Cidade Sol: terra fértil dos primeiros missionários, Priscila e Áquila, da IPRB

Conheço de perto essa terra quente e abençoada! Aliás, já a conhecia de vista, quando era adolescente. Sim, meu pai era caminhoneiro e transportava madeira das Minas Gerais para a capital baiana. A ponte que cobre o Rio de Contas era o ponto de referência que sinalizava nossa ligeira passagem pela BR 116 que cruza as entradas da cidade. É curioso como o tempo passa sem que nos demos conta dele: cinquenta anos se passaram desde o dia em que os primeiros missionários pisaram o solo dessa terra com a incumbência de plantar ali uma Igreja Presbiteriana Renovada.

A IPR de Teófilo Otoni, MG, vivia o auge do avivamento. Estava em chamas! Em junho de 1975, nascia a Missão Priscila e Áquila, a MISPA, fundada pelo saudoso amigo pastor Altair Batista Linhares. O propósito da Missão era alcançar primeiro a Bahia para Cristo. As primeiras incursões às terras baianas foram realizadas com sucesso em julho de 1975. Vitória da Conquista, Jequié e Itabuna foram as primeiras cidades inspecionadas. Conta o fundador da MISPA que, chegando a Jequié, pela manhã, os integrantes da caravana de inspeção deram uma volta pela cidade e foram parar no bairro do Jequiezinho.

Estacionaram o carro e ficaram contemplando a cidade. Enquanto conversavam, avistaram um senhor que vinha na direção deles com um violão debaixo do braço. Foram unânimes em dizer que se tratava de um crente pentecostal. De fato, um evangelista do ramo pentecostal. Cumprimentaram-se, oraram e choraram juntos! Como precisavam de um guia para orientá-los, esse enviado de Deus era a pessoa certa. Já que conhecia a cidade, pôs-se pronto a auxiliá-los nessa missão. O local indicado seria o bairro Joaquim Romão, onde hoje está a igreja pioneira fundada pela MISPA no Nordeste Brasileiro.

TEMPO DE PLANTAÇÃO

Em um fusquinha azul, ano 1973, de propriedade de Linhares, a equipe composta por ele, o pastor Ariovaldo Cardoso de Oliveira (in memoriam), da IPR de T. Otoni, o presbítero Manoel Costa Aguiar (in memoriam), da IPR de Medina, MG, e mais dois irmãos saíram para ver o lugar. Chegando ao bairro Joaquim Romão viram que a terra era fértil e sentiram a confirmação do Espírito Santo. Despediram-se e nunca mais viram esse irmão. Meses depois, alugaram um salão na rua Leur Brito, 301, próximo à rodoviária. O início do trabalho em Jequié, que é o primeiro campo missionário da MISPA, se deu no dia 9 de janeiro de 1976. Em Vitória da Conquista, o trabalho se iniciou em 10 de janeiro, com os missionários Sebastião Nunes e sua irmã Pio Nunes.

Os candidatos para a força-tarefa em Jequié foram os jovens Pedro Venâncio, com quem conversamos recentemente, sua irmã Fátima Nogueira que, atualmente, mora em Governador Valadares, e a jovem Helena Caetano (in memoriam), todos da IPR de Teófilo Otoni. Os primeiros cultos tinham cinco pessoas e a primeira EBD registrou oito alunos, o mesmo número dos integrantes da família de Noé. No dia 19 de setembro de 1976, realizou-se o primeiro batismo, de quatro convertidos, entre eles, Jacinta Rangel Santos, que foi curada de câncer. Hoje, com 97 anos, ainda permanece na IPRJ. Pedro casou-se em maio de 1976 e logo no início de 1977 foi para Nanuque, MG. O missionário Alcides Vieira assumiu seu lugar, ficando por pouco tempo, sendo substituído pelo missionário Heliodoro Sobrinho (in memoriam), que a princípio iria para Itabuna, BA.

TEMPO DE TRANSIÇÃO

Heliodoro Moreno Sobrinho, tinha 51 anos à época, era baiano de Bom Sossego, viúvo, pai de dois filhos, ex-macumbeiro, oriundo da Igreja Pentecostal Peniel e foi consagrado a evangelista por essa igreja, em 7 de setembro de 1966. Na IPRB, foi conduzido ao ministério pelo Presbitério de Governador Valadares, no dia 3 de janeiro de 1981, e ordenado a pastor, no dia 23 de janeiro de 1982, pelo Presbitério da Bahia. Conheci de perto esse homem de Deus, de semblante sério, de boa índole, de mensagem simples e cheio de autoridade e graça divina para expulsar demônios. Seu ministério foi marcado por dezenas de conversões de famílias escravizadas pelo diabo. Sua performance ministerial era muito bem-quista por todos.

Depois, compraram uma pequena propriedade, na rua Mário Lins, 435, que ficou conhecida como a “manjedoura”, sendo organizada em igreja em 5 de fevereiro de 1983. A igreja cresceu e foi necessário construir um templo mais amplo, em terreno adquirido no mesmo bairro, na rua Félix Batista, 897. Em 12 de outubro de 1985, o novo templo fora inaugurado com uma grande festa. A membresia era na sua maioria jovem e muito ativa. Com o crescimento, vieram as exigências administrativas e eclesiásticas. Em janeiro de 1987, o pastor Heliodoro Sobrinho foi transferido para Ibirataia, BA, permanecendo com residência em Jequié, e o pastor de Ibirataia foi para a Cidade Sol.                   

TEMPO DE CONSOLIDAÇÃO

Os planos de Deus são inquestionáveis! Após o término do meu curso de Teologia no antigo Seminário e Instituto Bíblico de Cianorte, fui designado pelo Presbitério, em janeiro de 1986, para o campo de Ibirataia, cidade cacaueira no Sul da Bahia. Casei-me em maio desse mesmo ano. Eu e a Nícia éramos jovens quando deixamos a Congregação de Ibirataia e assumimos a IPR de Jequié. Estávamos substituindo um pastor muito querido pela igreja que havia enfrentado grandes desafios nos primeiros dez anos de sua fundação. Foi um tempo difícil, mas de amadurecimento e crescimento para nós e a igreja. Em 1991, tivemos a graça de celebrar seus 15 anos de existência.  

Hoje, a IPR de Jequié é uma igreja consolidada na Rocha, que é Cristo. Seus 50 anos de vida e pregação da Palavra de Deus atestam esta verdade. Nosso pastoreio foi marcado por grandes experiências. Como todos os demais pastores, deixamos nosso legado para o Reino de Deus nessa igreja. Em fevereiro de 1992, fomos empossados na 1ª IPR de Ponta Grossa, Sul do Paraná. O pastor Sérgio da Silva Dourado, por decisão da igreja local em reunião e aprovação do Presbitério, foi nosso sucessor (1992-1994). Com sua saída, assumiu a igreja o jovem pastor Gleidson da Silva Costa (1995-1998), natural de Jequié, que se convertera no nosso primeiro ano à frente dessa igreja.

Seu sucessor foi o pastor Antônio de Jesus Mendonça (1999-2005), sucedido pelo Pr. Clodoaldo Brito dos Santos (2006-2023). Em 18 de janeiro de 2024, o pastor Valdemir dos Santos Barbosa, que foi nossa ovelha e que nos auxiliou como músico em Ponta Grossa, foi convidado pelo Conselho e transferido pelo Presbitério, da IPR de Encruzilhada, BA, para pastorear a igreja cinquentenária. Atualmente, ela desfruta dos frutos colhidos nessas cinco décadas. As festividades de seu Jubileu de Ouro serão realizadas nos dias 13 a 18 de outubro deste ano. Segundo o pastor Valdemir Barbosa, que nos pediu para que registrássemos esta história, esse evento está sendo aguardado com muita expectativa. Parabéns, povo de Jequié!

Por Emerson Dutra,
Ministro do Evangelho,
professor, escritor e
autor do livro:
Vida, Deus se Importa com Ela!?