Chegamos a um momento importante para o nosso país: as eleições. Como cristãos que vivem em uma sociedade democrática, temos o direito e a responsabilidade de exercer o voto com consciência e liberdade.

O voto é pessoal e secreto. Por isso, cada cidadão deve analisar os candidatos, conhecer suas propostas, verificar sua trajetória pública e tomar sua decisão com sabedoria. A Constituição Federal assegura o voto direto e secreto, com valor igual para todos.

I. Nossa fé também faz parte da nossa cidadania

Como cristãos, temos valores que consideramos importantes e que devem ser respeitados em uma sociedade democrática.

A Constituição Federal assegura, em seu artigo 5º, inciso VI, a liberdade de consciência e de crença, o livre exercício dos cultos religiosos e, na forma da lei, a proteção aos locais de culto e às suas liturgias. Os incisos VII e VIII também garantem, nos termos da lei, a assistência religiosa em entidades civis e militares de internação coletiva e a proteção contra a privação de direitos por motivo de crença religiosa, observadas as condições previstas no próprio texto constitucional.

Essas garantias são fundamentais para que possamos continuar vivendo e professando nossa fé com liberdade e responsabilidade.

Por isso, é legítimo que o cristão considere, ao analisar os candidatos, como cada um compreende a liberdade religiosa, a dignidade humana, a justiça e os demais valores que considera importantes.

Mas precisamos fazer isso com equilíbrio. Não devemos votar movidos apenas pela emoção, por discursos inflamados ou por aquilo que alguém publicou nas redes sociais.

Precisamos pesquisar, comparar, conferir e discernir.

II. Que critérios devemos observar?

Precisamos avaliar candidatos que apresentem propostas e uma trajetória pública compatíveis com aquilo que consideramos importante para o país. Entre os critérios que merecem nossa atenção, estão:

Integridade e transparência: conhecer a trajetória pública dos candidatos, os compromissos assumidos e as informações disponíveis sobre sua atuação.

Combate à corrupção: avaliar propostas e práticas relacionadas à transparência, à fiscalização e ao uso responsável dos recursos públicos.

Educação: reconhecer a importância da educação para as pessoas e para a sociedade, observando as propostas para melhorar a qualidade do ensino e ampliar as oportunidades de acesso e aprendizagem.

Trabalho e formação profissional: analisar políticas que ampliem as oportunidades de emprego, a qualificação profissional e as condições para que as pessoas construam sua própria história por meio do trabalho.

Segurança pública: conhecer as propostas de prevenção da violência, de atuação das forças de segurança e de proteção das comunidades.

Combate à pobreza e à desigualdade: observar as políticas de assistência, inclusão e geração de oportunidades para as pessoas em situação de vulnerabilidade.

Liberdade religiosa e de consciência: conhecer as posições e o histórico dos candidatos em relação à liberdade de crença e de culto.

III. Não podemos nos omitir

A Palavra de Deus nos ensina que nossas escolhas têm consequências e que devemos assumir nossas responsabilidades.

Quando nos omitimos, deixamos de contribuir para a construção da sociedade em que vivemos. Por isso, não devemos entregar nosso voto de maneira inconsequente.

Também não devemos transformar as eleições em motivo de brigas dentro da igreja. Podemos ter opiniões diferentes, analisar os candidatos de maneiras distintas e votar em pessoas diferentes. Ainda assim, continuamos sendo irmãos em Cristo.

Nenhum candidato, partido ou projeto político pode ocupar o lugar que pertence a Jesus Cristo.

Nossa unidade está em Cristo, não na preferência por um candidato.

IV. Prepare sua “colinha”

Há também uma orientação prática importante: não é permitido entrar na cabine de votação com celular ou outros equipamentos que possam comprometer o sigilo do voto, mesmo que estejam desligados. Antes de se dirigir à urna, o eleitor deve desligar esses aparelhos e deixá-los no local indicado pelos mesários.

A Justiça Eleitoral recomenda levar uma “colinha” em papel, com os números dos candidatos organizados na ordem de votação.

Portanto, não deixe para a última hora. Pesquise seus candidatos, confira os números e prepare sua anotação.

No primeiro turno de 2026, serão seis escolhas, nesta ordem: deputado federal, deputado estadual ou distrital, primeiro senador, segundo senador, governador e presidente da República.

V. Uma palavra final

Como igreja e como ministros do Evangelho, temos a responsabilidade de incentivar uma participação cidadã consciente, responsável e pautada por princípios e valores cristãos.

O voto deve ser exercido com liberdade e consciência. É importante conhecer os candidatos, analisar suas propostas, avaliar seus posicionamentos e escolher de forma responsável, sem votar simplesmente por indicação ou influência de terceiros.

Sugestões de candidatos podem ser apresentadas para pesquisa e avaliação, mas a decisão deve ser livre e consciente de cada eleitor.

Pesquise. Compare. Ore. Pense. Analise. E exerça seu direito de voto com responsabilidade.

Que Deus nos dê sabedoria para escolher com consciência, discernimento para não sermos enganados por discursos vazios e maturidade para respeitarmos aqueles que pensam diferente de nós.

Que Deus abençoe o Brasil.

Que a justiça prevaleça.
Que a verdade seja respeitada.
Que os pobres e vulneráveis sejam lembrados.
Que a liberdade seja preservada.
E que nossa nação continue avançando em paz e responsabilidade.

Deus salve o nosso Brasil!

Um forte abraço!

Pr. Isaias Gomes de Oliveira
Presidente do Presbitério do Grande ABCD