Hoje não nos faltam materiais disponíveis no mercado evangélico, preocupado em ajudar os jovens ministros no direcionamento e exercício de um ministério de sucesso (pelo menos na mais aceita conceituação de uma teoria pastoral).
Todavia, é no campo, com o arregaçar das mangas, que a intelecção da doutrina e sua metamorfose, i.é, sabedoria, serão verificadas. E não há novidades acerca disto, haja vista que o apóstolo Paulo trata exatamente sobre essa questão de teoria/práxis com o jovem Timóteo.
Não é necessário expor o ambiente de heresias e fragilidade doutrinária no qual se encontrava a Igreja de Éfeso, pastoreada pelo jovem filho na fé de Paulo. Como um pastor tão novo como Timóteo lograria êxito na igreja, se ainda não possuía as experiências e os “cacoetes” do pastorado? A resposta e demonstração de que esse jovem discípulo de Paulo estava pronto para o pastoreio deveria surgir, no meio dos crentes da igreja, mediante sua firmeza doutrinária e comportamento irrepreensível.
Seria suficiente corroborar esta afirmação com os capítulos dois e três da primeira Epístola. Nesses textos, Paulo dirige-se a Timóteo diretamente e, explica como devem ser cumpridas, esboçadas e, principalmente, como lidar com o falso ensino. O conselho parece construtivo. Nenhuma tentativa é feita de denunciar ou refutar, mas toda ênfase é colocada no dever de Timóteo fazer-se modelo para o seu rebanho.
Ao colocar diante dos crentes um exemplo de fé, devoção e conduta cristãs, desviaria a atenção deles da heresia e, ao mesmo tempo, poderia dar vazão plena e frutífera ao dotamento espiritual que possuía em virtude de sua ordenação.
Entretanto, o jovem pastor Timóteo deveria expor (o termo no grego expressa a ideia de conselho, sugestão e não de ordem) essas coisas. Se assim o fizer, Timóteo terá comprovado ser de fato um bom ministro de Cristo.
O apóstolo não usa, aqui, a expressão 'excelente ministro', mas somente BOM. Assim, Paulo deixa nítida a verdade de que ser considerado um bom ministro de Cristo é a posição mais excelente que um obreiro pode lograr.
Tornar-se bom ministro de Cristo, depois de ser chamado, exige disciplina e prudência gerais. Acerca disto há pelo menos duas observações neste texto que nos indicam como um moço chamado para o ministério pode atingir o ápice de poder ser considerado bom ministro de Cristo. A primeira observação feita é de que:
1 – A ortodoxia não pode ser abandonada na experiência ministerial
A palavra ortodoxia deriva-se da junção de dois termos gregos ( orto+doxa ) e sugere-nos a noção de “correta doutrina”, mas que, literalmente, primitiviza a ideia de “correta glória”
Restritamente, neste texto, doutrina refere-se a todo o arcabouço teológico legado pelos apóstolos de nosso Senhor Jesus à Igreja. Essa doutrina é salientada veementemente por todo o NT como a base para a realização de um ministério frutífero e bom. Não é por menos que Calvino, ao comentar 1Tm 4: 13, afirma que Paulo ordena a Timóteo para que se dedique antes à leitura e só depois ao ensino, porque ninguém pode ensinar sem que antes tenha aprendido.
Fica aos obreiros a responsabilidade de nunca nos afastarmos da doutrina sagrada, da Palavra de Deus. Porventura, onde encontramos Cristo ensinando alguma doutrina que não tenha sido oriunda das Escrituras Sagradas? Ademais, compete ao jovem obreiro observar não só a ortodoxia indispensável ao bom ministério; cabe ao obreiro, também, observar que:
2 – A ortopraxia deve ser real, refletindo a ortodoxia
Desafios e oportunidades da plantação de igrejas
19/12/2023