Nesta parte 5 da série “Em meu peito Renovado”, seguimos refletindo a respeito das características que identificam nosso jeito de ser igreja. Sabemos que precisamos considerar todo o testemunho da revelação de Deus na Bíblia a respeito da igreja. Consideramos também que temos testemunhos em nossa história, como crentes presbiterianos renovados, que podem nos ajudar a compreender melhor nossa fé em Jesus Cristo e a obra do Espírito Santo. Vamos refletir sobre três dessas importantes características: o pentecostes, a pentecostalidade e a atualidade dos dons. Quando esses temas são compreendidos à luz de nossas histórias e a partir de nossas memórias podemos refletir melhor sobre a identidade dos crentes “renovados”.
Em 2025 completaremos 50 anos desde que assumimos o compromisso de viver a “pentecostalidade” na nossa história. Desde então construímos nossas memórias a partir das maravilhosas experiências de “navegar no oceano do Espírito”. Isto significa que somos pastores, presbíteros, diáconos e diaconisas, missionários (as) cheios do poder de Deus. Consideramos muito importante participarmos de cultos alegres, movimentados e criativos. São 50 anos de um projeto de avivamento contínuo! Pensando e vivendo a experiência de ser Igreja a partir do “calvário” e igualmente do “pentecostes”.
O PENTECOSTES – O dia do “Pentecostes”, tem uma data na história, foi o acontecimento fundamental para toda igreja de Jesus. E foi assim que Lucas narrou em Atos 2, nesse dia os discípulos e discípulas foram cheios do Espírito Santo em cumprimento à profecia de Joel 2:28-32, ao testemunho de João Batista (Mc 1:8) e do próprio Jesus (Lc 24:49; At 1:4,5). Foram “renovados” em todas as áreas da suas vidas. Todos os seus “sentidos” foram transformados: ouviram, viram e falaram.
Ouviram o som, como se fosse um vento muito forte, que fazia lembrar o Espírito Santo pairando sobre as águas, no começo, trazendo vida abundante e diversificada (Gn 1).
Viram línguas de fogo repartidas igualmente sobre todas as pessoas, trazendo à memória que Deus é fogo da purificação e da justiça. Justiça e pureza plenamente acessíveis a todas as pessoas.
Falaram em idiomas diferentes daqueles que conheciam. Foi um testemunho de que o Espírito promove a unidade e, mesmo na beleza da diversidade cultural, as pessoas podem conversar e glorificar a Deus. O povo “Renovado” também considera que a experiência atual de “falar em novas línguas” é muito mais que uma questão cultural. Trata-se também de um momento significativo de nossa espiritualidade e no fortalecimento de nossa intimidade com Deus.
O “Pentecostes” é uma obra contínua do Espírito Santo. E nós somos prova disso! As nossas “memórias” são repletas de momentos significativos, testemunhos cativantes de curas, libertações, sinais maravilhosos, visões, sonhos e, se pararmos para escutar os testemunhos do Espírito, vamos descobrir muito mais. O primeiro presidente da nossa igreja, o Pr. Abel Amaral, escreveu que o “Avivamento é pentecostes. É o derramamento da chama do céu. Avivamento real e de PODER liga-se intimamente ao pentecostes. Com ele a VIRTUDE dos céus envolveu os homens da igreja primitiva que abalou o mundo dos seus dias.” (Pr. Abel Amaral Camargo – Jornal Aleluia n.º 03, junho de 1975).
O Pr. Advanir Alves, atual presidente de nossa igreja, considera que ainda hoje precisamos de avivamento:
“Que caia sobre todas as igrejas renovadas, sobre todos os nossos membros, sobre nossos jovens e líderes, bem como sobre todo segmento evangélico de nosso país, uma chuva de avivamento, que leve o povo a ter sede e fome de Deus, para que aconteça um verdadeiro envolvimento e comprometimento com a Sua obra. Somente assim estaremos prontos para dizer como o profeta Isaías: “Eis-me aqui, envia-me a mim”, Is 6: 8. E, sem dúvida alguma, o resultado desse avivamento será o maior crescimento já provado por esta geração.Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2008.
PENTECOSTALIDADE – Aqui torna-se importante fazermos algumas distinções: “pentecostalismo” é um conceito sociológico para designar alguns setores do protestantismo, mas a “pentecostalidade” é uma marca da igreja em todos os tempos. Mesmo em diferentes tradições da fé cristã vamos identificar os traços que caracterizam essa obra contínua do Espírito Santo.Toda Igreja de Cristo está sob o “Pentecostes”, vivendo a obra contínua do Espírito Santo e expressando ao mundo essa “pentecostalidade”.
Nossa “pentecostalidade” se fundamenta nas escrituras e na experiência constante e atual com o mesmo Espírito que envolveu a igreja primitiva. Temos limitações e fraquezas, mas confiamos que, na plenitude do Espírito Santo, estamos comprometidos com a obra de Deus e somente pela graça podemos viver a vida de Cristo.
Testemunhamos tudo isso quando nos apresentamos como igreja cheia de vida e criatividade; que, pela fé, busca a justiça e a santidade; preparada para a diversidade cultural da criação de Deus e promovendo e valorizando a espiritualidade transformadora de toda a vida humana. É com base na “pentecostalidade” que vamos formar as novas gerações de pastores “renovados”, preocupados em fortalecer nossa memória de um povo avivado. Fortalecer o cuidado pastoral, valorizando as pessoas e suas experiências de fé e dedicação ao projeto da renovação. Serão plantadas novas igrejas “renovadas” em todo seu modo de ser e estar no mundo. Estabelecer projetos de evangelização e ação social com todo vigor e dedicação de uma igreja que vive sua espiritualidade transformando o mundo. Nossa experiência de gestão e governança eclesiástica será sempre sensível aos novos desafios que devemos enfrentar para nos organizarmos em um mundo em constante transformação. Em tudo estamos convictos de que uma característica fundamental da obra do Espírito é a disposição para criatividade. Ele sempre tem feito a provisão dos dons que precisamos para cumprimos a missão.
OS DONS – Uma marca da nossa “pentecostalidade” é o exercício dos “dons espirituais”. No dia do “Pentecostes” a igreja se compreendeu capacitada a cumprir a missão de Jesus. Ela estava confiante que o Espírito Santo capacitava, no seu tempo, as pessoas distribuindo muitos e diferentes Dons. Nós, igreja “renovada” afirmamos que esses “dons” são para o nosso tempo e que são fundamentais para que a igreja continue cumprindo o seu chamado para glória de Deus. Eles não são concedidos pela cor, condição social ou pelo sexo das pessoas; eles possuem uma diversidade maravilhosa e capacitam a Igreja em vários lugares com culturas diferentes. O Espírito Santo distribui dons para pessoas que não tiveram a oportunidade de frequentar uma escola e também para pessoas que tiveram a oportunidade de estudar e se formarem técnicos, bacharéis, mestres e doutores (1 Pedro 4.10).
Podemos ver e viver essa experiência da presença dos dons em nossas igrejas locais em diversos lugares do Brasil e do mundo, trazendo unidade para igreja (Rm 12:6-8). Na prática dos dons as pessoas vivem a vida do Reino de Deus em comunidade. Cada membro pode colaborar com os dons para o crescimento da igreja e sem eles o crescimento da Igreja não seria sustentável (1 Co 14:12).
Quando vivemos a atualidade dos dons as igrejas crescem em número de pessoas, no conhecimento da palavra de Deus, nos relacionamentos entre os membros. Nos tornamos uma Igreja que pode ajudar as pessoas que passam por necessidades básicas para uma vida humana digna (alimentação, saúde, segurança, educação). Afinal, somos chamados para sermos sal e luz do mundo.
Temos uma maravilhosa experiência na história do Presbitério de Belo Horizonte. Precisávamos resolver um problema administrativo e já havíamos esgotado, aos nossos olhos, os recursos técnicos disponíveis. Foi então que o Espírito Santo nos levou a uma irmã, que até aquele momento não estava em nosso campo de visão. O que precisávamos estava numa “pequena Igreja” com uma pessoa que não fazia parte das lideranças oficiais, mas uma pessoa cheia do Espírito Santo. E foi através dela, dos dons que o Espírito Santo concedeu àquela irmã, que conseguimos solucionar todo o problema. No exercício de nossa unidade podemos compartilhar os dons e ministérios que nos farão crescer. Imaginemos as proporções disso em uma Igreja com centenas de milhares de pessoas pelo Brasil e pelo mundo! Ninguém detém… é obra santa!!!!
Nossa igreja nasceu na confiança de que o “pentecostes” é uma obra contínua do Espírito Santo. É “avivamento” em todo tempo! A “pentecostalidade” não é apenas uma ideia ou mesmo um mero conceito teológico. Ela é um modo de vida que experimentamos nos congressos, encontros, cultos, retiros, em todo tempo. A dinâmica de nossa espiritualidade considera importante uma vida cristã na qual os dons do Espírito Santo sejam evidentes e partilhados entre toda igreja. Nos primeiros dias em que a IPRB foi organizada, em 1975, o Rev. Azor Etz Rodriguez escreveu: “Mas os dons (inclusive o de línguas estranhas) o Espírito os concede a quem, como e quando quer I Co 12:11 e 30” (Jornal Aleluia Ano I – Número 1).
O nosso “Peito renovado…” é um “Peito avivado…” que caminha para os seus 50 anos! Avivamento é alegria, unidade na diversidade, missão, viver diariamente a plenitude do Espírito e compartilhar lindas e maravilhosas experiências dos dons! Avivamento é o nosso jeito de ser!