A desunião entre irmãos – Julho/2003

Ainda não aprendemos a discordar
sem dividir e sem desunir

Infelizmente ainda existem grandes empecilhos
entre os “irmãos” da grande família de Deus
na terra – a Igreja

Tais empecilhos agem como fortes
muralhas de separação

Fato é que o radicalismo dogmático, vindo
de nossas próprias regras e convicções,
tem dividido a Igreja de Cristo Jesus

Vamos refletir sobre alguns deles

A ideia de que Deus só pertence ao “meu” grupo

O conceito de que Deus seja patrimônio de grupos, que o Espírito Santo pode ser preso a determinados costumes locais. Consequentemente, quem sai destes grupos não tem Deus, está fora da visão, está sem cobertura espiritual, ou ainda está em rebeldia. Que tolices!

A ideia de que só a minha hermenêutica está correta

O conceito de que só eu sei fazer a coisa certa. De fato, devemos seguir os princípios universais da interpretação bíblica. Mas longe de nós dizer: a minha exegese é perfeita. Porque o exegeta sempre leva para o texto que está interpretando sua cultura e tradição teológica.

A ideia de que só a minha “performance”
espiritual está correta

O conceito de que só eu sei tudo. Este é outro motivo que tem fragmentado o corpo de Cristo. Já é tempo de sabermos que a multiforme graça de Deus não opera sempre da mesma maneira. Não posso julgar ou condenar outros irmãos que não têm o mesmo jeito que o meu ao liderar, ao pregar, ao ensinar, ao agir. Pelo contrário, precisamos sempre uns dos outros. Ninguém sabe tudo, ninguém recebe tudo, e só Deus tem a última palavra.

A ideia de que as tradições são intocáveis

O conceito de que não se pode mudar nada. O apego extremado às tradições tem causado separações e divisões entre irmãos. Todos os grupos têm tradições e nós temos as nossas. Em alguns grupos a tradição é tão forte que, quando alguém sai, o motivo não é a violação de alguma doutrina bíblica, mas a quebra de alguma tradição. As tradições são como odres velhos que são deixados de lado, não porque sejam velhos, e sim porque enrijeceram. O odre é feito de pele, precisa ser macio e elástico porque, quando o vinho novo fermenta, o odre estufa e, se a pele for velha, arrebenta-se.

Ah! Que força têm as tradições! Mas é de flexibilidade que precisamos diante de fatos novos, de tempos novos. Às vezes Deus nos obriga a quebrar algumas tradições para bem dos irmãos e para o êxito da causa que abraçamos.

Palavra final

Vamos pensar sobre este assunto? Sabendo que pensar pode ser perigoso, porque costuma levar a conclusões de que é preciso mudar, e mudanças podem custar algumas coisas que nos tirarão da área de conforto.

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Fonte: Jornal Aleluia de julho de 2003

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