Artigos sobre o tema

Retorno aos caminhos do Senhor – Outubro/2006

As reformas são necessárias
quando algo já não atende às finalidades
presentes em sua origem. Muitas vezes precisamos
reformular nossa vida material, emocional,
espiritual, nossos pensamentos e nossa visão
de mundo, Rm 12: 2. A Bíblia fala
de várias reformas na vida do povo
de Deus, Jr 31: 33; Ez 36: 26; 2Re 22.

Neste texto vamos expor as causas da Reforma
Religiosa do Séc. XVI e conhecer os principais reformadores.

A reforma redescobre o ensino bíblico

Nos dias do rei Josias, após longos anos de reinado de homens perversos, a nação se encontrava mergulhada na idolatria e completamente afastada de Deus. A ruína já estava predita. A solução foi uma profunda reforma. Altares pagãos foram derrubados, o templo e o culto foram reparados e até ossos de sacerdotes pagãos foram queimados. É importante ressaltar que tanto essa como toda reforma espiritual precisa ser motivada pelo redescobrimento da Palavra e ensino bíblico.

Foi o que aconteceu no século XVI. Durante um longo período de trevas espirituais, a igreja havia se afastado da Bíblia e se contaminado com práticas pagãs. A imoralidade tomava conta de seus líderes. A igreja que coroou reis e imperadores já não conseguia satisfazer às ansiedades da alma humana.

Ao longo da Idade Média, a igreja havia perdido sua identidade. Preocupada com luxo e bens materiais, vendia cargos eclesiásticos a quem pudesse pagar (prática chamada “simonia”, que deu origem a ingressos de sacerdotes que mal sabiam celebrar uma missa), vendia o perdão dos pecados e o direito à salvação (as indulgências).

Mas as almas continuavam clamando e perecendo. As cerimônias religiosas eram celebradas numa língua desconhecida da maioria dos fiéis. Poucos conheciam a Bíblia, inclusive sacerdotes. Ocorria o que profetizou Jeremias: “Passou a sega, findou o verão, e nós não estamos salvos”, Jr 8: 20; e o que Jesus constatou: ovelhas desgarradas procuravam quem as alimentasse, Mt 9:36; Tt 3:3; 1Pe 2:25.

A reforma produz muitos questionamentos

Deus, que jamais abandona os seus (Is 40:11; 49:15), levantou homens para reverter esse quadro sinistro. No século XII, os valdenses já questionaram a autoridade eclesiástica, o purgatório e as indulgências. Os cátaros ou albigenses defenderam, nos séculos XII e XIII, a necessidade de santificação. Os petrobrussianos rejeitavam a missa e defendiam o casamento dos padres.

No século XIV, na Inglaterra, John Wycliffe defendeu a secularização dos bens eclesiásticos, o fortalecimento do poder temporal do rei e a negação da presença corpórea de Cristo na eucaristia. Essas ideias influenciaram o reformador tcheco João Huss e seus seguidores no território da Boêmia. Entre as vozes protestantes estava a do monge dominicano Girolamo Savanarola, o qual, a mando do papa, foi preso, torturado e enforcado.

O movimento religioso iniciado na Alemanha, no séc. XVI, teve mais êxito porque causou alteração religiosa com desdobramentos econômicos, políticos e sociais em todo ocidente. No campo político, os reis estavam descontentes com o papa, pois este interferia muito em seus comandos. O homem renascentista, cada vez mais crítico, fazia oposição aos preceitos da Igreja. A ideia de um estado universal foi cedendo lugar ao conceito de nação-estado.

Com a formação das cidades, a classe média forte (a burguesia comercial) estava inconformada com os clérigos católicos que condenavam suas atividades. Trabalhadores urbanos, com mais acesso a livros, começaram a discutir e a pensar sobre as coisas do mundo. As descobertas de novas terras por Colombo e Cabral acentuaram essas mudanças. Os fundamentos do velho mundo estavam ruindo.

A reforma levanta homens de Deus

A faísca veio em 1517 quando Tetzel, um padre dominicano, pregava as indulgências com grande exibicionismo: dizia que cada vez que caia uma moeda na bolsa do frade, uma alma saía do purgatório. Diante disso, Lutero resolveu protestar, fixando na porta da Igreja de Wittenberg suas famosas 95 teses que criticavam vários pontos da doutrina católica. A resposta do papa Leão X veio na bula “Exsurge Domine”, ameaçando Lutero de excomunhão. Mas já era tarde demais, pois suas teses já haviam sido distribuídas por toda a Alemanha.

Lutero queimou a bula papal em praça pública e recusou-se a comparecer à dieta de Worms para retratar-se. Em 1529, na dieta de Spira, os cristãos reformistas foram apelidados pela primeira vez de “protestantes”. Nessa época, os ideais da reforma já estavam estourando em diversas partes como na Suíça (Zurique), França e nos Países Baixos. Em todos esses países houve perseguição aos reformadores e aos novos protestantes. Intensificou-se ainda mais a represália com a chamada “Contrarreforma”, promovida pelo catolicismo.

Seguiram-se cem anos de guerras religiosas dos reis católicos contra os protestantes. Mas a reforma prosperou, pois não era obra de homem, mas de Deus! Igrejas protestantes foram fundadas em todas as partes do mundo. O espírito liberal (princípio protestante), somado ao vigor da incipiente fé evangélica, fez com que o Cristianismo sofresse “reformas dentro da Reforma”, produzindo novos idealizadores do movimento. Os principais reformadores foram:

Martinho Lutero – Nasceu em Eisleben, em 1483, numa família de camponeses. Foi ordenado sacerdote em 1507, entrando na ordem agostiniana. Doutor em Ciências, Filosofia e Teologia, mestre em artes, lecionou em Wittenberg. Sistematizou a doutrina da justificação pela fé e reivindicou a liberdade de interpretar a Bíblia. Seu pensamento reformou o sistema de ensino alemão, que inaugurou a escola moderna. A ideia da escola pública para todos, organizada em três grandes ciclos (fundamental, médio e superior), nasce de seu projeto educacional. Deu origem ao conceito de utilidade social da educação e escreveu que “A maior força de uma cidade é ter muitos cidadãos instruídos”.

Philipp Melanchthon (1497-1560), o “preceptor da Alemanha”, durante o período em que Lutero estava impedido de se manifestar publicamente foi o porta-voz da causa reformista e um dos encarregados de reorganizar as igrejas dos principados que haviam aderido ao luteranismo. Esse trabalho resultou no projeto de criação de um sistema de escolas públicas, adotado pelo estado da Saxônia e, depois, copiado em quase toda a Alemanha. Melanchthon e Lutero defendiam a educação também para as meninas.

Huldreich Zwinglio – De família de fazendeiros, nasceu em 1484, em Wildhaus. Foi sacerdote católico. Recebeu o grau de bacharel em artes, estudando nas Universidades de Viena e Basileia. Por volta de 1519, já sob a influência dos escritos de Erasmo e Lutero, começou a pregar em Zurique contra certos abusos da Igreja Católica e, logo em seguida, a deixou, convertendo-se.

João Calvino – Nasceu em 1509 na cidade francesa de Noyon, na Picardia. Em 1523, em Paris, estudou latim, humanidades, e teologia. Em 1528, iniciou seus estudos jurídicos e a língua grega. Converteu-se à fé evangélica por volta de 1533 e teve de fugir por colaborar com a reforma. Em 1536 publicou a primeira edição da sua grande obra: “As Institutas” ou “Tratado da Religião Cristã”. Em Estrasburgo, produziu uma apologia da fé reformada entre outras obras. Casou-se com a viúva Idelette de Bure. Em 1541, em Genebra, assumiu o pastorado da igreja reformada e escreveu para ela as célebres “Ordenanças Eclesiásticas”. Tornou-se o sistematizador da teologia protestante e criador presbiterianismo.

João Knox (1515-72) – Padre escocês que começou a pregar ideias da Reforma em 1540. Foi preso em 1547 pelo exército francês e mandado para a França. Passou por Genebra onde absorveu de modo completo a doutrina de Calvino. Em 1559 voltou à Escócia para liderar um movimento de reforma nacional.

Concluindo, toda vez que o Cristianismo se afastou dos princípios básicos da fé, Deus levantou pessoas para reformar a igreja. Eles buscaram a Deus em oração e leitura da Bíblia. O resultado foi o retorno aos caminhos do Senhor. Hoje, mais do nunca, precisamos reavaliar nossas vidas e reformá-las a partir da Bíblia. Você está sendo desafiado a isso.

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Artigo publicado no Jornal Aleluia de outubro de 2006

Reformados, sempre reformando – Outubro/2006

Os cristãos reformados têm um grande desafio
para nossos dias: manter sempre,
diante do coração e da mente, os motivos
propulsores da Reforma Protestante do século XVI,
como a questão das indulgências
(compra de perdão dos pecados),
a idolatria, as relíquias, a infalibilidade papal,
entre tantos outros dogmas e princípios.

Podemos lembrar que, ao inspirar os reformadores a darem início ao movimento, o Espírito Santo tinha como objetivo principal a saúde espiritual do corpo de Cristo (a Igreja), que havia se desviado completamente do seu chamado original, Mateus 28: 19-20, e estava trilhando caminhos opostos ao “Ide” de Jesus.

A necessidade de estudar os princípios da reforma

O mundo latino conheceu as expressões doutrinárias: Sola Scriptura (Somente a Escritura), Solus Christus (Somente Cristo), Sola Gratia (Somente a Graça), Sola Fide (Somente a Fé) e Soli Deo Gloria (A Deus somente a glória). Mas muitos podem perguntar se há relevância em estudar essas questões nos dias atuais. A resposta está no fato de que muitos dos problemas daquela época estão bem presentes em nossos dias, e no meio evangélico.

Vejamos, por exemplo, o evangelho pregado por algumas denominações neopentecostais. A ênfase está no “eu”, no “ego” de quem está ouvindo a mensagem, e não em Cristo ou em Sua Palavra. Isso contraria dois princípios da reforma: somente a Escritura e somente Cristo. A falta de conhecimento das doutrinas ensinadas pelos reformadores faz muitos líderes, pregadores e evangelistas cometerem erros desastrosos para o Cristianismo.

Um deles é o culto que deveria ser teocêntrico (Deus como centro), e se torna antropocêntrico (o centro é o homem, o ser humano), contrariando um ponto fundamental da reforma: a Deus somente a glória. Essa contrariedade se torna visível por causa da ênfase exagerada dada à prosperidade financeira ou à questão da cura divina como sendo primordiais para a manifestação de Deus.

Os cristãos reformados e renovados têm o dever de cultivar uma vida espiritual sadia e equilibrada, tendo como base a soberania de Deus. O Senhor sabe muito bem quais são as necessidades e dificuldades de seus filhos, antes de serem proferidas por nossos lábios em oração. Então, devemos orar apresentando nossas petições? Certamente que sim! Devemos crer que “tudo o que pedimos em nome de Cristo” Ele nos concederá? É claro que sim!

Contudo, nossa posição é de servos, não de senhor. Não estamos em condições de exigir nada. Qual o melhor caminho a seguir? Estudarmos a Reforma e voltarmos aos seus princípios: somente a Bíblia, somente Cristo, somente a Graça, somente a Fé e, a Deus, somente a glória. Vejamos dois deles.

Sola Scriptura: “Somente a Escritura”

Timothy George afirma: “Todos os reformadores estavam convencidos daquilo que Zuinglio chamou de ‘a clareza e certeza da palavra de Deus’ …Eles eram irrestritos em sua aceitação da Bíblia como a única e divinamente inspirada Palavra do Senhor”. A Escritura Sagrada é autoridade única e também suficiente para nortear a Igreja de Cristo. Ela é a verdadeira base para se evitar os erros doutrinários da atualidade.

As experiências humanas jamais devem ser colocadas no mesmo nível de autoridade que as Escrituras, pois a Escritura Sagrada é a fonte de todo posicionamento cristão. Ela é a verdadeira base para alicerçar a fé de todo crente em Jesus Cristo: “De sorte que a fé é pelo o ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus”, Rm 10: 17. A leitura da Bíblia produz conhecimento, bem-estar espiritual e um viver cristão saudável. Ela é a espada do Espírito Santo, que convence cada um do “pecado da justiça e do juízo”. As experiências espirituais servem como testemunho da ação de Deus.

As profecias, visões, revelações escritas em outros livros jamais devem assumir o lugar da Palavra de Deus e nem direcionar o caminho daqueles que seguem a Jesus. Tudo que for contrário à Palavra deve ser rejeitado: “Mas, ainda que nós ou mesmo um anjo vindo do céu vos pregue evangelho que vá além do que vos temos pregado, seja anátema”, Gl 1: 8.

Solus Christus: “Somente Cristo”

Cada pessoa tem o seu jeito de ser, sua personalidade, seu estilo, e cada reformador tinha seu próprio modo de transmitir as verdades sobre a centralidade de Cristo. Mas eles não abriam mão da verdade de que existe “um só mediador entre Deus e o homem, Cristo Jesus, homem”, 1Tm 2:5. Por exemplo, Zuinglio insistiu que: “Cristo é o único caminho que leva à salvação para todos os que existiram, existem e existirão” – (Timothy George. Teologia dos Reformadores. p. 310).

No decorrer da história sempre houve pessoas tentando substituir a pessoa de Jesus. Por exemplo, o Catolicismo Romano passou a prestar culto a Maria já no século V d.C., o culto às imagens, no século VIII d.C., e a canonização dos santos, no século X d.C. Instituiu também o sacerdotalismo, que colocava a salvação e a comunhão com Deus nas mãos dos sacerdotes. O pecador não mais era responsável perante Deus e sim perante o sacerdote. A Reforma faz com que Cristo ocupe o seu lugar na igreja e na vida das pessoas.

João Alves dos Santos, em As Doutrinas da Reforma, afirmou: “O que o catolicismo ensina a respeito de Cristo não é diferente daquilo que professamos em nossos credos. A encarnação, nascimento virginal, divindade, morte vicária e ressurreição são cridas e ensinadas. O problema é que a Igreja Romana não crê na suficiência e exclusividade da obra de Cristo para a salvação. Maria é erigida à posição de intercessora e até co-redentora (não oficialmente, ainda) e os santos entram também com os méritos de sua intercessão para a obra salvífica” – (www.monergismo.com).

A Bíblia é categórica em reformar a mente de seu leitor quando afirma: “E em nenhum outro há salvação; porque também debaixo do céu nenhum outro nome há, dado entre os homens, pelo qual devamos ser salvos”, At 4: 12. As idéias, as formas de pensar e os conceitos de qualquer ser humano são mudados, reformados, quando essa pessoa passa a ler a Palavra de Deus. Ali ele entende quem merece o centro de nossa vida. Antes de ser assunto ao céu, Jesus afirmou: “É-me dado todo o poder no céu e na terra”, Mt 28: 18. É imperativo conhecermos os pensamentos dos reformadores.

Conclusão

Os dias atuais desafiam a que voltemos aos ideais dos reformadores, porque eles nada mais fizeram do que se voltarem aos ideais apostólicos: “nós perseveraremos na oração e no ministério da Palavra”, At 6: 4. Para aqueles que estão com dificuldades de aceitar uma reforma pessoal, Paulo afirma que “toda Escritura divinamente inspirada é proveitosa para ensinar, para redargüir, para corrigir, para instruir com justiça”, 2Tm 3: 16. Os reformados precisam sempre estar se reformando a partir das Escrituras Sagradas. É tempo de praticar os ideais da Reforma.

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2006

Pr. Jonathan Ferreira dos Santos – Outubro/2002

Um dos líderes do movimento de renovação
instaurado na década de 60, do século XX
Um dos fundadores da Igreja Cristã Presbiteriana
Fundador e diretor do Instituto Bíblico de Cianorte, atualmente Seminário Presbiteriano Renovado
Fundador e Diretor da Missão Antioquia

Pr. Rubens Paes e Pr. Francisco Barretos

Origem e preparo teológico

A origem do pastor Jonathan é muito humilde. Tendo nascido em uma família pobre, começou a trabalhar cedo. Ainda criança, vendia frutas para ajudar no orçamento da família. Só aos sete anos de idade é que ganhou seu primeiro par de sapatos.

Contudo, as dificuldades financeiras não foram empecilho à vocação divina. Jonathan Ferreira dos Santos formou-se no Seminário Presbiteriano de Campinas, instituição de renome no meio evangélico brasileiro. Após sua graduação, a Junta de Missões Nacionais da Igreja Presbiteriana do Brasil colocou diante dele três opções: Porto Alegre, RS; Dracena, SP, e Cianorte, PR. Após orar, deixou a decisão para a própria Junta. Como não havia ninguém disposto a ir para Cianorte, esse foi o campo que lhe designaram.

Em janeiro de 1962, o Pr. Jonathan e D. Euza dirigiram-se a Cianorte. As estradas eram ruins, não havia asfalto, as travessias dos rios eram feitas em balsas. Sua esposa deixara um excelente emprego. D. Euza, pessoa fina e requintada, sofreu com as dificuldades que havia na Cianorte dos anos 60. Mas Deus abriu as portas e foi suprindo as necessidades. Poucos meses depois que o casal havia chegado à cidade, D. Euza foi nomeada diretora da única escola que havia em Cianorte.

Devido à sua formação teológica, resistia a princípio as idéias pentecostais. Mas participou de um encontro de avivamento em Belo Horizonte, dirigido pelo pastor Eneias Tognini, e ali foi batizado com o Espírito Santo. Seu ministério tomou uma nova direção.

Fundação do Instituto Bíblico

Em 12 de agosto de 1965, o pastor Jonathan fundou o Instituto Bíblico Presbiteriano de Cianorte. Funcionava inicialmente nas dependências da Igreja Presbiteriana, à rua Porto Seguro. “Era um instituto que não tinha prédio, nem professores, mas tinha alunos”, brinca o pastor Jonathan.

Contudo, aquele projeto estava no coração de Deus. Em janeiro de 1966, o pastor Jonathan recebeu a doação de uma quadra inteira para lá instalar o Instituto Bíblico. Vieram alunos dos estados de Goiás, Rio de Janeiro, Santa Catarina e de muitos outros lugares do Brasil. Os anos de 1966 a 1976 foram marcados pelas mais poderosas manifestações de Deus, relata o Pr. Jonathan.

O Pr. Adolfo Neves foi aluno do Instituto nos anos de 1968 a 1971. Naquela época o número de alunos chegou a 120. Segundo ele, o trabalho do pastor Jonathan foi marcado pela coragem e pela determinação.

Também o pastor Lauro Celso de Souza conheceu o pastor Jonathan na década de 1960. Oraram juntos muitas vezes, fizeram diversas vigílias e viagens. Numa frase de rara inspiração, disse o pastor Lauro: “Tive e tenho o pastor Jonathan como ministro referencial do Evangelho de Jesus Cristo”.

Em 1976, o pastor Jonathan saiu de Cianorte e foi para Londrina. Depois, foi para São Paulo. Há diversos anos, dirige a Missão Antioquia, sediada no Vale da Bênção, em Araçariguama, SP. Lá é feito um trabalho assistencial em que se cuida de 400 crianças. A Missão Antioquia tem mais de 100 missionários em 20 países. A visão que deu à luz a Missão Antioquia nasceu em reuniões de oração realizadas no Instituto Bíblico de Cianorte.

Diretores do Seminário de Cianorte

Desde o ano 2000, o Seminário de Cianorte está sob a direção do pastor Esdras Mendes Linhares. Foram diretores desta instituição: Jonathan Ferreira dos Santos, Décio de Azevedo, Enoque Pereira Borges, Joel Ribeiro de Camargo, Palmiro Francisco de Andrade, José Sidney Dantas, Altair do Carmo Mateus Nunes e Joel de Campos Perroud.
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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2002

Complemento
Falece a esposa, dona Eusa

Depois de longos dez anos de luta contra enfermidade pertinaz,
a irmã Eusa, esposa do Pr. Jonathan F. dos Santos,
faleceu, no dia 25/02/2011, aos 77 anos.

EBD: formando pessoas para a vida – Fevereiro/2003

A Escola Bíblica Dominical, instrumento fundamental
da educação cristã, na Igreja precisa ser vista como ministério indispensável em razão da qualidade do ensino
que oferece com continuidade, profundidade e formação ética

Afirma-se, entre os pastores, que há igrejas
que são ótimas parteiras, mas péssimas babás;
outras são ótimas babás, mas péssimas parteiras.

Querem dizer que há igrejas que desenvolvem ótimo evangelismo,
mas não cuidam de suas novas ovelhas e elas se perdem.
Existem aquelas que acompanham o novo convertido
até a maturidade cristã, mas não usam
ou não têm métodos de crescimento.

Nesse contexto, é que entra o papel da educação cristã, área da igreja que visa desenvolver um trabalho de babá com aqueles que nasceram no reino do Deus. Para tanto, as igrejas e pastores precisam superar vários desafios.

Desafios de formar educadores

A educação cristã na Igreja precisa ser vista como ministério e o educador cristão como ministro, Ef 4: 11. Com isso, teremos mais pessoas com formação nessa área atuando dentro da Igreja e pessoas da Igreja atuando na rede educacional secular. Assim como há investimento na formação teológica de um pastor, precisa haver também na formação educacional da pessoa que tem um chamado de Deus para esse ministério. Pode ser um curso de graduação, especialização, mestrado e até doutorado.

Valor do ensino – Conceitos errados levam a resultados desastrosos. Por isso é importante reavaliar que tipo de pensamento está dirigindo as práticas educativas dos responsáveis por essa área na igreja. À vezes temos professores, mas nem sempre educadores. O educador tem algo a dizer, sabe o que está dizendo e por que está dizendo. Se os resultados não estão sendo os esperados, existem mudanças a serem feitas. E tudo começa com a contextualização do conceito de educação cristã.

Que é educação cristã – A palavra educação vem do latim ducare que significa guiar, conduzir; e o prefixo e, significando para fora. Assim, educação pode ser entendida como a atividade de conduzir para fora. No Novo Testamento, o vocábulo khristianós refere-se aos cristãos, ou seja, as pessoas que praticam os ensinamentos de Cristo. Dessa forma, podemos pensar em educação cristã como um conjunto de atividades que conduz as pessoas para fora do reino das trevas e as ensina e capacita a viverem de acordo com os princípios de Jesus Cristo.

Papel da educação cristã – O neoconverso tem uma história de vida e conceitos adquiridos no decorrer de sua existência que precisam ser trabalhados. Para ele, é um momento de intensa luta e de dúvidas. Cabe à Igreja, através dos meios de instrução, ajudá-lo a entender o que está acontecendo. Ele está assimilando idéias bíblicas à sua maneira e é nessa fase que certos conceitos precisam ser corrigidos ou ampliados. Porém, para isso, é necessário superar o costume de fazer educação cristã de qualquer maneira. É preciso saber para onde se está direcionando o educando.

Desafios de educar para tempos como este

Desde os seus primórdios, a comunidade cristã percebeu que seu propósito educacional era a promoção da fé cristã vivenciada. Porque o maior problema da humanidade nunca foi o ateísmo, mas a idolatria nos aspectos econômico, social, político, cultural e religioso.

A sociedade atual – Os últimos cinco séculos se caracterizaram pela modernização da vida através das ciências, da invenção, da técnica, do forte uso da razão, do pensamento reflexivo e crítico, com resultados, sobretudo, na área econômica permitindo mais controle sobre a vida, maior bem-estar, maiores facilidades e meios para viver bem.

O ser humano atual – Isso produziu uma sociedade moderna, com pessoas que querem ser modernas, ou seja, que têm pensamento próprio, crítico e livre, que conhecem cientificamente muitas coisas, que têm comportamentos novos, sobretudo em relação à família, ao trabalho e à espiritualidade, que são mais livres, mais individualizadas. Esse é o mundo que está desafiando o educador cristão.

Numa época em que o visual predomina, é muito importante pensar nos recursos técnicos do ensino. É fundamental considerar-se o valor do material de apoio escrito (as revistas de EBD) que devem estar nas mãos dos alunos.

Investindo em pessoas – O cristão não deve se conformar com esse século, mas ser transformado pela renovação da mente, Rm 12: 2. Ao formar um novo crente, desde a criança até o adulto, o educador cristão deve encarar o desafio de ser e produzir cristãos para tempo como este. Não é errado cursar uma faculdade nessa área para atuar dentro ou fora da igreja. Pelo contrário, com maior conhecimento, produzirá melhores resultados. Por isso, invista em você mesmo.

Desafios de formar cristãos

Nas igrejas evangélicas, o púlpito é o centro da educação cristã. É através dele que o pastor imprime à igreja a linha espiritual que o trabalho precisa. Mas, convenhamos: por causa da distância, da falta de diálogo, da formalidade, o púlpito nem sempre responde a todas as necessidades imediatas de cada pessoa que entra no templo. Por isso, a Igreja precisa ter outros mecanismos de educação cristã, para atender às várias faixas etárias.

Consolidação – Após a decisão (ou a conversão), são dadas as primeiras instruções e procura-se ver quais são as principais necessidades espirituais do novo convertido. Por isso, é importante se fazer isso com o mais profundo amor e segurança.

Discipulado – Não basta apenas ganhar pessoas para Cristo. É preciso capacitá-las a viver como cristãos. Discipular é conseguir que o novo convertido firme seus passos nos ensinos de Jesus, de tal maneira que haja mudança de vida e se envolva nas atividades da igreja. Antes do batismo, todo neoconverso deve fazer um curso preparatório e, após o batismo, um curso de discipulado.

A Escola Bíblica – A EBD tem a vantagem da continuidade e profundidade. O educador cristão precisa transmitir, formar e construir valores perenes para a vida cristã e secular. Para tanto, a escola bíblica dominical é fundamental para formar o caráter e os conceitos bíblicos de seus participantes.

Cursos e palestras – Alguns temas específicos, tanto na área administrativa, pessoal ou doutrinária, são mais bem assimilados quando ensinados em momentos especiais e para um grupo seleto. Para tanto, é necessário investimento. Encontros, seminários, acampamentos, cursos rápidos proporcionam esses treinamentos e ampliam a visão dos membros da Igreja.

Formar liderança – Explorar o potencial criativo de cada indivíduo é um meio para que o educando tenha prazer em compreender, conhecer e descobrir a vida cristã. Isso produzirá pessoas desejosas de serem treinadas para trabalhar nos departamentos internos ou no evangelismo. É por isso que uma escola para formação de liderança dentro da igreja é fundamental. Mas quem cursar essa escola, jamais deve deixar de ser aluno da EBD.

Conclusão

Um grande desafio para 2003 é fazer com que as pessoas que aceitaram a Cristo cresçam na fé, permaneçam fiéis a Ele, não abandonando sua igreja. Se forem bem consolidadas, treinadas e enviadas darão muitos frutos no reino de Deus. Por isso, na área educacional, a palavra cristã incita essa atividade a enriquecer-se pela teologia e pelo estudo da Bíblia.

Assumam uma prática educativa que enfatize:

1 – O pleno desenvolvimento de seus educandos em sua vida pessoal, social, política e espiritual;

2 – O esforço de desenvolver uma ação educativa em que o evangelho seja vivido na realidade atual da sociedade;

3 – O processo de contínua aprendizagem da verdade libertadora, rumo à maturidade cristã;

4 – O diálogo permanente entre educador e educando na busca da compreensão da verdade bíblica;

5 – O trabalho eclesiástico com participação ativa e criativa de todos;

6 – A unção do Espírito Santo como meio de convencimento da verdade cristã.

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2003

Domingo de Páscoa ou do chocolate? – Reflexão – abril de 2007

O que é Páscoa?
Qual tem sido o seu sentido
para a humanidade?

Para muitos, especialmente em nossa cultura, é o dia seguinte ao sábado de “Aleluia” ou, ainda, o dia de comer as guloseimas deliciosas preparadas para serem consumidas nesta época: os famosos “ovos de páscoa”. Quem não gosta? É claro que é muito bom comer chocolate, principalmente quando não temos problemas de saúde ou não estamos acima do peso! Comer chocolate é bom demais!

Mas, afinal, o que é Páscoa? Qual o verdadeiro sentido da Páscoa?

A palavra Páscoa vem do hebraico Pessach, que significa passagem. A celebração da Páscoa entre os judeus marcava o episódio da morte dos primogênitos – a décima praga. Israel foi liberto da escravidão egípcia por Moisés. Naquela noite, sob orientação divina, eles prepararam-se para partir do Egito: mataram o cordeiro, símbolo de Jesus, e passaram seu sangue sobre os umbrais das portas; quando o anjo da morte passou, à meia-noite, não atingiu nenhum dos israelitas.

Por ocasião desta festa judaica, Jesus celebrou a Páscoa com os seus discípulos, trazendo um novo simbolismo para a nova religião que nascia: o Cristianismo. Foi a última ceia partilhada por Jesus e os seus discípulos. Naquela oportunidade, o Senhor instituiu a Santa Ceia.

Após ter sido morto e sepultado, no terceiro dia, no domingo, o Senhor Jesus ressuscitou e levantou-se da sepultura vencendo a morte. Por isso, nessa data é comemorada a Sua ressurreição.

A Páscoa é o evento religioso-cristão considerado a mais importante festa da cristandade! Páscoa para nós, que cremos no Senhor Jesus, é mais que ganhar, dar, vender, comprar “ovos” de chocolate ou deliciar-se com guloseimas. É o dia em que celebramos a ressurreição do Mestre da Galileia, que morreu, mas ressuscitou e está vivo para todo sempre. Aleluia!

Ele Vive!!!

Dia mundial de missões – Reflexão – outubro 2007

O dia 20 de outubro é o Dia Mundial de Missões. Nessa data, somos chamados a refletir sobre nosso posicionamento missionário. Recebemos a incumbência de continuar a obra de Jesus no mundo e, por isso, temos a responsabilidade de desenvolver um ministério missiológico. Precisamos repensar a nossa vocação missionária como verdadeira Igreja, cuja função no mundo é a evangelização.

Como Igreja, devemos ter a consciência de que a principal razão da nossa existência é adorar a Deus e fazer missões. O mandamento do Senhor para nós é: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações, batizando-os em nome do Pai, do Filho e do Espírito Santo; ensinando-os a guardar todas as coisas que vos tenho ordenado”. Essa é a ordem que recebemos do Dele.

Na IPRB, comemoramos no segundo domingo de outubro, o Dia da Mispa – Missão Priscila e Áquila – agência missionária de nossa Igreja. Nesse dia, devemos falar nas igrejas locais sobre a Mispa e o trabalho que desenvolve com muita competência no Brasil e no exterior.

Como podemos ter uma atuação autêntica na obra missionária? Envolvendo a igreja em missões, orando pelos missionários, levando missionários à igreja, regularmente, para que falem sobre seu trabalho, contribuindo financeiramente, sendo fiéis nos 3% que a Igreja deve remeter mensalmente à Mispa… Podemos adotar um campo ou missionário, mandando-lhe mensalmente uma oferta, escrever para os missionários com regularidade, enviando-lhes jornais, revistas, cartas, fotos, boletins, e-mails, CDs, DVDs, etc. Interessante também é programar cultos de missões, conferências missionárias, abertura de novas congregações e, se possível, separar uma porcentagem do que ganhamos ou da arrecadação mensal da igreja para missões.

Essas são algumas formas que podemos utilizar para fazer missões. Bom é orar, mas não nos esqueçamos de que os campos também têm suas grandes necessidades materiais. Retaguarda é sustentar as cordas. É cumprir plenamente o mandamento do Senhor! Você tem sido um missionário? “Cada coração com Cristo é um missionário e cada coração sem Cristo é um campo missionário”!

Você é missionário ou campo missionário?

Dia dos namorados – Reflexão – junho 2007

No dia 12 de junho comemora-se o Dia dos Namorados. A origem dessa data no Brasil é atribuída ao publicitário João Dória que, em 1950, criou um slogan comercial que dizia “não é só com beijos que se prova o amor”. A intenção de Dória era criar o equivalente brasileiro ao Valentine’s Day, o Dia dos Namorados dos Estados Unidos. É provável que o dia 12 de junho tenha sido escolhido porque é uma época em que o comércio de presentes é pequeno. A idéia funcionou tão bem para os comerciantes que, desde aquela época, o Brasil inteiro comemora anualmente a data.

Quem tem um(a) namorado(a) logo pensa: o que vou dar de presente e o que será que vou ganhar?!? É lógico que existem aqueles despercebidos que se esquecem dessa data! Será? É verdade, especialmente depois que o namorado(a) já se tornou o seu cônjuge.

Infelizmente, muitos deixam de ser namorados(as) após o casamento, perderam o lado romântico da vida a dois e vivem juntos, mas sem nenhum atrativo, apenas por conveniência ou para manter a aparência diante da família e da sociedade. Na verdade, perderam o desejo intenso de um pelo outro, o prazer de estar juntos, de desfrutar da companhia um do outro. Quando isso acontece, perde-se o brilho da vida conjugal, tendo como resultado o enfado.

Entendemos que Deus planejou e constituiu a família. Ela começa com o namoro, o noivado e termina com o casamento. Após o casamento não devemos esquecer que ainda continuamos a ser namorados(as) do nosso cônjuge e, por isso, temos de cultivar as atitudes que tínhamos antes de casar: a gentileza, o amor, o carinho, a criatividade para surpreender e ganhar a pessoa amada…

Não podemos desconsiderar uma série de fatores imprescindíveis para vida a dois: devemos continuar com o mesmo brilho dos tempos de namoro. Precisamos cultivar o nosso amor através de atitudes para com o nosso cônjuge. O plano de Deus é que sejamos namorados até que a morte nos separe! Que Deus abençoe cada um dos eternos namorados!

Dia do presbítero – Reflexão – agosto 2007

No primeiro domingo de agosto comemoramos, na 3ª IPR de Anápolis-GO, o Dia do Presbítero. Agradecemos a Deus pela vida dos presbíteros Welington Carlos (Carlinhos), Diógenes e Naasson pelo trabalho desempenhado em nossa Igreja e ao nosso lado, apoiando-nos na obra que Deus colocou em nossas mãos. Obrigado!

O presbítero é um oficial da Igreja, eleito por ela, conhecido como braço direito do pastor, desempenhando várias funções no corpo de Cristo. A importância desse oficial na Igreja é incalculável e tem origem histórica no Novo Testamento. Por causa do sistema de administração através dos presbíteros, a nossa igreja recebeu o nome de Presbiteriana.

As primeiras igrejas do Novo Testamento foram governadas por presbíteros eleitos pelas comunidades. A Reforma Protestante restaurou este ofício cristão no seu modo original e segundo o modelo bíblico, uma vez que este, devido os desvios da Igreja durante a Idade Média, havia sido ignorado. O reformador João Calvino, na Suíça, no século XVI, resgatou esta função.

Com a vinda da Igreja Presbiteriana para o Brasil, no século XIX, muitos presbíteros foram eleitos, o que contribuiu para o crescimento da Igreja brasileira. Entre eles, destacamos a pessoa do presbítero João Antunes de Moura, de Itapeva-SP, um dos primeiros presbíteros da Igreja Presbiteriana do Brasil, avô do Pastor Ner de Moura, um dos pastores pioneiros da nossa Igreja.

Na Igreja Presbiteriana Renovada, muitos presbíteros destacaram-se e galgaram posições importantes dentro da denominação, na diretoria nacional ou nas instituições da Igreja, como por exemplo: Dr. Jamil Josepetti e José Fernandes Pedrosa (que foram depois ordenados pastores), Joel Ribeiro de Camargo (que fundou a Editora Aleluia), Loudomiro Carneiro (que construiu a atual sede da Mispa) e Divino Guimarães (que militou na Diretoria da IPRB) e outros. Ainda hoje, muitos presbíteros continuam destacando-se, fazendo a obra de forma incansável nos conselhos e nas diretorias presbiteriais. Aos 1.985 presbíteros da IPRB, parabéns!

Queremos, nesta oportunidade, glorificar a Deus por todos os presbíteros da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, que os senhores continuem dando a sua colaboração à denominação, ajudando seus pastores como verdadeiros companheiros, caminhando lado a lado, sabendo que “o vosso trabalho não é vão no Senhor” como disse o apóstolo Paulo. Deus abençoe a todos os nossos amados presbíteros!

Dia do índio – Reflexão – abril 2007

Dia do índio? Isso é um absurdo,
dizem alguns!!! Eles merecem atenção?
Por que se preocupar com eles?
Ah, temos mais o que fazer!

Esse sempre foi o discurso de homens gananciosos que buscavam riquezas a qualquer custo na América. Os colonizadores portugueses, que vieram para o Brasil, a partir do século XVI, dizimaram os donos dessa terra. Os índios, indefesos, foram perseguidos, agredidos e mortos sem nenhuma compaixão de seus algozes “civilizados”, o homem branco europeu.

Em 1940, realizou-se no México o primeiro Congresso Indigenista Interamericano que contou com a presença de autoridades de vários países das Américas e líderes indígenas. Como resultado, criou-se, em 1943, pelo presidente Getúlio Vargas, a data que comemora o dia do índio no Brasil: 19 de abril.

Infelizmente, os índios têm sido vítimas do abuso de pessoas que se consideram superiores social, cultural, intelectual e espiritualmente. Na verdade, o índio tinha sua própria cultura e cosmovisão, não sendo inferior em nada aos conquistadores. A sua cultura era apenas diferente da dos europeus e nada mais.

Os índios são seres humanos tanto quanto qualquer um de nós. Eles também foram criados à imagem e semelhança de Deus e, como qualquer ser humano, precisam de Jesus.

Os índios necessitam de salvação, precisam conhecer a Cristo. Quando o Senhor Jesus disse: “Ide, portanto, fazei discípulos de todas as nações (etnias)”, ele se referia a todos os grupos existentes sobre a face da terra, inclusive os indígenas. No Brasil, existem centenas de tribos que ainda não receberam a mensagem do Evangelho e não têm sequer um versículo da Palavra de Deus em sua língua.

A Mispa tem feito um excelente trabalho junto a algumas aldeias no Estado de São Paulo e Mato Grosso do Sul, havendo muitos índios já convertidos e igrejas organizadas.

Infelizmente as autoridades brasileiras têm dificultado o trabalho dos missionários junto a eles. A FUNAI e alguns antropólogos, “defensores” dos índios, têm sido um impedimento para que os índios conheçam a Deus. Em nome da defesa da cultura indígena, têm acusado os missionários, impedindo-os de atuar junto a eles.

Nossa missão é orar pelos indígenas, pois ainda continuam sendo espoliados nos seus bens, nas suas terras, e há tribos que passam necessidades; orar para que os missionários possam ter livre acesso às tribos, levando ajuda social e as boas-novas de salvação.

Que Deus abençoe os nossos irmãos indígenas de todo o Brasil!

Dia da IPRB – Reflexão – julho 2007

O terceiro domingo de julho é o dia da IPRB. No Brasil, o presbiterianismo nasceu com a vinda de Ashbel Green Simonton, primeiro missionário presbiteriano, em 1859. De seu trabalho, surgiu a Igreja Presbiteriana do Brasil. Ao longo dos anos, formaram-se vários ramos, todos eles conservando, na essência, a teologia e a forma de governo presbiteriano. Nesta data, a denominação relembra sua história, sua doutrina, seus alvos.

Como resultado do avivamento surgido no final da década de 60 nas igrejas IPB e IPI, nasceu a nossa amada igreja, a IPRB, Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, que tem como presidente o Pr. Advanir Alves Ferreira. Naqueles dias houve um grande despertamento e Deus levantou homens com uma unção poderosa para essa grande obra no Brasil.

Os pioneiros da IPRB acreditaram no grande mover de Deus, por isso, tomaram decisões corajosas. Entre esses desbravadores estão alguns pastores e presbíteros, como: Abel Camargo do Amaral, Jamil Josepetti, Joel Ribeiro de Camargo, José Fernandes Pedrosa, Jonathan Ferreira dos Santos, Palmiro Francisco de Andrade, Lauro Celso de Souza, Ner de Moura, Jobel Cândido Venceslau, entre muitos outros. Todos tiveram um papel decisivo no surgimento de nossa Igreja.

A “Renovada”, como é carinhosamente chamada, é resultado da fusão de grupos oriundos da IPIR e ICP, que se uniram no dia 08 de janeiro de 1975, fundando a IPRB. O tempo passou e com ele a primeira geração dos fundadores, agora fazemos parte da segunda geração de líderes. A IPRB está plantada em todas as capitais brasileiras e em todos os continentes. Tem atualmente 390 igrejas, 1.171 templos, 823 pastores, 1.986 presbíteros, 2.580 diáconos, 1.957 diaconisas, e 100.832 membros. Aleluia!

Temos o privilégio de ter a ALELUIA (gráfica e editora), a MISPA (Missão Priscila e Áquila) e dois Seminários, um em Cianorte, PR, e outro em Anápolis, GO. Muito tem sido feito, mas ainda há muito por fazer, o trabalho é um desafio!

Que Deus continue a usar os líderes da nossa igreja para levar essa obra avante até o dia da volta do Senhor Jesus. Parabéns a todos os líderes e membros. Parabéns à IPRB pelo seu dia!

Chegou o Natal – Reflexão – dezembro de 2007

O Natal existe para relembrarmos o nascimento do Senhor Jesus.
Foi há dois mil anos, é verdade, porém é como se fosse hoje: Jesus nascendo
em cada coração, em cada vida. Numa terra distante, um casal albarda seu animal e parte, de madrugada, da pequenina Nazaré para a longínqua Belém.
Sobem montanhas, cruzam vales e planícies. Uma mulher grávida conduz
seu tesouro escondido em seu ventre. Não era uma criatura qualquer que estava sendo esperada. E nasce, em condições humildes, aquele menino prometido pelos profetas, que se apresentaria, mais tarde, como Filho de Deus. Aquele
que visitaria aldeia por aldeia, cidade por cidade, comprovando, por sinais,
o seu poder. Aquele que mudaria o mundo com sua mensagem de amor e, sobretudo, de salvação. E, mais que isso, aquele que daria sua vida, seu sangue remidor, para selar suas palavras.

No Natal há um ambiente peculiar, um clima de festas, alegria, luzes coloridas piscando, músicas apropriadas, férias, encontro com parentes e amigos inesquecíveis, frutas típicas, comidas diferentes, etc. Natal é o momento ideal para receber e dar presentes. Natal é uma época sem igual! Quem não gosta desta data? Todos nós! É claro!

No Natal, muitas e boas lembranças invadem a mente da maioria de nós! Lembranças de momentos preciosos que desfrutamos ao lado das pessoas tão caras, a quem tanto amamos! Pessoas que fizeram ou fazem parte da nossa vida, embora algumas já não mais estejam conosco, já se foram, deixando para trás flashes marcantes de sua existência! São lembranças que jamais serão apagadas de nossa memória, mas que estão como jóias preciosas, entesouradas no cofre que existe no recôndito de nosso coração.

Para muitos, Natal é apenas festa e alegria, mas há algo, além disso, que não podemos esquecer. Natal, antes de tudo, é a comemoração do nascimento de alguém muito especial, o nascimento do Senhor Jesus! Por causa dele temos esta festa tão significativa.

Além de receber presentes singulares e valiosos de pessoas tão amadas, está o presente que veio do céu para toda humanidade, que é Jesus. Aquele menino que nasceu em Belém há dois mil anos é o grande presente que todos podem receber daquele que nos amou de tal maneira que o deu para todos nós. Ele não é mais apenas o pequeno menino da manjedoura, mas o nosso único e suficiente Salvador.

Infelizmente, muitos têm-se esquecido do mais importante no Natal que é o aniversariante do dia: Jesus!

A festa natalina será apenas mais uma festa, se Jesus não estiver presente. Deve estar presente e ser devidamente honrado.

Neste Natal vamos juntos abrir os braços e receber com alegria o grande presente de Deus e fazer d’Ele o verdadeiro motivo do Natal. Que nunca venhamos esquecer que o único motivo pelo qual o Natal existe é Jesus! Sem Ele, o Natal se torna apenas mais uma festa sem nenhum sentido especial.

Que Deus nos abençoe!

Ano-novo Reflexão – janeiro 2007

Chegamos ao final de mais um ano! E o ano novo tomou conta do calendário. Pela graça do nosso bom Deus, vencemos mais uma vez! As lutas vieram, mas triunfamos, no Senhor Jesus, sobre todas elas. Jesus nos fez vencedores em tudo! Atravessamos vales escorregadios, desertos causticantes, tempestades bravias, montanhas que pareciam intransponíveis e saímos ilesos porque o Senhor esteve conosco!

Este é um momento oportuno para refletirmos sobre o ano que passou. Com certeza muitas coisas boas e ruins aconteceram, mas em todas elas tivemos experiências que marcaram nossa vida para sempre. Para nós, que cremos na soberania de Deus, nada nos aconteceu por acaso, mas tudo teve um fim proveitoso. Como disse o apóstolo Paulo aos Romanos: “todas as coisas contribuem para o bem daqueles que amam a Deus”. Às vezes não entendemos certos acontecimentos, mas mesmo assim devemos ter o espírito de gratidão ao Pai, pois temos consciência de que Ele, com sabedoria infinita, controla todas as coisas.

Um novo ano nos espera e com ele a esperança de dias melhores. As expectativas são muitas. Porém, o que acontecerá só Deus sabe! No entanto, acreditamos que Deus continuará nos abençoando.

A passagem de ano é um bom momento para projetar nosso futuro, sabendo que “O homem faz planos, mas a resposta certa vem dos lábios do Senhor”, como diz a Palavra de Deus em Provérbios.

Nesta oportunidade, queremos convidá-lo, juntamente com sua família, para fazer um projeto de vida. Um projeto a curto, médio e a longo prazo, colocando no papel aquilo que você deseja, não esquecendo sobretudo do lado espiritual, pois ele é fundamental. A Bíblia diz: “Buscai primeiro o Reino de Deus e as demais coisas serão acrescentadas”.

O problema de muitas pessoas é que costumam deixar Deus em segundo plano e o resultado é uma vida embaraçada, enrolada, atrapalhada em todos os sentidos. O salmo 34 diz: “Entrega o teu caminho ao Senhor, confia nEle e o mais Ele fará”. Confia no Senhor Jesus e Ele cuidará dos detalhes de sua vida no ano que estamos iniciando! Que Deus nos abençoe e nos faça prosperar!

História do Presbiterianismo no Brasil – Agosto/2009

O Presbiterianismo no Brasil
é fruto do trabalho missionário do norte-americano
Ashbel Green Simonton.
Ele chegou ao Brasil no dia 12de agosto de 1859
e, algum tempo depois, começou o seu ministério
fundando a Igreja Presbiteriana do Brasil,
em 1862, no Rio de Janeiro. Podemos dividir
a história do Presbiterianismo do final
do século XIX em três etapas distintas:

1 – A época de Simonton – de 1859 a 1867

Havendo iniciado o trabalho na capital do Brasil, então Rio de Janeiro, faz sua primeira viagem para o interior do estado em 1860, visitando também a cidade de São Paulo e algumas do interior paulista. Em razão desses contatos, algum tempo depois começa a IPB na capital Paulista com o missionário Alexander Latmer Blackford e sua esposa Lilie, irmã de Simonton. Este casal tinha vindo dos Estados Unidos para ajudá-lo no trabalho missionário no Brasil (ATAÍDES, p. 41).

Em 1864, o Rev. Blackford recebe a visita de Antonio Martins Borges, da cidade de Brotas, SP. Este queria saber mais sobre o Evangelho, pois havia sido abordado por José Manuel da Conceição, JMC, um ex-padre que havia se entregado a Cristo graças ao ministério de Simonton. Em 1865, Blackford visita essa cidade e, ali, organizou-se a 3ª Igreja Presbiteriana no Brasil.

Com três igrejas organizadas, Simonton funda o Presbitério do Rio de Janeiro, em 16 de dezembro de 1865, e ordena o primeiro pastor brasileiro, José Manuel da Conceição. Em oito anos e quatro meses, Simonton organizou três igrejas (Rio, São Paulo e Brotas), um Presbitério (Rio de Janeiro), um Jornal (Imprensa Evangélica), um Seminário (Seminário Primitivo) e uma Escola (No Rio). Vítima de febre amarela, falece, no dia 09 de dezembro de 1867, em São Paulo, e é sepultado no cemitério dos protestantes.

2 – Expansão do Presbiterianismo – de 1867 a 1888

Com a morte do missionário Simonton, a Igreja Presbiteriana continuou o seu trabalho com os missionários americanos, pastores nacionais e leigos. O ex-padre JMC teve um papel importante no trabalho de evangelismo de cidade em cidade, no estado de São Paulo e sul de Minas Gerais. Neste período, ocorre a formação dos primeiros líderes nacionais e há uma grande expansão da evangelização, sendo muitas igrejas organizadas, tais como, Sorocaba e Borda da Mata, em 1869, e muitas outras nos anos seguintes. Este foi um momento importante do trabalho leigo no Brasil. Estes leigos, presbíteros e membros da igreja, continuaram evangelizando e distribuindo Bíblias com muito amor e fervor. Entre eles, podemos destacar o presbítero João Antunes de Moura, morador da cidade de Faxina (hoje Itapeva, SP), que se empenhou em levar Bíblias, como colportor, a várias cidades da sua região, inclusive chegando ao Estado do Paraná nas cidades de Guarapuava e Ponta Grossa (ATAÍDES, p. 99). Este irmão era avô do saudoso Pr. Ner de Moura, um dos pioneiros da IPRB, que faleceu em junho de 2009, aos 93 anos.

Em razão desse crescimento, em 1888 foi criado o Supremo Concílio da Igreja Presbiteriana no Brasil. Este Sínodo era composto por missionários norte-americanos tanto do Sul como do norte, e por pastores nacionais e presbíteros.

3 – Período entre a criação do Sínodo
e a Cisão – de 1888 a 1903

Com a criação do Supremo Concílio, a igreja alcançou certa independência, mas alguns problemas afloraram, trazendo consigo grandes dificuldades. Pelo menos três problemas debatidos durante este período vão gerar a divisão da igreja presbiteriana em 1903: o Sínodo, o Seminário e a Maçonaria.

A relação dos missionários com os concílios

Com a criação do Sínodo no Brasil, os missionários passaram a fazer parte dele, inclusive da sua diretoria. Blackford representava o Sínodo do norte dos Estados Unidos e Smith, o do sul. Isto trouxe certo desconforto aos pastores nacionais que achavam que esses missionários não deveriam fazer parte da direção da igreja nacional. No entanto, os missionários não abriam mão disso, o que gerou certa dificuldade entre eles.

Reorganização do seminário

O Mackenzie, escola localizada em São Paulo, era também responsável pelo seminário. Esse foi o segundo ponto. Alguns pastores brasileiros discordavam e queriam o Seminário separado da Escola. No entanto, os missionários faziam algumas exigências para investir num Seminário separado do Mackenzie, pois isso não era do interesse deles.

Em 1896, Eduardo Carlos Pereira, um dos principais líderes nacionais, desafiou os missionários, dizendo-lhes que se não investissem no Seminário separado da Escola, a Igreja Nacional o faria, lançando então uma campanha, através do “Estandarte” (Jornal Presbiteriano), a fim de arrecadar 100:000$000 (cem contos de réis) para essa finalidade. Afirmava ele: “vamos tirar das nossas algibeiras”. O resultado não foi o esperado, por isso, até a cisão em 1903, não haviam conseguido o montante necessário para tal obra.

Incompatibilidade da maçonaria com o Evangelho

Em 1898, surge a questão da incompatibilidade da maçonaria com o Evangelho. Alguns pastores nacionais levantaram essa questão, usando o “Estandarte” para propagar suas teses. Eles acusavam a maçonaria de servir de instrumento ou “mão-de-gato” ao Mackenzie para tirar o Seminário da Igreja. O Rev. Eduardo C. Pereira, líder dessa facção e pastor da catedral de São Paulo, propôs demitir ou eliminar os maçons da igreja nos seguintes termos:

“Que os secretários permanentes dos diversos presbitérios passem cartas demissórias aos missionários dos Boards para quaisquer presbitérios dos Estados Unidos indicados pelos mesmos; e, caso não peçam as ditas cartas no prazo de noventa dias, sejam eliminados dos respectivos presbitérios.

Que os secretários permanentes dos diversos presbitérios passem cartas demissórias aos ministros e crentes maçons para qualquer igreja Evangélica indicada por eles mesmos; e, caso não as peçam no prazo de noventa dias, sejam eliminados do rol dos respectivos presbitérios e igrejas.” (PEREIRA, p. 20).

No Sínodo de 1903, nas primeiras sessões, travou-se uma guerra sobre a maçonaria. Não havendo conciliação pela intransigência da minoria que radicalmente rejeitava a maçonaria ocorreu a separação, em 31/07/1903. Criou-se, então, a IPI – Igreja Presbiteriana Independente. Eduardo C. Pereira, logo após a cisão, escreveu: “Contristados, despedimo-nos do Sínodo na memorável noite de 03 de julho de 1903, lamentando profundamente que os missionários tivessem preferido tão dolorosa solução às nossas dificuldades eclesiásticas”, (PEREIRA, p. 27).

O Sínodo justificou-se dizendo: “Os irmãos dissidentes insistiam em que a nossa igreja pronunciasse contra a maçonaria…” (PEREIRA, p. 27 e 28) explicou que entendiam que a maçonaria não era incompatível com o Evangelho. A partir desse momento tivemos duas igrejas presbiterianas no Brasil: a IPB e a IPI.

Surge o avivamento

No final da década de 60 e começo da década de 70, surgiu o avivamento dentro dessas Igrejas. O avivamento provocou dissidências no meio presbiteriano tradicional, levando à organização da ICP – Igreja Cristã Presbiteriana – em 1968, e à IPIR – Igreja Presbiteriana Independente – em 1972. Essas duas denominações se aproximaram e deram os passos para sua unificação, o que ocorreu em 08/01/1975, nascendo então a IPRB – Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Durante 34 anos a IPRB tem caminhado e crescido. Dos 8.335 membros iniciais hoje são mais de 116.000, distribuídos por 44 presbitérios e aos cuidados de 886 pastores. Enfrentou alguns problemas, venceu o período de transição e está assumindo sua identidade.

A IPRB é uma grande denominação pela sua linha doutrinária, estrutura jurídica e missão. Possui a Gráfica e Editora Aleluia, que tem excelente estrutura física e administrativa e edita o Jornal Aleluia, que circula há 38 anos.; dois conceituados seminários – o Seminário Presbiteriano Renovado, de Cianorte, PR e SPR Brasil Central, Anápolis, GO, este com uma extensão muito bem estruturada em Goiânia; uma Agência Missionária – a Mispa (Missão Priscila e Áquila) – com sede em Assis, SP (www.iprb.org.br). Acima de tudo, a IPRB tem um patrimônio incalculável que são os seus pastores, missionários e membros.

Que neste aniversário de 150 anos da chegada de Simonton à nossa Pátria, louvemos juntos a Deus pelo presbiterianismo no Brasil até que o Senhor volte! Que Deus nos abençoe!

Referências:

ATAÍDES, Florêncio Moreira de. SIMONTON: o missionário que impactou o Brasil. Arapongas, PR: Aleluia, 2008.

PEREIRA, Eduardo Carlos. As Origens da Igreja Presbiteriana Independente do Brasil. São Paulo: Almenara, 1965, 2ª Ed.

Site: http://www.iprb.org.br. In: 07/06/09

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Fonte: Artigo publicado no Jornal Aleluia de agosto de 2009, páginas 08 e 09.

A Reforma Protestante do Século XVI – Fevereiro/2004

“O justo viverá pela sua fé”

O texto de Romanos 1:17
foi fundamental para que surgisse
a Reforma Protestante no Século XVI

Quando Martinho Lutero leu essa passagem
das Escrituras, foi convencido de que nossa justificação não se dá através
das boas obras, mas sim através da fé.
Inicialmente, ‘Reforma Protestante’ foi um termo pejorativo
empregado pelos católicos romanos àqueles que protestaram
contra o sistema religioso da época, mas esse termo
foi assimilado e usado a partir do século XVI até nossos dias
para designar os grandes fatos vividos pelos que desejavam
e desejam pautar sua vida religiosa
segundo a Bíblia.

Que foi a Reforma
Protestante?

Dependendo do ponto de vista, poderíamos ter vários conceitos. No entanto, consideramos a Reforma como um movimento de retorno aos padrões bíblicos do Novo Testamento. Isso expressa a realidade da “Reforma Protestante”, pois tudo que se fez tinha a finalidade de levar as pessoas a se aproximarem de Deus através de um relacionamento profundo com Ele.

Por que aconteceu
a Reforma Protestante?

Alguns fatores contribuíram para que acontecesse a Reforma. Entre eles podemos destacar os seguintes:

a) As mudanças geográficas. O século XVI foi a era das grandes navegações realizadas pelas superpotências Portugal e Espanha e, consequentemente, das grandes descobertas. Com isso o mundo não se limitava mais à Europa, mas o novo mundo trouxe novos horizontes de conquista e expansão.

b) Mudanças políticas. Surgem as nações-estados. A Europa começa a se fragmentar em países independentes politicamente uns dos outros. Surgem países como a Inglaterra, França, Espanha, Portugal, etc. Com isso é natural o desejo de cada governante de sentir-se livre de um poder central e dominador que era o papado.

c) Mudanças intelectuais. Há grandes transformações intelectuais com o surgimento dos humanistas cristãos, os quais tiveram um interesse profundo pelo estudo das Escrituras Sagradas e das línguas originais e começaram a fazer uma comparação entre o Novo Testamento e o que a Igreja Católica Romana estava vivendo. Entre esses humanistas podemos destacar Desidério Erasmo ou Erasmo de Rotherdan que influenciou os reformadores com o seu Novo Testamento Grego.

d) Mudanças religiosas. O autoritarismo da Igreja católica romana era insustentável. O catolicismo não satisfazia os anseios espirituais do povo que buscava uma religião satisfatória e prática, que respondesse às suas indagações e expectativas.

Onde aconteceu
a Reforma Protestante?

A Reforma aconteceu na Alemanha, mas logo, se espalhou para outros países como Inglaterra, Suíça, França, Escócia, etc. Em cada país podemos destacar um líder que levou avante este movimento.

Quando
ocorreu a Reforma?

A partir do final do Século XII, começam a surgir alguns movimentos na Europa que pediam mudanças dentro da Igreja Católica Romana. Entre eles podemos destacar dois grupos:

Os valdenses com Pedro Valdo na Itália.

Os cataritas na França.

Também surgiram alguns homens que podemos considerá-los pré-reformadores como:

John Wycliff na Inglaterra, no século XIV, 1384

John Huss na Boêmia, no começo do século XV, 1415

Jerônimo Savanarola na Itália, no final do século XV, 1498

A Reforma Protestante, no entanto, só aconteceu no Século XVI na Alemanha, quando o frade agostiniano Martinho Lutero afixou as 95 teses nas portas da igreja do castelo de Wittenberg.

Era o dia 31 de outubro de 1517, véspera do dia de “todos os santos”, quando milhares de peregrinos afluíam para Wittenberg para a comemoração do feriado do “dia todos os santos e finados”, 01 e 02 de novembro.

Era costume pregar nos lugares públicos os avisos e comunicados. Lutero aproveitou a oportunidade e, através de suas teses, combatia as indulgências que eram vendidas por João Tetzel com a falsa promessa de muitos benefícios. Ele dizia que, se alguém comprasse uma indulgência para um parente falecido, “no momento em que a moeda tocasse no fundo do cofre a alma saltava do inferno e ia direto para o céu”.

Quais foram
os principais reformadores?

Na Alemanha, Martinho Lutero (1483/1546)

Na Suíça, Huldreich Zwínglio (1484/1531) e João Calvino (1509/1564)

Quais foram
as principais obras de Lutero?

Lutero expressa suas ideias através de três obras. São elas:

a) A Liberdade Cristã. Nesse livro, pregou que somos livres em Cristo. Negou nessa obra que somente o papa pudesse interpretar as Escrituras, mas que podiam ser lidas e interpretada por qualquer crente sincero.

b) Apelo à Nobreza. Aqui Lutero faz um apelo para o povo se unir contra a Igreja Católica Romana.

c) Cativeiro Babilônico da Igreja. Afirmava que a Igreja estava vivendo num cativeiro, assim como o povo de Israel esteve na Babilônia escravizado.

Quais eram as principais doutrinas
defendidas por Lutero?

a) Justificação pela fé. Baseado nos ensinos de Paulo, ele ensinava que o homem não é justificado pelas suas obras, mas pela fé em Jesus Cristo.

b) A infalibilidade da Bíblia. Ele considerava a Bíblia infalível e acima de toda e qualquer tradição religiosa. Enquanto a Igreja Católica Romana defendia a ideia de que o papa era infalível e a Bíblia era sujeita à sua interpretação, Lutero afirmava que A Bíblia estava acima do papa, pois ela é a Palavra de Deus inspirada pelo Espírito Santo.

c) Sacerdócio de todos os crentes. Lutero negava o conceito que afirmava ter o papa poderes sobrenaturais como intermediário entre o povo e Deus. Ele defendia a ideia de que todo crente é um sacerdote e tem livre acesso à presença de Deus. Não precisamos de um intermediário, o único intermediário entre o homem e Deus é o Senhor Jesus Cristo.

Quais eram os princípios
fundamentais da Reforma?

a) Supremacia das Escrituras sobre a tradição.

b) A supremacia da fé sobre as obras.

c) A supremacia do povo sobre o sacerdócio exclusivo.

Lutero foi vitorioso?

Sim. Apesar das tentativas para condenarem Lutero, o papa e o Imperador Carlos V não conseguiram. Quando foi convocado a comparecer ao concílio diante do imperador, ele expressou-se destemidamente da seguinte forma: “É impossível retratar-me, a não ser que me provem que estou laborando em erro, pelo testemunho das Escrituras ou por uma razão evidente. Não posso confiar nas decisões de concílios e de Papas, pois é evidente que eles não somente têm errado, mas se têm contraditado uns aos outros. Minha consciência está alicerçada na Palavra de Deus. Assim Deus me ajude. Amém”.

Uma das expressões mais profundas do sentimento de Lutero está no hino Castelo Forte que diz:

“Que a Palavra ficará, sabemos com certeza, e nada nos assustará, com Cristo por defesa; se temos de perder os filhos bens, mulher, embora a vida vá, por nós Jesus está, e dar-nos-á seu Reino”.

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Fonte: Artigo publicado no Jornal Aleluia de fevereiro de 2004

História do Pentecostalismo – Setembro/2006

“O justo viverá pela sua fé”

Quando falamos em Pentecostalismo,
referimo-nos a um fenômeno característico
do século XX: o avivamento que aflorou
em Los Angeles, USA, em 1906

Analisando a História da Igreja, podemos observar nitidamente que Deus sempre avivou ou reavivou sua Igreja em várias ocasiões diferentes. Esses períodos da Era Cristã foram marcados por reavivamentos maravilhosos, onde Deus se manifestou aos seus servos de forma sobrenatural.

No período da Reforma Protestante, no século XVI, Deus levantou homens como Martinho Lutero, João Calvino e John Knox. No século XVIII, ocorreu o Avivamento Morávio com o Conde Zinzendorf, o Grande Reavivamento na Inglaterra com John Wesley, Charles Wesley e George Whitefield e o Reavivamento Americano com Jonathan Edwards. Nenhum destes avivamentos foi conhecido como Pentecostal, pois o termo é do início do século XX, quando houve o derramamento do Espírito Santo nos Estados Unidos da América, semelhante à manifestação de Atos dois.¹

Conceito de avivamento espiritual

A palavra “Avivamento” vem do verbo “avivar” que significa: tornar mais vivo, despertar, reanimar-se e vivificar-se. John Stott conceitua avivamento como: “… uma visitação inteiramente sobrenatural do Espírito soberano de Deus, pela qual uma comunidade inteira toma consciência de Sua santa presença e é surpreendida por ela”.2 Devemos compreender que Avivamento é o cumprimento da Promessa de Deus em Joel 2 e a resposta da oração, inspirada pelo Espírito Santo, do profeta Habacuque que dizia: “Aviva a tua obra, ó Senhor, no decorrer dos anos”.3

Avivamento é, acima de tudo, a manifestação de Deus no meio do povo, através do Espírito Santo, com a finalidade de renovar, reavivar e despertar a Igreja sonolenta e acomodada. O movimento Pentecostal é fruto de um Avivamento genuíno que ocorreu na América do Norte, no início do século passado, e que se espalhou por todo mundo, inclusive no Brasil.

Origens do Pentecostalismo

Tradicionalmente, reconhece-se o começo do movimento Pentecostal com o Avivamento ocorrido em 1906, em Los Angeles (EUA), na Rua Azusa, caracterizado pelo batismo com o Espírito Santo, evidenciado pelos dons do Espírito: línguas estranhas, curas, profecias, interpretação de línguas, etc. O Avivamento na Rua Azusa, rapidamente cresceu alcançando outros lugares e pessoas de várias partes do mundo que foram até lá para conhecer, de perto, o movimento.4

Algum tempo depois, vários grupos semelhantes foram formados em muitos lugares dos USA, mas com o rápido crescimento do movimento, o nível de organização também cresceu até o grupo denominar-se Missão da Fé Apostólica da Rua Azusa. A partir desse movimento, houve um despertamento espiritual e nasceu um fervor missionário por parte daqueles que iam sendo avivados.

Pentecostalismo no Brasil

No Brasil, o Pentecostalismo chegou em 1910 e 1911 com a vinda de missionários que tinham sido avivados na América do Norte. O primeiro deles foi o presbiteriano Louis Francescon,5 que dedicou seu trabalho entre as colônias italianas no Sul e Sudeste do Brasil6 e resultou no nascimento da Congregação Cristã no Brasil. Logo depois, chegaram os batistas Daniel Berg e Gunnar Vingren7 que vieram como missionários para Belém, PA,8 e, ali, iniciaram a Igreja Assembleia de Deus, em 1911.9

Devemos entender que o Pentecostalismo brasileiro nunca foi homogêneo em razão de suas diferenças internas. O sociólogo Ricardo Mariano10 classifica-o em três vertentes:

Pentecostalismo Clássico

Deuteropentecostalismo e

Neopentecostalismo.11

Vejamos cada uma delas.

Pentecostalismo clássico

A primeira vertente do Pentecostalismo reproduziu no Brasil uma tipologia Norte-Americana e é chamada de “Pentecostalismo Clássico”, que abrange o período de 1910 a 1950. Esse é o período de fundação e “domínio” Pentecostal dessas duas denominações: a Congregação Cristã no Brasil e a Igreja Assembleia de Deus, que se difundiram em todo território nacional. Ambas caracterizavam-se pelo anticatolicismo, ênfase na crença no Espírito Santo, sectarismo radical, principalmente a primeira, e por um ascetismo que rejeitava os valores do mundo e defendia a plenitude da vida moral. Essa vertente constitui a maior Igreja Evangélica brasileira representada pela Assembleia de Deus atualmente.

Deuteropentecostalismo

A segunda vertente é chamada de “Deuteropentecostalismo” 12 vindo através da Igreja do Evangelho Quadrangular, 13 em 1951, com o missionário Harold Willians.14 Na capital paulista, ele criou a Cruzada Nacional de Evangelização e percorreu quase todos estados brasileiros. Seu trabalho era centrado na cura divina e na evangelização das massas, principalmente pelo rádio, contribuindo bastante para a expansão do Pentecostalismo no Brasil.15 Paralelamente, surgem duas Igrejas Pentecostais16 autônomas: “O Brasil para Cristo” (1955) e a “Igreja Deus é Amor” (1962), fundadas pelos missionários Manoel de Melo e David Miranda, respectivamente.

Nas décadas de 60 e 70, houve um movimento de avivamento com manifestações carismáticas, ou seja, pentecostais, nas Igrejas tradicionais, tendo como resultado o surgimento de vários grupos denominados “Renovados”. Há, a partir desse período, uma proliferação de novas Igrejas pentecostais, como por exemplo, a Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil,17 a Convenção Batista Nacional, a Igreja do Avivamento Bíblico, a Igreja Metodista Wesleyana, a Igreja Cristã Maranata, entre outras.

Neopentecostalismo

A terceira vertente é a Neopentecostal.18 O neopentecostalismo tem início na segunda metade dos anos 70. São igrejas fundadas por brasileiros que, influenciados por movimentos norte-americanos, começaram suas denominações com características diferentes das duas vertentes anteriores. A Igreja Universal do Reino de Deus, a Internacional da Graça de Deus, a Comunidade Sara Nossa Terra e a Renascer em Cristo estão entre as principais. As igrejas neopentecostais utilizam intensamente a mídia eletrônica para propagar seu movimento, funcionam como empresas e pregam a Teologia da Prosperidade. O Neopentecostalismo constitui a vertente pentecostal mais influente e a que mais cresce hoje no Brasil.19

O Pentecostalismo iniciado na Rua Azusa, em 1906, está completando um século. E, como resultado de sua consistência e seriedade, tem-se mantido por todo esse tempo e com certeza continuará até a volta do Senhor. Os desvios e abusos que eventualmente têm surgido não podem descaracterizar aquilo que nasceu no coração de Deus, que é reavivar o seu povo para uma obra do fim.

Que Deus nos ajude a ser renovados a cada dia!

Bibliografia

CÉSAR, Elben M. Lens. História da Evangelização do Brasil. Viçosa, MG: Ultimato, 2000.

MARIANO, Ricardo. Neopentecostais. São Paulo: Edições Loyola, 1999.

STOTT, John. A verdade do Evangelho: um apelo a unidade. São Paulo: ABU Editora, 2000.

TUCKER, Ruth. “…Até os Confins da Terra”: Uma História Biográfica das Missões Cristãs. São Paulo: Vida Nova, 1986.

Notas bibliográficas

1 – Conhecido como Pentecostal por apresentar características espirituais semelhantes a do Pentecostes, registrado em Atos dois.

2 – STOTT, John. A verdade do Evangelho, p. 119.

3 – Habacuque 3: 2.

4 – Esse movimento de avivamento foi liderado por William Joseph Seymour.

5 – Louis Francescon era um Italiano que estava morando nos USA e mudou-se para o Brasil em 1910.

6 – O trabalho de Francescon se desenvolveu no Braz, em São Paulo,
e em Santo Antônio da Platina, no Paraná.

7 – Daniel Berg e Gunnar Vingren eram suecos.

8 – TUCKER, Ruth. “…Até os Confins da Terra”, p. 511.

9 – CÉSAR, Elben M. L. História da Evangelização do Brasil, p. 113.

10 – Ricardo Mariano é sociólogo e pesquisador do movimento Neopentecostal no Brasil.

11 – MARIANO, Ricardo. Neopentecostais, p. 23.

12 – O berço das igrejas Deuteropentecostais é São Paulo.

13 – A International Church of The Four-Square Gospel foi fundada em 1920, em Los Angeles, pela missionária canadense Aimee Semple Mcpherson.

14 – Harold Willians, ex-ator de filmes de Faroeste, que depois de convertido se tornou o missionário no Brasil.

15 – CÉSAR, p. 129 e 130.

16 – CÉSAR, p. 139.

17 – A Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil foi organizada em Maringá, PR, no dia 08 de janeiro de 1975.

18 – Diferente da segunda, o berço das igrejas Neopentecostais é o Rio de Janeiro.

19 – www.pt.34of100e.info/Pentecostal.

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Fonte: Artigo publicado no Jornal Aleluia de setembro de 2006.

Ashbel Green Simonton: vida e missão – Biografia

Texto elaborado pelo Pastor Florêncio Moreira de Ataídes

(1833 – 1867)

No dia 27 de novembro de 1858,
o jovem Simonton encaminhou
à Junta de Missões Estrangeiras seu pedido formal para ser missionário, mencionando o Brasil como campo da sua preferência, deixando, no entanto, a decisão final aos cuidados da Junta.
Fora aceito. Em agosto de 1859 aportava no Rio de Janeiro.

Simonton nasceu no dia 20 de janeiro de 1833, em West Hanover, na Pensilvânia, descendente de presbiterianos escoceses-irlandeses que haviam migrado para os Estados Unidos. Era filho de William Simonton e Martha Davis. Tinha nove irmãos, sendo cinco homens, denominados os quinque frates (os cinco irmãos): William, John, James Thomas e quatro irmãs: Martha, Jane, Elizabeth (Lillie) e Anna Mary.

Desde cedo, Simonton recebeu as melhores influências morais, intelectuais e espirituais da fé presbiteriana em que fora criado e que podem ser facilmente observadas no seu diário, escrito a partir dos dezenove anos de idade.

Quando viajava ao sul dos Estados Unidos, atuando como professor, deixava transparecer, em suas reflexões e personalidade sensível, profundo interesse pelas coisas espirituais, embora, até então, não tivesse feito sua profissão de fé. Observava os problemas sociais de sua época, como, por exemplo, mostrando-se radicalmente contra a questão da escravidão. Sobre o comércio de africanos, considerava-o como um “tráfico desumano e nenhum homem com sentimento humanitário poderia se engajar nele” (MATOS, p. 27). Não concordava com o comportamento de homens que se aproveitavam dos seus semelhantes para se beneficiarem economicamente.

Importava-se também com os pobres e, na antevéspera do natal, expressou assim seus sentimentos: “O inverno chegou violento, neve e frio para o prazer dos ricos e desespero dos pobres (…) Neste inverno haverá mais sofrimentos entre as classes pobres do que jamais houve. Milhares de trabalhadores já foram despedidos nas cidades e aglomerados industriais; os aluguéis e a comida estão caros” (MATOS, p. 78). A situação precária de milhares de pessoas o incomodava: “isso consistia num grave problema social, o que não passou despercebido por ele. Simonton era uma pessoa preocupada com o social, almejando o bem-estar de todos” (ATAÍDES, p. 19).

Até então, não tinha tomado uma decisão de servir a Cristo, pois lhe faltava uma profunda experiência com Deus. No entanto, sua conversão não demorou muito para acontecer. Em março de 1855, a igreja, da qual sua mãe era membro, promoveu uma campanha de oração onde ele se entregou a Cristo, assumindo publicamente o seu compromisso com Deus. A partir daquele momento “passou a considerar o ministério como possibilidade em sua carreira. Fez, então, uma decisão corajosa que mudou para sempre o sentido de sua vida: respondeu afirmativamente ao apelo do pastor” (ATAÍDES, p. 20).

Em resposta ao chamado, em julho daquele ano, ingressou no Seminário de Princeton, a fim de preparar-se para o ministério. Ainda no primeiro semestre, ouviu, na capela do seminário, um sermão que o despertou para missões. “O pregador era o Dr. Charles Hodge, eminente teólogo e professor do seminário, que o fez pensar seriamente na possibilidade de devotar-se à obra missionária no estrangeiro. Aquele sermão tocou profundamente o coração sensível do jovem seminarista Simonton, levando-o a pensar seriamente, pela primeira vez, sobre o trabalho missionário” (ATAÍDES, p.23).

Com o consentimento de sua mãe, no dia 27 de novembro de 1858, encaminhou à Junta de Missões Estrangeiras o pedido formal para ser missionário, mencionando o Brasil como campo da sua preferência, deixando, no entanto, a decisão final aos cuidados da Junta. Foi aceito e ordenado pastor, começando os preparativos para a viagem no ano seguinte.

Na manhã do dia 18 de junho 1859, despediu-se, no porto de Baltimore, de sua mãe e de seu irmão John que o acompanharam até o navio. Sua mãe escreveu no diário dela naquela ocasião: “É difícil separar-se daqueles que talvez não vejamos mais na terra. Mas quando penso no valor das almas imortais que se estão perdendo pela falta do Evangelho puro… Recomendo você com orações e lágrimas ao Senhor, que tudo faz para o bem” (www.missiodei.com.br. In: 25/08/06). Oraram fervorosamente por ele e em seguida embarcou num navio à vela chamado Banshee, rumo ao Brasil. Estava deixando para trás sua pátria, família e amigos, muitos dos quais não mais veria nesta terra. Foram 55 dias de viagem, mas desembarcou, finalmente, no porto da capital do Brasil, o Rio de Janeiro, no dia 12 de agosto daquele ano.

Quando Simonton chegou aqui havia muitos protestantes ingleses (anglicanos) que tinham vindo para cá ao longo de meio século, liberados por tratado comercial entre o Império do Brasil e a Inglaterra. No entanto, eles não evangelizavam em razão das restrições que faziam parte do acordo. A religião oficial do Brasil Imperial era o catolicismo romano.

Simonton vivia a grande expectativa de pregar o evangelho aqui. Estava bem consciente de que devia amar as pessoas para ganhá-las para o Senhor, pois ser missionário sem amor era, para ele, um mau negócio. Como método de evangelização começou a dar aulas de inglês, como forma de estabelecer contato com as pessoas e aperfeiçoar sua fluência na língua portuguesa, o que lhe consistia um grande problema. Lutava para aprender o idioma o mais rápido possível, a fim de que pudesse comunicar bem o evangelho. Três meses depois de sua chegada ao Brasil escreveu: “O que mais me interessa agora é aprender a língua… e enquanto não o completar, não tenho condições de ser útil aqui… Todos os esforços que fiz até agora para aprender o português não tiveram sucesso” (MATOS, p. 132).

Depois de alguns meses no Brasil, “no dia 22 de abril de 1860, num domingo, Simonton realizou a primeira Escola Dominical em sua casa, sendo este seu primeiro trabalho em Português” (ATAÍDES, p. 40), o que o deixou muito feliz.

Simonton não ficou apenas no Rio, mas visitou várias cidades dos estados do Rio de Janeiro, Minas Gerais e São Paulo, deixando nelas a semente do Evangelho, onde nasceram muitas igrejas presbiterianas.

No final de 1862, voltou a sua terra para visitar sua mãe que estava enferma. Infelizmente, quando chegou ela já havia partido para o Senhor. Teve a oportunidade de rever seus irmãos pela última vez, descrevendo assim esse encontro: “a noite passada, ficamos conversando até tarde sobre o passado e sobre os que partiram. Cada um contribuía com maior ou menor parte dos tesouros de sua memória; muitos incidentes e lembranças foram revividos e a conexão do presente com o passado parecia completa” (MATOS, p. 154).

Ainda no final daquele ano, Simonton conheceu a jovem Helen Murdoch com quem se casara em 19 de março de 1863. Em seguida, vieram para o Brasil e aqui Helen viveu cerca de um ano e veio a falecer por causa de complicações no parto.[1] Simonton enlutado e sozinho escreveu suas mais dolorosas palavras: “Deus tenha piedade de mim agora, pois águas profundas rolaram sobre mim. Helen está estendida em seu caixão, na salinha de entrada. Deus a levou de repente que ando como quem sonha” (MATOS, p.164).

A morte da esposa foi uma perda irreparável, um golpe do qual jamais se recuperou. No entanto, continuou o seu ministério com muito ardor. Com os colegas de ministério: Blackford, Schneider e Chamberlain, fundou algumas igrejas Presbiterianas (Rio, São Paulo e Brotas), organizou um Presbitério (o Presbitério do Rio de Janeiro), um jornal (Imprensa Evangélica), um Seminário (Seminário Primitivo) e uma Escola Paroquial (no Rio de Janeiro). Tudo isso ocorreu no curto período de oito anos e quatro meses.

Simonton fazia incansavelmente a obra de Deus e o seu trabalho prosperava em vários lugares. Um dos frutos mais importantes do seu ministério foi a conversão do padre José Manuel da Conceição, conhecido como JMC, que se tornou uma peça-chave na evangelização de muitas cidades nos estados de São Paulo e sul de Minas Gerais. JMC foi o primeiro pastor brasileiro ordenado.

Em novembro de 1867, Simonton foi acometido de febre amarela e não mais se recuperou. Apesar de ser devidamente assistido pelos médicos, não resistiu e faleceu precocemente, no dia 09 de dezembro de 1867, aos 33 anos. O túmulo do missionário Simonton está ao lado do de JMC, no Cemitério dos Protestantes, em São Paulo.

Em 12 de agosto de 1959, no centésimo aniversário de sua chegada ao Brasil, a Igreja Presbiteriana do Brasil colocou, ao pé da lápide do pioneiro, uma placa comemorativa com a seguinte inscrição: “Primeiro centenário da chegada do Rev. Ashbel Green Simonton ao Brasil. O seu trabalho não foi em vão no Senhor” (MATOS, p. 30).

Em 12 de agosto de 2009 comemoramos os 150 anos da chegada de Simonton ao Brasil para estabelecer o presbiterianismo. Como presbiterianos temos motivos para louvar a Deus pela sua vida. Reconhecemos a importância de seu trabalho, o qual continua frutificando para glória de Deus! Amém.

REFERÊNCIAS

ATAÍDES, Florêncio Moreira de. Simonton: o missionário que impactou
o Brasil. Arapongas, PR: Aleluia, 2008.

MATOS, Aldery Souza (org.). O Diário de Simonton. São Paulo, SP: Cultura Cristã, 2002.

www.missiodei.com.br. In: 25/08/06

[1] Helen Murdoch Simonton, filha de Ashbel e Helen, viveu quase toda sua vida em Baltimore, estado de Maryland nos Estados Unidos, e faleceu aos 88 anos, no dia sete de janeiro de 1952.

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FONTE: Texto elaborado pelo Pastor Florêncio Moreira de Ataídes
Publicado no Jornal Aleluia de julho de 2009

O valor do discipulado – Janeiro/2016

O crescimento sustentável da igreja está ligado
ao valor que damos ao discipulado. Como vamos estudar neste artigo, discipulado é muito mais do que um método
de crescimento, é a essência
da igreja que cumpre o IDE de Jesus

1. O chamado para o discipulado. Jesus chama os seus discípulos por sua graça e autoridade. Não havia questionamentos, condições, concessões e garantias. O que estava em questão não era a estabilidade do discípulo, nem para o que o foi chamado, mas simplesmente a autoridade e a graça de Jesus. Mateus 9.9

2. O custo do discipulado. Seguir a Cristo não é tarefa fácil. Mudanças radicais têm de acontecer. Só pessoas com disposição podem atender a este chamado e pagar todos os custos. Lucas 14.28-33 Isso não deve desanimar o discípulo, mas estimulá-lo a pagar os custos com alegria em todos os seus aspectos, porque Jesus pagou um alto preço pelos seus discípulos.

3. A Cruz do discipulado. Leva o discípulo a viver em total negação do “eu”, significando que o discípulo agora, não segue o seu próprio caminho, e sim o caminho de submissão ao senhorio de Cristo. É a crucificação e a mortificação do velho homem. Gálatas 2.20

4. A Palavra do discipulado. O discipulado deve ser bíblico, pois só assim se estabelecerá o fundamento de fé e prática do discípulo. A fonte de conhecimento do discipulado que gera crescimento sustentável é a Palavra de Deus.

5. A oração do discipulado. No discipulado de Cristo, a oração sempre foi exercitada em todas as áreas e momentos de Seu ministério. O discípulo, que tem como fundamento de seu discipulado a vida de Cristo, entende que na caminhada do discipulado é imprescindível orar.

6. A santidade do discipulado. O convite para o discipulado sem santidade é fruto da graça barata. Discipulado é o processo de santificação realizada por meio do Espírito Santo. Gálatas 5.16-26. O discípulo não entra para uma espécie de vida de perfeição, mas entra para uma vida de entrega total e obediência a Deus.

7. O serviço do discipulado. É o chamado para servir a Cristo, aos irmãos e à obra de Deus. Cristo ensinou e deu o exemplo sobre o serviço cristão na última ceia. Leia João 13 O serviço cristão é caracterizado por amar, ouvir, ajudar e levar as cargas uns dos outros.

II – TRANSFORMANDO PESSOAS COMUNS EM DISCÍPULOS

O chamado para o discipulado é o processo de transformar pessoas comuns em discípulos de Jesus. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio do relacionamento com Cristo.

1. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio do relacionamento com Cristo. Cristo chamou pessoas para vínculos de relacionamentos, ligaduras no espírito, alianças entranháveis, compromisso de submissão, de andar na luz, de se deixar tratar. Esse comprometimento é que define se o relacionamento é ou não discipulado. Uma pessoa que decide discipular outras, precisa seguir este caminho proposto por Jesus, transmitir vida por meio do modelo de relacionamento. 1 Coríntios 11.1

2. Pessoas comuns são transformadas em discípulos por meio de um ato de obediência. Em Lucas 9.57-62, vemos que discipulado não é uma confissão oral de fé, mas um ato de obediência em fé à ordem: “vai e anuncia o Reino de Deus” e à realidade: “Ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus” .

3. Pessoas comuns são transformadas em discípulos quando deixam tudo para trás e andam ao lado de Jesus. Em Lucas 5.1-11, Observamos que o conteúdo do discipulado é largar as redes, atender ao convite para pescar homens e seguir a Jesus como algo vivencial. E, neste caminho de vida, o discípulo aprenderá e crescerá nas verdades do Evangelho.

III – TRANSFORMANDO DISCÍPULOS EM LÍDERES
MULTIPLICADORES

Tudo o que estudamos até aqui, foi o processo de transformar pessoas comuns em discípulos. Agora, vamos estudar como podemos transformar discípulos em líderes multiplicadores por meio do cumprimento do IDE de Jesus. Mateus 28.19, 20.

1. O Líder multiplicador de discípulo. Fazer discípulos é a Grande Comissão da igreja. Enquanto o discípulo caminha na dinâmica do discipulado, faz discípulos de todas as nações. Reproduz vida e caráter como Jesus fez.

2. O Líder multiplicador de sacramento. Jesus deu duas ordenanças à igreja, conhecidas como sacramentos: Batismo e Santa Ceia. O líder multiplicador tem o dever de levar os discípulos a cumprir os sacramentos. Batizá-los em nome da trindade e posteriormente fazer parte da mesa do Senhor.

3. O Líder multiplicador de ensino. Liderar é multiplicar ensino. É ensinar os discípulos a observar o Evangelho integralmente. Uma igreja que quer crescer sustentavelmente tem de investir na multiplicação do ensino por meio do discipulado.

4. Líder multiplicador em Pequenos Grupos. As pessoas que estão sendo ganhas, discipuladas, batizadas e ensinadas devem ser conectadas a um Pequeno Grupo. Ali serão cuidadas e treinadas para se tornarem líderes multiplicadores.

CONCLUSÃO

Aprendemos neste estudo, a importância do discipulado como essência da igreja verdadeira. Com isso, devemos valorizar o discipulado em Pequenos Grupos para alcançar a nova geração. O crescimento da igreja por meio do discipulado não será explosivo, mas gradativo, integral e sustentável.

NOTAS IMPORTANTES

O QUE NÃO É DISCIPULADO

a. Discipulado não é sala de aula de batismo. Ela pode ser uma excelente forma de ensino, mas não é tudo.

b. Discipulado não é aconselhamento. Isso é bom para ajuda mútua.

c. Discipulado não é ensino bíblico. Isso é muito necessário para o crescimento cristão.

d. Discipulado não é um programa ou modelo para o crescimento da igreja. Isso é muito bom para firmar aqueles que acabaram de se converter. E auxilia no crescimento da igreja.

Todos esses métodos de trabalho fazem parte do discipulado,
mas não são a sua essência.

CONCEITO ETIMOLÓGICO DE DISCIPULADO

No grego, a primeira palavra que traz a ideia de discipulado é “akolouthein”, um verbo que significa ‘seguir’. A segunda palavra é “mathetes”, que significa ‘vincular-se a outra pessoa a fim de adaptar-se a ela e adquirir conhecimento prático e teórico’. A terceira palavra é “mimeomai,” que significa ‘imitar’, que enfatiza a natureza de um tipo especial de comportamento, modelado em outra pessoa.

ALGUNS EXEMPLOS DE DISCIPULADO NO NOVO TESTAMENTO

a. JOÃO BATISTA e seus discípulos. Mateus 11.1-7, Marcos 2.18-22, João 1.35-37.

b. BARNABÉ E SAULO. Atos 9.26-28

c. PAULO E TIMÓTEO. 1Timóteo 1.2, 2Timóteo 2.2

A pessoa que foi chamada larga tudo quanto tem, não para fazer algo que tenha valor especial, mas simplesmente por causa daquele chamado, porque, de outro modo, não pode seguir a Jesus. A esse ato não se atribui o menor valor. Em si, continua sendo uma coisa absolutamente destituída de importância, sem merecer atenção […]. Uma vez chamada para fora, a pessoa tem que abandonar a existência anterior, tem que simplesmente “existir” no sentido rigoroso da palavra. O que é velho fica para trás, totalmente abandonado. (BONHOEFFER, Dietrich. Discipulado. 8ª edição. São Leopoldo: Sinodal, 2004, p. 21)

A paisagem cristã está coberta de escombros de torres inacabadas e abandonadas – ruínas daqueles que começaram a construir e não puderam terminar. Milhares de pessoas ainda ignoram esta admoestação de Jesus e decidem segui-lo sem primeiro pararem para considerar o custo disso. O resultado é o grande escândalo da cristandade moderna, chamado Cristianismo nominal. […] Não é de se admirar que os cínicos falem de hipócritas na igreja e dispensem a religião por considerá-la um escapismo (STOTT, John R. W. Cristianismo básico. Viçosa, MG: Ultimato, 2007, p. 108)

A imagem usada por Jesus, quando disse que o discípulo que quisesse segui-lo, deveria tomar a sua cruz, era a de um criminoso condenado à crucificação. Ele tinha que carregar a sua cruz até o local da crucificação. Era um caminho sem volta. Esta imagem era comum para aqueles que ouviram este chamado para cruz. O discípulo verdadeiro é aquele que carrega a cruz, mesmo sabendo que é um caminho sem volta.

Como implantar Pequenos Grupos na Igreja local – Setembro/2014

Existem várias maneiras de implantar Pequenos Grupos na Igreja Local. Todas são válidas e possuem aspectos positivos e negativos. Vou compartilhar, neste texto, alguns aspectos importantes, utilizando o texto em que Paulo escreve a Timóteo sobre a transmissão do Evangelho, para a implantação bem-sucedida de Pequenos Grupos.

I – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO EM PEQUENOS
GRUPOS COMEÇA NO MENTOR DA VISÃO

Paulo diz a Timóteo que ele deveria transmitir a outros o que dele aprendera. Paulo é o Mentor da visão. Foi ele quem incentivou Timóteo a compartilhar para outros o Evangelho.

Na Igreja Local, o pastor titular tem de ser o mentor da visão. Ele não pode transferir isto para o pastor auxiliar ou para qualquer outro líder. Ovelhas seguem o Pastor. Alguns pastores querem implantar em suas igrejas o projeto, mas não querem assumir a mentoria. Isto é um risco. A implantação pode até acontecer, mas não subsistirá.

O mentor tem de entender, de forma completa, todo o conteúdo do projeto em Pequenos Grupos: a base bíblica; o que são pequenos grupos; quais são os objetivos bíblicos dos Pequenos Grupos; quando se reúnem; a quantidade de pessoas em cada Pequeno Grupo; como são as reuniões; o que pode acontecer em uma igreja sem pequenos; e as razões para ter Pequenos Grupos na Igreja Local. São coisas básicas, mas que fazem a diferença na implantação.

O mentor tem de amar o projeto. Se o pastor implantar o projeto só para ter mais um programa na igreja, falhará. O pastor tem de estar apaixonado pelo projeto. Sem amor não haverá sucesso. O pastor só amará o projeto quando ele conhecer todo o seu conteúdo.

O mentor tem de entender que a implantação é um processo. Muitos líderes tentaram implantar Pequenos Grupos em suas igrejas e se frustraram porque acharam que seria instantâneo, e não é. Não adianta o pastor reunir a sua igreja e dizer que agora a igreja trabalhará em Pequenos Grupos e esperar que toda a igreja esteja envolvida. A implantação é um processo e isto leva anos. Pelo menos dois anos.

Finalmente, o mentor tem de entender que a implantação do projeto acontece em oração. Se o pastor assumir a mentoria, assimilar o conteúdo e o processo de implantação e não orar, verá o projeto desmoronar. Todo o processo de implantação deve acontecer em oração.

II – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO EM PEQUENOS GRUPOS COMEÇA COM UM GRUPO PILOTO

Paulo diz a Timóteo que ele deveria confiar o ensino a homens que fossem fiéis e idôneos. Líderes da Igreja.

O pastor, na implantação do Projeto em Pequenos Grupos, deve começar pelo Pequeno Grupo Piloto. Este Pequeno Grupo será o início de tudo. O Pequeno Grupo Piloto será o primeiro da igreja e o modelo para os demais nas multiplicações. Este PG Piloto será composto por pessoas que o Senhor colocará no coração do pastor. Os homens fiéis e idôneos da Igreja.

Para a implantação do PG Piloto, o pastor local deve seguir basicamente estes sete passos:

Primeiro: ORAÇÃO
Jesus orou antes de escolher seus discípulos. Lucas 6.12-16

Esta narrativa nos aponta como foi a oração de Jesus.

a) Subiu ao monte a orar. Jesus queria intimidade com Deus. Orou em particular porque não queria errar na escolha dos discípulos. Antes de escolher seus discípulos para o PG Piloto, tenha um momento de oração e de intimidade com Deus. Um lugar em que ninguém o incomode.

b) Passou a noite em oração. Jesus perseverou em oração diante de Deus, para que este O orientasse quanto à escolha. A escolha de um discípulo acontece depois do investimento do nosso tempo em oração a Deus.

c) E, quando já era dia, chamou a si os seus discípulos, e escolheu doze deles. Depois do período íntimo e perseverante diante de Deus, Jesus, pela orientação de Deus, escolheu seus discípulos. Depois que você investir o tempo necessário e perseverar na oração, Deus vai mostrar a você, um a um, os seus discípulos para o Pequeno Grupo Piloto.

A oração não vai deixar você escolher pela aparência, assim como fez Samuel, antes de escolher Davi, porque o Senhor não vê a aparência, mas o coração. O Senhor vai colocar em sua vida pessoas que você levará, pelo discipulado, ao nível que Davi tinha com Deus.

Depois que Deus colocar em seu coração as pessoas que serão seus discípulos, não pare de orar. Agora, é hora de orar por elas, para que Deus prepare seus corações para que atendam o seu convite.

Segundo: OBSERVE ALGUMAS CARACTERÍSTICAS
QUE IDENTIFICAM O DISCÍPULO
EM POTENCIAL

Keith Phillips, em seu livro clássico sobre discipulado, A FORMAÇÃO DE UM DISCÍPULO, apresenta as seguintes características:

a) Ele deseja conhecer intimamente a Deus.

b) Ele está disponível.

c) Ele é submisso.

d) Ele é fiel.

e) Ele procura fazer discípulos

Além destas características, observe a frequência e a participação nos cultos e trabalhos da Igreja.

Terceiro: TOME A INICIATIVA E FAÇA O CONVITE

Este passo é fundamental. É aqui que a maioria dos líderes para. O medo, a incerteza e o desafio ficam maiores que o projeto. A maioria dos líderes sabe da importância do discipulado, mas param aqui. Por isso, a Palavra do Senhor para este momento é esta:

“Porque Deus não nos deu o espírito de temor, mas de fortaleza, e de amor, e de moderação.”

Deus já lhe mostrou quem serão os seus discípulos? Levante-se e faça o convite. No momento em que você fizer o convite, diga que orou antes e que foi o Senhor quem colocou em seu coração os nomes. Diga também que você observou que essa pessoa tem vontade de crescer e pode ser um líder de excelência.

Quarto: EXPLIQUE O QUE É O DISCIPULADO
E A VISÃO DO PROCESSO

Convide as pessoas que você escolheu para um café em sua casa e explique que o discipulado é um meio usado por Deus para o crescimento espiritual e no caráter de Jesus, tanto do discípulo quanto do discipulador, levando-os à maturidade. Diga que o discipulado é relacionamento e vocês vão crescer muito em Deus, por meio de uma reunião semanal para compartilhamento bíblico, aconselhamento e convívio. Diga que a visão do discipulado é que, depois de alguns meses, ele poderá discipular outras pessoas por meio dos Pequenos Grupos.

Quinto – DEIXE QUE A PESSOA DECIDA SE QUER
OU NÃO O DISCIPULADO

Depois que você fizer o convite, peça que ore por uma semana para que Deus confirme em seu coração a entrada dele no processo que mudará sua vida.

Sexto – MÃOS À OBRA

Depois que a pessoa responder a você positivamente, marque um dia que seja bom para vocês para o primeiro encontro.

Sétimo – O PRIMEIRO ENCONTRO

O encontro:

Escolha o lugar, pode ser em sua casa, na casa do discípulo, ou na Igreja.

O encontro deve ser em horários em que a Igreja não tenha programação.

As reuniões devem durar no máximo uma hora.

Sempre deve começar e terminar com orações.

Tenho o cuidado de não ser um professor ensinando algo. Deixe os discípulos falarem e tirarem as dúvidas.

Procure ser o mais claro possível.

Fique tranquilo, com o tempo os encontros se tornam mais leves.

São esses os passos básicos. Tudo muito simples, porém, se observados, resultarão numa boa implantação.

III – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
EM PEQUENOS GRUPOS COMEÇA
COM A ESCOLHA DO MATERIAL

Paulo diz a Timóteo que transmissão do conteúdo do Evangelho deveria ser por meio de ensino.

Na implantação do Projeto, o Pastor deverá elaborar um curriculum de estudos ou, de preferência, seguir o proposto pelo PESC. Este será o material que será utilizado no PG Piloto e nos demais PGs.

IV – A IMPLANTAÇÃO DO PROJETO
EM PEQUENOS GRUPOS
DEVE VISAR À MULTIPLICAÇÃO

Paulo transmitiu as verdades do Evangelho a Timóteo que transmitiu a homens fiéis que transmitiram a outros. O Pequeno Grupo Piloto foi implantado para gerar líderes multiplicadores. Cada pessoa do PG Piloto, após o estudo da primeira revista ou, quando sentir segurança, deve começar um Pequeno Grupo do mesmo modo que o pastor começou o Piloto. Para isso, tudo o que foi exposto até aqui, o pastor deverá compartilhar no PG Piloto, após o término da primeira ou segunda revista, como treinamento para que os seus discípulos sejam líderes multiplicadores em outros PGs.

Durante todo o processo de abertura de novos PGs, o líder do novo PG permanece no PG Piloto. O PG Piloto nunca termina, pois é ele que dará sustentação à visão. Funciona assim: na semana, o líder participa do PG Piloto em um dia e, em outro, lidera o seu PG.

Quando houver as demais multiplicações, o líder que abrir um novo PG permanecerá no de origem. Ele sempre será ministrado e ministrará aos corações.

CONCLUSÃO

Estes são passos básicos que facilitarão a implantação dos Pequenos em sua igreja. Qualquer dúvida, durante o processo, pode entrar em contato comigo.

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Observação

Sou pastor da IPRB de Guarantã do Norte, MT. Com estes passos básicos
implantei os Pequenos Grupos em maio de 2013. Hoje, agosto de 2014, estamos
com 10 Pequenos Grupos. Pretendemos começar 2015 com 15 Pequenos
Grupos. Deus tem abençoado estas diretrizes de ação.
Flávio Santos. flaviws@hotmail.com

Pilares da Reforma Protestante – Outubro/2015

No dia 31 de outubro, os cristãos protestantes comemoram o dia da Reforma. Em 31 de outubro de 1517, Martinho Lutero, protestou contra a Igreja Romana, afixando, à porta da Igreja do Castelo de Wittenberg, as famosas 95 teses contra vários pontos teológicos da doutrina romana. Tudo começou quando Lutero descobriu que a salvação era pela fé somente.

Além de Martinho Lutero, outros nomes são importantes para o movimento reformador. João Calvino, com sua mente privilegiada, sistematizando princípios doutrinários em sua Instituições da Religião Cristã, uma obra que tem servido, ao longo dos anos, para teólogos, professores e principalmente cristãos que buscam os valores verdadeiros do Cristianismo. Ulrich Zuínglio que, em sua época, queria fazer algo corajoso para Deus. E Menno Simons com a reforma radical, afirmando não haver outro fundamento, senão, aquele que foi estabelecido pela Palavra de Deus.

As proposições teológicas da Reforma Protestante são os Cinco Solas, que são frases latinas que surgiram para enfatizar a diferença entre a teologia reformada e a teologia romana. A palavra latina, sola, significa “somente” ou “apenas”, na língua portuguesa.

Os cinco solas são: Sola Fide, Sola Scriptura, Solus Christus, Sola Gratia e Soli Deo Gloria. Esses são os pilares da Reforma Protestante. Vejamos em detalhes.

Sola Fide – Somente a Fé

O princípio “Sola Fide” é a afirmação de que o homem é justificado única e exclusivamente pela fé, sem o acréscimo das obras do mérito humano. Segundo a tradição reformada é o artigo pelo qual a igreja é sustentada. A justiça do Evangelho de que não nos envergonhamos é o poder de Deus para salvação. É do princípio ao fim pela fé pois, conforme a Carta de Paulo aos Romanos: O justo viverá pela fé.

A fé que justifica o homem é dom de Deus, é o meio pelo qual a justiça de Cristo é imputada ao pecador. Não há glória humana nisso. Pela fé somente, os pecados do homem são lançados sobre Cristo, o verdadeiro justo de Deus, que na Cruz cumpriu toda justiça de Deus. Daí o homem, no tribunal de Deus, ser declarado, de uma vez por todas, justo diante de Deus. A Igreja que quer se manter de pé tem de viver pela fé somente.

Sola Scriptura – Somente a Escritura

A Escritura é a única regra de fé e prática da igreja. Acreditamos em sua Inspiração, Autoridade, Inerrância, Clareza, Necessidade e Suficiência. É somente na Escritura que encontramos a história da salvação. É somente na Escritura que encontramos Jesus representado de várias formas e prometido de várias maneiras no Antigo Testamento, visto e cumprido no Novo Testamento.

É somente na Escritura que encontramos o fundamento da nossa Teologia, seja ela sistemática, bíblica, apologética, hermenêutica, exegética ou pastoral. É somente na Escritura que encontramos o que precisamos para conhecer o Pai, o Filho e o Espírito Santo; e o Evangelho, para sustentar a fé e nortear a vida cristã.

Solus Christus – Somente Cristo

Somente Cristo foi a reação da Reforma contra a igreja secularizada e contra os sacerdotes que afirmavam sua posição especial para mediar a graça e o perdão de Deus por meio dos sacramentos. A reforma defendeu que a mediação entre o homem e Deus é feita somente por Jesus Cristo.

A salvação do pecador é obra de Cristo. A vida de Jesus sem pecado expiou os homens de seus pecados. Isto trouxe justificação e colocou o homem em uma nova posição com o Pai. A posição de filho por meio da reconciliação. Jesus Cristo é o único salvador. Cristo é central na reforma protestante.

Sola Gratia – Somente a Graça

Além de a graça ser um dos atributos de Deus é, também, o próprio Cristo em Sua encarnação. E é o Espírito Santo quem aplica a graça ao coração do pecador.

A teologia divide a graça em comum e especial. A graça comum é aquela que é comunicada a todos os homens. É a que dá aos homens bênçãos sem medida. A chuva de Deus cai sobre justos e injustos. A graça especial é soteriológica, pois é por meio dela que o homem é salvo. É a comunicação da salvação de Deus ao pecador.

O termo “sola gratia”, refere-se a tudo que o homem possui, e, em especial, à salvação, que é pela graça somente. É pela graça somente que o homem é eleito, regenerado, justificado, santificado e glorificado. É pela graça somente que o homem recebe os dons espirituais e talentos que são usados em favor do Reino. É pela graça somente que o homem recebe as bênçãos de Deus.

Soli Deo Gloria – Somente a Deus a Glória

Soli Deo Gloria é o pilar da Reforma Protestante que afirma que o homem foi criado para a glória de Deus. Como o homem foi criado para dar glória a Deus tudo que ele faz deve ser destinado à glória de Deus. Soli Deo Gloria é o princípio pelo qual toda glória é dada a Deus no processo de salvação. A vida do cristão é vivida diante de Deus e sob sua autoridade. Isso é para a glória de Deus. A ele seja a glória eternamente! Amém. Romanos 11.36 O grito dos reformadores foi para que a Igreja voltasse aos moldes do Cristianismo primitivo. Que a Igreja retornasse à simplicidade do Evangelho. Que a Igreja vivesse apenas pela fé. Que a igreja vivesse apenas na Escritura. Que a Igreja vivesse apenas em Cristo. Que a Igreja vivesse apenas a Graça. Que a Igreja vivesse apenas para a glória de Deus.

Esse deve ser o nosso grito ao comemorar a Reforma Protestante!

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Outubro de 2015

Preparando-se para uma nova fase na vida – Março de 2009

Uma análise contextualizada
de Neemias 1 e 2

“Então lhes disse: Bem vedes vós a miséria em que estamos, que Jerusalém está assolada, e que as suas portas têm sido queimadas a fogo; vinde, pois, e reedifiquemos o muro de Jerusalém, e não sejamos mais um opróbrio. Então lhes declarei como a mão do meu Deus me fora favorável, como também as palavras do rei, que ele me tinha dito; então disseram: Levantemo-nos, e edifiquemos. E esforçaram as suas mãos para o bem.”
Neemias 2:17-18

Até quando você vai ficar olhando
e remoendo as ruínas do passado, sem tomar
uma decisão corajosa?

As fases da vida são necessárias para completar os ciclos da nossa existência. Desde o início de tudo e da própria criação do homem, o ser humano passa por etapas diferentes: infância, juventude, vida adulta, velhice… Os jovens se casam e passam a viver uma nova fase na vida. E, na vida a dois, vem o período de adaptação das diferenças de ideias, de hábitos, de costumes… Quando chegam os filhos, nova fase se instala. E assim, dia a dia, caminha-se para a maturidade, para a responsabilidade, rumo à velhice.

É interessante como alguém, mesmo sendo especial (deficiente), não escapa dessas fases. A mente pode continuar como a de um bebê, mas o corpo segue a lei da natureza e da evolução para a maturidade. Esse é um desafio que jamais poderemos deixar de enfrentar. Podemos tentar fugir de tudo na vida, mas não conseguiremos escapar das fases da nossa existência.

Saber que assim é a vida é muito bom. Esses períodos surgem como forma de desafios a serem enfrentados, sejam desagradáveis ou não. E o que vai determinar se passaremos bem por todas elas é a nossa reação antes de tentarmos alcançar a fase seguinte.

No texto bíblico citado, Neemias está vivendo uma fase tranquila em Susã, a fortaleza de Artaxerxes. Neemias provavelmente não conhecesse Jerusalém. Ao que tudo indica, ele deve ter nascido no cativeiro. Mas, um dia, sua vida muda completamente, ao receber notícias trazidas por Hanani, que havia acabado de chegar de Jerusalém. A informação que chega aos ouvidos de Neemias é de uma Jerusalém em estado de calamidade, em ruínas. Isso o incomodou muito. E foram essas notícias que o levaram a orar.

Neemias é conhecido como um homem de oração e consagração. Uma pessoa sintonizada com o céu. E foi por isso que ele alcançou favor de Deus para ir em direção ao desconhecido. Neemias vai viver uma nova e marcante fase em sua vida.

Todas as pessoas estão prestes a iniciar uma nova fase na sua vida. Num piscar de olhos, podem receber uma notícia que mudará totalmente o seu futuro. Sabendo disso, como podemos descobrir a vontade de Deus para caminhar em direção a esse novo passo que estamos prestes a dar?

É fundamental saber que Deus vai estar conosco, que Deus vai responder nossa oração e entrelaçar-se a algum novo projeto quando eu decidir questionar os porquês, ou os acontecimentos ao meu redor, v. 2.

A vida de Neemias começa a mudar quando ele, abatido e preocupado, faz algumas perguntas. Sua indagação a respeito de como andavam as coisas em Jerusalém transformou o seu futuro e suas idealizações.

Quantas pessoas deixaram de questionar os porquês da sua vida há muito tempo. Por que estou regredindo financeiramente? Por que meu relacionamento está tão mal assim? Por que, na minha vida, esse ou aquele plano não dá certo?

Neemias sentiu seu coração sendo direcionado por Deus a um propósito novo, quando ele sai do seu próprio mundo e começa a se abrir para realidade à sua volta. Quando pensa no próximo. Quando encarna as dores dos que ficaram na miséria. Ao tomar essa atitude, descobre que estava vivendo uma tremenda ruína, uma farsa. Seu povo estava desanimado e sem esperança. E tudo que o levou a demover-se foi uma pergunta sobre a realidade de um povo.

Uma pergunta pode abrir um leque do que precisamos fazer para trazer mudanças no quadro em que vivemos. Ouvindo e analisando a resposta, Neemias passa a assumir erros (vv. 6-7) e a procurar soluções (v. 11) para a miséria que estava instalada ao seu redor.

Quando começarmos a questionar os porquês da miséria em nossa casa, os porquês da falta de ânimo, os porquês das orações não respondidas… respostas vão começar a surgir e todas elas levando-nos a entender que precisamos tomar uma posição. A falha nunca é de Deus, é sempre nossa.

Ao levantar meu semblante e tomar uma decisão, Deus vai responder minha oração. É certeza de que estará comigo quando eu decidir edificar sobre os escombros que restaram das derrotas que tive no passado, v. 17-18.

Quantas vezes decidimos interromper algo de suma importância, simplesmente porque não tivemos êxito na primeira instância! Não deu certo, pastor, por isso parei. Não tive apoio, por isso deixei de lado. Não consegui, pastor, por isso voltei. Abandonei os estudos. Deixei o emprego. Larguei tudo…

Quantas pessoas deixaram de ser abençoadas e de realizar tremendas conquistar pelo simples fato de olharem para os escombros de sua vida e dizer: não vale a pena! Por isso deixaram de orar, deixaram de buscar a vontade de Deus e deram tudo como perdido.

Conta-se que quando Thomas Carlyle, historiador inglês, concluiu o segundo volume de sua História da Revolução Francesa, entregou o manuscrito a John Stuart para fazer observações. John leu o manuscrito e emprestou-o a um amigo. Esse amigo deixou-o sobre a escrivaninha certa noite, depois de lê-lo. Na manhã seguinte a empregada, procurando alguma coisa com a qual pudesse acender o fogo, encontrou a pilha de papéis soltos e, pensando que fossem rascunhos antigos, usou-os para acender o fogo. Aquilo que havia custado anos de trabalho a Carlyle era cinza agora! Quando seu amigo Mill, relatou a devastadora notícia a Carlyle, este ficou tão decepcionado com sua perda que não conseguiu fazer nada durante semanas. Um dia, sentado diante da janela aberta, remoendo sua perda, observou um pedreiro reconstruindo uma parede de tijolos. Pacientemente, o homem colocava tijolo sobre tijolo, enquanto assobiava uma alegre melodia. “Pobre tonto”, pensou Carlyle, “como pode estar tão alegre quando a vida é tão fútil?” Naquele momento, ele teve outro pensamento, mas agora referente a si mesmo: “Pobre tonto, você está aqui sentado junto à janela, queixando-se e lamentando, enquanto aquele homem reconstrói uma casa que durou gerações.” Naquele momento, tomado de novo ânimo, levantando-se da cadeira, Carlyle começou a trabalhar no segundo rascunho da História da Revolução Francesa.

Podemos reconstruir sobre as ruínas de nosso passado. O ponto alto da vitória de Neemias está no momento em que ele começa a andar sobre as ruínas de Jerusalém, a observar tudo queimado, danificado e decide reconstruir os muros caídos.

Deixar de ser opróbrio tem a ver com uma decisão que Deus aprova e vai junto conosco. O passado era vergonhoso e cheio de erros, mas Neemias decidiu seguir em frente com o aval de Deus. Neemias terminou uma edificação que parecia impossível, e a fez em apenas cinquenta e dois dias. No final da obra, não somente ele, mas todo o povo entendeu que Deus havia aprovado e ajudado na edificação da cidade, causando grande espanto entre os inimigos.

“Acabou-se, pois, o muro aos vinte e cinco do mês de Elul; em cinquenta e dois dias. E sucedeu que, ouvindo-o todos os nossos inimigos, todos os povos que havia em redor de nós temeram, e abateram-se muito a seus próprios olhos; porque reconheceram que o nosso Deus fizera esta obra.” Ne 6: 15-16.

Para aqueles que estão vivendo uma nova fase na vida, faz-se necessário seguir o exemplo de Neemias: fazer perguntas, não se abater diante das ruínas e decidir edificar uma nova vida, tendo a mão de Deus direcionando todos os seus passos.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2009

Mantendo-se vivo no ministério – Fevereiro/2007

“Existem homens que lutam um dia e são bons;
existem outros que lutam um ano e são melhores;
existem aqueles que lutam muitos anos
e são muito bons. Porém, existem
os que lutam toda a vida. Estes são
os imprescindíveis”.
Bertolt Brechet

“Agora, pois o Senhor me conservou em vida,
como falou; quarenta e cinco anos há desde que o Senhor
falou a Moisés, andando Israel ainda no deserto.
E já agora tenho oitenta e cinco anos de idade e ainda estou
tão forte como no dia em que Moisés me enviou;
qual era a minha força então, tal ainda é agora,
para a guerra, para sair e para entrar”.
Josué 14: 10-11

“Quando um homem de Deus desistir de algo que é de suma importância para sua vida, pode ser o primeiro passo para uma série de sucessivas desistências no decorrer da sua trajetória”.

Como trabalhar para que isso não aconteça? Como lutar para que os desafios que tentam nos impedir de ver a ação de Deus no deserto não nos façam enterrar nosso ministério e abandonar as promessas de Deus feitas a nós?

A Bíblia fala de um homem que desafiou os limites da idade e de tudo o que poderia impedi-lo na conquista de um território prometido por Moisés. Esse homem, chamado Calebe, “o cão de Deus”, nos deixa o exemplo de como podemos nos manter vivos em nossos projetos e alvos, mesmo em meio às muitas adversidades e às muitas limitações.

Com Calebe aprendemos
que não há sonhos impossíveis e nem espaço
de tempo que sejam capazes de fazer parar
um homem movido por propósitos e confiança em Deus

Porque os sonhos impossíveis são aqueles que nós perdemos em nossa mente e coração com o passar do tempo.

Calebe estava dizendo que não há barreiras para os que vivem e caminham respirando as promessas que Deus fez um dia. Às vezes tentamos desistir de projetos que Deus colocou em nosso coração porque encontramos resistências por parte das Igrejas, ou por parte de pessoas que estão ao nosso lado. E, ao invés de procurarmos mudar o quadro da nossa vida e marcar a história do lugar onde Deus nos plantou, aceitamos ser tomados por um sentimento de derrota e mediocridade.

Isso ocorreu porque esperávamos que tudo acontecesse como num passe de mágica. Por exemplo, que a Igreja iria explodir em números de imediato, quando às vezes ocorreu o contrário. Mas Deus não nos deixa esquecer de suas promessas e, nesses momentos, nós não podemos deixar de continuar, ou seja, de levar o povo a respirar essas promessas.

Já pensou quantas batalhas Josué venceu? Quantos territórios conquistou para outros homens? Quantas rebeliões presenciou? Quantos iam morrendo ao seu lado na caminhada? Mas, com certeza, algo o manteve vivo durante todos aqueles anos: a esperança de chegar à terra que Moisés prometeu. Nós, igualmente, precisamos manter bem vivos em nossa memória os propósitos de Deus e suas promessas. E saber que não é impossível conquistá-las.

Quer se manter vivo no ministério? Apegue-se às promessas que Deus lhe fez um dia!

Com Calebe aprendemos
que a verdadeira vitória consiste em gastar
a vida pela causa que abraçamos

Foram muitos anos. Eu fico imaginando Calebe esperando o momento de pisar na terra que seria sua. Vendo a conquista dos outros e fazendo parte delas, lutando por elas. Vivendo aquele intervalo entre a promessa e a bênção (sempre mais difícil), quando vem o desânimo pela demora. Mas no seu coração algo dizia: a minha hora vai chegar!

É assim a nossa luta diária para conseguir o que esperamos. Gastar-se. Como a história daquele violinista que estava tocando esplendidamente o seu violino, quando uma mulher lhe disse que daria tudo para tocar como ele, ao que ele respondeu que foi isso que ele fez: deu a sua vida para tocar daquele jeito. Gastar a vida é entregar-se à causa pela qual estamos lutando, mesmo que pareça difícil. Fazer de tudo por aquele objetivo. Viver em função do cumprimento do alvo.

Você estaria disposto a gastar sua vida não somente por programações, mas por pessoas? Para isso Deus nos chamou.

Lembro de ter lido a história de dois homens que pertenciam ao grupo dos moravianos, fundado pelo conde Nicolau Van Zinzendorf. Esse grupo tornou-se um dos maiores movimentos de intercessão do mundo. Eles abriam mapas dos países e intercediam sobre eles. Esses dois jovens pegaram o mapa da África e começaram a orar para que o Senhor os levasse até o lugar certo para evangelizar. Caiu a sorte numa ilha onde não se podia pregar o evangelho. Como chegar lá? Eles se venderam como escravos e foram em direção à África. E, quando o navio estava deixando o porto, eles disseram a frase que se tornou o lema do movimento: “O sacrifício de Jesus é digno”.

Neste momento me vêm à memória nossas reuniões com o grupo de missões do seminário. Quantas vezes fiz a oração citando o lema do grupo, que era baseado na Segunda Carta do apóstolo Paulo aos Coríntios, capítulo doze, versículo quinze, onde diz: “Eu de muito boa vontade gastarei e me deixarei gastar em prol das vossas almas, ainda que amando cada vez mais, seja menos amado”. É isso.

Abraçar a causa do Mestre é um desafio cansativo. Mas é a causa que abraçamos. Votos e projetos ministeriais não podem ser esquecidos devido ao cansaço. É necessário manter-se firme, porque o sacrifício pelo Senhor justifica tudo o que temos feito. Gaste-se por isso!

Quer seja a sua uma grande Igreja, quer seja uma pequena Igreja. Ou, quem sabe, você se reúna numa casa ou numa tenda. Parece que vai ser além das suas forças. Mas saiba de uma coisa: “o sacrifício de Jesus justifica o que você tem feito”. Mesmo que pareça não haver resultado, ou que pareça que ninguém esteja vendo. Volte a respirar as promessas de Deus para a sua vida! Lute pelo cumprimento delas. Gaste a sua vida por elas. Porque, ao final, você vai ver que valeu a pena!

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2007

Enfrentando a vida com a visão de Deus – Abril/2007

Parece que até Salomão
perdeu o ar da graça
quando a indignação
tomou conta de seu coração

Todos já tiveram aquele dia de não ter disposição nem mesmo para enfrentar a vida, quando a vontade foi de ficar na cama, quando um mau humor o deixou impaciente com as pessoas e com tudo. Essa é uma realidade na vida do homem, principalmente quando passa por momentos críticos.

Salomão ensina que o estudo da Bíblia produz uma visão consciente e construtiva a respeito da realidade. Ler Eclesiastes 3: 1-15 sem o devido estudo pode parecer que Salomão estava passando por um dia daqueles e que perdeu o ar da graça. Parece que a indignação tomou conta do seu coração. Assim, a vida narrada na perspectiva de Salomão é totalmente sem sentido, depressiva.

Os primeiros versículos dão a impressão de que os acontecimentos vão surgindo sem muita razão e as únicas coisas que restam são explicações simples e racionais para tudo. Ora se nasce, ora se morre, ora se edifica, ora se destrói, ora se ri, ora se chora. Como se tudo passasse pela vida sem sentido algum.

Para o homem sem Deus, pode ser assim mesmo porque ele é vazio. No entanto, o verso 11 mostra a vida com uma visão consciente e construtiva a respeito da realidade: “tudo fez Deus formoso no seu devido tempo”. Salomão ensina muito a respeito da vida. Este texto e o estudo da Bíblia mostram como viver melhor.

Salomão ensina que os acontecimentos da vida não são uniformes, não são iguais. Nem todos, hoje, têm motivos para sorrir. Para alguns, hoje está sendo tempo de edificar, de plantar e de se alegrar. Tempo onde as coisas não poderiam estar melhores. Para outros, está sendo tempo de destruir e de arrancar o que plantaram durante a vida inteira: desistem de sonhos, desfazem de bens para sobreviver e assim por diante. Há aqueles que estão no tempo de insatisfação nas mais diversas áreas ou momentos de dor, e até de morte.

É difícil entender o momento que o ser humano está passando, porém: “as dores da nossa história não tiram a beleza da vida por si só” (anônimo). Nesses momentos, é preciso entender que as dores e dissabores não alteram o agir de Deus. Depois de alinhar tantos elementos contraditórios, Salomão complementa que Deus fez formosos os mínimos detalhes da vida, da família, do lar, da igreja e assim por diante.

Salomão ensina que o ser humano precisa aprender a existir com discernimento, sabedoria e entendimento. Ensina a buscar sabedoria para viver os acontecimentos ao seu tempo. A grande dificuldade do homem é aprender a viver a experiência certa no tempo certo. É impressionante como ele sempre vive desajustado, fora do tempo com os filhos, com o cônjuge, com Deus, com tudo.

Constantemente, as pessoas se lamentam: “se eu soubesse que os filhos cresciam tão rapidamente, teria aproveitado mais tempo com eles, enquanto ainda estavam no meu controle”. Muitas vezes, o ser humano lamenta por algo que não volta mais. Por isso, é necessário aprender a viver com discernimento. Muitas pessoas amam na hora errada e, por isso, se separam na hora em que não queriam. Não aprendem a sorrir na hora certa e, por isso, choram na hora errada. Não discernem a hora de abraçar e, por isso, se afastam quando não queriam.

Finalizando, a maioria das pessoas não tem discernimento algum para existir e apenas passam pela vida. Não sabem quando edificar ou quando parar. Quando abraçar ou quando se afastar. Às vezes antecipam, outras vezes atrasam. Precisamos aprender a viver cada fato no seu tempo certo. A vida é uma dádiva de Deus. Precisamos aprender a fazer algo de bom com ela e aproveitar o máximo daquilo que Deus nos tem dado. Corra para aproveitar o tempo de Deus para você.

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Fonte: Jornal Aleluia de abril de 2007

Resiliência, uma graça à disposição de todos – Abril/2009

O termo ‘resiliência’ pertence à física,
ou seja, é a propriedade que alguns corpos
apresentam de retornar à forma original ou normal
após terem sido submetidos a uma
deformação elástica.

“O rio atinge seus objetivos
porque aprendeu a contornar
os obstáculos”. (André Luiz)

No sentido figurado, resiliência seria a capacidade de se recobrar facilmente ou de se afastar das mudanças indesejáveis. Neste sentido, para os especialistas em comportamento humano, este termo se aplica ou se molda às pessoas que possuem um alto grau de capacidade para retornar ou dar a volta por cima às situações anteriores (ou originais), quando são vítimas de grandes investidas ou adversidades.

Ser resiliente é ter a capacidade de recomeçar ou começar tudo de novo, depois de sofrer algum dano na vida, seja ele material, físico, ou espiritual. Resiliência é uma graça de que todos precisamos e que está à nossa disposição. Não há como negar esta verdade, pois a provação ou a tentação é, incondicionalmente, fator inerente ao Cristianismo, porque todos estamos sujeitos às intempéries da vida.

Quem nunca foi nocauteado, ou passou por um sério problema, como, por exemplo: uma doença repentina, a perda do emprego, a falência de um negócio, a morte de alguém muito próximo, um golpe na vida espiritual, o trauma de um sequestro ou de um acidente, o rompimento do casamento que durava anos, de uma amizade muito forte, ou, ainda, a reprovação no vestibular ou em algum teste? Verdade é que a vida nos proporciona muitas surpresas, e nem todas agradáveis.

Portanto, ser resiliente constitui-se num desafio constante para qualquer pessoa, seja ela cristã ou não-cristã. Assim, gostaria de convidar o leitor a uma reflexão sobre a graça (bênção) da resiliência, fundamentada no contexto das palavras do apóstolo Paulo, escritas aos Romanos 12: 12: “Alegrai-vos na esperança, sede pacientes na tribulação, perseverai na oração”.

Alegria na esperança

Parece simples, mas a esperança é o ingrediente número um que possibilita à pessoa nocauteada por algum acontecimento traiçoeiro retornar à condição de voltar ao seu estado normal de vida: ¨Alegrai-vos na esperança¨. Quer dizer, ela seria como um choque elétrico emitido por um desfibrilador em alguém que sofreu parada cardíaca.

Neste caso, a esperança é a carga elétrica que reativa o processo de respiração do paciente. Se não fosse a esperança, Jó, que viveu, aproximadamente, 2000 anos aC., jamais conseguiria dar a volta por cima, quando, em pouco tempo, perdeu todos os seus bens (casa, fazenda, gado), e, inclusive, a própria família, Jó 1-1-15.

No entanto, diante de todas as catástrofes ambientais, materiais e espirituais, ainda teve força para exclamar: ¨Porque eu sei que o meu redentor vive e que por fim se levantará sobre a terra¨, Jó 19: 25. Ao final, Jó recebeu em dobro tudo o que havia perdido, 42: 10-17. Alegrar-se na esperança é ter a certeza de que a luta e o fracasso não são o fim, mas o começo de uma nova etapa.

Certa feita, perguntaram a Henry Ford: o que é um fracasso? Com voz lúcida e segura, respondeu: “um fracasso é apenas a ocasião de começar uma nova tentativa com mais sabedoria”. Qualquer pessoa está sujeita a algum tipo de insucesso na vida, porque não raro as coisas acontecem ou são como não se imagina.

É nessa hora que a graça ou a bênção da resiliência se manifesta pela força dos olhos da esperança, afirmando que dias melhores virão e que o sinal verde vai aparecer no fim do túnel. Com Jesus, não há dúvidas de que somos mais do que vencedores (resilientes), porque o justo, ainda morrendo, tem esperança, Pv 14: 32 e Rm 8: 37.

Paciência nos desafios

Paciência é um dos segredos para vencer qualquer obstáculo. Todavia, há de se considerar que é, também, uma dificuldade de todos, pois a síndrome da pressa, que é o mal do século, tem roubado do ser humano esta bênção. Quando o apóstolo diz que precisamos ser pacientes na tribulação, pode-se dizer que a capacidade de alguém dar a volta por cima a uma situação constrangedora vai exigir da pessoa uma personalidade firme e pacienciosa.

O apóstolo Tiago, ao exortar sobre a paciência, usa a figura do lavrador para ilustrar a importância desta virtude: ¨Eis que o lavrador espera o precioso fruto da terra, aguardando-o com paciência, até que receba as primeiras e últimas chuvas¨, 5: 7. Então, se o objetivo de quem busca se restabelecer de alguma situação adversa é a retomada de novas iniciativas, é preciso fortalecer o coração com a paciência, v. 8.

Apesar de tudo que ocorreu em sua vida e família, Jó conseguiu voltar ao primeiro estado ou à normalidade do dia-a-dia, porque foi paciente na tribulação: ¨Ouvistes qual foi a paciência de Jó, e vistes o fim que o Senhor lhe deu…¨, Tg. 5: 11. Nada, em hipótese alguma, segundo os ensinamentos bíblicos, é impossível para quem persiste firme frente aos desafios. Há um ditado francês que diz que “a paciência é amarga, mas o seu fruto, doce”.

Portanto, as coisas difíceis podem levar muito tempo para ser alcançadas, pois o impossível pode demorar um pouco mais. Thomas Edson afirmou: “a nossa maior franqueza reside em que temos a tendência de abandonar. A maneira mais segura para conseguir atingir os objetivos é: tentar uma vez mais”. Como diz o refrão de uma das músicas do cantor Armando Filho: “Uma vez, outra vez, vai em frente, tenta um pouco mais. Quem sabe hoje aqui, angústias vão ter fim. E gozarás perfeita paz”. Tente novamente!

Persistência na devoção

Falar em oração é falar em devoção de vida com Deus. É relacionar-se com Deus no dia-a-dia. Não há como sobreviver no mundo espiritual sem a prática do princípio da oração. Na parábola do juiz iníquo, em Lucas 18: 1-11, Jesus deixou bem claro que para a oração se tornar um discurso convincente diante Deus, é preciso orar sempre (perseverar) sem nunca esmorecer, v. 1.

Para isto, seria extremamente necessário um padrão equilibrado na vida de devoção (oração) a Deus, pois Paulo afirma este conceito teológico: “…perseverai em oração”. A oração é a mola mestra deste processo. Uma pessoa movida pela fé e oração é impulsionada a tomar iniciativas, adquirindo, assim, uma postura de coragem e motivação frente à luta.

Ana, serva fiel do Deus altíssimo, para vencer a multidão de seus cuidados e o desgosto que amargurava a sua alma, e que abatia profundamente o seu semblante, deixando-o totalmente triste, 1Sm 1: 16, 18 e 19, só conseguiu dar a volta por cima e chegar ao estado normal de mãe (pois era estéril e Deus lhe deu um filho), porque persistiu na comunhão e serviço a Deus: “…perseverando ela em orar perante o Senhor”, 1Sm 1: 11.

A verdadeira devoção a Deus consiste numa constante batalha, porque “os vencedores das batalhas da vida são homens perseverantes que, sem se julgaram gênios, convenceram-se de que só pela perseverança no esforço podem chegar ao almejado fim”, (Emerson, 1803-1882). Por isso, quem desiste da batalha jamais faz história, mas quem persevera escreve a história. Seja, portanto, autor de sua própria história.

Para concluir

Desafio você a refletir sobre isto: não desistir nunca, ou seja, “quando as coisas derem errado como, às vezes, acontece; quando a estrada na qual você caminha com dificuldade parece íngreme demais; quando os fundos estão baixos e as dívidas altas, e você quer sorrir, mas tem de suspirar; quando o cuidado o pressiona um pouco para baixo, descanse, se precisar, mas não desista, pois a vida é esquisita com suas idas e vindas.

Como cada um de nós, às vezes, aprende, e muitos fracassos ocorrem, quando se poderia ter vencido se tivesse resistido. O sucesso é apenas o fracasso virado ao avesso, a tinta preta das nuvens da dúvida. […] Portanto, aferre-se à luta quando receber o golpe mais duro. Quando as coisas parecerem piores é que você não deve, em hipótese alguma, desistir¨! (autor anônimo). Por tudo isso, seja sempre resiliente em seus projetos e empreendimentos!

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2003

O Natal cristão – Dezembro/1995

Que é mesmo o Natal?
Festas, presentes, compras, viagens,
encontros familiares?

O cristão deve ter em mente que o Natal
tem um sentido não apenas humano,
mas profundamente
espiritual. É o que podemos aprender
a partir do registro feito por Mateus
sobre o nascimento de Jesus.

Mateus 2: 1-12

Estamos no mês natalino. Apesar de não ser a data correta, pois não se sabe ao certo em que dia o Senhor Jesus nasceu, até porque não há uma data específica registrada na Bíblia, o dia 25 de dezembro, tradicionalmente, é considerado o dia do seu nascimento.

Por isso, é um dia comemorado e festejado por todos. Para muitos, Natal é um dia especial em que pessoas viajam para rever parentes e amigos. Para outros, Natal é promover festas, é uma oportunidade para se deixar extravasar os desejos da carne. Para uma criança, é uma data desejada e esperada com muita ansiedade para se ganhar presentes.

Talvez, para muitos, o Natal seja um momento do ano em que as famílias se reúnem para se alegrar e agradecer a Deus por mais um ano que se passou. Para os empresários e comerciantes, é um dos eventos festivos do ano que abre o maior espaço para vendas em todos os aspectos.

Na verdade, o Natal que a humanidade comemora tem pouco a ver com o nascimento de Jesus. Biblicamente, Ele nasceu um dia em Belém da Judeia. Seu nascimento foi singular, simples e humilde. Em Belém nasceu Jesus, a parte humana, a carne do verbo, as vestimentas de carne e ossos com as quais o verbo se cobriu para que pudéssemos ver a sua glória, Jo 1: 1-3.

E para o cristão, o que é mesmo Natal? Festas, presentes, compras, viagens, encontros familiares, etc. O cristão deve ter em mente que Natal para ele tem um sentido profundamente espiritual, e não apenas um sentido humano. Vejamos, então, o que podemos aprender a respeito do Natal cristão, a partir do registro feito por Mateus sobre o nascimento de Jesus, em Mt 2: 1-1?

Natal é uma busca
constante do verdadeiro Jesus

Os magos que vieram do Oriente perguntaram: onde está aquele que é nascido rei dos judeus? Sendo eles incumbidos pelo rei Herodes a respeito do menino Jesus, v. 8, partiram em busca do recém-nascido, Vv. 1 e 9.

Eles empreenderam uma longa viagem para encontrar-se com o desejado das nações. Natal é, portanto, exatamente isso: uma busca constante do verdadeiro Jesus. Hoje, muitos o buscam de três maneiras distintas:

a) Buscam o Jesus que não é verdadeiro, de maneira errada: os sacerdotes e os levitas que foram enviados pelos judeus perguntaram a João Batista: Quem és tu? Eles buscavam o Jesus verdadeiro, mas João Batista não o era, Jo 1: 19-20.

b) Buscam o Jesus verdadeiro de maneira errada: em Lucas 2: 48 e 49, seus pais o buscam em lugares em que Ele não estava presente. Buscavam o Jesus verdadeiro, mas não o encontraram onde fora procurado.

c) Buscam o Jesus verdadeiro de maneira verdadeira: os magos fizeram isso e o encontraram com a sua mãe, Mt 1: 11. Nossas irmãs, Maria Madalena, Joana e Maria foram surpreendidas quando os anjos lhes disseram: por que buscais entre os mortos quem está vivo?

Graças a Deus porque o Jesus a quem servimos é verdadeiro e está nos céus, à destra do Pai. Devemos buscá-lo de todo o nosso coração, Mt 7: 7, enquanto podemos encontrá-lo, Is 55: 6.

Natal é uma adoração
constante ao verdadeiro Jesus

Os magos, guiados pela estrela que tinham visto no Oriente, chegaram à casa de Maria, mãe de Jesus, encontraram o menino, e, prostrando-se, o adoraram. Um dos propósitos dessa longa viagem era adorar a Jesus: viemos a adorá-lo, v. 2.

A adoração verdadeira é um dos aspectos relevantes do Natal. Ou seja, não existe Natal sem o compromisso de adorar o menino (Rei) Jesus. Portanto, Natal sem adoração ao Deus Trino e Uno não é Natal. Nesse sentido, todos os dias podem ser Natal, pois todo o dia podemos adorá-lo em Espírito e em verdade, Jo 4: 24.

Porém, não é bem assim que acontece em nossos dias. O mundo comemora o nascimento de Jesus com bebedeiras, festas, etc. Este é o tipo de Natal sem sentido, sem valor, sem espiritualidade e sem aceitação divina, porque não alegra o coração de Deus.

O Natal cristão precisa ser uma constante adoração ao verdadeiro Jesus, que vive e reina para todo o sempre. É ir à igreja não por um hábito, ou por mero costume, ou para ver alguém, mas para adorá-lo com um coração preparado, Sl 108: 1.

Por isso, todo culto, quando o adorador se comporta diante de Deus com adoração verdadeira, pode-se dizer que é dia de Natal, pois Jesus está sendo reverenciado como o Deus-Filho.

Natal é abrir o coração
e oferecer presentes a Jesus

Os magos, depois de buscarem o menino Jesus, encontrando-o, adoraram-no. Então, abrindo seus tesouros, apresentaram-lhe presentes, tais como: ouro, incenso e mirra, v. 11. Vejamos o que isto pode simbolizar para o cristão:

a) Ouro: metal precioso, amarelo e brilhante. Simboliza a realeza de Jesus, ou seja, sua dignidade de Rei. Ele nasceu como rei. Ele é o Rei da glória, Sl 24. Uns o conhecem como um simples homem que marcou a História. Nós o reconhecemos e adoramos como Rei dos reis e Senhor dos senhores.

b) Incenso: resina aromática que se queimava na antiga dispensação. Isto pode simbolizar o lado divino de Jesus. Nesse aspecto, os magos estavam reconhecendo Jesus como Filho de Deus. Quando o cristão aceita a divindade de Jesus, ele está abrindo seus tesouros e dando presentes a Jesus.

c) Mirra: resina odorífera, medicinal, produzida pelo “balsamodendron”. Analisando o texto de forma abrangente, nesse caso, mirra poderá simbolizar sacrifício. Talvez seja o sacrifício que eles (os magos) empreenderam na longa jornada para ver a criança recém-nascida.

Um dos maiores presentes que podemos dar a Cristo é a nossa vida como sacrifício vivo, santo e agradável a Deus, que é o nosso culto racional, Rm 12: 1. Portanto, abramos nossos tesouros, nossos corações e apresentemos ao Senhor Jesus nossas dádivas. Ele merece. É Natal! Ele nasceu em nossas vidas, aleluia!

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Fonte: Jornal Aleluia de dezembro de 2008 – com adaptações feitas pelo autor

Matusalém: recordista mundial de longevidade – Fevereiro/2012

No dia 25 de janeiro de 2012,
a IPRB deu adeus a mais um de seus
ícones fundadores, o Pr. José Fernandes
Pedrosa, conhecido por quase todos
como pastor Pedrosa, o Patriarca-mor.
Seu exemplo, sua personalidade e seu jeito
de falar, quando o assunto era a contribuição
das igrejas, permanecerão para sempre em nosso meio.

“E foram todos os dias de Pedrosa
noventa e três anos, e morreu”.

Matusalém foi o personagem bíblico mais longevo, desde a criação do mundo. Se fosse hoje, receberia o prêmio de recordista mundial de vida. Ele viveu todos os juros e correção monetária que a vida lhe ofereceu. Seu nome, em hebraico quer dizer “homem armado” ou homem preparado, o que nos dá a ideia de que ele era uma pessoa disposta e bem preparada para a vida.

Interessante que todos os patriarcas, de Adão a Noé, viveram séculos e mais séculos, no entanto o “homem armado” não foi ultrapassado por nenhum deles. O único que esteve mais próximo foi Noé, seu neto, filho de Lameque, que morreu aos 950 anos, após cumprir o chamado específico do Senhor, na construção da Arca, Gênesis 9: 29.

Diante desta realidade, fica claro que Deus nos criou para uma vida longa. No entanto, todos morreremos um dia, assim como Adão, Matusalém, Noé, Moisés e tantos outros na atualidade. A vida é para ser desfrutada, conquanto que seja a serviço de Deus e orientada pelos princípios bíblicos. Sem ele, nele e para ele, tudo se torna em vão. Com isso, vejamos algumas lições:

Uma vida curta ou longa sem Deus
torna-se inútil diante das riquezas celestiais

O próprio Jesus, que morreu na cruz para garantir a vida eterna à humanidade, afirmou que seus seguidores não devem ajuntar tesouros nesta terra, mas nos céus, onde nem a traça nem a ferrugem consomem, e onde os ladrões não minam nem roubam, Mateus 6: 20.

Por isso, viver muito ou pouco na dimensão terrena, sem nenhum compromisso com Deus, pode custar uma eternidade sem Ele, João 5: 25. Certa feita, falando sobre a responsabilidade daqueles que o seguem, Jesus não se hesitou em dizer: “que aproveita o homem ganhar o mundo inteiro, e perder a sua alma?

Ou que darão ao homem em recompensa a sua alma? Ou seja, toda riqueza nesta terra sem Deus é inútil ou incomparável às riquezas celestiais. Pensar nas coisas que são lá de cima, e não nas que são da terra, foi sempre o grande desafio dos cristãos, Colossenses 3: 2.

Uma vida curta ou longa a serviço de Deus
torna-se valiosa diante dos bens
materiais deste mundo

O que significa uma vida a serviço de Deus? Que recompensas receberão os salvos em Cristo pela folha de serviços prestados a Deus nesta terra? Penso que estas duas perguntas devem inquietar o leitor e levá-lo a uma reflexão.

Digo isto porque vivemos em mundo capitalista em que tudo gira em torno do dinheiro, do lucro e dos bens materiais, onde predominam os mais fortes e poderosos. À igreja compete verdadeiro comprometimento com o Reino de Deus.

Diante disso, afirmar que uma vida curta ou longa a serviço de Deus seria aquela que não está presa ou voltada para os bens e prazeres do mundo. Uma vida comprometida com Deus e não com o homem; uma vida de inteira responsabilidade a favor do “ide” do Senhor Jesus, Mateus 16: 15.

O apóstolo Paulo deixa evidente, em 1 Coríntios 15: 58, que os serviços prestados a Deus nesta terra são valiosos e têm uma recompensa diante de tudo aquilo que o mundo oferece.

Uma vida curta ou longa nesta terra
exige preparo para se encontrar com Deus

Para Deus não importa se o homem vai viver pouco ou muito nesta terra. Se ele possui pouco ou muito dinheiro; se realiza pequenos ou grandes empreendimentos, a ponto de se tornar famoso, como Steve Jobs, Michael Jackson e tantos outros. Não importa a cor, raça, tribo ou nação. Todos provarão a morte, Hebreus 9: 27, e muitos dos que dormem no pó da terra ressuscitarão um dia, “… uns para a vida eterna, outros para vergonha e desprezo eterno, Daniel 12: 2.

O que fazer para se encontrar com Deus na eternidade? O preparo para esse momento é necessário. Na parábola do rico insensato e descompromissado com Deus, que possuía muitas empresas, bens e dinheiro, um dia disse: “Alma, tens em depósito muitos bens, para muitos anos, descansa, come, bebe e folga”. Mas Deus lhe disse: “Louco, esta noite te pedirão a tua alma, e o que tens preparado, para quem será?”, Lucas 12: 20.

Deus criou o homem para viver eternamente; viver é uma dádiva divina concedida a todos. Mas o pecado entrou no mundo e com ele a morte, limitando assim a vida do ser humano, Gênesis 2: 16 e 17. Mas, em Jesus, o homem pecador pode readquirir o direito de viver para sempre, pois com ele está a vida eterna: “E o testemunho é este: que Deus nos deu a vida eterna; e esta vida está em seu filho”, João 5: 11.

Concluindo, gostaria de fazer uso das palavras do grande evangelista D. L. Moody, ao se referir à convicção na vida eterna:

“Se alguma vez vos disserem que Moody está morto, não o creiais! Apenas que subiu mais acima! Deixou esta velha casa de barro para entrar em uma casa imortal, um corpo que não pode ser afetado pela morte, nem contaminado pelo pecado, um corpo feito à imagem do glorioso corpo do Senhor!”

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2012, edição 371, página 5

Marcas da fé não fingida – Junho/2000

O apóstolo Paulo ensina sobre a fé
como um dos elementos básicos da doutrina
cristã no processo da salvação,
e que precisa ser conservada diante de quaisquer
dificuldades que surjam.

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele
que nele crê; primeiro do judeu, e também do grego”.

Romanos 1: 16

Tendo conhecimento das falsas doutrinas pregadas por aqueles que se faziam de cristãos, ou achavam que eram os melhores e os mais sinceros dentre os crentes (1Timóteo 1: 3, 4 e 7), como acontece hoje, o apóstolo Paulo escreveu a Timóteo, seu filho na fé, cartas, para instruí-lo e encorajá-lo quanto aos assuntos práticos como a adoração pública, as qualificações dos oficiais da igreja, e a confrontação do ensino falso na importante igreja de Éfeso, 1Timóteo 1: 18.

Como herdeiro de uma fé não fingida, isto é, sua experiência de conversão não se assemelhava ao papel de um ator que precisa fingir para se apresentar (sentido original da palavra empregada nesses versos) seu testemunho não tinha qualquer mácula de hipocrisia. Isso tornara a vida cristã desse jovem pastor pura e genuína. E, em meio aos falsos ensinos, Paulo recomenda-lhe para permanecer naquilo que aprendeu, 2Tm 3: 14.

No contexto geral de suas cartas a Timóteo, Paulo está falando sobre a fé como um dos elementos básicos da doutrina cristã no processo da salvação, e que precisa ser conservada diante das dificuldades surgidas (1Tm 1: 19). Sua ênfase é a necessidade de uma conduta cristã sem demagogia, uma vida cristã ilibada, comprometida com Deus, prática, autêntica e fiel aos princípios da Bíblia Sagrada. E é exatamente isso que é preciso para que o cristianismo pregado sobreviva.

Talvez seria importante que o leitor pensasse seriamente sobre isso e tentasse descobrir o que o apóstolo está querendo dizer sobre a fé não fingida. Ou quais seriam as lições de vida cristã que ele queria passar à igreja de ontem e hoje. Para isso, gostaria de ajudá-lo e convidá-lo para, juntos, analisarmos, pelo menos, três marcas ou aspectos da fé não fingida.

Presença de expectativa

Seria a esperança cristã fundada em supostos direitos, probabilidades ou promessas bíblicas. Se existe algo que o diabo tenta fazer a todo instante é apagar do coração do cristão a esperança ou expectação de que fatos inexistentes podem acontecer pela fé, Hb 11: 1.

A igreja primitiva viveu essa experiência. Seus primeiros dias foram marcados por muita perseguição; os crentes e pastores eram presos e martirizados. Tiago já havia sido morto, à espada, e Pedro aguardava o momento da morte na prisão (Atos 12: 1-25). Mas a igreja orava incessantemente por ele a Deus, vv. 6 e 12. Enquanto a igreja orava, O anjo de Deus visitou Pedro na prisão, e disse: “Levanta-te depressa” (v. 7). Pedro é milagrosamente solto e, em seguida, dirige-se à casa de Maria, onde a igreja estava reunida (v. 12). Quando chegou a casa, ele bateu à porta do pátio, e uma criada chamada Rode saiu a atender, e vendo que era Pedro, não conteve a alegria, e disse que Pedro estava à porta, Vv. 13 e 14. Ninguém acreditou nesse fato, até o momento que viram-no, e se espantaram com a realidade, vv. 15 e 16. Teriam esses irmãos se esquecido de que estavam orando para que Deus libertasse a Pedro da prisão, ou faltaram-lhes a presença da expectativa cristã?

Aprendemos com essa história que a vida cristã sem a esperança seria o cristianismo sem objetivo, sem finalidade ou sem rumo. Se você está orando por libertação, acredite na libertação vinda de Deus; se você está orando por cura, acredite na cura que Deus fará; se você está orando para Deus abrir as portas, acredite na intervenção de Deus; se você está orando por um avivamento, acredite no derramar genuíno do Espírito Santo. É preciso fé nas promessas da Bíblia Sagrada, especialmente naquelas que falam da volta de Jesus. Alguém disse que precisamos viver o dia de hoje como se Cristo voltasse amanhã. Ele é a nossa esperança – MARANATA, Cl 1: 27.

Uso da perspicácia

Uma pessoa perspicaz é aquela que vê bem; que observa de maneira penetrante ou cuidadosa; pessoa dotada de agudez de espírito, cautelosa ou prudente, 1Jo 4: 1. Quando Jesus enviou os discípulos para anunciarem o reino de Deus entre os gentios e curarem os enfermos e os leprosos, ressuscitarem os mortos e expulsarem os demônios, recomendou-lhes perspicácia: “Eu vos envio como ovelhas no meio de lobos: Portanto, sede prudentes como as serpentes e simples como as pombas”, Mt 10: 16.

Uma passagem que pode nos ajudar a compreender melhor esse fato é a de Atos 17. Paulo e Silas pregavam na cidade de Bereia (v. 10). As pessoas recebiam de bom coração a palavra, de modo que muitos naqueles dias acreditavam naquilo que ouviam (v. 12). Mas nem por isso eles deixaram de ter o cuidado de conferir nas Escrituras se o que estavam ouvindo e aprendendo era assim mesmo (v. 11). Ou seja, eles tiveram a prudência de examinar nas Escrituras o que os pastores pregavam na sinagoga. Eram pessoas de uma agudez de espírito muito profunda. Não é incredulidade examinar o que se ouve ou que se lê.

No sermão profético (Mateus 24), falando sobre os acontecimentos dos últimos dias, Jesus também adverte sobre os perigos que precederão à sua volta, e recomenda essa virtude: “Acautelai-vos, que ninguém vos engane”, v. 4. Jesus está dizendo que é preciso utilizar o filtro da prudência, e manter-se firme nos princípios da Palavra de Deus.

Ação da persuasão

Em sua declaração de fé, o apóstolo Paulo deixa evidente que ele era um cristão persuadido por Deus, quando disse: “…eu sei em que quem tenho crido, e estou certo (no original – persuadido ou convencido) de que ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia” (2Tm 1: 12). Ele sabia em quem havia depositado sua crença, pois sua declaração era fruto de uma fé experimental ou pessoal. Isso nos leva a relembrar sua experiência de conversão na estrada de Damasco (Atos 9). Uma vez convertido ou transformado por Deus, nunca mais precisou passar pelo processo de conversão, ainda que tenha ficado três anos no deserto da Arábia antes de fazer missões (Gl 1: 17 e 18).

Um fato comum e natural na vida cristã são certos problemas ou erros apresentados, que podem levar a fé cristã a ficar debilitada (sem força). E, então, é nesse momento que o cristão poderá questionar e duvidar daquilo que Cristo fez por ele no ato da conversão, ou até mesmo questionar o perdão dos pecados que já foram confessados e perdoados. Vale ressaltar que as circunstâncias adversas surgidas neste mundo fazem parte de nosso estado mortal e de nossa experiência humana. Não estamos isentos nem mesmo do fracasso ao pecado, 1Co 10: 12.

Na verdade, há crentes que nunca tiveram uma experiência de conversão, e nem sabem por que estão na igreja; aqueles que cantam e louvam ao Senhor, mas não sabem por que cantam e nem para quem cantam; pessoas que vivem dentro das igrejas e que nunca passaram pelo processo da regeneração; vivem a vida cristã como se ela terminasse aqui na terra. Leia o que Paulo fala sobre isso, 1Co 15: 19. Gente que não está persuadida de nada, nem mesmo de que Jesus perdoou seus pecados. A esses, a Bíblia ordena: “Arrependei-vos, pois, e convertei-vos, para que sejam apagados os vossos pecados, e venham assim os tempos de refrigério pela presença do Senhor ”, Atos 3: 19.

Conclusão

Em qualquer circunstância, eis o grande desafio à igreja do Senhor:

“De fato, a concorrência salta aos olhos. De todo lado há alguém clamando: Eis aqui o Cristo, na minha igreja, na minha denominação, no meu credo. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, a apostasia é impressionante. Muitos dos seus discípulos o abandonaram. Entram pela porta da frente e saem pela porta dos fundos. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, há muitos hipócritas dentro das igrejas. Eles desfiguram o rosto para parecer que jejuam, dizem uma coisa e fazem outra, mostram-se belos por fora e escondem a sujeira interior. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, as igrejas cristãs se transformaram em empresas, em clube de serviço, em ponto de encontro, em salão de festa, em restaurante, em lugar de fofoca. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, há pastores que negam a divindade de Jesus, o nascimento virginal de Jesus, a morte expiatória de Jesus, os milagres de Jesus e a ressurreição de Jesus. Todavia, não perca Jesus de vista!

De fato, o diabo anda solto. Ele se transforma em anjo de luz e engana a muitos. Ele ainda seduz, mente e ruge como leão. Põe loucura no coração do homem e lhe faz propostas absurdas. Todavia, não perca Jesus de vista!

Não perca Jesus de vista, porque ele é de fato o Cristo, o Filho do Deus vivo Ele tem de fato toda autoridade no céu e na terra; ele é a ressurreição e a vida; ele pode abrir os sete selos e dar sequência a história; ele aparecerá segunda vez em poder e glória e reinará por séculos que tombam sobre séculos numa eterna sucessão” (Revista Ultimato 235, pág. 3).

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2000

Evangelização urbana nos moldes de Jesus – Junho/2004

Um dos fatores determinantes no processo
de crescimento de uma igreja
é o tipo de evangelização por ela realizado.
Evangelização é o ato, é a ação
de comunicar o evangelho.

Um autor afirmou: “evangelizar é um mendigo
dizer a outro mendigo onde conseguir alimento”.
Segundo os entendidos, “nunca, em dois mil anos,
foi tão fácil evangelizar. Nunca foi tão fácil
levar pessoas à conversão e à fé cristã.
Porém, a igreja precisa usar
a metodologia adequada”.

Os missiólogos afirmam que não pode haver nenhum esquema uniforme de evangelização. O que está dando certo em uma determinada igreja não quer dizer que dará certo noutra. Assim, pode-se dizer que o trabalho de evangelização urbana executado pela igreja nunca será ou estará completo. Nesse sentido, haverá sempre necessidade de descobrir as realidades desconhecidas e repensar os métodos, técnicas e estratégias utilizadas nesse processo.

O cenário urbano registrado pelo evangelista João é um protótipo ou um modelo de evangelização urbana que funciona. Jesus havia deixado a Judeia, ao Sul, e seguido para a Galileia, ao Norte, quando sentiu que era necessário passar por Samaria, cidade que ficava entre as duas regiões, v. 4. Ao meio-dia, junto ao poço de Jacó, na cidade de Sicar, travou um longo diálogo com uma mulher samaritana que viera buscar água. E como resultado de sua estada nesse lugar, muitas pessoas foram ter com ele, para ouvir a palavra de Deus, v. 30.

O evangelismo pessoal aplicado por Jesus foi dinâmico e transformador. A pecadora de Samaria ficou convencida de seus pecados e tornou-se uma testemunha de Jesus. Dentre os diversos aspectos bíblico-dogmáticos vistos neste texto na atitude evangelizadora nos moldes de Jesus, destacaremos alguns deles.

Práxis da necessidade – v. 4

O texto diz que “era-lhe necessário passar por Samaria”. Está evidente que ele foi movido por uma intuição própria. Quer dizer: ninguém lhe disse nada, mas a página da história de uma mulher seria escrita a partir do momento em que ele pressentiu que era necessário fazer essa traje-tória, ainda que a rota normal dos judeus fosse dar a volta, seguindo o vale do Rio Jordão para o Norte, até a Galileia.

Podemos chamar este fato de práxis da necessidade ou da compaixão. Mas o que é práxis? Seria a “ação criativa e transformadora do povo de Deus na história, acompanhada de um processo profético e da reflexão crítica que objetiva tornar a obediência cristã ainda mais efetiva”. Em outras palavras, é ação da igreja em atenção à necessidade alheia – especial-mente do pecador.

A Bíblia ensina que Jesus andou na práxis da compaixão e do amor. Ele sentia a necessidade do povo. A história de muita gente foi escrita por suas atitudes criativas e práticas. Certa ocasião ele olhou para uma multidão e sentiu grande compaixão por ela: “E Jesus, saindo, viu uma grande multidão e, possuído de íntima compaixão para com ela, curou os seus enfermos”, Mt 14: 14. Se a igreja quer que sua evangelização urbana seja autêntica e transformadora, Jesus dá a receita: “Te-nho compaixão desta gente”, Mt 15: 32. Sim, não há como evangelizar sem sentir que é necessário passar pelas samarias atuais. Este pré-requisito leva a igreja a perceber que a história de milhares de pessoas que vivem sem Jesus precisa ser mudada.

Mudança de paradigma – v. 9

Judeus e samaritanos não se falavam em hipótese alguma. Era uma rixa antiga. “Os judeus chegavam ao extremo de desencorajar a tentativa de fazer prosélitos dentre os samaritanos […]”. O pedido de Jesus: “dá-me de beber”, deve ter sido considerado pela mulher como uma atitude tolerante, pois, de imediato, ela respondeu: “Como, sendo tu judeu, me pedes de beber a mim, que sou mulher samaritana”. Tanto é que a conversa delongou e o plano de salvação foi exposto por Jesus.

No entanto, esse incidente contrariava o comportamento judeu-samaritano (porque os judeus não se comunicavam com os samaritanos), vv. 7 e 9. Na verdade, o comportamento ético-cristão de Jesus fala claramente de mudança ou alteração de paradigma. Uma cena desta hoje seria, provavelmente, manchete de capa de revista ou jornal. Ou, na perspectiva religioso-evangélica, mereceria disciplina ou castigo. Porém, o interessante para Jesus não era manter a tradição de uma religião, mas cumprir com a missão de seu Pai e favorecer ao Reino de Deus, Lc 19: 10.

O paradigma “explica como é o mundo e nos ajuda a predizer seu comportamento. É a forma como você percebe esse mundo. Por exemplo: ele está para você da mesma forma como a água está para o peixe. O peixe não sabe que está dentro dela até que o tirem para fora”. Isto se aplica à vida cristã. Às vezes, diga-se de passagem, certos conceitos dependem do paradigma. A maneira como se interpreta uma situação é, às vezes, relativa e pode ser até mesmo, individualista. Porém, Jesus foi além das circunstâncias do relativismo ou individualismo. Ele precisava passar por Samaria, para evangelizar uma pecadora.

Contexto urbano – v. 18

O contexto diz respeito à cultura – aos valores, ideias e sentimentos – de um determinado povo. Também diz respeito às classes sociais, à religião ou religiões. O contexto revela quais são as características que são próprias de uma determinada cidade. Isto ensina que evangelização e contexto precisam andar de mãos dadas. Então, para se usar um determinado tipo de técnica ou método na evangelização é preciso conhecer o contexto, o ambiente em que se vai trabalhar.

Neste caso, Jesus conhecia o contexto da cidade de Sicar. Ele conhecia o modo de vida desse povo. Foi em razão disso que em sua conversa com a Samaritana, ele quer usar o método indutivo, ou seja, ele começou a conversação partindo do particular para o geral – do problema pessoal para a solução. Os argumentos usados por ele foram tão convincentes que a mulher abriu-lhe o coração: “vai, chama o teu marido e vem cá. A mulher respondeu: não tenho marido. Disse-lhe Jesus: disseste bem: Não tenho marido, porque tiveste cinco e o que tens agora não é o teu marido”, vv. 18 e 19.

A igreja precisa conhecer o contexto urbano ou onde se localiza. Saber quais os tipos de pessoas existentes na cidade. Quais as suas preferências e necessidades básicas. Identificar os focos de convergência da juventude, pois “Deus chama a igreja para o seu contexto particular, como um instrumento da sua graça e salvação, desenvolvendo e realizando a missão como um processo criativo e transformador”.

Por fim, vale dizer que a evangelização urbana da igreja nos moldes de Jesus não tem nada a ver com a inovação e comprometimento com os padrões de uma sociedade, mas, simplesmente, com a integridade e contextualização de sua mensagem no cumprimento de sua missão cristã, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia, junho de 2004

Criança: vida que nos ensina – Outubro/1996

Chegando o dia 12 de outubro,
o mundo adulto se lembra de que
as crianças existem.

Há bonitos discursos, o comércio tira
seu proveito, movimentam-se as escolas.

Também a igreja, que tem a responsabilidade de ensinar
às crianças os preceitos do Senhor,
estabelece programas especiais.

Gosto de crianças. Entre outras razões,
porque elas têm muito a nos ensinar.
Analise comigo algumas qualidades
que lhes são peculiares
e veja que grandes lições podem resultar
para a vida cristã.

Em toda a Bíblia há referências às crianças. Destacam-se as exortações sobre o cuidado que se deve ter em ensiná-las: “Ensina a criança no caminho em que deve andar, e quando envelhecer não se desviará dele”. Pv 22: 6.

Ao tempo do Antigo Testamento, as crianças já mantinham comunhão com Deus. Ainda que não fossem conscientes deste fato, elas gozavam da proteção divina. Deus ouviu a voz de Israel quando ainda era criança, Gn 21: 17. Poupou a vida do menino Moisés na ocasião em que o Faraó mandou matar todas as crianças do sexo masculino, Êx 2. Samuel era ainda pequeno quando ouviu a voz de Deus e recebeu o seu chamado para o ministério profético e sacerdotal, 1Sm 3.

O Novo Testamento afirma que Jesus dispensava atenção e empregava tempo para atender as crianças: “Deixai vir a mim as criancinhas, e não as impeçais”, Mt 19: 14.

Não se pode imaginar a quantidade de lições morais e espirituais que extraímos da vida de uma criança. Dentre as muitas, veremos algumas que são preciosas para a vida do cristão. O texto de Marcos 9:33-37 nos traz algumas delas.

Humildade

Jesus e seus discípulos estavam se dirigindo a Cafarnaum. No caminho, houve uma discussão entre os discípulos, sobre quem seria o maior. Jesus chamou os doze, e lhes disse: “Se alguém quiser ser o primeiro, será o último e servo de todos”, v. 35. Seu ensino foi reforçado quando Ele disse: “Aquele que se tornar humilde como esta criança, esse é o maior no reino dos céus”, Mt 18: 4. Jesus estava ensinando que a grandeza no reino de Deus é o serviço humilde.

Ninguém discorda de que a criança em si é símbolo de humildade e simplicidade. Sua maneira de ser fala claramente sobre isto. Uma criança nunca procura ser maior, ou melhor, mas ser o que é: criança.

A vida cristã deve ser marcada por essa qualidade que é tão recomendada pela Bíblia Sagrada. Humildade é uma virtude com que manifestamos o sentimento da nossa fraqueza ou de nosso pouco ou nenhum mérito, e que faz parte de uma personalidade cristã sólida. Ela deve manifesta-se de maneira voluntária e constante em nossas atitudes, mantendo-nos numa posição de menor: “… cada um considere os outros superiores a si mesmo”, Fp 2: 3.

Não se identifica uma pessoa humilde pela sua maneira de falar, vestir, etc. Isto não vem ao caso. Tampouco se pode dizer que uma pessoa bem vestida não seja humilde. De ambos os lados pode haver engano, tanto de uma falsa humildade como de uma aparente arrogância. “É necessário que Cristo cresça, e que eu diminua”, Jo 3: 30.

Perdão

Ainda falando os discípulos sobre quem seria maior no reino dos céus, Jesus disse: “Em verdade vos digo que, se não vos converterdes e não vos tornardes como crianças, de modo algum entrarão no reino dos céus”, Mt 18: 3.

“Tornardes como crianças” – o que venha a ser isso? Não quer dizer que temos que nascer de novo, isto seria impossível, Jo 3: 4-5. Jesus está se referindo ao sentimento de perdão que existe em uma criança. De sua maneira de ser ou proceder quando é atingida, castigada ou rejeitada, perdoando com facilidade e naturalidade.

Quando uma criança é repreendida pelos pais ou por outra pessoa, ela chora, fica brava, mais logo volta a agir naturalmente. Não fica com ódio e mantém a mesma amizade e carinho de filho. Até mesmo quando há brigas entre elas, o espírito de perdão sempre prevalece. No momento de um desacerto, uma bate e quebra o brinquedo da outra, chora. Mas, dali a pouco, tudo fica bem. Parece que não aconteceu nada. A verdade é que a criança sabe perdoar, e com ela precisamos aprender.

Jesus tem razão em dizer que precisamos nos tornar como crianças para entrarmos no reino dos céus. Há situações na vida cristã em que este ensino de Jesus precisa ser vivenciado. A união, o amor, a compreensão e a comunhão no meio da igreja dependem de nossas atitudes.

E às vezes precisamos fazer como as crianças fazem entre si. É claro que Deus não quer que sejamos crianças espiritualmente, mas cristãos que tenham o sentimento de perdão. Há uma frase que diz: “Aquele que não sabe perdoar destrói com as próprias mãos a ponte sobre a qual um dia terá de passar”. De fato, o caminho para o perdão é doloroso, mas quando ele é concedido, constrói-se uma ponte que servirá no amanhã.

Há pessoas doentes, infelizes ou amarguradas porque remoem fatos que ocorreram a anos em sua vida e não foram acertados. São feridas abertas.

Jesus estava transmitindo alguns ensinos éticos cristãos, quando lhe trouxeram algumas crianças para que Ele as abençoasse. Os discípulos não concordaram, mas Jesus disse: “Deixai vir a mim os pequeninos, pois dos tais é o reino dos céus”, Mt 19:13 -15.

Será que podemos extrair alguma lição desse quadro quando as crianças estavam ao redor de Jesus? Claro que sim! O ambiente era o mais saudável possível, pois onde há criança o lugar é alegre e movimentado. Criança é sempre assim: alegre, feliz. Alguém disse que “o inferno é triste porque lá não há crianças”. Elas são o sorriso de Deus para nós.

É natural presenciar a alegria no rosto de uma criança, independente da circunstância em que ela se encontra. Não há tempo ruim, problema, crise ou dificuldade para ela. A criança não quer nem saber se amanhã vai chover ou fazer sol. Ela só pensa em brincar, divertir e aproveitar a vida. Para ela, tudo é festa, é só alegria.

Jesus fala que devemos nos tornar como crianças. É evidente que não seria levar a vida na base de brincadeira, sem pensar em nada, à semelhança de uma criança. Devemos aplicar isso ao nosso relacionamento, e estabelecer um padrão de vida pautado na honestidade, sinceridade, fidelidade e responsabilidade.

No entanto, podemos ser como as crianças, que independem das circunstâncias para viverem alegres. A alegria é um verdadeiro bálsamo para a vida. Uma pessoa triste não tem ânimo pra realizar suas atividades. Ela pode até perder o sentido de viver. A alegria vinda de Deus é força, Ne 8: 10.

Que Deus nos ajude a sermos verdadeiramente como crianças, não num comportamento de infantilidade, mas readquirindo seus traços característicos, que fomos perdendo ao longo dos anos. Eles nos ensinam e nos capacitam a sermos verdadeiros cidadãos dos céus.

Pureza

Criança exala pureza. Ela não tem maldade naquilo que faz ou recebe. O grau e pureza existente na vida de uma criança é algo incalculável. Tornar-se como ela é tornar-se puro, é adquirir o senso de pureza que nela existe. É receber aquela capacidade que expressa uma vida limpa. É exatamente isto que Jesus quer nos ensinar.

Esta é uma das tônicas da Igreja que é candidata ao céu. Em sua oração sacerdotal, Jesus orou pedindo para que ela fosse pura e unida, Jo 17. Pureza e unidade caminham juntas, são coirmãs. A igreja que vive dentro do padrão de santidade, logicamente tem que ser uma igreja unida. Não se separa santidade de unidade ou vice-versa. Jesus disse que o mundo haveria de crer Nele, quando a sua igreja fosse pura e unida, Jo 17: 23.

A igreja precisar tornar-se como uma criança para entrar no reino dos céus, despojando-se de toda imundície, pois o céu é lugar de pessoas puras. Os impuros não herdarão o reino de Deus, 1Co 6: 9 e Hb 4: 12. Deus sempre desejou que o seu povo fosse separado e diferente. Foi para isto que Ele chamou Abraão e escolheu Israel. Mesmo depois de entrar na terra prometida, Deus exigiu pureza dessa nação, Lv 20: 7

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Fonte: Jornal Aleluia 202, de outubro de 1996

As vestes de Jesus – Outubro/1995

Os soldados rasgaram as vestes de Jesus.
Essas nada simbolizavam porque glória, majestade,
divindade e poder são as vestes espirituais
de Jesus.

“E, havendo-o crucificado, repartiram as suas vestes,
lançando sortes, para que se cumprisse o que foi dito
pelo profeta: Repartiram entre si as minhas vestes,
e sobre a minha túnica lançaram sortes”

Mateus 27: 35

Nossas vestes falam de distinção social,
autoridade, costumes, pudor, respeito, etc.
Biblicamente, elas simbolizam proteção.
Gn 3: 10.

O texto de Mateus fala sobre “as vestes de Jesus”. Parece ser um tema polêmico e de difícil interpretação. No entanto, observe com atenção que, no momento em que Jesus morria pela humanidade na cruz do Calvário, os soldados tiraram as vestes dele e as repartiram entre si.

Fazendo uma aplicação, veremos que não tem sido diferente nos dias de hoje, pois estão tirando e repartindo as vestes de Jesus, ou seja, estão distorcendo as doutrinas cristológicas, ferindo os princípios bíblicos, distanciando muitos da fé cristã ou deixando-os no caminho da dúvida.

Vejamos com que vestes espirituais o Senhor Jesus está protegido e como isso pode ajudar-nos a compreender que Ele é Deus, a segunda pessoa da Trindade. Isto nos convida a uma profunda, consciente e atual reflexão.

A veste de glória e majestade

No Antigo Testamento, Deus manifesta sua presença no meio de seu povo através de sua glória. Moisés rogou a Deus que lhe mostrasse sua glória, Êx 33: 18. O profeta Ezequiel presenciou a glória do Senhor saindo do templo, cap. 10, e, mais tarde, presenciou a glória voltando ao tempo, cap. 34. Era a presença de Deus retornando à sua habitação.

No Novo Testamento, Deus manifesta sua presença ao homem na pessoa de Jesus. Ele é a glória de Deus que veio habitar em nosso meio, Jo 1: 14.

Para que a glória de Deus fosse revelada ao homem foi necessário que Jesus morresse, depois de sepultado, descesse às partes mais baixas da terra e ressuscitasse ao terceiro dia com corpo glorificado, subindo acima de todos os céus, para cumprir todas as coisas, Ef 4: 8 a 10.

Ele é o rei dos reis e Senhor dos senhores que está vestido de glória e majestade. O salmista reconhece isto quando pergunta: “Quem é o rei da glória? O Senhor dos exércitos, Ele é o Rei da glória”, Sl 24: 10. “Glória e majestade estão diante d’Ele”, 1Cr. 16: 27. O texto de Apocalipse 5: 13 enaltece Jesus dizendo: “Ao que está assentado sobre o trono, e ao Cordeiro [Jesus] seja o louvor, e a honra e a glória, e o poder para todo o sempre”.

A glória de Jesus expressa sua majestade que é grandeza própria dos reis. “Grande é o Senhor [Jesus] e mui digno de louvor”, Sl 48: 1.

Pela sua majestade Ele nos oferece uma grande salvação: “Como escaparemos nós se não atentarmos para uma tão grande salvação?”, Hb 2: 3. Por que grande? Porque o Deus que a providenciou é grande: “Que Deus é tão grande como o nosso Deus?”, reconhece o salmista; e como é grande o nosso pecado! Rm 3: 23.

Jesus veio como profeta, vive nos céus como sacerdote, e voltará em glória e majestade como Rei dos reis e Senhor dos senhores para implantar o seu reinado na terra, Ap. 17: 14.

A veste da divindade

Os profetas do Antigo Testamento falaram de Jesus como o Messias prometido, o Emanuel, o Deus Forte, Pai da Eternidade e o Príncipe da Paz. Isaías profetizou o seu nascimento, 9: 6. A Bíblia nos ensina que Jesus era verdadeiramente Deus e verdadeiramente homem. Possuía duas naturezas: humana e divina.

Como homem, teve sua ascendência da linhagem de Davi, Mt. 1:1 e Rm 1:3, sendo concebido por uma virgem por obra do Espírito Santo, Mt. 1:18 a 20. Recebeu nomes humanos, Mc 6: 3, Lc. 19: 10. Era limitado, não podia estar em Jericó e Nazaré ao mesmo tempo. Ele caminhou, sentiu fome, sede e cansaço, Jo 4: 6 e 7.

Como Deus, era ilimitado, estava em todos os lugares ao mesmo instante. Conhecia os pensamentos e intenções do coração dos homens, Lc 5: 22; exerceu autoridade sobre a natureza, Mt 8: 26, e recebeu nomes divinos, Mt. 16: 16 e Ap 1: 17.

Divindade é a veste que nos leva a crer e aceitá-lo como Deus. Nada pode ofuscar essa verdade. Ele é o Deus Filho, segunda pessoa da Trindade.

Na matemática, a soma de um mais um são dois e, mais um, são três; na multiplicação: uma vez uma é um, vezes um novamente é um. Na matemática divina, a Trindade é assim: o Pai, o Filho e o Espírito Santo são três e os três são um.

Há aqueles que reconhecem Jesus como Filho de Deus, mas não como Deus. Dizem que Ele foi um simples homem à semelhança de João Batista, Elias, ou um dos profetas. Não reconhecê-lo como Deus seria proceder da mesma forma como os soldados fizeram quando Ele estava na cruz do calvário, despindo-o e repartindo suas vestes.

Ele, sendo Deus, conhece todas as necessidades do homem, até mesmo antes de pedir-lhe alguma coisa, Porque Ele é Deus, Nele podemos confiar sem nenhuma sombra de dúvida, Ef 3: 20.

A veste de poder

O homem sempre esteve prestando cultos a vários deuses, esquecendo-se de seu verdadeiro Criador. Infelizmente cultuam a deuses criados pela sua fantasia e estes, despidos de poder, nada podem fazer pela humanidade.

Jesus é Deus. Muitos pensam que Jesus, o Deus Filho, operou apenas no passado, e não mais realiza milagres no presente. A Bíblia, entretanto, diz que Ele é o mesmo ontem, hoje e eternamente, Hb 13: 8. Está presente conosco todos os dias, Mt. 28: 20.

Poder é sua veste especial para curar os enfermos, libertar os oprimidos e quebrar os grilhões de Satanás. Ele está protegido com essa veste: ”É-me dado todo o poder no céu e na terra”, Mt. 28: 18. À sua igreja é concedido o direito de usá-la: “Eu vos dei poder para pisar serpentes e escorpiões, e toda força do inimigo, e nada vos fará dano algum”, Lc 10: 19.

Em Marcos 5: 25 a 34, lemos a história de uma mulher que estava enferma há doze anos e que havia utilizado todos os recursos da época para ser curada. Nada adiantava; pelo contrário, o seu estado era cada vez pior, v. 26. chegou ao seu conhecimento que Jesus passava pela sua cidade. Imediatamente procurou ver Jesus. Dizia ela: “Se tão somente tocar nas suas vestes, sararei”, v. 28. Ela fez o que disse; tocou na veste de Jesus e o milagre aconteceu: de Jesus saiu poder e a hemorragia estancou-se instantaneamente, v. 29.

Na verdade a mulher tocou na veste física de Jesus, v. 31. No sentido espiritual, pela fé, v. 34, tocou na veste de poder de Jesus. Ele é poderoso para curar, basta tocar-lhe na sua veste de poder para receber a bênção almejada.

Por isso, devemos procurar a proteção nas vestes do poder de Jesus para realizarmos sua obra e libertarmos os oprimidos e cativos pelo diabo.

Conclusão

Precisamos saber em quem estamos crendo. Este foi o grito de convicção do apóstolo Paulo quando disse: “… Porque eu sei em quem tenho crido, e estou certo de que Ele é poderoso para guardar o meu depósito até aquele dia”, 2Tm 2: 12. Conhecê-lo através de experiências pessoais é uma necessidade para uma fé inabalável, Salmo 125: 1.

Podemos adquirir esse conhecimento através da leitura e meditação da Palavra, mantendo uma vida de oração e consagração, sendo aluno da Escola Bíblica Dominical e nos empenhando em ganhar almas para o Reino de Deus, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia, outubro de 1995

A Pedagogia dos sonhos – Dezembro/2007

Sonho é uma sequência de fenômenos
psíquicos constituídos de imagens,
representações, atos, ideias, etc., que,
involuntariamente, ocorrem durante o sono.

Outro sentido da palavra se refere
a um desejo veemente ou aspiração,
que pode ser traduzido por visão de futuro.

Neste aspecto, como ensinam
os palestrantes e pregadores, sonhar é pensar positivamente, é projetar o futuro,
é alçar voo na direção de objetivos
preestabelecidos.

Gênesis 37

José é símbolo de sonho. Ainda em casa de seus pais, já apresentava os traços de uma personalidade firme, tolerante e amorosa. Entretanto, algo o destacava: era tido por seus irmãos como “o sonhador”, por causa de suas visões de futuro que lhe eram reveladas: “Lá vem o sonhador”, v. 19. Isso despertava em alguns deles grande rejeição e até ódio, v. 5. Mal sabiam, porém, que o que sonhava recebera de Deus. E o Senhor iria concretizar esses sonhos na sua história, tornando sua vida sublime em todos os aspectos, a ponto de ser um meio para preservação da própria família.

A admiração de seu pai, v. 3, sua projeção no Egito como pessoa temente a Deus e como homem público de grande sucesso devem-se a diversos fatores relacionados aos sonhos recebidos de Deus, Gn 41: 40. Somos admiradores de José. Ninguém imagina o seu triunfo como resultado de um caminho ardiloso ou de manobras político-religiosas.

No entanto, para que chegasse ao pódio de uma vida abençoada e aprovada por Deus, foi necessário trilhar um caminho espinhoso, árduo e muito longo, cap. 45. Seu triunfo não aconteceu por mágica e tampouco pelo virar da varinha de condão. Tudo ocorreu segundo a vontade de Deus. José é fruto de uma vida dirigida por Deus. Assim, destacaremos três pontos importantes quanto aos seus sonhos, objetivando uma reflexão contextualizada.

Propósito definido

Viver os sonhos divinos para quê? Com quais propósitos? É interessante estudar a Bíblia com vista aos propósitos de Deus. E isto está bem claro na vida de José. Sua ascensão ao cargo de Primeiro Ministro no Egito não aconteceu apenas para que seu ego fosse massageado. O propósito final de Deus era abençoar uma família, uma nação e, consequentemente, toda a humanidade, 45: 7.

Deus tem um propósito em tudo. Até mesmo as provações que um cristão enfrenta estão vinculadas ao beneplácito de Deus: “Todas as coisas cooperam para o bem daqueles que amam a Deus e são chamados pelo seu decreto”, Rm 12: 2. A Bíblia diz que Deus criou o homem para louvor de sua glória. Portanto, tudo que aconteceu na vida de José era do consentimento de Deus.

Por isso, se os nossos sonhos, isto é, nossos desejos, ambições, alvos, etc. não têm como propósito glorificar a Deus, acrescer o reino dos céus, contribuir com o fraco ou necessitado, eles não passarão de pesadelos ou desejos efêmeros. Deus quer nos conceder grandes dádivas e nos fazer prósperos em todos os sentidos, mas desde que tenhamos um fim positivo proposto: “muitos são os planos do coração do homem, mas é o propósito do senhor que permanecerá”, Pv 19: 21.

Preço a ser pago

Será que, se José soubesse que passaria por tudo quanto passou, ainda assim desejaria ser fruto dos planos de Deus? Penso que sim, pois ele nos deixa evidências a este respeito ao rejeitar, veementemente, propostas, aparentemente, favoráveis e boas, Gn 39: 9. Entretanto, o sofrimento, a calúnia, a inveja, o ciúme, o desprezo, a prisão não puderam ser impedimentos para que os propósitos de Deus fossem cumpridos.

Os capítulos 37 a 48 deixam evidente que sua trajetória foi desafiadora e dolorida. O sucesso de sua vida como cidadão e pessoa comprometida com Deus custaram-lhe muitas lágrimas, inveja, solidão, assédio, perseguição, prisão, humilhação, renúncia, perseverança e muitos outros males. O preço pago pelos sonhos proféticos foi tão alto que os estudiosos o têm como personagem-tipo de Jesus.

Muitos pregadores usam passagens, como a de José (Gn 37), para motivar seus ouvintes a sonhar. Há até mesmo aqueles que afirmam: quem não sonha não vence na vida. Sonhe alto! Não seja mesquinho! E por aí se vão as mais ufanistas ex-pressões quanto aos sonhos. Mas, o que, na verdade, os pregadores deveriam ensinar é que há um preço para quem quer sonhar. Precisam dizer que o sonhador poderá ganhar muitos inimigos e que os altivos e invejosos procurarão a sua alma.

Então, esse negócio de dizer que o crente tem de sonhar, mas não orientá-lo sobre as implicações desse fenômeno cristão-espiritual é um perigo muito grande. José sonhou, no entanto, por suas atitudes percebe-se que estava consciente das adversidades que lhe sobrevinham de todos os lados.

Tempo a ser cumprido

Diz a Bíblia que “tudo tem o seu tempo determinado e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”, Ec 3: 1. Os irmãos de José debochavam dele quando ouviam contar seus sonhos. Mal sabiam que Deus tinha um tempo determinado para fazê-los cumprir, 42: 7. O tempo (kairós) de Deus não está preso ao nosso tempo (cronômetro). Deus tem o controle de tudo, pois é poderoso para fazer tudo, muito mais abundantemente e além daquilo que pedimos ou pensamos, segundo o poder que em nós opera, Ef 3: 20.

Os fatos foram acontecendo na vida de José. Ele estava com 17 anos quando teve os primeiros sonhos. Era ainda um adolescente. Um moço sem experiência de vida, mas consciente dos planos de Deus. Nem mesmo o seu pai ousou questionar os mistérios divinos na vida de seu filho, v. 11. Quando foi tirado da prisão para interpretar os sonhos do faraó, ele estava com 30 anos, Gn 41: 46. Depois que Deus cumpriu todos os projetos em sua vida, José veio a falecer aos 110 anos, 50: 26.

Interessante que tudo foi acontecendo dentro do momento (kairós) de Deus. Nem antes e nem depois. Ele faz tudo na hora certa, ou seja, de repente o Espírito Santo é derramado, At 2; as portas se abrem, Ap 3: 7; o enfermo é curado, a bravura do mar é acalmada, o incrédulo é salvo. Nada pode impedir que os ponteiros do relógio de Deus marquem a hora de sua ação. Ele não está condicionado ao nosso tempo, mas somos nós que estamos condicionados a Deus. Descanse e aguarde o tempo determinado do cumprimento das promessas divinas em sua vida.

Os sonhos vêm durante o sono (durante a vida). Ao acordar, a pessoa ainda está com aquelas impressionantes imagens na mente. Então, vamos fazer uma dinâmica. Experimente virar a palavra “acordar” de trás para frente: ficaria DAR-COR-A. Percebeu o que aconteceu com essa inversão? “Dar-cor-a” significa que a vida tem a cor com que a pintamos. De que cor você está colorindo sua vida?

Finalizando, há pessoas que acordam todos os dias, o que é normal, mas parece que passam o dia ou a vida inteira dormindo. Sonhar é acordar para a vida e procurar dar cor aos projetos e realizações de Deus em nossa vida. Acredite em algo melhor que Deus tem para você. Mas não se esqueça de que os sonhos que Deus nos dá têm um propósito definido, um preço a ser pago e um tempo determinado a ser cumprido. Há um caminho longo a ser percorrido. Porém, não desista! Aprenda, diariamente, com José.

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Fonte: Jornal Aleluia, dezembro de 2007

A Pedagogia da perseverança – Abril/2008

“Os vencedores das batalhas
da vida são homens perseverantes que,
sem se julgarem gênios, convenceram-se
de que só pela perseverança
no esforço podem chegar
ao almejado fim”.
Emerson
(1803/1882)

Perseverança, paciência ou persistência são ingredientes indispensáveis em qualquer tipo de empreendimento. Quem desiste não faz história, mas quem persevera escreve a história.

A propósito disso, conta-se “a história relatada pelos chineses, de que um de seus filósofos, durante os seus anos escolares, lançou os seus livros ao chão, certo de que nunca poderia assenhorear-se deles. Certo dia, andando pela rua, encontrou uma senhora que estava esfregando uma barra de ferro sobre uma pedra. Por que está fazendo isto? Perguntou o estudante. Porque desejo obter uma agulha e assim estou afinando esta barra até que fique em condições para coser. A lição da paciência e perseverança não foi desprezada pelo jovem que tomou novamente seus livros, dedicando-se a eles, tornou-se um dos maiores mestres chineses”.

A parábola contada por Jesus, em Lucas 18: 1-8, sobre o dever de orar sempre sem jamais esmorecer ensina-nos que há situações da vida que podem parecer tão pesadas ou longas como a tarefa de tornar uma barra de ferro em uma agulha. Segundo o texto, havia, numa certa cidade, uma viúva, que enfrentava um problema e que, por muitas vezes, procurou certo juiz para julgar sua causa.

A princípio o juiz nada fez por essa mulher, mas, devido a sua insistência ou perseverança, o juiz, que nem a Deus temia, nem respeitava os homens, decidiu pelo deferimento de sua situação: “Como esta viúva me molesta, hei de fazer-lhe justiça…”, v. 5.

O que está em evidência neste texto, entre muitas mensagens e lições, é o espírito de perseverança que impulsionou a mulher a buscar a solução para a sua vida. Assim como ela perseverou e venceu o obstáculo, Deus nos chama a uma vida de perseverança e vitória em nosso dia-a-dia. Elas ocorrem em algumas áreas vitais.

Perseverança na oração

A necessidade de estar em constante oração está vinculada ou presa à persistência. Quer dizer, não se concebe a oração sem a perseverança. Jesus disse: “… orar sempre e nunca desanimar”, v. 1.

A Bíblia dá grande ênfase à oração, tanto no Antigo Testamento como no Novo Testamento. A oração move o braço de Deus a favor de quem busca o Senhor em constante oração: “… orai sem cessar”, 1Ts 5: 17. O mandamento bíblico é alimentar a oração com perseverança: “… perseverai na oração”, Rm 12: 12.

Esta foi a experiência de vida do salmista: “Esperei com paciência no Senhor, e ele se inclinou para mim, e ouviu o meu clamor”, Sl 40: 1. Ana perseverou em oração e o Senhor concedeu-lhe um filho, 1 Sm 1: 12 e 27. Em certos momentos da vida parece que Deus se esqueceu de nós, os céus são de bronze, etc., mas, ainda assim, prevalece a teologia de Jesus: orar sempre e jamais abrir mão de nossos sonhos ou projetos.

Perseverança no sofrimento

A viúva desejava que o juiz não somente pusesse fim a seu interminável sofrimento, mas que, também, a libertasse das mãos de seu adversário: “Faze-me justiça contra o meu adversário”, v. 3. Esta parábola tem recebido diversas interpretações alegóricas, como, por exemplo, a que diz que a mulher é a igreja, o adversário é Satanás.

Não vamos entrar nesse mérito, embora seja verdade que na vida todos temos um adversário, isto é, um problema, um desafio, um imprevisto, etc., Então, neste caso, o inimigo pode ser representado por qualquer situação adversa da vida.

A viúva não se intimidou com o sofrimento. Ficou firme até o fim, Ap 2: 10. É na luta que o cristão precisa manter-se inabalável e glorificar a Deus: “Mas também nos gloriamos nas tribulações, sabendo que a tribulação produz perseverança, e a perseverança experiência, e a experiência, esperança. E a esperança não traz confusão”, Rm 5: 2-5.

Todos sabemos que não existe vitória sem lutas ou sofrimento. E a perseverança precisa fazer parte do estilo de vida de qualquer pessoa que quer vencer na vida: “… sede pacientes na tribulação…”, Rm 12: 12. Tiago trata da paciência no sofrimento: “Meus irmãos, tomai como exemplo de paciência os profetas que falaram em nome do Senhor. Ouvistes da paciência de Jó, e vistes o fim que Deus lhe deu?”, Tg 5: 10-11.

Perseverança na justiça de Deus

O leitor é capaz de perceber como que Jesus convergiu todo foco de seu discurso a um dos atributos de seu Pai? “E Deus não fará justiça aos seus escolhidos, que clamam a Ele de dia e de noite, ainda que tardio para com eles?”, v. 7.

Se o injusto juiz atendeu a pobre viúva, quanto mais Deus, cuja base de seu trono é retidão e justiça, Sl 89: 14. Somente Deus é capaz de fazer justiça com retidão e perfeição, porque Ele não pode ser subornado ou aliciado. Ele não faz acepção de pessoas, At 10: 34.

Com Deus não tem nada de mensalão ou mensalinho, máfia das sanguessugas e/ou das ambulâncias. Com Deus é ou não é, vai ou não vai. Para Ele o importante não é o ter, mas o ser: Deus é a favor do necessitado – “Ele faz justiça e julga a todos os oprimidos”, Sl 103: 6.

O homem falha, mas Deus permanece fiel em suas promessas, porque não pode negar-se a si mesmo, 2Tm 2: 13. Ele é o Jeová Raah, que significa nosso pastor Jo 10: 11; Jeová Jireh, nosso provedor, Gn 22: 8; Jeová Raphá, nossa cura, Êx 15: 26; Jeová Shalom, nossa paz, Jz 6: 24; o Jeová Shamá, nossa presença, Ez 11: 22; Jeová Nissi, nossa vitória, Êx 17: 15; e o Jeová Tsidkenu, nossa justiça, Jr 23: 6.

Esses nomes revelam a santidade, a majestade e o poder de Deus. Por isso, você pode descansar na justiça de Deus, porque mais cedo ou mais tarde, Ele virá ao encontro daquele que persevera, pois Deus não é injusto para ficar esquecido de seu trabalho, Hb 6: 10.

A viúva da história relatada por Jesus não desistiu de seu objetivo, mas perseverou e persuadiu o juiz iníquo a julgar o seu adversário. Cumpriu-se o que diz Provérbios 25: 15: “Pela paciência se persuade um príncipe…”. Por isso, construiu uma história de vida.

Para refletir e agir

Para concluir, reflita, com base nos ensinos desta palavra, a respeito da experiência de vida de um homem que: faliu no comércio aos 31 anos de idade; perdeu para deputado estadual aos 32 anos; faliu novamente no comércio aos 34 anos; aos 35 anos, sua esposa faleceu; teve colapso nervoso aos 36 anos; perdeu para prefeito aos 38 anos; perdeu para deputado federal aos 43 anos; perdeu para deputado estadual aos 46 anos; perdeu novamente para deputado federal aos 48 anos; perdeu para senador aos 55 anos; perdeu para vice-presidente aos 56 anos; perdeu novamente para senador aos 58 anos; mas foi eleito presidente dos Estados Unidos da América aos 60 anos.

Esse homem foi ABRAHAM LINCOLN, um dos heróis dos EUA, homenageado nas notas de 5 dólares por suas virtudes.

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Fonte: Jornal Aleluia, abril de 2008

A Pedagogia da motivação bíblica – Outubro/2003

Há momentos na vida cristã ou no ministério,
no trabalho ou nos estudos, na família
ou nos projetos particulares,
em que somos bombardeados
por uma vontade incrível de desistir de tudo.
De sumir, de morrer.

Em meio às aflições e desencorajamento,
precisamos conhecer um pouco
sobre o que vem a ser a motivação
e seus componentes.

Motivação são todos os elementos psicológicos que levam alguém a fazer alguma coisa. Motivação (motivo em ação), segundo o dicionário Aurélio, é o conjunto de fatores psicológicos (conscientes ou inconscientes) de ordem fisiológica, intelectual ou afetiva, os quais agem entre si e determinam a conduta ou o procedimento moral (bom ou mau) de um indivíduo. Geralmente esses motivos são definidos como necessidades, desejos ou impulsos, oriundos do indivíduo, que dirigem ou mantêm o comportamento voltado para o objetivo.

Para Abrahan Maslow, os motivos pelos quais agimos estão organizados em uma hierarquia de necessidades que vão desde os inferiores até os superiores. Essa hierarquia é composta das seguintes necessidades: fisiológicas (fome, sede, sono e repouso), de segurança (estabilidade, ordem), de amor (família, amizade e outras) de estima (auto-respeito, aprovação), de auto-realização (desenvolvimento de capacidade).

De acordo com Falcão, em Psicologia da Aprendizagem, a motivação pode ser intrínseca e extrínseca. Na primeira, o interesse reside na atividade em si (desempenho estimulado pelo interesse na própria tarefa – processo interno). Na extrínseca, a atividade é encarada como meio para alcançar outro objetivo, através de fatores externos que provocam a motivação, como ponto-chave para se alcançar o sucesso.

Há momentos na vida cristã ou no ministério, no trabalho ou nos estudos, na família ou nos projetos particulares, em que somos bombardeados por uma vontade incrível de desistir de tudo. De sumir, de morrer. Em meio às aflições e desencorajamento, precisamos conhecer um pouco sobre o que vem a ser a motivação e seus componentes.

Antes, porém, de Maslow, de Falcão, de Freud e tantos outros psicólogos modernos, Jesus foi quem primeiro ensinou sobre esse assunto. Interessante, Ele nunca estudou psicologia, mas como psicólogo por excelência conhece, por completo, nossas emoções, sentimentos e intenções. Seu olhar clínico é capaz de desvendar os segredos do coração do homem, dando solução para todas as angústias e pavores de sua alma.

Certa feita, momentos antes de sua crucificação, Jesus dirigiu-se aos discípulos e disse-lhes com voz forte e segura: daqui a mais alguns dias estarei partindo, vocês ficarão sozinhos e terão muitos problemas. Lembrem-se: “No mundo tereis aflições, mas tende bom ânimo (motivação), porque eu venci o mundo”, João 16: 33.

Jesus os adverte, mas, ao mesmo tempo, procura entusiasmá-los com palavras de fé e coragem. Na verdade ele estava dizendo: vocês precisam estar cheios de motivo. Vejamos que riqueza de ensinos encontramos no sentido dos verbos contidos no discurso de Jesus.

Jesus previu nossas aflições

Isto pode ser visto em sua afirmação: “tereis aflições”. O mestre estava falando sobre fatos concretos que, após sua partida, haveriam de suceder. Nesse caso, previu a perseguição romana, a morte de Tiago à espada, At 12, a perseguição de Saulo de Tarso contra a igreja do Senhor, At 9, o exilo de João na Ilha de Patmos, Ap 1, e todas as lutas e dificuldades que a igreja haveria de enfrentar.

Então, quando Jesus disse aos seus discípulos e, consequentemente, àqueles que haveriam de crer em seu nome, João 17: 20, que no mundo eles enfrentariam perseguições, lutas, problemas, desafios, crises, doenças, etc., ele estava preparando seus seguidores para esses momentos difíceis e tentando dizer que o ministério ou a vida cristã não consistiria num mar de rosas, mas num ato de fé e coragem, de abnegação e amor ao Senhor em meio às aflições.

Portanto, como homens e mulheres não precisamos nos atemorizar com os problemas que nos afligem, mas estejamos conscientes de que tudo que enfrentamos hoje já estava predito pelo Mestre antes de sua crucificação.

Jesus ordenou a motivação

A expressão “Tende bom ânimo” (o verbo está no imperativo) exprime uma ordem, e não um conselho. Este ponto é fantástico. Vejo aqui a pedagogia da motivação pregada por Jesus, porque estar animado é estar motivado por algo.

O triunfo de Jesus no calvário só aconteceu porque os motivos intrínsecos e extrínsecos o impulsionaram a vencer o martírio da cruz. Sua maior motivação foi trabalhar e fazer com prazer a vontade de seu Pai: “Meu pai trabalha até agora, eu trabalho também”, Jo 5: 17.

Trabalhar com submissão e coragem era o forte de Jesus. E ele fazia isso movido pelos objetivos propostos por Deus: Deixou o esplendor de sua glória, simplesmente para fazer a vontade de Deus e viver entre nós.

Alguém disse que a melhor maneira de se motivar é motivar outrem. Parece que essa mensagem está claramente implícita no discurso de Jesus. Não era ele quem precisava de ânimo, de coragem, de fé e de determinação para morrer na cruz? Então, o que ele faz? Procura motivar seus discípulos, encorajá-los para os momentos ruins, a fim de que recebessem motivação.

Seria como se ele pegasse Pedro ou um dos seus apóstolos pelo braço, desse um solavanco e falasse assim: Olha! Eu estou indo embora, mas nada de derrota, nada de fracasso… Filho, tenha bom ânimo, esteja sempre motivado, porque eu venci o mal. Como é bom saber que Jesus quer que estejamos motivados a cada dia.

Não se desespere, não se estresse por qualquer razão, mas tenha sempre em mente que uma pessoa motivada não desiste facilmente, porque possui em suas mãos uma arma poderosa.

Jesus proclamou nossa vitória

Esse fato pode ser visto no último verbo que denota uma ação passada: “eu venci”. Quer dizer: vós vencestes comigo a guerra do calvário; vós ressuscitastes comigo ao terceiro dia; juntos descemos ao abismo e tomamos as chaves do inferno das mãos de Satanás. Vencemos para sempre!

Jesus está dizendo: a vitória é sua… Erga a cabeça e prossiga em frente. Não retroceda em momento algum. Eu, disse Jesus, já decretei o triunfo de minha igreja ao vencer a morte. Levante-se, desprenda-se e tome posse dos remos e navegue com fé e disposição.

O apóstolo Paulo ponderou os ensinos de Jesus a este respeito e confirmou a realidade da vitória proclamada por ele, antes mesmo de sua morte na cruz: “Bendito seja Deus e pai de nosso Senhor Jesus Cristo, que nos abençoou (ação passada) com toda sorte de bênçãos espirituais nas regiões celestiais em Cristo Jesus”, Ef 1: 3.

A bênção do triunfo sobre a nossa vida já está decretada por Jesus. Ele a promulgou publicamente com o sangue vertido no calvário. Por isso, somos mais que vencedores em Cristo Jesus, Rm 8: 37.

Para refletir e agir

Gostaria de encerrar com estas palavras: “Toda manhã, na África, uma gazela acorda. Ela sabe que precisa correr mais rápido do que o mais rápido leão ou morrerá. Toda manhã, na África, um leão acorda. Ele sabe que precisa ultrapassar a velocidade da gazela mais lenta ou morrerá de fome. Não importa se você é um leão ou uma gazela. Quando o sol nascer, é melhor você estar correndo.”

Em outras palavras, é melhor você estar lutando, trabalhando, estudando, caminhando e prosseguindo em frente, a fim de que todos os seus sonhos sejam concretizados. Seja sempre uma pessoa motivada!

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Fonte: Jornal Aleluia, outubro de 2003

A graça de envelhecer

A vida é um dom de Deus. Pobre de quem não sabe aprender com a sabedoria de seus avós e das pessoas mais idosas. É neste contexto, de celebrar e recordar a vida dos que são sinais de graça, que trazemos em nossa memória e em nosso coração a vida dos 80 anos, que hoje celebramos, do nosso querido e admirado pai, Sr. Pedro Mendes Dutra.

Como é bom e agradável participarmos de mais uma etapa vencida […]. Nem todos envelhecem da mesma forma. Há até mesmo aqueles que nem gostam do termo velho, porque é uma palavra que traz sentido pejorativo. Todavia, não são todos que têm a graça de se tornarem velhos, porque velho é ser sobrevivente de uma batalha, em que o cuidado da vida e a sabedoria de Deus foram armas que fizeram possível celebrar, hoje, uma idade com saúde invejável por todos.

Quem não gostaria de chegar a esta etapa da vida, lúcido, tranqüilo, consciente e amável? ¨Quem envelhece perde o viço, mas não perde o lustro; perde o brilho, mas não perde o calor¨, assim é caracterizada a velhice. Precisamos aprender com a sabedoria e com a fragilidade dos idosos, principalmente daqueles que deram a vida pelo bem da vida de todos.

Envelhecer é uma graça que Deus reservou para aqueles que o amam e amam a vida. Quantas jovens não sabem se guardar e preservar para o futuro. Enveredaram pelos caminhos da morte e da destruição. Envelhecer é uma escolha e muitos escolheram morrer cedo. Não tiveram a esperança, por isso envelheceram e morreram jovens.

Obrigado, pai, pela esperança cultivada neste caminho de 80 anos de vida. A sua alegria é a nossa alegria. A beleza de sua vida não está no brilho de sua pele e nem de seus olhos, mas no testemunho e na fortaleza de luta e de fé que permearam em cada passo do passado e iluminam os passos do futuro.

Que as palavras de Calebe sejam reais em sua vida: ¨Agora pois o Senhor me conservou em vida […] Ainda estou tão forte como no dia em que Moisés me enviou a Cades-Barneia […] Qual era a minha força então, tal ainda é agora, para a guerra, para sair e para entrar¨, Js 14.

Que Deus o abençoe sempre, dando-lhe saúde, paz e muita esperança. Ao eterno Deus, a nossa profunda gratidão por sua vida. Parabéns! De sua esposa, de seus filhos (as), genros e noras, netos (as) e bisnetos (as), irmãos em Cristo, parentes e amigos.

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Adaptado

Teologia do Evangelho – Maio/2011

Uma reflexão bíblico-teológica
sobre os pontos basilares
das boas-novas de salvação

“Porque não me envergonho do evangelho de Cristo,
pois é o poder de Deus para salvação de todo aquele
que nele crê; primeiro do judeu, e também do grego”.
Romanos 1: 16.

Na literatura clássica, a palavra evangelho designava a recompensa dada pela entrega de boas notícias. O evangelho não vem apenas em poder, mas é o próprio poder de Deus. Paulo o reputa como um tesouro sagrado, 1 Timóteo 1: 11 e 15. O termo evangelho provém do grego “evangelion”, que significa, literalmente, “boas-novas”, Marcos 1: 1, 15 e 16: 15.

Para fins práticos, evangelho é o poder de Deus revelado no seu filho, Jesus Cristo; é Deus fazendo missões culturais e transculturais, por meio de seu filho unigênito, João 3: 16; é o verbo que se fez carne e habitou entre nós, João 1. É próprio Jesus encarnado, que morreu e ressuscitou ao 3º dia para consumar a obra da salvação.

O evangelho é o mais fascinante projeto de vida que Deus tem para oferecer à humanidade perdida e condenada. Projeto que reconstrói lares, restaura vidas arruinadas, reintegra o homem à sociedade e o conduz à vida eterna. Ele tem transformado milhares e milhares de pessoas num acontecimento de vida, alegria e esperança, e tem gerado os homens mais humanos da história, dos quais o mundo não era digno.

Por amor e fidelidade ao evangelho de Cristo, homens foram apedrejados, torturados, serrados, desamparados, afligidos, maltratados, tentados, injuriados, mortos a fio da espada, Hebreus 11: 37 e 38. Sem o Evangelho não existiriam os ex-viciados, ex-drogados ex-bandidos, ex-ladrões, ex-alcoólatras, ex-prostitutas, ex-homossexuais, ex-feiticeiros, ex-assassinos, ex-mentirosos, ex-corruptos, ex-condenados, etc.

Somos gratos a Deus pelo evangelho, que tem transformado o mais terrível pecador numa nova criatura em Cristo Jesus, 2 Co 5: 17. Portanto, Evangelho não é invenção humana nem tampouco um conto de fada, mas uma verdade irrefutável, que não pode ser negada e que tem atravessado séculos e mais séculos e chegado até nós.

O apóstolo Paulo, em seu tratado teológico, conforme Romanos 1: 16, trabalha, de maneira bem didática, a riqueza teológica a respeito das verdades incontestáveis sobre o poderoso Evangelho. Nesse tratado, ele pré-estabelece alguns pontos que se tornaram básicos e relevantes para a fé cristã. Senão, vejamos:

Sua origem: Deus

“… é o poder de Deus…”. É importante destacar que o evangelho tem sua origem em Deus, ou seja, ele nasceu no coração de Deus e é tão antigo, se assim podemos dizer, quanto o pecado, Gn 3: 15. Paulo já inicia a carta aos Romanos, capítulo 1.1, afirmando que foi separado para o evangelho de Deus: “Paulo, servo de Jesus Cristo, separado para o evangelho de Deus”.

Evangelho não é algo inventado por algum erudito, nem algo descoberto por algum professor de Teologia. É fato bendito da revelação de Deus. Por isso, a igreja é obra genuína do Evangelho de Deus. Ela, como corpo de Cristo e não como instituição eclesiástica, mas de pessoas lavadas e redimidas pelo sangue de Jesus, só existe por causa do evangelho.

Portanto, ele não é presbiteriano, assembleiano, batista, metodista, pentecostal nem tampouco histórico. As boas-novas de salvação são obra exclusiva de Deus. Sua marca e patente estão registradas nos céus. Não pertencem a nenhuma empresa ou igreja privada. Pelo contrário, à igreja Deus confiou a tarefa de levar o evangelho a toda à criatura, mas não o direito de se apoderar dele, a ponto de querer gerenciá-lo.

Sua força: o poder

“… é o poder…”. Jesus disse: “Mas recebereis poder, ao descer sobre vós o Espírito Santo…”, Atos 1: 8. A palavra poder é, no original, “dynamis”. Dela se derivam três outras na Língua Portuguesa: a) Dinamite, que é um explosivo. O crente cheio do poder do Espírito destrói todas as fortalezas do diabo. B) Dínamo, gerador de energia. O crente cheio do poder do Espírito Santo é um gerador de energia espiritual.

Jesus disse certa feita: “Quem crê em mim, como diz a Escritura, do seu interior fluirão rios de águas vivas”, João 7: 38. c) Dinâmico, que se traduz por movimento, capacidade, eficácia. Em outras palavras, o crente cheio do poder do Espírito Santo é ativo, disposto e enfrenta qualquer desafio no trabalho do Senhor. A Bíblia recomenda que sejamos cheios do Espírito: “… mas enchei-vos do Espírito Santo”, Efésios 5: 18.

Sabem por que as portas do inferno não prevalecem contra a Igreja? Porque ela é movida pelo poder do Espírito Santo, Mateus 16: 18, Atos 1: 8. Nos tempos primitivos o império romano tentou impedir a progresso da igreja, mas não conseguiu. Na idade média ou idade das trevas (séculos V a XV) houve grandes investidas contra a igreja, mas nada pôde detê-la. Ainda hoje, muitas são as investidas de Satanás, mas ela é mais do que vencedora, Romanos 8: 37.

Sua prioridade: a salvação

“… para salvação…”. É importante relembrar que o evangelho nasceu no coração de Deus, e nasceu com um propósito definido por seu criador: trazer salvação ao homem perdido: “Porque o filho do homem veio buscar e salvar o que se havia perdido”, Lucas 19: 10. Não há dúvidas de que a prioridade é a salvação da humanidade. Tudo que fugir desse contexto não é bíblico, mas humano.

Portanto, cremos no Jesus (evangelho) que cura, soluciona problemas, derrama bênçãos sobre o seu, dá prosperidade espiritual e material, abre portas e faz tudo o que for necessário para os que nele confiam. Tudo isso é bom e bíblico, mas não se constitui na essência do objetivo primeiro do evangelho, que é proporcionar ao pecador a vida eterna. Por isso, a igreja não pode perder o sentido dessa verdade.

Os pregadores da atualidade precisam expor a mensagem do arrependimento e da fé, elementos essenciais no processo da conversão. O arrependimento para remissão de pecados foi a contundente mensagem pregada por João Batista no deserto, por Jesus, por ocasião de seu ministério na terra, pelos os discípulos e pelo apóstolo Paulo: “Arrependei-vos e crede no evangelho”. Há de se considerar que o discurso teológico (evangelho) precisa ser contextualizado, mas não pode perder sua essência e beleza bíblica e ungida.

Sua extensão: o mundo

O texto diz: “… de todo aquele…”. Isso nos leva a pensar na universalidade ou expansão das boas novas de salvação, ou seja, o evangelho não nasceu apenas para os judeus, mas para todo aquele que crer em Jesus, primeiro do judeu e também do grego, João 1: 11. Na Grande Comissão, Jesus disse: “Portanto, ide e fazei discípulos de todas as nações…”, Mateus 28: 19. Ele ainda ordenou: “E este evangelho do reino será pregado em todo o mundo, em testemunho a todas as nações, e então virá o fim”, Mateus 24: 14.

Vale ressaltar que o termo nações neste texto não se refere, necessariamente, às nações politicamente organizadas, mas às etnias ou povos. Uma etnia, por exemplo, é um grupo (povo) que se distingue de outro grupo humano por sua língua e cultura distintas, isto é, costumes, crenças, valores. No Brasil, por exemplo, existem, além dos indígenas, muitas etnias formadas por imigrantes. Os povos da janela 10×40 são etnias que precisam ser alcançadas. Pregar o evangelho a todas as etnias é a missão que Deus incumbiu à igreja na face da terra.

Por isso, não há limites para se pregar o evangelho. Efésios 3: 18 fala das dimensões ou do alcance do evangelho (amor) de Deus: largura: todas as nações e classes de pessoas; extensão: todos os tempos; altura: sua divindade e onipotência; profundidade: a ação poderosa do evangelho, que desce ao abismo do pecado e tira de lá o mais vil pecador. O apóstolo João contemplou em sua visão uma grande multidão (etnias) que fora alcançada pelo evangelho de Deus: “… vi uma grande multidão, que ninguém podia contar, de todas as nações, tribos, povos e línguas, que estavam diante do torno, e do cordeiro…”, Apocalipse 7: 9.

Sua condição: a fé

Aqui está o ponto final do tratado teológico do apóstolo Paulo: “… aquele que crê…”. Observe bem o leitor que a única coisa que o pecador precisa fazer para receber o evangelho da salvação é ter fé em Jesus. No verso 17, o apóstolo autentica sua teologia ao afirmar: “Por que nele se descobre a justiça de Deus de fé em fé. Como está escrito: mas o justo viverá da fé”. Crer é a porta de recepção ao evangelho. Para receber as boas novas da salvação e mudar de vida não é preciso ter dinheiro, status, posição, fazer boas obras, etc.

Mas é preciso tão-somente crer que Jesus é capaz de transformar a humanidade perdida. O interessante é que ele tem, de fato, alcançado todos os tipos de pessoas e todas elas praticam o mesmo ato: apenas creem no evangelho transformador. Este ponto basilar da teologia paulina encontra forte amparo na carta escrita aos efésios: “Pela graça sois salvos, por meio da fé; isto não vem de vós, é dom de Deus. Não vem das obras para que ninguém se glorie.”, 2: 8.

Portanto, o evangelho é o poder de Deus, que salva por meio da fé: “Se com a tua boca confessares ao Senhor Jesus, e em teu coração creres que Deus o ressuscitou dos mortos, serás salvo”, Romanos 10: 9. Os pecadores se convertem ao Senhor Jesus unicamente por meio da fé, ouvindo a mensagem do evangelho: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra (evangelho) de Deus”. Não há outra forma ou mágica de salvação. Basta, simplesmente, crer em Jesus. Todas as demais coisas surgem como resultado deste ato.

Diante dessas considerações, gostaria de relembrar, segundo alguns escritores, algumas diferenças peculiares entre evangelho e religião:

“A religião é obra do homem; mas o evangelho é obra de Deus;

A religião é constituída de ponto de vista; o evangelho de boas notícias;

A religião traz bons conselhos; o evangelho, uma poderosa proclamação;

A religião é o que o homem faz por Deus; o evangelho é o que Deus faz pelo homem;

A religião é o homem em busca de Deus; o evangelho é Deus em busca do homem;

A religião é o homem subindo a escada da justiça própria; o evangelho é Deus descendo a escada da encarnação para se encontrar com o homem no 1º degrau;

A religião toma o homem e o deixa como está; o evangelho toma o homem como está e o deixa transformado;

A religião promove uma reforma exterior e hipócrita; o evangelho efetua uma mudança interior;

A religião passa uma caiação; o evangelho limpa, alveja e dá um novo coração;

A religião diz: alcance; o evangelho diz: obtenha;

A religião diz: tente; o evangelho diz: receba;

A religião diz: esforça-te; o evangelho afirma: confia no Senhor;

A religião diz: desenvolva-se a si mesmo; o evangelho diz: negue-se a si mesmo;

A religião diz: salve-se; o evangelho entregue-se a Jesus;

Existem muitas religiões, mas um só evangelho”. Por isso, Paulo está cheio de razão em dizer: “Não me envergonho do evangelho…, pois é o poder de Deus para salvação…”.

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Fonte: Sermão pregado aos alunos do Curso de Teologia do SPR de Cianorte e do CESUMAR,
Maringá, em 2009. Jornal Aleluia, maio de 2011

Independência ou Morte! O grito de liberdade ecoado na cruz do Calvário – setembro de 2016

“Ouviram do Ipiranga as margens plácidas

De um povo heroico o brado retumbante,

E o sol da liberdade, em raios fúlgidos,

Brilhou no céu da pátria nesse instante.

Se o penhor dessa igualdade

Conseguimos conquistar com braço forte,

Em teu seio, ó Liberdade,

Desafia o nosso peito a própria morte! […]”

A Independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marca o fim do domínio português e a conquista da autonomia política. Muitas tentativas anteriores ocorreram e muitas pessoas morreram na luta por este ideal. O caso mais conhecido é o de Tiradentes, executado pela Coroa portuguesa por defender a liberdade de nosso país, durante o processo da Inconfidência Mineira. Em 9 de janeiro de 1822, D. Pedro recebeu uma carta da Corte de Lisboa, exigindo seu retorno para Portugal.

Há tempos os portugueses insistiam nessa ideia, pois pretendiam recolonizar o Brasil, e a presença de D. Pedro impedia esse ideal. D. Pedro, porém, respondeu negativamente aos chamados de Portugal e proclamou: “Se é para o bem de todos e felicidade geral da nação, diga ao povo que fico”. Após o Dia do Fico, D. Pedro tomou uma série de medidas que desagradaram a metrópole, pois preparavam caminho para a independência do Brasil. D. Pedro convocou uma Assembleia Constituinte, organizou a Marinha de Guerra e obrigou as tropas de Portugal a voltarem para o reino.

Determinou também que nenhuma lei de Portugal seria colocada em vigor sem o “cumpra-se”, ou seja, sem a sua aprovação. Além disso, o futuro imperador do Brasil, conclamava o povo a lutar pela independência. O príncipe fez uma rápida viagem a Minas Gerais e a São Paulo para acalmar setores da sociedade que estavam preocupados com os últimos acontecimentos, pois acreditavam que tudo isso poderia ocasionar uma desestabilização social. Durante a viagem, D. Pedro recebeu uma nova carta de Portugal que anulava a Assembleia Constituinte e exigia a volta imediata dele para a metrópole.

Essas notícias chegaram às mãos de D. Pedro quando estava em viagem de Santos para São Paulo. Próximo ao riacho do Ipiranga, levantou a espada e gritou: “Independência ou Morte!”. Este fato ocorreu no dia 7 de setembro de 1822 e marcou a Independência do Brasil. No mês de dezembro de 1822, D. Pedro foi declarado imperador do Brasil. Os primeiros países que reconheceram a independência do Brasil foram os Estados Unidos e o México. Portugal exigiu do Brasil o pagamento de 2 milhões de libras esterlinas para reconhecer a independência de sua ex-colônia. D. Pedro recorreu a empréstimo da Inglaterra para pagar a independência brasileira.
(Fonte: http://www.suapesquisa.com/independencia).

Surge então uma pergunta: quais as lições prático-pedagógicas extraídas desse marco histórico que completa 194 anos? Como cristãos, o que podemos aprender com esse dia cívico-político? Verdade é que todo acontecimento, de qualquer espécie, tem sempre uma lição de casa a nos transmitir, ainda mais quando se trata de fatos que podemos relacionar às verdades bíblicas.

LIÇÃO 1: O ato da independência do Brasil leva-nos a refletir sobre o momento da independência da humanidade proclamada por Cristo na cruz do Calvário, séculos antes de D. Pedro. Enquanto esse imperador proclamou a independência do Brasil com um grito e uma espada, junto ao rio Ipiranga, SP, rebelando-se contra a ordem vinda de Portugal, num ato legítimo de guerra, Jesus, transpassado por uma espada, bradou lá no Calvário: Independência ou morte. Ou seja, ele estava morrendo pela independência de toda a humanidade: “Pai, nas tuas mãos entrego o meu espírito, está tudo consumado” (Lc 23:46).

LIÇÃO 2: O ato de independência do Brasil por D. Pedro foi a favor da nação brasileira, ou seja, uma atitude local, militar e governamental, que não envolvia valores espirituais, como a alma do brasileiro. O ato de independência proclamado por Jesus envolveu toda a humanidade, todo aquele que nele crê, visando livrar os pecadores da condenação eterna. Neste aspecto, Jesus morreu pela humanidade, enquanto D. Pedro não morreu pelos brasileiros quando bradou às margens do rio Ipiranga: Independência ou morte!

LIÇÃO 3: O ato de independência e liberdade custou ao Brasil 2 milhões de libras esterlinas. D. Pedro precisou recorrer à Inglaterra e buscar empréstimos para pagar a Colônia Portuguesa. Com isso, o Brasil passou a ser um país independente, mas devedor. O preço pago por Jesus para dizer “independência ou morte” foi o seu próprio sangue, derramado na cruz (1Pe 1:19). Ele não precisou pegar empréstimo de ninguém, mas humilhou-se até a morte e morte de cruz (Fp 2:5-11). Estávamos em dívida com Deus, mas agora tudo está pago.

LIÇÃO 4: D. Pedro, apesar de ter sido uma autoridade política muito importante para os brasileiros, foi um homem falho e mortal. Está sepultado, aguardando, juntamente com todos os mortos, o juízo final. Nessa ocasião, uns ressuscitarão para a vida eterna e outros para a vergonha eterna (Dn 12:2 e Ap 21:11-15). Jesus, por sua vez, morreu e foi sepultado, mas ressuscitou ao terceiro dia (1Co 15:4). A morte, o inferno, Satanás e os demônios não puderam nem celebrar a morte de Jesus, porque no terceiro dia ele ressurgiu dentre os mortos (Mt 28:6).

LIÇÃO 5: O grito de independência do Brasil é um dos fatos históricos mais importantes de nosso país, pois marcou o fim do domínio português e a conquista da autonomia política brasileira. Segundo a história, muitos morreram por essa causa, em nome de uma liberdade terrena. A morte de Jesus, por sua vez, é o marco mais relevante de todos os tempos, pois Cristo conquistou na cruz a liberdade espiritual da humanidade, que caminhava a passos largos para o inferno, dando-lhe a oportunidade de se livrar da morte eterna. Jesus morreu a nossa morte por esse ideal.

LIÇÃO 6: O Brasil completa, no dia 7 de setembro de 2016, quase dois séculos de independência política. Historicamente, é uma data para não ser esquecida, jamais. No entanto, o país continua escravo de uma economia instável e insustentável, deixando os brasileiros aterrorizados. O governo de D. Pedro passou, como tantos outros. O governo de Jesus jamais passará, pois é eterno. Diz a Bíblia que os salvos irão governar com Cristo nesta terra, por ocasião do milênio e, depois, estarão para sempre com Jesus nos céus (Is 60:10-15, Zc 14: 9, 1Ts 4:16-17).

LIÇÃO 7: O dia 7 de setembro será sempre um momento cívico-espiritual para que as igrejas possam orar, jejuar e se consagrar com mais intensidade pelo Brasil, levantando nesse dia mãos santas e suplicando as misericórdias do Senhor (Sl 15, Lm 3:30, 1Tm 2:1-4). É um dia que nos desafia a sairmos às ruas (das regiões celestiais) e protestarmos, ajoelhados e humilhados perante o Senhor, em oração contrita, contra toda a corrupção, mentiras e falcatruas que têm dominado quase todos os setores da política brasileira (Ef 6:10-18.) Que Deus abençoe, proteja e salve o Brasil!

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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2016

Debaixo dos alpendres – Novembro/1991

Anunciar o que Cristo faz em nós e por nós
é um fator importante para nossa vida cristã.

Nossa conversão deve ser transmitida ao mundo,
pois somos a luz do mundo e o sal da terra
.
João 5: 1 a 15

Havia em Jerusalém um tanque chamado Betesda. “Betesda” em hebraico significa “casa da graça” ou “misericórdia”. De certo tempo descia um anjo do Senhor e agitava suas águas. O primeiro que entrasse no tanque após o movimentar das águas seria curado de qualquer enfermidade, Jo. 5: 4.

Junto ao tanque havia cinco alpendres (teto suspenso por colunas ou pilastras), sob os quais ficavam os enfermos, aguardando o movimento as águas. O texto de Jo 5: 1-5 relata a cura de um paralítico que ali estava havia muito tempo. Porém, não conseguia entrar no tanque porque sempre outro o fazia antes dele, Jesus veio e o curou.

Essa história retrata a nossa vida. À semelhança dos enfermos que permaneciam debaixo dos alpendres, aguardando a descida do anjo e o movimentar das águas, nós também devemos ficar sob alguns alpendres, aguardando a ação poderosa de Deus em nossas vidas. Vejamos:


O alpendre da esperança

Todos os enfermos que o texto relata ficavam na expectativa da cura que desejavam, (v. 3). No verso 7, o paralítico revela a esperança que trazia dentro de si, pois carregava consigo tal enfermidade ao longo de 38 anos, (v. 5). Mesmo não tendo ninguém que o ajudasse a descer ao tanque, por ocasião do movimento das águas, a esperança era a voz nítida que lhe dizia sempre: “um dia eu serei curado”. E isso aconteceu, (v.9).

Enquanto existe esperança há possibilidade de se alcançar o alvo. O Salmo 119: 116 diz: “… não permitas que a minha esperança me envergonhe”. Quantos já foram envergonhados porque perderam a esperança! Todas as lutas que enfrentamos em nosso dia a dia devem nos proporcionar esperança, Rm 5: 3 e 4. Sobre todas as coisas, devemos ter esperança de que Cristo vai voltar e buscar a sua igreja.


O alpendre da santificação

Não se sabia quando o anjo desceria para tocar as águas. Isto poderia ocorrer a qualquer momento, (v. 4). Os enfermos deveriam permanecer ali até que isso acontecesse. Por isso, viviam juntos aos alpendres, naturalmente, separados da sociedade e familiares. O enfermo que ficasse em sua casa não contemplaria o anjo descendo para tocar as águas e tampouco teria o privilégio de ser o “primeiro” da fila de espera. Estavam separados do convívio social maior.

Podemos aplicar isso a “santificação”, “dedicação” e “serviço”. Cada enfermo que deseja a cura dedica seu tempo à espera da melhora. Não podemos reivindicar as promessas de Deus sem que nos dediquemos à sua causa. Santificação é buscar, “em primeiro lugar” o reino de Deus e sua justiça para que as demais coisas nos sejam acrescentadas, Mt. 6: 33. A igreja deve permanecer debaixo do alpendre da santificação até que Cristo venha. Caso contrário ela não verá a Deus, B 12: 14.

O alpendre da oração

“Queres ficar são?” foi a pergunta de Jesus ao paralítico. Ele respondeu: “senhor, não tenho homem algum que, quando a água é agitada, me meta no tanque; mas, enquanto vou, desce outro antes de mim”, (v.7). Aqui está um lindo modelo de sincera e profunda oração. Orar é conversar com Deus e mostrar a Ele a nossa necessidade. Isso fez o paralítico: “não tenho ninguém que me ajude”. A seguir, ele recebe a cura dada por Jesus, (v.9)

Ninguém pode negar a “força” da oração feita por um justo, Tg 5: 16. A oração é como as asas de um avião: sem elas não se consegue voar. Viver debaixo do alpendre da oração não tem sido uma missão muito fácil, mas, no entanto, é uma necessidade da Igreja de Jesus. Sem oração a igreja se torna dormente, fria e desfalecida. Mas quando há oração, existe força, avivamento, desprendimento e liberdade para fazer a vontade de Deus.


O alpendre da fé

A fé foi um dos elementos principais na ministração da cura do paralítico. Ele creu na palavra de Jesus: “levanta-te, toma a tua cama, e anda”. Imediatamente ele ficou são, (v.9). A fé é essencial na vida cristã: “Sem fé é impossível agradar a Deus”, Hb 11:6. Ela possui importância fundamental na solução dos problemas da vida.

A vida cristã exige que a fé se desenvolva constantemente, pois os desafios que enfrentamos são também constantes. Quando Cristo vier, Ele quer nos encontrar cheios de fé, Lc 18: 8. Não apenas cheios de fé para sermos curados ou termos nossos problemas resolvidos, mas cheios de fé para vencer o mundo, I Jo 5: 4. O alpendre protege a entrada da casa e dá segurança às pessoas. Assim também é a fé. Ela nos protege contra as astutas ciladas do diabo e nos dá toda segurança em Deus.
O alpendre do testemunho

Após ter recebido o milagre em sua vida, o verso 15 confirma que: “O paralítico foi e anunciou aos judeus que Jesus era o que curava”. Anunciar o que Cristo faz em que nós é um fator importante em nossa vida cristã. Nossa conversão deve ser transmitida ao mundo, pois somos a luz do mundo e o sal da terra, Mt 5: 13,14.

Testemunhar de Jesus é uma questão de convicção cristã. Hoje, muitos já não fazem mais isto. Fomos salvos para testemunhar: “Mas recebereis a virtude do Espírito Santos, que há de vir sobre vós; e ser-me-eis testemunhas, tanto em Jerusalém com em toda a Judéia e Samaria, e até os confins da terra”, (At. 1: 8).

Conclusão

Viver debaixo dos cinco alpendres é algo desafiante, principalmente nos dias em que vivemos. Não se ausente deles, permaneça protegido por eles até que o Espírito mova as barreiras e Jesus desça para arrebatar a sua Igreja.

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Fonte: Jornal Aleluia 149, novembro de 1991

Entrevista – Panorama da IPRB em 2002 Somos parte significativa da Igreja do Senhor Entrevistado: Pr. Advanir Alves Ferreira – Julho 2002

Entrevista concedida
pelo Pastor Advanir Alves Ferreira,
presidente da IPRB,
ao pastor Émerson Garcia Dutra, titular
da Secretaria Central da IPRB

PANORAMA DA IPRB EM 2002

A igreja evangélica vem se consolidando no Brasil de uma forma gradativa e constante. Informações do último Censo apontam que os evangélicos cresceram 70,7% nessa última década. Ficamos felizes porque a IPRB tem sua participação nesse crescimento, pois nesses últimos 10 anos seu número de membros multiplicou-se. Esse resultado evidencia a boa aceitação de sua linha doutrinária e de seu trabalho social.

O crescimento revela que sua membresia foi conquistada em razão de sua mensagem libertadora, pregada através de um evangelismo dinâmico. E revela ainda mais: que a Igreja Renovada tem estrutura suficiente para continuar crescendo, servindo ao povo brasileiro, às famílias em conflitos, aos desesperançados, levando-lhes a autêntica e bíblica mensagem de Jesus.

No 3º domingo de julho, a IPRB estará louvando e agradecendo ao Senhor pelos 27 anos de sua organização. São quase três décadas de um árduo e constante trabalho em busca dos pecadores para o reino de Deus. Nesse período, surgiram muitas barreiras que tentaram impedir a marcha da Igreja, mas nem por isso ela estagnou-se. Pelo contrário, a Renovada vem demonstrando, ao passar dos anos, que não é apenas mais uma igreja evangélica neste país, mas, na verdade, é uma Igreja que tem procurado dar uma contribuição positiva para a melhoria de vida material e espiritual de nosso povo, Mt 5: 13-14.

Aproveitando o momento desta festiva data, quando todas as IPRs estarão tributando ao Senhor louvor e adoração por mais um ano de vitórias, o leitor terá a oportunidade, através desta entrevista elaborada pela Secretaria Central (SC), de saber o que pensa o presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, e o que ele tem a dizer aos membros, às lideranças e aos pastores da Igreja.

SC: Como está sendo o relacionamento
da IPRB com as demais igrejas
evangélicas no Brasil?

Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus – O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado em nosso meio.

SC: O que poderia ser feito
para que as igrejas evangélicas
se tornassem mais unidas?

Presidente: É possível ser a Igreja de Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo conhecido, Jo 17: 21.

SC: Como o Senhor avaliou
o resultado do Censo
sobre o crescimento dos evangélicos?

Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação. A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se converterão e os milagres serão uma conseqüência dessa bênção.

SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira será o celeiro
de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?

Presidente: Creio que sim. O brasileiro é sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.

SC: Como o irmão avaliaria
a IPRB após as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembléia?

Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus disse: “santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”, Jo 17: 17. Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.

SC: Com isso, a Igreja
tem-se demonstrado
madura e compromissada com o reino?

Presidente: Tudo indica que sim. A própria Assembléia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou maturidade e firmeza por parte das lideranças. Tenho visitado Presbitérios e visto que as igrejas estão alegres, firmes e preocupadas com a evangelização de vidas.

SC: Considerando estes 27 anos
de organização, pode-se afirmar
que a IPRB é uma Igreja estruturada?

Presidente: Claro que sim. Somos uma igreja equipada. Temos dois Seminários, que se empenham na formação de obreiros com bom nível cultural e espiritual; uma Editora que vem produzindo obras de qualidade, o jornal que serve como instrumento para amalgamar a denominação, as Revistas de EBD, que oferecem segurança doutrinária para a Igreja e todo tipo de material para as secretarias. Na área de missões, a Missão Priscila e Áquila tem realizado excelente trabalho.

A Renovada é hoje uma igreja reconhecida e conceituada. No dia 28 de fevereiro deste ano, por exemplo, a Câmara de Deputados de Brasília homenageou a IPRB por seus 27 anos de organização no Brasil. Neste ano recebemos a visita de líderes da Knox Fellowship, um grupo de renovação da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, voltado ao treinamento para evangelismo e discipulado de Igrejas locais e presbitérios, que se mostraram interessados em estreitar relações com a IPRB e já nos convidaram para participar de reunião da Diretoria da Knox nos Estados Unidos, o que faremos no próximo mês de agosto.

SC: Quais os projetos
para o crescimento da denominação?

Presidente: A Diretoria Executiva, em sua última reunião, lançou um projeto que envolve todos os presbitérios, instituições, pastores e lideranças da IPRB. Esse planejamento que visa ao crescimento e à dinamização das igrejas precisa ser levado a sério. Agir como a igreja dos tempos primitivos, ou aquela que não esteja enclausurada entre quatro paredes deve ser o sonho de cada pastor ou liderança. Uma estratégia forte que a Igreja Primitiva aplicava eram as reuniões de casa em casa. Ainda hoje, essa estratégia, que tem recebido os mais diversos nomes, poderá ser o ponto chave de crescimento da obra de Deus.

SC: O que cada igreja
ou cada Presbitério poderia fazer
para que a IPRB se tornasse mais contextualizada?

Presidente: Poderia procurar servir-se mais dos avanços tecnológicos atuais, sem perder de vista os princípios da Palavra de Deus. Embora não sejam indispensáveis, são fundamentais como estratégia auxiliar de trabalho. Como pode o pastor trabalhar sem um veículo? Já imaginaram o que o apóstolo Paulo faria se tivesse em seu escritório um computador, na igreja os equipamentos de som, os meios de comunicação, ou se tivesse ao seu alcance os recursos que temos hoje? A Igreja dos primeiros séculos não possuía nada disso, mas mesmo assim fez muito para o reino de Deus. Não há dúvidas de que as nossas igrejas precisam se contextualizar e trabalhar sem se contaminar com o mundo.

SC: O irmão tem enfatizado
em suas mensagens a necessidade
de um reavivamento espiritual. Por quê?

Presidente: Prego e continuarei pregando a necessidade de um reavivamento espiritual legítimo e completo. Essa é a mensagem da Renovada. Prego porque acredito que somente através dele a igreja será despertada. E haverá desprendimento, vida com Deus e santificação. Uma verdadeira vida de oração e comunhão só será alcançada quando isso acontecer. Todo partidarismo, divisão e falta de amor serão desfeitos com essa bênção. Devemos desejar esse derramar e rogar ao Senhor para que esse dia chegue logo. A IPRB será outra quando isso acontecer.

SC: Tem uma palavra
para a Igreja Renovada nesta data?

Presidente: Desejo que nesse dia, 3º domingo de julho, sejamos imensamente gratos a Deus e nos tornemos mais próximos do Senhor. Lembremos sempre de que a Renovada é fruto da vontade de Deus, e não da vontade do homem. Vamos unir nossas forças e deixar um pouco as críticas ferinas de lado. Nas cidades onde há mais de uma Igreja, procurem irmanar-se, trabalhar juntos. Façam isso em nome de Jesus. Procurem realizar com amor a obra de Deus. Fiquemos com as palavras do apóstolo Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade”, Fl 2: 3.

Maringá, julho de 2002

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002

Queremos avivamento – Outubro/2015

O que estamos falando e fazendo
para termos um real avivamento?

Qual tem sido sua contribuição pessoal
para que o avivamento se instale
e permaneça em sua vida e em sua igreja?

Constantemente tenho ouvido, tanto de membros quanto de pastores, um clamor por avivamento. Segundo o dicionário Silveira Bueno, “avivado” significa “atiçado, reanimado, realçado, restaurado”. Tenho percebido que o avivamento é uma necessidade para a igreja. Vejamos algumas razões:

Por que precisamos crer no avivamento?

a) Porque é triste para o pastor pregar uma mensagem, quando ele mesmo está em dúvida se a mensagem pregada veio do coração de Deus ou do próprio coração.

b) Porque é triste para o pastor dirigir-se para o templo desmotivado, desanimado e entregar uma mensagem em que o resultado não foi de jejum, oração e leitura da Bíblia. Mas baseada no último problema enfrentado ou, às vezes, usando um texto como pretexto para pôr para fora mágoas do próprio coração.

c) Porque é triste para o pastor perceber que seus ouvintes não estão sendo alimentados com as mensagens pregadas.

d) Porque é triste para o pastor perceber que o povo entra e sai vazio dos cultos.

e) Porque é duro para o povo estar presente em tantas reuniões, sem ter uma só experiência com Deus.

Realmente, diante de um quadro assim, é preciso avivamento.

Depois de terem experimentado este poder, esta ação poderosa do Espírito Santo, At 2: 1-4, os apóstolos não mais abriram mão da vida de oração e do contato diário com as Escrituras, At 6: 4. Muitas vezes pensamos que a correria do dia-a-dia é que vai levar nossa igreja a crescer, porém de nada adiantará estar aqui ou acolá sem tirarmos tempo para uma íntima comunhão com o Espírito Santo e com a Palavra de Deus.

A correria produzirá cansaço e mensagens fracas, mas quando paramos para ouvir Deus, para falarmos com Deus, teremos uma palavra ungida para respondermos a todos sobre nossa esperança.

Por que precisamos de avivamento?

Por que é bom lembrar que as multidões seguiam Jesus sempre à procura de um milagre, à procura de sinais, Mc 6: 55-56. Hoje não é diferente. Multidões têm ido aos templos procurando remédio para sua dor, o bálsamo para sua alma, amor, carinho e compreensão. Mas o que têm encontrado?

Muitas vezes encontram mensagens fracas e vazias, púlpitos sem fogo, crentes indiferentes, criticas ao próximo, liturgia sem vida e cansativa e, por vezes, ouvimos reclamações dos crentes dizendo: “Por que as pessoas entram em nossa igreja e não se convertem? Por que nossa igreja não cresce?”

Isto acontece porque falta poder na igreja. Deus que salvar, transformar, curar, realizar sinais e maravilhas, mas não tem encontrado no meio de muitos dos seus um lugar para agir. Muitos cristãos deixam a obra de Deus em segundo plano, colocando em primeiro lugar, em suas vidas, o ter, o possuir, o comprar e vender, esquecendo-se de dar primazia às questões do reino de Deus. Assim, a igreja caminha a passos lentos, enfraquecida, quando a Bíblia diz que Deus tem para a igreja uma vida mais que abundante.

Por que o avivamento não vem?

O avivamento não vem porque os que falam de avivamento só o fazem dentro do templo. A doutrina do batismo com Espírito Santo está esquecida em muitos púlpitos. Muitas vezes tem-se levado a igreja para o lazer, para comemorações, para diversões, ao invés de levá-la para perto de Deus. Embora o lazer seja necessário, o que leva uma igreja a ser triunfante e crescente é a ação poderosa do Espírito Santo.

Sabemos que Deus espera de nós uma busca incessante como prova de que realmente queremos o avivamento, Mt 7: 7-8. É fácil saber quando, de fato, queremos alguma coisa. Exemplo:

– Se desejarmos adquirir um veículo, falamos de carro a toda hora. Lemos sobre carro, perguntamos sobre marcas de carros. Observamos os carros à nossa volta, vamos às revendedoras de carros, etc. Tudo isso porque queremos um carro.

Temos agido assim em relação ao Espírito Santo? Em relação ao avivamento? Embora eu fosse bem garoto na época, me lembro do grande avivamento dos anos 60. O país estava passando por um momento difícil. O golpe militar parou o Brasil. Naquele momento só existiam duas classes sociais: a rica e a pobre. Via-se alguém de calça jeans, era o rico, porque os pobres normalmente vestiam roupas remendadas.

Nesse clima, a igreja só via esperança em Deus. Então passou a buscá-lo incessantemente. Em Belo Horizonte, as denominações deixaram de lado suas diferenças e alugaram o andar de um prédio, no centro da cidade, só para oração. Lembro-me de que meu pai, presbítero Bartolomeu, junto com muitos outros irmãos, após um dia estafante de serviço pesado e de se alimentar mal, ao invés de ir para casa, iam direto para o lugar de oração. Passavam a noite gemendo e chorando diante de Deus, pedindo poder e unção e só se alimentavam na tarde do dia seguinte, porque queriam um avivamento.

O resultado dessa devoção foi o surgimento de grandes pregadores, de igrejas fortes e abençoadas, e os frutos destes trabalhos estamos colhendo e vivenciando até hoje. É preciso falar, buscar, clamar, desejar este avivamento todo dia. Em casa, no carro, no trabalho, no templo, no púlpito, andando, trabalhando. Não se trata de pensamento positivo, mas de um desejo ardente de ter uma profunda experiência com Deus.

Deus quer avivar o seu povo

Deus quer dinamizar o seu povo, realçar, restaurar, atiçar, porém tem encontrado corações mais voltados para as questões desse mundo do que para as coisas de Deus. Há cristãos que se envergonham do Evangelho de Jesus Cristo.

Lemos no livro de Atos dos Apóstolos que os primeiros cristãos tinham prazer e alegria em confessar sua fé e pregavam o Evangelho de Jesus com ousadia em todo lugar. O assunto da igreja era Jesus Cristo, o ex-crucificado. Percebemos que o assunto de boa parte do povo de Deus, nos dias atuais, é:

– Pescaria, o tamanho do último peixe fisgado. Ou o esporte. Qual time ou jogador é melhor? Que técnico é melhor? Quem vai ser campeão? Etc. Há obreiros deixando os templos fechados em dia de determinados jogos. É um absurdo! Temos de nos aproximar de Deus e não do mundo.

Creio que temos assuntos melhores, mais edificantes, mais produtivos para o reino de Deus. Tem de haver diferença entre a igreja e o mundo. O mundo caminha para o abismo, enquanto a igreja caminha para o céu. Os ímpios, em suas orgias, não fazem qualquer comentário positivo sobre o reino de Deus, mas vejo cristãos em nossos ajuntamentos falarem positivamente do que é próprio do reino das trevas.

É hora de despertarmos, de dedicarmos mais tempo para as questões de Deus, de buscarmos com mais interesse as coisas do Senhor. Ele quer fazer grandes obras entre nós e nós somos a boca, as mãos e os pés de Deus neste mundo. Ele precisa contar com sua igreja. Somos responsáveis pela expansão do reino de Deus.

Despertemos, sejamos crentes avivados e voltados para os interesses mais altos do reino de Deus.

Por Jesus e pela Renovada.

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Fonte: Jornal Aleluia de maio de 2005

Igrejas Pentecostais no Brasil – Revista EBD Aleluia, 69, Lição 16

Que denominações surgiram
no século XX, no Brasil?
Que dados históricos temos sobre elas?

Igrejas pentecostais

O termo pentecostal deriva-se da palavra Pentecostes. Entre os judeus, era a segunda das três grandes festas anuais a que todo o povo devia comparecer. Era chamada de Pentecostes porque era observada no quinquagésimo dia depois do segundo dia da Páscoa.

A festa do Pentecostes era também conhecida como a festa das semanas, porque observava sete semanas depois da Páscoa, Dt 16: 9. Também se denominava festa das primícias, Êx 23: 16; Nm 28: 26.

Os grupos pentecostais têm apresentado grande crescimento no Brasil. São unânimes quanto às doutrinas cristãs básicas, tais como: pecado original, penas eternas, salvação pela fé, escatologia, santificação. Além disso, têm alguns traços característicos:

Ênfase à doutrina do batismo com o Espírito Santo.

Ensino de que os dons são para hoje e não apenas para a igreja do primeiro século, Mc 16: 17-18.

Aproveitamento do leigo na igreja.

Liturgia informal, com oportunidades para testemunhos, cânticos acompanhados por palmas.

Aceitação da escatologia dispensacionalista, segundo a qual a Igreja não passa pela Grande Tribulação e a vinda de Jesus será em duas fases distintas.

Ênfase à doutrina bíblica da santificação, Ef 4: 13.

Algumas igrejas são rigorosas nos usos e costumes.

1. Assembleia de Deus. Foi fundada por dois jovens, Daniel Berg e Gunnar Vingren, que haviam emigrado da Suécia para os Estados Unidos. Em Chicago, participaram de uma convenção pentecostal. Os dois operários suecos receberam de Deus uma chamada especial para o Brasil. Chegaram a Belém do Pará no dia 19 de novembro de 1910. Congregaram na igreja Batista, mas suas ideias pentecostais não foram aceitas. Afastaram-se e fundaram a igreja Assembleia de Deus, em junho de 1911. Essa denominação é hoje a maior Igreja pentecostal do Brasil. Creem os assembleianos que o falar em línguas é o sinal do batismo com o Espírito Santo.

2. Igreja do Evangelho Quadrangular no Brasil. Foi fundada em 1951 pelo missionário Harold Willians, na cidade de Poços de Caldas. Em 1952 a igreja chegava a São Paulo, através de campanhas evangelísticas no bairro do Cambuci, que logo passaram a ser realizadas numa tenda. A partir daí o movimento cresceu, as tendas saíram peregrinando pelo país numa onda contagiante e cada tenda era a certeza da implantação de uma nova igreja.

3. Igreja Pentecostal Brasil para Cristo. Foi fundada em 1956 por Manoel de Melo, ex-membro das Assembleias de Deus e consagrado pastor pela Igreja do Ev. Quadrangular. Era dono de um grande carisma. Manteve vários programas radiofônicos que foram um meio eficiente para a expansão da igreja.

4. Igreja Pentecostal Deus é Amor. Foi fundada no dia 3 de junho de 1962, pelo missionário David Martins Miranda. Chegou a 8.140 igrejas locais, espalhadas pelo Brasil e mais em 136 países.

5. Congregação Cristã. Foi fundada em 1910, pelo italiano Luigi Francescon, antigo membro da Igreja Presbiteriana Italiana de Chicago, EUA, e teve grande desenvolvimento no Brasil. Esta denominação, porém, é considerada como seita pelos evangélicos devido aos seus inúmeros desvios doutrinários: o uso do véu, não aceitação do ministério pastoral, pregam contra o dízimo e afirmam que só nessa igreja é que o homem pode ser salvo. E são extremamente críticos quanto às demais igrejas.

6. Igreja de Nova Vida. Fundada pelo Bispo Walter Robert McAlister, de nacionalidade canadense, que veio para o Brasil, Rio de Janeiro, onde implantou uma grande obra de evangelização conhecida como Cruzada de Nova Vida. A Igreja de Nova Vida nasceu de um programa de rádio, A Voz da Nova Vida, transmitido pela primeira vez, em 1 de agosto de 1960, pela Rádio Copacabana do RJ. Depois começaram fazer seus cultos na Associação Brasileira de Imprensa. A mensagem desse missionário era voltada para a cura e libertação, o que despertou interesse de muitos e avanço da denominação.

Igrejas renovadas

Renovadas são aquelas que procederam das denominações históricas, conservando traços administrativos e teológicos das igrejas mães. As denominações se formaram porque muitos pastores e líderes abraçaram a renovação espiritual e desligaram-se de suas igrejas de origem. Outros, entretanto, foram excluídos de suas igrejas.

1. Igreja Metodista Wesleyana. Foi fundada por um grupo de ministros e leigos que militavam na Igreja Metodista do Brasil. As razões que deram origem à Igreja basearam-se na doutrina do batismo com o Espírito Santo como sendo uma segunda bênção para o crente e na aceitação dos dons espirituais. No dia 5 de janeiro de 1967, por ocasião do Concílio da Igreja Metodista do Brasil, realizado na cidade de Nova Friburgo (RJ), foi fundada a Igreja Metodista Wesleyana, aceitando como forma de governo o centralizado com o conselho geral, seguindo em linhas gerais o regime metodista.

O movimento que culminou com o surgimento da Igreja Metodista Wesleyana começou em 1962, quando alguns ministros e leigos começaram a ser despertados para a obra de renovação espiritual. Em 1964 o grupo começou a ter contato com grupos de diversas denominações renovadas. Alguns membros do grupo começaram a ser batizados com o Espírito Santo. Eram constantes as vigílias nos montes, as reuniões de oração e os retiros. Em 1966 o grupo recebeu uma circular proibindo orações com imposição de mãos, expulsar demônios, cantar corinhos e fazer vigílias constantes. No final da carta havia a seguinte alternativa: se o grupo não obedecesse às normas da Igreja Metodista do Brasil, todos deveriam deixar suas fileiras.

2. Igreja Batista Nacional. Nos anos 60, líderes batistas, dentre os quais o Pr. Enéas Tognini, foram alcançados pelo avivamento. Em janeiro de 1965, na cidade de Niterói, a Convenção Batista Brasileira excluiu cerca de 32 igrejas de seu rol. No ano seguinte o número de igrejas desarroladas chegou a 52. Em 1966, foi criada a Associação Missionária Evangélica, que agregava as igrejas desligadas da Convenção Batista e outras. Em julho de 1967 os Estatutos da AME foram reformados. As Igrejas não batistas se desligaram da AME e cada qual se organizou de acordo com suas características históricas. Em 16 de setembro de 1967 a AME passou a se chamar Convenção Batista Nacional.

3. Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. A IPRB foi organizada em 8 de janeiro de 1975, em Maringá, PR, fruto da fusão de duas igrejas oriundas de denominações históricas: a Igreja Cristã Presbiteriana e Igreja Presbiteriana Independente Renovada. Crescendo rapidamente, hoje possui igrejas em quase todos os Estados e em diversos países. Possui uma agência de missões (Mispa), dois seminários e a Editora Aleluia.

Igrejas neopentecostais

As igrejas neopentecostais começaram a surgir no Brasil no início dos anos 80. Nessas denominações, há forte centralização de poder nas mãos do líder. Geralmente há uma ênfase na Teologia da Prosperidade.

Os neopentecostais são menos exigentes em termos éticos que as igrejas protestantes tradicionais. Seus cultos apelam bastante para as emoções. São exemplos de grupos neopentecostais: Igreja Universal do Reino de Deus, fundada por Edir Macedo, em 1977; Igreja Internacional da Graça de Deus, Comunidade Sara Nossa Terra e Igreja Renascer em Cristo.

Graças ao seu evangelismo ativo, o movimento pentecostal levou milhares de pessoas a se render ao Senhor Jesus. Isso tem produzido grande crescimento no reino de Deus no Brasil e fora do Brasil. Em toda a parte do mundo hoje há missionários brasileiros. Além disso, levou as pessoas a um maior desejo de santidade, a um testemunho real de sua fé. Segundo as últimas pesquisas, dez por cento da população brasileira pertencem a uma igreja pentecostal.

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Fonte: Aleluia, Revista de Escola Bíblica Dominical número 69, lição 16.

Os avivalistas e suas obras – Setembro de 2006

O ser humano sempre precisou ser alcançado por Jesus
e os cristãos, avivados pelo Espírito Santo

100 anos de avivamento da Rua Azusa! É verdade, comemoramos em 2006 cem anos de avivamento pentecostal, de um intenso derramar do Espírito Santo, de um movimento que redirecionou a igreja, transformou vidas e mudou rotas. E até hoje é referencial para toda igreja de Cristo. O ser humano sempre precisou ser alcançado por Jesus e os cristãos, avivados pelo Espírito Santo.

A história do Cristianismo mostra que grandes pregadores surgiram em todos os lugares e foram responsáveis por manter a chama do avivamento acesa. Eles pregavam para um número tão grande de pessoas que muitos cultos foram realizados ao ar livre. Os templos não comportavam a multidão. A ênfase das mensagens era sobre a santidade de vida e o compromisso com Deus e sua palavra. Eles impactaram a vida espiritual de pessoas. Vejamos alguns desses nomes e suas obras.

Jonathan Edwards (1703 – 1758)

Edwards entrou para a Universidade de Yale e concluiu sua formação em teologia aos 17 anos (1720). Foi ordenado em Nortampton, no Oeste de Massachussetts. Pastor da Igreja Congregacional, desenvolveu seu ministério como missionário no meio indígena. Foi o primeiro presidente da Princenton University. Como escritor, um de seus sermões mais conhecido foi “Pecadores na mão de um Deus irado”, que foi precedido por três dias de oração e jejum. Seu trabalho de avivamento alcançou as treze colônias norte-americanas e chegou até na Inglaterra.

O hábito de ler seus sermões fazia parte de sua vida, mas o que realmente impactou o seu povo foi sua vida devocional porque se acostumou a passar até 13 horas ao dia entre oração e estudos. Escolher uma floresta e ali ficar duas ou três horas com o rosto em terra, clamando a Deus, fazia parte de sua vida com o Senhor. Depois de concluir seu ministério de avivalista, partiu para as mansões celestiais em 1758, em Princeton, vitima da febre resultante da vacina contra a varíola.

John Wesley (1703-1791)

A Igreja Anglicana ordenou Wesley ao pastorado em 1728. Seu estilo de pastoreio influenciou profundamente o Cristianismo inglês, onde tudo começou, e o norte-americano, no século XVIII. O que mais chamava a atenção era sua vida piedosa e o seu método de estudo bíblico. Gradativamente, as pessoas observavam que ele era muito metódico e não mudava o seu jeito de ser. Por isso, ganhou o apelido de “metodista”. Com o tempo, fundou seu próprio movimento avivalista, que recebeu o nome oficial de Metodista.

Foi missionário nas 13 colônias norte-americanas e, com o tempo, ficou decepcionado com os resultados de seu trabalho. Então, decidiu voltar para a sua terra natal: a Inglaterra. No navio, encontrou dois cristãos pertencentes ao movimento moraviano. Suas experiências tiveram grande influência sobre a vida de Wesley.

Sua vida devocional mudou e, conseqüentemente, os resultados de sua pregação. A ação do Espírito Santo fez com que multidões compostas de cinco e até de dez mil pessoas ouvissem a Palavra de Deus através de sua boca. O toque do Senhor era tão forte na consciência dos indivíduos que muitos eram tomados pelo sentimento de angústia e gritavam e gemiam como arrependimento pelos seus pecados. A idade nunca foi um empecilho em seu ministério. Aos setenta anos, chegou a falar para um auditório de trinta mil pessoas. Aos oitenta e seis, pregou ao ar livre na Irlanda seis vezes ao dia. Anunciou as Escrituras Sagradas em sessenta cidades.

Charles G. Finney (1792-1875)

Finney só teve sua experiência de conversão aos 29 anos, mas depois foi uma pessoa profundamente dedicada ao movimento avalista. Ele não deu descanso ao seu corpo e, de 1824 a 1834, trabalhou fortemente para que Deus visitasse a igreja com um grande avivamento. Por causa desses esforços e desgaste físico na obra de Deus, ficou enfermo e foi obrigado e passar por período de repouso. Finney não parou por aí. Em 1835, passou a dar aulas de teologia no Oberlin College. Com o tempo, assumiu a presidência da instituição. O tempo de trabalho prático e teórico lhe deu experiência o suficiente para escrever uma extensa obra sobre Teologia Sistemática.

Deus sempre o utilizou para realização de milagres. Por exemplo, em uma visita a uma fábrica, uma senhora zombou de dele. Por ser um servo de Deus, não reagiu. Apenas olhou em seus olhos e foi embora. Passado alguns momentos, convencida de seus pecados, ela estava chorando com o desejo de entregar-se a Jesus.

Em viagem de trem, passou por um povoado e os indivíduos que estavam em locais imorais, foram às pressas para as igrejas porque estavam sentindo o peso e o remorso pelos seus pecados. Um repórter chegou a investigar sua vida com o objetivo de descobrir o segredo de seu sucesso, mas ficou espantado ao vê-lo entrar em uma floresta e passar horas e horas prostrado com o rosto no chão, em sinal de humilhação para com Deus. As estatísticas mostram que 85% das pessoas que aceitaram a Jesus através das pregações de Finney permaneceram firmes em servir a Deus, enquanto a média dos demais pregadores era de 30%.

Charles H. Spurgeon (1834-1892)

Spurgeon é de origem espanhola, mas por causa das perseguições promovidas pelo Rei Filipe II, no final do século XVI, sua família foi obrigada a mudar para a Inglaterra. Em Cambridge, aos 17 anos, aceitou a Jesus como seu salvador e também o chamado para trabalhar na seara do Mestre. Inicialmente, aceitou o ministério da pregação leiga, isto é, sem formação teológica.

A facilidade que tinha para falar sobre a Palavra de Deus na Comunidade Batista em Cambridge fez com que sua fama crescesse e, aos dezessete anos, foi ordenado ao pastorado. Aos vinte, já era conhecido na Inglaterra como “o menino pregador”. Por causa disso, em Londres, tornou-se hábito ler seus sermões, que passaram a ser impressos.

Spurgeon foi considerado o “Príncipe dos Pregadores” e fundou um Colégio de Pastores. Desde o início até a sua morte, treinou cerca de 900 pregadores. Faleceu em 1892. Em seu caixão, foi colocada a Bíblia aberta no texto usado para convertê-lo: “Olhai para mim, e sereis salvos, vós, todos os confins da terra; pois eu sou Deus, e não há outro”, Is 45: 22.

Dwight Lyman Moody (1837 – 1899)

Moody nasceu a 05 de fevereiro de 1837, o sexto entre nove filhos. Seu pai faleceu quando era ainda pequeno. Em Boston, no fundo da sapataria em que trabalhava, seu professor da EDB o desafiou a aceitar Jesus e ele tomou a decisão salvadora. Em 1871, Deus colocou um forte desejo em seu coração de ganhar almas para Cristo. Por isso, em 1873, ele e Ira D. Sankey iniciaram uma missão evangelística na Inglaterra. Depois, foram para a Escócia e, então, um grande avivamento foi espalhado através deles.

Ele fundou escolas e um Instituto Bíblico, em Chicago. Associação Cristã de Moços sempre recebeu grandes donativos levantados por Moody. Realizou varias conferências para ministros, estudantes e obreiros cristãos. Pregou seu último sermão no dia 22 de dezembro de 1899, para uma audiência de 15.000 pessoas.

Willian Joseph Seymour (1870 – 1922)

O avivamento da Rua Azusa afetou profundamente a história do Cristianismo contemporâneo e o personagem principal foi o pastor William Joseph Seymour. Tudo iniciou num pequeno armazém, na cidade de Los Angeles, na Rua Azusa, número 312.

Ele era caolho, analfabeto e negro. Suas mensagens sempre tratavam da regeneração, santificação, cura divina e batismo no Espírito Santo, com a evidência do falar em outras línguas. A unção do Espírito Santo era derramada sobre as pessoas, que manifestavam convicção pelas verdades bíblicas, sincero desejo de ter uma vida santa. Elas eram batizadas com o Espírito Santo, falavam em novas línguas, profetizavam e cantavam hinos espirituais.

Esse evento ganhou espaço nos noticiários da cidade e, com o tempo, espalhou-se pelo mundo. O movimento pentecostal produziu, através de Seymour, uma experiência similar ao livro de Atos capítulo dois. Inicialmente, sua igreja enviou missionários para vinte e cinco países.

Conclusão

Homens de Deus sempre foram usados, no decorrer da história do Cristianismo, para renovar e avivar a obra do Senhor. O movimento pentecostal de 1906 foi um marco no mundo espiritual das igrejas e continua a avivar o Cristianismo em nossos dias. O cristão não pode se esquecer de que Deus é o mesmo de ontem, hoje e anseia derramar mais do Seu Espírito sobre todos os seus filhos. Quero encorajar o leitor a buscar mais do Espírito Santo de Deus, a experimentar um genuíno avivamento e a ser usado pelo Senhor na igreja local para avivar a sua obra.

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 2006

Tsunâmi, chacina no culto e queda de torre: lições ensinadas pelas tragédias da vida – Março/2005

Morrer em uma tragédia
não é o maior problema
da existência humana; pior que isso
é morrer em rebelião contra Deus.
No dia a dia, alguém pode
até viver sem Jesus.
Horrível será morrer sem Ele como salvador

Tsunâmi, em japonês, significa onda gigante e o termo ficou mundialmente conhecido após o dia 26 de dezembro de 2004. Nessa data, uma tragédia foi produzida por sismos submarinos, em uma região em que há fortes movimentos tectônicos, e pessoas de vários países asiáticos morreram atingidas por desabamentos ou pela invasão das águas do mar.

O ritual do culto prosseguia normalmente e o sacrifício era oferecido pelos cultuantes. De repente, os galileus foram surpreendidos por Pilatos, o governador, que ordenou uma chacina. O sangue dos cultuantes e dos animais que eram sacrificados se misturam. Uma tragédia moral provocada pelo homem ocorreu.

Dezoito homens, em Jerusalém, são atingidos pela queda de uma torre e morrem. Esta tragédia é uma das muitas ocorridas de forma acidental. Por isso, há momentos na vida em que surgem questionamentos sobre a possibilidade de pessoas estarem em lugares errados, na hora errada e morrem acidentalmente.

As duas histórias bíblicas não tiveram a cobertura da mídia, como aconteceu com a tragédia do tsunâmi. Os evangelistas Mateus, Marcos e João não comentam o ocorrido, somente o evangelista Lucas, no capítulo 13, registra o fato e suas interpretações.

Os contemporâneos de Jesus e pessoas dos dias atuais questionam: os que morrem em tragédias são mais pecadores do que toda a humanidade? Se não são, por que morreram assim? O que havia de errado ou qual era o pecado que estava escondido na vida dessas pessoas? Jesus ensina quatro princípios, em Lucas 13, para entendermos essas questões.

O homem é o maior causador
de tragédias no mundo

Podemos classificar as tragédias em duas categorias. As morais e as acidentais. As morais partem da ação deliberada do homem. As acidentais ocorrem por fenômenos da natureza ou acidentes alheios à vontade humana.

Os poderosos deste mundo já provocaram enormes tragédias. Faraó, tirano do antigo Egito, provocou a morte por afogamento de todos os filhos do sexo masculino, nascidos dos escravos judeus. Herodes, o sanguinário, ordenou a morte a todos os meninos de dois anos para baixo, simplesmente para eliminar um possível concorrente ao trono, Jesus.

Pilatos, governador romano, provocou a chacina dos que cultuavam, indefesos adoradores foram trucidados. Recentemente, Osama bin Laden estabeleceu um quadro de terror, ao derrubar as torres gêmeas. O episódio da bomba atômica sobre Nagasaki e Hiroshima é uma marca na história das ações devastadoras do homem. Sim, o homem é o maior causador de tragédias. Mas, tudo o que o homem semear ele colherá.

As tragédias não provam
que os que nelas morrem
sejam mais culpados que os outros

Jesus ensina que o pecado é um mal universal, em Lucas 13: 3 e 5. Morrem em tragédias pessoas de bem e também pecadores corrompidos ao extremo, como os povos pré-diluvianos, em muita água, Gn 6: 17, e os moradores de Sodoma e Gomorra, em um fogo devastador, Gn 19: 24.

Em qualquer tragédia, a morte nunca deixou ninguém escapar. Independente dos diversos questionamentos humanos, morreram também justos e piedosos que não são culpados de vida profana e ímpia de muitas pessoas. Em todas as tragédias, a grande verdade é que somente no dia do juízo final é que ficará claro sobre quem viveu e morreu em pecado e quem teve uma vida na presença de Deus.

As tragédias mostram
a incerteza da vida humana

Em pleno local de culto ocorre uma chacina. Sobre 18 homens cai a torre. Tsunâmis matam muitas pessoas na Ásia. Não há lugar seguro. Quem poderá escapar da morte? Uma coisa é certa: a vida é breve!

Como será o amanhã de cada um. Entendo que só Deus tem a resposta. Em 4:14, o apóstolo Tiago afirma: “Vós não sabeis o que sucederá amanhã. Que é a vossa vida? Sois, apenas, como neblina que aparece por instante e logo se dissipa”.

Jesus sempre ensinou a necessidade de buscar o reino de Deus e sua justiça e se preparar para o dia do juízo, vivendo uma vida justa pela fé na palavra de Deus. O último inimigo a ser vencido é a morte.

A maior das tragédias
é morrer em pecado, sem salvação

Sem arrependimento, disse Jesus, todos perecerão. Indagado sobre o número dos que se salvarão, Jesus respondeu: “Porfiai por entrar pela porta estreita”, Lc 13: 24. Ilustrando este “porfiai”, Jesus falou sobre arrancar um olho, cortar uma das mãos, significando que o tratamento dado ao pecado deve ser radical. O arrependimento é a porta estreita.

Um pouco antes de expirar, um dos ladrões da cruz se arrependeu e foi para o céu com Jesus, Lc 23: 43. O outro, sem arrependimento, pereceu eternamente, Lc 23: 39. João 3: 16 diz que aquele que crer em Jesus será salvo e os que não crerem perecerão.

Morrer em uma tragédia não é o maior problema, pior é morrer em rebelião contra Deus, é ir para o túmulo sem ter aceitado a Cristo como salvador. Disse Jesus: “Pois que aproveitará o homem se ganhar o mundo inteiro e perder a alma? Ou que dará o homem em troca da sua alma?”, Mt 16: 26. Li uma frase inteligente que explica muito bem essa questão: “Você pode até viver sem Jesus Cristo, horrível será morrer sem Ele”.

Conclusão

Quando ocorre uma tragédia, os homens são levados a refletir sobre a vida e a eternidade. Todavia, envolvidos com seus problemas pessoais e com os afazeres do dia-a-dia, que os comprimem, em breve se esquecem do ocorrido, perdendo-se o sentimento causado pela tragédia.

Sejamos prudentes e mudemos nossa conduta. As tragédias são avisos! Devemos meditar nelas com seriedade e buscar mais a Deus e seu plano de vida para nossa vida material e espiritual.

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Fonte: Jornal Aleluia de março de 2005.

Um olhar histórico sobre o avivamento – Outubro/2006

Uma abordagem sobre o avivamento,
vendo-o sob os ângulos bíblico
e histórico

O palpitante e amplo assunto do avivamento pode ser abordado sob os ângulos bíblico e histórico. Na forma bíblica, observamos, através dos relatos contidos no Antigo Testamento, em especial nos livros de Esdras, Neemias e Crônicas. Na forma histórica, vemos o avivamento nos movimentos do Espírito Santo na história da Igreja. Apreciemos com mais detalhes o avivamento sob seu ângulo histórico.

O Espírito Santo
é dominante no ministério

Tive a oportunidade de estar em um dos encontros promovidos pelo movimento “Os puritanos”. Ouvi um crente muito piedoso orar por avivamento, usando a seguinte expressão: “Oh! Deus, tenho saudade do que nunca conheci. Dá-me avivamento!”. Este desejo pela presença viva de Deus no meio de seu povo é a tônica da oração por avivamento.

Na história da Igreja, um dos mais influentes avivalistas foi Jonathan Edwards (1703-1758). O Dr. Martyn Lloyd-Jones escreveu um livro sobre esse avivalista, onde aprendemos um pouco de sua história. Tinha mente muito curiosa e ativa. Era um pregador de estilo direto e vivo. E livre daquilo que se pode denominar “escolasticismo”.

O elemento do Espírito Santo era dominante em seu ministério. Acreditava numa direta e imediata influência do Espírito Santo e numa conversão súbita e dramática. Calvinista e congregacionalista. Opunha-se ao hipercalvinismo e, igualmente, se opunha ao arminianismo.

A parceria
entre Deus e o homem

Este equilíbrio em seu ensino e em sua posição é demonstrado na seguinte afirmação: “Na graça eficaz não somos meramente passivos, nem ainda Deus faz um pouco e nós fazemos o restante. Mas Deus faz tudo, e nós fazemos tudo. Deus produz tudo, e nós agimos em tudo. Pois é isso que Ele produz, isto é, os nossos atos. Deus é o único verdadeiro autor e a única verdadeira fonte; nós somos tão-somente os verdadeiros agentes. Somos, em diferentes aspectos, totalmente passivos e totalmente ativos”.

Edwards era um grande defensor da conversão das crianças e dava grande atenção a elas. Permitia até que tivessem suas próprias reuniões. Dava grande ênfase aos elementos morais e éticos da fé e vida cristã. Ele entrou em cena depois de um período de considerável falta de vida nas Igrejas.

Um dos ministros daquele tempo descreve a época imediatamente anterior ao avivamento: “Mas que época morta e estéril tem sido a atual. As chuvas de ouro foram retidas; as influências do Espírito foram suspensas; e a consequência foi que o evangelho não teve nenhum sucesso eminente. As conversões têm sido raras e duvidosas; poucos filhos e filhas têm nascido de Deus, e os corações dos cristãos já não são tão cheios de vida, calor e vigor sob as ordenanças como eram. Esse tem sido o triste estado da religião entre nós nesta terra, por muitos anos”.

Nesta época havia raras igrejas cheias de vida espiritual. A Igreja estava em condição de inanição. Todavia aconteceu algo novo. Após a seca, chuvas abundantes; a vida começou a manifestar-se mais uma vez. O avivamento afetou positivamente a vida da América de modo profundo durante pelo menos 100 anos e, de fato, até hoje.

O famoso sermão de Edwards “Pecadores nas Mãos de um Deus Irado” tem sido muito comentado. Este famoso sermão foi proclamado não no estilo de um pregador bombástico e sim de um fiel ministro que expõe a palavra de Deus. Lendo-o, vemos que era puro argumento com as palavras das Escrituras. Não era o que Edwards dizia; era o que as Escrituras diziam. E ele achava que era seu dever advertir às pessoas. Alguns o criticam outros o admiram.

Edwards cria que a Bíblia diz coisas terríveis sobre quem morre em seus pecados. Um dos segredos deste homem é que o espiritual dominava o intelectual. Ele foi preeminentemente um pregador, evangelista e mestre.

Um homem de Deus
tem experiências para testemunhar

Edwards pregava que a religião é algo essencialmente experimental, prático. Um encontro existencial com Deus. Isto fica claro no famoso relato que faz de uma experiência que teve: “Uma vez, quando cavalgava nas matas pela minha saúde, em 1737, tendo apeado do meu cavalo num lugar retirado, como tem sido o meu costume comumente, para buscar contemplação divina e oração, tive uma visão, para mim extraordinária, da glória do Filho de Deus, como Mediador entre Deus e o homem, e a sua Maravilhosa, grande, plena, pura e suave graça e amor, e o Seu terno e gentil amparo. Esta graça que parecia tão calma e suave parecia também grande, acima dos céus.

A Pessoa de Cristo parecia inefavelmente excelente, com uma excelência bastante grande para absorver todo o pensamento e concepção o que continuou, quanto posso julgar, cerca de uma hora; o que me manteve a maior parte do tempo num mar de lágrimas, e chorando em voz alta. Senti uma ardência na alma, anseio por seu ser, o que não sei expressar doutro modo, esvaziado e aniquilado; jazer no pó e encher-me unicamente de Cristo; amá-lo com amor santo e puro; confiar nele; viver dele; servi-lo e segui-lo; e ser perfeitamente santificado e tornado puro, com uma pureza divina e celestial. Várias outras vezes tive visões da mesma natureza, as quais tiveram os mesmos efeitos.”

“Tendo tido muitas vezes uma percepção da glória da terceira Pessoa da Trindade, e do Seu ofício como santificador; em suas Santas operações, comunicando luz e vida divina à alma. Deus, nas comunicações do Seu Santo Espírito, tem parecido uma infinita fonte de divina glória e dulçor; estando cheio e sendo suficiente para encher e satisfazer a alma; derramando-se em secretas comunicações; como o sol em sua glória, difundindo suave e agradável luz e vida. E às vezes eu tenho uma comovente percepção da excelência da palavra de Deus como palavra da vida; como a luz da vida; uma suave, excelente palavra que dá vida; acompanhada de uma sede dessa palavra, para que ela habite ricamente em meu coração” (Martin Lloyd-Jones. Jonathan Edwards e a crucial importância de avivamento. pp. 15 e 16). Isso é avivamento.

Conclusão

A IPRB nasceu de avivamento. Desejosa de avivamento, cresceu no avivamento. E a Igreja Renovada está sempre se renovando, sempre se avivando. Que esse seja o nosso perene lema. A Palavra de Deus e a história corroboram a oração de Habacuque: “Deus renova seu povo no meio dos anos”.

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2006

A prosperidade como fruto da disciplina – Novembro/2002

Para se alcançar prosperidade
à maneira de Deus,
a pessoa precisa ser disciplinada.
A disciplina é instrumento indispensável
na vida espiritual, na saúde, na família,
nos estudos, na área patrimonial.
Por isso, vamos analisar o que vem a ser disciplina
segundo a Bíblia.

Disciplina é fruto de treinamento

Para quem age de conformidade com determinadas regras. É a obediência que proporciona condições de desenvolvimento em todas as áreas da vida. A disciplina, quando baseada nas Palavras de Deus, promove crescimento interior formando o caráter cristão.

Mas para que isso ocorra, é necessário que ela seja aplicada sob a orientação de Deus, Pv 22: 6. Havendo ensino e disciplina, haverá prosperidade em todas as fases da vida e, mesmo na velhice, a pessoa continua andando pelo caminho da prosperidade à maneira de Deus.

Disciplina molda o caráter

O objetivo principal da disciplina é formar, a médio e longo prazo, um bom caráter, uma personalidade firme com propósito de levar a pessoa a prosperar em todas as áreas da vida. Assim, disciplinar é sinônimo de transformar a pessoa num bom mordomo, capaz de cuidar dos bens colocados sob sua responsabilidade para poder prosperar.

Disciplina gera frutos de justiça

A disciplina nem sempre é bem aceita no início: “Toda disciplina, com efeito, no momento não parece ser motivo de alegria, mas de tristeza; mas depois, entretanto, produz fruto pacifico aos que têm sido por ela exercitados, frutos de justiça”, Hb 12: 11. Quando aplicada, pode parecer um ato de autoritarismo, só que depois, vai produzir frutos de prosperidade na vida da pessoa alvo da correção, conduzindo-a ao topo do caminho da prosperidade.

Disciplina tem valor formativo. Através de sua Palavra, Deus, nos mostra o valor da disciplina: “Filho meu, ouve o ensino de teu pai e não deixe a instrução de tua mãe”, Pv 1: 8. Isso mostra que a disciplina deve começar em casa, com os conselhos do pai e a instrução da mãe; isso são regras que podem conduzir o homem ao alvo desejado: a prosperidade. Por isso, não podemos nos esquecer de que o lar é a primeira escola da vida.

Disciplina se obtém pela instrução

A verdadeira disciplina vem acompanhada da instrução e pode ser feita através de exemplos, ensino, conselhos, avisos, advertências, leitura, treinamento, etc. Mas, qualquer que seja o meio, o disciplinando precisa dar ouvidos às palavras do disciplinador. Deus quer que seus filhos sejam disciplinados, instruídos e andem no caminho da prosperidade.

Disciplina melhora qualidade produtiva

A pessoa disciplinada produz mais, com maior perfeição, em qualquer área da vida. Ela evita enganos, sedução, rebeldia e outros vícios e costumes nocivos à prosperidade. Quem é disciplinado não se esquece de seus deveres e obrigações e procura realizar as tarefas com perfeição e pontualidade.

Todo comportamento rebelde e indisciplinado leva a prejuízos e, por essa razão, precisa ser corrigido. Assim, quem aprende as lições da vida tem tudo para alcançar melhor nível de atitudes e formar um caráter inabalável, que lhe permite chegar ao topo da prosperidade com sucesso.

Disciplina baseada no temor do Senhor é bem sucedida. Tudo o que um orientador precisa para disciplinar está relacionado em 1Co 13: 4-8 e são: paciência, bondade, generosidade, humildade, cortesia, altruísmo, bom gênio, franqueza e sinceridade. O objetivo dessa disciplina é estabelecer limites porque, quando dois objetos vão se cruzar no mesmo ponto, é necessário estabelecer prioridades, caso contrário os acidentes serão inevitáveis.

Concluindo, quando aprendemos estabelecer e respeitar nossas fronteiras, andamos pelo caminho da prosperidade e do sucesso. Faça isso e você será uma pessoa próspera à maneira de Deus.

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O autor

Cícero Bartolomeu de Araújo
é pastor da IPRB
desde 15 de agosto de 1993.

Detentor do prontuário número 696.
Residente em Campinas, SP.
Filiado ao Presbitério de Rondônia.
Artigo publ. no Jornal Aleluia de novembro de 2002.

Quem faz um casamento prosperar – Agosto/2002

Por ser um momento especial na família,
o casamento é marcado
com festas em todos os povos.
Cada um o celebra à sua maneira.
O primeiro foi o do Jardim do Éden
com Adão e Eva.
Outro inesquecível foi o que ocorreu
em Caná da Galileia
e que contou com a presença de Jesus.

João 2: 1-10

No casamento de Caná houve um grave problema. Os noivos não se proveram de uma quantidade suficiente de vinho para todos. Isso deu causa a uma grande confusão, zunzum, falatórios… Só que, entre os convidados, estava Jesus. Essa presença especial é que fez e faz a diferença em qualquer casamento. O que traz a prosperidade para um casal não é o vinho, nem a festa, nem a música, nem o bolo, mas a presença do Senhor dos senhores. Quem faz um casamento prosperar é Jesus.

Nesse casamento, Jesus operou seu primeiro milagre, o da transformação da água em vinho. Mas, que estranho milagre! Porém, se pensarmos bem, vamos imaginar o clima negativo que invadiu aquele ambiente. Os noivos desesperados, alguns convidados ameaçavam ir embora, outros aborrecidos… Alguém tinha de fazer alguma coisa. E Jesus resolveu o problema e ponto final. O casamento, antes ameaçado no seu nascedouro, agora iria prosperar.

O simbolismo do vinho

Hoje também, enquanto tudo vai indo bem, ninguém procura Jesus. Ninguém quer saber quem Ele é, nem onde está. Se as pessoas têm saúde, moradia, carro do ano, emprego promissor, faturamento ótimo, faculdade, família bem-sucedida e altos negócios – pra que pensar em Jesus? Nem dá tempo para falar sobre vida espiritual. Mas, sem Jesus, tudo isso é vazio, é sem sentido. Falta o bom-humor, faltam os abraços e a verdadeira prosperidade. O bom é quando podemos receber Jesus em nossa casa, Ap 3: 20.

Jesus vem para transformar

Há outros que, no afã de alcançar logo o topo da prosperidade, até convidam Jesus para assistir à cerimônia de seu casamento, para entrar em sua casa, em sua empresa, para acompanhar seu trabalho, seus estudos, só que querem que Jesus fique como se fosse uma estátua: não pode mudar nada. Não pode transformar, não pode aconselhar. Tem apenas de espantar os “olhos gordos”, as invejas e os fracassos.

Mas não é isso que Jesus quer. Ele prefere participar de seu casamento, de sua família, de seus negócios e abrir as portas para você prosperar à maneira de Deus. Você apenas tem de convidá-lo e deixá-lo agir. Jesus age com responsabilidade. É dessa forma que Ele pode fazer-nos prósperos.

Jesus tem um projeto de vida
para cada pessoa

Para muitos, quando acaba o dinheiro acaba também a razão de viver. Acabam as amizades, a alegria e a fé. Vem o mau-humor, a reclamação. E dizem: Deus não se importa mais comigo. Isso ocorre quando pensamos que o vinho é mais importante que o casamento. Quando o material é mais que o espiritual. Mas, o que jamais pode acabar em nossa vida é a presença de Jesus.

Do ponto de vista humano, os serventes tinham razão para questionar: precisamos é de vinho, não de água. Jesus teria outras maneiras de resolver o problema, mas queria nos ensinar a usar situações conflitantes como degraus para alcançarmos a vitória. Remover a pedra, encher as talhas são ações que podemos fazer; mudar a água em vinho, multiplicar o azeite da botija – isso cabe ao Senhor.

Jesus age na hora certa

Maria, mãe de Jesus, também estava na festa. Percebeu o problema e ficou ansiosa. Como todos nós, queria uma pronta intervenção de Jesus. Mas ele aguardou a hora certa. Esperou que viessem trazer o problema a Ele e pedir sua ajuda. Jesus opera milagres no tempo certo, no lugar certo e por meios certos.

A prosperidade que vem de Deus chega lentamente. É assim que Ele trabalha: o homem natural não percebe. Mas fica alegre com o resultado. A festa voltou a ter sentido. O casamento voltou a ter vida. Com Jesus, tudo é maravilhoso! O mundo precisa beber do vinho do Espírito Santo para alcançar a prosperidade à maneira de Deus.

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Fonte: Jornal Aleluia de agosto de 2003

A desunião entre irmãos – Julho/2003

Ainda não aprendemos a discordar
sem dividir e sem desunir

Infelizmente ainda existem grandes empecilhos
entre os “irmãos” da grande família de Deus
na terra – a Igreja

Tais empecilhos agem como fortes
muralhas de separação

Fato é que o radicalismo dogmático, vindo
de nossas próprias regras e convicções,
tem dividido a Igreja de Cristo Jesus

Vamos refletir sobre alguns deles

A ideia de que Deus só pertence ao “meu” grupo

O conceito de que Deus seja patrimônio de grupos, que o Espírito Santo pode ser preso a determinados costumes locais. Consequentemente, quem sai destes grupos não tem Deus, está fora da visão, está sem cobertura espiritual, ou ainda está em rebeldia. Que tolices!

A ideia de que só a minha hermenêutica está correta

O conceito de que só eu sei fazer a coisa certa. De fato, devemos seguir os princípios universais da interpretação bíblica. Mas longe de nós dizer: a minha exegese é perfeita. Porque o exegeta sempre leva para o texto que está interpretando sua cultura e tradição teológica.

A ideia de que só a minha “performance”
espiritual está correta

O conceito de que só eu sei tudo. Este é outro motivo que tem fragmentado o corpo de Cristo. Já é tempo de sabermos que a multiforme graça de Deus não opera sempre da mesma maneira. Não posso julgar ou condenar outros irmãos que não têm o mesmo jeito que o meu ao liderar, ao pregar, ao ensinar, ao agir. Pelo contrário, precisamos sempre uns dos outros. Ninguém sabe tudo, ninguém recebe tudo, e só Deus tem a última palavra.

A ideia de que as tradições são intocáveis

O conceito de que não se pode mudar nada. O apego extremado às tradições tem causado separações e divisões entre irmãos. Todos os grupos têm tradições e nós temos as nossas. Em alguns grupos a tradição é tão forte que, quando alguém sai, o motivo não é a violação de alguma doutrina bíblica, mas a quebra de alguma tradição. As tradições são como odres velhos que são deixados de lado, não porque sejam velhos, e sim porque enrijeceram. O odre é feito de pele, precisa ser macio e elástico porque, quando o vinho novo fermenta, o odre estufa e, se a pele for velha, arrebenta-se.

Ah! Que força têm as tradições! Mas é de flexibilidade que precisamos diante de fatos novos, de tempos novos. Às vezes Deus nos obriga a quebrar algumas tradições para bem dos irmãos e para o êxito da causa que abraçamos.

Palavra final

Vamos pensar sobre este assunto? Sabendo que pensar pode ser perigoso, porque costuma levar a conclusões de que é preciso mudar, e mudanças podem custar algumas coisas que nos tirarão da área de conforto.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2003

Avivamento, o clamor do profeta de Deus – Maio/2007

“Ouvi, Senhor, a tua palavra e temi:
aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos,
no meio dos anos a notifica: na ira
lembra-te da misericórdia”
Habacuque 3: 2

Avivamento consiste no grande desafio e carência da igreja nos dias de hoje. Gosto de pregar este tipo de mensagem, porque é por meio dela que as igrejas se renovam e são despertadas para o trabalho de evangelização e ganham um interesse maior pela busca do poder do Espírito Santo. Expulsar demônios é bíblico e o ministério de libertação é maravilhoso. No entanto, Deus tem me chamado para pregar a mensagem de avivamento.

Esta mensagem precisa ser pregada com mais frequência em nossas igrejas. Tenho feito isto onde tenho pregado e as igrejas têm adquirido profundas experiências com Deus, tais como: renovação de vidas, batismo com o Espírito Santo, distribuição de dons espirituais pelo Espírito Santo e restauração de vidas. O meu discurso é o mesmo do profeta Habacuque: “Aviva, ó Senhor, a Tua obra…” .

O clamor por um avivamento foi a tônica de sua mensagem. Diz o texto que a palavra trouxe-lhe temor e, como resultado desta atitude, ecoou do profundo do seu coração o clamor por um derramar do Espírito sobre a nação de Israel, que precisava, urgentemente, ser despertada e voltar-se inteiramente para Deus. E isto só viria a acontecer caso houvesse um mover de Deus: o avivamento.

Portanto, somos pelo avivamento. O presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, lançou na última Assembléia o desafio para os próximos três anos de nossa administração: ‘reavivamento e crescimento da Igreja’. Estamos crendo que Deus vai envolver esta igreja em uma grande nuvem e virá abundante chuva de avivamento. Vamos, incessantemente, buscar esta bênção.

Diante disso, quero, nesta oportunidade, fazer algumas colocações sobre alguns significados do avivamento de Deus para o seu povo.

Despertar-se do sono

Comecemos por esta afirmativa fundamental: avivar-se significa despertar-se do sono da frieza espiritual. O profeta pediu avivamento porque Israel precisava acordar. Seus líderes estavam dormindo o sono do comodismo e da inércia espiritual. Ele sabia que o povo havia pecado e, consequentemente, seria julgado e condenado. E, por isso, pede para que Deus apareça entre o povo com uma nova manifestação de poder, por meio de sua graça e de seu Espírito. Somente assim eles seriam perdoados e salvos.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Roma, exorta-os dizendo: “…é hora de despertamos do sono, porque a nossa salvação está, agora, mais perto de nós do que quando aceitamos a fé”, Rm 13: 11. Quer dizer: ele apela aos cristãos e os desafia a uma vida cristã ativa e de trabalho cristão. No verso 12, quando diz que “a noite é passada e o dia é chegado”, cria na volta iminente de Jesus um fator motivador para permanecermos acordados na vida cristã: Jesus está vivo e vai voltar para buscar a igreja.

À semelhança do profeta Jonas que, em razão de sua desobediência a Deus, dormia um profundo sono no porão do navio, Jn 1: 5, muitos estão fugindo da presença do Senhor e estão dormindo espiritualmente nos porões da tristeza, da frieza espiritual, da negligência, do comodismo e da desobediência. A estes, a Palavra de Deus está dizendo todos os dias: “Desperta, ó tu que dormes, e levanta-te dentre os mortos, e Cristo te esclarecerá”, Ef 5: 14.

Atitudes de protesto

O grito de protesto do profeta Habacuque por um avivamento está marcado neste texto por sua coragem ou destemor ao dizer com fé: “Aviva, ó Senhor, a Tua obra”. O profeta estava reclamando contra todas as atitudes erradas de sua nação. O mau comportamento desse povo era uma afronta ao verdadeiro Deus. E, com temor no coração, ao ouvir a Sua palavra, o profeta não vê outra alternativa a não ser um real avivamento para varrer do meio do povo todo pecado.

Os dias atuais são difíceis e tenebrosos, porque o mundo jaz no maligno, Jo. 5: 9. Não dá pra ser crente frio e conformista, Rm 12: 2. Precisamos protestar contra a frieza espiritual que procura assolar a igreja de Jesus na terra. A Igreja Presbiteriana Renovada nasceu no fogo do Espírito Santo. Ela é fruto de avivamento. E o fogo santo queima pecado, mundanismo e todo tipo de atitude inconveniente que queira impedir o avanço da obra de Deus.

Não podemos ficar calados. Se assim o fizermos, diz a Bíblia que as pedras clamarão, Lc 19: 40. A ordem bíblica é protestar contra as atitudes do nosso adversário com a autêntica proclamação do evangelho. Este protesto precisa ser imperativo e contextualizado, pois o próprio Jesus disse: “Ide por todo o mundo e pregai o evangelho a toda criatura”, Mt. 16: 15. A Palavra de Deus afirma que não há tempo a perder: “Convém que eu faça as obras daquele que me enviou, enquanto é dia; a noite vem, quando ninguém pode trabalhar”, Jo 9: 4.

Para protestar contra o pecado não é preciso sair às ruas com faixas e bandeiras, mas é possível fazer isto em oração, em consagração e jejum a Deus. A atitude de protesto da igreja pode ser demonstrada por de meio da qualidade de vida cristã, isto é, uma vida ordeira e orientada pela Bíblia Sagrada.

Comprometimento com o reino

Em sua oração, o profeta roga a Deus para que, nos tempos de aflição e angústia, a sua misericórdia seja lembrada, porque sem ela o povo iria perecer no pecado. A compaixão divina era a porta de retorno a uma vida de reconciliação e, posteriormente, reafirmação de um autêntico compromisso cristão. E está claro nas palavras do profeta que o avivamento traçaria este caminho e o poder de Deus levaria o povo à conscientização e tomada de uma posição coerente com os princípios de Deus.

Costumo dizer que vida cristã traduz-se por comprometimento com o Reino de Deus; viver o que cremos e pregamos e uma volta aos dias da Reforma e aos ensinos do livro de Atos. É também vida no Espírito, Gl 5: 25; vida frutífera, Jo 10: 10 e 15: 5 e vida de serviço ao Reino de Deus. Jesus disse que ninguém que lança mão do arado e olha para trás é apto para o Reino de Deus, Lc 9: 62. Crente avivado tem como prioridade pensar nas cousas que são lá do alto, Cl 3: 2.

Aprendemos pela Bíblia que vida com Deus é vida plena de submissão e fidelidade a Ele. O crente comprometido com as coisas espirituais não tem tempo para aquilo que não é de Deus, porque o fogo do Espírito Santo está constantemente aceso em seu altar (sua vida). Jesus disse que quem quiser ir para o céu deve tomar a sua cruz e segui-lo a cada dia, Lc 9: 23. Somente uma vida avivada e cheia do Espírito Santo poderá suportar as provações e as tentações deste mundo.

Jesus é o maior exemplo de vida comprometida com o Reino de Deus. Quando estava sendo julgado, afirmou com convicção: “.O meu Reino não é deste mundo…”, Jo 18: 36. De fato, a igreja precisa estar ciente de que a sua tarefa neste mundo é ser sal da terra e luz do mundo, e que ela está no mundo, mas a ele não pertence: “Não peço que os tire do mundo, mas que os livres do mal”, Jo 17: 15.

Que a oração do profeta Habacuque seja a constante oração da igreja, e que a frase “Aviva, ó Senhor, a tua obra…” não seja apenas o lema da IPRB, mas o lema de vida daquele ou daquela que quer viver uma vida cristã autêntica, até a volta de Jesus.

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Fonte: Jornal Aleluia de maio de 2002.

Vocação pastoral: uma reflexão na hipermodernidade! – Junho/2012

A Bíblia sagrada narra a vida
de vários homens de Deus
que responderam com disposição
à proposta divina
de realizar Sua vontade

Essa “vontade interior”, a que chamamos de vocação, é algo muito mais profundo que muitas vezes nos leva a renunciar o eu interior para nos colocarmos à disposição do reino. Somos arregimentados por Cristo, segundo o seu beneplácito, nos escolheu. “Não fostes vós que me escolheste a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros, e vos designei para que vades e deis frutos…” João 15:16.

Para entender melhor esta entrega se faz necessário a abordagem do assunto vocação em uma era em que o termo pós-moderno já foi substituído para o termo hipermoderno, mas as observâncias para os vocacionados são atemporais.

Segundo Kiéos Magalhães Lenz César a palavra vocação tem origens gregas no verbo kaleo e suas variações (o substantivo klêsis e o adjetivo kletós). O verbo kaleo significa eu chamo, nomeio, convoco: “Rogo-vos, pois, eu, o prisioneiro no Senhor, que andeis de modo digno da vocação a que fostes chamados (eklêthete)” (Ef 4.1). O substantivo klêsis significa vocação, chamado, convite: “Irmãos, reparai, pois, na vossa vocação (klêsin)” 1Co 1.26. O adjetivo kletós significa chamado, convocado: “de cujo número sois também vós, chamados (kletòi) para serdes de Jesus Cristo” Rm 1.6. Esses termos quase sempre são empregados com o sentido de vocação procedente da parte de Deus.

Bastos de Ávila faz breve referência a esse uso: originalmente, o termo se referia, de modo exclusivo, a uma disposição para a vida sacerdotal e religiosa. Nesse sentido, vocação significa um chamamento divino a um gênero de vida que permita dedicação total às coisas de Deus.

Calvino, em suas Institutas, diz que a vocação era a condição inicial para qualquer ofício: “…Portanto, para que alguém seja considerado verdadeiro ministro da Igreja, primeiro importa que tenha sido devidamente vocacionado, Hb 5:4; então responda ao chamado…”

O célebre pregador Spurgeon disse: “Antes que um homem assuma a posição de embaixador de Deus, deve esperar pelo chamamento do alto. Ser pastor sem vocação é como ser membro professo e batizado sem conversão… Estando seguro de sua vocação pessoal, deve investigar quanto à questão subsequente da sua vocação para o ofício; a primeira é-lhe vital como cristão, e a segunda lhe é igualmente vital como pastor.”

Aqueles que são vocacionados devem sentir-se privilegiados. Veigh disse: “A vocação do pastor é realmente um ofício especial. Não que ela tenha mais mérito do que qualquer outra vocação. Deus age e também está escondido em outras vocações. Mas o ofício pastoral não serve apenas ao mundo, mas ao reino espiritual de Deus. Cristo age no trabalho do pastor de modo libertador, graças à palavra do pastor e as consequências eternas do ministério.”

Obreiros vocacionados servem a Deus e a sua geração. Donald T. Turner disse:“Não há outra carreira ou profissão que ofereça ao homem tão grande oportunidade para servir sua geração.” Nosso papel, enquanto ministros de Cristo, é fazer Seu nome conhecido em nossa geração.

“Somos trabalhadores vocacionados da chamada final”, Alberto Barrientos diz. “A vocação é de Deus e corresponde às suas profundas aspirações. O trabalho pastoral está no plano de Deus para a humanidade caída. Não tem sua origem em planos humanos, mas no programa divino”. Todo chamado para obra de Deus provém da Trindade Divina que escolhe homens, mulheres e crianças para serem embaixadores do Reino.

Quando um pastor, obedecendo à sua vocação, ministra a palavra de Deus, neste momento ele se torna porta-voz dos céus. Whitloc declara: “Considerando que Deus não habita entre nós de forma visível, Ele usa o ministério de homens vocacionados para declarar abertamente sua vontade, transferindo-lhes o seu direito e honra, servindo suas bocas apenas para que lhe possa fazer seu propósito.”

Aqueles que desejam obedecer à sua vocação devem levar em consideração as palavras de Spurgeon: “Se vocês não sentem o calor sagrado, rogo-lhes que voltem para casa e sirvam a Deus em suas respectivas esferas. Mas se, com certeza, as brasas de zimbros chamejam por dentro, não as apaguem”.

Há muitos irmãos em nossas igrejas que sentem um chamado para o ministério, mas por vários motivos acabam desanimando-se. Uma das evidências da vocação é que a chama a cada dia aumenta, confirmando assim seu chamado, todavia esta chama não se restringe somente ao oficio pastoral. Não podemos nos esquecer dos milhões de soldados valentes que são vocacionados e servem a Deus no âmbito local.

Conhecemos muitas pessoas inteligentes e capazes, mas no que se refere à obra é necessário muito mais, pois haverá situações em que será necessário mais que habilidade humana e sim dependência de Deus.

Lutero aborda esta questão da seguinte forma: “A vocação não deve ser assumida levianamente, pois não é o suficiente que uma pessoa tenha conhecimento. Ele precisa estar certo de haver sido devidamente vocacionado. Aqueles que exercem o ministério sem a devida vocação almejam bom propósito, mas Deus não abençoa os seus labores. Eles podem ser bons pregadores, mas não edificam.” É por isso que palavras bonitas e bem colocadas não edificam e nem mudam vidas.

O papel pastoral é muito superior a um show ou apresentação. Somos canais de Deus e não podemos nos esquecer nunca de que não somos nós, pastores, que temos o poder de mudar as vidas, mas sem dúvidas somos uma ferramenta usada por Deus para encaminhar as vidas sedentas a Deus. Não despreze o seu chamado. Deus é quem o chamou e é fiel e justo para ajudá-lo nas suas limitações e dificuldades.

Segundo a Junta de Educação Teológica da Igreja Presbiteriana do Brasil, vocação pode ser definida nos seguintes termos: O chamado para o ministério é diferente em, pelo menos, três sentidos: (1) não se baseia em tendências, mas no chamado de Cristo mediante o conhecimento de sua vontade e o testemunho interior do Espírito Santo; (2) não objetiva uma profissão nem um cargo para realização pessoal, mas uma posição de serviço que requer abnegação e transformação de caráter; e (3) implica o cumprimento exemplar de obediência à Palavra em todo o processo de crescimento espiritual, e capacitações e habilitações para a pregação e o cuidado público e individual.

Inimigos modernos da vocação pastoral

A vocação pastoral possui inúmeros inimigos modernos:

1) Relativismo missional:

Jedeias, citando Richard Baxter, aborda que o obreiro vocacionado precisa ter cuidado com a fragmentação do evangelho, pois neste mundo tão ávido por novidades podemos incorrer inconscientemente, em oferecer formulas rápidas. Deus nos chamou com o objetivo de anunciar sua palavra que é rica e profunda, pois o evangelho é tão simples que uma pessoa iletrada pode entender e, ao mesmo tempo, é tão profundo que os mais hábeis cientistas não conseguem compreender. Não podemos nos esquecer de que no evangelho, além das bênçãos, está também embutida a renúncia.

Este mundo pós-moderno tenta sufocar as convicções da igreja, mostrando a inversão de valores através do relativismo. Não podemos esquecer que o homem é complexo, mas o evangelho é completo.

2) Pragmatismo missional:

Vivemos em um mundo capitalista e competitivo, e esse vírus do crescimento a qualquer custo muitas vezes quer contaminar o ambiente cristão “porque nós não estamos como tantos outros, mercadejando a Palavra de Deus; antes, em Cristo é que falamos na presença de Deus, com sinceridade e da parte do próprio Deus” (2Co 2.17), Rubens Ramiro Muzio em seu livro DNA da Liderança Cristã declara que muitos estão deixando de buscar orientação de Deus e estão buscando estratégias mercadológicas coorporativas. De fato, como pastores entendemos que administrar a igreja não é o mesmo que administrar uma empresa.

Podemos até emprestar algumas ferramentas para melhor atender a comunidade cristã, mas o perfil da igreja é completamente antagônico ao de uma empresa. Toda e qualquer formação secular dever estar subordinada à nossa missão de proclamadores da palavra de Deus.

Muzio enfatiza que as propostas de crescimento não devem ser pautadas em marketing, mas em visão missional contextualizadas na teologia bíblica. Segundo Jedeias de Almeida, muitos buscam crescimento a qualquer custo e sob qualquer bandeira.

Como vocacionados precisamos buscar em Deus o equilíbrio para entender que há momentos em nosso ministério em que o crescimento se dá por outras formas e não somente através de um rol de membros. “Um planta, outro rega e outro colhe; porém, o crescimento vem de Deus. “De modo que nem o que planta é alguma coisa, nem o que rega, mas Deus, que dá o crescimento.” 1Coríntios 3:7.

É inegável que nenhum pastor quer terminar o ano com o mesmo numero de membro com que o iniciou, mas muitas vezes o crescimento se dá, por exemplo, na consolidação dos recém-convertidos. Não podemos nos esconder atrás do ócio, mas também devemos ter claro em nossa mente que Deus dá o crescimento.

3) Subjetivismo missional:

Jedeias, em sua tese de doutorado, cita que atualmente pessoas têm escolhido viver de forma equivocada, achando que a seleção para o ministério se faz na perspectiva do mercado, necessidades da oferta e da procura e não pela direção do Espírito Santo. Tais escolhas estão fadadas ao fracasso, pois ser vocacionado não é buscar emprego.

Anísio Batista Dantas afirma: “Quem pensa que é fácil ser pastor não passa de um mal informado, ignorante e prepotente. Ser pastor não é ser dirigente de culto, é ser dirigente de vida e transmitir tudo aquilo que o doador da vida deseja que todos os homens recebam. Ser pastor não é falar bonito, não ser bom orador. Ser pastor e ter paixão pelas almas”. Outro aspecto que Rubens Muzio aborda em seu livro é o seguinte: o pastor desde século precisa ter habilidades para corresponder às exigências atuais. Jedeias comenta que há pessoas que buscam capacitações e treinamento no nível corporativo e deixam de buscar o maior e melhor professor que é o Espírito Santo. Tais capacitações visam ao antropocentrismo, e muitos se esquecem de que ser vocacionados é viver uma vida cristocêntrica.

Caros colegas, administradores são indicados, governos são eleitos para um tempo especifico e determinado, mas o pastor é chamado e vocacionado por Deus para ser porta voz em tempos de Guerras e Paz. MacArthur disse: Um chamado divino e inigualável, concedido a homens eleitos por Deus para serem ministros de Sua Palavra e servos de sua igreja.

Nossa vocação não é fruto da mão do homem: “Não fostes vós que me escolhestes a mim; pelo contrário, eu vos escolhi a vós outros” João 15: 16. Nossa vocação é fruto de uma escolha diretiva do Senhor. Não devemos nos esquecer de que estando em um pequeno centro populacional ou em uma megalópole, pastoreando uma pequena ou grande igreja, tendo inúmeras habilidades ou sendo limitados por vários contextos, foi Deus que, em seu olhar eterno, nos arrebanhou para sua seara.

Somos privilegiados por Deus nos conceder tão grande responsabilidade de pastorear pessoas e ver que através de ministrações, de aconselhamentos e proposta de intervenções podemos ver estas almas transformadas pelo poder que há no nome de Jesus e na Palavra de Deus. Somos abençoados por ver um Deus tão poderoso cuidar de maneira tão especial de nós e de nossas famílias. Às vezes temos dificuldades, mas não existe nada melhor do que sabermos que estamos cumprindo as ordens de nosso comandante (o nosso Deus) e ter convicção de que vai dar tudo certo, porque é Ele que esta no comando. A este Deus que tudo sabe, que tudo vê, a Ele sejam dadas glórias, pelos séculos dos séculos. Amém. 1Pedro 5: 11.

“Umas das coisas mais belas de se ver em um púlpito é um pastor vocacionado ministrando.” Pr. Gilberto Eller Filho, IPR de Goioerê, abril
de 1997, Ministração no SPRC.

“Um dos passos mais importantes de um candidato ao Seminário é ter convicção de sua vocação. Pois no seminário e no ministério o obreiro será testado nos níveis mais intensos e variados de sua vida. Pr. Lauro Celso de Souza -Santa Ceia no SPRC, 1998.

“Cada um na vocação em que foi chamado, nela permaneça.” (Vulgata)

Aquele que tem uma profissão tem um bem; aquele que tem uma vocação tem um cargo de proveito e honra. (Benjamim Franklin)

“O sentido da vocação é o sentido superior do homem… Dia memorável na vida de um homem é aquele em que ele se convence de que há um serviço que ele deve e pode prestar à sua pátria ou à sua época.” – John Mackay.

Bibliografia consultada

Donald T Tuner. A Prática do Pastorado. Instituto Bíblico Brasileiro por correspondência. Imprensa Batista Regular.

Riggs Ralph M. O Guia do Pastor. 3ª ed, 1980, Editora Vida.

Dantas A. Batista. O Pastor e seu Ministério. 1990
Barrientos Alberto. Princípios e Alternativas do Trabalho Pastoral. Editora Crista Unida.

PETERSON, Eugene. A Vocação Espiritual do Pastor: redescobrindo o chamado ministerial. São Paulo: Mundo Cristão, 2006.

Junta de Educação Teológica da Igreja Presbiteriana do Brasil. Anexo do candidato ao ministério.

Kiéos M. Lenz César. Vocação: Perspectivas Bíblicas e Teológicas. Viçosa Ultimato 2002, pp. 17-23

Duarte A. Jedeias. A Vocação para o Serviço ou Serviço dos Vocacionados. Fides Reformata XVI, Nº 2, 2011, pp. 99-117

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Fonte: Jornal Aleluia 374, de junho de 2012, p. 5

Síndrome de Constantino. Uma abordagem sobre o nominalismo no século XXI – Maio/2012

Viver a vida cristã sempre foi um grande desafio.
Mas o prazer da comunhão com Cristo supera qualquer vento contrário. Todo cristão engajado com os princípios apostólicos tem satisfação em congregar, bem como em externar sua fé.

O mundo contemporâneo está vivendo uma época de grandes mobilidades. No que se refere à espiritualidade brasileira, hoje nascem tantas manifestações religiosas que nos surpreendem pela sua criatividade de nomes e de filosofias “pseudo-teológicas”. O aumento dessa pluralidade religiosa, entre outras coisas, tem produzido o aumento do retrato sócio-espiritual que é o aumento de cristãos evangélicos nominais, ao que podemos denominar de “síndrome de Constantino”.

Por que síndrome?

Síndrome significa a reunião de alguns sintomas ou comportamentos que caracterizam uma patologia não específica e sem causa determinada. Dados da revista Isto É, citando o IBGE, aponta que: os “evangélicos de origem que não mantêm vínculos com a crença saltaram, em seis anos, de insignificantes 0,7% para 2,9%”. Em números absolutos são quatro milhões de brasileiros a mais nessa condição.

O espírito de nominalismo vem de longe e tem como seu precursor o imperador Constantino que, segundo Gene Edwards, qualifica o Imperador Constantino como o primeiro cristão medieval: “noventa por cento cristão de nome e noventa por cento pagão de pensamento”.

Cristão nominal

O termo “cristão nominal” é usado para qualificar o indivíduo que professa uma determinada fé sem, contudo, ser praticante. Esta expressão foi utilizada pela primeira vez por William Wilberforce (1759-1833). Winston Churchill, citando Wilberforce, dizia que esse líder do movimento abolicionista do tráfico negreiro fora um cristão crítico, que rejeitava o cristianismo acomodado. Wilberforce dizia: “que não bastava professar o Cristianismo, levar uma vida decente e ir à Igreja aos domingos, mas que o Cristianismo atravessa cada aspecto, cada canto da vida cristã”.

Sua abordagem do Cristianismo era essencialmente prática. Dentro da visão de Wilberforce “os interesses do cristão nominal concentram-se nas coisas temporais; os interesses do cristão autêntico concentram-se em coisas eternas. O dicionário catequético da Igreja Presbiteriana do Brasil descreve “cristão nominal” como aqueles que usam a igreja para “um ponto de encontro para rever os amigos, parentes e para ter uma “terapia espiritual”, sem, contudo, ter “o novo nascimento”.

Já o Congresso Internacional de Evangelização, Lausanne, 1974, define como cristão “nominal” aquele que “se intitula cristão, mas não tem um relacionamento autêntico com Cristo com base na fé pessoal.”

Perfil do cristão nominal

Nesse Congresso de Lousanne foi levantado o perfil do cristão nominal:

Perfil do cristão nominal

1) Frequenta a igreja, sem relacionamento pessoal com Cristo.

2) Vai à igreja, mas por motivos culturais e não espirituais.

3) Frequenta a igreja, mas só nas festividades e cerimônias especiais.

4) Há o que não frequenta a igreja nem é membro dela, mas se considera verdadeiro cristão.

Verdades que os cristãos nominais devem saber:

1) Devemos “mostrar” que a verdadeira espiritualidade é evidenciada na prática diária. Tiago 1: 27: “A religião pura e imaculada com nosso Deus e Pai é esta: visitar os órfãos e as viúvas nas suas aflições, e guardar-se incontaminado do mundo”.

Quando Tiago escreve a respeito do cuidado com órfãos e viúvas, ele tem em mente evidenciar que a vida cristã tem seu lado prático. Pois fé e obras (a prática) caminham juntas e são indeléveis. Tiago declara que a espiritualidade saudável é acompanhada de uma vida prática, e todo cristão autêntico se esforça para viver as ensinanças do evangelho em seu cotidiano.

2) Devemos “conscientizá-los” de que uma vida cristã plena redunda em bem-estar espiritual. Tiago 1: 25: “…aquele, porém que atenta bem para lei perfeita, a da liberdade, e nela persevera, não sendo ouvinte esquecido, mas executor da obra, este será BEM-AVENTURADO NO QUE REALIZAR”.

Um dos maiores prazeres que o cristão pode ter é viver as bênçãos contidas na Palavra, e isso só é possível quando nos entregamos cabalmente à vontade de Deus. O evangélico que oferta apenas porções de sua vida terá dificuldade em desfrutar dessa riqueza, pois a vida cristã se torna impraticável quando vivida pela metade.

3) Devemos mostrar que o evangelho é vivo. Hb 4:12: “Pois a palavra de Deus é viva e eficaz,e mais cortante do que qualquer espada de dois gumes, e penetra até ao ponto de dividir alma e espírito, juntas e medulas, e é apta para discernir os pensamentos e intenções do coração”.

Como líderes, devemos nos esforçar para mostrar aos cristãos nominais que a Palavra de Deus é viva, Deus é dinâmico e pode aquecer a vida descompromissada de qualquer pessoa.

4) Devemos “levá-los” a uma experiência impactante. At 9: 3: “Aproximando-se ele de Damasco, na sua viagem, subitamente o cercou um resplendor de luz do céu”. 1Cor 4:20: “Pois o reino de Deus, não consiste em palavras, mas em poder”.

O cristão nominal muitas vezes é perito em repetir textos bíblicos, porém como ministros da Palavra é de vital importância que sejamos um canal de Deus levando-os a uma experiência com Deus.

O apóstolo Paulo era doutor da lei judaica, porém só experimentou uma mudança radical quando teve um impactante encontro com Cristo, segundo o adágio popular: “contra fatos não há argumentos”. Algumas ferramentas podem ser utilizadas como campanhas de oração, retiros espirituais, busca de plenitude do Espírito Santo entre outras, mas o essencial é um real encontro com Cristo, pessoal e marcante.

5) Devemos tratá-los com medida intervenções de longo prazo. Rm 10: 17: “De sorte que a fé vem pelo ouvir, e o ouvir pela palavra de Deus.”

É necessário que o líder e a igreja tenham paciência pois é um tratamento de longo prazo.O cristão nominal é um ser dotado de fé, pois ainda esta no meio da congregação, porém o que lhe falta é o engajamento com os valores do reino, saindo de um anonimato insípido e cinzento para uma vida de pratica e rica no âmbito espiritual.

Mudanças no âmbito psico-espiritual muitas vezes levam tempo. E, para não haver frustração pessoal, é necessário que o líder não desanime em seu ministério de ensino e de cuidado pastoral.

Caros amigos e colegas! Este tema tem sido recorrente no decorrer dos anos, e nós, na missão de porta-vozes, não podemos nos esquecer que, se há pessoas descompromissadas, por outro lado há muitos que são engajados e que se esforçam por viver os valores do reino. Precisamos estar ao seu lado.

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Maio de 2012.

Uma abordagem sobre o esgotamento físico dos pastores – Junho/2011

A atual conjuntura tem exigido
do pastor tomadas de decisões
que, em outras épocas,
nem eram cogitadas.

A cada dia fica mais comum, em nossas igrejas, termos de orientar casais em conflitos, famílias vítimas de violências, outras desestruturadas economicamente, jovens envolvidos com drogas, casamentos precoces, e pastorear, com muita frequência, pessoas com depressão, câncer, Alzheimer e outras doenças graves.

Tudo nos leva a buscar informações sobre assuntos como eutanásia, tratamento com células tronco, inseminação artificial, aconselhamento de casal com filhos siameses, violência, desigualdade social e outros tantos temas e problemas.

O pastor deste mundo pós-moderno, além de lidar com as questões já mencionadas e outras não listadas, ainda tem de desenvolver diversas habilidades, especialmente na área administrativa. Para poder corresponder com as necessidades do homem moderno, segundo Donald Price, em seu livro Conflitos e Questões Polêmicas na Igreja, a sociedade e igreja cobram do pastor atual que ele tenha mente erudita, coração de criança e pele de rinoceronte.

Amados, sabemos que para o pastor dar conta de todas essas exigências não é possível. Nem há tempo e nem condição emocional para tanto. Ocorre, então, que os desafios da atualidade têm gerado nos pastores desgastes que, por sua vez, podem ser somatizados, trazendo consequências pessoais, familiares, financeiras, e para o reino. Sobre isso é que desejamos oferecer uma contribuição

A síndrome de Burnout

Tenho observado que existe um crescente número de pastores que vêm desenvolvendo problemas de saúde devido ao desgaste como cuidador ou demonstram a síndrome de Burnout (descoberta na década de 70). É um distúrbio psíquico de caráter depressivo, caracterizado pelo esgotamento físico e mental. Burnout é uma expressão inglesa (“to burn out” que significa queimar por completo. O esgotamento está relacionado com o estresse causado pelo “trabalho como cuidador”. E o ofício pastoral nada mais é que cuidar espiritualmente, fisicamente etc.

Segundo Champlim, a palavra pastor vem do hebraico e significa cuidar dos rebanhos. Na condição de cuidador, o pastor não está isento de sofrer situações estressantes. O portador da síndrome de Burnout se destaca pela dedicação exagerada à atividade que exerce, em nosso caso o pastorado. O desejo de ser sempre melhor, de ter altos desempenhos, o desejo de valorização pessoal faz com que a vida de cuidador (pastor) se torne uma obstinação e compulsão, levando a um desgaste emocional e físico muito intenso.

Fisiopatologia do estresse: Em condições de estresse crônico, várias substâncias como o cortisol e outros são lançadas na corrente sanguínea, causando desequilíbrio. A maioria dos óbitos é causada por doenças no sistema cardiovascular e um dos fatores é o estresse.

Alguns sintomas dessa síndrome

Sintomas psicossomáticos: enxaqueca, dores musculares ou cervicais, gastrite, úlcera, diarreias, palpitações, hipertensão, Na mulher, suspensão do ciclo menstrual; no homem, a impotência. E baixo libido nas mulheres e homens.

Sintomas comportamentais: violência, drogadição medicamentosa, incapacidade de relaxar, mudanças abruptas de humor.

Comportamento de risco – Suicídio: conversas que dizem que a vida não vale à pena ou por que Judas não foi salvo? – tais assuntos têm como alvo defender o suicídio.

Sintomas emocionais: alto nível de impaciência, distanciamento afetivo como forma de proteção do ego, frequentes conflitos interpessoais, sentimentos de solidão, irritabilidade, ansiedade, baixa tolerância à frustração, dificuldade de concentração impotência, declínio no desempenho profissional (pastorado), apatia e negação.

Essa síndrome geralmente é desenvolvida em pessoas que tiveram alto grau de esforço físico ou mental e tiveram ou não pequenos intervalos de descanso para se recuperarem fisicamente.

O que fazer?

Como pastores, precisamos mudar um aspecto de nossa cultura, pois se não cuidarmos de nós mesmos como teremos condições de cuidar do próximo? “Ame o próximo como a ti mesmo.” – Marcos 12: 31. Muitas vezes dizemos para igreja buscar ajuda de um profissional e nós mesmos não agimos assim.

Os pensamentos geram os comportamentos. Por isso, é de suma importância mudar tais fatores psíquicos e enxergar que não precisamos ser sempre 100%. Existe uma máxima em saúde mental: atrás de todo excesso se esconde uma doença. Em nosso caso, pastores, muitas vezes esquecemos de que o próprio Deus teve seu momento de descanso. Ele é o promotor dessa ideia. O descanso é fundamental para renovar nossas energias e nos deixa abertos para novas ações e empreendimentos. Com as energias renovadas, ficamos mais dinâmicos. É uma violência consigo mesmo e com sua família o pastor não buscar alternativas para descansar.

Viver sem estresse

Viver sem estresse é impossível, mas podemos minimizá-lo de algumas formas, no caso da vida do pastor:

Tirando férias quando possível: o hábito de recarga de energias é importante para todos os seres vivos, mas algumas vezes nós pastores achamos que não fazemos parte desse meio. E alguns ficam vários anos sem investir em si através de alguns dias de férias. E alguns, quando o fazem, ainda querem levar membros da igreja consigo, nas viagens de férias. Essa atitude, por mais nobre que seja, tira a privacidade da família pastoral e acaba, de certa forma, minimizando seu descanso.

Investindo em atividades que proporcionam prazer: muitas vezes parece quase pecado revelar que temos um hobby, pois, para alguns, falar de algo que não seja ir à igreja e ler a Palavra “ainda” é um tabu. Mas não podemos esquecer de que o ministro e sua família precisam de algum tempo de lazer. Esse tempo produzirá não só o descanso físico, mas também uma renovação mental e espiritual.

Evitando o sedentarismo. A inatividade tem sido a causa de doenças como obesidade, diabetes mellitus, problemas cardiovasculares, entre outros. A atividade física proporciona ao organismo uma ativação de substâncias que estimulam a circulação sanguínea, causando bem-estar físico e mental.

Direcionando seu ministério para uma visão qualitativa. Somos frutos de uma sociedade competidora, ávida pelo sucesso e, muitas vezes, nós pastores, sem darmos conta, entramos, nesta correria em busca de produção.

Não podemos nos esquecer de que a obra não é nossa e sim de Deus e, no demais, nem sempre podemos ter como crescimento somente números. Existem outros crescimentos além do numérico. Como queremos produzir para o reino, não devemos viver uma vida apenas de ativismo, “sacrificando” a nós mesmos, à família e até a igreja em buscas de resultados imediatos.

Que Deus nos ajude a aprender a cuidar bem de nosso corpo para, assim, durante muitos anos, podermos cuidar com eficiência da obra que Ele nos confiou. Trabalharmos, sim, mas com moderação e inteligência, para fugirmos de um estresse que venha nos impedir de servi-lo.

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Fonte: Jornal Aleluia 372, de março/abril de 2012, pp. 8 e 9.

O ministro e sua saúde mental – Novembro de 2014

Uma abordagem situacional

sobre a depressão

em pastores

A Organização Mundial de Saúde (OMS), através de pesquisas, tem demonstrado que a depressão é o mal do século. Segundo esta instituição os casos de depressão tendem a superar as doenças cardíacas e o câncer, nos próximos vinte anos. Também será a doença que mais gerará gastos econômicos e sociais para os governos. Segundo Sexana, médico psiquiatra da OMS:

“Nós poderíamos chamar isso de uma epidemia silenciosa, porque a depressão está sendo cada vez mais diagnosticada, está em toda parte e deve aumentar em termos de proporção, enquanto a (ocorrência) de outras doenças está diminuindo”.

A realidade da depressão entre pastores

Algumas pesquisas entre o público evangélico têm demonstrado que o número de pastores com problemas psiquiátricos tem aumentado. Segundo o psiquiatra Dr. Pércio, essas pesquisas tem apontado que, entre os pastores, esse índice é maior que em outras profissões.

Recentemente foi verificado que, em um grupo amostral, 26% eram pastores portadores de problemas psiquiátricos e, no caso, depressão. Segundo a pesquisa de Lotufo Neto, medico psiquiatra e professor de medicina do Hospital das Clinicas em São Paulo, foi encontrado maior incidência de doenças mentais entre ministros protestantes se comparados à população geral, e os transtornos depressivos responderam por 16,4% das doenças mentais encontradas nos ministros protestantes.

Conforme pesquisas da Universidade do Rio Grande do Sul, a UNISINOS, o pastor, líder carismático, ungido, investido da imagem do “homem de Deus” na comunidade, tem de estar sempre pronto e disponível para as atividades pastorais. Essa pronta disponibilidade atrelada à falta de um horário determinado para as atividades pastorais é apontada como uma das causas predisponentes a doenças.

Essas atividades frequentemente demandam uma alternância de emoções: sepultamento pela manhã, reunião de liderança à tarde, casamento em final de tarde e culto à noite; ou seja, a vivência, num mesmo dia, da dor e do luto, o exercício da lógica e a preocupação, a celebração de momento de alegria, prédica e exortação; e atreladas a essas atividades, todas as emoções sentidas, expressas e contidas pelo veículo sagrado.

A função pastoral está atrelada a responsabilidades e preocupações com o reino de Deus de uma forma ampla (crescimento do reino, manutenção, assistência a líderes e a membros da igreja…) todas essas atividades dinâmicas causam profundo desgaste físico e, às vezes, até emocional. Existem alguns fatores na análise de uma depressão.

Fisiopatologia da depressão entre pastores

Fatores endógenos. Existem várias hipóteses para a depressão e uma das mais aceitas é a biológica. Podem ocorrer deficiências dos neurotransmissores, como a serotonina (substância que modula o humor, sono e apetite), a noradrenalina (moduladora do humor), a dopamina (substância estimulante). O baixo nível de captação neuronal dessas substâncias causa a depressão.

Fatores exógenos. Fatores ambientais, como por exemplo, o estresse, circunstâncias adversas, problemas profissionais, familiares, momentos de perda, de ruptura, etc., ou seja, trata-se de uma Depressão causada fundamentalmente por fatores ambientais externos.

Sintomas. Os sintomas de depressão são muito variados e podem mudar de uma pessoa para outra. Existe uma forma didática e básica para conseguir detectar seus sintomas e são chamados: a) Inibição Psíquica, b) Estreitamento do campo Vivencial e c) Sofrimento Moral.

a) Inibição psíquica

Inibição psíquica é o processo que leva o deprimido a ficar lento em suas ações. Ela faz com que tarefas do cotidiano se tornem uma eternidade, pois não há dinamismo mental. Compromete a memória, o rendimento intelectual e o verbal.

b) Estreitamento do campo vivencial (perda de prazer)

O estreitamento é uma expressão que representa a progressiva perda do prazer. Essa evolução da depressão pode chegar a Anedonia, que é a incapacidade em sentir prazer em suas atividades, até mesmo as que, no passado, geravam prazer.

Nessa fase, o individuo se fecha para o mundo, pois não há ânimo para as atividades ocupacionais, as quais são substituídas por grandes períodos de isolamento. Não existe vivência construtiva com os outros e nem consigo mesmo. Nada mais pode gerar prazer.

c) Sofrimento moral (autoestima baixa)

Esse sentimento é caracterizado por sentimentos de menos valia. Trata-se de um sentimento de autodepreciação, auto-acusação, inferioridade, incompetência, culpa rejeição, fraqueza.

Dados demonstram que, na fase do sofrimento moral, é elevado o número de pessoas com ideação suicida. A pessoa depressiva se vê como o pior ser humano do mundo, e se acha o ser humano mais incompetente que existe. Para diminuir ou acabar com essa dor, alguns buscam a saída no suicido.

Em sua pesquisa o Doutor em Psiquiatria e presbítero da Igreja Presbiteriana do Brasil, Dr. Pércio, identificou algumas causas que levaram esse grupo amostral de pastores à depressão. São elas:

Problemas com lideranças da igreja;

Baixa remuneração;

Mudança constante de igreja;

Falta de apoio da igreja local;

Pastor tem expectativas que não são correspondidas pela igreja;

Estresse relacionado à atividade pastoral;

Queixas das esposas com relação ao tratamento dado pela igreja;

Pecado;

Enfraquecimento na fé.

A Bíblia nos mostra homens que tiveram grande experiência com Deus e que passaram por momentos de comprometimento de sua saúde. Elias foi um dos personagens que passou por uma depressão. Mesmo tendo passado por este período difícil de sua vida, Deus lhe mostrou uma saída.

Algumas intervenções
para superar a depressão

1) Abrindo-se para uma experiência diferente com Deus.

Vejamos o que nos ensina o texto de 1Reis 19: 5-21:

“E depois do terremoto um fogo, porém também o Senhor não estava no fogo; e depois do fogo uma voz mansa e delicada. E sucedeu que, ouvindo-a Elias, envolveu o seu rosto na sua capa, e saiu, e pôs-se à entrada da caverna. E eis que veio a ele uma voz, que dizia: Que fazes aqui, Elias? Versos 12 e 13.

No quadro depressivo é comum as pessoas se fecharem para o mundo, porém deve-se incentivar a busca da cura através de uma experiência com Deus, pois Ele sabe como nos ajudar nesse processo. Elias só conseguiu superar seu problema devido a essa experiência espiritual que mudou sua vida e seu ministério.

2) Sabendo que nossa missão é importante para Deus

“E o Senhor lhe disse: Vai, volta pelo teu caminho para o deserto de Damasco; e vem, e unge a Hazael rei sobre a Síria.” Verso 15.

Deus estava reafirmando que a tarefa de Elias era importante para a nação de Israel, naquele momento. O cenário espiritual político estava em declínio e Elias era o homem que seria usado para promover mudanças. Quando alguém entra no quadro depressivo, logo, para ele, seu trabalho, família e comunidade não têm mais importância. É necessário realçar que Deus, em seus propósitos, conta com aquela pessoa, com seus serviços.

3) Superando a decepção com o próximo

“E ele disse: Eu tenho sido em extremo zeloso pelo Senhor Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram o teu concerto, derribaram os teus altares, e mataram os teus profetas à espada; e só eu fiquei, e buscam a minha vida para ma tirarem.” Verso 14.

A depressão de Elias era exógena. A falta de compromisso das pessoas, o descaso com o sagrado, a superficialidade fizeram com que lhe aflorasse a depressão. Pessoas com o perfil de perfeccionismo podem, no decorrer do ministério, se frustrar, pois vão encontrar pessoas descompromissadas. É necessário saber que nossa missão, como pastores, é oferecer apoio e alimento espiritual e caberá ao outro decidir pela escolha. Desta forma teremos claro, em nossa consciência, o senso de dever cumprido.

4) Utilizar o modelo comportamental adotado por Jesus.

Jesus é nosso modelo perfeito em tudo. Ele possuía engajamento social saudável.

“E, ao terceiro dia, fizeram-se umas bodas em Caná da Galileia, e estava ali a mãe de Jesus. E foram também convidados Jesus e os seus discípulos para as bodas.” João 2: 1-2.

Um dos fatores exógenos que leva à depressão é o distanciamento social. Jesus demonstrou muitas vezes estar envolvido com eventos sociais saudáveis.

Dentro da agenda de Jesus, ele destinava períodos para recarregar suas energias vitais, dando tempo para a reflexão, descanso da fatiga gerada pela ministrações. É de suma importância que o ministro saiba desfrutar também de tempos para renovação física e mental, afastando, assim, alguns motivos que desencadeiam a depressão.

A depressão não escolhe idade nem classe social, e nenhum de nós está isento de passar por ela. Por isso, é de suma importância que nós, ministros, estejamos atentos para esses sinais, pois o diagnóstico precoce e a prevenção ainda são o melhor remédio para cura.

Estamos a serviço do Senhor, mas somos de carne e osso. Não oculte de seu médico suas preocupações e ele poderá indicar os exames necessários ou mesmo encaminhá-lo a um especialista.

Novembro de 2014

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Bibliografia

1 – http://www.estadao.com.br/noticias/geral,oms-depressao-sera-doenca-mais-
comum-do-mundo-em-2030,428526,0.htm
Acesso em 12/02/2009.

2 – http://virtualpsy.locaweb.com.br/index.php?art=301&sec=26
Acesso em 01/03/2008.

3 – Deus G. Ribeiro Pérsio. Um Estudo da Depressão em Pastores Protestantes.

4 – LOTUFO NETO, F. Psiquiatria e religião. A prevalência de transtornos mentais
entre ministros protestantes. 1977. Tese (Livre-Docência)–Universidade de
São Paulo, São Paulo, 1977

5 – ORGANIZAÇÃO MUNDIAL DA SAÚDE. Classificação de transtornos mentais
e de comportamento do CID 10: descrições clínicas e diretrizes diagnósticas.
10. ed. Porto Alegre: Artes Médicas, 2000. UNISINOS. Stress na vida religiosa.

Tratativa sobre o câncer de próstata – Novembro de 2014 e novembro de 2017

Superando preconceitos:
um enfoque sobre a saúde masculina

Ter o dom da vida é um grande milagre de Deus. Desde quando nascemos até quando já estamos com a idade avançada, desfrutamos desse privilégio. No entanto, precisamos focar nossa atenção na qualidade de nossa saúde e isso em cada etapa de nossa vida, pois passamos por mudanças biológicas e físicas a cada fase que vivemos. Quando pensamos na saúde masculina, faz-se necessário destacar a atenção que esta merece, principalmente a partir dos quarenta anos de idade. Cada período de nossa vida deve ser desfrutado ao máximo possível, não nos esquecendo dos riscos e cuidados que cada um deles merece.

Pensando nisso, gostaria de abordar os cuidados especiais que nós os homens precisamos ter com nossa saúde, relacionada à área urológica.

O apóstolo João, em sua terceira Carta, demonstra preocupação com a vida espiritual como também com a vida física (a saúde) dos irmãos de sua época. Ele intercede para que os cristãos tenham boa saúde. Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo corra bem, assim como vai bem a sua alma. 3João 1:2.

A palavra de Deus contempla o ser humano em todas as suas esferas, pois a palavra salvação tem sua origem no grego soteria, transmitindo a ideia de cura, redenção, remédio e resgate. No latim salvare, que significa salvar´, e também de `salus´, que significa ajuda ou saúde. Na 3ª Epístola de João 1:2, o termo boa saúde aparece significando estar saudável. Porém sabemos que estar saudável todo tempo é impossível, pois a cada momento nosso sistema biológico está em transformação e se defendendo de todo tipo de agressão. Mas, no tocante à saúde masculina, temos de nos preocupar, pois com o passar do tempo algumas doenças podem aparecer.

A partir dos 40 anos

A partir dos 40 anos é de fundamental importância que o homem cuide de sua vida urológica, buscando assim prevenir um dos grandes males da saúde masculina chamado câncer de próstata. São recomendados exames de rotina a partir dos 45 anos para aqueles que não têm casos familiares de câncer, e aos 40 anos para os que, entre seus familiares, há casos de câncer.

A próstata é uma glândula masculina que se localiza entre a bexiga e o reto. Essa glândula participa da produção do sêmen, líquido que carrega os espermatozoides produzidos no testículo. Ela envolve a uretra e seu tamanho normal é de uma azeitona. A próstata, como todo o aparelho sexual masculino, tem o seu funcionamento regulado pelos níveis de testosterona circulantes, o hormônio masculino.

Os riscos

O câncer de próstata é o sexto tipo mais comum no mundo e o de maior incidência nos homens.

Cerca de três quartos dos casos no mundo ocorrem em homens com mais de 65 anos. Quando diagnosticado e tratado no início, tem os riscos de mortalidade reduzidos. No Brasil, é a quarta causa de morte e corresponde a 6% do total de óbitos por este grupo.

Segundo estimativa de pesquisa sobre a incidência de Câncer no Brasil, realizada pelo Instituto Nacional do Câncer em 2010/2011, a população masculina do Rio Grande do Sul é a que está sujeita a mais casos de câncer de próstata, sendo de 80 para cada 100 mil homens, por ano.

Na maioria dos homens, o câncer de próstata não apresenta qualquer sintoma na fase inicial de desenvolvimento da doença. Entretanto, alguns homens podem sentir os seguintes sinais:

Conheça os sintomas

Jato de urina muito fraco ou reduzido;

Necessidade frequente de urinar, especialmente à noite;

A sensação de que sua bexiga não se esvaziou completamente
e ainda persiste a vontade de urinar;

Dificuldade de iniciar a passagem da urina;

Dificuldade de interromper o ato de urinar;

Urinar em gotas ou jatos sucessivos;

Necessidade de fazer força para manter o jato de urina;

Necessidade premente de correr ao banheiro – pode,
inclusive, ocorrer que a urina vaze antes que chegue ao banheiro;

Sensação de dor na parte baixa das costas ou na pélvis (abaixo dos testículos) e

Sintomas menos comuns como dor durante a passagem
da urina, dor quando ejacula ou dor nos testículos.

O exame preventivo independe desses sintomas, pois, sendo preventivo, deve ser realizado mesmo que não existam sintomas.

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Homens mais jovens também podem ser afetados, mas são casos raros. O risco de desenvolver câncer de próstata aumenta com a idade. Mas o histórico familiar também é importante. Se um parente próximo (pai ou irmão) tem câncer, é necessária maior atenção e controle. Os riscos aumentam ainda mais caso um parente próximo tenha sido diagnosticado com câncer com idade inferior a 60 anos.

Segundo pesquisas americanas, homens da raça negra têm mais câncer de próstata que homens da raça branca, e mais que homens de origem oriental.

Prevenção

Quanto mais precocemente se diagnostica um tumor, maiores são as chances de cura, sendo diagnosticado no início as chances são de 90% de cura.

Os exames mais comumente realizados para se detectar esse tipo de câncer, precocemente ou não, são o toque retal, o exame de ultrassonografia transretal e o exame de PSA (antígeno prostático-específico).

Preconceito

O estudo “Saúde Masculina, o Homem e o Câncer de Próstata” foi realizado em Belo Horizonte, Belém, Cuiabá, Curitiba, Fortaleza, Manaus, Porto Alegre, Recife, Rio de Janeiro, São Paulo e Distrito Federal, entre os dias 2 e 7 de outubro de 2009 e revelou dados impressionantes. Entre eles: por que os homens não fazem o exame? A resposta pode estar no preconceito e machismo. O levantamento mostrou que 77% concordam que os homens não fazem exame de toque retal por preconceito e 54% percebem que os homens têm medo do exame. Mas, quando questionados sobre a não a realização do exame, apenas 8% admitem preconceito em relação ao toque, enquanto 13% afirmam descuido, preguiça, relaxo e falta de tempo.

“Ninguém vai dizer que é preconceituoso, pois não é politicamente correto, mas se admitíssemos o preconceito, talvez estivéssemos indo mais ao médico. O problema é que o homem foi educado para ser Super-Homem. Pra eles doença é sinal de fragilidade”, explica Schubert.

Sobre o exame realizado para diagnóstico do câncer de próstata, dados da pesquisa mostraram que 47% dos homens já fizeram o PSA (exame sanguíneo) e 54% têm conhecimento de tal exame. O coordenador Schubert, no entanto, reforça que para detectar o câncer de próstata é importante fazer dois exames, tanto o PSA, quanto o exame de toque, apenas os dois testes conjugados vão poder ajudar a verificar a presença de um problema na próstata ou a ausência dele.

Uma dieta rica em frutas, verduras, legumes, grãos e cereais integrais e com menos gordura, principalmente as de origem animal, ajuda a diminuir o risco do câncer. Especialistas recomendam pelo menos 30 minutos diários de atividade física e procurar manter o peso adequado à altura.

Caros colegas, quantas vezes levamos nossas esposas e filhas ao médico, porém sempre adiamos nossa vez.

É crescente o número de homens que, quando procuram o medico, já estão em estado avançado de certas enfermidades, a quem, em muitos casos, o medico diz: você deveria ter feito o exame preventivo há 10 ou 15 anos, e agora só nos resta administrar o problema advindo da enfermidade. Quantas pessoas à nossa volta que, se tivessem realizados exames preventivos, teriam grandes chances de cura de suas enfermidades.

Somos educados a cuidar bem da nossa vida espiritual e nos esquecemos da vida física e saúde. Usando as palavras de João: Amado, oro para que você tenha boa saúde e tudo corra bem, assim como vai bem a sua alma, 3João 1:2, precisamos rever nossas necessidades e procurar, na mediada do “possível”, cuidar de nossa saúde como cuidamos de nossa alma. Quantas famílias hoje são privadas da presença do sacerdote do lar devido à falta de um simples ato que poderia ter sido tratado há anos.

Que Deus me ajude e que Deus nos ajude nessa mudança de paradigma.

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* O pastor Alessandro Silva é enfermeiro pela Universidade Anhembi Morumbi
(Ênfase em Saúde Mental), formado pela Faculdade de Ciências Biológicas da Universidade
de Santos e trabalha com Aconselhamento Pastoral CPPC – Corpo de Psicólogos e Psiquiatras Cristãos.

O pregador vivendo o avivamento – Dezembro/2006

Uma análise contextualizada
do ministério de João Batista

Entre Malaquias, a última voz do Antigo Testamento, e a manifestação de João Batista, Mateus 3: 1-11, decorreram mais de 400 anos. No Novo Testamento, vamos nos deparar com João pregando ardentes mensagens sobre arrependimento. As pessoas entendiam que estavam erradas, confessavam sua fé no Messias e eram batizadas. Ele trouxe um vigoroso avivamento espiritual. Sua vida e ministério muito têm a nos ensinar.
O ministério do pregador avivado

  1. a) Brevidade, 1. João exerceu um ministério de pouca duração, mas seus resultados e frutos foram poderosos, profundos e abundantes. O ministério do homem de Deus não depende de tempo, da pessoa ou de posição social, política e econômica, mas da maneira como ele se sujeita a Deus.

Um ministério avivado, frutífero e próspero nasce de um pregador que, mesmo tendo pequeno tempo e espaço, deixa-se dirigir pelo poder do Espírito Santo de Deus. E, esta graça, em pouco tempo e em qualquer lugar, é evidenciada no seu ensino, em suas pregações, no seu carisma de administração, na ação do Todo-poderoso sobre sua vida. Precisamos de avivamento em nós pregadores como foi o de João Batista, Lc 1: 15; Jo 5: 35.

  1. b) Ambiente, 1. Pregando no deserto, como arauto de seus tempos, anunciou, proclamou mensagens que lhe foram comunicadas pelo Senhor, Dn 3 e 4. Como mensageiro de Deus, foi fiel à vontade divina com intensidade e submissão, a ponto de dar sua vida pelo propósito, Mt 14: 3-10.

O ambiente era o deserto árido e vazio por causa da solidão espiritual que predominava há séculos entre o povo. Não muito diferente de hoje quando, externamente, há templos suntuosos ou divertimentos e muitos lugares que proporcionam prazer, mas, no seu íntimo, as pessoas vivenciam a solidão, estão áridas, como um deserto opressivo. Isso tem sido real na vida de milhares. Somente o avivamento na vida e no ministério do pregador hoje pode reverdecer muitos desertos, levando-os ao florescimento, Is 35: 1.

  1. c) A modalidade de vida, 4. O estilo de vida de João Batista era campestre e simples, típico de região desértica. Tudo era tão rústico, inclusive suas vestes e alimentação. O homem de Deus deve abster-se de ostentações e exageros na sua maneira de viver, principalmente aqueles que se dedicam expostamente à dignidade e formação de caráter do santo ministério.

 

O ensino doutrinário do pregador avivado

A base dos ensinos e pregações de João Batista era a doutrina do arrependimento: “Arrependei-vos”, v. 2 e 11, gritava ele. Esse imperativo também foi o princípio do ministério evangelístico de Jesus, Mc 1: 1-4. Que os pregadores avivados possam trazer de volta, aos nossos púlpitos, pregações poderosas sobre o arrependimento, segundo as modalidades de João e seu primo, Jesus Cristo.

  1. a) Arrependimento. O “arrependimento para a redenção” de que a Bíblia fala, 2Co 7: 10, não é um simples remorso, tristeza, sentimentos ou pesar passageiro e descomprometido com a realidade cristã bíblica. Arrependimento para redenção, salvação da alma, é uma mudança geral na alma e na vida do pecador que se entrega a Jesus Cristo como seu salvador. Daí a mudança no caráter, no comportamento, na condição espiritual, mudança de donos, de destino eterno. Seus desejos, seus hábitos passam a ser outros, 2Co 5: 10, 17; Rm 12: 1-2.
  2. b) A importância. O Mestre Jesus pregou enfaticamente sobre o arrependimento, Mt 4: 17. E ordenou que pregasse o arrependimento aos pecadores, Lc 24: 27. Então os apóstolos, obedecendo à ordem do Mestre, pregavam o arrependimento e as igrejas cresciam, At 2: 38; 3: 19; 3: 31.
  3. c) A urgência. Deus anuncia a todos os homens que é “agora” a hora da decisão, At 17: 30. Razões da urgência: “Porque é chegado o reino de Deus”, Mt 3: 2; “Porque ele é parte do preparativo do caminho do Senhor”, Mt 3: 3; “Porque o Rei Jesus, o Messias proclamado por João Batista e pelos profetas anteriores, já havia chegado”, Jo 1: 23-31.

Ênfases do texto para meditar: João viu a Jesus e disse: “Eis o cordeiro de Deus, que tira o pecado do mundo, Ele é maior que eu, Ele é antes de mim”. “Eu batizo com água para arrependimento”, Mt 3: 11; Ele vos batizará com Espírito Santo e com fogo, Mt 3: 11b.

 Os ouvintes do pregador avivado

Multidões vindas de toda parte, com sede da Palavra de Deus, dirigiam-se ao pregador avivado, destemido, poderoso no ensino e ungido de autoridade divina.

  1. a) A repercussão, Jo 10:41 e Mt. 3:5 e 6. As notícias da unção de Deus que emanavam do pregador e ensinador sobre Jesus chegaram a todas as regiões. O maior milagre na vida de João era seu caráter, sua vida com fidelidade a Deus, com marcas radicais de uma comunhão com Deus que noticiavam às multidões uma vida transformada em Cristo, inclusive de grandes pecadores.
  2. b) Os resultados. João, como pregador avivado, sugere aos ensinadores de nossos dias que, num avivamento cheio do Espírito Santo, as multidões, inexplicavelmente, buscam a salvação. Através do poder persuasivo e atrativo “ia ter com Ele o povo de Jerusalém e de toda a Judeia e de toda província adjacente do Jordão”. Todos ouviram sobre o arrependimento e vida transformada aos pés de Cristo e eram batizados, Mt 3: 6. Se hoje os pregadores e as igrejas voltarem às origens terão os mesmos resultados.

O sucesso ministerial do pregador avivado

Onde estaria a origem do sucesso desse homem? O grande Deus que chama, vocaciona e prepara é o que faz tudo isso. João era desconhecido. Era do deserto. Seus trajes não ofereciam nada que despertasse ou chamasse a atenção das multidões, Lc 7: 24-28. Só que ele tinha elementos em seu mistério que precisamos descobrir para sermos vitoriosos em nosso trabalho.

O que ele era e o que tinha? João era homem de Deus, ungido, temente, fiel, simples e obediente ao seu chamado. Tinha poder e autoridade, zelo pelo ministério, mensagens ungidas e discernimento, pois conhecia os que de fato se arrependiam, Mt 3: 7.

  1. a) Formando discípulos. João formava homens que permaneciam sob suas ordens. Aos seus pés, aprendiam sobre o mistério de Deus, Lc 7: 18-19; 11: 1. Depois, os discípulos de João seguiram a Jesus, Jo 1: 35-42. Nisso é revelada a profundidade do testemunho de João Batista sobre Jesus. Seus discípulos tornaram-se os primeiros discípulos do Mestre Jesus, que maravilha!

No glorioso avivamento acontecem muitas decisões para uma nova vida. Conscientes da nova filiação, muitas vidas são batizadas. O batismo por imersão jamais deve ser realizado como um mero rito ou um meio de acrescentar mais membros ao rol, mas sim como uma prática da ordenança de Cristo Jesus. Temos de executar com seriedade, pois o batismo nas águas é uma figura da morte e ressurreição de nosso Salvador.

  1. b) Ensinando avivamento O arrependimento dos pecadores e sua conversão são obras do Espírito Santo. Por isso, é importante existir humildade no crente, no líder, no pregador e no educador. João foi visto por Jesus como o maior profeta, Mt 11: 11, mas nunca se proclamou como tal, nem quando insistiam com ele, Jo 1: 19-23. Ele apenas disse que era: “a voz do que clama no deserto”.

João batizou com água para arrependimento e, com o exemplo de Jesus, o batismo passou a fazer parte do Cristianismo. Ele também falou sobre batismo com o Espírito Santo e com fogo, que começou a ser cumprido no Dia de Pentecostes. Essa experiência é tão profunda na esfera espiritual como o batismo nas águas na esfera do natural.

Conclusão

O avivamento deve ser uma constância na vida do pregador. Sem ele, não pode ter poderosas mensagens ungidas que conduzem o pecador ao arrependimento e à salvação. Então, você está sendo desafiado a buscar o avivamento para sua vida pessoal e ministerial. Que Deus o abençoe.

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Fonte: Jornal Aleluia de dezembro de 2006

O avivamento e seus recursos básicos – Fevereiro/2007

O profeta Habacuque
é lembrado por causa de sua mensagem
de avivamento para seus dias, a qual,
pela sua profundidade, alcança também
a Igreja de hoje.

Por várias vezes, o povo hebreu, envolvido com as lides da vida material, afastou-se do Senhor. Esse estado de abandono das coisas de Deus, de esquecimento dos deveres espirituais, de valorização mais das práticas mundanas que as religiosas também permeou a história da Igreja e, infelizmente, chega até hoje. Mas Deus, na sua misericórdia, sempre levantou líderes, profetas, pregadores, homens que estiveram dispostos a enfrentar esse estado negativo e prontos a proclamar a autêntica e pura vontade do Senhor.

Estudaremos um destes homens, em Habacuque 3: 1-19. O profeta Habacuque é lembrado por causa de sua mensagem de avivamento para seus dias, a qual, pela sua profundidade, alcança também a Igreja do terceiro milênio. Sua palavra sustenta os filhos de Deus, os cristãos de nossos dias, diante do grande risco de sermos infectados pela mornidão espiritual que assola algumas de nossas igrejas, como já acontecera ao tempo de João e está narrado em Apocalipse 3: 15 e 16.

Habacuque e sua época

O profeta Habacuque viveu numa das épocas mais conturbadas da história de Israel. Homem de oração, de profunda comunhão com o Senhor, teve o privilégio de ver, com clareza o que estava ocorrendo e as consequências que adviriam de tanta desobediência e afastamento do Senhor.

Para que sua pregação e testemunho permanecessem, ele escreveu sua mensagem num livro preciosíssimo. Além dos problemas espirituais de afastamento do Senhor, havia graves problemas internos e ex-ternos em seu país.

● Externamente, a nação, por ser pequena, sentia-se insegura diante da ameaça da Babilônia (que hoje é o Iraque) e era um poderoso império. Temida por causa das atrocidades de seu exército, havia vencido os assírios e se preparava para atracar Israel: “Pois eis que suscito os caldeus, nação amarga e impetuosa, que marcham pela largura da terra, para apoderar-se de moradas que não são suas”, Hc 1: 6.

● Internamente, Israel vivia um tempo de declínio espiritual e moral. Imperavam a violência, a iniquidade, a opressão, a injustiça (1: 1-4); Nessa fase o povo estava longe de Deus e chegavam até a praticar a idolatria: “Ai daquele que diz à madeira: Acorda! E à pedra muda: Desperta! Pode o ídolo ensinar? Eis que está coberto de ouro e de prata, mas, no seu interior, não há fôlego nenhum”. Enfim, havia um fracasso nacional, como descrito em Hc 1: 2-5.

Notamos que os homens que não servem a Deus agem da mesma forma em todas as épocas: exploração do próximo, enriquecimento ilícito, ameaças, violência e assim por diante.

Habacuque sofria duplamente, pois via esse quadro de falta de temor em seus compatriotas e o Senhor lhe revelava o que iria acontecer ao seu país nos próximos e anos, que era a irreversível invasão por parte dos babilônios, Hc 1: 6-8, e o cativeiro.

De fato, a invasão e o cativeiro ocorreram. Narra a história bíblica que, em 586 AC, o exército babilônico cercou Jerusalém. Depois de uns tempos, tomaram a cidade, prenderam o rei Zedequias, furaram-lhe os olhos, incendiaram o templo e queimaram as edificações mais importantes, fizeram de seus líderes e habitantes prisioneiros, que foram levados ao cativeiro, Jr 52: 4-30 e 2Rs 25: 1-10.

Habacuque e seu livro

Pouco se sabe sobre a vida de Habacuque, a não ser o que se pode deduzir de seu livro, classificado entre os profetas menores por ter apenas três capítulos. Diferente dos demais, não há profecias contra países vizinhos ou pessoas, mas revelações do que Deus lhes mostrara, suas orações e reflexões.

Provavelmente atuasse no templo na área do louvor, como instrumentista ou cantor, Hc 3: 19.

Podemos destacar três afirmações muito importantes em seu livro:

a) “o justo viverá pela sua fé”, 2: 4. Esta declaração inspirou o apóstolo Paulo a escrever a Carta aos Romanos (Rm 1:7) e, posteriormente, a Martinho Lutero, que a tomou como base para a Reforma Protestante.

b) Os últimos versos de seu livro são considerados a mais elevada expressão de fé de todo o Antigo Testamento, 17-19.

c) O versículo “Aviva, ó Senhor, a tua obra”, 3: 2, revela sua insistência com Deus pela mudança do coração dos homens. E tem sido o lema dos anseios de renovação nas Igrejas.

Habacuque e a Igreja de hoje

Que lições podemos tirar dos ensinos desse homem de Deus para nossa vida espiritual e para nossas igrejas hoje?

É tempo de clamar por um avivamento. Habacuque percebeu que seus compatriotas precisavam mudar seu comportamento espiritual. Por isso, se coloca diante de Deus e roga que os olhos deles sejam abertos para a maior das necessidades, que é a de estar mais perto do Senhor e viver seus princípios.

A essa prática espontânea no modo de servir ao Senhor é que chamamos de avivamento ou renovação espiritual. Ela resultará na ação poderosa, irresistível do Espírito Santo, que se sobrepõe a qualquer força.

Quando o avivamento acontece, a renovação aparece e, consequentemente, seus grandes e necessários resultados surgem. A Igreja avivada cria crentes avivados. Seus membros tornam-se ativos, buscam ao Senhor, Is 55: 6, deixam de ser simples admiradores e ouvintes e passam a realizadores, Jó 42: 5. “Eu te conhecia só de ouvir falar, mas agora os meus olhos te vêem”. Os crentes espirituais, 1Co 2: 15, são ativos e produtivos na obra do Senhor, Ap 22: 11.

É tempo de orar com profundidade. Orar crendo, orar buscando com sinceridade, orar tendo certeza de que está falando com o rei do universo. Orar para que Deus conceda um avivamento pessoal e coletivo com poder, glória e soberania. Vigílias, orações que partam do profundo de uma alma preocupada e que se derramem diante de Deus.

É tempo de buscar os meios de graça. A Bíblia enfatiza, tanto no Antigo como no Novo Testamento, que os grandes eventos foram antecedidos, marcados e alcançados com jejum, arrependimento, confissão, quebrantamento, espírito de humildade junto ao Deus que santifica, Josué 3: 5.

É tempo de valorizar a Palavra de Deus. Levar para a Igreja a eficiente palavra que vem como fogo e como martelo que esmiúça a penha do pecado, Jr 23: 29. Palavra abundante, fluente, poderosa, reavivadora como um carro forte. A palavra do Senhor é o agente ativo e divino para gerar o avivamento de que desesperadamente a Igreja precisa.

A Igreja carece de púlpito e de ensino que exponham as excelências do Espírito Santo e o culto ao Senhor tem de ser realizado com seriedade e espiritualidade.

É tempo de louvar o Senhor no poder do Espírito Santo. No andamento de um culto, o louvor ministrado com unção e testemunho de vida faz a glória de Deus se manifestar. Mas o louvor, se não for vigiado, pode ser a porta para entrada de costumes os mais indesejáveis na Igreja. Temos de clamar por avivamento de fogo em nossos louvores e zelar pela liturgia que agrade do Senhor e não aos homens, Amós 5: 21.

É tempo de buscar o temor a Deus e seus resultados. Se não houver temor constante, o crente vai perdendo a noção dos valores espirituais, dos perigos que o cercam, perde o repúdio ao mal, ao pecado, perde a sensibilidade para com os valores divinos e santos do Senhor. Isso empobrece sua vida espiritual. Quando os valores espirituais são apagados, há impedimento de acesso àquela vida de santidade e de retidão a Deus que é de suma importância para sua vida ministerial e no seu viver cotidiano, Habacuque afirma: “Ouvi, Senhor, a tua palavra, e temi”, 3: 2.

Conclusão

O que Deus fez ontem pode fazer hoje, Hab. 3: 3. Deixemos o Senhor ficar no controle da Igreja. Para isso, devemos orar como o profeta Habacuque. “Aviva, ó Senhor, a tua obra no meio dos anos”, 3:2. E, se isso fizermos, o tão precioso avivamento certamente virá, a renovação se firmará e todos os pastores e igrejas triunfarão na plenitude do Espírito Santo.

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Fonte: Jornal Aleluia de fevereiro de 2007

Entrevista – Somos parte significativa da Igreja do Senhor Entrevistador: Pr. Émerson Garcia Dutra – Julho/2002

Entrevista concedida
pelo Pastor Advanir Alves Ferreira,
presidente da IPRB,
ao pastor Émerson Garcia Dutra, titular
da Secretaria Central da IPRB

PANORAMA DA IPRB EM 2002

A igreja evangélica vem se consolidando no Brasil de uma forma gradativa e constante. Informações do último Censo apontam que os evangélicos cresceram 70,7% nessa última década. Ficamos felizes porque a IPRB tem sua participação nesse crescimento, pois nesses últimos 10 anos seu número de membros multiplicou-se. Esse resultado evidencia a boa aceitação de sua linha doutrinária e de seu trabalho social.

O crescimento revela que sua membresia foi conquistada em razão de sua mensagem libertadora, pregada através de um evangelismo dinâmico. E revela ainda mais: que a Igreja Renovada tem estrutura suficiente para continuar crescendo, servindo ao povo brasileiro, às famílias em conflitos, aos desesperançados, levando-lhes a autêntica e bíblica mensagem de Jesus.

No 3º domingo de julho, a IPRB estará louvando e agradecendo ao Senhor pelos 27 anos de sua organização. São quase três décadas de um árduo e constante trabalho em busca dos pecadores para o reino de Deus. Nesse período, surgiram muitas barreiras que tentaram impedir a marcha da Igreja, mas nem por isso ela estagnou-se. Pelo contrário, a Renovada vem demonstrando, ao passar dos anos, que não é apenas mais uma igreja evangélica neste país, mas, na verdade, é uma Igreja que tem procurado dar uma contribuição positiva para a melhoria de vida material e espiritual de nosso povo, Mt 5: 13-14.

Aproveitando o momento desta festiva data, quando todas as IPRs estarão tributando ao Senhor louvor e adoração por mais um ano de vitórias, o leitor terá a oportunidade, através desta entrevista elaborada pela Secretaria Central (SC), de saber o que pensa o presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, e o que ele tem a dizer aos membros, às lideranças e aos pastores da Igreja.

SC: Como está sendo o relacionamento
da IPRB com as demais igrejas
evangélicas no Brasil?

Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus – O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado em nosso meio.

SC: O que poderia ser feito
para que as igrejas evangélicas
se tornassem mais unidas?

Presidente: É possível ser a Igreja de Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo conhecido, Jo 17: 21.

SC: Como o Senhor avaliou
o resultado do Censo
sobre o crescimento dos evangélicos?

Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação. A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se converterão e os milagres serão uma conseqüência dessa bênção.

SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira será o celeiro
de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?

Presidente: Creio que sim. O brasileiro é sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.

SC: Como o irmão avaliaria
a IPRB após as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembléia?

Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus disse: “santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”, Jo 17: 17. Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.

SC: Com isso, a Igreja
tem-se demonstrado
madura e compromissada com o reino?

Presidente: Tudo indica que sim. A própria Assembléia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou maturidade e firmeza por parte das lideranças. Tenho visitado Presbitérios e visto que as igrejas estão alegres, firmes e preocupadas com a evangelização de vidas.

SC: Considerando estes 27 anos
de organização, pode-se afirmar
que a IPRB é uma Igreja estruturada?

Presidente: Claro que sim. Somos uma igreja equipada. Temos dois Seminários, que se empenham na formação de obreiros com bom nível cultural e espiritual; uma Editora que vem produzindo obras de qualidade, o jornal que serve como instrumento para amalgamar a denominação, as Revistas de EBD, que oferecem segurança doutrinária para a Igreja e todo tipo de material para as secretarias. Na área de missões, a Missão Priscila e Áquila tem realizado excelente trabalho.

A Renovada é hoje uma igreja reconhecida e conceituada. No dia 28 de fevereiro deste ano, por exemplo, a Câmara de Deputados de Brasília homenageou a IPRB por seus 27 anos de organização no Brasil. Neste ano recebemos a visita de líderes da Knox Fellowship, um grupo de renovação da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, voltado ao treinamento para evangelismo e discipulado de Igrejas locais e presbitérios, que se mostraram interessados em estreitar relações com a IPRB e já nos convidaram para participar de reunião da Diretoria da Knox nos Estados Unidos, o que faremos no próximo mês de agosto.

SC: Quais os projetos
para o crescimento da denominação?

Presidente: A Diretoria Executiva, em sua última reunião, lançou um projeto que envolve todos os presbitérios, instituições, pastores e lideranças da IPRB. Esse planejamento que visa ao crescimento e à dinamização das igrejas precisa ser levado a sério. Agir como a igreja dos tempos primitivos, ou aquela que não esteja enclausurada entre quatro paredes deve ser o sonho de cada pastor ou liderança. Uma estratégia forte que a Igreja Primitiva aplicava eram as reuniões de casa em casa. Ainda hoje, essa estratégia, que tem recebido os mais diversos nomes, poderá ser o ponto chave de crescimento da obra de Deus.

SC: O que cada igreja
ou cada Presbitério poderia fazer
para que a IPRB se tornasse mais contextualizada?

Presidente: Poderia procurar servir-se mais dos avanços tecnológicos atuais, sem perder de vista os princípios da Palavra de Deus. Embora não sejam indispensáveis, são fundamentais como estratégia auxiliar de trabalho. Como pode o pastor trabalhar sem um veículo? Já imaginaram o que o apóstolo Paulo faria se tivesse em seu escritório um computador, na igreja os equipamentos de som, os meios de comunicação, ou se tivesse ao seu alcance os recursos que temos hoje? A Igreja dos primeiros séculos não possuía nada disso, mas mesmo assim fez muito para o reino de Deus. Não há dúvidas de que as nossas igrejas precisam se contextualizar e trabalhar sem se contaminar com o mundo.

SC: O irmão tem enfatizado
em suas mensagens a necessidade
de um reavivamento espiritual. Por quê?

Presidente: Prego e continuarei pregando a necessidade de um reavivamento espiritual legítimo e completo. Essa é a mensagem da Renovada. Prego porque acredito que somente através dele a igreja será despertada. E haverá desprendimento, vida com Deus e santificação. Uma verdadeira vida de oração e comunhão só será alcançada quando isso acontecer. Todo partidarismo, divisão e falta de amor serão desfeitos com essa bênção. Devemos desejar esse derramar e rogar ao Senhor para que esse dia chegue logo. A IPRB será outra quando isso acontecer.

SC: Tem uma palavra
para a Igreja Renovada nesta data?

Presidente: Desejo que nesse dia, 3º domingo de julho, sejamos imensamente gratos a Deus e nos tornemos mais próximos do Senhor. Lembremos sempre de que a Renovada é fruto da vontade de Deus, e não da vontade do homem. Vamos unir nossas forças e deixar um pouco as críticas ferinas de lado. Nas cidades onde há mais de uma Igreja, procurem irmanar-se, trabalhar juntos. Façam isso em nome de Jesus. Procurem realizar com amor a obra de Deus. Fiquemos com as palavras do apóstolo Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade”, Fl 2: 3.

Maringá, julho de 2002

……………………

Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002

Entrevista Panorama da IPRB em 2002

Entrevista concedida
pelo Pastor Advanir Alves Ferreira,
presidente da IPRB,
ao pastor Émerson Garcia Dutra, titular
da Secretaria Central da IPRB

PANORAMA DA IPRB EM 2002

A igreja evangélica vem se consolidando no Brasil de uma forma gradativa e constante. Informações do último Censo apontam que os evangélicos cresceram 70,7% nessa última década. Ficamos felizes porque a IPRB tem sua participação nesse crescimento, pois nesses últimos 10 anos seu número de membros multiplicou-se. Esse resultado evidencia a boa aceitação de sua linha doutrinária e de seu trabalho social.

O crescimento revela que sua membresia foi conquistada em razão de sua mensagem libertadora, pregada através de um evangelismo dinâmico. E revela ainda mais: que a Igreja Renovada tem estrutura suficiente para continuar crescendo, servindo ao povo brasileiro, às famílias em conflitos, aos desesperançados, levando-lhes a autêntica e bíblica mensagem de Jesus.

No 3º domingo de julho, a IPRB estará louvando e agradecendo ao Senhor pelos 27 anos de sua organização. São quase três décadas de um árduo e constante trabalho em busca dos pecadores para o reino de Deus. Nesse período, surgiram muitas barreiras que tentaram impedir a marcha da Igreja, mas nem por isso ela estagnou-se. Pelo contrário, a Renovada vem demonstrando, ao passar dos anos, que não é apenas mais uma igreja evangélica neste país, mas, na verdade, é uma Igreja que tem procurado dar uma contribuição positiva para a melhoria de vida material e espiritual de nosso povo, Mt 5: 13-14.

Aproveitando o momento desta festiva data, quando todas as IPRs estarão tributando ao Senhor louvor e adoração por mais um ano de vitórias, o leitor terá a oportunidade, através desta entrevista elaborada pela Secretaria Central (SC), de saber o que pensa o presidente da IPRB, pastor Advanir Alves Ferreira, e o que ele tem a dizer aos membros, às lideranças e aos pastores da Igreja.

SC: Como está sendo o relacionamento
da IPRB com as demais igrejas
evangélicas no Brasil?

Presidente: Somos uma parte da Igreja de Jesus – O corpo de Cristo. Nossa missão, juntamente com as demais igrejas, é a de evangelizar e ganhar o Brasil e o mundo para Cristo. Para isso, consideramos cada denominação que tem bases bíblicas sólidas como coirmã e evitamos polemizar ou questionar, pois isso seria uma forma de julgamento. Toda vanglória e partidarismo não agradam a Deus, geram isolacionismo e são um mau testemunho diante da comunidade. Considerando a todos como irmãos venceremos qualquer tipo de barreira denominacional, e o Senhor será glorificado em nosso meio.

SC: O que poderia ser feito
para que as igrejas evangélicas
se tornassem mais unidas?

Presidente: É possível ser a Igreja de Jesus sem perder sua identidade. Para sermos mais unidos, é necessário que cada igreja respeite e reconheça o trabalho das demais, ou seja, sua maneira de trabalhar. Eu até acredito que Deus confiou a cada denominação um ministério específico. Já pensou se a Igreja no seu todo fosse da mesma maneira, fizesse tudo de igual para igual? Se assim acontecesse, como é que iríamos conseguir alcançar os diversos tipos de pessoas? É preciso haver unidade nos propósitos de salvação, pois só assim iremos fazer Cristo conhecido, Jo 17: 21.

SC: Como o Senhor avaliou
o resultado do Censo
sobre o crescimento dos evangélicos?

Presidente: Nos últimos 10 anos, a igreja evangélica brasileira cresceu mais de 70%; portanto, a tendência é de que esse crescimento seja avassalador nas próximas décadas. Estou crendo que Deus vai derramar um grande avivamento sobre o seu povo, e os evangélicos ainda serão maioria nesta nação. A igreja precisa se despertar e sonhar com essa realidade. De posse desse derramar do Espírito, sua mensagem será mais viva e poderosa e como resultado desse fato vidas se converterão e os milagres serão uma conseqüência dessa bênção.

SC: Dizem que a igreja evangélica
brasileira será o celeiro
de missões mundiais. O irmão vê dessa forma?

Presidente: Creio que sim. O brasileiro é sempre bem recebido no exterior, é um povo simpático e amigo. Acredito que temos tudo para ser esse celeiro. Por outro lado, somos devedores àqueles que trouxeram o evangelho ao Brasil. Reconhecemos que a igreja evangélica brasileira já vem sendo uma igreja missionária. Temos muitos missionários trabalhando aqui e fora do país. Mas para que ela seja esse celeiro, é necessário desprender-se muito mais, porque a obra de Deus requer profunda paixão pelos pecadores e recursos para seu sustento.

SC: Como o irmão avaliaria
a IPRB após as reformas
estatutárias ocorridas na última Assembléia?

Presidente: Já fazia algum tempo que a Igreja vinha clamando pelas reformas. A Igreja não pode deixar-se amarrar por leis ou regulamentos, se esses estiveram impedindo seu progresso. As reformas foram necessárias e foram muito bem feitas. Estamos ainda assimilando as mudanças. Mas já se pode perceber que as IPRs de modo geral aceitaram bem as alterações, pois representam aquilo que seus líderes pensam. Mas não podemos nos esquecer de que a Palavra de Deus é a nossa bússola. É ela que deve conduzir o cristão a uma vida de santidade ao Senhor. Jesus disse: “santifica-os na verdade, a tua palavra é a verdade”, Jo 17: 17. Estamos no caminho certo, pois Deus tem guiado sua Igreja.

SC: Com isso, a Igreja
tem-se demonstrado
madura e compromissada com o reino?

Presidente: Tudo indica que sim. A própria Assembléia que promoveu as reformas deu prova desse fato. Uma reunião que deveria demorar praticamente três dias foi realizada num dia de trabalho. Isso revelou maturidade e firmeza por parte das lideranças. Tenho visitado Presbitérios e visto que as igrejas estão alegres, firmes e preocupadas com a evangelização de vidas.

SC: Considerando estes 27 anos
de organização, pode-se afirmar
que a IPRB é uma Igreja estruturada?

Presidente: Claro que sim. Somos uma igreja equipada. Temos dois Seminários, que se empenham na formação de obreiros com bom nível cultural e espiritual; uma Editora que vem produzindo obras de qualidade, o jornal que serve como instrumento para amalgamar a denominação, as Revistas de EBD, que oferecem segurança doutrinária para a Igreja e todo tipo de material para as secretarias. Na área de missões, a Missão Priscila e Áquila tem realizado excelente trabalho.

A Renovada é hoje uma igreja reconhecida e conceituada. No dia 28 de fevereiro deste ano, por exemplo, a Câmara de Deputados de Brasília homenageou a IPRB por seus 27 anos de organização no Brasil. Neste ano recebemos a visita de líderes da Knox Fellowship, um grupo de renovação da Igreja Presbiteriana dos Estados Unidos, voltado ao treinamento para evangelismo e discipulado de Igrejas locais e presbitérios, que se mostraram interessados em estreitar relações com a IPRB e já nos convidaram para participar de reunião da Diretoria da Knox nos Estados Unidos, o que faremos no próximo mês de agosto.

SC: Quais os projetos
para o crescimento da denominação?

Presidente: A Diretoria Executiva, em sua última reunião, lançou um projeto que envolve todos os presbitérios, instituições, pastores e lideranças da IPRB. Esse planejamento que visa ao crescimento e à dinamização das igrejas precisa ser levado a sério. Agir como a igreja dos tempos primitivos, ou aquela que não esteja enclausurada entre quatro paredes deve ser o sonho de cada pastor ou liderança. Uma estratégia forte que a Igreja Primitiva aplicava eram as reuniões de casa em casa. Ainda hoje, essa estratégia, que tem recebido os mais diversos nomes, poderá ser o ponto chave de crescimento da obra de Deus.

SC: O que cada igreja
ou cada Presbitério poderia fazer
para que a IPRB se tornasse mais contextualizada?

Presidente: Poderia procurar servir-se mais dos avanços tecnológicos atuais, sem perder de vista os princípios da Palavra de Deus. Embora não sejam indispensáveis, são fundamentais como estratégia auxiliar de trabalho. Como pode o pastor trabalhar sem um veículo? Já imaginaram o que o apóstolo Paulo faria se tivesse em seu escritório um computador, na igreja os equipamentos de som, os meios de comunicação, ou se tivesse ao seu alcance os recursos que temos hoje? A Igreja dos primeiros séculos não possuía nada disso, mas mesmo assim fez muito para o reino de Deus. Não há dúvidas de que as nossas igrejas precisam se contextualizar e trabalhar sem se contaminar com o mundo.

SC: O irmão tem enfatizado
em suas mensagens a necessidade
de um reavivamento espiritual. Por quê?

Presidente: Prego e continuarei pregando a necessidade de um reavivamento espiritual legítimo e completo. Essa é a mensagem da Renovada. Prego porque acredito que somente através dele a igreja será despertada. E haverá desprendimento, vida com Deus e santificação. Uma verdadeira vida de oração e comunhão só será alcançada quando isso acontecer. Todo partidarismo, divisão e falta de amor serão desfeitos com essa bênção. Devemos desejar esse derramar e rogar ao Senhor para que esse dia chegue logo. A IPRB será outra quando isso acontecer.

SC: Tem uma palavra
para a Igreja Renovada nesta data?

Presidente: Desejo que nesse dia, 3º domingo de julho, sejamos imensamente gratos a Deus e nos tornemos mais próximos do Senhor. Lembremos sempre de que a Renovada é fruto da vontade de Deus, e não da vontade do homem. Vamos unir nossas forças e deixar um pouco as críticas ferinas de lado. Nas cidades onde há mais de uma Igreja, procurem irmanar-se, trabalhar juntos. Façam isso em nome de Jesus. Procurem realizar com amor a obra de Deus. Fiquemos com as palavras do apóstolo Paulo: “Nada façais por contenda ou por vanglória, mas por humildade”, Fl 2: 3.

Maringá, julho de 2002

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2002

Reforma Protestante: celebração de fé pelos 500 anos da liberdade eclesiástico-cristã – Outubro/2017

É sabido que a Reforma Protestante foi um movimento reformista cristão ocorrido no início do século XVI, cujo marco inaugural
se deu por meio da publicação das 95 teses de Martinho Lutero,
em 31 de outubro de 1517, afixadas à porta da Igreja do Castelo
de Wittenberg, protestando contra diversos pontos doutrinários
da Igreja Católica Romana.

Os números são sempre significativos. Por vezes, falam de datas e marcas, de fatos e recordações, de pactos e compromissos, do passado e do presente, do ontem e do hoje, assim como de momentos de reflexão e desafios para novos objetivos. 500 é um número alto, difícil de ser alcançado e de ser comemorado. Não é qualquer segmento religioso que atinge essa marca. A Reforma Protestante fala, antes de qualquer coisa, de liberdade eclesiástico-cristã.

Sim, liberdade e rompimento com a idolatria, com a liturgia engessada e contaminada pelas heresias, com a devocional acasulada, com o sacerdócio pagão e místico e com o estado de vida cristã fria, monótona e acorrentada pelos dogmas do catolicismo romano. Em suma, a Reforma Protestante fala da liberdade cristã para cultuar e adorar ao Deus eterno, afirmando que Jesus, seu Filho, é o “único” mediador entre Deus e os homens (1Tm 2:5).

Em 31 de outubro de 2017, completam-se 500 anos dessa façanha cristã. O momento é oportuno para refletirmos sobre a coragem de Martinho Lutero, ao protestar e romper com os religiosos romanos, a fim de que a Igreja alcançasse a liberdade e assumisse a missão divina de ser sal da terra e luz do mundo (Mt 5:16,17). Por isso, vamos celebrar com gratidão e louvores a Deus esse marco histórico, que nos deixa lições práticas e relevantes para a vida cristã.

Reforma x Bíblia

A Reforma Protestante não é apenas um movimento reformista, em protesto aos dogmas de uma instituição religiosa. Se assim fosse, não seria tão duradoura. Um marco desse porte prova a razão de sua existência e finalidade. Seu fundamento não está na pessoa de Martinho Lutero ou de outro reformador, mas na veracidade e infalibilidade da Palavra de Deus, capaz de penetrar e dividir alma e espírito, juntas e medulas, sensível para perceber os pensamentos e intenções do coração (Hb 4:12).

A Reforma sem Bíblia não seria reforma, não teria valor, não teria credibilidade. As contestações de Lutero a respeito da venda de indulgência e da salvação pelas obras estavam alicerçadas nas Sagradas Letras. A Bíblia foi o retrovisor, para que Lutero enxergasse o que estava por detrás das doutrinas católicas, que cegava e condenava as pessoas. Nenhuma doutrina deve ter outro fundamento além da Palavra de Deus.

Bíblia x Indulgência

A Bíblia Sagrada foi a plataforma de sustentação para que Lutero pudesse mostrar ao mundo os erros da doutrina romana, especialmente a venda de indulgência. Indulgência, segundo o dicionário, está relacionada à clemência, tolerância e perdão. O termo originou-se do latim “indulgentia”, que significa “bondade”, “para ser gentil” ou “perdão de uma pena”. Portanto, no contexto religioso-romano, seria a remissão dos pecados cometidos por um indivíduo, sendo perdoado pela Igreja, como ato de sua misericórdia.

Em outras palavras, as indulgências eram concedidas pela Igreja ao pecador para reparar as penas temporais causadas pelo pecado já perdoado pelo Sacramento da Confissão. Com isso, a cada pessoa que a Igreja Católica concedia o perdão divino, por meio da venda da indulgência, aumentava consideravelmente sua força política e econômica. Isso explica o poderio que essa Igreja exerceu nessas e em outras áreas do Estado.

Indulgência x Fé

Insatisfeito, Lutero encontra a verdade na Bíblia. O perdão dos pecados e a salvação do ser humano são resultados da obra vicária de Jesus, pelo seu sangue derramado na Cruz do Calvário. Garantir perdão por meio da indulgência foi a grande farsa da Igreja, antes da Reforma Protestante. Isso era inadmissível! Essa heresia deixou Lutero incomodado e o tornou uma pessoa disposta a lutar a favor da liberdade cristã. A venda de indulgências era para ele o principal motivo da Reforma.

Lendo Romanos (1:17), Lutero se depara com a verdade: “Mas o justo viverá pela fé”. O que representava para o reformador essa palavra? Estaria ele desvendando uma verdade omitida pelo clero romano? Sim, porque, à luz desse texto, Lutero passou a compreender e a ensinar a justiça de Deus como um ato divino, pelo qual o justo (pecador) vive. As obras não são, em hipótese alguma, suficientes para salvar o perdido, mas simplesmente algo necessário à vida do cristão (Tg 2:26).

Fé x Liberdade

Liberdade é o que todos desejamos e precisamos. Liberdade é o eco que ainda ressoa do brado de Jesus na Cruz do Calvário: “Está consumado!” (Jo 19:30). É como se Jesus dissesse: Pai, agora eles estão livres, eu paguei o preço por todos (Jo 8:32). Dessa forma, ninguém precisa pagar mais nada pelo perdão e salvação. Jesus pagou de uma vez por todas a nossa “indulgência” com o seu próprio sangue: “Mas fostes resgatados pelo precioso sangue de Cristo, como de Cordeiro sem mácula ou defeito algum” (1Pe 1:19).

Para expressar suas convicções, Lutero escreveu as 95 Teses contra a prática da Igreja Romana, fixando-as na porta do Castelo de Wittenberg e desafiando, com muita autoridade, as lideranças do clero ao debate teológico. O conteúdo dessas teses tinha como meta principal combater o comércio das indulgências praticado pelo clero romano.

No dia 31 de outubro de 1517, a liberdade eclesiástico-cristã estava proclamada. A Reforma Protestante nos trouxe muitos legados importantes. Por meio dela, a Igreja pôde sair do “casulo” e se expandir pelo mundo afora, obedecendo à ordem de Jesus (Mt 28:19,20; At 1:8). Com isso, surgiram diversas igrejas cristãs, tais como: Luterana, Anglicana, Presbiteriana e outras mais. A IPRB, fundada em 8 de janeiro de 1975, é fruto desse movimento histórico-reformista. Que Deus abençoe a sua Igreja na face da terra, e que esta data seja uma oportunidade de renovação de compromissos com Deus.

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Fonte: Jornal Aleluia de outubro de 2017

Oração: a força-tarefa da Igreja pela pátria brasileira – Julho/2017

Presidente fala à igreja sobre a necessidade urgente

de uma força-tarefa de oração e jejum pelo Brasil

diante do desafio da crise político-econômica

“Antes de tudo, recomendo que se façam súplicas, orações, intercessões e ações de graças, em favor de todas as pessoas; pelos reis e por todos os que exercem autoridade, para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso Salvador” (1Tm 2:1-3)

Segundo os estudiosos, uma força-tarefa é um grupo de pessoas
designado para trabalhar em conjunto, a fim de alcançar algo específico e com objetivos claramente definidos. Uma força-tarefa de qualidade funciona independentemente
de um departamento para abordar questões de melhoria relativas à produção,
à venda, à administração, ao marketing, etc.

Embora o conceito de força-tarefa seja de origem militar, hoje, forças-tarefas são frequentemente encontradas além dos limites das forças armadas, aparecendo no mundo dos negócios e de muitos outros segmentos. O que leva um governo ou uma empresa
a optar por essa ferramenta para alcançar alvos? Primeiramente
um sentimento de autonomia.

Uma força-tarefa é comandada por alguém de escalão suficientemente alto
para que ele ou ela não precise consultar constantemente superiores para tomar decisões. Isso faz com que uma força-tarefa seja extremamente móvel, flexível e eficaz,
permitindo que os membros usem suas habilidades de forma muito eficiente.
Uma força-tarefa típica é multifuncional.

É do conhecimento de todos que o Brasil passa por um momento de instabilidade política, econômica e social, principalmente depois das notícias veiculadas na mídia durante os últimos meses. Não precisamos fazer referência a este ou àquele fato, pois todos sabemos dos acontecimentos políticos que, infelizmente, têm nos trazido angústia e dores, afetando, sem precedentes, todas as áreas do país.

O momento não é de críticas nem de julgamentos aleatórios, pois somente Deus julga o mundo com justiça e governa os povos com retidão (Sl 9:8). No entanto, temos percebido que a situação da sociedade brasileira tem sido de grande inquietação e insegurança, em razão das graves acusações de corrupção contra a classe política. Mas nem por isso devemos achar que tudo está perdido.

O momento é complicado e muito sério, mas há esperança para nosso país. Deus pode levantar homens e mulheres com grande liderança política neste país. Pessoas que coloquem o Brasil no seu devido lugar, entre as grandes potências do mundo. Cremos que este país vai superar este momento desafiador. Assim, diante dessas realidades, aproveitando o momento das comemorações alusivas ao dia da IPRB, vejamos o que a Palavra de Deus nos ensina sobre os elementos básicos e estratégicos de uma força-tarefa de oração.

ORAÇÃO E METAS

A mensagem central de Paulo ao seu filho na fé, Timóteo, é que a igreja precisa se colocar diante de Deus a favor de todas as pessoas deste mundo, pelos reis e por todos os que exercem algum tipo de autoridade (v. 1). Não há outra forma de se fazer isso, diz o apóstolo, a não ser com súplicas, orações, intercessões e ações de graças. Ou seja, por meio de pedidos específicos, fundamentados em necessidades precisas, mas com os corações rasgados perante Deus (Jl 2:13).

Uma força-tarefa de oração deve ter objetivos definidos. O texto é claro em estabelecer as nossas metas de intercessão pelas autoridades: “para que tenhamos uma vida tranquila e pacífica, com toda a piedade e dignidade. Isto é bom e agradável diante de Deus, nosso”. Isto é, dobrar-se diante do Senhor com as metas descritas no texto será sempre a nossa força motora, para que o Brasil vença a turbulência política. Afinal, podemos ser bons pilotos de oração (Tg 5:16).

METAS E ESPERANÇA

A esperança deve se alinhar às metas. Esperança de dias melhores; esperança de que nem tudo está perdido; esperança de que a crise vai passar; esperança de que podemos ser um país mais próspero. Orar sem o espírito de esperança seria como um pássaro sem asas, um carro sem rodas ou um rio sem água. A esperança estimula as metas traçadas e dá à pessoa que busca a Deus a certeza de que ele agirá na hora dele (At 2:2).

Cristo é a nossa esperança (Cl 1:27). Então, a oração como força-tarefa precisa ser fundamentalmente estabelecida nele. Com isso, pode-se afirmar que para Deus não existe crise. Estamos de pleno acordo com essa verdade. Deus é soberano e é absoluto em seu governo. Ser esperançoso é olhar firmemente para Jesus, o autor e consumador da nossa fé (Hb 12:2). Isso é essencial para que o Brasil enfrente com segurança este momento desafiador.

ESPERANÇA E SEGURANÇA

Por fim, a esperança produz segurança, tranquilidade e espírito de pacificidade. Ela produz uma vida de piedade e dignidade, o que é bom e agradável diante de Deus (v. 3). No entanto, esse estado de tranquilidade só será possível se a esperança dentro de nós neutralizar todo tipo de medo, desespero e negativismo que, às vezes, atingem a nossa autoestima. Por isso, numa força-tarefa de oração e jejum não se pode retroceder em hipótese alguma.

Qualquer força-tarefa de oração, seja uma reunião, vigília ou algo semelhante, precisa incomodar o inferno (Ef 6:10-11). Verdade é que não sabemos o que poderá acontecer com os efeitos das delações premiadas e outros fatos políticos. As constantes notícias negativas têm gerado um clima de instabilidade em quase todos os setores da nação, especificamente na economia. Por isso, a força-tarefa de oração deve se concentrar no combate às forças do mal (Ef 6:12).

Encerrando, queremos desafiar e conclamar a IPRB a uma força-tarefa de oração e jejum pelas autoridades brasileiras, para que tenhamos homens e mulheres tementes a Deus e que governem com justiça e transparência. Talvez este seja o método mais eficiente de combate à corrupção, que vem afetando todas as camadas da sociedade, desde os seus primórdios (Gn 3:1-6). Somente assim teremos uma vida tranquila e pacífica.

Sugerimos que as igrejas façam nesses dias programas de oração e intercessão pelo Brasil, como clamores, vigílias, oração matutina, reuniões de oração nos templos, nas casas, nos montes, etc., e programas semanais ou mensais de jejum. Não temos tempo a perder! O Brasil precisa sair da crise e a Igreja Evangélica pode fazer a diferença e ajudá-lo nessa situação, pois somos o celeiro mundial de evangelização!

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2017

Motivação: requisito essencial ao pastorado – Junho/2008

Abordar o tema da motivação pastoral
no começo de um ano eclesiástico seria,
para todos os efeitos, um momento
muito oportuno, porque, todos precisamos
estar animados
para cumprirmos, com desvelo e responsabilidade,
qualquer tipo de atividade,
especialmente a pastoral

O pastor, mais do que ninguém, necessita ser um verdadeiro motivador, porque ele trabalha diretamente com gente. Gente que sofre, que enfrenta desafios e que precisa sempre de uma palavra encorajadora. Para tanto, o pastor precisa estar sempre motivado.

Motivação, de uma maneira prática, pode ser definida como todo motivo que leva alguém a fazer alguma coisa. Geralmente esses motivos são definidos como necessidades, desejos ou impulsos, oriundos do indivíduo, que dirigem ou mantêm o comportamento voltado para o objetivo.

A motivação pode ser intrínseca e extrínseca. Na primeira, o interesse reside na atividade em si (desempenho estimulado pelo interesse na própria tarefa – processo interno). Na extrínseca, a atividade é encarada como meio para alcançar outro objetivo, por meio de fatores externos que provocam a motivação.

Portanto, um obreiro (qualquer pessoa) – intrínseca e extrinsecamente motivado – tem todas as possibilidades para realizar um ministério a contento, ainda que em meio às provações e perseguições. Para isto, vamos considerar alguns aspectos importantes que podem servir como pilares, para que a motivação seja uma constante no pastorado.

CONVICÇÃO DO CHAMADO

Segundo James M. George, “o chamado de Deus para o ministério vocacional é diferente do chamado à salvação e do chamado que atinge a todos os crentes: o serviço. Trata-se de uma convocação de homens selecionados para servir como líderes da igreja. Os destinatários desse chamado precisam ter a certeza de que Deus assim os escolhe para liderar”.

Neste aspecto, a convicção do chamado divino é a mola propulsora de todo o ministério eficaz, ou seja, por maiores que sejam os desafios ou embates ministeriais, aquele que é chamado para uma obra específica será sempre amparado por suas convicções ministeriais. O axioma de que foi chamado por Deus é que produz segurança ao pastor, o que resulta na motivação intrínseca.

Diante das vicissitudes e intempéries da labuta ministerial, somente a convicção de que realmente foi escolhido por Deus pode fazer com que o ministro triunfe em glória, transpondo barreiras e galgando alvos desejados. O pastor precisa acreditar em seu ministério, pois somente assim ele será capaz de confiar no autor desse chamado – Deus.

Quando esta convicção ou certeza faltar no coração do obreiro, ainda que todos se coloquem ao seu lado, ele pode estar certo de que o desânimo soará como prenúncio de uma possível crise ministerial. Contudo, quando cremos piamente na convocação divina, mesmo que todos se levantem contra nós, continuamos firmes e inabaláveis, preparando a noiva (a igreja) para se encontrar com o Noivo.

COMPROMISSO COM DEUS

A maior alegria do pastor é saber que labuta a favor da causa do soberano Deus do Universo. Quer dizer, ele não é um empregado dos homens, mas um servo do Deus altíssimo. Paulo expressa esta verdade, quando afirma: ¨Paulo, servo de Jesus Cristo, chamado para apóstolo, separado para o evangelho de Deus¨, Rm 1: 1. Ele estava certo de que o seu compromisso era, antes de qualquer coisa, com Deus.

Por isso, o pastor não deve se comprometer com os anseios políticos, religiosos e econômicos, mas com a nobre causa do evangelho. Ele é embaixador de Jesus na terra. É propagador da maior, mais nobre e melhor causa na face da terra. Ele ocupa uma posição aspirada por muitos, mas que está reservada apenas àqueles que são chamados e comprometidos com Deus.

Parece simples, mas a sua função é de grande e extrema responsabilidade. Só para se ter uma idéia, certo homem disse: “Se um médico errar, ele pode matar o corpo, porém, se o pastor errar, ele pode matar a alma. Um médico pode mandar o corpo para o cemitério, mas o pastor pode mandar a alma para o inferno.” Esse compromisso implica responsabilidade, amor e dedicação à obra do Senhor.

O comprometimento é um grande motivo no desempenho de suas responsabilidades ministeriais, uma vez que Deus confiou aos seus cuidados as suas ovelhas: ¨Obedecei a vossos pastores, e sujeitai-vos a ele, porque velam por vossas almas, como aqueles que hão de dar conta delas, para que o façam com alegria e não gemendo, porque isso não vos seria útil¨, 13: 17.

COOPERAÇÃO DIVINA

Depender de Deus é a máxima do pastorado, isto é, o obreiro precisa estar certo de que o Deus que o chamou é o mesmo que irá cooperar com ele em suas atividades e sustento. Deus chama e capacita àqueles que Ele separou para o ministério ou pastorado. Não há nenhum perigo em alguém aceitar a chamada divina e pensar na possibilidade de não poder contar com a Sua ajuda. Deus se responsabiliza por aqueles que aceitaram o seu chamado.

Charles Bridges afirmou: ”. “A labuta no escuro, sem uma comissão segura, tolda em muito a garantia da fé nos compromissos divinos; e o ministro, incapaz de se valer do apoio celestial, sente em seu trabalho as mãos caídas e os joelhos fracos. Por outro lado, a confiança de que está agindo em obediência ao chamado de Deus e de que Ele está em seu trabalho e em seu caminho, encoraja-o nas dificuldades, conscientizando-o das obrigações pelas quais deve responder com forças onipotentes

Moisés sentiu isto em sua própria pele, quando, de maneira contundente, suplicou a Deus que estivesse com ele na condução do povo à terra prometida: ¨Agora pois, se tenho achado graça aos teus olhos, rogo-te que agora me faças saber o teu caminho , e conhecer-te-ei, para que ache graça aos teus olhos: e atenta que esta nação é o teu povo¨, Ex 33: 13. E a resposta de Deus foi positiva: ¨Irá a minha presença contigo para te fazer descansar¨.

Esta narrativa ensina que Deus estará sempre disposto a auxiliar, a socorrer e a conceder vitórias àquele que é fiel à chamada divina. Sem a presença Dele não vamos a lugar nenhum. Com ele venceremos os gigantes, tiraremos água da rocha, as portas se abrirão e o maná celestial nunca faltará à nossa mesa. Para Deus não há crise, os céus não se cerram e o azeite da botija jamais se acabará, 2Rs 4: 6.

Concluindo, gostaria de fazer uso das palavras de Alex D. Montoya, ao falar sobre liderança: “como o líder pode motivar? Sendo ele mesmo a chave da motivação – sua integridade, sua habilidade, seu conhecimento do que deve ser feito e seu exemplo representam aspectos básicos para a motivação”. Evidentemente, nada mais motiva às pessoas do que um líder (pastor) animado e corajoso. Se o pastor conseguir se manter motivado, o entusiasmo dele vai influenciar outras pessoas.

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Fonte: Jornal Aleluia de junho de 2008

Jornal Aleluia: quatro décadas divulgando a Palavra e registrando a história da Igreja – Fevereiro/2012

O jornal Aleluia chega, com esta edição, aos seus 40 anos de circulação. É uma rica oportunidade para refletirmos sobre seu valor denominacional. Ele é o órgão oficial da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, (IPRB). Fundado em 1972, pelos saudosos pastores Abel Amaral Camargo, ex-presidente da IPRB, Palmiro Francisco de Andrade, ex-diretor do SPR de Cianorte, e Rev. Azor Etz Rodrigues (todos in memoriam), e Pr. Nilton Tuller, atualmente presidente da Igreja Casa de Oração para Todos os Povos – O MOLIVI, em Maringá, PR.

Antes de qualquer consideração sobre a importância do Jornal Aleluia para a IPRB, registramos nossa gratidão a Deus pela vida desses abnegados servos do Senhor que já partiram para a glória, mas que deixaram suas marcas nas páginas da história da IPRB. Ao Pr. Nilton Tuller, nosso grande amigo, em nome de toda a Igreja, a nossa mais sincera gratidão pelos seus serviços prestados ao jornal Aleluia e à Denominação.

O propósito do Aleluia

O Jornal Aleluia foi “idealizado com o propósito de debater e proclamar a mensagem da Renovação Espiritual, no final da década de 60, do século XX, em nosso país, bem como bem como de anunciar a Palavra de Salvação do Evangelho do Senhor Jesus Cristo”. Além disso, desde essa data, suas publicações têm sido valiosas e contribuído para preservar a história da IPRB.

Precisamos reconhecer que, sem essa literatura, nossa história não seria escrita, mas seria simplesmente a palavra falada. Prova disso é a edição do livro “A IPRB na virada do Milênio”, lançado em dezembro de 2010, pela Editora Aleluia, que traz os registros da primeira década de conquistas do terceiro milênio (2001-1010). Praticamente todo material ali exposto teve como fonte o Aleluia.

A primeira edição

No final da década de 60, o avivamento espiritual alcançou grande parte das igrejas presbiterianas no Brasil. Em Assis, SP, pastores percebiam a grande necessidade de levar a mensagem de renovação às Igrejas que aceitavam o mover de Deus. Entretanto, os artigos e notícias em geral desse agir de Deus não eram, em hipótese alguma, divulgados pelo órgão oficial (Jornal) das Igrejas naquela época, que não viam o avivamento com bons olhos.

Por conta disso, os pastores líderes do movimento de renovação espiritual tiveram a brilhante ideai de fundar o Jornal Aleluia para divulgação das novas experiências que muitos pastores, presbíteros, diáconos e membros das igrejas estavam vivendo. Houve uma edição “0” (zero), preparada pelo pastor Nilton Tuller, com tiragem de cem exemplares, impressa em papel sulfite. Mas foi em janeiro de 1972 que, efetivamente, nascia a edição número 1 do Aleluia. Portanto, como brinde desta data comemorativa, temos a alegria de colocar as mãos de cada pastor e pastor auxiliar uma reprodução da edição número 1, juntamente com esta edição 371.

O desafio da persistência

Muitas foram as dificuldades para chegarmos até aqui. Por isso é bom frisarmos que o registro de tudo aquilo que aconteceu e que acontece na IPRB, nos rincões desta nação, bem como no exterior, tem sido, desde a primeira edição um trabalho de desafio e perseverança daqueles que assumiram essa tarefa. Ou seja, se ainda hoje ele circula em nosso meio, é porque existem pessoas convictas do chamado divino para uma obra específica.

Não podemos nos esquecer do professor Joel Ribeiro de Camargo, que foi seu redator e organizador por 32 anos, e que dedicou o melhor de sua vida à publicação de centenas de edições. A ele e família, o nosso reconhecimento pelos trabalhos prestados ao Aleluia nesses longos anos. Agradecemos ao Pr. Rubens Paes que, desde 2006, passou a ser o diretor da Editora Aleluia e o redator responsável pelo jornal. Não podemos nos esquecer, também, de todos aqueles que, de uma forma ou de outra, deram sua parcela de contribuição para que esses 40 anos fossem hoje comemorados.

Literatura que edifica

O Aleluia não é apenas um informativo ou um veículo que leva às pessoas avisos e notícias daquilo que acontece em nossas igrejas, como encontros de missões, de jovens, homens e mulheres, trabalhos especiais, comemorações, de aniversários de igrejas, batismos, falecimentos, cerimônias de casamento, bodas de prata, de ouro, etc. Ele tem uma pauta literária própria, apresentando aos seus leitores um material seguro embasado na Palavra de Deus.

Seus artigos, mensagens e estudos bíblicos têm trazido enriquecimento e edificação para o povo de Deus. Jamais seremos capazes de medir a dimensão de satisfação ou alegria de seus leitores ao receberem uma nova edição. Quando recebo a edição do mês, faço questão de ler tudo, principalmente os artigos e mensagens, porque assim fico inteirado do que minha igreja está fazendo. Por isso precisamos urgentemente valorizar muito mais esta literatura que tem sido uma fonte de bênção para todos nós.

Apoio dos pastores e igrejas

Nesta oportunidade, gostaríamos de solicitar o apoio e oração de todos os pastores, lideranças e membros em favor de todos aqueles que trabalham na elaboração deste precioso material. A participação direta e indireta de cada um é muito relevante para que ele continue a circular em nosso meio, como agente de informação e divulgação da Palavra. Seu propósito, que fora estabelecido em 1972, não pode ser interrompido. Precisamos ser verdadeiros colaboradores também na área financeira, e participativos do progresso desta preciosa literatura.

Por isso, esta data constitui-se em uma ótima oportunidade para reafirmarmos nosso compromisso de assinante fiel, bem como conquistarmos outras pessoas para que sejam assinantes. Deixamos um apelo especial a cada pastor e pastor auxiliar que ainda não é assinante para subscrever sua assinatura hoje mesmo e começar a receber o Jornal.

Que Deus abençoe a todos e que estejamos prontos para ajudar no crescimento e expansão da obra do Senhor por meio desse órgão.

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Fonte: Jornal Aleluia 371, de fevereiro de 2012.

Jornal Aleluia: 300 edições de comunicação do Evangelho – Set/2005

Um dos meios mais eficientes
no processo de comunicação é a palavra escrita.

A Bíblia, por exemplo, constitui-se
no livro de maior poder de comunicação.
No entanto, para que suas mensagens
sejam interpretadas e transmitidas
é necessária a sua divulgação,
que poderá ocorrer pela oralidade
ou através da escrita.

Comunicar quer dizer fazer-se propagar ou transmitir uma mensagem. Sem comunicação seria impossível estabelecer relações entre os diversos povos, propagar descobertas técnico-científicas e promover o sentido de unidade entre as nações, isto é, não é possível imaginar a convivência entre as pessoas, sem que elas tenham a capacidade de expressar suas vontades e opiniões. Cada pessoa seria um mundo à parte, se não houvesse a troca de experiências. Neste caso, a mídia, que se traduz pelos meios de comunicação, tais como a TV, o rádio, os jornais, as revistas e outros mais, constitui-se no suporte principal no processo da comunicação.

Assim, registramos essas palavras, com propósito de lembrar que o Jornal Aleluia, fundado em fevereiro de 1972, acaba de atingir a significativa marca de 300 edições. Não se trata de um jornal qualquer, mas do órgão oficial da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, que fora idealizado com o propósito de debater e proclamar a mensagem da renovação espiritual e do avivamento que se instaurara no final da década de 60 em nosso país, bem como o de anunciar a palavra de salvação do evangelho do Senhor Jesus.

Portanto, nesta oportunidade, gostaria de refletir sobre alguns aspectos relevantes sobre o Jornal Aleluia.

O Aleluia e seus redatores

Uma das marcas das comemorações das 300 edições do Jornal Aleluia é o trabalho de seus redatores, ou seja, das pessoas que têm a grande responsabilidade no preparo e revisão das matérias a serem mensalmente publicadas neste Jornal. Não há dúvidas de que se trata de um trabalho criterioso e que exige capacidade e muita dedicação.

Para que as 300 edições fossem publicadas, foi necessário o empenho de sua liderança e de seus redatores, como, por exemplo, do professor Joel Ribeiro de Camargo, diretor da Junta de Publicações, que está à frente do Jornal desde a edição de número 3, assim como os pastores Rubens Paes e Francisco Araújo Barretos Neto, que atualmente trabalham na redação e publicação do Jornal, das Revistas de EBD, de livros, de folhetos e de todo tipo de material para as igrejas. É um trabalho que precisa ser valorizado por todos.

Por outro lado, não podemos esquecer-nos de outros pastores como José Sidney Dantas, Zinaldo Martins, Valteno Hercílio de Oliveira e Davilson José de Araújo que, em anos anteriores, atuaram na produção deste abençoado Jornal. Precisamos reconhecer o trabalho desses e de todos denodados servos de Deus que durante esses anos prestaram e prestam serviços à causa do Senhor na IPRB. A nossa gratidão a Deus pela vida de cada um deles.

O Aleluia e seus escritores

A trecentésima edição do Jornal Aleluia é resultado de um trabalho participativo, isto é, além do esforço e dedicação dos redatores, há, também, a colaboração dos pastores, lideranças em geral (presbíteros e diáconos) e irmãos das igrejas renovadas em geral, que enviam artigos e notícias para serem publicados no Jornal.

Falo em colaboração, porque cada edição do Jornal Aleluia conta o apoio e participação dessas pessoas. Além do mais, há de se considerar que o Aleluia é um Jornal em que todos têm a oportunidade de escrever e publicar matérias alusivas às suas igrejas e Presbitérios. Trata-se de um canal para abençoar as famílias cristãs e não-cristãs e evangelizar os pecadores.

Um detalhe importante a ser observado é que os artigos publicados procuram evitar uma linha polêmica, mas têm como objetivo principal a edificação do povo de Deus. Por isso, trazer à lembrança àqueles têm seus artigos publicados e àqueles que são escritores colaboradores deste meio de comunicação e das revistas de EBD é, da minha parte, um simples ato de gratidão a Deus.

O Aleluia e seus objetivos

A princípio, um dos objetivos deste Jornal foi informar às igrejas renovadas sobre os acontecimentos da obra de avivamento espiritual, na década de 70, nas igrejas Presbiterianas dos Estados do Paraná, Minas, São Paulo e Goiás. Com o passar do tempo, este veículo foi recebendo forma de Jornal Evangélico e ganhando espaço no meio Presbiteriano Renovado. Hoje, é considerado o meio mais eficiente de comunicação interação entre o povo renovado.

Portanto, os leitores do Jornal Aleluia, em especial os membros da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil, têm participação especial nas comemorações das 300 edições. O mérito é de Deus que concedeu graça e coragem aos seus fundadores (pastores Abel Amaral de Camargo, Azor Etz Rodrigues e Palmiro F. de Andrade – em memória – e Nilton Tuller), redatores e escritores para atingir este número expressivo e histórico. São 300 edições que registram para as gerações posteriores a história da IPRB.

O Aleluia e seus leitores

Mas não basta produzir um bom jornal, recheado de notícias e de artigos edificantes nem tão pouco um jornal com uma linda folha de serviços prestados à denominação, se hoje ele não está chegando às mãos dos membros de nossas igrejas. Por isso, gostaria de apelar aos pastores, lideranças e membros em geral para promover em suas igrejas um esforço específico, um empenho, a fim de elevar o número de leitores e de pessoas que se beneficiam dessa literatura.

É inadmissível que uma denominação como a IPRB de, aproximadamente, 100 mil membros tenha um número tão insignificante de assinantes. Eu penso que cada família, pelo menos, poderia ter uma assinatura. Cada igreja poderia subscrever uma cota do Jornal, como já orientou, nesse sentido, a Administrativa.

Desta forma, em nome da Diretoria Executiva da IPRB, gostaria de agradecer e abençoar a todos que têm contribuído de uma maneira ou de outra para a continuidade do trabalho do Jornal Aleluia. Que Deus abençoe ricamente a atual diretoria da Gráfica e Editora Aleluia e todos que trabalham nesta Instituição. Vamos carregar esta bandeira e proclamar o evangelho de Jesus a todos os povos, Mc 16: 15.

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Fonte: Jornal Aleluia de setembro de 2005

Evidências de um autêntico avivamento – Julho/2008

Não há nada que demonstre, de forma tão eloquente,
a soberania e poder divino como o avivamento,
que é a erupção de Deus na História
e a manifestação de sua graça poderosa

Quando o povo de Israel ou a Igreja, na sua jornada histórica, se mostravam enfraquecidos, fracassados, desacreditados e sem poder, rendiam-se ao Senhor e Deus os soerguia. Não há nada que demonstre, de forma tão eloquente, a soberania e poder divino como o avivamento, que é a erupção de Deus na História e a manifestação de sua graça poderosa.

O brado por um avivamento foi o pedido do profeta Habacuque, 3: 2. Ciente dessa necessidade, o homem de Deus pede ao Senhor que avive a Sua obra, pois estava certo de que, com o passar dos anos, o povo se esfriaria em sua fé de tal modo que todos já anteviam seu fim. Por isso roga, urgentemente, um avivamento para que a obra mantenha-se viva.

Por ocasião do dia da IPRB, que comemoramos no terceiro domingo de julho, e por considerar que o nosso lema nesses últimos anos é Avivamento e Crescimento, gostaria de convidar o amado leitor a uma reflexão bíblica e histórica sobre algumas evidências e resultados advindos dos grandes avivamentos, aplicando-as à nossa vida eclesiástica e pessoal.

Confissão e arrependimento

O pecado é o maior empecilho ao avivamento. A igreja está sofrendo uma vida pobre e superficial porque tem pouca convicção de pecado. Ela tem-se conformado com suas falhas. Parece que tudo se tornou normal ou comum para o povo de Deus. Mas o arrependimento e o choro pelos pecados é a chave para vermos os céus abertos.

Se quisermos avivamento, precisamos tratar a sério a questão do pecado, isto é, avivamento começa com insatisfação, com humilhação, com lágrimas e não com riso e festa. Enquanto a igreja estiver satisfeita consigo mesma, não haverá esperança de avivamento. Portanto, a igreja que não se quebrantar, que não se arrepender, que não se voltar para Deus não estará abrindo as portas para ser usada pelo Senhor, Jr. 15: 19.

Um exemplo sempre atual, que ilustra muito bem esta verdade, é a oração do rei Salomão. Após edificar o templo e orar pedindo as bênçãos sobre aquele lugar, Deus lhe aparece, numa visão, dizendo que no dia em que o povo pecasse e se rebelasse contra Ele sofreria as terríveis consequências do pecado, 2Cr 7: 13 e 14. Todavia, se o povo se humilhasse e reconhecesse o seu pecado, convertendo-se de seus maus caminhos, a bênção tornaria a repousar sobre eles.

Todo grande derramar do poder do Espírito Santo na história, sempre foi precedido por uma profunda convicção de pecado, por meio de arrependimento e oração. Ninguém tem dúvidas de que todo avivamento é precedido de oração. Não se desvincula a oração do poder divino. E Deus não pode conceder poder àquele que está embaraçado com as coisas desta vida, Hb 12: 1 e 2.

Intensa sede de Deus

Outro aspecto é que todo avivamento é marcado por um profundo desejo de intimidade com o Eterno. O Salmo 42 retrata esta realidade. O salmista, na tentativa de fugir dos problemas da vida, vai ao deserto do Neguebe, região da Judeia, um lugar pedregoso, solitário, cáustico e perigoso. O sol ardente o assola e, de repente, vê uma corsa exausta, que corre desesperadamente em direção à água, em busca da satisfação interior.

É nesse momento que o salmista olha para esse animal e exclama: “Como a corsa que brama pelas correntes das águas, assim suspira a alma por ti, ó Deus! A minha alma tem sede de Deus, do Deus vivo…¨, vs. 1 e 2. O salmista está querendo dizer que a ansiedade desse animal retratava a sua ânsia por Deus. Ele não conseguia viver sem a presença do seu criador. Seu anseio por Ele estava acima de tudo.

Muitas pessoas têm procurado ou buscado a Deus meramente em troca das bênçãos. Vivemos um Cristianismo extremamente antropocêntrico: tudo gira em torno do homem. Deus, para muitos, não passa de um instrumento secundário, que trabalha para a realização de todos os gostos e vontades do homem. Os sermões pregados em nossos dias às vezes têm perdido de vista os fundamentos bíblicos.

Em tempos de avivamento, a igreja passa a ter mais sede de Deus do que pelas coisas que Ele pode dar. Empenha-se totalmente na busca da intimidade e comunhão com Deus – não se contentando com as bênçãos, mas desejando ansiosamente o próprio Deus. Isto é um dos verdadeiros frutos do avivamento. Esta sede se concretiza na oração, na comunhão, no amor, nas práticas sociais, no estudo da palavra e nas ações evangelísticas da Igreja.

Santidade e amor à palavra

O próprio Jesus disse: ¨Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade¨, Jo 17: 17. O mover de Deus traz esse comprometimento com a Palavra. A história registra que em épocas de avivamento a igreja é renovada em seu amor pela Palavra. Não há avivamento sem volta à Bíblia, sem fome da Palavra, sem que a igreja tenha avidez pelas verdades eternas. Ou seja, todo avivamento é centrado na Palavra.

Quando a Bíblia é deixada de lado, o Deus da Palavra é rejeitado. E, se isso acontece, a igreja se extrema para o subjetivismo, calcado em experiências e na mística, ou para o racionalismo incrédulo. O grande evangelista Moody, ao se referir à Bíblia, dizia: “Ou este livro o afastará do pecado ou o pecado o afastará desse livro”. Quanto mais longe da Palavra, mais perto do pecado. Quanto mais perto da Palavra, mais longe do pecado.

Leonard Ravenhill, ardoroso escritor e pregador da Palavra, disse que “a maior vergonha dos nossos dias é que a santidade que pregamos é anulada pela impiedade do nosso viver”. Há enorme lacuna entre o que a igreja prega e o que vive, entre o sermão e a vida, entre a fé e as obras. Não vivemos o que pregamos e pregamos o que não vivemos.

É impossível ser de Cristo e do mundo ao mesmo tempo. A ausência de santidade é a causa do fracasso e o grande obstáculo do avivamento. A falta de santidade emperra, amarra e deixa a igreja em descrédito. Quando a igreja perde o foco da santidade e passa a amar o mundo, cria-se com isso o maior impedimento à ação de Deus na História.

Ardor evangelístico

Avivamento sempre gera um ardor evangelístico e conscientiza a igreja da responsabilidade de fazer missões nacionais e transculturais. Em todas ocasiões em que o Espírito foi derramado, houve experiências de uma profunda paixão pelos pecadores. Quando o Espírito desceu sobre a Igreja Primitiva, At 2, os discípulos romperam com as quatro paredes e alvoroçaram o mundo da época, e de maneira ousada anunciaram o evangelho em todos os lugares, At 1: 8.

Avivamento que não gera evangelização e comprometimento com o crescimento do Reino de Deus não é bíblico. São apenas movimentos que vêm e passam rapidamente. O avivamento, por usa vez, desperta a igreja e esta, consequentemente, busca os perdidos com a mensagem de transformação. O genuíno avivamento contamina a igreja com o fogo desbravador do Espírito Santo.

Por isso, evangelização é a tônica da igreja, porque essa é a sua missão na terra, Mc 16: 15. Só para se ter uma ideia, de acordo com as estatísticas, de 10 mil pessoas que vivem nos arredores de uma igreja, quatro delas morrerão semanalmente. Quer dizer, 16 por mês, 192 a cada ano. Pergunta-se: todas vão morrer salvas? A igreja não pode ser indiferente. Não pode agir, como na parábola do Bom Samaritano, da mesma forma que o sacerdote e o levita que nada fizeram pelo moribundo. Isso é uma afronta a Deus, Lc 10: 15-37.

Não podemos nos esquecer que todo cristão é um missionário em potencial. Jesus nos chamou para sermos testemunhas, quer dizer: “todo coração com Cristo é um missionário; todo coração sem Cristo é um campo missionário.” Será que a igreja, em vez de ser uma agência missionária, não está se transformando num campo missionário? Como igreja, precisamos erguer a cabeça e ver os campos que já estão brancos para a ceifa e escutar o gemido das multidões que perecem sem Cristo, a começar por Jerusalém (nossa cidade).

Que caia sobre todas as igrejas renovadas, sobre todos os nossos membros, sobre nossos jovens e líderes, bem como sobre todo segmento evangélico de nosso país, uma chuva de avivamento, que leve o povo a ter sede e fome de Deus, para que aconteça um verdadeiro envolvimento e comprometimento com a Sua obra. Somente assim estaremos prontos para dizer como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim”, Is 6: 8. E, sem dúvida alguma, o resultado desse avivamento será o maior crescimento já provado por esta geração.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2008

Dia do Índio: uma oportunidade de reflexão missional – maio/2016

19 de abril é Dia do Índio, ou Dia dos Povos Indígenas, criado pelo presidente Getúlio Vargas, por meio do decreto-lei 5540, de 1943. Essa data foi proposta pelas lideranças indígenas do continente americano que participaram do 1º Congresso Indigenista Interamericano, realizado no México. A data, além de ser um motivo de reflexão sobre os valores culturais dos indígenas e a importância da preservação e respeito desses valores, trata-se de uma motivação para refletirmos sobre o grande desafio e a urgência da evangelização desses povos, abrangidos por Jesus em Mateus 28:19, bem como uma oportunidade para homenagearmos nossos obreiros e igrejas nas tribos indígenas, nos Estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazônia, São Paulo e outros.

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Jesus foi categórico em afirmar que todas as nações deste planeta precisam conhecer o seu nome, que está acima de todo nome (Mt 28:19; Mc 16:15; At 1:8). O apóstolo Paulo diz que, um dia, todo joelho se dobrará e toda língua confessará que Jesus é o Senhor, para a glória de Deus (Fp 2:10-11). São evidentes as palavras de Jesus, registradas por Mateus, que dizem que, enquanto o evangelho não for pregado nos cantos e recantos deste mundo, em testemunho a todas as gentes, o fim não virá (Mt 24:14).

É impressionante a velocidade com que o tempo está passando e as profecias estão se cumprindo. O Cristianismo é, hoje, a maior religião do mundo. Seu crescimento tem sido gradativo e constante, mas há ainda milhões e milhões de pessoas que nunca ouviram falar de Jesus. Nem é preciso falar dos mais de 3 milhões que vivem na Janela 10×40 e que sequer ouviram falar de Jesus. Verdade é que existem muitas etnias que ainda precisam ser alcançadas pelo evangelho.

Conceito de etnia

Segundo a missiologia, etnia é um grupo de pessoas distinto de outro grupo humano, devido à sua língua e cultura. Ou seja, são povos ou gente que possuem crenças, valores e instituições totalmente diferentes. Por exemplo, os japoneses no Brasil são um grupo de pessoas etnicamente diferente dos coreanos que aqui residem. As diferenças entre essas etnias são várias: comida, aparência, comportamento social, religião, modo de pensar, etc.

Nesse aspecto, os povos indígenas, que provavelmente vieram da Ásia e depois se espalharam pelas Américas, estão inclusos nas palavras de Jesus no texto da Grande Comissão, e precisam ser alcançados pelo poder do evangelho. Aliás, os grupos indígenas que vivem no Brasil podem ser considerados verdadeiras nações de costumes absolutamente diferentes. Vale ressaltar que nação, aqui, não se trata de país politicamente consolidado, mas de um grupo de gente que tem sua própria cultura.

Gente carente de Jesus

Antes da descoberta do Brasil, por Pedro Álvares Cabral, os indígenas já estavam aqui e dominavam as terras brasileiras. Um índio Caimbé, referindo-se a eles como os primeiros habitantes do solo brasileiro, disse: “O Brasil não foi descoberto, o Brasil foi roubado”. O censo de 2010 do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE) apontou que a população indígena é de quase 897 mil, sendo que 63,8% vivem na zona rural e 36,2%, na urbana, distribuídos em 305 etnias.

A maioria dos indígenas mora na bacia amazônica, os demais estão espalhados pelo Brasil, sendo 38,2% na região Norte, 25,9% no Nordeste, 16% no Centro-Oeste, 11,1% no Sudeste, e 8,8% no Sul. Dos mais de 250 povos indígenas brasileiros, 133 possuem presença missionária evangélica e 20 têm igrejas com liderança autóctone. Dessas 20 igrejas, apenas 14 possuem o NT traduzido para a sua língua. Precisamos orar para que Deus levante tradutores, pois se sabe que grande parte dos tradutores não consegue conciliar tradução e evangelização, devido à intensidade do trabalho.

O número de tribos que não possuem nenhuma porção da tradução da Bíblia é ainda muito grande. As etnias indígenas carecem de grande empenho para serem alcançadas. A Igreja precisa se inteirar da situação cultural, social e religiosa desses povos para apresentar-lhes o Evangelho Integral Sustentável.

Igrejas autóctones

O que seria uma igreja autóctone? É a igreja nascida em um país e que não possui influência externa, ou seja, influência cultural importada, já que os seus padrões são todos nativos. A igreja autóctone atenta mais para os princípios da Palavra de Deus do que para os métodos, de forma que a exposição do evangelho seja compatível com o povo no meio do qual ela existe ou está sendo plantada. Jesus não interferia na cultura e nos costumes dos povos evangelizados (Jo 4:1-30).

Ele anunciava o reino de Deus e, com isso, as cidades eram transformadas, porque as pessoas eram, primeiramente, transformadas pelo poder de sua Palavra (Jo 6:63). Esse deve ser o foco para plantação de igrejas em outras culturas, isto é, ter como objetivo primeiro a criatura humana (Mc 16:15), para que, depois de convertida, o evangelho alcance o grupo de pessoas no meio do qual ela vive. Desta forma, as verdades bíblicas serão muito mais proveitosas pelo grupo étnico alcançado.

Por isso, precisamos admitir que um obreiro indígena possui suas particularidades étnicas, e que não temos como exigir que ele se enquadre dentro dos princípios de um obreiro não-indígena. Um pastor autóctone tem maiores possibilidades de ser bem-sucedido como missionário do que um obreiro que não seja daquele contexto. Somos gratos a Deus pela vida dos irmãos Carmo da Silva e Emenergildo Balbino, hoje pastores/missionários autóctones da IPRB nas aldeias indígenas de Miranda, MS. Deus abençoe suas vidas, famílias e igrejas indígenas renovadas no Brasil.

Igreja missional

A igreja em Antioquia era a “base missionária” da igreja primitiva. É o protótipo para todas as demais igrejas. De lá saíram os primeiros missionários: Paulo e Barnabé. Por isso, missões é tarefa da igreja local, e não exclusiva das agências missionárias. Estas devem funcionar como parceiras das igrejas na evangelização. A igreja local é o celeiro, de onde homens e mulheres são chamados e enviados para os campos missionários, e ela deve prover os recursos necessários para manutenção dos missionários.

O leitor poderia perguntar: mas o que seria uma igreja missional? Seria uma igreja missionária? Sim, mas o conceito do termo “missional”, segundo Rubens Muzio, é uma forma de enfatizar a verdadeira vocação da igreja na terra como povo chamado e enviado para servir e evangelizar. Isto é, o termo impõe sobre a igreja uma responsabilidade mais aguda, exigente e urgente. Ser uma igreja missional significa ser uma igreja urbana que faz o mesmo trabalho de um missionário, a partir do bairro onde está inserida.

A igreja missional cumpre o que está escrito em Atos 1:8, evangelizando em Jerusalém (dimensão urbana-local), Judeia (dimensão urbana-nacional), Samaria (dimensão urbana-continental) e os confins da terra (dimensão urbana-mundial). Em outras palavras, igreja missional significa adotar a postura profética de um missionário, que se adapta ao contexto do outro sem perder de vista a essência dos ensinos da Bíblia Sagrada. Ser uma igreja missional é um estilo de vida cristã.

Missionário em potencial

Discipular ou fazer discípulos de todas as etnias é a missão dada à Igreja. O desafio da evangelização do indígena não é uma tarefa apenas das agências missionárias, mas de qualquer cristão. Ou seja, cada crente é considerado um “missionário em potencial”. Ninguém pode se eximir dessa responsabilidade, dizendo: “Eu não posso sair da minha cidade”. Se não podemos ir, podemos contribuir ou até mesmo orar a favor das tribos indígenas, para que Deus levante pessoas para trabalhar entre esses povos.

O apóstolo Paulo, escrevendo aos crentes de Corinto, traça de maneira prática o perfil de um missionário: “Quem é Apolo? E quem é Paulo? Servos por meio de quem crestes, e isso conforme o Senhor concedeu a cada um” (1Co 3:5). Missionário é, portanto, um servo de Deus, por meio de quem as pessoas vão crer em Jesus (2Co 3:4). É claro que cada um tem a sua especificidade. Um foi chamado para plantar, outro foi para regar e assim por diante. Cada um faz para Deus aquilo que está vinculado ao propósito divino para sua vida (1Co 3:6-8). Todo cristão deve ser uma testemunha viva da Palavra de Deus (At 1:8).

Para refletir

“Era uma vez quatro indivíduos chamados: Todo Mundo, Alguém, Ninguém e Qualquer Um. Quando havia um trabalho importante para ser feito (por exemplo, a obra de Deus), Todo Mundo estava certo de que Alguém faria; Qualquer Um poderia ter feito, mas Ninguém o fez. Quando Ninguém o fez, Alguém ficou nervoso, porque isso era obrigação de Todo Mundo. No final, Todo Mundo culpou Alguém, quando Ninguém fez o que Qualquer Um poderia ter feito”. Jesus disse: “Trabalhemos enquanto é dia, porque a noite vem” (Jo 9:4).

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Fonte: Jornal Aleluia, maio de 2016

Dia das mães: uma data a ser comemorada com gratidão todos os dias – Maio/2017

Nesta oportunidade, gostaríamos de parabenizar
e homenagear com esta reflexão bíblica todas as mães
do Brasil e do mundo, e desejar que Deus abençoe cada família nesse dia especial, 2º domingo de maio, em que se comemora o dia das mães.

O Dia das Mães é uma data comemorativa em que se homenageia a mãe e a maternidade. Em alguns países, esse dia é comemorado no segundo domingo do mês de maio, como no Brasil e na Irlanda. Em Portugal, por exemplo, é comemorado no primeiro domingo de maio. Segundo a enciclopédia Wikipédia, mãe, genitora, progenitora, ou ainda geradora, é o ser do gênero feminino que gera uma vida em seu útero como consequência de fertilização.

Mãe é, também, para todos os efeitos, aquela pessoa do gênero feminino que adota, cria, e cuida de uma criança gerada por outrem que, por alguma razão, não pôde ficar com seus pais. Verdade é que o Dia das Mães deve ser todos os dias. Eva, que em hebraico significa vida, é o nome que Adão deu à sua mulher. Ela é mãe de todos os seres humanos. Eles tiveram três filhos: Caim, Abel e Sete; depois, geraram outros filhos e filhas (Gn 3:30; 4:1,2,25; 5:4)

O princípio bíblico estabelecido por Deus no Jardim do Éden para que uma mulher se torne mãe perdura até hoje. Ou seja, o homem deixará seu pai e sua mãe e unir-se-á à sua mulher, e os dois serão uma só carne, gerando filhos e filhas, como herança do Senhor (Gn 2: 24 e Sl 123: 3). Vejamos o que nos legaram algumas mães da Bíblia Sagrada.

Joquebede: mãe provada e aprovada

Seu nome quer dizer “Jeová é glória”. Ela foi a mãe do grande estadista Moisés, que quer dizer “tirado das águas”. Como deve ser difícil para uma mãe gerar um filho e não poder dizer a todos que ele lhe pertence. Que provação terrível! Essa foi a história dessa mulher, que foi provada e aprovada por Deus. Moisés nasceu, mas não pôde ficar sob os seus cuidados. Todavia, a intervenção de Deus foi tão precisa que Joquebede teve a oportunidade de cuidar de seu filho até ele crescer.

Segundo o decreto de Faraó, todas as crianças do sexo masculino deveriam morrer ao nascer (Êx 1:16). Então, nasce Moisés, um menino muito formoso. Sua mãe o esconde por três meses. Não podendo ficar com ele por mais tempo, pois os egípcios poderiam matá-lo, ela o coloca dentro de um cesto de junco e o deixa à beira do rio Nilo. A irmã do menino fica observando de longe o que haveria de lhe acontecer. A filha de Faraó e suas donzelas, que passeavam pela beira do rio, logo pegaram a criança.

Joquebede tinha a glória de Deus em sua vida, por isso era uma mulher iluminada. A princesa egípcia, sem compreender os mistérios de Deus, por meio da irmã do menino, o entrega à mãe dele, a fim de que ela o criasse, e ainda lhe paga um salário (Ex 2:9). Depois de crescido, Joquebede entrega o menino à filha de Faraó, que o adota como filho. Como é importante confiarmos no agir de Deus. A você, mãe, que tem sido provada de muitas maneiras, ore, persevere e acredite na intervenção divina. Deus vai trazer de volta aquilo que é seu, pois ele tem visto suas lágrimas.

Ana: mãe piedosa e intercessora

Israel vivia o período dos juízes (1200-1020 a.C.) A situação político-espiritual nesse tempo era instável e caótica. O governo ainda era teocrático, mas Deus já estava se movendo e preparando grandes mudanças em Israel. Para isso, havia necessidade de um grande líder. Quem seria ele? De onde viria essa pessoa? De que linhagem? Então Deus se manifesta na história, fazendo surgir no cenário israelita um grande juiz, profeta e sacerdote, que se chamava Samuel.

Não foi por acaso que Samuel surgiu e se tornou um grande ícone em Israel. Seu nascimento, vida e ministério são frutos de uma mãe piedosa, que orava muito e era cheia da graça divina. Deus tem prazer em se manifestar em terra árida, no deserto, no meio da crise, da tempestade, da provação e do sofrimento humano. O profeta diz que, quando Deus age, ninguém pode impedir (Is 43:13). Foi nesse contexto que o Senhor se manifestou na vida de Ana, quando Eli lhe disse que Deus haveria de atendê-la (1Sm 1:17).

Ana, cujo nome significa graça de Deus, era uma mulher estéril e menosprezada. Em uma das ocasiões em que orava no templo, o sacerdote Eli a julgou por embriagada, tão grande era o seu desgosto (1Sm 1:14-16). Deus se compadeceu de sua aflição e lhe deu um filho (1Sm 1:19-20). É assim que devemos nos comportar quando o solo em que vivemos parece improdutivo, árido e estéril. É nessa hora que devemos contar para Deus nossas angústias e aguardar sua intervenção. Seja uma Ana, minha irmã, e creia na soberania divina, pois ele virá ao seu encontro no tempo certo (Jó 19:25).

Eunice: mãe zelosa e educadora

Timóteo é filho de um casamento misto, seu pai era grego e sua mãe, judia. Sua mãe, Eunice (que significa vencedora), e sua avó, Lóide, possivelmente tenham se convertido a Jesus na ocasião da primeira viagem dos missionários Paulo e Barnabé, quando estiveram em Listra, na Licaônia. Quanto a seu pai, não há informações precisas de que ele tenha se convertido ao evangelho ou ao judaísmo. Talvez seja por esta razão que Timóteo não tenha sido circuncidado ao nascer, mas somente mais tarde (Atos 16:3).

No entanto, apesar se ser um cristão dotado das mesmas paixões de um jovem (2Tm 2:22), sua conduta sempre chamou a atenção das pessoas onde morava ou por onde passava. Timóteo fora criado e educado nos princípios da Palavra de Deus desde os tempos de criança (2Tm 3:15). Interessante que o apóstolo Paulo, ao escrever sua segunda carta a esse moço, que também era pastor, deixou claro que o presbítero e o diácono precisam ser pessoas de vida cristã ilibada (1Tm 3:1-13).

A educação que ele recebeu de sua progenitora e avó foram suficientes para fazê-lo um exemplo dos fiéis (1Tm 4:12). Todavia, não podemos nos esquecer do espírito de dedicação e zelo dessas mulheres. À semelhança de muitas mulheres cristãs hoje, Eunice não tinha o marido cristão, mas isso não a impediu de transmitir ao seu filho a cultura de uma fé não fingida (2Tm 1:5). Isso nos ensina que a mãe, dentro da sua polivalência, precisa ser uma educadora. Gostaríamos de dizer às mães, principalmente àquelas que não têm o marido crente, que sejam firmes na fé e não desistam nunca das promessas de Deus (Rm 12:12).

Maria: mãe amada e privilegiada

Maria e José são “nomes-símbolos”. A história de vida deles é contada por gerações e mais gerações e nunca poderá ser apagada, até porque eles são os pais de Jesus, o nome mais lido e falado no mundo inteiro. Falar de Maria, como mãe de Jesus, não tem nada a ver com fé cristã, salvação ou outro tema teológico. Apesar de ser uma mulher privilegiada, por ser a progenitora do filho de Deus, foi uma mulher comum e com as mesmas dificuldades que qualquer outra pessoa possui.

Um dos pontos da vida de Maria que queremos destacar é que José a amava profundamente. Quando ficou sabendo que ela estava grávida, não quis infamá-la, antes, preferiu deixá-la secretamente. Mas, antes que isso acontecesse, recebeu a visitação de Deus, por meio do anjo, que lhe disse: “[…] não temas receber Maria, tua mulher, porque o que nela foi gerado é do Espírito Santo” (Mt 1:20). Ninguém discordaria de que não foi fácil para José conceber esse fato e receber a Maria (1:24). Este é um ponto relevante da vida desse casal, que nos ensina a acreditar sem reservas nos planos de Deus.

Reconhecemos que ser mãe é uma dádiva de Deus. Gerar um filho dentro do propósito divino é uma grande bênção. Quantas mulheres têm o profundo desejo de ser mãe. Maria foi uma mulher amada e privilegiada, mas o seu prestígio diante de Deus, por ter sido escolhida entre muitas para ser a mãe de Jesus, não ofusca o ato gratificante que uma mulher tem em dizer que é mãe. Você é uma privilegiada porque é mãe do filho ou dos filhos que Deus lhe deu para cuidar. Portanto, faça isso com zelo, honra e amor, pois nossos filhos pertencem ao Senhor; deles apenas cuidamos (1Sm 1:27-28).

Salário de uma mãe

Um estudo mostrou que uma mãe atua em várias áreas: ela cria os filhos, cuida e mantém limpa e em ordem a casa, lava a roupa, a louça; faz o trabalho de enfermeira quando os filhos estão doentes; de psicóloga quando estão em conflito; de economista quando as finanças estão apertadas; e de uma professora, ajudando nas tarefas da escola.

Numa família comum, se uma pessoa fosse contratada para fazer cada uma dessas tarefas, ficaria uma fortuna. O site americano www.salary.com calculou que o salário, em média, de uma mãe (americana) que fica em casa seria US$ 134,121, por ano (R$ 482.835,00). Isso se ela fosse paga para fazer as tarefas ou atividades da casa.

Agora perguntamos: quanto é que uma mãe ganha para fazer tudo isso? Em termos financeiros ou salário mensal, não ganha nada. No entanto, ela não faz nada disso pelo dinheiro, mas por amor. É justo que, ao menos uma vez por ano, honremos com dignidade essas mulheres que fazem tanto sacrifício com tão pouco reconhecimento.

A IPRB e os 500 anos de João Calvino – Julho/2009

A família presbiteriana do Brasil comemora,
neste ano de 2009, os 500 anos
do nascimento de João Calvino, reformador
nascido em Noyon, Picardia, França,
no dia 10 de julho de 1509, e os 150 anos
de Presbiterianismo no Brasil,
que ocorreu com a chegada do jovem
missionário Ashbel Green Simonton
ao solo brasileiro,
no dia 12 de agosto de 1859

Quem foi Calvino?

João Calvino, além de ser considerado o maior teólogo do Cristianismo depois de Agostinho, foi, acima de tudo, “pastor zeloso e incansável no seu esforço em favor de suas muitas ovelhas sofridas e angustiadas por males de toda sorte”, e, também, o grande evangelista de Genebra, Suíça.

Conhecido como o grande teólogo da Reforma Protestante do século XVI, autor das Institutas da Religião Cristã, publicadas em Basiléia, 1536, bem como um grande estrategista político e um dos pais da democracia moderna, é considerado com um dos principais líderes da segunda geração de reformadores do século XVI.

Simonton, missionário pioneiro

Filho mais novo do Dr. William Simonton, médico conceituado, deputado federal nos EUA e cristão devoto. Desde cedo, recebeu fortes influências morais, intelectuais e espirituais da fé presbiteriana em que fora criado. Simonton foi o primeiro missionário Presbiteriano a chegar ao Brasil, enviado pela Igreja Presbiteriana do Norte dos Estados Unidos, em agosto de 1859.

Sua vida foi curta. Viveu apenas 34 anos e morreu em São Paulo, vítima de febre amarela. Apesar disso, não mediu esforços para fazer a obra de Deus. Sua vida foi marcada pela dedicação e empenho missionário. Dois dias antes de morrer, deixou a seguinte palavra à igreja que fundou no Rio de Janeiro: “Deus levantará alguém para tomar o meu lugar. Ele usará os seus instrumentos para o Seu trabalho”.

A IPRB e o Presbiterianismo

O nascimento da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil (IPRB) está profundamente vinculado ao Presbiterianismo que chegou ao Brasil com o missionário Simonton, especificamente à Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB) e à Igreja Presbiteriana Independente (IPI). As raízes da Denominação também se ligam ao movimento pentecostal moderno, que teve seu início nos EUA.

O avivamento pentecostal surgiu no início do século XX, com Charles Parham, em Topeka, Kansas, em 1901. Seu discípulo, William Seymour, iniciou, em 1906, o que ficou mundialmente conhecido como o avivamento da Rua Azuza, em Los Angeles, de onde se espalhou por todo o mundo, chegando logo mais ao Brasil.

Como Presbiterianos Renovados, alcançados pelo avivamento espiritual da década de 70, oriundos do Presbiterianismo que chegou ao Brasil há um século e meio, e como fruto da união da Igreja Presbiteriana Independente Renovada (IPIR) e Igreja Cristã Presbiteriana (ICP), em 1975, somos gratos a Deus por esses séculos de presbiterianismo, bem como pelos 35 anos de fundação da Igreja Presbiteriana Renovada do Brasil. Juntos, rendemos a nossa mais sincera gratidão a Deus.

Sessão Solene em São Paulo

No dia 7 de agosto (20 horas), está prevista uma Sessão Solene na Assembleia Legislativa de São Paulo, alusiva às comemorações dos 500 anos de Calvino e 150 anos da chegada do missionário Simonton, que trouxe o Presbiterianismo ao Brasil.

A Diretoria Executiva da IPRB se fará presente à referida sessão, bem como os pastores da região da Grande São Paulo e todos aqueles que desejarem participar do evento. Essa comemoração é uma iniciativa de representantes das diversas Igrejas do ramo Presbiteriano.

Chuva de avivamento

Diante de tudo isso, esperamos que as comemorações alusivas aos 500 anos de Calvino e aos 150 de Simonton constituam-se num tempo de Deus para as nossas vidas. Que o Espírito Santo derrame sobre todos os presbiterianos, do Brasil e do mundo, bem como sobre todos os evangélicos, uma chuva de avivamento, a fim de que as igrejas sejam despertadas, para que vidas sejam salvas e o Reino dos céus seja beneficiado.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2009

A dinâmica da cristologia integral na oração sacerdotal de Jesus – Junho/2017

Uma análise bíblico-pastoral da oração
de despedida de Jesus, em João 17: 1-26,
alusiva ao Dia do Pastor

Prega-se muito nos púlpitos das igrejas sobre o tema Missão Integral ou Missão Holística. Ou seja, a missão que se preocupa com o ser humano por completo: corpo, alma e espírito. Segundo o missiólogo René Padilla: “A igreja que se compromete com a missão integral entende que seu propósito não é chegar a ser grande, rica ou politicamente influente, mas sim encarnar os valores do reino de Deus e manifestar o amor e a justiça, tanto em âmbito pessoal como em âmbito comunitário”.

Apesar do termo “integral” não configurar na Bíblia, ele está amplamente presente em diversos conceitos teológicos, inclusive na Cristologia, parte da teologia que estuda a natureza de Cristo. Então, o que seria Cristologia Integral nesta reflexão? A associação do termo “integral” à Cristologia assume um sentido de completude, considerando que Jesus intercede irrestritamente por seus discípulos, que haveriam de enfrentar o desafio de fazê-lo conhecido neste mundo (v. 23).

A dinâmica da Cristologia Integral na oração Sacerdotal de Jesus leva em conta todas as dimensões da trajetória ministerial de seus discípulos neste mundo, que se inicia com a conversão aos seus ensinos e doutrina e termina com a promessa da vida eterna com Jesus. Isso é maravilhoso porque, enquanto estivermos nesta terra, podemos estar certos de que jamais seremos desamparados por ele (Jo 16:33).

Jesus Cristo, o filho do Deus, veio a este mundo para exercer o tríplice ofício: rei, profeta e sacerdote. Isso se aplica tanto ao seu estado de humilhação como de exaltação. Como Rei dos reis e Senhor dos senhores, ele governa o mundo e protege o seu povo do maligno. Como Profeta, nos revela a vontade e a pessoa do Deus todo-poderoso. E como Sacerdote eterno, ofereceu a sua própria vida em sacrifício e está à destra de Deus intercedendo pela igreja na terra.

Na oração sacerdotal (João 17:1-26), antes de sua partida deste mundo, Jesus ora em favor dos seus discípulos e daqueles que haveriam de crer nele. O que está em destaque nesse texto é o seu ofício sacerdotal: ele se coloca diante do Pai e intercede por seus discípulos. É grande o efeito de sua intercessão, a fim de manter os seus escolhidos salvos do poder de Satanás e guardá-los de todo o mal. Diante disso, qual a dinâmica de sua oração nesse texto? O que ele pede ao Pai pelos discípulos e por nós?

NOSSA PROTEÇÃO

Essa é uma promessa maravilhosa. A certeza de sua proteção, após a sua morte, ressurreição e assunção aos céus: ”Não peço que os tires do mundo, e sim que os guardes do mal” (v. 15). Jesus está demonstrando com isso total interesse e preocupação, se assim podemos dizer, em nos ver protegidos de todo o poder maligno. A convicção da proteção divina foi o pedido de Moisés para continuar seu pastoreado no deserto: “Se a tua presença não for comigo, não nos faça subir deste lugar” (Êx 33:15).

O que vale a vida cristã sem a proteção de Jesus? Qual seria o seu sentido? Talvez nenhum, porque a presença de Jesus nos dá segurança em todos os sentidos. Por isso, podemos confiar totalmente nele, uma vez que é o nosso Sumo Sacerdote e que se coloca constantemente diante do Pai celestial, pelo seu povo. Neste mundo vil e de tantas injustiças, o que todos queremos e precisamos é ser protegidos. Não há dúvidas de que o ministério pastoral sem o cuidado de Jesus não compensaria.

NOSSA SANTIFICAÇÃO

Além da proteção, Jesus pediu ao Pai que santificasse seus discípulos na verdade da sua palavra: “Santifica-os na verdade; a tua palavra é a verdade” (v. 17). Não temos dúvida de que a vivência da Palavra de Deus tem sido o efeito purificador da nossa mente e coração. Ler e aplicar diariamente os ensinos da Palavra em nossas vidas, para que tenhamos uma vida pura e santa diante de Deus e dos homens é extremamente essencial. Sem santificação ninguém poderá ver o Senhor (Hb 12:14).

A dinâmica da Cristologia Integral nessa oração passa pelo crivo da santificação, que sempre foi o termômetro de Deus para o sucesso ministerial. Quer dizer, essa prerrogativa bíblica foi, também, uma exigência divina ao tempo do Antigo Testamento: “Pois eu sou o Senhor, o vosso Deus; consagrem-se e sejam santos, porque eu sou santo” (Lv 11:44). Portanto, a súplica de Jesus pela santidade de seus discípulos é, simplesmente, uma reafirmação daquilo que Deus sempre quis e desejou de seus servos no AT.

NOSSA MISSÃO

Jesus não apenas nos deu a incumbência de pregarmos o evangelho a toda criatura (Mc 16:15), mas intercedeu por esse propósito divino: “Assim como tu me enviaste ao mundo, também eu os enviei ao mundo” (v. 18). Com isso, temos o compromisso de sermos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-16). Precisamos cumprir efetivamente a missão de pregar o evangelho sem tentar escapar do mundo nem evitar os relacionamentos com os não cristãos, pois fomos enviados para levar a salvação aos perdidos.

É muito interessante a sequência dos argumentos na oração de Jesus. Primeiro, suplica por nossa proteção. Depois, roga ao Pai pela santificação dos seus discípulos. Com isso, diz ao Pai que eles estão preparados para ser enviados à Seara (Mt 9:37,38). Portanto, cumprir o “ide” e fazer discípulos de todas as nações (etnias), estando preparados e tendo certeza de sua presença, será sempre uma tarefa frutífera e consolidada: “E certamente estou convosco todos os dias, até consumação do século” (Mt 28:20).

NOSSA UNIDADE

Unidade é a máxima do sucesso de qualquer segmento, especialmente da vida cristã. Sabendo dessa verdade, Jesus intercede pela unidade de seu povo: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós” (v. 21). Ele deseja e quer a nossa unidade para que o mundo creia nele. Temos de priorizar a unidade na igreja, para que ela seja uma testemunha poderosa da realidade do amor de Deus. A falta desse ingrediente, principalmente na liderança, prejudica a comunhão e o trabalho de evangelização.

A unidade precisa começar pela cabeça, ou seja, pela liderança. Líderes unidos, liderados unidos; líderes desunidos, liderados desunidos. Infelizmente será sempre assim, pois o reflexo de uma liderança unida, ainda que as diferenças existam, o que é natural em qualquer engrenagem, será sempre contemplada com os frutos dos alvos estabelecidos. Não nos esqueçamos da figura do corpo usada por Paulo para ilustrar a unidade da igreja: “Pois há muitos membros, mas um só corpo” (1Co 12:20).

NOSSA ETERNIDADE

Por fim, Jesus faz o seguinte pedido em sua oração: ”Pai, a minha vontade é que onde eu estou, estejam também comigo os que me deste” (v. 24). Na verdade, ele está nos levando a pensar nos propósitos de Deus para com o homem, desde o jardim do Éden. Deus nos criou para vivermos eternamente nesse lugar especial. No entanto, o pecado roubou do ser humano essa prerrogativa, levando-a ao sofrimento e destruição total (Gn 3). Mas Jesus, um pouco antes de morrer na cruz do Calvário, deixa claro que quer os salvos juntos dele.

A vida além-túmulo é a esperança dos salvos. Paulo diz que “Se a nossa esperança em Cristo se limita apenas a esta vida, somos os mais infelizes de todos os homens” (1Co 15:19). Podemos ter a firme convicção de que Jesus quer nos arrebatar e nos levar para estar com ele em sua morada celestial (1Ts 4:16,17). Alegremo-nos e nos regozijemos por tão grande privilégio que há de acontecer em breve. Como é maravilhoso sabermos que Jesus, nosso grande intercessor junto ao Pai Celestial, orou por nossa proteção, santidade, missão, unidade e eternidade.

PARA REFLETIR!

Não estamos sós! No inverno de 1864, nos EUA, uma velhinha cristã dirigiu-se à Casa Branca para falar com Abraham Lincoln. Segurou a mão do grande presidente e apertou-a fortemente. Queria contar-lhe um segredo: “Amigo Abraham, você não está só, estamos todos orando por você. Você não pode fraquejar, pois o coração de todo o povo está com você. O Senhor mesmo foi que lhe colocou neste lugar. Você é amado pelo povo como nunca antes outro homem o foi. Deus está com você e o povo atrás de você!”

Nós, ministros de Deus, temos a certeza de que não estarmos sós (Is 43:1-5 e Jo 14:18).

A complexidade da voz profética da igreja evangélica brasileira – Agosto/2016

Uma reflexão bíblico-teológica
alusiva ao dia da Independência do Brasil

“Meu filho, tema a Deus, o Senhor, e respeite as autoridades.
Não se envolva com as pessoas que se revoltam contra elas,
pois num instante elas podem se arruinar”
Pv 24:21

Que o Brasil é um país abençoado por Deus, disso não temos dúvida alguma. Somos uma terra fértil e produtiva, um povo simpático e querido por todos no mundo inteiro. Apesar do momento político e econômico da nação brasileira não ser completamente favorável a ninguém, somos um país sem guerras, sem terrorismo e sem derramamento de sangue. Por certo, o leitor já ouviu falar que Deus é brasileiro. Mas seria Deus brasileiro?

A crença popular verde-amarela de que Deus é brasileiro não passa de um bairrismo nacional que acaba descontraindo as pessoas. Estamos certos de que Deus é divino e não humano-brasileiro; eterno e não passageiro; celestial e não terreno, espírito e não matéria; santo e não contaminável; grande e não pode ser contido; é majestoso e está entronizado entre os querubins e os serafins. Deus tem o governo absoluto do mundo que criou em suas mãos.

O Brasil pertence a Deus! Esta tem sido a oração de milhões e milhões de cristãos evangélicos brasileiros. Não há dúvidas de que tudo poderia estar ainda pior em nossa nação, se não fosse a presença da igreja, como agência de Deus neste mundo. A data comemorativa de 7 de setembro, dia da Independência do Brasil, é um momento oportuno para refletirmos sobre alguns conceitos bíblico-teológicos concernentes à complexidade da voz profética da igreja frente ao contexto político-econômico de nossa nação.

A HONRA ÀS AUTORIDADES

Honra e respeito às autoridades constituídas por Deus é o imperativo bíblico-salomônico: “respeite as autoridades”. O apóstolo Paulo afirma que toda autoridade, seja ela eclesiástica ou não, é constituída por Deus (Rm 13:1). Ou seja, toda autoridade tem o pleno consentimento divino para o exercício de suas funções. A doutrina bíblico-teológica da providência divina ensina que Deus é quem permite ou impede tanto o querer como o efetuar: “Porque Deus é o que opera em vós, tanto o querer como o efetuar, segundo a sua boa vontade”, (Fp 2:13).

Portanto, negligência, desonra e desrespeito a qualquer tipo de autoridade é um princípio antibíblico, que foge da legalidade de um viver coerente para com Deus, com o próximo e consigo mesmo. O papel da igreja é fazer a diferença, para que o Brasil tenha sempre a proteção divina. Agora, em se tratando da submissão às autoridades políticas brasileiras, é bom seguirmos os trilhos dos ensinos bíblicos que regem a conduta cristã, lembrando sempre que somos o sal da terra e a luz do mundo (Mt 5:13-14).

A NATUREZA DA POLÍTICA

O ser humano é por natureza político. A política está presente na família, na escola, na igreja, no trabalho e em quase todos os ambientes e segmentos em que estamos inseridos. Segundo Leonardo Sampaio, educador político, existem diferenças evidentes entre política, ser político e fazer política. Política se traduz pela ciência, arte ou meio de fazer o bem comum ou promover a felicidade humana. Ser político é fazer valer os direitos dos cidadãos e o dever do Estado, conforme prevê a Constituição. É esse tipo de político que se constitui como verdadeira autoridade quando eleito ou nomeado para ocupar um cargo público.

Agora, fazer política é outra questão, que exige da pessoa que vai exercer um cargo ou mandato o senso da ética, do compromisso, da dignidade, da honestidade e do conhecimento da função. Talvez esses aspectos constituam o cerne da problemática atual da política brasileira. No Antigo Testamento e na antiguidade, os reis e os juízes (1390 a 1030 a.C.) de Israel tinham compromisso exclusivo com a nação, pois lutavam (literalmente) e faziam prevalecer os direitos do povo. São de políticos assim que precisamos na atualidade. Autoridades que defendam e façam prevalecer os direitos da população.

A ANTIGUIDADE DA CORRUPÇÃO

O termo corrupção, do latim “corruptus”, significa o “ato de quebrar aos pedaços” ou decompor e deteriorar algo. Seria o efeito de corromper alguém em troca de algo, com a finalidade de obter vantagens em relação aos outros, usurpando-se de meios ilegais e mentirosos. Que a corrupção é tão antiga quanto ao pecado, disso não temos dúvidas. Foi dessa forma que serpente agiu com os habitantes do jardim do Éden e continua agindo em nossos dias. Ela usou da artimanha corrupta para ludibriar Eva e a seu marido, Adão: “Porque Deus sabe que no dia em comerdes se vos abrirão vossos olhos e, como Deus, sereis conhecedores do bem e do mal” (Gn 3:5).

A proposta de “ser como Deus” pareceu muito vantajosa à mulher: “Vendo a mulher que a árvore era boa para se comer […], tomou-lhe do fruto e comeu e deu também a seu marido, e ele comeu” (Gn 3:6). A corrupção será sempre o resultado de uma ambição desenfreada, da mentira e do descumprimento do pacto de confiança com Deus e com o próximo. Propostas de barganha, negociações, licitações fraudulentas, serviços facilitados e propinas são notícias veiculadas diariamente nas mídias em geral. A igreja não pode compactuar com esse modelo de vida, (Ml 3: 18 e Ef 2: 1-3).

A VOZ DOS PROTESTOS

Corrupção gera déficit. Déficit gera crise. Crise gera desemprego. Desemprego gera descontentamento e protestos. Esse foi o cenário pós-Éden, depois das “sanções penais” sofridas pela humanidade devido à desobediência corrupta: tristezas, brigas, dores, sofrimento, trabalho dobrado, fadigas, improdutividade da terra e demissão do paraíso (Gn 3:15-24). Antes da maldita corrupção no jardim, era tudo muito bom. Deus andava pelo Paraíso, conversava com seus habitantes, a terra produzia abundantemente e não existiam cardos nem espinhos (Gn 3:17-10). O contexto político-econômico dessa cidade era uma maravilha.

No entanto, a ambição levou o casal e toda a humanidade a uma vida de intenso trabalho e calamidade. A partir de então, surgiram as manifestações como forma de protestos. A construção da Torre de Babel, por exemplo, foi uma expressão de descontentamento da população daqueles dias, que serviu como álibi de preservação da vida. Parecia uma forma correta de manifestação pública. Mas, na verdade, não passava de um ato de rebelião, que levou Deus a intervir na história, anulando os planos daquele povo (Gn 11:1-9). O cristão pode reivindicar seus direitos, sim, desejar galgar novas posições, adquirir riquezas, etc., mas desde que tudo esteja de conformidade com a Palavra de Deus, não se envolvendo com aqueles que estão descontentes com as autoridades.

O FATOR DA COMPLEXIDADE

Mas nem tudo está perdido, porque apesar de Deus não ser brasileiro, ele faz a chuva cair sobre os bons e os maus (Mt 5:45). Porém, o contexto emaranhado em que vive o Brasil criou uma complexidade na vida do brasileiro, gerando insegurança, medo, desemprego, maior número de assaltos e criminalidade. O fator da complexidade da vida diz que ninguém é dono de sua própria vida, e que todos estamos sujeitos ao Estado. Segundo os estudiosos, o brasileiro sofre de personalidade múltipla, ou seja, ele exerce diversos papéis sociais ao mesmo tempo, tais como: eleitor, militante, trabalhador, contribuinte, etc.

A complexidade da vida se torna ainda mais difícil quando sabemos que temos direito a uma boa educação, assistência médica adequada e melhor qualidade vida, o que não condiz com nossa realidade. Sem falar das pesadas cargas tributárias que as empresas e indústrias têm de pagar para se manter no mercado de trabalho e gerar empregos à população. Mas nem por isso a igreja deve sair às ruas para protestar contra os governantes e se aliar aos revoltados, pois essa não é a forma coerente para que ela exerça sua voz profética.

Ademais, a igreja deve e precisa pagar o preço de uma vida de oração, intercessão, consagração, e denunciar, dentro dos padrões bíblicos e da legislação brasileira, as mazelas que destroem nossa nação (1Tm 2:1-4). À igreja compete o papel de ser presente e não ausente; atuante e não dormente; atenta e não despercebida; disposta e não indisposta; preparada e não acomodada; quente e não morna; ativa e não passiva.

Ela precisa ser o termostato de Deus neste mundo, sem jamais se omitir ou terceirizar sua missão de transformar o mundo pela Palavra de Deus (Mt 28:18-20). Que Deus abençoe a todos e o nosso Brasil.
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Fonte: Jornal Aleluia nº 420, agosto/2016, p. 2

A arte de falar a mesma língua no contexto bíblico-ministerial – Junho/2016

“Rogo-vos, irmãos, pelo nome de nosso Senhor Jesus Cristo,
que faleis todos a mesma coisa e que não haja
entre vós divisões; antes, sejais inteiramente
unidos, na mesma disposição mental e no mesmo parecer”
1Co 1:10

Naturalmente o leitor já tenha ouvido esta frase: “Aqui,
todos precisam falar a mesma língua”. Em palestra, um gerente
de uma rede de lojas diz aos seus funcionários: “Precisamos ser unidos,
não podemos ficar dispersos, temos de focar o mesmo alvo,
se é que queremos alcançar nossas metas financeiras,
conquistar novos clientes e continuar sendo a maior
rede de lojas do Brasil”.

Falar a mesma língua precisa ser a marca de nossa
identificação, pois esse é o imperativo de sucesso de qualquer
grupo que tenha um fim proposto. Seja na família, na escola,
no futebol, na empresa, na igreja, no trabalho,
em qualquer repartição ou segmento há sempre
a necessidade de se viver o espírito
de luta, munido pela união de um mesmo parecer
e disposição mental.
Contudo, ninguém discordaria de que não é nada fácil
exercitar essa “ginástica”, ainda mais dentro do contexto
eclesiástico-ministerial.

O apóstolo Paulo, ao se dirigir à igreja de Corinto com um discurso de urgência sobre a necessidade da unidade na administração e projetos da igreja, deixa evidente que havia entre os crentes dificuldade de se falar uma mesma língua. Esse fato estava trazendo sérios problemas para as lideranças locais e regionais, bem como provocando uma “linha de impedimento” no crescimento integral (orgânico, diaconal, conceitual e numérico) dessa igreja.

Com isso, surgiram dentro da igreja torcidas e bandeiras apostólicas sem precedentes, gerando partidos político-eclesiásticos, a ponto de irmãos se odiarem e guerrearem: “Refiro-me ao fato de um de vós afirmar: “Eu sou de Paulo”; enquanto o outro declara: “Eu sou de Apolo”; e outro: “Eu sou de Pedro”; e outro ainda: “Eu sou de Cristo! ” (1Co 1:12). Foi por essa razão que o apóstolo os chamou de carnais, invejosos, segundo os padrões deste mundo (1Co 3:3).

Hoje não tem sido diferente nas famílias, na política, nas denominações. Os fatos tomam dimensão bem mais rápido do que naqueles dias. Àquela época, o mundo em que a igreja de Corinto estava inserida era mais compacto, retraído e tímido. Não estamos dizendo que não havia violência, criminalidade, assaltos, corrupção, etc. O mundo foi sempre perverso, desde o início, após o pecado (Gn 3). O que estamos dizendo é que hoje tudo é mais veloz e dinâmico. Tudo se faz e refaz numa velocidade incrível.

As redes sociais e os meios de comunicação, que por sinal são uma bênção e têm seus valores, transformou o mundo numa “aldeia globalizada“, onde todos sabem de todos em qualquer lugar deste planeta em fração de minutos. No entanto, esse avanço tem trazido certos desvarios e constrangimentos, que prejudicam a obra de Deus. É sobre isso que gostaríamos de refletir neste momento, por ocasião do dia do pastor, segundo domingo de junho, uma vez que somos responsáveis pelo rebanho de Deus (Hb 13:17).

BÍBLIA E TEOLOGIA

A teologia existe porque a Bíblia é um livro invulnerável e inatacável. Se a Teologia discute sobre a existência de Deus e os fatos relacionados a ele e ao mundo, não há como desvincular um do outro nem tampouco fundamentar qualquer tese teológica sem o respaldo das Escrituras. Não é assim que temos visto hoje em dia, quando muitos tentam sustentar de qualquer forma suas correntes teológicas. Jesus disse que uma casa (teologia) sem fundamento (Bíblia), construída sobre a areia, não suportaria a chuva e a força dos ventos que soprariam contra ela (Mt 7:24-27).

Pregam-se, hoje, mensagens sem nenhuma fundamentação bíblico-teológica. Por isso, os pastores e líderes da IPRB precisam precaver-se com relação àquilo que ensinam nos púlpitos. Há muita discussão desnecessária sobre certos conceitos que não nos levam a lugar algum. O verdadeiro conhecimento bíblico é a essência de uma boa e sadia teologia bíblica. Deus disse pelo profeta Oséias que o seu povo errava por falta de conhecimento (Os 4:6). É tempo de pregar e ensinar usando a mesma linguagem.

TEOLOGIA E ECLESIOLOGIA

É bem verdade que a teologia bíblica não é um produto acabado. Se assim fosse, não existiriam discussões e especulações a seu respeito. Todavia, ela não deve ser banalizada, como ocorreu em algumas circunstâncias da história. Há quem diga que a teologia, de tempo em tempo, precisa ser reformulada. Essa é uma questão que tem sido alvo de debates acadêmicos e ministeriais. No entanto, sendo ou não verdade qualquer conjectura a respeito de seus conceitos, seus princípios bíblicos jamais poderão ser alterados.

A eclesiologia, por sua vez, que é o ramo da teologia que trata da doutrina da igreja, responsável por assuntos importantes, como o papel da salvação, sua origem, sua disciplina, sua forma de se relacionar com o mundo, seu papel social, as mudanças ocorridas, as crises enfrentadas, a relação com outras denominações e sua forma de governo (veja a Confissão de Fé da IPRB), deve ser orientada por uma teologia, essencialmente, bíblica, madura e equilibrada, e, por que não dizer, holística. Por isso, a IPRB crê e adota uma eclesiologia com diretrizes balizadas unicamente pela Bíblia, o que nos outorga o status de uma denominação séria e reconhecida pelos segmentos políticos, religiosos e sociais em geral.

ECLESIOLOGIA E UNIDADE

Se a eclesiologia é responsável pela conduta da igreja dentro dos trilhos de uma teologia sadia e equilibrada, a unidade, neste caso, é o resultado dessa engrenagem, que funciona como mola-mestra da igreja. Quer dizer, a unidade é o ponto-chave para que a igreja tenha êxito na missão de fazer discípulos de todas as nações, segundo as palavras do próprio Jesus: “A fim de que todos sejam um; e como és tu, ó Pai, em mim e eu em ti, também sejam eles em nós; para que o mundo creia que tu me enviaste. […] Eu neles, e tu em mim, a fim de que sejam aperfeiçoados em unidade” (Jo 17:21 e 23).

Fica evidente no discurso de Jesus que a unidade move o corpo de Cristo. Sem ela o mundo é impedido de crer que Jesus foi o enviado do Pai, e não há como o corpo ter vida plena. Paulo deixa isso claro quando fala da igreja como corpo de Cristo: “Porque, assim como o corpo é um e tem muitos membros, e todos os membros sendo muitos, constituem um só corpo, assim também com respeito a Cristo (1Co 12:12). Portanto, entende-se que a unidade é parte essencial e indispensável, a fim de que os membros do corpo de Cristo sejam de mesma disposição mental e parecer.

UNIDADE E DIVERSIDADE

Por fim, aqui se complementa o processo da arte de falar uma mesma língua. A unidade é a característica dominante do corpo; e a diversidade, a cooperação no funcionamento. Parece não ser possível ter o mesmo parecer quando se trata de igreja. No entanto, na unidade todos são um e um são todos, porque o corpo precisa ser bem ajustado. Dentro da diversidade, todos não são todos, porque são membros diferentes que formam o corpo. Todavia, todos dependem de todos porque estão ligados uns aos outros no mesmo corpo.

Mas como explicar isso? O apóstolo Paulo dá a receita certa para esta pergunta: “Porque também o corpo não é só membro, mas muitos. […] O certo é que há muitos membros, mas um só corpo” (1Co 12:14,20). Portanto, a diversidade na unidade é uma realidade necessária, e não há como dizer o contrário. É na diversidade que as ideias opostas se acasalam e geram bons resultados. Além do mais, é bom lembramos que Deus nos criou únicos e é exatamente por isso que não seremos jamais iguais: “Mas Deus dispôs os membros, colocando cada um deles no corpo, como lhes aprouve” (1Co 12:18).

Por isso, caros colegas, estejamos certos de que Deus colocou cada um nós em seu devido lugar no corpo, com uma função específica, o que é salutar para a igreja. Podemos, sim, caminhar harmoniosamente dentro da diversidade, tendo um mesmo parecer, como o apóstolo recomenda aos crentes de Corinto, respeitando o espaço psicológico uns dos outros, porque a igreja é de Deus, e não nossa. Uma das grandes virtudes do ser humano é ser submisso a Deus e aguardar o momento certo de ser usado por ele naquilo que for a Sua vontade.

Desta forma, desejamos que Deus capacite e abençoe a todos os pastores e pastores auxiliares da IPRB, dando-lhes muita graça e sabedoria. Que nossos pastores e suas famílias sejam, dignamente, reconhecidos como homens e mulheres que o Senhor escolheu para pastorear o rebanho divino.

LIÇÕES PEDAGÓGICAS CONCLUSIVAS

Diante de tudo que analisamos, vamos elencar algumas lições bíblico-pedagógicas, que nos propõem diretrizes para o uso comum de uma mesma língua no discurso ministerial e denominacional.

Lição 1: Nenhum projeto, seja ele espiritual ou material, terá sucesso se todos não se unirem para falar ou pensar uma mesma coisa.

Lição 2: Todo projeto precisa ter como propósito primeiro o Reino de Deus, e não do homem ou da instituição.

Lição 3: Quando não se fala uma mesma língua, na edificação de qualquer empreendimento, a tendência é que ele seja embargado por Deus.

Lição 4: Falar a mesma língua consiste na arte da unidade-diversidade, para que os pontos de vista tenham uma vista correta dos pontos.

Lição 5: Para se elaborar qualquer tipo de projeto, precisamos, antes de tudo, consultar e buscar a direção e a aprovação de Deus.

A IPRB é fruto do avivamento – Junho/1975 e Julho/2000

O avivamento chegou!
Com ele a bênção. Nele estão a coragem, a firmeza,
a fé, o arrependimento, o abandono de pecados,
a santificação, a pureza
e o propósito de só amar a Deus.

Avivamento é renovação

Renovação por dentro. Renovação por fora. Despertamento. Todos querem ser renovados. É uma necessidade. Renovação faz parte da vida. A natureza muda. As estações mudam. Água doce e salgada muda. Árvores e animais mudam. O homem muda o meio ambiente. O próprio homem muda. A vida exige mudança. O passado ficou. O presente é. O futuro virá. É a mudança. Quantas vezes total e completa.

Avivamento é vida espiritual

Renovação na vida religiosa. Fala à alma, ao espírito. É vontade de Deus ao homem, Sua imagem. É bênção de Deus derramada no coração do homem. É despertamento religioso muito profundo. Atinge o coração, a alma, a personalidade toda. É a entrada do Espírito Santo no interior do homem, dominando-o inteiramente.


Avivamento é pentecostes

É o derramamento da chama do céu. Avivamento real e de PODER ligam-se intimamente ao pentecostes. Com ele a VIRTUDE dos céus envolveu os homens da igreja primitiva que abalou o mundo de seus dias. Era o PODER DO ESPÍRITO SANTO nas vidas resgatadas pelo sangue do Cordeiro de Deus. O pecador renovado é um cristão sobrenatural. Passou por uma experiência sobrenatural. É um pentecostal. Avivamento é muito mais do que cantar corinhos, do que orar, do que visitar, do que ser membro de uma igreja local. É Deus no centro da vida. É estar cheio de Deus. O avivamento está ao nosso alcance.


Avivamento é uma comunidade embebida de Deus

Deus incendiou a igreja de Jerusalém. O povo da cidade presenciou o fogo que ardia. Milhares foram salvos. Avivamento é chama no púlpito e nos bancos da Igreja, isto é, nos ouvintes. Avivamento é uma comunidade embebida de Deus. É vida santificada. Avivamento é o único plano de Deus para incendiar o mundo. Avivamento é PODER. Poder para evangelizar. Poder para salvar as almas.


O avivamento chegou

Com ele a bênção. Exige um preço. Ele entra e o pecado sai. Nele estão a coragem, a firmeza, a fé, o arrependimento, o abandono de pecados, a santificação, a pureza e o propósito de só amar a Deus. Começa com a Palavra de Deus. Apoia-se na Palavra de Deus. Inspira-se na Palavra de Deus. Alimenta-se da Palavra de Deus. É o resultado de orações, jejuns, vigílias, humilhação e estudo da Palavra de Deus. Este avivamento inflama os corações com um PODER tal que a vida se torna uma chama nas mãos de Deus. É vida nova com o Senhor. É separação do mundo.


O avivamento está ao nosso alcance

Deus continua entre nós. Ele quer derramar do seu Espírito. Se não vem é porque a confiança está ainda depositada nos planos humanos. O importante é colocar tudo no altar até que a promessa venha. O cristão deve viver tão alto que não precise do mundo. Há igrejas que precisam de novos pastores para os púlpitos. E há bancos que precisam de novos auditórios.

Busque este avivamento e tenha poder!