Disse-lhe Deus: Sai e põe-te neste monte perante o SENHOR. Eis que passava o SENHOR; e um grande e forte vento fendia os montes e despedaçava as penhas diante do SENHOR, porém o SENHOR não estava no vento; depois do vento, um terremoto, mas o SENHOR não estava no terremoto; depois do terremoto, um fogo, mas o SENHOR não estava no fogo; e, depois do fogo, um cicio tranquilo e suave. Ouvindo-o Elias, envolveu o rosto no seu manto e, saindo, pôs-se à entrada da caverna. Eis que lhe veio uma voz e lhe disse: Que fazes aqui, Elias? Ele respondeu: Tenho sido em extremo zeloso pelo SENHOR, Deus dos Exércitos, porque os filhos de Israel deixaram a tua aliança, derribaram os teus altares e mataram os teus profetas à espada; e eu fiquei só, e procuram tirar-me a vida.
A Trajetória da Vida Sob o Cuidado de Deus
Na perspectiva do cuidado de Deus, a trajetória da vida dos seus servos é estabelecida através da fé e de propósitos que devem estar acima das dificuldades momentâneas. Ainda que passemos por desertos ou provações, podemos contar com o cuidado de Deus em cada escolha, erro e lição que nos levam a recomeçar.
Mesmo que não seja possível compreender esse cuidado em sua totalidade, podemos percebê-lo através das oportunidades que temos e do quanto somos fortalecidos e guiados por Sua presença, direção e sustento, até que alcancemos a vitória que nos está proposta.
A ideia da “trajetória e o cuidado de Deus” surge como uma forma de entender que a vida não é apenas uma sequência aleatória de eventos, mas um caminho acompanhado pela presença do Eterno.
Trajetória, em seu conceito básico, pode ser vista como o percurso único de cada indivíduo, onde Deus não apenas observa esse caminho, mas o conhece profundamente.
Elias: Um Homem de Deus em Tempos de Crise
Encontramos nas Sagradas Escrituras, em determinados capítulos do 1º Livro dos Reis, a vida de um grande profeta de Deus, Elias, sem encobrir as suas fraquezas humanas. Um instrumento poderoso nas mãos do Senhor, que enfrentou batalhas tanto espirituais quanto físicas e emocionais.
Para este artigo, escolhemos essa personagem tendo em vista sua semelhança com aqueles que travam suas guerras pessoais, enfrentam seus percalços em diversos âmbitos.
Há muito que aprender observando o que as Sagradas Escrituras relatam da vida e ministério deste humilde servo do Senhor.
Confronto, Dependência e Formação no Deserto
Elias vivia em uma época em que os reis fugiam dos profetas de Deus, por haverem se desviado dos caminhos do Senhor. Evitavam a qualquer custo ouvir os avisos, inclusive perseguindo-os.
Nesta fase da história, reinava Acabe, casado com Jezabel, responsável pela introdução da adoração a Baal em Israel, com práticas pagãs e sacrifícios terrivelmente brutais.
O profeta, a partir de então, inicia um grande confronto em Nome de Deus, num tempo de trevas e completo distanciamento entre o povo e seu Deus, decretando que o Senhor, segundo Sua Palavra, não mandaria chuva por três anos, 1º Reis 17.1.
Após essas palavras ao rei Acabe, Deus fala com Elias e o envia para o riacho de Querite, seu campo de treinamento.
Queremos aqui destacar que o profeta tinha um relacionamento de proximidade com seu Deus, a ponto de ouvi-Lo e obedecê-Lo. Em Querite, Elias teria experiências profundas para desenvolver dependência e confiança, necessárias para uma missão especialmente reservada para ele.
Afastado das atividades e isolado, Elias aprenderia que a confiança em Deus é um exercício diário, tornando-se, segundo o texto, um “homem de Deus”, 1º Reis 17.24. Escondido agora, por ordem do Senhor, o profeta veria que, enquanto estava sendo moldado, o Deus da providência não o desamparava: havia ali um riacho, e corvos vinham trazer o seu alimento todos os dias.
Temos aqui uma lição poderosa e diferenciada sobre nossa vida: a dependência gera humildade em nós. Uma característica que um líder precisa desenvolver ao longo de sua vida.
O Milagre, a Espera e a Vitória no Carmelo
Quando o riacho de Querite se secou, Elias ouviu novamente a voz do Senhor lhe direcionando para mais uma experiência notável do poder de Deus: o milagre em Sarepta, onde ouvir e obedecer a orientação do profeta mudaria a vida daquela viúva e seu filho, que seriam alimentados e abençoados pelo milagre que Deus fizera através do seu servo, 1º Reis 17.8-24.
Após o período de três anos, Deus fala novamente com Elias, e aqui aprendemos mais uma lição: devemos esperar o tempo necessário para ouvir a voz de Deus nos direcionando.
Deus envia Elias para estar frente a frente com o monarca, que culparia o profeta pela desordem no clima. Porém a resposta dada ao rei foi que o único responsável por todas as dificuldades provenientes da seca era ele mesmo, por sua adoração a Baal e outras atrocidades que levavam o povo para longe do Senhor.
A batalha seria grandiosa e Elias sabia o histórico do seu Deus, que nunca conheceu a derrota.
No monte Carmelo, Deus demonstra o seu poder, respondendo à oração do profeta de forma visível, mostrando que não haveria outro Deus que se comparasse ao nosso Deus, levando o povo a servir ao Senhor e livrando-os da adoração a Baal. A vitória pertence ao nosso Deus! 1º Reis 18.
Exaustão, Medo e a Fragilidade Humana
Quando Jezabel ficou sabendo, autorizada pelo rei Acabe, tomou o controle da situação e, com uma ameaça, foi capaz de amedrontá-lo.
Após anos em lutas, provações, confrontos e batalhas, vemos então uma cena inusitada na vida de Elias: um sentimento de desespero, total exaustão física e emocional, uma desmotivação sem precedentes. O homem de Deus estava agora tão exaurido de suas forças que já não suportava nem ao menos uma fagulha.
Neste contexto, uma palavra da mulher de Acabe, Jezabel, foi capaz de atormentar a sua mente, a ponto de perder as esperanças.
Dessa forma, mesmo como homens e mulheres de Deus que somos, podemos nos encontrar na mesma situação. Tão exaustos a ponto de não suportar mais nada, desanimados, frustrados e doentes, seja do corpo ou da mente, queremos nos isolar, desistir e até morrer.
Não há registros na história de Elias de que ele tenha se esfriado na fé, deixado de orar ou buscar ao Senhor. Logo, não há de que acusá-lo, a não ser sua humanidade. Mesmo sendo um grande homem de Deus, com um currículo impecável, possuía fragilidades e fraquezas.
A Bíblia não esconde que mesmo os grandes homens e mulheres de Deus têm o seu limite e podem estar suscetíveis à estrutura humana que temos.
Quando chegamos ao nosso limite, então qualquer palavra contrária é como uma flecha com veneno: independente de onde vier e pegar, se espalhará por todo corpo, mente e, por vezes, espiritualmente. E é exatamente quando vivenciamos esse momento que conhecemos o que significa a Maravilhosa Graça que nos alcançou.
O Deserto, o Cuidado de Deus e a Necessidade de Apoio
Elias procurou a solidão para atravessar o deserto, fugindo do medo que sentia. Com uma autoimagem totalmente abalada, pediu para si a morte.
Neste ponto das Escrituras, podemos aprender que, em casos que nos levem a sentir vulneráveis, não devemos estar sós: procure um apoio, uma ajuda. Nos desertos de nossa vida, não precisamos atravessar sozinhos.
As circunstâncias faziam com que Elias não conseguisse refletir corretamente. Seus pensamentos giravam em torno da ameaça que sofrera, como se estivesse impedido de lembrar-se de todos os feitos do Senhor. Ficar sozinho nessas condições não seria a melhor decisão.
A questão era que todas as dificuldades enfrentadas haviam enfraquecido o homem de Deus, levando-o à autocomiseração: “pois não sou melhor que meus pais”, 1º Reis 19.4. Ainda debaixo do zimbro, diz a Escritura, ele foi servido, voltou a “descansar” e depois foi chamado pelo Senhor para caminhar até Horebe. Neste trecho, notamos alguns instrumentos que identificamos como auxílio em momentos de tristeza ou mesmo em meio a uma depressão: ‘descanse’. Por mais irrisório que pareça ser, ou impossível, a sua saúde integral precisa do descanso. Outro fator é a alimentação. Na grande maioria dos casos, a ausência de apetite atinge a maioria das pessoas em estados de vulnerabilidade emocional.
A Voz Suave de Deus e a Restauração da Missão
Desta vez na caverna, no escuro da vida, sem esperança alguma, Deus o chama. Não repreende, mas amorosamente o chama para um diálogo. Não existem cavernas onde Deus não possa entrar. Uma demonstração de amor, interesse pelo que ele estava sentindo, como se estivesse dizendo: “Estou aqui para te ouvir”, 1 Reis 19.9.
O cuidado pastoral, através dos aconselhamentos e das sessões de terapia, desenvolve a prática da escuta ativa para apoiar nossa liderança e seus filhos, nos desertos, nos montes e nos vales de seu ministério, da sua vida relacional ou pessoal.
Elias lamenta. Seu desespero o faz acreditar que todos o deixaram, que ele é o único a adorar a Deus. Há um barulho fora da caverna: vento, depois terremoto e fogo. Porém não seriam essas as manifestações da voz do Altíssimo.
Por fim, segundo o texto de 1 Reis 19.12b-13, a voz do Senhor veio como uma brisa suave e o chama para fora da caverna, para estar na Sua presença, no lugar onde Ele se manifestaria.
Quando nos encontramos em momentos de muito estresse e sentimentos que levam ao isolamento, o próximo passo é sentir-se inadequado para estar diante de Deus, da Sua casa. Porém, com a experiência do profeta Elias, compreendemos que Deus não pensa assim. O que Ele mais deseja é estar presente, nos ouvir e falar ao nosso coração, especialmente nesses momentos.
Deus deseja revelar-Se a nós, mesmo nessas circunstâncias. Coloque seus pés para fora da caverna, ainda que as forças estejam esvaídas. Você importa para Deus! E mais: Elias precisava ungir o seu sucessor e saber que havia sete mil pessoas que serviam ao mesmo Deus, 1º Reis 19.15-18.
Amado(a) líder, você ainda tem sua missão, e não está sozinho!
Agradecimento.
O Projeto Renovar, sob a condução do Espírito Santo e abençoado pela Diretoria Executiva de nossa denominação, na pessoa do nosso Presidente, Pastor Jair Lara, nos incentiva, instrui, investe e cuida.
Colocamo-nos à disposição do Pastor, esposa e filhos, bem como de nossos Missionários(as) e filhos, para ouvi-los e ser o suporte, desde a prevenção ao tratamento, através do Aconselhamento Pastoral e Atendimento Clínico Psicológico.