Pará no dia 19 de novembro de 1910. Congregaram na igreja Batista, mas suas ideias pentecostais não foram aceitas. Afastaram-se e fundaram a igreja Assembleia de Deus, em junho de 1911. Essa denominação é hoje a maior Igreja pentecostal do Brasil. Creem os assembleianos que o falar em línguas é o sinal do batismo com o Espírito Santo.

2. Igreja do Evangelho Quadrangular no Brasil. Foi fundada em 1951 pelo missionário Harold Willians, na cidade de Poços de Caldas. Em 1952 a igreja chegava a São Paulo, através de campanhas evangelísticas no bairro do Cambuci, que logo passaram a ser realizadas numa tenda. A partir daí o movimento cresceu, as tendas saíram peregrinando pelo país numa onda contagiante e cada tenda era a certeza da implantação de uma nova igreja.

3. Igreja Pentecostal Brasil para Cristo. Foi fundada em 1956 por Manoel de Melo, ex-membro das Assembleias de Deus e consagrado pastor pela Igreja do Ev. Quadrangular. Era dono de um grande carisma. Manteve vários programas radiofônicos que foram um meio eficiente para a expansão da igreja.

4. Igreja Pentecostal Deus é Amor. Foi fundada no dia 3 de junho de 1962, pelo missionário David Martins Miranda. Chegou a 8.140 igrejas locais, espalhadas pelo Brasil e mais em 136 países.

5. Congregação Cristã. Foi fundada em 1910, pelo italiano Luigi Francescon, antigo membro da Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, EUA, e teve grande desenvolvimento no Brasil. Esta denominação, porém, é considerada como seita pelos evangélicos devido aos seus inúmeros desvios doutrinários: o uso do véu, não aceitação do ministério pastoral, pregam contra o dízimo e afirmam que só nessa igreja é que o homem pode ser salvo. E são extremamente críticos quanto às demais igrejas.

6. Igreja de Nova Vida. Fundada pelo Bispo Walter Robert McAlister, de nacionalidade canadense, que veio para o Brasil, Rio de Janeiro, onde implantou uma grande obra de evangelização conhecida como Cruzada de Nova Vida. A Igreja de Nova Vida nasceu de um programa de rádio, A Voz da Nova Vida, transmitido pela primeira vez, em 1 de agosto de 1960, pela Rádio Copacabana do RJ. Depois começaram fazer seus cultos na Associação Brasileira de Imprensa. A mensagem desse missionário era voltada para a cura e libertação, o que despertou interesse de muitos e avanço da denominação.

Igrejas renovadas

Renovadas são aquelas que procederam das denominações históricas, conservando traços administrativos e teológicos das igrejas mães. As denominações se formaram porque muitos pastores e líderes abraçaram a renovação espiritual e desligaram-se de suas igrejas de origem. Outros, entretanto, foram excluídos de suas igrejas.

1. Igreja Metodista Wesleyana. Foi fundada por um grupo de ministros e leigos que militavam na Igreja Metodista do Brasil. As razões que deram origem à Igreja basearam-se na doutrina do batismo com o Espírito Santo como sendo uma segunda bênção para o crente e na aceitação dos dons espirituais. No dia 5 de janeiro de 1967, por ocasião do Concílio da Igreja Metodista do Brasil, realizado na cidade de Nova Friburgo (RJ), foi fundada a Igreja Metodista Wesleyana, aceitando como forma de governo o centralizado com o conselho geral, seguindo em linhas gerais o regime metodista.

O movimento que culminou com o surgimento da Igreja Metodista Wesleyana começou em 1962, quando alguns ministros e leigos começaram a ser despertados para a obra de renovação espiritual. Em 1964 o grupo começou a ter contato com grupos de diversas denominações renovadas. Alguns membros do grupo começaram a ser batizados com o Espírito Santo. Eram constantes as vigílias nos montes, as reuniões de oração e os retiros. Em 1966 o grupo recebeu uma circular proibindo orações com imposição de mãos, expulsar demônios, cantar corinhos e fazer vigílias constantes. No final da carta havia a seguinte alternativa: se o grupo não obedecesse às normas da Igreja Metodista do Brasil, todos deveriam deixar suas fileiras.

2. Igreja Batista Nacional. Nos anos 60, líderes batistas, dentre os quais o Pr. Enéas Tognini, foram alcançados pelo avivamento. Em janeiro de 1965, na cidade de Niterói, a Convenção Batista Brasileira excluiu cerca de 32 igrejas de seu rol. No ano seguinte o número de igrejas desarroladas chegou a 52. Em 1966, foi criada a Associação Missionária Evangélica, que agregava as igrejas desligadas da Convenção Batista e outras. Em julho de 1967 os Estatutos da AME foram reformados. As Igrejas não batistas se desligaram da AME e cada qual se organizou de acordo com suas características históricas. Em 16 de setembro de 1967 a AME passou a se chamar Convenção Batista Nacional.

3. Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. A IPRB foi organizada em 8 de janeiro de 1975, em Maringá, PR, fruto da fusão de duas igrejas oriundas de denominações históricas: a Igreja Cristã Presbiteriana e Igreja Presbiteriana Independente Renovada. Crescendo rapidamente, hoje possui igrejas em quase todos os Estados e em diversos países. Possui uma agência de missões (Mispa), dois seminários e a Editora Aleluia.

Igrejas neopentecostais

As igrejas neopentecostais começaram a surgir no Brasil no início dos anos 80. Nessas denominações, há forte centralização de poder nas mãos do líder. Geralmente há uma ênfase na Teologia da Prosperidade.

Os neopentecostais são menos exigentes em termos éticos que as igrejas protestantes tradicionais. Seus cultos apelam bastante para as emoções. São exemplos de grupos neopentecostais: Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo, em 1977; Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Sara Nossa Terra e Igreja Renascer em Cristo.

Graças ao seu evangelismo ativo, o movimento pentecostal levou milhares de pessoas a se render ao Senhor Jesus. Isso tem produzido grande crescimento no reino de Deus no Brasil e fora do Brasil. Em toda a parte do mundo hoje há missionários brasileiros. Além disso, levou as pessoas a um maior desejo de santidade, a um testemunho real de sua fé. Segundo as últimas pesquisas, dez por cento da população brasileira pertencem a uma igreja pentecostal.

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Fonte: Aleluia, Revista de Escola Bíblica Dominical número 69, lição 16.

Os avivalistas e suas obras – Setembro de 2006

O ser humano sempre precisou ser alcançado por Jesus
e os cristãos, avivados pelo Espírito Santo

100 anos de avivamento da Rua Azusa! É verdade, comemoramos em 2006 cem anos de avivamento pentecostal, de um intenso derramar do Espírito Santo, de um movimento que redirecionou a igreja, transformou vidas e mudou rotas. E até hoje é referencial para toda igreja de Cristo. O ser humano sempre precisou ser alcançado por Jesus e os cristãos, avivados pelo Espírito Santo.

A história do Cristianismo mostra que grandes pregadores surgiram em todos os lugares e foram responsáveis por manter a chama do avivamento acesa. Eles pregavam para um número tão grande de pessoas que muitos cultos foram realizados ao ar livre. Os templos não comportavam a multidão. A ênfase das mensagens era sobre a santidade de vida e o compromisso com Deus e sua palavra. Eles impactaram a vida espiritual de pessoas. Vejamos alguns desses nomes e suas obras.

Jonathan Edwards (1703 – 1758)

Edwards entrou para a Universidade de Yale e concluiu sua formação em teologia aos 17 anos (1720). Foi ordenado em Nortampton, no Oeste de Massachussetts. Pastor da Igreja Congregacional, desenvolveu seu ministério como missionário no meio indígena. Foi o primeiro presidente da Princenton University. Como escritor, um de seus sermões mais conhecido foi “Pecadores na mão de um Deus irado”, que foi precedido por três dias de oração e jejum. Seu trabalho de avivamento alcançou as treze colônias norte-americanas e chegou até na Inglaterra.

O hábito de ler seus sermões fazia parte de sua vida, mas o que realmente impactou o seu povo foi sua vida devocional porque se acostumou a passar até 13 horas ao dia entre oração e estudos. Escolher uma floresta e ali ficar duas ou três horas com o rosto em terra, clamando a Deus, fazia parte de sua vida com o Senhor. Depois de concluir seu ministério de avivalista, partiu para as mansões celestiais em 1758, em Princeton, vitima da febre resultante da vacina contra a varíola.

John Wesley (1703-1791)

A Igreja Anglicana ordenou Wesley ao pastorado em 1728. Seu estilo de pastoreio influenciou profundamente o Cristianismo inglês, onde tudo começou, e o norte-americano, no século XVIII. O que mais chamava a atenção era sua vida piedosa e o seu método de estudo bíblico. Gradativamente, as pessoas observavam que ele era muito metódico e não mudava o seu jeito de ser. Por isso, ganhou o apelido de “metodista”. Com o tempo, fundou seu próprio movimento avivalista, que recebeu o nome oficial de Metodista.

Foi missionário nas 13 colônias norte-americanas e, com o tempo, ficou decepcionado com os resultados de seu trabalho. Então, decidiu voltar para a sua terra natal: a Inglaterra. No navio, encontrou dois cristãos pertencentes ao movimento moraviano. Suas experiências tiveram grande influência sobre a vida de Wesley.

Sua vida devocional mudou e, conseqüentemente, os resultados de sua pregação. A ação do Espírito Santo fez com que multidões compostas de cinco e até de dez mil pessoas ouvissem a Palavra de Deus através de sua boca. O toque do Senhor era tão forte na consciência dos indivíduos que muitos eram tomados pelo sentimento de angústia e gritavam e gemiam como arrependimento pelos seus pecados. A idade nunca foi um empecilho em seu ministério. Aos setenta anos, chegou a falar para um auditório de trinta mil pessoas. Aos oitenta e seis, pregou ao ar livre na Irlanda seis vezes ao dia. Anunciou as Escrituras Sagradas em sessenta cidades.

Charles G. Finney (1792-1875)

Finney só teve sua experiência de conversão aos 29 anos, mas depois foi uma pessoa profundamente dedicada ao movimento avalista. Ele não deu descanso ao seu corpo e, de 1824 a 1834, trabalhou fortemente para que Deus visitasse a igreja com um grande avivamento. Por causa desses esforços e desgaste físico na obra de Deus, ficou enfermo e foi obrigado e passar por período de repouso. Finney não parou por aí. Em 1835, passou a dar aulas de teologia no Oberlin College. Com o tempo, assumiu a presidência da instituição. O tempo de trabalho prático e teórico lhe deu experiência o suficiente para escrever uma extensa obra sobre Teologia Sistemática.

Deus sempre o utilizou para realização de milagres. Por exemplo, em uma visita a uma fábrica, uma senhora zombou de dele. Por ser um servo de Deus, não reagiu. Apenas olhou em seus olhos e foi embora. Passado alguns momentos, convencida de seus pecados, ela estava chorando com o desejo de entregar-se a Jesus.

Em viagem de trem, passou por um povoado e os indivíduos que estavam em locais imorais, foram às pressas para as igrejas porque estavam sentindo o peso e o remorso pelos seus pecados. Um repórter chegou a investigar sua vida com o objetivo de descobrir o segredo de seu sucesso, mas ficou espantado ao vê-lo entrar em uma floresta e passar horas e horas prostrado com o rosto no chão, em sinal de humilhação para com Deus. As estatísticas mostram que 85% das pessoas que aceitaram a Jesus através das pregações de Finney permaneceram firmes em servir a Deus, enquanto a média dos demais pregadores era de 30%.

Charles H. Spurgeon (1834-1892)

Spurgeon é de origem espanhola, mas por causa das perseguições promovidas pelo Rei Filipe II, no final do século XVI, sua família foi obrigada a mudar para a Inglaterra. Em Cambridge, aos 17 anos, aceitou a Jesus como seu salvador e também o chamado para trabalhar na seara do Mestre. Inicialmente, aceitou o ministério da pregação leiga, isto é, sem formação teológica.

A facilidade que tinha para falar sobre a Palavra de Deus na Comunidade Batista em Cambridge fez com que sua fama crescesse e, aos dezessete anos, foi ordenado ao pastorado. Aos vinte, já era conhecido na Inglaterra como “o menino pregador”. Por causa disso, em Londres, tornou-se hábito ler seus sermões, que passaram a ser impressos.

Spurgeon foi considerado o “Príncipe dos Pregadores” e fundou um Colégio de Pastores. Desde o início até a sua morte, treinou cerca de 900 pregadores. Faleceu em 1892. Em seu caixão, foi colocada a Bíblia aberta no texto usado para convertê-lo: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra; pois eu sou Deus, e não há outro”, Is 45: 22.

Dwight Lyman Moody (1837 – 1899)

Moody nasceu a 05 de fevereiro de 1837, o sexto entre nove filhos. Seu pai faleceu quando era ainda pequeno. Em Boston, no fundo da sapataria em que trabalhava, seu professor da EDB o desafiou a aceitar Jesus e ele tomou a decisão salvadora. Em 1871, Deus colocou um forte desejo em seu coração de ganhar almas para Cristo. Por isso, em 1873, ele e Ira D. Sankey iniciaram uma missão evangelística na Inglaterra. Depois, foram para a Escócia e, então, um grande avivamento foi espalhado através deles.

Ele fundou escolas e um Instituto Bíblico, em Chicago. Associação Cristã de Moços sempre recebeu grandes donativos levantados por Moody. Realizou varias conferências para ministros, estudantes e obreiros cristãos. Pregou seu último sermão no dia 22 de dezembro de 1899, para uma audiência de 15.000 pessoas.

Willian Joseph Seymour (1870 – 1922)

O avivamento da Rua Azusa afetou profundamente a história do Cristianismo contemporâneo e o personagem principal foi o pastor William Joseph Seymour. Tudo iniciou num pequeno armazém, na cidade de Los Angeles, na Rua Azusa, número 312.

Ele era caolho, analfabeto e negro. Suas mensagens sempre tratavam da regeneração, santificação, cura divina e batismo no Espírito Santo, com a evidência do falar em outras línguas. A unção do Espírito Santo era derramada sobre as pessoas, que manifestavam convicção pelas verdades bíblicas, sincero desejo de ter uma vida santa. Elas eram batizadas com o Espírito Santo, falavam em novas línguas, profetizavam e cantavam hinos espirituais.

Esse evento ganhou espaço nos noticiários da cidade e, com o tempo, espalhou-se pelo mundo. O movimento pentecostal produziu, através de Seymour, uma experiência similar ao livro de Atos capítulo dois. Inicialmente, sua igreja enviou missionários para vinte e cinco países.

Conclusão

Homens de Deus sempre foram usados, no decorrer da história do Cristianismo, para renovar e avivar a obra do Senhor. O movimento pentecostal de 1906 foi um marco no mundo espiritual das igrejas e continua a avivar o Cristianismo em nossos dias. O cristão não pode se esquecer de que Deus é o mesmo de ontem, hoje e anseia derramar mais do Seu Espírito sobre todos os seus filhos. Quero encorajar o leitor a buscar mais do Espírito Santo de Deus, a experimentar um genuíno avivamento e a ser usado pelo Senhor na igreja local para avivar a sua obra.

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 2006

Tsunâmi, chacina no culto e queda de torre: lições ensinadas pelas tragédias da vida – Março/2005

Morrer em uma tragédia
não é o maior problema
da existência humana; pior que isso
é morrer em rebelião contra Deus.
No dia a dia, alguém pode
até viver sem Jesus.
Horrível será morrer sem Ele como salvador

Tsunâmi, em japonês, significa onda gigante e o termo ficou mundialmente conhecido após o dia 26 de dezembro de 2004. Nessa data, uma tragédia foi produzida por sismos submarinos, em uma região em que há fortes movimentos tectônicos, e pessoas de vários países asiáticos morreram atingidas por desabamentos ou pela invasão das águas do mar.

O ritual do culto prosseguia normalmente e o sacrifício era oferecido pelos cultuantes. De repente, os galileus foram surpreendidos por Pilatos, o governador, que ordenou uma chacina. O sangue dos cultuantes e dos animais que eram sacrificados se misturam. Uma tragédia moral provocada pelo homem ocorreu.

Dezoito homens, em Jerusalém, são atingidos pela queda de uma torre e morrem. Esta tragédia é uma das muitas ocorridas de forma acidental. Por isso, há momentos na vida em que surgem questionamentos sobre a possibilidade de pessoas estarem em lugares errados, na hora errada e morrem acidentalmente.

As duas histórias bíblicas não tiveram a cobertura da mídia, como aconteceu com a tragédia do tsunâmi. Os evangelistas Mateus, Marcos e João não comentam o ocorrido, somente o evangelista Lucas, no capítulo 13, registra o fato e suas interpretações.

Os contemporâneos de Jesus e pessoas dos dias atuais questionam: os que morrem em tragédias são mais pecadores do que toda a humanidade? Se não são, por que morreram assim? O que havia de errado ou qual era o pecado que estava escondido na vida dessas pessoas? Jesus ensina quatro princípios, em Lucas 13, para entendermos essas questões.

O homem é o maior causador
de tragédias no mundo

Podemos classificar as tragédias em duas categorias. As morais e as acidentais. As morais partem da ação deliberada do homem. As acidentais ocorrem por fenômenos da natureza ou acidentes alheios à vontade humana.

Os poderosos deste mundo já provocaram enormes tragédias. Faraó, tirano do antigo Egito, provocou a morte por afogamento de todos os filhos do sexo masculino, nascidos dos escravos judeus. Herodes, o sanguinário, ordenou a morte a todos os meninos de dois anos para baixo, simplesmente para eliminar um possível concorrente ao trono, Jesus.

Pilatos, governador romano, provocou a chacina dos que cultuavam, indefesos adoradores foram trucidados. Recentemente, Osama bin Laden estabeleceu um quadro de terror, ao derrubar as torres gêmeas. O episódio da bomba atômica sobre Nagasaki e Hiroshima é uma marca na história das ações devastadoras do homem. Sim, o homem é o maior causador de tragédias. Mas, tudo o que o homem semear ele colherá.

As tragédias não provam
que os que nelas morrem
sejam mais culpados que os outros

Jesus ensina que o pecado é um mal universal, em Lucas 13: 3 e 5. Morrem em tragédias pessoas de bem e também pecadores corrompidos ao extremo, como os povos pré-diluvianos, em muita água, Gn 6: 17, e os moradores de Sodoma e Gomorra, em um fogo devastador, Gn 19: 24.

Em qualquer tragédia, a morte nunca deixou ninguém escapar. Independente dos diversos questionamentos humanos, morreram também justos e piedosos que não são culpados de vida profana e ímpia de muitas pessoas. Em todas as tragédias, a grande verdade é que somente no dia do juízo final é que ficará claro sobre quem viveu e morreu em pecado e quem teve uma vida na presença de Deus.

As tragédias mostram
a incerteza da vida humana

Em pleno local de culto ocorre uma chacina. Sobre 18 homens cai a torre. Tsunâmis matam muitas pessoas na Ásia. Não há lugar seguro. Quem poderá escapar da morte? Uma coisa é certa: a vida é breve!

Como será o amanhã de cada um. Entendo que só Deus tem a resposta. Em 4:14, o apóstolo Tiago afirma: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”.

Jesus sempre ensinou a necessidade de buscar o reino de Deus e sua justiça e se preparar para o dia do juízo, vivendo uma vida justa pela fé na palavra de Deus. O último inimigo a ser vencido é a morte.

A maior das tragédias
é morrer em pecado, sem salvação

Sem arrependimento, disse Jesus, todos perecerão. Indagado sobre o número dos que se salvarão, Jesus respondeu: “Porfiai por entrar pela porta estreita”, Lc 13: 24. Ilustrando este “porfiai”, Jesus falou sobre arrancar um olho, cortar uma das mãos, significando que o tratamento dado ao pecado deve ser radical. O arrependimento é a porta estreita.

Um pouco antes de expirar, um dos ladrões da cruz se arrependeu e foi para o céu com Jesus, Lc 23: 43. O outro, sem arrependimento, pereceu eternamente, Lc 23: 39. João 3: 16 diz que aquele que crer em Jesus será salvo e os que não crerem perecerão.

Morrer em uma tragédia não é o maior problema, pior é morrer em rebelião contra Deus, é ir para o túmulo sem ter aceitado a Cristo como salvador. Disse Jesus: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?”, Mt 16: 26. Li uma frase inteligente que explica muito bem essa questão: “Você pode até viver sem Jesus Cristo, horrível será morrer sem Ele”.

Conclusão

Quando ocorre uma tragédia, os homens são levados a refletir sobre a vida e a eternidade. Todavia, envolvidos com seus problemas pessoais e com os afazeres do dia-a-dia, que os comprimem, em breve se esquecem do ocorrido, perdendo-se o sentimento causado pela tragédia.

Sejamos prudentes e mudemos nossa conduta. As tragédias são avisos! Devemos meditar nelas com seriedade e buscar mais a Deus e seu plano de vida para nossa vida material e espiritual.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2005.

Um olhar histórico sobre o avivamento – Outubro/2006

Uma abordagem sobre o avivamento,
vendo-o sob os ângulos bíblico
e histórico

O palpitante e amplo assunto do avivamento pode ser abordado sob os ângulos bíblico e histórico. Na forma bíblica, observamos, através dos relatos contidos no Antigo Testamento, em especial nos livros de Esdras, Neemias e Crônicas. Na forma histórica, vemos o avivamento nos movimentos do Espírito Santo na história da Igreja. Apreciemos com mais detalhes o avivamento sob seu ângulo histórico.

O Espírito Santo
é dominante no ministério

Tive a oportunidade de estar em um dos encontros promovidos pelo movimento “Os puritanos”. Ouvi um crente muito piedoso orar por avivamento, usando a seguinte expressão: “Oh! Deus, tenho saudade do que nunca conheci. Dá-me avivamento!”. Este desejo pela presença viva de Deus no meio de seu povo é a tônica da oração por avivamento.

Na história da Igreja, um dos mais influentes avivalistas foi Jonathan Edwards (1703-1758). O Dr. Martyn Lloyd-Jones escreveu um livro sobre esse avivalista, onde aprendemos um pouco de sua história. Tinha mente muito curiosa e ativa. Era um pregador de estilo direto e vivo. E livre daquilo que se pode denominar “escolasticismo”.

O elemento do Espírito Santo era dominante em seu ministério. Acreditava numa direta e imediata influência do Espírito Santo e numa conversão súbita e dramática. Calvinista e congregacionalista. Opunha-se ao hipercalvinismo e, igualmente, se opunha ao arminianismo.

A parceria
entre Deus e o homem

Este equilíbrio em seu ensino e em sua posição é demonstrado na seguinte afirmação: “Na graça eficaz não somos meramente passivos, nem ainda Deus faz um pouco e nós fazemos o restante. Mas Deus faz tudo, e nós fazemos tudo. Deus produz tudo, e nós agimos em tudo. Pois é isso que Ele produz, isto é, os nossos atos. Deus é o único verdadeiro autor e a única verdadeira fonte; nós somos tão-somente os verdadeiros agentes. Somos, em diferentes aspectos, totalmente passivos e totalmente ativos”.

Edwards era um grande defensor da conversão das crianças e dava grande atenção a elas. Permitia até que tivessem suas próprias reuniões. Dava grande ênfase aos elementos morais e éticos da fé e vida cristã. Ele entrou em cena depois de um período de considerável falta de vida nas Igrejas.

Um dos ministros daquele tempo descreve a época imediatamente anterior ao avivamento: “Mas que época morta e estéril tem sido a atual. As chuvas de ouro foram retidas; as influências do Espírito foram suspensas; e a consequência foi que o evangelho não teve nenhum sucesso eminente. As conversões têm sido raras e duvidosas; poucos filhos e filhas têm nascido de Deus, e os corações dos cristãos já não são tão cheios de vida, calor e vigor sob as ordenanças como eram. Esse tem sido o triste estado da religião entre nós nesta terra, por muitos anos”.

Nesta época havia raras igrejas cheias de vida espiritual. A Igreja estava em condição de inanição. Todavia aconteceu algo novo. Após a seca, chuvas abundantes; a vida começou a manifestar-se mais uma vez. O avivamento afetou positivamente a vida da América de modo profundo durante pelo menos 100 anos e, de fato, até hoje.

O famoso sermão de Edwards “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado” tem sido muito comentado. Este famoso sermão foi proclamado não no estilo de um pregador bombástico e sim de um fiel ministro que expõe a palavra de Deus. Lendo-o, vemos que era puro argumento com as palavras das Escrituras. Não era o que Edwards dizia; era o que as Escrituras diziam. E ele achava que era seu dever advertir às pessoas. Alguns o criticam outros o admiram.

Edwards cria que a Bíblia diz coisas terríveis sobre quem morre em seus pecados. Um dos segredos deste homem é que o espiritual dominava o intelectual. Ele foi preeminentemente um pregador, evangelista e mestre.

Um homem de Deus
tem experiências para testemunhar

Edwards pregava que a religião é algo essencialmente experimental, prático. Um encontro existencial com Deus. Isto fica claro no famoso relato que faz de uma experiência que teve: “Uma vez, quando cavalgava nas matas pela minha saúde, em 1737, tendo apeado do meu cavalo num lugar retirado, como tem sido o meu costume comumente, para buscar contemplação divina e oração, tive uma visão, para mim extraordinária, da glória do Filho de Deus, como Mediador entre Deus e o homem, e a sua Maravilhosa, grande, plena, pura e suave graça e amor, e o Seu terno e gentil amparo. Esta graça que parecia tão calma e suave parecia também grande, acima dos céus.

A Pessoa de Cristo parecia inefavelmente excelente, com uma excelência bastante grande para absorver todo o pensamento e concepção o que continuou, quanto posso julgar, cerca de uma hora; o que me manteve a maior parte do tempo num mar de lágrimas, e chorando em voz alta. Senti uma ardência na alma, anseio por seu ser, o que não sei expressar doutro modo, esvaziado e aniquilado; jazer no pó e encher-me unicamente de Cristo; amá-lo com amor santo e puro; confiar nele; viver dele; servi-lo e segui-lo; e ser perfeitamente santificado e tornado puro, com uma pureza divina e celestial. Várias outras vezes tive visões da mesma natureza, as quais tiveram os mesmos efeitos.”

“Tendo tido muitas vezes uma percepção da glória da terceira Pessoa da Trindade, e do Seu ofício como santificador; em suas Santas operações, comunicando luz e vida divina à alma. Deus, nas comunicações do Seu Santo Espírito, tem parecido uma infinita fonte de divina glória e dulçor; estando cheio e sendo suficiente para encher e satisfazer a alma; derramando-se em secretas comunicações; como o sol em sua glória, difundindo suave e agradável luz e vida. E às vezes eu tenho uma comovente percepção da excelência da palavra de Deus como palavra da vida; como a luz da vida; uma suave, excelente palavra que dá vida; acompanhada de uma sede dessa palavra, para que ela habite ricamente em meu coração” (Martin Lloyd-Jones. Jonathan Edwards e a crucial importância de avivamento. pp. 15 e 16). Isso é avivamento.

Conclusão

A IPRB nasceu de avivamento. Desejosa de avivamento, cresceu no avivamento. E a Igreja Renovada está sempre se renovando, sempre se avivando. Que esse seja o nosso perene lema. A Palavra de Deus e a história corroboram a oração de Habacuque: “Deus renova seu povo no meio dos anos”.

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2006

A prosperidade como fruto da disciplina – Novembro/2002

Para se alcançar prosperidade
à maneira de Deus,
a pessoa precisa ser disciplinada.
A disciplina é instrumento indispensável
na vida espiritual, na saúde, na família,
nos estudos, na área patrimonial.
Por isso, vamos analisar o que vem a ser disciplina
segundo a Bíblia.

Disciplina é fruto de treinamento

Para quem age de conformidade com determinadas regras. É a obediência que proporciona condições de desenvolvimento em todas as áreas da vida. A disciplina, quando baseada nas Palavras de Deus, promove crescimento interior formando o caráter cristão.

Mas para que isso ocorra, é necessário que ela seja aplicada sob a orientação de Deus, Pv 22: 6. Havendo ensino e disciplina, haverá prosperidade em todas as fases da vida e, mesmo na velhice, a pessoa continua andando pelo caminho da prosperidade à maneira de Deus.

Disciplina molda o caráter

O objetivo principal da disciplina é formar, a médio e longo prazo, um bom caráter, uma personalidade firme com propósito de levar a pessoa a prosperar em todas as áreas da vida. Assim, disciplinar é sinônimo de transformar a pessoa num bom mordomo, capaz de cuidar dos bens colocados sob sua responsabilidade para poder prosperar.

Disciplina gera frutos de justiça

A disciplina nem sempre é bem aceita no início: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; mas depois, entretanto, produz fruto pacifico aos que têm sido por ela exercitados, frutos de justiça”, Hb 12: 11. Quando aplicada, pode parecer um ato de autoritarismo, só que depois, vai produzir frutos de prosperidade na vida da pessoa alvo da correção, conduzindo-a ao topo do caminho da prosperidade.

Disciplina tem valor formativo. Através de sua Palavra, Deus, nos mostra o valor da disciplina: “Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixe a instrução de tua mãe”, Pv 1: 8. Isso mostra que a disciplina deve começar em casa, com os conselhos do pai e a instrução da mãe; isso são regras que podem conduzir o homem ao alvo desejado: a prosperidade. Por isso, não podemos nos esquecer de que o lar é a primeira escola da vida.

Disciplina se obtém pela instrução

A verdadeira disciplina vem acompanhada da instrução e pode ser feita através de exemplos, ensino, conselhos, avisos, advertências, leitura, treinamento, etc. Mas, qualquer que seja o meio, o disciplinando precisa dar ouvidos às palavras do disciplinador. Deus quer que seus filhos sejam disciplinados, instruídos e andem no caminho da prosperidade.

Disciplina melhora qualidade produtiva

A pessoa disciplinada produz mais, com maior perfeição, em qualquer área da vida. Ela evita enganos, sedução, rebeldia e outros vícios e costumes nocivos à prosperidade. Quem é disciplinado não se esquece de seus deveres e obrigações e procura realizar as tarefas com perfeição e pontualidade.

Todo comportamento rebelde e indisciplinado leva a prejuízos e, por essa razão, precisa ser corrigido. Assim, quem aprende as lições da vida tem tudo para alcançar melhor nível de atitudes e formar um caráter inabalável, que lhe permite chegar ao topo da prosperidade com sucesso.

Disciplina baseada no temor do Senhor é bem sucedida. Tudo o que um orientador precisa para disciplinar está relacionado em 1Co 13: 4-8 e são: paciência, bondade, generosidade, humildade, cortesia, altruísmo, bom gênio, franqueza e sinceridade. O objetivo dessa disciplina é estabelecer limites porque, quando dois objetos vão se cruzar no mesmo ponto, é necessário estabelecer prioridades, caso contrário os acidentes serão inevitáveis.

Concluindo, quando aprendemos estabelecer e respeitar nossas fronteiras, andamos pelo caminho da prosperidade e do sucesso. Faça isso e você será uma pessoa próspera à maneira de Deus.

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O autor

Cícero Bartolomeu de Araújo
é pastor da IPRB
desde 15 de agosto de 1993.

Detentor do prontuário número 696.
Residente em Campinas, SP.
Filiado ao Presbitério de Rondônia.
Artigo publ. no Jornal Aleluia de novembro de 2002.

Quem faz um casamento prosperar – Agosto/2002

Por ser um momento especial na família,
o casamento é marcado
com festas em todos os povos.
Cada um o celebra à sua maneira.
O primeiro foi o do Jardim do Éden
com Adão e Eva.
Outro inesquecível foi o que ocorreu
em Caná da Galileia
e que contou com a presença de Jesus.

João 2: 1-10

No casamento de Caná houve um grave problema. Os noivos não se proveram de uma quantidade suficiente de vinho para todos. Isso deu causa a uma grande confusão, zunzum, falatórios… Só que, entre os convidados, estava Jesus. Essa presença especial é que fez e faz a diferença em qualquer casamento. O que traz a prosperidade para um casal não é o vinho, nem a festa, nem a música, nem o bolo, mas a presença do Senhor dos senhores. Quem faz um casamento prosperar é Jesus.

Nesse casamento, Jesus operou seu primeiro milagre, o da transformação da água em vinho. Mas, que estranho milagre! Porém, se pensarmos bem, vamos imaginar o clima negativo que invadiu aquele ambiente. Os noivos desesperados, alguns convidados ameaçavam ir embora, outros aborrecidos… Alguém tinha de fazer alguma coisa. E Jesus resolveu o problema e ponto final. O casamento, antes ameaçado no seu nascedouro, agora iria prosperar.

O simbolismo do vinho

Hoje também, enquanto tudo vai indo bem, ninguém procura Jesus. Ninguém quer saber quem Ele é, nem onde está. Se as pessoas têm saúde, moradia, carro do ano, emprego promissor, faturamento ótimo, faculdade, família bem-sucedida e altos negócios – pra que pensar em Jesus? Nem dá tempo para falar sobre vida espiritual. Mas, sem Jesus, tudo isso é vazio, é sem sentido. Falta o bom-humor, faltam os abraços e a verdadeira prosperidade. O bom é quando podemos receber Jesus em nossa casa, Ap 3: 20.

Jesus vem para transformar

Há outros que, no afã de alcançar logo o topo da prosperidade, até convidam Jesus para assistir à cerimônia de seu casamento, para entrar em sua casa, em sua empresa, para acompanhar seu trabalho, seus estudos, só que querem que Jesus fique como se fosse uma estátua: não pode mudar nada. Não pode transformar, não pode aconselhar. Tem apenas de espantar os “olhos gordos”, as invejas e os fracassos.

Mas não é isso que Jesus quer. Ele prefere participar de seu casamento, de sua família, de seus negócios e abrir as portas para você prosperar à maneira de Deus. Você apenas tem de convidá-lo e deixá-lo agir. Jesus age com responsabilidade. É dessa forma que Ele pode fazer-nos prósperos.

Jesus tem um projeto de vida
para cada pessoa

Para muitos, quando acaba o dinheiro acaba também a razão de viver. Acabam as amizades, a alegria e a fé. Vem o mau-humor, a reclamação. E dizem: Deus não se importa mais comigo. Isso ocorre quando pensamos que o vinho é mais importante que o casamento. Quando o material é mais que o espiritual. Mas, o que jamais pode acabar em nossa vida é a presença de Jesus.

Do ponto de vista humano, os serventes tinham razão para questionar: precisamos é de vinho, não de água. Jesus teria outras maneiras de resolver o problema, mas queria nos ensinar a usar situações conflitantes como degraus para alcançarmos a vitória. Remover a pedra, encher as talhas são ações que podemos fazer; mudar a água em vinho, multiplicar o azeite da botija – isso cabe ao Senhor.

Jesus age na hora certa

Maria, mãe de Jesus, também estava na festa. Percebeu o problema e ficou ansiosa. Como todos nós, queria uma pronta intervenção de Jesus. Mas ele aguardou a hora certa. Esperou que viessem trazer o problema a Ele e pedir sua ajuda. Jesus opera milagres no tempo certo, no lugar certo e por meios certos.

A prosperidade que vem de Deus chega lentamente. É assim que Ele trabalha: o homem natural não percebe. Mas fica alegre com o resultado. A festa voltou a ter sentido. O casamento voltou a ter vida. Com Jesus, tudo é maravilhoso! O mundo precisa beber do vinho do Espírito Santo para alcançar a prosperidade à maneira de Deus.

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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2003

A desunião entre irmãos – Julho/2003

Ainda não aprendemos a discordar
sem dividir e sem desunir

Infelizmente ainda existem grandes empecilhos
entre os “irmãos” da grande família de Deus
na terra – a Igreja

Tais empecilhos agem como fortes
muralhas de separação

Fato é que o radicalismo dogmático, vindo
de nossas próprias regras e convicções,
tem dividido a Igreja de Cristo Jesus

Vamos refletir sobre alguns deles

A ideia de que Deus só pertence ao “meu” grupo

O conceito de que Deus seja patrimônio de grupos, que o Espírito Santo pode ser preso a determinados costumes locais. Consequentemente, quem sai destes grupos não tem Deus, está fora da visão, está sem cobertura espiritual, ou ainda está em rebeldia. Que tolices!

A ideia de que só a minha hermenêutica está correta

O conceito de que só eu sei fazer a coisa certa. De fato, devemos seguir os princípios universais da interpretação bíblica. Mas longe de nós dizer: a minha exegese é perfeita. Porque o exegeta sempre leva para o texto que está interpretando sua cultura e tradição teológica.

A ideia de que só a minha “performance”
espiritual está correta

O conceito de que só eu sei tudo. Este é outro motivo que tem fragmentado o corpo de Cristo. Já é tempo de sabermos que a multiforme graça de Deus não opera sempre da mesma maneira. Não posso julgar ou condenar outros irmãos que não têm o mesmo jeito que o meu ao liderar, ao pregar, ao ensinar, ao agir. Pelo contrário, precisamos sempre uns dos outros. Ninguém sabe tudo, ninguém recebe tudo, e só Deus tem a última palavra.

A ideia de que as tradições são intocáveis

O conceito de que não se pode mudar nada. O apego extremado às tradições tem causado separações e divisões entre irmãos. Todos os grupos têm tradições e nós temos as nossas. Em alguns grupos a tradição é tão forte que, quando alguém sai, o motivo não é a violação de alguma doutrina bíblica, mas a quebra de alguma tradição. As tradições são como odres velhos que são deixados de lado, não porque sejam velhos, e sim porque enrijeceram. O odre é feito de pele, precisa ser macio e elástico porque, quando o vinho novo fermenta, o odre estufa e, se a pele for velha, arrebenta-se.

Ah! Que força têm as tradições! Mas é de flexibilidade que precisamos diante de fatos novos, de tempos novos. Às vezes Deus nos obriga a quebrar algumas tradições para bem dos irmãos e para o êxito da causa que abraçamos.

Palavra final

Vamos pensar sobre este assunto? Sabendo que pensar pode ser perigoso, porque costuma levar a conclusões de que é preciso mudar, e mudanças podem custar algumas coisas que nos tirarão da área de conforto.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2003

Avivamento, o clamor do profeta de Deus – Maio/2007

“Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi:
aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos,
no meio dos anos a notifica: na ira
lembra-te da misericórdia”
Habacuque 3: 2

Avivamento consiste no grande desafio e carência da igreja nos dias de hoje. Gosto de pregar este tipo de mensagem, porque é por meio dela que as igrejas se renovam e são despertadas para o trabalho de evangelização e ganham um interesse maior pela busca do poder do Espírito Santo. Expulsar demônios é bíblico e o ministério de libertação é maravilhoso. No entanto, Deus tem me chamado para pregar a mensagem de avivamento.

Esta mensagem precisa ser pregada com mais frequência em nossas igrejas. Tenho feito isto onde tenho pregado e as igrejas têm adquirido profundas experiências com Deus, tais como: renovação de vidas, batismo com o Espírito Santo, distribuição de dons espirituais pelo Espírito Santo e restauração de vidas. O meu discurso é o mesmo do profeta Habacuque: “Aviva, ó Senhor, a Tua obra…” .

O clamor por um avivamento foi a tônica de sua mensagem. Diz o texto que a palavra trouxe-lhe temor e, como resultado desta atitude, ecoou do profundo do seu coração o clamor por um derramar do Espírito sobre a nação de Israel, que precisava, urgentemente, ser despertada e voltar-se inteiramente para Deus. E isto só viria a acontecer caso houvesse um mover de Deus: o avivamento.

Portanto, somos pelo avivamento. O presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, lançou na última Assembléia o desafio para os próximos três anos de nossa administração: ‘reavivamento e crescimento da Igreja’. Estamos crendo que Deus vai envolver esta igreja em uma grande nuvem e virá abundante chuva de avivamento. Vamos, incessantemente, buscar esta bênção.

Diante disso, quero, nesta oportunidade, fazer algumas colocações sobre alguns significados do avivamento de Deus para o seu povo.

Despertar-se do sono

Comecemos por esta afirmativa fundamental: avivar-se significa despertar-se do sono da frieza espiritual. O profeta pediu avivamento porque Israel precisava acordar. Seus líderes estavam dormindo o sono do comodismo e da inércia espiritual. Ele sabia que o povo havia pecado e, consequentemente, seria julgado e condenado. E, por isso, pede para que Deus apareça entre o povo com uma nova manifestação de poder, por meio de sua graça e de seu Espírito. Somente assim eles seriam perdoados e salvos.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Roma, exorta-os dizendo: “…é hora de despertamos do sono, porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”, Rm 13: 11. Quer dizer: ele apela aos cristãos e os desafia a uma vida cristã ativa e de trabalho cristão. No verso 12, quando diz que “a noite é passada e o dia é chegado”, cria na volta iminente de Jesus um fator motivador para permanecermos acordados na vida cristã: Jesus está vivo e vai voltar para buscar a igreja.

À semelhança do profeta Jonas que, em razão de sua desobediência a Deus, dormia um profundo sono no porão do navio, Jn 1: 5, muitos estão fugindo da presença do Senhor e estão dormindo espiritualmente nos porões da tristeza, da frieza espiritual, da negligência, do comodismo e da desobediência. A estes, a Palavra de Deus está dizendo todos os dias: “Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá”, Ef 5: 14.

Atitudes de protesto

O grito de protesto do profeta Habacuque por um avivamento está marcado neste texto por sua coragem ou destemor ao dizer com fé: “Aviva, ó Senhor, a Tua obra”. O profeta estava reclamando contra todas as atitudes erradas de sua nação. O mau comportamento desse povo era uma afronta ao verdadeiro Deus. E, com temor no coração, ao ouvir a Sua palavra, o profeta não vê outra alternativa a não ser um real avivamento para varrer do meio do povo todo pecado.

Os dias atuais são difíceis e tenebrosos, porque o mundo jaz no maligno, Jo. 5: 9. Não dá pra ser crente frio e conformista, Rm 12: 2. Precisamos protestar contra a frieza espiritual que procura assolar a igreja de Jesus na terra. A Igreja Presbiteriana Renovada nasceu no fogo do Espírito Santo. Ela é fruto de avivamento. E o fogo santo queima pecado, mundanismo e todo tipo de atitude inconveniente que queira impedir o avanço da obra de Deus.

Não podemos ficar calados. Se assim o fizermos, diz a Bíblia que as pedras clamarão, Lc 19: 40. A ordem bíblica é protestar contra as atitudes do nosso adversário com a autêntica proclamação do evangelho. Este protesto precisa ser imperativo e contextualizado, pois o próprio Jesus disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”, Mt. 16: 15. A Palavra de Deus afirma que não há tempo a perder: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”, Jo 9: 4.

Para protestar contra o pecado não é preciso sair às ruas com faixas e bandeiras, mas é possível fazer isto em oração, em consagração e jejum a Deus. A atitude de protesto da igreja pode ser demonstrada por de meio da qualidade de vida cristã, isto é, uma vida ordeira e orientada pela Bíblia Sagrada.

Comprometimento com o reino

Em sua oração, o profeta roga a Deus para que, nos tempos de aflição e angústia, a sua misericórdia seja lembrada, porque sem ela o povo iria perecer no pecado. A compaixão divina era a porta de retorno a uma vida de reconciliação e, posteriormente, reafirmação de um autêntico compromisso cristão. E está claro nas palavras do profeta que o avivamento traçaria este caminho e o poder de Deus levaria o povo à conscientização e tomada de uma posição coerente com os princípios de Deus.

Costumo dizer que vida cristã traduz-se por comprometimento com o Reino de Deus; viver o que cremos e pregamos e uma volta aos dias da Reforma e aos ensinos do livro de Atos. É também vida no Espírito, Gl 5: 25; vida frutífera, Jo 10: 10 e 15: 5 e vida de serviço ao Reino de Deus. Jesus disse que ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus, Lc 9: 62. Crente avivado tem como prioridade pensar nas cousas que são lá do alto, Cl 3: 2.

Aprendemos pela Bíblia que vida com Deus é vida plena de submissão e fidelidade a Ele. O crente comprometido com as coisas espirituais não tem tempo para aquilo que não é de Deus, porque o fogo do Espírito Santo está constantemente aceso em seu altar (sua vida). Jesus disse que quem quiser ir para o céu deve tomar a sua cruz e segui-lo a cada dia, Lc 9: 23. Somente uma vida avivada e cheia do Espírito Santo poderá suportar as provações e as tentações deste mundo.

Jesus é o maior exemplo de vida comprometida com o Reino de Deus. Quando estava sendo julgado, afirmou com convicção: “.O meu Reino não é deste mundo…”, Jo 18: 36. De fato, a igreja precisa estar ciente de que a sua tarefa neste mundo é ser sal da terra e luz do mundo, e que ela está no mundo, mas a ele não pertence: “Não peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal”, Jo 17: 15.

Que a oração do profeta Habacuque seja a constante oração da igreja, e que a frase “Aviva, ó Senhor, a tua obra…” não seja apenas o lema da IPRB, mas o lema de vida daquele ou daquela que quer viver uma vida cristã autêntica, até a volta de Jesus.

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Fonte: Jornal Aleluia de maio de 2002.

Vocação pastoral: uma reflexão na hipermodernidade! – Junho/2012

A Bíblia sagrada narra a vida
de vários homens de Deus
que responderam com disposição
à proposta divina
de realizar Sua vontade

Essa “vontade interior”, a que chamamos de vocação, é algo muito mais profundo que muitas vezes nos leva a renunciar o eu interior para nos colocarmos à disposição do reino. Somos arregimentados por Cristo, segundo o seu beneplácito, nos escolheu. “Não fostes vós que me escolheste a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis frutos…” João 15:16.

Para entender melhor esta entrega se faz necessário a abordagem do assunto vocação em uma era em que o termo pós-moderno já foi substituído para o termo hipermoderno, mas as observâncias para os vocacionados são atemporais.

Segundo Kiéos Magalhães Lenz César a palavra vocação tem origens gregas no verbo kaleo e suas variações (o substantivo klêsis e o adjetivo kletós). O verbo kaleo significa eu chamo, nomeio, convoco: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados (eklêthete)” (Ef 4.1). O substantivo klêsis significa vocação, chamado, convite: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação (klêsin)” 1Co 1.26. O adjetivo kletós significa chamado, convocado: “de cujo número sois também vós, chamados (kletòi) para serdes de Jesus Cristo” Rm 1.6. Esses termos quase sempre são empregados com o sentido de vocação procedente da parte de Deus.

Bastos de Ávila faz breve referência a esse uso: originalmente, o termo se referia, de modo exclusivo, a uma disposição para a vida sacerdotal e religiosa. Nesse sentido, vocação significa um chamamento divino a um gênero de vida que permita dedicação total às coisas de Deus.

Calvino, em suas Institutas, diz que a vocação era a condição inicial para qualquer ofício: “…Portanto, para que alguém seja considerado verdadeiro ministro da Igreja, primeiro importa que tenha sido devidamente vocacionado, Hb 5:4; então responda ao chamado…”

O célebre pregador Spurgeon disse: “Antes que um homem assuma a posição de embaixador de Deus, deve esperar pelo chamamento do alto. Ser pastor sem vocação é como ser membro professo e batizado sem conversão… Estando seguro de sua vocação pessoal, deve investigar quanto à questão subsequente da sua vocação para o ofício; a primeira é-lhe vital como cristão, e a segunda lhe é igualmente vital como pastor.”

Aqueles que são vocacionados devem sentir-se privilegiados. Veigh disse: “A vocação do pastor é realmente um ofício especial. Não que ela tenha mais mérito do que qualquer outra vocação. Deus age e também está escondido em outras vocações. Mas o ofício pastoral não serve apenas ao mundo, mas ao reino espiritual de Deus. Cristo age no trabalho do pastor de modo libertador, graças à palavra do pastor e as consequências eternas do ministério.”

Obreiros vocacionados servem a Deus e a sua geração. Donald T. Turner disse:“Não há outra carreira ou profissão que ofereça ao homem tão grande oportunidade para servir sua geração.” Nosso papel, enquanto ministros de Cristo, é fazer Seu nome conhecido em nossa geração.

“Somos trabalhadores vocacionados da chamada final”, Alberto Barrientos diz. “A vocação é de Deus e corresponde às suas profundas aspirações. O trabalho pastoral está no plano de Deus para a humanidade caída. Não tem sua origem em planos humanos, mas no programa divino”. Todo chamado para obra de Deus provém da Trindade Divina que escolhe homens, mulheres e crianças para serem embaixadores do Reino.

Quando um pastor, obedecendo à sua vocação, ministra a palavra de Deus, neste momento ele se torna porta-voz dos céus. Whitloc declara: “Considerando que Deus não habita entre nós de forma visível, Ele usa o ministério de homens vocacionados para declarar abertamente sua vontade, transferindo-lhes o seu direito e honra, servindo suas bocas apenas para que lhe possa fazer seu propósito.”

Aqueles que desejam obedecer à sua vocação devem levar em consideração as palavras de Spurgeon: “Se vocês não sentem o calor sagrado, rogo-lhes que voltem para casa e sirvam a Deus em suas respectivas esferas. Mas se, com certeza, as brasas de zimbros chamejam por dentro, não as apaguem”.

Há muitos irmãos em nossas igrejas que sentem um chamado para o ministério, mas por vários motivos acabam desanimando-se. Uma das evidências da vocação é que a chama a cada dia aumenta, confirmando assim seu chamado, todavia esta chama não se restringe somente ao oficio pastoral. Não podemos nos esquecer dos milhões de soldados valentes que são vocacionados e servem a Deus no âmbito local.

Conhecemos muitas pessoas inteligentes e capazes, mas no que se refere à obra é necessário muito mais, pois haverá situações em que será necessário mais que habilidade humana e sim dependência de Deus.

Lutero aborda esta questão da seguinte forma: “A vocação não deve ser assumida levianamente, pois não é o suficiente que uma pessoa tenha conhecimento. Ele precisa estar certo de haver sido devidamente vocacionado. Aqueles que exercem o ministério sem a devida vocação almejam bom propósito, mas Deus não abençoa os seus labores. Eles podem ser bons pregadores, mas não edificam.” É por isso que palavras bonitas e bem colocadas não edificam e nem mudam vidas.

O papel pastoral é muito superior a um show ou apresentação. Somos canais de Deus e não podemos nos esquecer nunca de que não somos nós, pastores, que temos o poder de mudar as vidas, mas sem dúvidas somos uma ferramenta usada por Deus para encaminhar as vidas sedentas a Deus. Não despreze o seu chamado. Deus é quem o chamou e é fiel e justo para ajudá-lo nas suas limitações e dificuldades.

Segundo a Junta de Educação Teológica da Igreja Presbiteriana do Brasil, vocação pode ser definida nos seguintes termos: O chamado para o ministério é diferente em, pelo menos, três sentidos: (1) não se baseia em tendências, mas no chamado de Cristo mediante o conhecimento de sua vontade e o testemunho interior do Espírito Santo; (2) não objetiva uma profissão nem um cargo para realização pessoal, mas uma posição de serviço que requer abnegação e transformação de caráter; e (3) implica o cumprimento exemplar de obediência à Palavra em todo o processo de crescimento espiritual, e capacitações e habilitações para a pregação e o cuidado público e individual.

Inimigos modernos da vocação pastoral

A vocação pastoral possui inúmeros inimigos modernos:

1) Relativismo missional:

Jedeias, citando Richard Baxter, aborda que o obreiro vocacionado precisa ter cuidado com a fragmentação do evangelho, pois neste mundo tão ávido por novidades podemos incorrer inconscientemente, em oferecer formulas rápidas. Deus nos chamou com o objetivo de anunciar sua palavra que é rica e profunda, pois o evangelho é tão simples que uma pessoa iletrada pode entender e, ao mesmo tempo, é tão profundo que os mais hábeis cientistas não conseguem compreender. Não podemos nos esquecer de que no evangelho, além das bênçãos, está também embutida a renúncia.

Este mundo pós-moderno tenta sufocar as convicções da igreja, mostrando a inversão de valores através do relativismo. Não podemos esquecer que o homem é complexo, mas o evangelho é completo.

2) Pragmatismo missional:

Vivemos em um mundo capitalista e competitivo, e esse vírus do crescimento a qualquer custo muitas vezes quer contaminar o ambiente cristão “porque nós não estamos como tantos outros, mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2Co 2.17), Rubens Ramiro Muzio em seu livro DNA da Liderança Cristã declara que muitos estão deixando de buscar orientação de Deus e estão buscando estratégias mercadológicas coorporativas. De fato, como pastores entendemos que administrar a igreja não é o mesmo que administrar uma empresa.

Podemos até emprestar algumas ferramentas para melhor atender a comunidade cristã, mas o perfil da igreja é completamente antagônico ao de uma empresa. Toda e qualquer formação secular dever estar subordinada à nossa missão de proclamadores da palavra de Deus.

Muzio enfatiza que as propostas de crescimento não devem ser pautadas em marketing, mas em visão missional contextualizadas na teologia bíblica. Segundo Jedeias de Almeida, muitos buscam crescimento a qualquer custo e sob qualquer bandeira.

Como vocacionados precisamos buscar em Deus o equilíbrio para entender que há momentos em nosso ministério em que o crescimento se dá por outras formas e não somente através de um rol de membros. “Um planta, outro rega e outro colhe; porém, o crescimento vem de Deus. “De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” 1Coríntios 3:7.

É inegável que nenhum pastor quer terminar o ano com o mesmo numero de membro com que o iniciou, mas muitas vezes o crescimento se dá, por exemplo, na consolidação dos recém-convertidos. Não podemos nos esconder atrás do ócio, mas também devemos ter claro em nossa mente que Deus dá o crescimento.

3) Subjetivismo missional:

Jedeias, em sua tese de doutorado, cita que atualmente pessoas têm escolhido viver de forma equivocada, achando que a seleção para o ministério se faz na perspectiva do mercado, necessidades da oferta e da procura e não pela direção do Espírito Santo. Tais escolhas estão fadadas ao fracasso, pois ser vocacionado não é buscar emprego.

Anísio Batista Dantas afirma: “Quem pensa que é fácil ser pastor não passa de um mal informado, ignorante e prepotente. Ser pastor não é ser dirigente de culto, é ser dirigente de vida e transmitir tudo aquilo que o doador da vida deseja que todos os homens recebam. Ser pastor não é falar bonito, não ser bom orador. Ser pastor e ter paixão pelas almas”. Outro aspecto que Rubens Muzio aborda em seu livro é o seguinte: o pastor desde século precisa ter habilidades para corresponder às exigências atuais. Jedeias comenta que há pessoas que buscam capacitações e treinamento no nível corporativo e deixam de buscar o maior e melhor professor que é o Espírito Santo. Tais capacitações visam ao antropocentrismo, e muitos se esquecem de que ser vocacionados é viver uma vida cristocêntrica.

Caros colegas, administradores são indicados, governos são eleitos para um tempo especifico e determinado, mas o pastor é chamado e vocacionado por Deus para ser porta voz em tempos de Guerras e Paz. MacArthur disse: Um chamado divino e inigualável, concedido a homens eleitos por Deus para serem ministros de Sua Palavra e servos de sua igreja.

Nossa vocação não é fruto da mão do homem: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” João 15: 16. Nossa vocação é fruto de uma escolha diretiva do Senhor. Não devemos nos esquecer de que estando em um pequeno centro populacional ou em uma megalópole, pastoreando uma pequena ou grande igreja, tendo inúmeras habilidades ou sendo limitados por vários contextos, foi Deus que, em seu olhar eterno, nos arrebanhou para sua seara.

Somos privilegiados por Deus nos conceder tão grande responsabilidade de pastorear pessoas e ver que através de ministrações, de aconselhamentos e proposta de intervenções podemos ver estas almas transformadas pelo poder que há no nome de Jesus e na Palavra de Deus. Somos abençoados por ver um Deus tão poderoso cuidar de maneira tão especial de nós e de nossas famílias. Às vezes temos dificuldades, mas não existe nada melhor do que sabermos que estamos cumprindo as ordens de nosso comandante (o nosso Deus) e ter convicção de que vai dar tudo certo, porque é Ele que esta no comando. A este Deus que tudo sabe, que tudo vê, a Ele sejam dadas glórias, pelos séculos dos séculos. Amém. 1Pedro 5: 11.

“Umas das coisas mais belas de se ver em um púlpito é um pastor vocacionado ministrando.” Pr. Gilberto Eller Filho, IPR de Goioerê, abril
de 1997, Ministração no SPRC.

“Um dos passos mais importantes de um candidato ao Seminário é ter convicção de sua vocação. Pois no seminário e no ministério o obreiro será testado nos níveis mais intensos e variados de sua vida. Pr. Lauro Celso de Souza -Santa Ceia no SPRC, 1998.

“Cada um na vocação em que foi chamado, nela permaneça.” (Vulgata)

Aquele que tem uma profissão tem um bem; aquele que tem uma vocação tem um cargo de proveito e honra. (Benjamim Franklin)

“O sentido da vocação é o sentido superior do homem… Dia memorável na vida de um homem é aquele em que ele se convence de que há um serviço que ele deve e pode prestar à sua pátria ou à sua época.” – John Mackay.

Bibliografia consultada

Donald T Tuner. A Prática do Pastorado. Instituto Bíblico Brasileiro por correspondência. Imprensa Batista Regular.

Riggs Ralph M. O Guia do Pastor. 3ª ed, 1980, Editora Vida.

Dantas A. Batista. O Pastor e seu Ministério. 1990
Barrientos Alberto. Princípios e Alternativas do Trabalho Pastoral. Editora Crista Unida.

PETERSON, Eugene. A Vocação Espiritual do Pastor: redescobrindo o chamado ministerial. São Paulo: Mundo Cristão, 2006.

Junta de Educação Teológica da Igreja Presbiteriana do Brasil. Anexo do candidato ao ministério.

Kiéos M. Lenz César. Vocação: Perspectivas Bíblicas e Teológicas. Viçosa Ultimato 2002, pp. 17-23

Duarte A. Jedeias. A Vocação para o Serviço ou Serviço dos Vocacionados. Fides Reformata XVI, Nº 2, 2011, pp. 99-117

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Fonte: Jornal Aleluia 374, de junho de 2012, p. 5

Síndrome de Constantino. Uma abordagem sobre o nominalismo no século XXI – Maio/2012

Viver a vida cristã sempre foi um grande desafio.
Mas o prazer da comunhão com Cristo supera qualquer vento contrário. Todo cristão engajado com os princípios apostólicos tem satisfação em congregar, bem como em externar sua fé.

O mundo contemporâneo está vivendo uma época de grandes mobilidades. No que se refere à espiritualidade brasileira, hoje nascem tantas manifestações religiosas que nos surpreendem pela sua criatividade de nomes e de filosofias “pseudo-teológicas”. O aumento dessa pluralidade religiosa, entre outras coisas, tem produzido o aumento do retrato sócio-espiritual que é o aumento de cristãos evangélicos nominais, ao que podemos denominar de “síndrome de Constantino”.

Por que síndrome?

Síndrome significa a reunião de alguns sintomas ou comportamentos que caracterizam uma patologia não específica e sem causa determinada. Dados da revista Isto É, citando o IBGE, aponta que: os “evangélicos de origem que não mantêm vínculos com a crença saltaram, em seis anos, de insignificantes 0,7% para 2,9%”. Em números absolutos são quatro milhões de brasileiros a mais nessa condição.

O espírito de nominalismo vem de longe e tem como seu precursor o imperador Constantino que, segundo Gene Edwards, qualifica o Imperador Constantino como o primeiro cristão medieval: “noventa por cento cristão de nome e noventa por cento pagão de pensamento”.

Cristão nominal

O termo “cristão nominal” é usado para qualificar o indivíduo que professa uma determinada fé sem, contudo, ser praticante. Esta expressão foi utilizada pela primeira vez por William Wilberforce (1759-1833). Winston Churchill, citando Wilberforce, dizia que esse líder do movimento abolicionista do tráfico negreiro fora um cristão crítico, que rejeitava o cristianismo acomodado. Wilberforce dizia: “que não bastava professar o Cristianismo, levar uma vida decente e ir à Igreja aos domingos, mas que o Cristianismo atravessa cada aspecto, cada canto da vida cristã”.

Sua abordagem do Cristianismo era essencialmente prática. Dentro da visão de Wilberforce “os interesses do cristão nominal concentram-se nas coisas temporais; os interesses do cristão autêntico concentram-se em coisas eternas. O dicionário catequético da Igreja Presbiteriana do Brasil descreve “cristão nominal” como aqueles que usam a igreja para “um ponto de encontro para rever os amigos, parentes e para ter uma “terapia espiritual”, sem, contudo, ter “o novo nascimento”.

Já o Congresso Internacional de Evangelização, Lausanne, 1974, define como cristão “nominal” aquele que “se intitula cristão, mas não tem um relacionamento autêntico com Cristo com base na fé pessoal.”

Perfil do cristão nominal

Nesse Congresso de Lousanne foi levantado o perfil do cristão nominal:

Perfil do cristão nominal

1) Frequenta a igreja, sem relacionamento pessoal com Cristo.

2) Vai à igreja, mas por motivos culturais e não espirituais.

3) Frequenta a igreja, mas só nas festividades e cerimônias especiais.

4) Há o que não frequenta a igreja nem é membro dela, mas se considera verdadeiro cristão.

Verdades que os cristãos nominais devem saber:

1) Devemos “mostrar” que a verdadeira espiritualidade é evidenciada na prática diária. Tiago 1: 27: “A religião pura e imaculada com nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e guardar-se incontaminado do mundo”.

Quando Tiago escreve a respeito do cuidado com órfãos e viúvas, ele tem em mente evidenciar que a vida cristã tem seu lado prático. Pois fé e obras (a prática) caminham juntas e são indeléveis. Tiago declara que a espiritualidade saudável é acompanhada de uma vida prática, e todo cristão autêntico se esforça para viver as ensinanças do evangelho em seu cotidiano.

2) Devemos “conscientizá-los” de que uma vida cristã plena redunda em bem-estar espiritual. Tiago 1: 25: “…aquele, porém que atenta bem para lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será BEM-AVENTURADO NO QUE REALIZAR”.

Um dos maiores prazeres que o cristão pode ter é viver as bênçãos contidas na Palavra, e isso só é possível quando nos entregamos cabalmente à vontade de Deus. O evangélico que oferta apenas porções de sua vida terá dificuldade em desfrutar dessa riqueza, pois a vida cristã se torna impraticável quando vivida pela metade.

3) Devemos mostrar que o evangelho é vivo. Hb 4:12: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz,e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.

Como líderes, devemos nos esforçar para mostrar aos cristãos nominais que a Palavra de Deus é viva, Deus é dinâmico e pode aquecer a vida descompromissada de qualquer pessoa.

4) Devemos “levá-los” a uma experiência impactante. At 9: 3: “Aproximando-se ele de Damasco, na sua viagem, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu”. 1Cor 4:20: “Pois o reino de Deus, não consiste em palavras, mas em poder”.

O cristão nominal muitas vezes é perito em repetir textos bíblicos, porém como ministros da Palavra é de vital importância que sejamos um canal de Deus levando-os a uma experiência com Deus.

O apóstolo Paulo era doutor da lei judaica, porém só experimentou uma mudança radical quando teve um impactante encontro com Cristo, segundo o adágio popular: “contra fatos não há argumentos”. Algumas ferramentas podem ser utilizadas como campanhas de oração, retiros espirituais, busca de plenitude do Espírito Santo entre outras, mas o essencial é um real encontro com Cristo, pessoal e marcante.

5) Devemos tratá-los com medida intervenções de longo prazo. Rm 10: 17: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

É necessário que o líder e a igreja tenham paciência pois é um tratamento de longo prazo.O cristão nominal é um ser dotado de fé, pois ainda esta no meio da congregação, porém o que lhe falta é o engajamento com os valores do reino, saindo de um anonimato insípido e cinzento para uma vida de pratica e rica no âmbito espiritual.

Mudanças no âmbito psico-espiritual muitas vezes levam tempo. E, para não haver frustração pessoal, é necessário que o líder não desanime em seu ministério de ensino e de cuidado pastoral.

Caros amigos e colegas! Este tema tem sido recorrente no decorrer dos anos, e nós, na missão de porta-vozes, não podemos nos esquecer que, se há pessoas descompromissadas, por outro lado há muitos que são engajados e que se esforçam por viver os valores do reino. Precisamos estar ao seu lado.

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Maio de 2012.

Uma abordagem sobre o esgotamento físico dos pastores – Junho/2011

A atual conjuntura tem exigido
do pastor tomadas de decisões
que, em outras épocas,
nem eram cogitadas.

A cada dia fica mais comum, em nossas igrejas, termos de orientar casais em conflitos, famílias vítimas de violências, outras desestruturadas economicamente, jovens envolvidos com drogas, casamentos precoces, e pastorear, com muita frequência, pessoas com depressão, câncer, Alzheimer e outras doenças graves.

Tudo nos leva a buscar informações sobre assuntos como eutanásia, tratamento com células tronco, inseminação artificial, aconselhamento de casal com filhos siameses, violência, desigualdade social e outros tantos temas e problemas.

O pastor deste mundo pós-moderno, além de lidar com as questões já mencionadas e outras não listadas, ainda tem de desenvolver diversas habilidades, especialmente na área administrativa. Para poder corresponder com as necessidades do homem moderno, segundo Donald Price, em seu livro Conflitos e Questões Polêmicas na Igreja, a sociedade e igreja cobram do pastor atual que ele tenha mente erudita, coração de criança e pele de rinoceronte.

Amados, sabemos que para o pastor dar conta de todas essas exigências não é possível. Nem há tempo e nem condição emocional para tanto. Ocorre, então, que os desafios da atualidade têm gerado nos pastores desgastes que, por sua vez, podem ser somatizados, trazendo consequências pessoais, familiares, financeiras, e para o reino. Sobre isso é que desejamos oferecer uma contribuição

A síndrome de Burnout

Tenho observado que existe um crescente número de pastores que vêm desenvolvendo problemas de saúde devido ao desgaste como cuidador ou demonstram a síndrome de Burnout (descoberta na década de 70). É um distúrbio psíquico de caráter depressivo, caracterizado pelo esgotamento físico e mental. Burnout é uma expressão inglesa (“to burn out” que significa queimar por completo. O esgotamento está relacionado com o estresse causado pelo “trabalho como cuidador”. E o ofício pastoral nada mais é que cuidar espiritualmente, fisicamente etc.

Segundo Champlim, a palavra pastor vem do hebraico e significa cuidar dos rebanhos. Na condição de cuidador, o pastor não está isento de sofrer situações estressantes. O portador da síndrome de Burnout se destaca pela dedicação exagerada à atividade que exerce, em nosso caso o pastorado. O desejo de ser sempre melhor, de ter altos desempenhos, o desejo de valorização pessoal faz com que a vida de cuidador (pastor) se torne uma obstinação e compulsão, levando a um desgaste emocional e físico muito intenso.

Fisiopatologia do estresse: Em condições de estresse crônico, várias substâncias como o cortisol e outros são lançadas na corrente sanguínea, causando desequilíbrio. A maioria dos óbitos é causada por doenças no sistema cardiovascular e um dos fatores é o estresse.

Alguns sintomas dessa síndrome

Sintomas psicossomáticos: enxaqueca, dores musculares ou cervicais, gastrite, úlcera, diarreias, palpitações, hipertensão, Na mulher, suspensão do ciclo menstrual; no homem, a impotência. E baixo libido nas mulheres e homens.

Sintomas comportamentais: violência, drogadição medicamentosa, incapacidade de relaxar, mudanças abruptas de humor.

Comportamento de risco – Suicídio: conversas que dizem que a vida não vale à pena ou por que Judas não foi salvo? – tais assuntos têm como alvo defender o suicídio.

Sintomas emocionais: alto nível de impaciência, distanciamento afetivo como forma de proteção do ego, frequentes conflitos interpessoais, sentimentos de solidão, irritabilidade, ansiedade, baixa tolerância à frustração, dificuldade de concentração impotência, declínio no desempenho profissional (pastorado), apatia e negação.

Essa síndrome geralmente é desenvolvida em pessoas que tiveram alto grau de esforço físico ou mental e tiveram ou não pequenos intervalos de descanso para se recuperarem fisicamente.

O que fazer?

Como pastores, precisamos mudar um aspecto de nossa cultura, pois se não cuidarmos de nós mesmos como teremos condições de cuidar do próximo? “Ame o próximo como a ti mesmo.” – Marcos 12: 31. Muitas vezes dizemos para igreja buscar ajuda de um profissional e nós mesmos não agimos assim.

Os pensamentos geram os comportamentos. Por isso, é de suma importância mudar tais fatores psíquicos e enxergar que não precisamos ser sempre 100%. Existe uma máxima em saúde mental: atrás de todo excesso se esconde uma doença. Em nosso caso, pastores, muitas vezes esquecemos de que o próprio Deus teve seu momento de descanso. Ele é o promotor dessa ideia. O descanso é fundamental para renovar nossas energias e nos deixa abertos para novas ações e empreendimentos. Com as energias renovadas, ficamos mais dinâmicos. É uma violência consigo mesmo e com sua família o pastor não buscar alternativas para descansar.

Viver sem estresse

Viver sem estresse é impossível, mas podemos minimizá-lo de algumas formas, no caso da vida do pastor:

Tirando férias quando possível: o hábito de recarga de energias é importante para todos os seres vivos, mas algumas vezes nós pastores achamos que não fazemos parte desse meio. E alguns ficam vários anos sem investir em si através de alguns dias de férias. E alguns, quando o fazem, ainda querem levar membros da igreja consigo, nas viagens de férias. Essa atitude, por mais nobre que seja, tira a privacidade da família pastoral e acaba, de certa forma, minimizando seu descanso.

Investindo em atividades que proporcionam prazer: muitas vezes parece quase pecado revelar que temos um hobby, pois, para alguns, falar de algo que não seja ir à igreja e ler a Palavra “ainda” é um tabu. Mas não podemos esquecer de que o ministro e sua família precisam de algum tempo de lazer. Esse tempo produzirá não só o descanso físico, mas também uma renovação mental e espiritual.

Evitando o sedentarismo. A inatividade tem sido a causa de doenças como obesidade, diabetes mellitus, problemas cardiovasculares, entre outros. A atividade física proporciona ao organismo uma ativação de substâncias que estimulam a circulação sanguínea, causando bem-estar físico e mental.

Direcionando seu ministério para uma visão qualitativa. Somos frutos de uma sociedade competidora, ávida pelo sucesso e, muitas vezes, nós pastores, sem darmos conta, entramos, nesta correria em busca de produção.

Não podemos nos esquecer de que a obra não é nossa e sim de Deus e, no demais, nem sempre podemos ter como crescimento somente números. Existem outros crescimentos além do numérico. Como queremos produzir para o reino, não devemos viver uma vida apenas de ativismo, “sacrificando” a nós mesmos, à família e até a igreja em buscas de resultados imediatos.

Que Deus nos ajude a aprender a cuidar bem de nosso corpo para, assim, durante muitos anos, podermos cuidar com eficiência da obra que Ele nos confiou. Trabalharmos, sim, mas com moderação e inteligência, para fugirmos de um estresse que venha nos impedir de servi-lo.

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Fonte: Jornal Aleluia 372, de março/abril de 2012, pp. 8 e 9.

O ministro e sua saúde mental – Novembro de 2014

Uma abordagem situacional

sobre a depressão

em pastores

A Organização Mundial de Saúde (OMS), através de pesquisas, tem demonstrado que a depressão é o mal do século. Segundo esta instituição os casos de depressão tendem a superar as doenças cardíacas e o câncer, nos próximos vinte anos. Também será a doença que mais gerará gastos econômicos e sociais para os governos. Segundo Sexana, médico psiquiatra da OMS:

“Nós poderíamos chamar isso de uma epidemia silenciosa, porque a depressão está sendo cada vez mais diagnosticada, está em toda parte e deve aumentar em termos de proporção, enquanto a (ocorrência) de outras doenças está diminuindo”.

A realidade da depressão entre pastores

Algumas pesquisas entre o público evangélico têm demonstrado que o número de pastores com problemas psiquiátricos tem aumentado. Segundo o psiquiatra Dr. Pércio, essas pesquisas tem apontado que, entre os pastores, esse índice é maior que em outras profissões.

Recentemente foi verificado que, em um grupo amostral, 26% eram pastores portadores de problemas psiquiátricos e, no caso, depressão. Segundo a pesquisa de Lotufo Neto, medico psiquiatra e professor de medicina do Hospital das Clinicas em São Paulo, foi encontrado maior incidência de doenças mentais entre ministros protestantes se comparados à população geral, e os transtornos depressivos responderam por 16,4% das doenças mentais encontradas nos ministros protestantes.

Conforme pesquisas da Universidade do Rio Grande do Sul, a UNISINOS, o pastor, líder carismático, ungido, investido da imagem do “homem de Deus” na comunidade, tem de estar sempre pronto e disponível para as atividades pastorais. Essa pronta disponibilidade atrelada à falta de um horário determinado para as atividades pastorais é apontada como uma das causas predisponentes a doenças.

Essas atividades frequentemente demandam uma alternância de emoções: sepultamento pela manhã, reunião de liderança à tarde, casamento em final de tarde e culto à noite; ou seja, a vivência, num mesmo dia, da dor e do luto, o exercício da lógica e a preocupação, a celebração de momento de alegria, prédica e exortação; e atreladas a essas atividades, todas as emoções sentidas, expressas e contidas pelo veículo sagrado.

A função pastoral está atrelada a responsabilidades e preocupações com o reino de Deus de uma forma ampla (crescimento do reino, manutenção, assistência a líderes e a membros da igreja…) todas essas atividades dinâmicas causam profundo desgaste físico e, às vezes, até emocional. Existem alguns fatores na análise de uma depressão.

Fisiopatologia da depressão entre pastores

Fatores endógenos. Existem várias hipóteses para a depressão e uma das mais aceitas é a biológica. Podem ocorrer deficiências dos neurotransmissores, como a serotonina (substância que modula o humor, sono e apetite), a noradrenalina (moduladora do humor), a dopamina (substância estimulante). O baixo nível de captação neuronal dessas substâncias causa a depressão.

Fatores exógenos. Fatores ambientais, como por exemplo, o estresse, circunstâncias adversas, problemas profissionais, familiares, momentos de perda, de ruptura, etc., ou seja, trata-se de uma Depressão causada fundamentalmente por fatores ambientais externos.

Sintomas. Os sintomas de depressão são muito variados e podem mudar de uma pessoa para outra. Existe uma forma didática e básica para conseguir detectar seus sintomas e são chamados: a) Inibição Psíquica, b) Estreitamento do campo Vivencial e c) Sofrimento Moral.

a) Inibição psíquica

Inibição psíquica é o processo que leva o deprimido a ficar lento em suas ações. Ela faz com que tarefas do cotidiano se tornem uma eternidade, pois não há dinamismo mental. Compromete a memória, o rendimento intelectual e o verbal.

b) Estreitamento do campo vivencial (perda de prazer)

O estreitamento é uma expressão que representa a progressiva perda do prazer. Essa evolução da depressão pode chegar a Anedonia, que é a incapacidade em sentir prazer em suas atividades, até mesmo as que, no passado, geravam prazer.

Nessa fase, o individuo se fecha para o mundo, pois não há ânimo para as atividades ocupacionais, as quais são substituídas por grandes períodos de isolamento. Não existe vivência construtiva com os outros e nem consigo mesmo. Nada mais pode gerar prazer.

c) Sofrimento moral (autoestima baixa)

Esse sentimento é caracterizado por sentimentos de menos valia. Trata-se de um sentimento de autodepreciação, auto-acusação, inferioridade, incompetência, culpa rejeição, fraqueza.

Dados demonstram que, na fase do sofrimento moral, é elevado o número de pessoas com ideação suicida. A pessoa depressiva se vê como o pior ser humano do mundo, e se acha o ser humano mais incompetente que existe. Para diminuir ou acabar com essa dor, alguns buscam a saída no suicido.

Em sua pesquisa o Doutor em Psiquiatria e presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil, Dr. Pércio, identificou algumas causas que levaram esse grupo amostral de pastores à depressão. São elas:

Problemas com lideranças da igreja;

Baixa remuneração;

Mudança constante de igreja;

Falta de apoio da igreja local;

Pastor tem expectativas que não são correspondidas pela igreja;

Estresse relacionado à atividade pastoral;

Queixas das esposas com relação ao tratamento dado pela igreja;

Pecado;

Enfraquecimento na fé.

A Bíblia nos mostra homens que tiveram grande experiência com Deus e que passaram por momentos de comprometimento de sua saúde. Elias foi um dos personagens que passou por uma depressão. Mesmo tendo passado por este período difícil de sua vida, Deus lhe mostrou uma saída.

Algumas intervenções
para superar a depressão

1) Abrindo-se para uma experiência diferente com Deus.

Vejamos o que nos ensina o texto de 1Reis 19: 5-21:

“E depois do terremoto um fogo, porém também o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada. E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu, e pôs-se à entrada da caverna. E eis que veio a ele uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias? Versos 12 e 13.

No quadro depressivo é comum as pessoas se fecharem para o mundo, porém deve-se incentivar a busca da cura através de uma experiência com Deus, pois Ele sabe como nos ajudar nesse processo. Elias só conseguiu superar seu problema devido a essa experiência espiritual que mudou sua vida e seu ministério.

2) Sabendo que nossa missão é importante para Deus

“E o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e vem, e unge a Hazael rei sobre a Síria.” Verso 15.

Deus estava reafirmando que a tarefa de Elias era importante para a nação de Israel, naquele momento. O cenário espiritual político estava em declínio e Elias era o homem que seria usado para promover mudanças. Quando alguém entra no quadro depressivo, logo, para ele, seu trabalho, família e comunidade não têm mais importância. É necessário realçar que Deus, em seus propósitos, conta com aquela pessoa, com seus serviços.

3) Superando a decepção com o próximo

“E ele disse: Eu tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram o teu concerto, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem.” Verso 14.

A depressão de Elias era exógena. A falta de compromisso das pessoas, o descaso com o sagrado, a superficialidade fizeram com que lhe aflorasse a depressão. Pessoas com o perfil de perfeccionismo podem, no decorrer do ministério, se frustrar, pois vão encontrar pessoas descompromissadas. É necessário saber que nossa missão, como pastores, é oferecer apoio e alimento espiritual e caberá ao outro decidir pela escolha. Desta forma teremos claro, em nossa consciência, o senso de dever cumprido.

4) Utilizar o modelo comportamental adotado por Jesus.

Jesus é nosso modelo perfeito em tudo. Ele possuía engajamento social saudável.

“E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia, e estava ali a mãe de Jesus. E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas.” João 2: 1-2.

Um dos fatores exógenos que leva à depressão é o distanciamento social. Jesus demonstrou muitas vezes estar envolvido com eventos sociais saudáveis.

Dentro da agenda de Jesus, ele destinava períodos para recarregar suas energias vitais, dando tempo para a reflexão, descanso da fatiga gerada pela ministrações. É de suma importância que o ministro saiba desfrutar também de tempos para renovação física e mental, afastando, assim, alguns motivos que desencadeiam a depressão.

A depressão não escolhe idade nem classe social, e nenhum de nós está isento de passar por ela. Por isso, é de suma importância que nós, ministros, estejamos atentos para esses sinais, pois o diagnóstico precoce e a prevenção ainda são o melhor remédio para cura.

Estamos a serviço do Senhor, mas somos de carne e osso. Não oculte de seu médico suas preocupações e ele poderá indicar os exames necessários ou mesmo encaminhá-lo a um especialista.

Novembro de 2014

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Bibliografia

1 – http://www.estadao.com.br/noticias/geral,oms-depressao-sera-doenca-mais-
comum-do-mundo-em-2030,428526,0.htm
Acesso em 12/02/2009.

2 – http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=301&sec=26
Acesso em 01/03/2008.

3 – Deus G. Ribeiro Pérsio. Um Estudo da Depressão em Pastores Protestantes.

4 – LOTUFO NETO, F. Psiquiatria e religião. A prevalência de transtornos mentais
entre ministros protestantes. 1977. Tese (Livre-Docência)–Universidade de
São Paulo, São Paulo, 1977

5 – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação de transtornos mentais
e de comportamento do CID 10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas.
10. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. UNISINOS. Stress na vida religiosa.

Tratativa sobre o câncer de próstata – Novembro de 2014 e novembro de 2017

Superando preconceitos:
um enfoque sobre a saúde masculina

Ter o dom da vida é um grande milagre de Deus. Desde quando nascemos até quando já estamos com a idade avançada, desfrutamos desse privilégio. No entanto, precisamos focar nossa atenção na qualidade de nossa saúde e isso em cada etapa de nossa vida, pois passamos por mudanças biológicas e físicas a cada fase que vivemos. Quando pensamos na saúde masculina, faz-se necessário destacar a atenção que esta merece, principalmente a partir dos quarenta anos de idade. Cada período de nossa vida deve ser desfrutado ao máximo possível, não nos esquecendo dos riscos e cuidados que cada um deles merece.

Pensando nisso, gostaria de abordar os cuidados especiais que nós os homens precisamos ter com nossa saúde, relacionada à área urológica.

O apóstolo João, em sua terceira Carta, demonstra preocupação com a vida espiritual como também com a vida física (a saúde) dos irmãos de sua época. Ele intercede para que os cristãos tenham boa saúde. Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo corra bem, assim como vai bem a sua alma. 3João 1:2.

A palavra de Deus contempla o ser humano em todas as suas esferas, pois a palavra salvação tem sua origem no grego soteria, transmitindo a ideia de cura, redenção, remédio e resgate. No latim salvare, que significa salvar´, e também de `salus´, que significa ajuda ou saúde. Na 3ª Epístola de João 1:2, o termo boa saúde aparece significando estar saudável. Porém sabemos que estar saudável todo tempo é impossível, pois a cada momento nosso sistema biológico está em transformação e se defendendo de todo tipo de agressão. Mas, no tocante à saúde masculina, temos de nos preocupar, pois com o passar do tempo algumas doenças podem aparecer.

A partir dos 40 anos

A partir dos 40 anos é de fundamental importância que o homem cuide de sua vida urológica, buscando assim prevenir um dos grandes males da saúde masculina chamado câncer de próstata. São recomendados exames de rotina a partir dos 45 anos para aqueles que não têm casos familiares de câncer, e aos 40 anos para os que, entre seus familiares, há casos de câncer.

A próstata é uma glândula masculina que se localiza entre a bexiga e o reto. Essa glândula participa da produção do sêmen, líquido que carrega os espermatozoides produzidos no testículo. Ela envolve a uretra e seu tamanho normal é de uma azeitona. A próstata, como todo o aparelho sexual masculino, tem o seu funcionamento regulado pelos níveis de testosterona circulantes, o hormônio masculino.

Os riscos

O câncer de próstata é o sexto tipo mais comum no mundo e o de maior incidência nos homens.

Cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem em homens com mais de 65 anos. Quando diagnosticado e tratado no início, tem os riscos de mortalidade reduzidos. No Brasil, é a quarta causa de morte e corresponde a 6% do total de óbitos por este grupo.

Segundo estimativa de pesquisa sobre a incidência de Câncer no Brasil, realizada pelo Instituto Nacional do Câncer em 2010/2011, a população masculina do Rio Grande do Sul é a que está sujeita a mais casos de câncer de próstata, sendo de 80 para cada 100 mil homens, por ano.

Na maioria dos homens, o câncer de próstata não apresenta qualquer sintoma na fase inicial de desenvolvimento da doença. Entretanto, alguns homens podem sentir os seguintes sinais:

Conheça os sintomas

Jato de urina muito fraco ou reduzido;

Necessidade frequente de urinar, especialmente à noite;

A sensação de que sua bexiga não se esvaziou completamente
e ainda persiste a vontade de urinar;

Dificuldade de iniciar a passagem da urina;

Dificuldade de interromper o ato de urinar;

Urinar em gotas ou jatos sucessivos;

Necessidade de fazer força para manter o jato de urina;

Necessidade premente de correr ao banheiro – pode,
inclusive, ocorrer que a urina vaze antes que chegue ao banheiro;

Sensação de dor na parte baixa das costas ou na pélvis (abaixo dos testículos) e

Sintomas menos comuns como dor durante a passagem
da urina, dor quando ejacula ou dor nos testículos.

O exame preventivo independe desses sintomas, pois, sendo preventivo, deve ser realizado mesmo que não existam sintomas.

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Homens mais jovens também podem ser afetados, mas são casos raros. O risco de desenvolver câncer de próstata aumenta com a idade. Mas o histórico familiar também é importante. Se um parente próximo (pai ou irmão) tem câncer, é necessária maior atenção e controle. Os riscos aumentam ainda mais caso um parente próximo tenha sido diagnosticado com câncer com idade inferior a 60 anos.

Segundo pesquisas americanas, homens da raça negra têm mais câncer de próstata que homens da raça branca, e mais que homens de origem oriental.

Prevenção

Quanto mais precocemente se diagnostica um tumor, maiores são as chances de cura, sendo diagnosticado no início as chances são de 90% de cura.

Os exames mais comumente realizados para se detectar esse tipo de câncer, precocemente ou não, são o toque retal, o exame de ultrassonografia transretal e o exame de PSA (antígeno prostático-específico).

Preconceito

O estudo “Saúde Masculina, o Homem e o Câncer de Próstata” foi realizado em Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, entre os dias 2 e 7 de outubro de 2009 e revelou dados impressionantes. Entre eles: por que os homens não fazem o exame? A resposta pode estar no preconceito e machismo. O levantamento mostrou que 77% concordam que os homens não fazem exame de toque retal por preconceito e 54% percebem que os homens têm medo do exame. Mas, quando questionados sobre a não a realização do exame, apenas 8% admitem preconceito em relação ao toque, enquanto 13% afirmam descuido, preguiça, relaxo e falta de tempo.

“Ninguém vai dizer que é preconceituoso, pois não é politicamente correto, mas se admitíssemos o preconceito, talvez estivéssemos indo mais ao médico. O problema é que o homem foi educado para ser Super-Homem. Pra eles doença é sinal de fragilidade”, explica Schubert.

Sobre o exame realizado para diagnóstico do câncer de próstata, dados da pesquisa mostraram que 47% dos homens já fizeram o PSA (exame sanguíneo) e 54% têm conhecimento de tal exame. O coordenador Schubert, no entanto, reforça que para detectar o câncer de próstata é importante fazer dois exames, tanto o PSA, quanto o exame de toque, apenas os dois testes conjugados vão poder ajudar a verificar a presença de um problema na próstata ou a ausência dele.

Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco do câncer. Especialistas recomendam pelo menos 30 minutos diários de atividade física e procurar manter o peso adequado à altura.

Caros colegas, quantas vezes levamos nossas esposas e filhas ao médico, porém sempre adiamos nossa vez.

É crescente o número de homens que, quando procuram o medico, já estão em estado avançado de certas enfermidades, a quem, em muitos casos, o medico diz: você deveria ter feito o exame preventivo há 10 ou 15 anos, e agora só nos resta administrar o problema advindo da enfermidade. Quantas pessoas à nossa volta que, se tivessem realizados exames preventivos, teriam grandes chances de cura de suas enfermidades.

Somos educados a cuidar bem da nossa vida espiritual e nos esquecemos da vida física e saúde. Usando as palavras de João: Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo corra bem, assim como vai bem a sua alma, 3João 1:2, precisamos rever nossas necessidades e procurar, na mediada do “possível”, cuidar de nossa saúde como cuidamos de nossa alma. Quantas famílias hoje são privadas da presença do sacerdote do lar devido à falta de um simples ato que poderia ter sido tratado há anos.

Que Deus me ajude e que Deus nos ajude nessa mudança de paradigma.

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* O pastor Alessandro Silva é enfermeiro pela Universidade Anhembi Morumbi
(Ênfase em Saúde Mental), formado pela Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade
de Santos e trabalha com Aconselhamento Pastoral CPPC – Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos.

O pregador vivendo o avivamento – Dezembro/2006

Uma análise contextualizada
do ministério de João Batista

Entre Malaquias, a última voz do Antigo Testamento, e a manifestação de João Batista, Mateus 3: 1-11, decorreram mais de 400 anos. No Novo Testamento, vamos nos deparar com João pregando ardentes mensagens sobre arrependimento. As pessoas entendiam que estavam erradas, confessavam sua fé no Messias e eram batizadas. Ele trouxe um vigoroso avivamento espiritual. Sua vida e ministério muito têm a nos ensinar.
O ministério do pregador avivado

  1. a) Brevidade, 1. João exerceu um ministério de pouca duração, mas seus resultados e frutos foram poderosos, profundos e abundantes. O ministério do homem de Deus não depende de tempo, da pessoa ou de posição social, política e econômica, mas da maneira como ele se sujeita a Deus.

Um ministério avivado, frutífero e próspero nasce de um pregador que, mesmo tendo pequeno tempo e espaço, deixa-se dirigir pelo poder do Espírito Santo de Deus. E, esta graça, em pouco tempo e em qualquer lugar, é evidenciada no seu ensino, em suas pregações, no seu carisma de administração, na ação do Todo-poderoso sobre sua vida. Precisamos de avivamento em nós pregadores como foi o de João Batista, Lc 1: 15; Jo 5: 35.

  1. b) Ambiente, 1. Pregando no deserto, como arauto de seus tempos, anunciou, proclamou mensagens que lhe foram comunicadas pelo Senhor, Dn 3 e 4. Como mensageiro de Deus, foi fiel à vontade divina com intensidade e submissão, a ponto de dar sua vida pelo propósito, Mt 14: 3-10.

O ambiente era o deserto árido e vazio por causa da solidão espiritual que predominava há séculos entre o povo. Não muito diferente de hoje quando, externamente, há templos suntuosos ou divertimentos e muitos lugares que proporcionam prazer, mas, no seu íntimo, as pessoas vivenciam a solidão, estão áridas, como um deserto opressivo. Isso tem sido real na vida de milhares. Somente o avivamento na vida e no ministério do pregador hoje pode reverdecer muitos desertos, levando-os ao florescimento, Is 35: 1.

  1. c) A modalidade de vida, 4. O estilo de vida de João Batista era campestre e simples, típico de região desértica. Tudo era tão rústico, inclusive suas vestes e alimentação. O homem de Deus deve abster-se de ostentações e exageros na sua maneira de viver, principalmente aqueles que se dedicam expostamente à dignidade e formação de caráter do santo ministério.

 

O ensino doutrinário do pregador avivado

A base dos ensinos e pregações de João Batista era a doutrina do arrependimento: “Arrependei-vos”, v. 2 e 11, gritava ele. Esse imperativo também foi o princípio do ministério evangelístico de Jesus, Mc 1: 1-4. Que os pregadores avivados possam trazer de volta, aos nossos púlpitos, pregações poderosas sobre o arrependimento, segundo as modalidades de João e seu primo, Jesus Cristo.

  1. a) Arrependimento. O “arrependimento para a redenção” de que a Bíblia fala, 2Co 7: 10, não é um simples remorso, tristeza, sentimentos ou pesar passageiro e descomprometido com a realidade cristã bíblica. Arrependimento para redenção, salvação da alma, é uma mudança geral na alma e na vida do pecador que se entrega a Jesus Cristo como seu salvador. Daí a mudança no caráter, no comportamento, na condição espiritual, mudança de donos, de destino eterno. Seus desejos, seus hábitos passam a ser outros, 2Co 5: 10, 17; Rm 12: 1-2.
  2. b) A importância. O Mestre Jesus pregou enfaticamente sobre o arrependimento, Mt 4: 17. E ordenou que pregasse o arrependimento aos pecadores, Lc 24: 27. Então os apóstolos, obedecendo à ordem do Mestre, pregavam o arrependimento e as igrejas cresciam, At 2: 38; 3: 19; 3: 31.
  3. c) A urgência. Deus anuncia a todos os homens que é “agora” a hora da decisão, At 17: 30. Razões da urgência: “Porque é chegado o reino de Deus”, Mt 3: 2; “Porque ele é parte do preparativo do caminho do Senhor”, Mt 3: 3; “Porque o Rei Jesus, o Messias proclamado por João Batista e pelos profetas anteriores, já havia chegado”, Jo 1: 23-31.

Ênfases do texto para meditar: João viu a Jesus e disse: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, Ele é maior que eu, Ele é antes de mim”. “Eu batizo com água para arrependimento”, Mt 3: 11; Ele vos batizará com Espírito Santo e com fogo, Mt 3: 11b.

 Os ouvintes do pregador avivado

Multidões vindas de toda parte, com sede da Palavra de Deus, dirigiam-se ao pregador avivado, destemido, poderoso no ensino e ungido de autoridade divina.

  1. a) A repercussão, Jo 10:41 e Mt. 3:5 e 6. As notícias da unção de Deus que emanavam do pregador e ensinador sobre Jesus chegaram a todas as regiões. O maior milagre na vida de João era seu caráter, sua vida com fidelidade a Deus, com marcas radicais de uma comunhão com Deus que noticiavam às multidões uma vida transformada em Cristo, inclusive de grandes pecadores.
  2. b) Os resultados. João, como pregador avivado, sugere aos ensinadores de nossos dias que, num avivamento cheio do Espírito Santo, as multidões, inexplicavelmente, buscam a salvação. Através do poder persuasivo e atrativo “ia ter com Ele o povo de Jerusalém e de toda a Judeia e de toda província adjacente do Jordão”. Todos ouviram sobre o arrependimento e vida transformada aos pés de Cristo e eram batizados, Mt 3: 6. Se hoje os pregadores e as igrejas voltarem às origens terão os mesmos resultados.

O sucesso ministerial do pregador avivado

Onde estaria a origem do sucesso desse homem? O grande Deus que chama, vocaciona e prepara é o que faz tudo isso. João era desconhecido. Era do deserto. Seus trajes não ofereciam nada que despertasse ou chamasse a atenção das multidões, Lc 7: 24-28. Só que ele tinha elementos em seu mistério que precisamos descobrir para sermos vitoriosos em nosso trabalho.

O que ele era e o que tinha? João era homem de Deus, ungido, temente, fiel, simples e obediente ao seu chamado. Tinha poder e autoridade, zelo pelo ministério, mensagens ungidas e discernimento, pois conhecia os que de fato se arrependiam, Mt 3: 7.

  1. a) Formando discípulos. João formava homens que permaneciam sob suas ordens. Aos seus pés, aprendiam sobre o mistério de Deus, Lc 7: 18-19; 11: 1. Depois, os discípulos de João seguiram a Jesus, Jo 1: 35-42. Nisso é revelada a profundidade do testemunho de João Batista sobre Jesus. Seus discípulos tornaram-se os primeiros discípulos do Mestre Jesus, que maravilha!

No glorioso avivamento acontecem muitas decisões para uma nova vida. Conscientes da nova filiação, muitas vidas são batizadas. O batismo por imersão jamais deve ser realizado como um mero rito ou um meio de acrescentar mais membros ao rol, mas sim como uma prática da ordenança de Cristo Jesus. Temos de executar com seriedade, pois o batismo nas águas é uma figura da morte e ressurreição de nosso Salvador.

  1. b) Ensinando avivamento O arrependimento dos pecadores e sua conversão são obras do Espírito Santo. Por isso, é importante existir humildade no crente, no líder, no pregador e no educador. João foi visto por Jesus como o maior profeta, Mt 11: 11, mas nunca se proclamou como tal, nem quando insistiam com ele, Jo 1: 19-23. Ele apenas disse que era: “a voz do que clama no deserto”.

João batizou com água para arrependimento e, com o exemplo de Jesus, o batismo passou a fazer parte do Cristianismo. Ele também falou sobre batismo com o Espírito Santo e com fogo, que começou a ser cumprido no Dia de Pentecostes. Essa experiência é tão profunda na esfera espiritual como o batismo nas águas na esfera do natural.

Conclusão

O avivamento deve ser uma constância na vida do pregador. Sem ele, não pode ter poderosas mensagens ungidas que conduzem o pecador ao arrependimento e à salvação. Então, você está sendo desafiado a buscar o avivamento para sua vida pessoal e ministerial. Que Deus o abençoe.

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Fonte: Jornal Aleluia de dezembro de 2006

O avivamento e seus recursos básicos – Fevereiro/2007

O profeta Habacuque
é lembrado por causa de sua mensagem
de avivamento para seus dias, a qual,
pela sua profundidade, alcança também
a Igreja de hoje.

Por várias vezes, o povo hebreu, envolvido com as lides da vida material, afastou-se do Senhor. Esse estado de abandono das coisas de Deus, de esquecimento dos deveres espirituais, de valorização mais das práticas mundanas que as religiosas também permeou a história da Igreja e, infelizmente, chega até hoje. Mas Deus, na sua misericórdia, sempre levantou líderes, profetas, pregadores, homens que estiveram dispostos a enfrentar esse estado negativo e prontos a proclamar a autêntica e pura vontade do Senhor.

Estudaremos um destes homens, em Habacuque 3: 1-19. O profeta Habacuque é lembrado por causa de sua mensagem de avivamento para seus dias, a qual, pela sua profundidade, alcança também a Igreja do terceiro milênio. Sua palavra sustenta os filhos de Deus, os cristãos de nossos dias, diante do grande risco de sermos infectados pela mornidão espiritual que assola algumas de nossas igrejas, como já acontecera ao tempo de João e está narrado em Apocalipse 3: 15 e 16.

Habacuque e sua época

O profeta Habacuque viveu numa das épocas mais conturbadas da história de Israel. Homem de oração, de profunda comunhão com o Senhor, teve o privilégio de ver, com clareza o que estava ocorrendo e as consequências que adviriam de tanta desobediência e afastamento do Senhor.

Para que sua pregação e testemunho permanecessem, ele escreveu sua mensagem num livro preciosíssimo. Além dos problemas espirituais de afastamento do Senhor, havia graves problemas internos e ex-ternos em seu país.

● Externamente, a nação, por ser pequena, sentia-se insegura diante da ameaça da Babilônia (que hoje é o Iraque) e era um poderoso império. Temida por causa das atrocidades de seu exército, havia vencido os assírios e se preparava para atracar Israel: “Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcham pela largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas”, Hc 1: 6.

● Internamente, Israel vivia um tempo de declínio espiritual e moral. Imperavam a violência, a iniquidade, a opressão, a injustiça (1: 1-4); Nessa fase o povo estava longe de Deus e chegavam até a praticar a idolatria: “Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum”. Enfim, havia um fracasso nacional, como descrito em Hc 1: 2-5.

Notamos que os homens que não servem a Deus agem da mesma forma em todas as épocas: exploração do próximo, enriquecimento ilícito, ameaças, violência e assim por diante.

Habacuque sofria duplamente, pois via esse quadro de falta de temor em seus compatriotas e o Senhor lhe revelava o que iria acontecer ao seu país nos próximos e anos, que era a irreversível invasão por parte dos babilônios, Hc 1: 6-8, e o cativeiro.

De fato, a invasão e o cativeiro ocorreram. Narra a história bíblica que, em 586 AC, o exército babilônico cercou Jerusalém. Depois de uns tempos, tomaram a cidade, prenderam o rei Zedequias, furaram-lhe os olhos, incendiaram o templo e queimaram as edificações mais importantes, fizeram de seus líderes e habitantes prisioneiros, que foram levados ao cativeiro, Jr 52: 4-30 e 2Rs 25: 1-10.

Habacuque e seu livro

Pouco se sabe sobre a vida de Habacuque, a não ser o que se pode deduzir de seu livro, classificado entre os profetas menores por ter apenas três capítulos. Diferente dos demais, não há profecias contra países vizinhos ou pessoas, mas revelações do que Deus lhes mostrara, suas orações e reflexões.

Provavelmente atuasse no templo na área do louvor, como instrumentista ou cantor, Hc 3: 19.

Podemos destacar três afirmações muito importantes em seu livro:

a) “o justo viverá pela sua fé”, 2: 4. Esta declaração inspirou o apóstolo Paulo a escrever a Carta aos Romanos (Rm 1:7) e, posteriormente, a Martinho Lutero, que a tomou como base para a Reforma Protestante.

b) Os últimos versos de seu livro são considerados a mais elevada expressão de fé de todo o Antigo Testamento, 17-19.

c) O versículo “Aviva, ó Senhor, a tua obra”, 3: 2, revela sua insistência com Deus pela mudança do coração dos homens. E tem sido o lema dos anseios de renovação nas Igrejas.

Habacuque e a Igreja de hoje

Que lições podemos tirar dos ensinos desse homem de Deus para nossa vida espiritual e para nossas igrejas hoje?

É tempo de clamar por um avivamento. Habacuque percebeu que seus compatriotas precisavam mudar seu comportamento espiritual. Por isso, se coloca diante de Deus e roga que os olhos deles sejam abertos para a maior das necessidades, que é a de estar mais perto do Senhor e viver seus princípios.

A essa prática espontânea no modo de servir ao Senhor é que chamamos de avivamento ou renovação espiritual. Ela resultará na ação poderosa, irresistível do Espírito Santo, que se sobrepõe a qualquer força.

Quando o avivamento acontece, a renovação aparece e, consequentemente, seus grandes e necessários resultados surgem. A Igreja avivada cria crentes avivados. Seus membros tornam-se ativos, buscam ao Senhor, Is 55: 6, deixam de ser simples admiradores e ouvintes e passam a realizadores, Jó 42: 5. “Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem”. Os crentes espirituais, 1Co 2: 15, são ativos e produtivos na obra do Senhor, Ap 22: 11.

É tempo de orar com profundidade. Orar crendo, orar buscando com sinceridade, orar tendo certeza de que está falando com o rei do universo. Orar para que Deus conceda um avivamento pessoal e coletivo com poder, glória e soberania. Vigílias, orações que partam do profundo de uma alma preocupada e que se derramem diante de Deus.

É tempo de buscar os meios de graça. A Bíblia enfatiza, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que os grandes eventos foram antecedidos, marcados e alcançados com jejum, arrependimento, confissão, quebrantamento, espírito de humildade junto ao Deus que santifica, Josué 3: 5.

É tempo de valorizar a Palavra de Deus. Levar para a Igreja a eficiente palavra que vem como fogo e como martelo que esmiúça a penha do pecado, Jr 23: 29. Palavra abundante, fluente, poderosa, reavivadora como um carro forte. A palavra do Senhor é o agente ativo e divino para gerar o avivamento de que desesperadamente a Igreja precisa.

A Igreja carece de púlpito e de ensino que exponham as excelências do Espírito Santo e o culto ao Senhor tem de ser realizado com seriedade e espiritualidade.

É tempo de louvar o Senhor no poder do Espírito Santo. No andamento de um culto, o louvor ministrado com unção e testemunho de vida faz a glória de Deus se manifestar. Mas o louvor, se não for vigiado, pode ser a porta para entrada de costumes os mais indesejáveis na Igreja. Temos de clamar por avivamento de fogo em nossos louvores e zelar pela liturgia que agrade do Senhor e não aos homens, Amós 5: 21.

É tempo de buscar o temor a Deus e seus resultados. Se não houver temor constante, o crente vai perdendo a noção dos valores espirituais, dos perigos que o cercam, perde o repúdio ao mal, ao pecado, perde a sensibilidade para com os valores divinos e santos do Senhor. Isso empobrece sua vida espiritual. Quando os valores espirituais são apagados, há impedimento de acesso àquela vida de santidade e de retidão a Deus que é de suma importância para sua vida ministerial e no seu viver cotidiano, Habacuque afirma: “Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi”, 3: 2.

Conclusão

O que Deus fez ontem pode fazer hoje, Hab. 3: 3. Deixemos o Senhor ficar no controle da Igreja. Para isso, devemos orar como o profeta Habacuque. “Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos”, 3:2. E, se isso fizermos, o tão precioso avivamento certamente virá, a renovação se firmará e todos os pastores e igrejas triunfarão na plenitude do Espírito Santo.

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2007

Entrevista – Somos parte significativa da Igreja do Senhor Entrevistador: Pr. Émerson Garcia Dutra – Julho/2002

Entrevista concedida
pelo Pastor Advanir Alves Ferreira,
presidente da IPRB,
ao pastor Émerson Garcia Dutra, titular
da Secretaria Central da IPRB

PANORAMA DA IPRB EM 2002

A igreja evangélica vem se consolidando no Brasil de uma forma gradativa e constante. Informações do último Censo apontam que os evangélicos cresceram 70,7% nessa última década. Ficamos felizes porque a IPRB tem sua participação nesse crescimento, pois nesses últimos 10 anos seu número de membros multiplicou-se. Esse resultado evidencia a boa aceitação de sua linha doutrinária e de seu trabalho social.

O crescimento revela que sua membresia foi conquistada em razão de sua mensagem libertadora, pregada através de um evangelismo dinâmico. E revela ainda mais: que a Igreja Renovada tem estrutura suficiente para continuar crescendo, servindo ao povo brasileiro, às famílias em conflitos, aos desesperançados, levando-lhes a autêntica e bíblica mensagem de Jesus.

No 3º domingo de julho, a IPRB estará louvando e agradecendo ao Senhor pelos 27 anos de sua organização. São quase três décadas de um árduo e constante trabalho em busca dos pecadores para o reino de Deus. Nesse período, surgiram muitas barreiras que tentaram impedir a marcha da Igreja, mas nem por isso ela estagnou-se. Pelo contrário, a Renovada vem demonstrando, ao passar dos anos, que não é apenas mais uma igreja evangélica neste país, mas, na verdade, é uma Igreja que tem procurado dar uma contribuição positiva para a melhoria de vida material e espiritual de nosso povo, Mt 5: 13-14.

Aproveitando o momento desta festiva data, quando todas as IPRs estarão tributando ao Senhor louvor e adoração por mais um ano de vitórias, o leitor terá a oportunidade, através desta entrevista elaborada pela Secretaria Central (SC), de saber o que pensa o presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, e o que ele tem a dizer aos membros, às lideranças e aos pastores da Igreja.

SC: Como está sendo o relacionamento
da IPRB com as demais igrejas
evangélicas no Brasil?

Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus – O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado em nosso meio.

SC: O que poderia ser feito
para que as igrejas evangélicas
se tornassem mais unidas?

Presidente: É possível ser a Igreja de Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo conhecido, Jo 17: 21.

SC: Como o Senhor avaliou
o resultado do Censo
sobre o crescimento dos evangélicos?

Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação. A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se converterão e os milagres serão uma conseqüência dessa bênção.

SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira será o celeiro
de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?

Presidente: Creio que sim. O brasileiro é sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.

SC: Como o irmão avaliaria
a IPRB após as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembléia?

Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus disse: “santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”, Jo 17: 17. Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.

SC: Com isso, a Igreja
tem-se demonstrado
madura e compromissada com o reino?

Presidente: Tudo indica que sim. A própria Assembléia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou mat